The Olympians - War
1 Capítulo Um - Somos atacados por um faxineiro louco
Notas iniciais

Capitulo Um
Somos atacados por um faxineiro louco
Posso afirmar que sou normal, dependendo de como você vê o “normal”. Eu admito que de certa forma eu queira viver essa vida, quis ter essa adrenalina de viver entre a vida e a morte. E por minha sorte eu tinha gente comigo.
Não sei se você vai ler e se identificar, e desejar, como eu, viver essas histórias. Mas eu sugiro que não faça isso. Talvez seja até legal, mas muitas pessoas sofrem com isso, eu sofri, e muito! Mas mesmo assim eu não desisti e fiquei de cabeça erguida... Lembro exatamente de tudo! Do começo ao fim.
♦♦♦
Eu estava entrando atrasado na escola, como era de costume. Minha escola não era exatamente normal. Ela tinha uma ala especializada para alunos com problemas de desenvolvimento. Acredite, eu estava no meio desses alunos. Por azar nasci com dislexia e déficit de atenção. Para mim era certa dificuldade, mas eu fingia que não me importava com aquilo.
É difícil acreditar que eu, um garoto de catorze para quinze anos, ainda era colocado na ala de jovens com problemas mentais. Mas eu tinha que me conscientizar com isso. O que mais me deixava feliz era a presença de Zoey Montanari, uma garota que, como eu, sofria dos mesmos problemas e também tinha praticamente a mesma idade.
A propósito, meu nome é Marcelo Von Will. Eu moro sozinho com minha tia Lucy, e com um cachorro sarnento e pulguento que eu simplesmente odeio. Minha tia poderia ter se livrado dele há muito tempo, mas prefere continuar com ele. Não costumo questionar as decisões dela, portanto convivo com ele forçadamente.
Quando cheguei próximo a minha sala, que ficava no final de um extenso corredor, próxima ao porão, Zoey estava na porta, me esperando com aquele olhar de quem me mataria assim que me aproximasse mais. Ela estava de braços cruzados e seu pé direito batia incessantemente no chão.
– Até quem fim a donzela resolveu chegar! – Ela gritou antes mesmo que eu chegasse perto dela. – Estou te esperando há exatamente duas horas!
Ao me aproximar, sem fôlego, tentei falar algo:
– Me desculpa – falei tentando respirar. – Minha tia me prendeu em casa... Você sabe como é!
– Não interessa, era para você estar aqui há duas horas! – Ela me respondeu rude e friamente.
Não sei explicar, mas Zoey tinha um extinto vingativo nato. Por mais idiota que fosse o motivo, caso ela fosse ofendida, machucada, ou simplesmente que algo só por existir a irritasse, ela arrumava um jeito de se vingar. Isso me assustava, mas ao mesmo tempo era bom, pois em certos momentos ela se vingava por mim.
– Eu preciso de nota em química, sabia? – Ela perguntou sarcasticamente.
– Então somos dois.
Tá, eu pisei na bola. Tínhamos combinado de chegar duas horas antes da aula, pois haveria a prova final de química antes das férias de verão. Digamos que meu senso de hora era péssimo, e minha tia também não era tão boa nisso.
– Anda, temos que entrar. Não adianta muito ficar nervosa com você – ela admitiu. – A professora tá esperando a gente.
Ela abriu a porta, mesmo que ainda um pouco furiosa comigo, e adentrou. Sentamos em dupla. A professora nos olhou um tanto quanto fria, mas depois começou a distribuir papeis de explicação para a prova.
Quer saber a verdade? Nós não tínhamos ideias de como resolver aquilo que era pedido. Tínhamos que fazer uma mistura homogênea com os líquidos disponíveis. Olhei para Zoey tentando ver se ela tinha alguma resposta, mas aparentemente ela estava na mesma que eu.
– E agora? – Perguntei.
– Vamos à sorte!
Essa era uma frase típica dela. “Vamos à sorte”. Isso queria dizer algo do tipo: faz de qualquer jeito que vai dar certo. Então seguimos essa linha de raciocínio. Que incrivelmente, por sorte, algo saiu daquela mistura louca.
A prova valia exatos dez pontos, o que era muito para uma prova de alunos catalogados com baixo desenvolvimento, e conseguimos tirar seis. Ficamos felizes com aquela nota. Mas felicidade, para gente como nós, dura pouco. Como punição pelo atraso a professora mandou que arrumássemos toda a bagunça da sala até o terceiro horário.
– E por culpa sua a gente se ferra, de novo – Zoey falou irritada.
– Eu sei...
De repente, enquanto limpávamos algumas mesas, e Zoey falava mal de mim de tudo quanto é maneira, o faxineiro, aparentemente novato na escola, entrou sorrateiramente e começou a varrer a sala, virado de costas para nós.
Eu fiquei observando ele atentamente. Tinha algo de estranho nele. Tudo bem que ele vestia um macacão verde folha seca, e tinha consigo somente uma vassoura e um balde com água. Seus cabelos eram um pouco amarelados e sua pele também. Ele limpava o chão, simplesmente isso.
– Vai ficar parado olhando para o tempo? – Perguntou Zoey me olhando seriamente.
– É... — afirmei. – Só estava reparando um negocio ali.
Fui até ela, comecei a ajuda-la a limpar a mesa do meio da sala, que, aparentemente, era a mais suja. De repente, ouvi uma espécie de grunhido, ou rosnado, não sei bem explicar. Era um som incomodativo e que dava arrepios até na espinha. Olhei para trás e só pude ver uma saraivada de pontos pretos vindo até mim e Zoey. Só tive reflexo para puxa-la para baixo e esquivar.
Quando levantei olhei para trás e vi cerca de dez espinhos negros de aproximadamente 90 centímetros presos a parede. Fiquei espantado, e Zoey mais ainda. Quando me virei em direção ao faxineiro reparei que ele sorria maleficamente e uma cauda de escorpião do meu tamanho se mexia atrás dele. Seus olhos, um castanho e outro azul, olhavam com um ar de assassino diretamente para nós.
– Até quem fim – ele falou satisfeito. – Comida! Eu já não aguentava mais esperar.
– Comida? – Zoey perguntou tremula. – Como assim?
– Espera... Carne fresca! – Sua voz parecia nos admirar. – Nem se quer sabem quem é de verdade!
Não tivemos tempo para se quer raciocinar o que estava acontecendo. Quando vi o faxineiro estava pulando para cima de nós, Zoey me empurrou para o lado oposto o dela e caímos a alguns centímetros de distância.
Só ouvi o barulho de uma mesa se quebrando em pedaços. Ouvi de novo o rosnado. Olhei para o faxineiro e vi que agora ele não era se quer um humano. Ele tinha patas laranja, com garras enormes, que cintilavam com a luz da sala. E também tinha sua calda que soltava espinhos, o que não era nem um pouco agradável. Seu corpo era como o de um leão.
Ele olhou direto nós meus olhos e abriu a boca para falar:
– Sua carne parece mais forte... Mas a da garota também parece ser bem apetitosa – ele olhou para mim e para Zoey indeciso. – Qual comer primeiro?
Por final das contas, com a grande ajuda da minha “sorte”, ele veio em minha direção, tentei levantar, mas senti uma fincada na minha perna direita que me fez soltar um grito de agonia. Percebi que um pedaço da mesa tinha me atingido.
– Saia daí! – Zoey gritou.
Com muito custo eu consegui levantar. O faxineiro já estava a poucos centímetros de mim, sua cauda estava se aproximando do meu peitoral. Então, vi um vulto atingir a cabeça do homem. Ouvi um barulho de cadeira se quebrando, coloquei minhas mãos sobre meu rosto para me proteger.
– Saia daí! – Zoey gritou de novo.
Levantei-me e corri até a mesa mais próxima. Percebi que ela tinha quebrado uma cadeira na cabeça do faxineiro e o mesmo se encontrava zonzo. Ele soltou um rosnado de ódio e então se virou rapidamente fazendo sua cauda lançar Zoey de encontro com a parede.
– Ora, seu monstro! – Gritei me levantando e pegando uma cadeira. – Tome isto!
Repeti o mesmo movimento de Zoey. Bati a cadeira na cabeça da monstruosidade. Ele soltou um grito de agonia batendo com sua pata laranja no meu peitoral. Caí deslizando no chão.
– Seus impertinentes! Não sabem com quem estão mexendo!
Ele saltou em minha direção, eu não sabia o que fazer. Zoey estava caída, inconsciente. Não havia ninguém mais que poderia salvar a gente. Simplesmente fechei os olhos e rezei por um milagre.
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