The Olympians - War

3 Capitulo Três - Rumo ao acampamento de verão


Notas iniciais
Agora sim pessoal... Agora que vai começar nossa aventura! A partir deste capitulo tudo vai ser cheio de ação, suspense e muito mais! Leiam... E bom divertimento!

Capitulo Três
Rumo ao acampamento de verão

Por fora o carro parecia nem ser real, mas por dentro era acolchoado e confortável. Zoey se sentou a direita, Wilson ao meio, e eu no outro canto.
– Para onde, meus queridos? – Uma voz meio tremula perguntou.
Quando olhei para frente vi três senhoras, cinzas, sem olhos, e sem dentes, nos encarando satisfatoriamente.
– Colina meio sangue – Wilson respondeu apressado. – O mais rápido possível.
– Então, de Nova Iorque para Long Island – a senhora do meio confirmou.
– Me passe o olho Ira – pediu a mulher no volante. – Tenho que dirigir!
Só assim que percebi... Como elas dirigiriam se eram cegas? E por que diabos eram cinza? Eu já não conseguia entender mais nada!
– Mas é minha vez, Vespa! – A mulher que estava no outro canto gritou.
Notei que ela levantou sobre sua mão um olho. Uma espera gosmenta, branca com um pequeno circulo de uma cor que não consegui distinguir, pois, quando tentei examinar o olho mais de perto, o manticore saiu pela janela rosnando de fúria.
– Senhoras... Se puderem andar mais rápido seria muito bom – Wilson afirmou.
– Ande logo Ira, passe esse olho para cá! – A senhora do meio gritou pegando a esfera e enfiando em uma cavidade da então chamada Vespa.
O manticore estava cada vez mais perto e eu cada vez mais nervoso. Olhei pelo vidro e então notei que se ele chegasse até nós eu seria o primeiro a ser comido. Isso só podia ser a minha incrível “sorte”.
– Zarpar! – Vespa gritou.
A velocidade do táxi foi tão forte, e tão de repente, que me fez encostar ao banco e ficar quase que imóvel. Zoey não conseguiu segurar um suave grito. Wilson se agarrou no meu braço direito e começou a rezar palavras... Por estranho que pareça eu tinha entendido tudo, e sabia que eram palavras em latim.
Pera... Como eu tinha entendido aquilo?
– Ande logo Vespa, você é muito lerda! – A do meio falou.
– Não venha se intromete Tempestade, eu estou no volante agora!
– Para que tanta pressa? – Zoey gritou. – Para onde está levando a gente?
– Tentem ficar calmos! – Wilson gritou ainda preso ao meu braço. – Confiem em mim!
Afinal... Para onde estávamos indo?
– Onde estamos indo? – Refiz a pergunta de Zoey.
– Para o acampamento meio-sangue, um acampamento... Acampamento de verão! – Ele falou aos berros.
Tudo bem. Vamos raciocinar. Eu tinha acabado de ser ataca por um leão com cauda de escorpião que atirava espinhos, e ainda por cima queria comer a mim e a minha amiga. Então, fomos salvos por um menino-bode que afirmou ser um sátiro, aqueles seres da mitologia. Para pior ele nos enfiou em um carro de névoa, com três mulheres loucas, e cinzas.
O que estava acontecendo, afinal? Eu estava muito confuso. Muitas coisas acontecendo, tão depressa, e em tão pouco tempo! E o que aquelas mulheres tinham que as faziam correr tão rápido assim?
– Estamos chegando! – Tempestade gritou se virando para trás.
Olhei direto para a cavidade dela, onde eram para existir duas cavidades e seus olhos. Ela deu um sorriso desdentado e respirou como quem fosse falar algo.
– A propósito, o que você procura está ao lado do seu irmão de morte — ela falou.
– O que? – Perguntei encabulado. – Como assim?
– Uma hora você entenderá! – Ira gritou.
Não demorou muito e o táxi parou bruscamente, as portas se abriram e de algum jeito fomos lançados para fora.
– Voltem sempre! – Ira gritou se despedindo.
Levantei. Notei que estávamos em uma colina, gramada e verde, cintilante. Com árvores de todos os tipos e tamanhos, o ar estava úmido e refrescante por causa delas. Mais acima havia um enorme pinheiro, lindo, e aparentemente velho, mas por estranho que pareça ele reluzia em um brilho dourado.
– Chegamos – Wilson falou se levantando.
– Então – Zoey começou a falar olhando toda a colina –, aqui fica o acampamento meio sangue?
– O que é um meio-sangue? – Perguntei.
– Para melhor dizer, ser meio-sangue significa ser um semideus.
Semideus? Era isso mesmo que eu tinha ouvido? Não era possível...
– Semi o que? – Zoey perguntou aos berros.
– Semideuses! – Wilson respondeu como se fosse à coisa mais normal do mundo. – Fiquem calmos, Quíron vai responder tudo para vocês.
Olhei para Zoey, estávamos confusos. Ela começou a seguir Wilson, e eu fui logo atrás.
Quando passamos pelo pinheiro senti uma energia incrível. Um poder imenso. Olhei para ele e vi um pano reluzente de dourado que brilhava como uma pequena estrela.
– O que é isso? – Perguntei curioso.
– Este é o Velocino de Ouro, foi trazido para cá há muito tempo por um grande herói para salvar a vida de todo o acampamento. Essa é uma história muito popular por aqui, este herói fez grandes feitos. Talvez vocês possam ter o prazer de conhecê-lo.
Ele deu um sorriso, com orgulho, e depois continuou a andar. Quando passamos pelo pinheiro me assustei com o que vi. Havia um acampamento ali. Não aquele com barracas, uma fogueira no centro, e pessoas envolta esquentando seus marshmallows. E sim um acampamento enorme com uma casa grande, campos de morangos (deduzi pelo cheiro que vinha de lá), chalés e varias outras coisas.
Os olhos de Zoey brilharam quando viram aquilo. Ela olhava direto para uma arena em que crianças, da nossa idade ou até mais novas, lutavam com espadas entre si. Notei que havia mais meninos-bodes. Sem falar nas belas mulheres que eles perseguiam e elas se transformavam em arvores.
– Mas o que é tudo isso? – Zoey perguntou encantada.
– O novo lar de vocês – falou uma voz masculina um pouco rouca vinda em nossa direção.
Olhei na direção de onde vinha à voz. Dei um pulo para trás quando vi um homem de cabelos grisalhos e ondulados andando com quatro patas de cavalo no lugar dos pés. Melhor explicando, ele era metade homem e metade cavalo, um corcel branco.
– Quíron! – Wilson gritou.
– Olá meu jovem Wilson, como foi à missão?
– Veja por si mesmo – ele respondeu apontando para mim e para Zoey.
– Novos semideuses – ele falou com entusiasmo cochando sua barba. – Sejam bem-vindos! Vamos, vocês devem estar cheios de perguntas.
E ele acertou. Nós estávamos mais confusos que tudo. Eu não sabia mais o que estava acontecendo, ou por que estava acontecendo.
– Não tenham medo. Vou lhes explicar tudo com calma, vamos para a Casa Grande, lá é mais calmo.
Quando chegamos lá nos encontramos com um homem de cabelos ondulados e negros, bebendo uma Diet Coke, de olho no movimento do acampamento. Tinha algo nele que me incomodava, um poder talvez, só sei que a presença dele era poderosa, seus olhos pareciam exalar poder.
– Sr. D – chamou Quíron. – Quero que conheça...
– Marcelo Von Will – me apresentei.
– Zoey Montanar – ela se apresentou também.
– Hum... Heróis novos. Que emocionante, sinceramente estou muito feliz por ter esses novos heróis – ele falou com sarcasmo. – O que eu fiz para o Pai Zeus me dar este castigo?
– Perseguiu uma ninfa proibida – Wilson respondeu meio recuado.
– Isto foi uma pergunta retórica jovem sátiro – ele retrucou se levantando de sua cadeira.
– Pai Zeus? – Perguntei encabulado.
Ele olhou para mim como se fosse me matar a qualquer hora. Pude ver em seus olhos uma chama púrpura, e imagens de homens se embriagando, morrendo com a insanidade. Foi horrível!
– Este é Dionisio – Quíron nos apresentou. – O deus do vinho, ele é líder do acampamento.
– Dionisio? – Zoey retrucou. – O deus mitológico?
– Sim, eu mesmo Zara.
– É Zoey, senhor – Quíron advertiu. – Venham comigo, vou lhes explicar tudo.
– Vou voltar para dentro. Qualquer coisa me chame – o Sr. D adentrou pela casa.
O homem-cavalo nos levou até uma parte mais tranquila da varanda na qual nos sentamos para conversar. Ele nos olhou com uma cara um tanto quanto preocupada e apreensiva como se aquilo que fosse fazer machucasse a si mesmo.
– Esta é uma das piores partes para mim, acreditem – ele admitiu. – É complicado explicar para vocês quem vocês são de verdade.
– O que é ser um semideus exatamente? – Zoey começou a sua sequencia de perguntas. – O que era aquele monstro na escola? Por que estamos aqui? Por que aquele cara foi chamado de deus? O que é esse menino-bode? E você... O que diabos é você?
– Acalme-se Zoey – pedi a ela. – O deixe falar.
Ela se calou e depois recostou suas costas na cadeira. Quíron deu um longo suspiro e então começou a falar.
– Vocês conhecem a mitologia grega?
– Aquela de Zeus, Poseidon e Hades? – Perguntei.
Um trovão ribombou no céu sem nuvens. Achei aquilo incrivelmente estranho.
– Sim... Mas não devemos ficar pronunciando nomes, não tão diretamente assim. As palavras tem poder. Esses deuses existem. Eles, as criaturas, as lendas, os heróis. Tudo que ouviram a respeito da mitologia é real.
– E o Deus? – Zoey perguntou.
– Esse é um assunto que prefiro nem mencionar.
Wilson andou até nos e começou a tomar a palavra de Quíron.
– Vocês se recordam de heróis como Perseu? – Ele perguntou comendo uma lata de Diet Coke deixada pelo Sr. D.
– Sim, ele era filho de Zeus com uma mortal – afirmei.
– Eles eram semideuses, para ser mais especifico – Quíron corrigiu minha fala. – Agora conseguem compreender o que são?
Naquele momento tudo fez sentindo. O maticore, o sátiro, e dentre várias outras coisas estranhas que eu geralmente via desde pequeno... Tudo era real! Nós éramos filhos de deuses olimpianos com mortais. Então ao menos meu pai, ou mãe, estava vivo.
– Então... Somos filhos de deuses? – Zoey perguntou.
– Sim, vocês são heróis. Vocês nunca raciocinaram o porquê de serem disléxicos e sofrerem de déficit de atenção? Ou o fato de verem coisas estranhas? Tudo isso faz parte de quem são.
– Os semideuses podem ver atrás da névoa por serem meio mortais meio deuses. Os mortais já não veem aquilo que não compreendem, pois a névoa os atrapalha – Wilson explicou. – Já o fato de suas “doenças”... Elas são propositais. A dislexia dificulta a sua leitura, pois sua mente é feita para ler o grego ou latim. O déficit de atenção existe para fazer com que sobrevivam em batalhas, vocês não teriam sobrevivido ao monstro sem ele.
Minha mente foi associando uma coisa à outra. O fato de eu ter conseguido entender o que Wilson falou em latim. o fato de termos conseguido “lutar” com o manticore... As coisas que eu via desde pequeno. Tudo parecia ter sentido agora.
Admito que eu tenha ficado feliz, mas ao mesmo tempo preocupado, afinal de contas se os deuses eram reais, os monstros, as lendas, todo o resto, também era.
– O acampamento foi criado para proteger vocês dos monstros e prepara-los para o mundo, e o mais principal, descobrir quem é seu pai ou mãe olimpiano – Wilson fez uma conclusão do acampamento.
Zoey estava com os olhos radiantes. Eu queria saber se meu pai ou minha mãe estava vivo. Tinha que contar a tia Lucy sobre tudo... Tia Lucy! Ela deveria estar super preocupada comigo.
– Não se preocupe Marcelo – Wilson afirmou. – Ela já está sabendo de tudo sobre você, e principalmente que você esta aqui.
– Já esta anoitecendo – Quíron advertiu. – Levo-os para o chalé de Hermes, deixe-os lá por enquanto.
– Sim, senhor.
Agradecemos Quíron pela explicação. Ele prometeu que nos visitaria no dia seguinte para apresentar o acampamento e esclarecer mais duvidas. Wilson nos levou até os chalés. Eram muitos, doze no total, sem contar com a ala dos chalés dos deuses menores. Cada um diferente do outro. Ficamos em um no qual estava com a pintura desbotada, um caduceu na entrada, e diversas crianças. Algumas tinham feições que te faziam acreditar que você seria furtado a qualquer momento.
– Obrigado, Wilson – agradeci.
– Não a de quer, é apenas meu serviço, vocês são legais – ele falou sorrindo. – Espero que sejamos amigos.
Zoey e eu entramos, e de algum jeito nos acomodamos, claro, com a ajuda do supervisor do chalé. Ele nos deu alguns sacos de dormir e alguns utensílios higiênicos.
Com muito custo dormimos... Esperando ver o que o amanhã nos reservava.

Notas finais
Comentem, galera! A opinião de vocês vale muito para mim, e claro, sempre me inspiram a continuar a fanfic! Espero que estejam se divertindo...