Notas iniciais
Oiee, aqui está mais um novo capítulo! Os personagens estão demorando pra aparecer, mas vai valer a pena, prometo. Espero que gostem ♥

“Thismorning I wokeup still dreaming
With memories playingthroughmyhead
You'llneverknowhowmuch I miss you
The daythattheytookyou, I wish it was me instead”

24 de junho de 1977

O jantar até que estava indo bem, Lily apenas queria possuir a habilidade de ficar surda momentaneamente, mas não sentiu vontade de se matar nenhuma vez, o que era um fato e tanto, levando em conta quem era sua companhia naquela noite. No começo, Guida até tinha tentado puxar um assunto com ela, mas quando viu que tanto Petúnia quanto Válter estavam ignorando a sua existência ela fez o mesmo.

Lily nunca tinha visto pessoas tão patéticas. Ela já sabia da ignorância do namorado de sua irmã, porém tinha esperanças de que isso não fosse um fator genético. Mas era. Guida era tão desagradável quanto ele, se não pior.

Robert Evans, o pai das duas irmãs, parecia compartilhar da mesma opinião de sua filha mais nova, mas, mesmo assim, não deixava de ser agradável com os convidados.

— Meio estranha a sua irmã, não? Muito quieta... Ela tem algum problema de fala ou algo do tipo?

Lily tinha entreouvido Guida questionando Petúnia ao final do jantar quando sua irmã a acompanhava, juntamente com Válter, até a porta.

Antes que Petúnia tivesse a chance de a repreender por parecer esquisita, Lily subiu as escadas até o seu quarto. Ela começou a escrever para Marlene como havia prometido horas antes, sabendo que a amiga ficaria decepcionada por nada de excitante ter acontecido.

— Noc, noc – o pai de Lily disse abrindo a porta – Posso entrar?

Lily assentiu com a cabeça. Robert se sentou ao seu lado na cama.

— Escrevendo pra quem, filha? Um garoto que eu não conheço? Um novo namorado? — ele sugeriu rindo. Seu pai adorava a deixar constrangida.

Lily revirou os olhos, mas riu de leve, ela já estava bem acostumada com as brincadeiras de seu pai.

— Na verdade, é pra Marley.

— Mas ela não foi embora hoje? — Lily assentiu – Ah, já sei. Ela quer saber se algo relevante aconteceu, não é?

— Exatamente... E nem começa a fazer essa cara, papai – Lily disse quando Robert começou a rir negando com a cabeça — Vocês dois são iguais, sedentos por uma fofoca que só vendo para acreditar.

— Minha filha, que acusação infundada é essa? — ele falou com um olhar sério, que qualquer pessoa que o não conhecesse pensaria que ele estava realmente ofendido.

— Não é uma acusação infundada, papai. É um fato! — Lily disse sustentando o olhar dramático.

— Está bem, está bem. Eu admito essa minha pequena falha – Robert brincou — Você não pode culpar um homem por querer se manter informado sobre a vida das minhas filhas...

— Só das suas filhas? — Lily ironizou.

— Das pessoas no geral – ele admitiu rolando os olhos — Você é igual a sua mãe, Lily. Ela também me achava intrometido.

Lily sorriu ao se lembrar da mãe, ela já havia passado da fase em que ficava triste pela simples menção de seu nome. É claro que esses momentos ainda aconteciam, ela ainda sentia muita falta de Violet Evans, mas agora ela conseguia focar nas memórias positivas que tinha com a mãe, ao invés de se lamentar por ela não estar mais ao seu lado.

Violet havia falecido há quase quatro anos, em novembro de 1974, quando Lily tinha apenas 14 anos de idade. Foi um momento muito difícil para ela, Lily era muito próxima de sua mãe, e também era Petúnia. O falecimento da mãe proporcionou um maior distanciamento entre as duas, diferente do que Lily tinha pensado. Lily achava que a perca da mãe as uniria de alguma forma, sendo que as duas eram a única coisa que sobrava dela. Mas isso não aconteceu.

Seu pai foi, provavelmente, quem mais sofreu dos três, porém, ele tentava o máximo não demonstrar. Robert queria mais do que tudo ser forte para suas filhas, e ele foi, mas Lily podia ver o quanto a morte de sua mãe o tinha machucado. Eles não eram aquele tipo de casal do qual a paixão havia evaporado com os anos de casamento, e que ficavam juntos apenas por convenção. Eles realmente se amavam.

— E ela estava certa — disse Lily sorrindo.

Seu pai sorriu, e ficou observando enquanto ela escrevia por algum tempo.

— Ela vai ficar desapontada – disse Robert indicando a carta – Que nada de emocionante aconteceu – completou — Quem sabe você inventa alguma coisa? Escreve aí dizendo que você transformou o seu cunhado em um camelo.

— Camelo?

— Isso.

— Por que eu o transformaria em um camelo? — perguntou Lily confusa.

— Eu os acho fascinantes... Muito mais do que Válter... Mas não conte isso a Petúnia! — ele acrescentou rapidamente, arrancando uma gargalhada de Lily.

— Não que seja muito difícil... Ser mais fascinante do que ele.

— Lily! — seu pai a censurou.

— Mas foi você quem disse! — ela falou rindo exasperada.

Robert tentou manter o olhar de censura, mas fracassou

— Se você não gosta dele, por que não fala para Petúnia? Ela respeita a sua opinião.

Ele pensou um pouco antes de responder Lily.

— Filha, não sou eu quem tem que gostar dele, e sim a sua irmã. A minha única preocupação é com que ele a trate bem. E mesmo ele não sendo a minha primeira escolha de genro, ou de pessoa para falar a verdade, ele parece realmente se importar com sua irmã, e para mim, é isso que conta.

Lily assentiu silenciosa, pensando nas palavras de seu pai.

— O mesmo vale para você, filinha – ele olhava direto em seus olhos – Quando você encontrar alguém que realmente gosta, eu não quero que você busque a minha aprovação, e sim a sua própria. A única coisa que eu quero é que minhas filhas estejam com alguém que elas amem e que as amem de volta.

Lily se jogou em seus braços, o abraçando apertado.

— Eu te amo, papai.

— Eu também te amo – ele falou retribuindo o abraço – Agora, vou te deixar acabar de escrever a sua carta. Fala pra Marley que eu mandei um beijo.

— Ela ficou bem ofendida que você não se despediu – Lily brincou – Ah, e ela mandou avisar que não foi ela quem pegou o livro na sua biblioteca.

Robert riu balançando a cabeça.

— O livro que eu deixei, propositalmente, visível pra ela pegar? — Lily o encarou confusa – Eu faço isso todos os anos, você não sabia? – ele perguntou — Eu sempre separo um que acho que ela vai gostar e deixo ele destacado na estante – Lily o olhou admirada — Viu, minha filha? Seu pai é cheio de surpresas. Agora, se você me der licença, o seu, não tão velho, pai, precisa dormir – ele lhe segurou o rosto e depositou um beijo em sua testa.

— Boa noite, papai.

Ele se encaminhou até a porta, mas antes que saísse do quarto se virou para Lily e disse:

— Você sabia que os camelos podem beber 100 litros de água em pouco mais de dez minutos?

— O que...?

— Boa noite, filha – ele disse fechando a porta, a deixando no quarto, sozinha e confusa.

*

25 de junho de 1977

Alice Fawley estava tomando um sorvete de flocos, o seu sabor preferido, na sorveteria Florean Fortescue, enquanto esperava seu pai sair do trabalho. Fazia uma semana que ela não o via, ele precisava resolver uma coisa no trabalho antes de ir para casa, por isso ele havia pedido para ela o esperar no Beco Diagonal.

Samuel Fawley, seu pai, era um homem muito amável, mas firme ao mesmo tempo, completamente comprometido com tudo o que fazia. Ele trabalhava no banco Gringotes como desfazedor de feitiços. Era um trabalho um tanto perigoso e que requeria muitas viagens, para a infelicidade de Alice. Ela o via menos do que desejava, porém nunca reclamava disso para seu pai já que sabia que ele amava o seu trabalho.

Alice estava tão distraída que levou um susto quando alguém, repentinamente, lhe deu um beijo da bochecha.

— Papai, é você! — ela respirou aliviada, o dando um abraço que não foi correspondido. Ele estava com os braços firmes atrás das costas – O que é que você está escondendo? — ela perguntou curiosa.

— Alice, você tão tem nenhuma graça. Eu estava tentando te fazer uma surpresa – ele falou decepcionado.

— Bom, você foi um pouquinho óbvio — disse ela rindo – Mas me fala, o que tem aí?

Antes que seu pai tivesse a chance de responder, algo piou atrás de dele.

— É UMA CORUJA! — exclamou Alice.

Seu pai, frustrado pela surpresa ter sido estragada, puxou a gaiola para frente de seus braços, revelando um linda coruja. Ela tinha uma pelugem vermelha, que Alice nunca tinha visto igual antes, e era um pouco maior que um filhote.

— Agora foi você quem estragou a surpresa – Samuel falou para a coruja.

— Ela é linda – disse Alice admirada.

— Eu pensei que você fosse gostar – disse ele orgulhoso – Eu a comprei na viagem, é típica do lugar em que eu estava.

— Eu amei, muito obrigada – ela falou sorrindo – Alguma ideia de nome?

— Oddie? — Samuel sugeriu.

— Hum... — ela murmurou pensativa – Vou levar essa sugestão em consideração.

— É um ótimo nome!

— Tá, tá. Se você diz...- ela concordou — E como foi a viagem? Você parece cansado.

— Foi exaustiva, mas emocionante – ele disse enquanto se sentava a sua frente na mesa – Mas não vamos falar disso agora, depois eu te conto tudo. Agora, me conte sobre esse seu novo cabelo.

Alice sorriu e institivamente colocou a mão em seus fios. Eles estavam mais curtos desde a última vez que seu pai a viu, seu cabelo castanho estava um pouco abaixo do ombro e ela agora estava com uma franja.

— Uma mudança não faz mal a ninguém, faz? — ela sugeriu sorridente.

Seu pai estava se preparando para falar alguma coisa, algo que Alice nunca saberia o que era.

Tudo aconteceu muito rápido. Subitamente, três pessoas apareceram no local, eles estavam com roupas inteiramente pretas e usando máscaras que cobriam todo o rosto, com exceção dos olhos. Alice, imediatamente, já sabia de quem se tratavam. O maior dos Comensais da Morte apontou a varinha para Samuel e disse numa voz grossa que Alice jamais iria esquecer:

— Avada Kedavra.

Alice olhou a cena estática, estava com os olhos fixos em seu pai, que agora se encontrava no chão. O peso de seu corpo sem vida havia feito a cadeira tombar para trás.

— Que isso sirva de aviso – uma voz feminina a tirou do transe – Fale para sua mãe que o Lorde das Trevas comunicou que se ela quiser continuar escrevendo sem cautela, terá que lidar com as consequências. Você será a próxima.

E assim, do mesmo jeito que apareceram, os três Comensais da Morte sumiram na imensidão. Ninguém tinha feito nada, ninguém teve tempo de fazer nada. Pelo menos, era isso que Alice queria acreditar, que não tivera tempo salvar o seu pai, pois se pensasse o contrário, não conseguiria viver com a culpa.

Alice ouviu gritos, mas não se moveu. Ela ouviu pessoas correndo, mas não se mexeu. Ela continuava imóvel em sua cadeira, olhando para o corpo de seu pai, sem assimilar direito o fato de que ele não iria se levantar daquele chão gelado.

Alice apenas recuperou um pouco de seus sentidos quando sentiu a mão de alguém tocando o seu ombro, era o senhor Fortescue, o dono da sorveteria. Ela percebia que ele estava falando com ela, mas a sua audição parecia ter desaparecido, todos os sons ao seu redor pareciam abafados. Ela percebeu que novas figuras agora estavam presentes no lugar, provavelmente aurores, mas ela continuou parada.

A única coisa que Alice foi capaz de fazer foi tirar a sua coruja da gaiola e a segurar no braço. A última recordação que tinha de seu pai.

*

Fazia menos de um mês desde que Frank Longbottom havia se formado e menos de duas semanas desde que suas notas chegaram. Ele tinha conseguido seis NIEMS, mais do que o necessário para poder se inscrever no Programa de Aurores, o que ele havia feito imediatamente. E ele tinha sido aceito. Frank Longbottom iria se tornar um auror.

A primeira coisa que ele pensou em fazer foi contar a novidade para sua namorada, Alice, mas quando ele já estava se preparando para aparatar em sua casa se lembrou de que ela estava no Beco Diagonal com seu pai, então Frank esperou. Porém, a espera não foi muito longa, mal sabia ele que havia algo que iria cessar com a sua felicidade ainda hoje.

Da sala, Frank ouviu batidas desesperadas vindas da porta de entrada.

— Atenda a porta, por favor, filho — sua mãe, Augusta, pediu.

A passos rápidos, Frank se dirigiu até a porta. Quando a abriu se deparou com Fabian Prewett, seu rosto estava coberto de pesar, e suspirou aliviado quando viu que foi Frank quem o atendeu.

— Por Merlin, que bom que você está em casa! — Fabian exclamou aliviado.

— O que acontec...

— Você precisa vir comigo – ele disse agitado – Algo ruim aconteceu.

Frank congelou, já temendo por seus amigos.

— Quem está aí, Frank? — Augusta questionou, logo aparecendo atrás de seu filho – Ah, Fabian, como você vai, garoto? Ou você seria o Gideon?

— Desculpe, senhora Longbottom, mas eu e Frank precisamos ir – Fabian a cortou – Agora!

— Antes me explique o que aconteceu – ela exigiu.

Fabian suspirou exasperado.

— Alice e seu pai foram atacados no Beco Diagonal...

— Alice? — Frank perguntou desesperado, seu coração estava errando as batidas – O que aconteceu? Ela está bem? Me leve até ela...

— Deixe o garoto acabar de contar – Augusta disse censurando o filho, a preocupação em sua voz era perceptível.

— Eu e Gideon estávamos passeando pelo Beco quando aconteceu, ouvimos uma comoção e fomos correndo ver do que se tratava – ele explicou – Gideon está com a Alice, achei melhor vir te chamar. Quando eu saí a mãe dela ainda não havia chegado, os aurores estavam tentando comunicá-la.

— E o seu pai? — Frank perguntou com um sussurro.

Não foi preciso Fabian responder, seus olhos já diziam tudo. Frank se sentiu fraco como se não tivesse mais forças para manter o seu corpo em pé.

— Vamos, filho – Augusta disse colocando a mão no ombro de Frank – Alice precisa de você. Você tem quer ser forte por ela.

Frank assentiu, sua mãe estava certa, ele não poderia se dar ao luxo de sucumbir à fraqueza, não agora. Ele precisava ser forte por Alice, precisava ser forte pela mulher que amava. E ele seria.

*

28 de junho de 1977

Três dias haviam passado desde a morte de seu pai, mas Alice não tinha derrubado nenhuma lágrima sequer, e era isso o que mais preocupava os seus amigos. Frank não tinha deixado o seu lado desde que a encontrou no Beco Diagonal, estava pronto para confortá-la no momento em que ela precisasse. Todas suas amigas tinham ido visitá-la, ver como ela estava, e todas saíram mais angustiadas do que quando entraram.

Mas o que elas esperavam? Que Alice estivesse se descabelando de tanto chorar? Que estivesse desamparada e lamentando pelo seu pai? Bom, ela não estava porque não acreditava que seu pai estava, de fato, morto.

Não fazia sentido, não para Alice. Ela testemunhouo ataque, ela presenciou a maldição imperdoável atingir o seu pai, ela viu a vida deixar o corpo de Samuel Fawley, mas mesmo assim não acreditava.

— Você está pronta, Lice? — perguntou Frank.

Alice, que estava se encarando no espelho, se virou em direção ao namorado e assentiu. Frank estendeu mão e juntos eles se encaminharam até a sala. Lá estava a sua mãe, as olheiras abaixo de seus olhos eram visíveis, mesmo com a tentativa de esconde-las com maquiagem, ela estava miserável, a culpa a consumia.

Os três aparataram juntos para onde iria ser o funeral. Todos os seus amigos já estavam lá, com o mesmo olhar de pena caindo sobre ela. Todos a abraçaram e disseram palavras gentis, das quais Alice já não lembrava. Marlene foi a última a abraçar, propositalmente, e a que mais demorou no ato. Diferente dos outros, seu olhar não era de pena e sim de ansiedade.

— Leve o seu tempo – ela sussurrou em seu ouvido – Eu vou estar aqui quando você precisar.

Alice assentiu, pela primeira vez ela pareceu entender o que estava acontecendo e o desespero começou a tomar conta de seu corpo. Ela olhou para um lado, as lágrimas não paravam de escorrer dos olhos de sua mãe, olhou para outro, Frank segurava fortemente a sua mão, se controlando para não demonstrar o quão deprimido estava. Alice começou a observar todos ao seu redor.

Emmeline estava olhando fixamente para algo que Alice não sabia o que era, seus olhos estavam brilhando, mas ela lutava para não deixar as lágrimas escorrerem. Mary estava ao seu lado, as duas estavam com os braços entrelaçados. Diferente de Emmeline, Mary deixava as lágrimas escorrerem lentamente pelo seu rosto. Ao lado das duas estavam Peter e Remus, ambos com uma aparência abalada, o primeiro estava assustado, não conseguia tirar os olhos do lugar em que estava o corpo do pai de Alice.

Logo atrás estava Lily, abraçada a Dorcas e de mãos dadas com Marlene. As três choravam, sem vergonha de deixar as lágrimas caírem. Marlene estava com a cabeça apoiada no ombro de James. Sirius e os gêmeos Prewett também estavam naquela fileira. Alice demorou um pouco o olhar em Gideon, o primeiro conhecido a ampará-la. Eles nunca tinham sido muito próximos, por serem de anos diferentes, mas ele, juntamente com Fabian, era o melhor amigo Frank. Alice sorriu levemente em sua direção, grata, ela nunca esqueceria que foi ele o primeiro a ampará-la.

Finalmente, uma tímida lágrima escorreu pela face de Alice, seus sentidos estavam voltando e ela não estava gostando nada disso. Queria voltar ao estado de negação, onde a morte de seu pai parecia mais uma distopia do que uma realidade.

A única coisa que Alice tinha certeza no momento era que, diferentemente do que tinha falado para o seu pai, ela odiava mudanças. E elas eram capazes de fazer um mal que Alice jamais imaginara.

Contudo, outra certeza estava presente naquele ambiente. A Guerra havia começado para aquele grupo de jovens.

Notas finais
E aí, o que acharam? Comentem pra eu saber, por favor! Até o próximo, beijos ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.