The Olympians - War

5 Capitulo Cinco - Evento de boas vindas aos calouros


Notas iniciais
Então, galera! Esse é um dos capitulos mais emocionantes de todos, sem nenhuma sombra de duvidas. Espero que estejam gostando muito... Boa leitura!

Capitulo Cinco

Evento de boas vindas aos calouros

Claro, você deve imaginar que tive uma ótima noite de sono antes do evento, certo? Errado.
A noite foi horrível.
Tudo começou com mais um sonho estranho. Dessa vez eu estava do lado de fora de uma escola, parecia um internato, havia um pouco de neve no chão, mas mesmo com isso eu não sentia a temperatura.
Olhei ao redor procurando alguém, e mais uma vez dei de encontro com o garoto, que aparentemente tinha minha idade, sentado próximo à entrada da construção. Ele lia algo que não pude distinguir.
– Ainda não encontro nada! – Ele lamentou.
Parecia que ele procurava alguma solução, ou talvez alguma pista. Não era muito fácil ler as emoções dele. Reparei a aparência dele. Ele tinha cabelos dourados como o sol de meio-dia, seus olhos eram castanhos caramelos, sua pele era rosada e com o frio suas bochechas estavam vermelhas. Ao seu pescoço um cachecol marrom o protegia da friagem, junto a uma blusa de frio preta e uma calça bege que combinava com o cachecol.
– Não consigo achar nada que me indique o que significa todas essa visões – ele continuava a reclamar.
– Acalme-se, garoto – o homem do primeiro sonho apareceu a seu lado. – Aguarde. Deixe que agora as coisas aconteçam, só fique atento com suas visões.
– Eu não sei quem é ele, mas sei que vai precisar de mim.
Por estranho que seja o garoto me olhou diretamente, parecia que ele sabia de minha presença ali. O homem ao seu lado sussurrou alguma coisa, mas não pude distinguir se quer uma única palavra, pois acordei.


Zoey me olhava preocupada. Ela estava sentada em sua cama me observando atentamente.
– Mais um pesadelo?
– Não sei ao certo se foi um pesadelo – admiti. – Foi muito... Real!
Um silêncio predominou toda a sala. E quando Zoey ficava calada assim era por dois motivos: ou havia algo a incomodando, ou ela estava confusa.
Percebi que eram duas da manhã. Estávamos ali acordados, e isso não seria lá muito bom, afinal tínhamos uma batalha naquele dia.
– O que está acontecendo? – Perguntei.
– Estou ansiosa para a batalha. Não sei como vou me sair, mas quero muito descobrir quem eu sou de verdade.
De certo modo eu estava com a mesma sensação. Apreensivo. Queria saber logo de uma vez quem eu era, qual minha origem. Mas preferi não assumir meus sentimentos, uma pessoa nervosa e ansiosa já é ruim, duas já é de mais.
Ficamos ali jogando conversa fora, raciocinando sobre os deuses, monstros, lendas, e tudo o que se tornou real tão de repente. O mundo já não era o mesmo, e tinha a ligeira impressão de que a tendência era só piorar a cada dia. Mas seja como for, agora eu não tinha outra escolha a não ser enfrentar essa realidade cara a cara.
Com os poucos pegamos no sono...

A manhã começou agitada. Os calouros que ficavam no chalé de Hermes estavam completamente animados para o evento. Seria nossa primeira batalha real. Sem falar na possibilidade de sermos reconhecidos por um dos deuses.
– Estão prontos? – Marvin perguntou para mim.
– Estamos – olhei para Zoey e ela acenou positivamente.
Ele deu um sorriso simpático, como era de costume.
– Relaxem, vocês serão do segundo grupo, mas venham ver a batalha para saberem com o que vão lidar.
Acenei com concordância e depois ele saiu para nos conduzir até a arena. O primeiro grupo de dez semideuses fez uma bifurcação na fila e se dirigiram até outra entrada. Eu e Zoey nos sentamos nas arquibancadas, não muito longe da área de batalha, e nem muito perto.
Vi Zoey corando lentamente. Olhei na direção de entrada da arquibancada e percebi que Leo vinha até nós. Enquanto isso Christopher e Alice se sentavam ao meu lado. Parecia até que já éramos amigos de longa data, o que, em minha opinião, era muito bom.
– Vieram assistir a primeira batalha? – Chris perguntou dando um sorriso meio ilegível para mim.
– Sim – o respondi.
Leo acenou para nós e se sentou ao lado de Zoey. Achei que ela viraria um tomate humano, mas ela se controlou.
– Saudações a todos – ele nos cumprimentou dando um sorriso acolhedor.
– Leo, meu amigo! – Chris gritou de animação.
– Chris, como tem andado o serviço de sênior?
– Nada mal, mas você tinha razão, é meio cansativo.
Alice olhou para mim e acenou de forma encorajadora. Ela estava de mãos dadas com Chris o que indicava que os dois tinha algo além de uma amizade qualquer.
– Como estão se sentindo?
– Estou meio nervosa – Zoey começou a responder. – Não sei se estou pronta.
Lembro-me que depois do jantar de ontem à noite, Zoey e Alice conversaram por vários minutos enquanto eu dava atenção a Wilson. Acho que estávamos realmente nos enturmando dentro do acampamento.
– E você, Marcelo?
– Bem – falei confuso -, não sei o que responder...
Chris me olhou com aqueles olhos verde cor de mar que davam uma sensação de tranquilidade, era como se ouvisse o barulho das ondas e as visse se mexendo em meio ao oceano.
– Não se preocupe amigo – ele falou tentando me tranquilizar. – Você vai se sair bem.
Ficamos em silêncio por um tempo até que Chris começou a observar uma menina que se sentava bem na sua frente. Alice lhe deu um beliscão que o fez gritar. Rimos por alguns segundos da cena até que Quíron entrou na arena. A batalha estava prestes a começar.
Ele soou uma trombeta e abriu um enorme pergaminho.
– Olá jovem semideuses – ele começou o discurso. – Hoje acontecerá o evento de boas vindas aos calouros. Todos já sabem como funciona, portanto ditarei as regras – ele levantou o pergaminho na altura dos olhos. – Primeiro, os semideuses devem carregar consigo apenas uma espada de bronze celestial e nada mais. Segundo, os semideuses devem usar tudo de si na batalha, porém não devem ferir seus companheiros em hipótese alguma. E, por fim, não é permitido nenhum utensílio mágico além de seus próprios poderes.
Aos poucos os dez semideuses que iriam competir se posicionaram na arena. Eles estavam tensos, e confesso que eu também estava. A ansiedade para saber quem era o monstro que enfrentariam era enorme.
Então, de repente, um zunido tomou conta da arena. Uma maquina de aproximadamente dois metros de altura, feita de puro bronze celestial, carregando uma espada numa mão e um escudo na outra, apareceu diante dos meios-sangues. Eles estremeceram, mas se mantiveram ali para a batalha.
Não demorou muito e um garoto tomou atitude de atacar. Ele era leve como Marvin, mas preciso como Chris. Parecia nascido para a batalha. O monstro se levantou o escudo e o impacto da espada com a defesa fez com que o garoto estremecesse no ar. Aproveitando essa brecha uma garota veio correndo e tentou acerta-lo, mas ela parecia ter feito um golpe muito bem calculado, pois por pouco centímetros não acertou o peitoral da criatura, se não fosse pelo fato dele ter defendido o ataque com sua espada.
Fiquei somente aguardando o termino da batalha...

No final das contas muitos semideuses acabaram despertando poderes incríveis, como, por exemplo, uma garota que explodiu em raiva e pulverizou um dos braços da criatura com uma descarga elétrica. Ou como um garoto que usou a água de um reservatório logo ali perto, lançando-a em direção ao monstro.
No final da batalha eles estavam exaustos. Mas a recompensa veio logo. Em cima da cabeça das crianças apareciam os símbolos de seus pais, ou mães, olimpianos. Eles ficaram felizes por saberem quem eram de verdade.
– Esse monstro... – Zoey começou a falar. – Ele é simplesmente inacreditável!
– Eu o desenvolvi para isso! – Leo disse com uma expressão orgulhosa. – Ele foi feito para enfrentar qualquer habilidade, indo dos ataques precisos e calculados dos filhos de Atena até os golpes eletrizantes dos filhos de Zeus.
– Realmente admirável – Alice concordou.
– Não duraria um segundo se batalhasse comigo! – Christopher falou se vangloriando.
Todos riram, mas essa sensação alegre passou rápido. Marvin chamou o próximo grupo. Zoey e eu levantamos tensos e muito, mas muito nervosos mesmo. Leo tentou nos encorajar, e Alice apenas acenou positivamente, Christopher por sua vez não fez, ou disse nada.
Não sei por que, mas atitude de Chris me irritou muito! Era como se ele dissesse: faça o que bem entender. Eu senti que deveria fazer uma boa luta de qualquer jeito. Parecia quase impossível evitar essa sensação de rivalidade entre mim e ele.
Por fim, chegamos à sala de preparação. Marvin fez um depoimento reconfortante, mas acho que nada podia me deixar calmo naquele momento. Pegamos nossas espadas e vestimos um peitoral feito do mesmo material — bronze celestial.
– Boa sorte – ofereci a Zoey.
– Boa sorte a nós.
– E que os deuses estejam a nosso favor – complementei.
Saímos para dentro da arena. Zoey ficou bem ao meu lado. De longe vi Wilson chegando com uma sacola de latas de Diet Coke. Ele acenou encorajadoramente.
Segurei o cabo da espada com mais força e então me virei para encarar o monstro que acabava de aparecer.


Olhando de perto ele tinha uma estrutura humana comum, entretanto eu já o tinha visto em batalha e sabia que ele não era nada humano. Da mesma forma que a primeira batalha, ele segurava uma espada de uma mão e um escudo de outra. Suas cavidades, onde eram para existir os olhos, cintilavam num tom avermelhado. Aquele olhar me fez ficar com medo.
– Comecem! – Quíron gritou fazendo todos ficarem calados.
O primeiro movimento era aquele que daria começo a toda batalha. A sorte de sermos o segundo grupo era que sabíamos algumas coisas sobre o monstro.
– Ei, garoto – chamou uma menina se aproximando de mim. – Sei que não é hora de cumprimentos, mas sou Elize.
– Sou Marcelo, e esta aqui é Zoey – falei com a voz falhando.
– Não sei como, mas eu sei como derrotar este monstro exatamente, porém ele é imprevisível de mais.
Olhei para a garota e reparei que todos ouviam a conversa, principalmente o nosso grupo que foi se aproximando de nós. Ela tinha os cabelos castanhos claros e presos em um rabo de cavalo, um jeans azul claro e uma blusa vermelha.
– O que quer dizer? – Zoey perguntou.
– Este monstro tem toda uma estrutura para derrotar qualquer habilidade de qualquer um de nós, porém ele não é capaz de suportar muitos ataques distintos ao mesmo tempo – ela suspirou. – O problema é que não sabemos quem é quem aqui!
O monstro então resolveu tomar uma iniciativa. Ele veio rapidamente para cima de mim, mas um garoto, aparentemente mais ágil entrou na frente e fez com que sua espada se encontrasse com a do autômato. Ele parecia assustadoramente com Marvin, na aparência e na forma de lutar.
– Vocês estão bem? – Ele perguntou.
– Sim... Cuidado!
O empurrei para o lado e saltei para o outro, com isso desviamos de um corte fatal. Meu coração batia aceleradamente. Aquele monstro era louco! Ele teria matado o garoto!
– Marcelo! – Zoey gritou, mas não teve tempo para correr até mim, pois teve que se defender de um corte que atingiria sua cintura, mas por sorte ela foi rápida o bastante para se defender.
A garota dos cabelos castanhos aproveitou a deixa e deu uma estocada na nuca do autômato. Ele caiu de barriga no chão, o que deu tempo para que viessem até mim. Elas me ajudaram a levantar e ficaram olhando atentamente para o monstro que parecia inativo.
Olhei para a arquibanca e vi que Leo tinha ficado boquiaberto. Parecia que de alguma forma a menina havia descoberto um dos pontos fracos da criatura.
– Eu analisei o autômato, ele tem três pontos fracos, um na nuca, outro no peito, e um na coxa da perna esquerda na parte de trás...
– Como você sabe de tudo isso? – Zoey perguntou encabulada.
– Eu simplesmente sei!
Quando menos esperávamos o monstro se levantou. O garoto que me defenderá e outros quatro que eram muito parecidos com eles atacaram o monstro que conseguiu parar um por um.
Reparei que uma menina parecia estar atordoada. Ela tinha cabelos negros e olhos azuis eletrizantes que era possível se ver de longe. Fiquei com medo de o monstro ir até ela, mas reparei que havia outra garota ao seu lado. Essa, por sua vez, tinha curtos cabelos castanhos escuros, uma rosa atrás da orelha, e parecia estar mais concentrada.
– Temos que ajudar aquelas meninas!
Comecei a correr na direção delas, Zoey e a nossa colega vieram atrás. Os garotos continuavam entretendo o monstro nos dando tempo para chegar até as duas semideusas.
– Vocês estão bem? – Perguntei.
– Eu... Acho que sim...
A garota dos olhos eletrizantes estava muito nervosa que até gaguejava. A outra parecia normal e disse que estava bem.
– Temos que fazer o que falei! – Elize tomou partido novamente. Zoey me ajude temos que resgatar os garotos.
– Sim.
– Preste atenção – ela começou a falar comigo e com as outras meninas -, nós precisamos de ataques poderosos e distintos que possam atordoar o monstro o suficiente para que eu, Zoey, e outro garoto qualquer atingirmos os pontos fracos do monstro ao mesmo tempo. Com isso ele se desmontara!
Depois de terminar de explicar elas correram atrás dos garotos. Quando chegaram, a garota parecia falar o plano para o garoto que me salvara, enquanto Zoey e os outros quatro ocupavam o monstro.
– Alguém tem ideia do que fazer? – Perguntei.
– Acho que tenho! – A menina com a flor na orelha falou. – Certa vez eu tive a impressão de controlar as plantas, mas eu não sei se vai funcionar... Aconteceu há muito tempo...
– Não importa... É o que temos de melhor!
A outra menina parecia paralisada com a batalha. Posei a mão sobre seu ombro e olhei em seus olhos.
– Simplesmente aja. O.K.?
– Eu... Vou tentar!
Ela parecia ter acordado de um transe, mas continuava praticamente a mesma coisa.
Para ser sincero nem eu sabia o que fazer exatamente, mas eu tinha que tentar qualquer coisa!
– Estamos prontos! – Gritei.
A menina da flor ajoelhou no chão e pareceu rezar para que desse certo. Ela colocou as mãos na terra e fechou os olhos. De repente raízes brotaram aos pés do monstro e o prenderam de toda e qualquer forma. Fiquei boquiaberto com aquilo, porém, para a surpresa de poucos, ele arrumou um jeito de sair e continuar defendendo os golpes de Zoey e dos outros.
– O que ele está fazendo? – Gritei para a menina de cabelos castanhos.
– É um mecanismo de defesa contra filhos de deuses naturais – ela gritou explicando. – Ele está absorvendo mais calor e transferindo para as plantas as queimando!
O bom: tínhamos descoberto a habilidade da nossa amiga da flor. O ruim: não tínhamos mais nada para ser feito.
– Eu... Não posso... Muito tempo... – A garota tentava falar.
– Aguente firme – eu a pedi. – Se eu ao menos conseguisse ter ideia do que fazer!
Por fim das contas, o pior aconteceu. A menina não conseguiu segurar. O monstro se libertou das videiras, cipós, e seja lá mais o que for, e, com apenas um golpe de escudo, lançou Zoey de encontro com a parede.
– Zoey! – Gritei abismado.
Ela batera a cabeça. Estava meio inconsciente. A garota dos cabelos castanhos e o menino que se parecia com Marvin foram até ela, tentando protegê-la do monstro. Não funcionou. O autômato de bronze deu um golpe de escudo no peito do garoto que caiu deslizando na terra. E com a espada lançou a menina para o outro lado. Zoey estava desprotegida.
Olhei para trás. Deparei-me com aqueles olhos azuis estáticos me encarando. A garota da flor estava caída com a mão sobre a cabeça. Ambas desnorteadas. Os três garotos que restavam insistiam em se manter na batalha, mas não aguentariam mais que cinco minutos.
Era hora de eu agir.

Notas finais
Espero que tenham gostado... No próximo capitulo continua a ação ;) Logo, logo o próximo capitulo para vocês!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.