The Olympians - War

4 Capitulo Quatro - Somos treinados por um centauro


Notas iniciais
Gente... Peço mil perdões pela demora! Estive cheio de problemas nos últimos tempos que me perturbaram de mais, porém estou de volta a ativa, postarei com mais frequência e também estou trazendo mais um novo projeto, logo, logo!

Capitulo Quatro
Somos treinados por um centauro

Eu gostaria de dizer que minha primeira noite no acampamento fora tranquila, mas não, ela não foi.
Tive um sonho estranho.
Eu estava dentro de uma escola encoberta de névoa. Estava tudo escuro a não ser pela luz que saia de um garoto que estava no centro do pátio. Aproximei-me dele e notei que ele chorava. Em pé, ao lado dele, um homem com cabelos longos pretos como a noite amarrados em um rabo de cavalo, com um olhar cansado e que parecia carregar muito sofrimento, vestido com uma jaqueta marrom, calça e sapato social, o observava tristemente.
– Não tenha medo – o homem falou pousando a mão sobre o ombro do garoto. – Logo esses pesadelos vão sumir.
– Eles não vão embora... Eu tenho medo – o garoto admitiu aos prantos. – Aquele menino, de todas as formas que eu o vejo ele sempre morre no final.
Não sabia de quem, ou de que, o garoto falava. O mais estranho foi o homem que olhou diretamente em meus olhos e me fez estremecer. Seus olhos pareciam com os meus, de certo modo, sim. Eles eram negros, como os cabelos, tinha uma expressão meio gélida e séria.
– Tenha fé nos deuses, meu jovem – o homem falou ainda me olhando diretamente. – Ele vai ficar bem. E quem sabe não venha até você.
O menino parou de chorar e se virou para mim. Não consegui distinguir como era seu rosto, pois acordei assustado.


– Marcelo? – Zoey perguntou me olhando preocupada.
– Eu... Estou bem... Eu acho...
– O que aconteceu?
– Tive um sonho, nada demais – afirmei me levantando.
Ela aceitou que estava tudo bem. Arrumamos nossas coisas e em pouco tempo Quíron chegou para nos levar ao tour pelo acampamento. Admito que eu esteja ansioso para saber mais sobre aquele mundo ao qual eu realmente pertencia. Havia muitas coisas que eu ainda não sabia sobre mim, mas acho que tudo levaria um tempo para se ajeitar novamente. Apesar de que tudo ocorrera muito rápido.
– Estão prontos? – Quíron perguntou entrando no chalé.
Olhei ao redor e notei que aquelas dúzias de crianças que ali tinham dormido já não estavam mais lá.
– Onde estão todos? – Perguntei.
– Em suas atividades, hoje eles começam o primeiro dia de aula.
Ótimo. Até no acampamento havia aulas. E eu pensando que eu não teria mais que estudar. E, além disso, eu e Zoey estávamos perdendo o primeiro dia e já ganhando uma grande falta.
– Não se preocupe com isso, meu jovem – ele afirmou. – Não irá interferir muito, decidi eu mesmo lhes da à primeira aula.
– É raro isso acontecer por aqui – uma voz masculina falou atrás de mim. Virei-me para ver quem era. Um garoto com cabelos cor de areia, com um olhar furtivo, e um sorriso simpático estava em pé nos observando. – Eu sou Marvin... Marvin O’Hara. Filho de Hermes. E vocês?
– Eu sou Marcelo Von Will – me apresentei.
– E eu sou Zoey Montanari.
Marvin parecia simpático. Ele estava usando uma camiseta laranja escrita: Acampamento Meio-Sangue Sênior. Perguntei-me o que significaria isso. Usava, também, um jeans preto que dava um ótimo destaque a blusa, e um tênis que não sabia qual era.
Ele foi até Quíron e eles deram um aperto de mãos. Conversaram algumas coisas sobre estado da arena, treinamento dos jovens, reuniões e algo que me chamou muita, mas muita atenção mesmo: o futuro do novato.
– Conversamos sobre isto mais tarde, Marvin – Quíron o respondeu com uma entonação firme e séria. – Agora tenho que começar o treinamento deles. Vamos, sigam-me.
Começamos a segui-lo. Notei que havia doze chalés fazendo um U em meio ao gramado. Quíron falou que cada deus possuía um chalé. Os dois chalés centrais eram de Zeus e Hera, apesar de que ela nunca tenha tido filhos, pois por ser a deusa do casamento não era muito daquelas que pulavam a cerca, diferentemente de seu marido que nos últimos anos procriou alguns filhos, pelo menos de acordo com Quíron.
– Hum... Novatos! – Gritou um garoto saindo do chalé três, o chalé de Poseidon.
O garoto parecia ter por volta de uns dezesseis anos, ele usava a mesma camisa que Marvin, ou seja, ele era um Sênior. Também estava vestido com um short azul marinho e com uma sandália de praia. Seus cabelos loiros escuros esvoaçavam com o vento, e seu sorriso era até que acolhedor.
– Olá Christopher – Quíron o cumprimentou. – O que faz por aqui?
– Nada de mais, vim avaliar os novatos, você sabe, né? Tenho um talento para descobrir meus irmãos.
O garoto me fitou. Seus olhos verdes penetrantes pareciam me ler de uma forma nada confortável. Uma brisa fez meus cabelos negros dançarem e o garoto, Christopher, balançou a cabeça com certo desanimo.
– Infelizmente, ou talvez felizmente, você não é meu irmão – o garoto falou um pouco confuso. – Você fede a cadáver.
Por algum motivo Quíron não gostou nem um pouco de ouvir aquilo. Ele me observou dos pés a cabeça.
– E você – ele falou se virando para Zoey. – É... Você tá muito bem.
– Chris – Quíron o chamou. – Avise os outros Seniores que a reunião ocorrerá hoje à noite, após o jantar.
– Sim, senhor.
– Agora vá, a campistas te esperando.
Sem hesitar o filho de Poseidon saiu e nos deixou a sós com Quíron. Começamos a andar novamente pelo acampamento. Ele falou sobre o lago e sobre as náiades, logo após sobre a floresta e as ninfas, os sátiros, e os monstros que eram mantidos lá para os treinamentos. Espera um pouco... Monstros?
– Como assim, monstros? – Perguntei com a voz tremula.
– Oras... Monstros como o... Faxineiro – Quíron me respondeu evitando pronunciar o nome daquela criatura horripilante, afinal, as palavras tem poder no mundo dos semideuses, foi à primeira coisa que ele me ensinara. – Porém estes são mantidos sobre certo controle, e não são de categorias muito elevadas.
– Parece ser interessante – Zoey admitiu.
Quíron nos levou até a forja, lá havia vários semideuses, aparentemente bem... Feios! Ele nos disse que eram filhos de Hefesto, deus da forja. Por todo o local tinha armas de todos os tipos e jeitos.
– Olá, Quíron – uma voz falou entre o barulho da forja. – Procurando algo?
– Leo! – Quíron exclamou. – Como vão os preparativos para amanhã?
– Tudo andando conforme havia pedido. Os gigantes estão prontos para entrar em ação.
Quíron deu um sorriso de satisfação. Todos ali, homens e mulheres, pareciam ser bem mais velhos que os campistas que eu tinha visto, e trabalhavam em algo realmente grande. Pude perceber pela enorme estrutura de bronze que reluzia no fundo da forja.
– Vejo que temos dois semideuses especiais, afinal de contas, não é sempre que Quíron da aula a novatos – Leo afirmou se ajoelhando na nossa frente.
Ele tinha cabelos pretos, eu acho. Era difícil distinguir sua aparência em meio aquele mormaço da forja, e ainda por cima ele estava completamente sujo.
– Venha, vou lhes dar um presente – ele falou nos puxando para dentro.
Quíron acenou nos incentivando.
– Vou esperar vocês na arena, me encontrem lá.
Depois disso ele saiu galopando, e Leo nos levou até um imenso arsenal com centenas, ou melhor, milhares de armas de todas as formas, tamanhos, e finalidades. Zoey estava fascinada, e admito que eu também.
– Do que essas armas são feitas? – Ela perguntou curiosa.
– Bronze celestial, o bronze dos deuses. É a única coisa que fere monstros, mas não ferem mortais.
– É incrível – admiti. – Quem faz tudo isso?
– Nós. Os filhos de Hefesto – Leo pegou um cajado cilíndrico e fino, o aproximou de mim. – Tome, acho que este lhe cairá bem. É uma arma... Mágica.
– Como assim? – Perguntei curioso.
– Este bastão tem uma propriedade única, é bem parecida com a de um campista daqui, mas isso não vem ao caso... O fato é que está arma pode mudar de forma, mas ela só se torna armas com alcance longo, além disso, ela segue a evolução do dono, fazendo com que ela seja forte conforme você fica forte, e assim ela vai aprendendo novas formas, mas tudo em conjunto com você.
Não consegui segurar um: UAU! Quando coloquei as mãos sobre o bastão senti aquela leve sensação gelada do bronze, e depois parecia que eu estava me conectando com o bastão. Ouvi uma palavra em grego antigo ecoar em minha mente: Makrýs. Significava longas. Achei um nome convencional à arma, e então decidi nomea-la assim.
– Para você minha jovem... Hum... Vejamos... – Leo falou.
Zoey corou completamente quando ele se referiu a ela. Só então notei que Leo era, aparentemente, o filho de Hefesto mais apresentável ali, ou, se observássemos o olhar dela, poderíamos entender que ele era bem mais que “apresentável”.
– Bem – ela falou tentando escolher uma arma. – Não sei bem o que escolher...
De repente Leo pegou um colar feito de bronze, lindo. Ele tinha um pingente na forma de uma letra grega, ômega: Ω. Os olhos dela cintilaram com o brilho do colar. Acho que fazia anos que ela não ganhava um presente, quero dizer, um presente de alguém além de mim. Os pais eram desaparecidos, ou melhor, um deles era, e desde sempre ela mora no orfanato.
– Esse colar é uma das armas que eu mais admiro. Ela tem praticamente a mesma propriedade que o bastão de seu amigo, porém esse colar segue o desejo de seu dono, quando ele descobrir qual arma é perfeita para você ele se tornara essa arma, mas claro, somente quando necessitar lutar.
– E quantas vezes isso acontece? – Perguntei.
Leo riu.
– Quando se encontra a arma perfeita, garoto, não a mais necessidade de se ter outra. Esse pingente descobre por si só qual é a arma perfeita para o dono e sempre que necessário se transforma nela.
Admito que aquela fosse uma invenção incrível. Eu mal podia acreditar naquilo. Depois disso ele nos levou para fora da forja. Mostrou para onde era a arena na qual Quíron esperava por nós.
– Estejam preparados para amanhã – ele advertiu. – Quíron vai lhes dar mais detalhes. Só se preparem... O ruim de tudo é que não poderão usar as armas que lhes dei.
Eu carregava o bastão na mão. Leo olhou para mim e soltou outra risada que me fez ficar constrangido. Ele me mostrou como fazê-la diminuir a ponto de virar uma barra, quase como uma caneta. Depois ele bagunçou meus cabelos e comentou algo como: você se parece tanto com aquele menino. Logo em seguida ele se despediu de Zoey, que automaticamente ficou vermelha como um tomate, e então adentrou para as forjas.
Zoey ficou calada por um tempo, até que decidi puxar assunto.
– E então? – Perguntei.
– Então o que? – Ela retrucou.
– O que está achando de tudo isso?
– Não sei dizer – ela respondeu confusa. – Parte de mim aceita, acredita, e quer tudo isso. Mas a outra parte ainda está atordoada.
– Eu te entendo. Não sei se estamos prontos para entrar nesse mundo dos semideuses... Mas agora o que se pode fazer, não é mesmo?
– Só sei que se não fosse você aqui eu já estaria apavorada...
– Eu também.
Demos leves risadas e então chegamos à arena. Zoey me deu um sorriso meio sem jeito e eu o retribui. Quíron veio até nós, e junto a ele estava nossos dois colegas seniores, Christopher e Marvin.
– Chris, você é muito idiota! – Marvin gritava. – Você não consegue ver as coisas mesmo elas sendo tão explicitas!
– Do que você está falando? – Chris perguntou confuso. – Já mencionei que seus olhos ficam brilhando quando você está com raiva?
Marvin soltou um som que parecia um rosnado e instantaneamente ele corou quase parecido com Zoey. Acho que eu já tinha entendido tudo, mas resolvi ficar calado.
– Não, eles não brilham.
Christopher deu de ombros e foi se sentar na arquibancada ali perto. Marvin veio até nós pisando furiosamente. Pensei que ele estrangularia o primeiro que visse, mas assim que se aproximou deu um longo suspiro e riu aquele sorriso simpático dele, porém acompanhado com o olhar furtivo.
– Então – ele começou a falar -, Quíron pediu que eu lhes desse umas aulas antes do evento de amanhã.
– Que evento é este afinal? – Perguntei encabulado.
Marvin olhou para Quíron como quem perguntasse: você não lhes contou nada?
– O evento de boas-vindas aos novos campistas – Quíron começou a explicar. – Esse evento foi inventado há poucos anos.
– É uma batalha conjunta – Marvin falou continuando a fala de Quíron. – Nela os novos semideuses são divididos em grupos de dez pessoas, como neste verão entraram trinta novos campistas, serão três grupos.
Começamos a descer mais para dentro da arena onde havia vários bonecos de palha. Supostamente deveriam servir para treinamento, deduzi isso, pois alguns estavam bem surrados. Christopher nos olhou de rabo de olho e começou a polir um pingente, parecido com o de Zoey, mas com outra letra que não consegui ver.
– Cada grupo enfrenta um monstro criado pelos filhos de Hefesto – Marvin continuou explicando. – Essas criaturas feitas de bronze celestial foram criadas com o intuito de trazer à tona a verdadeira origem do meio-sangue, por este motivo os deuses sempre ficam atentos com este jogo para que, caso eles reconheçam a si mesmo dentro de algum semideus, possam assumi-lo como filho, definitivamente.
– Então este é o propósito – reafirmei. – Descobrir qual é o pai, ou mãe, olimpiano do semideus. Essas criaturas devem ser fora do comum!
Quíron deu algumas risadas e jogou uma espada para mim e outra para Zoey. Logo entendi que era hora de falar menos e agir mais.
– Os monstros não são lá tão perigosos, mas não se preocupem, temos controle total sobre eles – Christopher falou de longe. – Agora vão lá, quero ver do que são capazes.
Levantei e o olhei. Ele parecia querer me avaliar para depois me desafiar para um luta, o que não era nada confortável. Zoey estava um pouco nervosa e a espada dançava em sua mão direita. Tentei respirar fundo e me concentrar o máximo possível.
– Hoje será simples, quero que destruam um boneco de palha e logo após Christopher e Marvin vão lutar contra vocês – Quíron falou como se fosse à coisa mais simples do mundo. – Para avaliar melhor vocês ativei os movimentos dos bonecos.
Ergui minha espada para o boneco a minha frente. Ele parecia ser fácil de cortar, simplesmente um único corte. Mas quando eu menos esperava ele começou a fazer diversos movimentos aleatórios com o seu projeto de espada na mão direita.
Desviei do primeiro golpe indo para a esquerda. Por puro reflexo levantei a espada do lado do meu rosto e pude escutar o barulho das armas se batendo. O boneco, com o impacto das armas, rodopiou para o lado oposto para me atingir pela direita. Tentei saltar para trás, mas levei um corte de raspão. Ardeu um pouco, mas nada que fosse muito incomodativo.
O olhei furioso. Seria muita humilhação perder para aquilo! Tomei uma atitude impulsiva, o que já era normal de mim. O boneco dançava e rodopiava. O observei buscando uma brecha, e a achei. Bati com a lâmina de minha arma com toda a força que tinha na espada dele, para fazer isso repeti os mesmos movimentos do primeiro impacto, porém com esse adicional. Ele tremeu por alguns segundos, o que foi tempo suficiente para que eu lhe cravasse a espada no peito e o cortasse ao meio.
Ouvi aplausos. Olhei para o lado e vi que Zoey estava em seu golpe final. Ela se abaixou quando o boneco girou para acerta-la no rosto, e, enquanto ele estava de costas, ela o cortou pela cintura.
– Nada mal – Christopher admitiu. – Mas nada muito digno de surpresa.
– Não seja tão duro Chris – Marvin pediu. – Eles são novatos.
– Novatos ou não eles têm que saber a verdade.
– Muito bem – Quíron começou a falar para cortar o clima de tensão entre Chris e Marvin. – Está anoitecendo e logo, logo, será o jantar. Vamos terminar com este treinamento.
Marvin e Christopher nos olharam atentamente escolhendo quem seria seu oponente. Desejei imensamente que Marvin me escolhesse, pois sabia que ele não era lá tão mal quanto Chris aparentava ser para uma batalha. Porém tive medo por Zoey, afinal eu não gostaria que ela ficasse com o pior.
– Quero o Marcelo – o filho de Poseidon falou fazendo meu coração estremecer.
– Então, sendo assim, fico com Zoey — o filho de Hermes afirmou.
– Ótimo, a seus postos – Quíron ordenou.
– Chris! – Uma voz feminina gritou de longe.
Christopher olhou para o lado procurando a origem da voz e então corou. O que era isso afinal? A cada dez minutos um ali corava por ver ou ouvir alguém!
– Alice? – Ele parecia não acreditar naquilo que via.
– Opa... Estou interrompendo algo? – Ela perguntou docemente.
A garota tinha longos cabelos loiros, um tanto quanto ondulados. Seus olhos eram cinza como o de uma tempestade, algo que me dava uma pontada de medo. Ela usava a mesma blusa que Chris e Marvin o que indicava que ela também era Sênior. Além disso, ela usava um colar com pingente de coruja, uma sapatilha e uma saia preta.
– Não – Chris disse encantado.
– Claro que está! – Marvin gritou encarando Chris.
– Me perdoem – Alice pediu tristemente, algo que me fez ter dó dela pela forma que Marvin gritou com a coitada. – Continuem...
Tenho certeza que ouvi o filho de Hermes sussurrar algo do tipo: loira tonta. Mas resolvi ignorar aquilo.
– Sente-se Alice, você vai gostar de ver a batalha – Convidou Quíron.
– Como uma filha de Atena resiste a esse convite? – Ela retrucou.
Quando ela se sentou sua postura de menina doce e calma mudou brusca e tenebrosamente. Ela cruzou as pernas e entrelaçou os dedos. Seus olhos tempestuosos pareciam trovejar. Atena, se bem me lembro, era a deusa da sabedoria e da estratégia em batalha. Creio que pelo fato de Alice ser filha dela, ela veria coisas além do comum. Não sei explicar bem a sensação, mas acredite, dentre todas as filhas de Atena que eu conheci daquele dia em diante, Alice era a única que me assustava tanto quando pensava.
Christopher se posicionou a alguns passos de mim. Notei que ele não tinha arma.
– E sua arma? – Perguntei.
– Ah! Claro! – Ele pegou seu pingente. – Omniferis, espada!
O pingente logo virou uma reluzente espada de bronze celestial, algo que me fez dar um salto para trás. Comecei a ouvir o bater das espadas de Marvin e Zoey, eles pareciam estar bastante animados. Não resisti à tentação de ver a batalha deles, mas, quando meu rosto estava se virando, Christopher veio rapidamente com um golpe, por sorte consegui levantar a espada a tempo de impedi-lo.
O impacto me fez arredar alguns centímetros para trás.
– Primeira lição – ele começou a falar com um sorriso animado -, nunca deixe a guarda baixa.
Ele começou a deferir diversos golpes contra mim, alguns eu desviava e outros eu defendia. Senti que ele estava se segurando, seus ombros estavam um pouco tensos e seus olhos acompanhavam os movimentos da minha espada, como se ele quisesse acertar os locais no qual ele já sabia que eu defenderia.
Decidi tomar à ofensiva. Repeti o mesmo movimento que fizera com o boneco de palha, o que fez Chris estremecer um pouco, o que me deu tempo o suficiente para tentar lhe deferir um golpe no peitoral. Por incrível que pareça ele conseguiu levantar sua lâmina a poucos centímetros do peitoral e defendeu meu golpe.
– Segunda lição, nunca deixe que seu inimigo acompanhe seus movimentos, pois você deve acompanhar os dele.
Com um movimento ligeiro ele rodopiou a lâmina da espada dele sobre a minha de forma que me fez largara a arma. Tentei ir até ela, mas ele pairou Omniferis a milímetros do meu pescoço.
– Terceira lição, não dê a chance para que o inimigo lhe tire a arma.
Alice me fitou como se percebesse algo de diferente em mim. Ela fez o que eu temia. Levantou-se e andou até a minha direção. Enquanto isso Zoey e Marvin continuavam a batalha. Olhei para Marvin e vi que seus movimentos pareciam leves, porém minha amiga estava tensa. Com pouco tempo ele lhe tirou a espada da mão e assim terminou a luta.
– Christopher – Alice o chamou -, deixe-me a só com o garoto, por favor.
– Tudo bem.
Ele pousou a mão sobre meu ombro e deu um leve sorriso. Seus olhos verdes eram realmente como o mar, passavam certa tranquilidade e leveza.
– Marcelo, correto? – Ela perguntou.
– Sim...
– Christopher me falou de você há algumas horas atrás. Ele disse que você fede a cadáver.
– É eu sei.
Ela ajeitou os cabelos loiros e então olhou nos meus olhos.
– Olha, não é normal o Chris falar de uma pessoa, principalmente quando ele a acaba de conhecer... Creio que você despertou um interessa de rivalidade nele. Seu poder me intriga, seu estilo de luta não me foi tão claro para te dar uma certeza de quem você é. Mas de uma coisa eu tenho certeza, você tem um potencial grande, e acredito que Christopher quer te ajudar a desenvolvê-lo... No final das contas ele é uma boa pessoa.
– Obrigado... Eu acho...
– Nós semideuses somos, em geral, muito amigáveis uns com os outros, tirando é claro certas rivalidades, mas temos que tomar cuidado em quem confiamos. Não vou lhe dizer para confiar em mim, pois a decisão é sua, mas eu digo com certeza: confie em Quíron, Marvin e Chris. Eu os conheço muito bem e sei que são de confiança plena.
– Sim, pode deixar – falei sorrindo desajeitado.
– Marcelo – Zoey me chamou. – Como você está?
– Bem – a respondi.
Alice comentou algumas coisas com Zoey e então se despediu com um: vejo vocês no jantar. Agradecemos a ela e então fomos para o chalé de Hermes nos preparar. Conversamos sobre as armas, as batalhas, falamos sobre as ninfas, os sátiros, e muitas outras coisas.
– Parece que não é tão ruim assim – ela admitiu.
– Talvez – eu ri -, existi muita coisa por trás disso tudo.
– O que achou deles?
– Não sei – a respondi meio incerto. – Quíron é muito simpático e parece digno de confiança. Apesar de Marvin ter aquele olhar, acredito que devemos dar um crédito a ele... Já o Christopher... Não sei, ele é meio confuso, uma hora parece não se interessar por nós, outra hora já parece querer ser um instrutor.
Zoey suspirou e passou a mão pelo pingente.
Senti que aquele assunto era muito delicado para ser falado ali. Além do mais, havia tantas coisas para conversar... Mas eu estava um pouco feliz. Apesar de que eu não me encaixava muito bem ali, mas eu tinha Zoey comigo, e, além disso, novos amigos nos quais só podíamos confiar.


Quando a noite caiu, Marvin apareceu para reunir os semideuses para o jantar. Ele fez uma fila, que por sinal era enorme, e nos direcionou ao pavilhão no qual era realizada a refeição.
Ele era lindo. Tinha pilastras gregas nas pontas e grandes mesas. Encontramos com Wilson e então ele me deu um abraço de alegria por me ver bem. Fez o mesmo com Zoey. Ele nos explicou como funcionava o jantar.
– Cada mesa dessas é para um chalé – ele falou apontando para as mesas –, ali está a mesa com os alimentos, e, o mais importante, a fogueira de oferenda.
– Oferenda? – Zoey perguntou.
– Sim. Todo semideus leva parte de sua comida ao fogo e oferece ao seu pai, ou mãe, olimpiano.
Fiquei me perguntando como eu faria aquilo, acho que Zoey estava com a mesma duvida. Mas ignoramos e, juntos com Wilson, fomos nos servir.
Quíron e o Sr.D estavam sentados juntos em um mesa particular. Percebi que os seniores estavam lá em uma conversa séria. Alice percebeu que eu observava a mesa e fez um aceno de mão. Diferente de algumas horas atrás, ela estava dócil e gentil, em vez de séria e pensativa. Marvin e Chris discutiam freneticamente.
De repente ouvi o som de taças batendo e toda a conversa dos semideuses cessou.
– Boa noite, semideuses – Quíron começou a falar. – Hoje é uma noite de preparação. Amanhã haverá o evento de boas-vindas aos novatos. Este ano teremos três grupos de dez pessoas, a lista dos grupos está pregada na parede do chalé de Hermes, como já é de costume. Após o jantar todos verifiquem as equipes e os horários.
– Como se algo importasse! – O Sr.D falou por alto.
– Agora vamos à oferenda — Quíron retornou a falar meu desajeitado.
Todos foram se levantando. Uma fila, dez vezes maior que a do chalé de Hermes, se formou até a fogueira. Quando chegou minha vez joguei uma parte da minha refeição, bife com fritas. E pensei alto: aceite minha oferenda, quem quer que você seja, e que amanhã você possa me revelar quem eu sou de verdade.
O cheiro que subiu da refeição foi de morango com chocolate, o que eu achei muito estranho. Mas convenhamos que estranho já fosse normal para mim.
A noite de jantar tinha sido divertida. Zoey e o Wilson me faziam rir o tempo inteiro. Wilson contava loucas aventuras que nos faziam acreditar que o mundo de um semideus era mais extraordinário, e estranho, do que o normal.
Depois daquilo fomos dormir. Conferi apenas a lista, eu e Zoey estávamos na mesma equipe, graças aos deuses! Nós seriamos da segunda equipe, lutaríamos durante a tarde.
– Que os deuses estejam conosco.

Notas finais
Espero que estejam gostando! Comentem bastante, assim saberei a suas opiniões. E aguardem pelo próximo capitulo, será cheio de ação, vocês não perdem por esperar! E logo, logo, eu estarei postando um novo projeto de fanfic que envolverá o universo DC.