Notas iniciais
AÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ! VOLTEI, MINHA GENTE, JÁ PODEM COMEMORAR ^^ É, eu sei que vocês estão nesse exato momento me xingando de tudo o que se pode imaginar por ter demorado taaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaanto pra postar o tão aguardado capítulo 34, mas não sejam tão duros comigo ;---; Eu só queria fazer um bom final para você.. Bem, como você podem reparar (ou não né, nunca se sabe e.e) eu estou muuuuuuuuito feliz. O motivo? Acabei de trollar a minha amiga aqui no facebook e ela tá p*ta comigo.. Gosto quando ela fica assim *--------------------------------* Então gente, eu tinha programado uma penca de coisa pra escrever aqui, mas me esqueci '-' '-' Então, por hora, é só. Espero que gostem do último capítulo e que COMENTEM ISSO AQUI PORQUE O BOTÃOZINHO DE COMENTAR LÁ EM BAIXO NÃO É PRA FICAR DE ENFEITE NÃO! Amo vocês, boa leitura e até lá em baixo ^^ :*

Abracei May por uma última vez, apertando-a contra meu corpo com força. James e o chofer estavam colocando minhas malas no carro enquanto eu me despedia de minha família. Sentiria falta da lotação, dos jantares barulhentos, das conversas fiadas... Mas era no palácio que estava minha vida. O palácio era o meu lugar e, por mais saudades que eu pudesse sentir da minha família, já estava mais que na hora de que correr atrás da minha felicidade.

Minha mãe enxugou o canto do olho com o dorso da mão e me abraçou, a cabeça apoiada em meu ombro. Ela estava incontestavelmente feliz pela minha decisão de voltar para o palácio. Dona Magda era uma figura um tanto difícil de se conviver, mas eu a amava mesmo assim. Com todas as cobranças, os carões, as ignorâncias às vezes... Elas só queria meu bem, e agora eu percebia isso. Mesmo quando eu ainda nem sabia em que condição e voltaria para o palácio, ela já sabia o que era melhor para mim.

Kenna me apertou forte e deu uma leve penteada em meus cabelos. Com um sorriso, ela me entregou minha bolsa de mão.

– Está linda. — Elogiou-me, puxando-me para um novo abraço de urso. Com um murmúrio para que apenas eu ouvisse, ela completou: — Não se esqueça de olhar no bolsinho traseiro da sua mala, eu coloquei um...

– Sei o que você colocou. — Informei, os olhos semicerrados em repreensão. Ela sorriu amarelo.

– Tchau, America. — James disse, abraçando-me brevemente, Astra agarrada à barra de sua calça dizendo incansavelmente "Titia, titia", as sílabas se atropelando.

Beijei sua testa e fiz cócegas em sua barriga até ela sair correndo para dentro de casa, James indo atrás dela para que ela não fizesse o mundo desabar enquanto corria desenfreada.

Kota abraçou-me brevemente e disse para eu voltar quando quisesse, ao que mamãe corrigiu, dizendo que nunca mais eu deveria passar tanto tempo ali. Todos rimos, mas havia um quê de seriedade na voz de mamãe. Ela tinha razão. E eu não deveria fazer isso novamente.

– Tchau, Nicol...

Antes mesmo de eu terinar a frase e estender minha mão para Nicoletta, ela me abraçou com força, um pedido de desculpas querendo se formar em sua mente, provavelmente.

– Me desculpe — Pediu ao meu pé do ouvido — , mas foi para o seu próprio bem.

Ri disso e ela me largou, sorrindo também.

– Sei que foi. — Respondi.

Olhei mais uma vez para a casa e para cada rosto da minha família. Estavam todos felizes com a minha partida e eu os entendia por isso. Não era algo do tipo "finalmente nos livramos dela"; eles queriam o meu bem e sabiam que isso estaria no palácio. E, por maior saudade que eu viesse a sentir por eles depois de um tempo, eu estaria onde devia estar. E sabia que eles estariam felizes por mim, tanto quanto eu estaria comigo mesma. Beijei a palma da minha mão e soprei para eles. O chofer abriu a porta traseira do carro e eu entrei nele, de repente cheia de borboletas na barriga. Baixei o vidro da janela a tempo de ver os acenos da minha família. Depois disso, eles se transformaram em apenas borrões enquanto eu caía na estrada.

Estava tão eufórica em voltar e tão rodeada de pessoas que me apoiavam que já havia me esquecido do meu nervosismo. Ele estava voltando aos poucos, tomando-me por completo, fazendo minhas mãos tremularem e meus dedos dos pés gelarem. Em menos de uma hora, eu estaria de volta ao palácio. Retomaria a vida de rainha que eu tinha interrompido quando perdi a memória e tentaria, por tudo o que era mais sagrado, recuperá-las.

Começou a chover. Eram apenas pequenas e adoráveis gotas no começo, caíndo em intervalos de tempo e distância demasiado longos. Mas, depois, a chuva aumentou, de tal forma que dentro do carro começou a esquentar e o vapor na janela me permitia fazer rabiscos e desenhos com meus dedos. O céu já não era mais ensolarado, vivo. Era fechado e nublado, mas incontestavelmente bonito.

Colei minha cabeça à janela, ainda rabiscando, e abracei minhas pernas com o braço desocupado. Parecia que, a cada centímetro que nos aproximávamos do palácio, meu coração palpitava mais fortemente, como se ele fosse um GPS que captava a proximidade do local desejado. Chegava até a doer, mas era um dor boa — Se é que existia. Era violenta, sim, consumidora, também, mas quente, fazendo meu peito ferver e o sangue correr com mais velocidade, fazendo arder minha pele. Suspirei, embaçando o vidro da janela e fechei os olhos. Eu estava chegando, era o que eu queria. Uma vez lá, eu não precisaria mais sair. Seria feliz porque, finalmente, entendia a quê lugar e a quem pertencia.

O barulho de portões de ferro se abrindo me despertou, fazendo minha cabeça bater violentamente na lateral do carro. Nem percebera que dormira. O chofer adentrou na propriedade e levou o carro pela estradinha, contornando o canteiro circular de flores para parar em frente os degraus da entrada do palácio. Abri a porta antes mesmo que o chofer fizesse isso por mim, jogando-me para fora do carro de uma vez. Aproveitei a pausa da chuva e inspirei todo o ar que conseguia. Meus pulmões pareciam estar pregados até aquele momento, mas agora... Era como se a vida me fosse devolvida. Deixei minha pulseira cair de propósito para poder me abaixar e tocar a grama molhada da chuva, sentir o pinicado que me parecia tão familiar sob as palamas das minhas mãos. Levantei-me quando o chofer retirou minhas poucas malas do porta-malas e fez sinal para que entrássemos no palácio. Engoli em seco. Eu estava lá, finalmente, e não via a hora de reencontrar aqueles que eu deixara, mas, ainda assim, me sentia na defensiva.

– Majestade, talvez seja melhor entramos. A chuva pode nos alcançar novamente. — O chofer disse

– C-Claro, claro.

Peguei minha pulseira do chão e esperei que os guardas abrissem os portões. O palácio estava exatamente como eu o havia deixado. Archotes iluminando o Grande Salão, lustres sinuosos pendendo do teto, o festival de dourado, bege e marrom que eram as paredes. O palácio estava quente e abafado, muito diferente do lado de fora. O choque térmico fez meus pelos do braço se eriçarem.

– Senhorita America! — Allye veio correndo pelo piso encerado, deslizando em seus sapatos. Com um abraço firme, ela olhou para os lados para ver se alguém a havia visto. Ela suspirou e levou a mão ao peito quando constatou que ninguém nsos vira — Senti saudades.

– Eu também. — Sorri.

– O.k., podemos conversar sobre o que você fez nos últimos dias em seu quarto. — Cortou-me, puxando-me pela mão e me pedindo para não fazer muito barulho.

– O que está acontecendo? — Perguntei, baixinho. Seja lá o que Allye estivesse planejando, não ia atrapalhá-la.

– O Rei Maxon não sabe que a senhorita chegou. Faremos uma surpresa. — Explicou brevemente, subindo as escadas. Acompanhei-a de perto.

– Uma surpresa?

– Sim. Você só estará pronta para o jantar, vou logo avisando.

– Mas não é nem meio-dia ainda. — Disse, pondo as mãos nos joelhos ao terminar de subir a primeira escadaria. Não me lembrava que eram tantos degraus assim.

– É, mas a senhorita precisa estar impecável.

Revirei os olhos. Só esperava que elas não me obrigassem a usar um vestido vermelho decotado e com uma fenda enorme.

Quando cheguei ao terceiro andar, Allye e eu andamos bem devagar, pisando primeiro com a ponta dos dedos, para depois colocarmos os calcanhares no chão. Isso era tão ridículo, como se estivéssemos fazendo alguma coisa errada. All girou a maçaneta do meu quarto com cuidado e, assim que entramos, ela trancou a porta rapidamente, encostando-se a ela, gotículas de suor se formando em sua testa.

– Allye, é você? — Anastasia perguntou, saindo do closet. Ela levou as mãos a boca quando me viu — Majestade!

Diferentemente do habitual, ela me abraçou, mesmo que por pouco tempo, lutando contra o rubor no rosto. Mary veio logo atrás, apertando-me fortemente contra si. Depois de conversarmos um bocado sobre o que eu havia feito nas das últimas semanas, elas me acompanharam até o bannheiro. Eu podia muito bem tomar banho sozinha, não gostava nem um pouco de ser vista assim, completamente nua, mas, depois de bastante insistência, deixei que elas me ajudassem. Elas esfregarm greda arenosa em meu corpo, desempregnando dos meus poros não apenas sujeira, como também algumas camadas da minha pele, pelo menos três. Depois, Mary passou uma loção em meu corpo que primeiramente doía, mas depois aliviava a minha pele castigada pela greda.

Depois, ainda no gigantesco banheiro, as três permitiram que eu vestisse um fino robe e me deitaram sobre uma espécie de maca. Mary pegou a cera quente de sobre a pia e começou a espalhar em minha perna. A cera grudava em meus pelos e, antes que eu pudesse dizer alguma coisa para contestar, Mary pôs uma tira de pano sobre a parte melada e a puxou de uma vez só, arrancando os pelos cravados no fundo da minha alma. Gemi de dor e mordi o lábio para não gritar. Esse havia sido o primeiro puxão; eu precisava me acostumar com essa dor.

Anastasia fez minhas sobrancelhas, arrancando pela raiz todos os pelos fora do lugar. Ela desenhou, remodelou, arrancou, aparou e uniformizou minhas sobrancelhas até elas se tornarem algo mais digno. Eu não sabia pelo quê estava chorando; se pela dor lancinante a cada puxão de Mary dava ou a cada beliscadinha da pinça de Anastasia. Allye andava de um lado para outro, auxiliando as duas em qualquer coisa que precisassem. Graças a Deus. All era tão desastrada que, por acidente, ela poderia atear fogo em meu corpo.

Elas escacavunharam todo o meu corpo, tirando pelos de lugares que eu nem sabia que tinha — Sério que havia nas dobras de meus joelhos? — e eu fiquei lá, virando e desvirando na maca, como um frango de padaria sendo assado.

Depois de ondas e mais ondas de dor e tortura, depois de eu estar livre de pelos e com as pernas completamente entorpecidas e vermelhas, minhas criadas me deram um tempo para me recuperar, até conseguir esquecer os pinicados que eu podia jurar que ainda faziam em minha pele. Elas retiraram meu robe e começaram a me circular, empunhando pinças ameaçadoras, vendo se não tinha nem mais um sequer resquício do que um dia deveria ter sido um pelo. Por fim, elas sorriram.

– Maravilha! — Mary exclamou, um sorriso de orelha à orelha. As três guardaram suas pinças em uma maleta própria para elas.

Coloquei meu robe novamente e desci da maca. Segui minhas criadas até sairmos do banheiro e chegarmos ao closet, onde uma penteadeira e uma poltrona elegantes me esperavam. Respirei fundo e o ar saiu entrecortado. O relógio na parede estava na marca de duas e meia da tarde. Eu tinha cinco horas para estar pronta.

Anastasia se ocupou em minhas unhas, reclamando baixinho sobre elas estarem roídas e ela não ter muito no que trabalhar. Ela cogitou a possibilidade de colocar unhas portiças em mim, mas eu lutei bravamente para que ela não fizesse isso. Soaria artificial demais. Allye começou a ajeitar meu cabelo e, antes de Mary começar minha maquiagem — Que ela dizia fazer o mais simples e pouco carregada possível — ela girou minha poltrona para que eu ficasse de costas para o espelho. Ela podia pintar meus olhos de preto e meus lábios de vermelho e eu não poderia fazer nada.

Quando Anastasia terminou com minhas unhas, deixando-as apenas uniformes e com uma camada de base para dar brilho, foi terminar meu vestido. Senti meu estômago se revirar dentro de mim de nervosismo. Eu não sabia o que esperar do meu eu final. Allye prendeu meus cabelos em um coque clássico e ao mesmo tempo despojado, e colocou, para cobrir a liga, uma espécie de tiara de brilhantes. Eram pequenas rosas compostas por minúsculos grãos cintilantes. Ela também saiu do quarto e foi ajudar Anastasia com meu vestido. Então ficou apenas Mary e eu, ela, rebocando minha cara com concentração, e eu com os joelhos trêmulos a medida em que minhas cinco horas iam se esgotando. Três horas era o que me restavam agora.

Mary me disse para abrir os olhos e bateu palminhas enquanto contemplava seu trabalho. Perguntei a ela se eu poderia finalmente me ver no espelho e ela, caridosa como dizia ser, deixou que eu fizesse isso e girou minha poltrona para que eu também pudesse me contemplar.

Meus cabelos estavam alinhados, presos om uma liga um pouco abaixo do topo de minha cabeça. O coque parecia uma rosa, ao mesmo tempo em que estava alinhado, estava desordenado. Minha franja lisa caía sobre meus olhos azuis destacados em um lápis marrom. Uma paleta de sobra em tons pastéis foi usada em meus olhos, deixando-os vivos e penetrantes, atraentes mas não na forma carregada do "tudo preto". Meus cílios, longos e curvados, e minha sobrancelha bem desenhada e pintada nas partes falhadas eram os únicos pelos que eu conseguia enxergar em meu rosto. Minha pele estava lisa e macia e meus lábios carregavam um batom rosa clarinho, quase do mesmo tom deles naturalmente. Sorri para minha imagem no espelho. Eu não era de me gabar, não me achava a mulher mais linda do mundo nem nada do tipo, mas uma coisa eu tinha que admitir: Eu estava um arraso!

– Meu Deus, Mary. Você é incrível! — Elogiei, ajeitando minha franja ruiva.

– Ah, que é isso. Eu só aperfeiçoei o que já era lindo. — Replicou. Revirei os olhos.

Anastasia e Allye chegaram pouco tempo depois, animadas ao extremo, segurando meu vestido coberto por uma daquelas capas pretas de proteção. Eu conseguia ver a barra dele. Vermelho. Oh, meu Deus, faça com que não seja uma daquelas coisas ultra sexys que eu tanto estava temendo...

– Preparada? — Allye atiçou ainda mais minha curiosidade. Balancei minha abeça afirmativamente.

Anastasia abriu o zíper da capa bem devagar, de baixo para cima. Fui incapaz de deixar minha boca fechada ao apreciar o vestido. Era todo vermelho, seu caimento era até os pés. Era luxuoso e ao mesmo tempo bastante simples, nada de muita informação — E, para a minha felicidade, nada de fendas. Ele tinha manguinhas curtas e, até a alguns palmos acima dos joelhos, era todo coberto por rendas. Não renda de flores e tal; era como se fossem penas de pássaro, o vestido parecia ter vida própria e eu jurava que a qualquer momento ele sairia voando dali. Não pude apreciá-lo por mais tempo, Mary já o estava tirando de dentro da capa.

– Tome. — All entregou para mim uma lingerie vermelha, do mesmo tom do vestido. Reparei que ela não me havia entregado um sutiã junto.

– E a parte de cima? — Questionei, vestindo-me por debaixo do robe.

– Não há coisa mais ridícula do que sutiã aparecendo por sob a roupa. E, com certeza, apareceria nesse vestido. — Anastasia explicou.

– Eu ficarei sem nada?

– Não. Você ficará de vestido. — Mary brincou.

Depois, já sem o robe, Allye começou a vestir minhas pernas com uma meia que ia até o meio de minhas coxas. A meia também era vermelha.

– Por que eu usaria uma meia? — Perguntei.

– Onde iríamos prender a cinta liga? — Allye disse, num tom de obviedade. Congelei.

– Espera aí, cinta liga? Por que eu usaria uma cinta liga também?

– É sexy.

– E o que diabos eu iria fazer com toda essa sensuali... Espera. Não! Vocês são absurdas! Não, não, não e não! Eu e Maxon, quer dizer, nós não... Oh, céus, vocês são malucas! — Praguejei. Mary riu tanto que deu tapinhas no joelho.

– É só para o caso de uma emergência, sabe, se você mudar de ideia...

– Não quero usar isso! — Bati o pé e cruzei os braços sobre o peito.

– Prontinho! Ficou maravilhoso. — Allye cortou-me, forçando-me a voltar a me virar para o espelho. A cinta liga estava presa em uma das pontas à calcinha e na outra à meia. Não parecia eu no espelho, eu nunca usaria algo assim. Mas isso não queria dizer que eu não estivesse... sensual. Isso era novo para mim, eu nunca me vira como alguém capaz de induzir à tentação, mas não era de todo ruim esse meu novo lado. Apenas diferente.

– E então, o que me diz? — Mary perguntou, segurando meus ombros e apoiando sua cabeça em um deles, apreciando minha imagem no espelho também.

Fingi irritação.

– Humpt! Só hoje.

All sorriu e Anastasia levantou o punho num "yeah!" baixinho.

Mary me ajudou a vestir o vestido, ao passo que Anastasia calçava-me. Era incrível como o vestido se ajustava tão perfeitamente ao meu corpo, nem um centímetro maior e nem um centímetro menor. Assim que o zíper foi fechado às minhas costas, corri para me ver no espelho. De todos os vestidos que eu já usara — E que eu conseguia me lembrar, claro — aquele era de longe o mais bonito. A renda que mais lembrava penas de pássaros vinha dos dois lados, encontrando-se no centro do meu busto. O vão entre os meus seios ficava nu, a renda não chegava até lá e isso me incomodou um pouco. Não queria que minha volta e esse vestido significasse algo a mais para Maxon.

Ah, quer saber? Estou linda! E que se dane se significar.

Até o meio de minhas coxas, o vestido era rendado. Dalí para baixo, um tecido mais fino e esvoaçante que tule cobriame até os pés. Virei-me de costas para ver como ele ficava atrás. Minhas costas estavam nuas, cobertas apenas por uma camada tênue de um tecido transparente. Os arredores do zíper era vermelho também, cheio de rendas menores e mais delicadas ainda. Essa renda começava a pegar mais partes do meu corpo a medida em que ia descendo nos quadris, cobrindo-me. Sorri novamente para a minha imagem e, me lembrando de como os sapatos eram normalmente desconfortáveis, andei um pouco pelo quarto, a fim de calcular quantos lances de escada eu aguentaria sem que ele me ferisse os dedos. Para minha surpresa, o sapato de salto era macio e seu bico arredondado estava afofado com algodão por dentro.

– Está linda! — Allye bateu palmas, afastando-se para ter uma visão geral de mim. Revirei os olhos, mas concordei internamente com ela.

– Resolvemos pôr zíper em vez de botões nesse vestido para ser mais fácil de tirar. Evita vestidos rasgados. — Mary explicou, dando de ombros. A olhei de esguelha. Como eu detestava quando elas insinuavam algo.

Olhei para o relógio sobre a penteadeira e me assustei com a hora. Já eram sete e quinze. Um dia inteiro havia se passado e eu nem sequer reparara — Exceto enquanto as meninas arrancavam minha pele junto com os pelos. Essas foram horas aterrorizantes.

– Prontinha. Acho que deveria descer. — Anastasia disse, pondo um fio de cabelo meu para trás da minha orelha.

– Maxon estará lá? — Indaguei, apertando minhas mãos, tentando conter o suor que pingava delas.

– Certamente. Tomaremos nossas providências para que ele desça para o jantar. Ultimamente ele estava comendo suas refeições em seus aposentos. — Mary respondeu — Allye, desça e certifique-se de que o rei está lá em baixo.

All bateu continência e saiu como um raio do quarto, batendo a porta com força sem querer. Mary suspirou e balançou a cabeça negativamente.

– Não acha que é um pouco demais, não? — Perguntei um tanto temerosa. Por mais que eu dissesse para mim mesma que não ligava para a forma que Maxon pensaria sobre mim quando me visse, eu estava nervosa com sua reação.

– Tsc, tsc... Está deslumbrante! o rei adorará.

Tentei confiar em suas palavras, afinal, Allye já estava chegando no quarto, eufórica, e estava na hora de eu descobrir por mim mesma qual seria sua reação. Ela balançou a cabeça afirmativamente e disse que ele estava na sala de jantar, sem entender o motivo de terem pedido para que ele jantasse lá em baixo esta noite. Suei frio até o vestido pregar às minhas costas.

– S-Será que eu posso ver Eadlyn antes? — Pedi. Queria fazer isso desde o primeiro segundo em que havia posto os pés no palácio.

– Ela está dormindo a uma hora dessas, mas acho que não teria problema. — Ana disse. Abri um enorme sorriso.

Quando entrei no quarto de Eadlyn, pisando leve como uma pluma para não acordá-la, encontrei uma Jenna e uma Less exaustas, uma dormingo encostada a outra. Aproximei-me mais, cruzando o quarto iluminado apenas pelo abajur. Dentro do berço, Eadlyn remexia os braços e as pernas, sonhando. De vez em quando, soltava um sorrisinho. Ela estava exatamente como eu me lembrava: Pele rosada, cabelos ruivos, olhos castanhos escondidos sob pálpebras de cílios espessos. Toquei sua mão, macia como seda. Ela fechou sua mãozinha ao redor do meu dedo, segurando-o junto ao peito. Eu jamais me perdoaria por tê-la deixado. Isso nunca mais, em hipótese alguma se repetiria.

– M-Majestade? — Jenna chamou baixinho, espreguiçando-se e cutucando Less nas costelas.

– Shhhhi. Já estou indo. Podem dormir. — Disse, um dedo sobre os lábios em sinal de silêncio.

Ela sorriu, mal conseguindo manter os olhos abertos.

– Nem precisa mandar duas vezes.

Quase instantaneamente, ela fechou o olhos e sua cabeça tombou para trás. Ela já dormia.

Deixei o quarto com passos calculados, primeiro a ponta dos pés e depois os calcanhares. Fechei a porta com um rangido leve, prendendo a respiração, e suspirei. Agora, vinha a parte mais difícil.

Minhas criadas estavam à espreita no fim do corredor, fazendo sinais com a mão para que eu me aproximasse. Minhas pernas tremeram violentamente e eu agradeci internamente a Mary por ter providenciado um vestido longo que ocultasse a tremedeira de meus joelhos. Respirei fundo algumas vezes quando cheguei até elas e retorci minhas mãos, ora ou outra esfregando-as em meu vestido. O tecido fazia as gotículas de suor escorrerem sem sequer penetrarem nele.

– Sete e meia. — Mary informou. Engoli em seco com dificuldade.

– Não se preocupe, Majestade. O Rei Maxon ficará extremamente feliz pela sua volta. — All encorajou-me com um sorriso. Anastasia concordou com a cabeça, assim como eu.

– Então... Me desejem sorte. — Pedi, tentando fazer com que meu sorriso não fosse denunciado por um leve tremor.

– Toda a sorte do mundo. — Ana respondeu, confiante. Alarguei meu sorriso e tentei descer as escadas sem debater meus saltos nela.

O tempo parecia estar a meu favor. Cheguei mais rápido do que esperava a sala de jantar, as portas fechadas. Como o habitual, os guardas me cumprimentaram, assim como os mordomos e as portas foram escancaradas. Meu estômago se revirou e meu coração subiu à garganta. Porque ali, logo a frente, Maxon aguardava o motivo importante por ter precisado descer para o jantar. Ele estava tão absorto em pensamentos, beliscando seu prato de vez em quando, que não me notou. Tive meus breves cinco segundos para enxugar minhas palmas no vestido, ver as gotículas escorregarem pelo tecido, fechar os olhos, abrí-los e, finalmente, pigarrear.

Maxon se assustou e virou a cabeça em minha direção. Sua expressão se suavizou consideravelmente quando me viu, um sorriso absurdamente lindo brincando em seus lábios. Agora eu via o quanto eu sentira falta disso, da forma como ele conseguia me animar e me deixar confiante em momentos tão cruciais. Ele pulou da cadeira, quase derrubando o prato no chão.

– A-America? — Perguntou, incerto. Sorri e forcei minhas pernas a andarem ao seu encontro. Ele me interceptou no meio do caminho, sendo mais rápido que eu — Você voltou.

– Eu disse que voltaria. — Afirmei, brincalhona. Ele acariciou meu rosto com ternura.

– Só não disse em que condição... — Lembrou-me, sua fisionomia de repente séria — Você já sabe o que quer? Conseguiu pensar nisso fora dos muros do palácio?

Confirmei com a cabeça brevemente. Ele ergueu uma sobrancelha como uma pergunta.

– Você sabe a resposta. Eu não me produziria assim se viesse lhe dar um não. — Repliquei, lançando, excitante, meus braços em seu pescoço. Ele colou mais nossos corpos, segurando-me pela cintura. Senti um estranho ardor em meu corpo com isso, como se eu estivesse brincando com o fogo, um fogo com o qual eu adoraria ser queimada. Mordi meu lábio inferior antes de dizer com todas as letras o que eu queria dizer — Maxon Schreave, eu amo você. Amo você!

Ele abriu o maior dos sorrisos, seus olhos flamejando de alegria.

– E eu amo você, America. Com todo o meu coração.

Ele colou nossos lábios rapidamente e eu voltei a sentir a doçura que eu tanto havia anciado nos últimos dias, mas, tapada como estava, fingia não sentir. Enterrei minhas mãos em seus cabelos e desejei que o o tempo parasse bem aqui, bem agora, bem onde eu queria. Poderia passar o resto de minha vida ali, em seus braços, sentindo seu corpo esquentar-me deliciosamente. Porque agora, mais do que nunca, eu via como minhas palavras eram reais, eu via como o amava. Afinal, eu não precisava "aprender" a amá-lo, como eu achava. Eu precisava aceitar que o amava. E eu aceitava isso, agora.

Quando o ar se tornou necessário, ele separou nossos lábios e juntou nossas testas, nossos narizes se tocando. Manti meus olhos bem abertos, afim de guardar na memória cada minúscula partícula do seu rosto. Seus olhos estavam em brasa, tão vivos como eu jamais vira. Me sentia honrada por ser amada por ele, mas me sentia mais honrada ainda em saber que o motivo de tamanho brilho, tamanha felicidade em seus olhos era eu.

– Você se lembra? — Indagou, seu hálito frio de hortelã batendo em meu rosto, fazendo os poucos pelos que minhas criadas haviam deixado em mim se eriçarem.

Neguei com a cabeça, uma leve tristeza se instalando em mim. Porém, Maxon não se abalou. Sua expressão permaneceu igual.

– Vai lembrar. — Disse com convicção. Busquei acreditar em suas palavras — Quero te mostrar uma coisa... Está com fome?

Ergui as sobrancelhas. O que uma coisa tinha a ver com a outra?

– Não. — Menti. Eu estava faminta! — O que quer que eu veja?

– Mostro a você lá em cima.

Ele me beijou novamente e deixamos a sala de jantar. Eu estava gélida, fria como o gelo. Mistérios nunca foram meu forte; eu sempre sucumbia à curiosidade. E lá estava eu, os joelhos trêmulos de nervosismo, a barriga quase roncando de fome, e tudo o que eu conseguia pensar era no que Maxon queria que eu visse. Logo, havíamos chegado ao terceiro andar.

Maxon parou em frente a porta do seu quarto. Não haviam guardas no corredor nem em nenhum lugar que eu pudesse ver. Obra de minhas criadas, é claro. Com um giro na maçaneta, a porta se abriu, revelando o gigantesco e imperial quarto do rei. Maxon ainda segurava minhas mãos quando pôs um pé para dentro dos aposentos, mas eu permaneci congelada. Estava tão nervosa que parecia que um milhão de borboletas estavam voando em minha barriga, meu sangue fervilhando e borbulhando sob minhas veias.

– O que foi? — Maxon perguntou quando eu me fiz de estáua em frente ao seu quarto.

– O que quer me mostrar? — Tornei a perguntar.

– Algumas coisas que você talvez consiga se lembrar. — Confessou. Minha expressão suavizou-se, mas a de Maxon se tornou interrogativa — O que achava que eu iria te mostrar?

Mordi o lábio.

– Não sei. Por isso perguntei o que era. — Menti. Ele sorriu e eu entrei no quarto.

As portas da sacada estavam abertas e um vento frio cortante entrava por elas. A chuva recomeçara, graciosos pingos caindo do lado de fora. Cruzei os braços sobre o peito, arrepiando-me de frio. Maxon caminhou até um grande armário e tirou de dentro uma caixa de madeira muito bem entalhada, como um baú de cacarecos. Engraçado, lembro-me de ter um baú exatamente assim...

Maxon fez um movimento para que eu me aproximasse mais e só então percebi que ainda estava à porta fechada. Caminhei até ele enquanto ele lutava com o feixo, aparentemente enferrujado, tentando abrí-lo. Quando finalmente conseguiu, sentou-se na beirada da cama. Sentei-me ao seu lado.

– O que é tudo isso? — Perguntei, esticando meu pescoço para ver o que tinha dentro.

– Suas coisas.

Ele ofereceu-me a caixa e eu tentei, por tudo o que era mais sagrado, focar no que havia dentro dela. Eram coisas tão diferentes e ao mesmo tempo tão iguais... Tive uma grande dificuldade em discernir o que significavam aqueles objetos. Eu sentia, bem dentro de mim, que eu conhecia tudo aquilo, que nenhum daqueles objetos era novidade para mim. E eu aceitei isso. Aceitei a vida que eu tinha antes como eu nunca havia aceitado até o momento. Aceitei meu amor por Maxon, aceitei minha vontade real em ser mãe de Eadlyn e de quantos filhos a mais Maxon e eu quiséssemos ter, aceitei a vida que se perdera em minha mente e aceitei que eu estava disposta a resgatá-la. E no fim, descobri que eu nunca havia aceitado tudo isso. Conformação, era o que eu sentia até ali. Estava conformada com a minha condição, conforma que havia perdido coisas irrecuperáveis. Eu finalmente podia entender o que Nicoletta quisera dizer. Era disso que eu precisava. Era esse o fio da meada, como uma vez Aspen dissera. Era disso que eu precisava para... lembrar.

Fitei aqueles objetos na caixa e vi o quanto tudo aquilo me soava familiar. A pulseira de contas azuis que Maxon me dera quando voltou de sua viagem a Nova Ásia; as várias fotos minhas durante a Seleção; Algumas cartas que eu recebera da minha família; O bracelete e a gargantilha de brilhantes do meu casamento; Um envelope com todas as ultrassonografias de Eadlyn; A foto da casa que minha família ganhara que Maxon havia me mostrado na noite antecedente ao fatídico dia do ataque rebelde; Minha tiara de princesa que eu pude usar por pouquíssimo tempo; Algumas de minhas próprias composições musicais em partituras para violinos...

Eu reconhecia tudo aquilo. E, como nunca, recordava-me de todos eles.

Pisquei os olhos repetidas vezes e reprimi o impulso de beliscar meu próprio braço. Aquilo não era um sonho. Eu estava ali de verdade, apreciando minhas coisas, minhas lembranças. E eu me recordava de cada uma delas, cada detalhe, cada aroma, cada sonho, cada medo, cada sentimento...

America Singer Schreave. 22 anos. Filha de Shalom Singer e Magda Singer. Selecionada. Membro da Elite. Rainha de Illéa. Mãe de Eadlyn Schreave. Esposa de Maxon Calix Schreave.

– America, minha querida, está tudo bem? — Maxon perguntou, excitante.

Sua voz... De todas as lembranças que eu tinha de sua voz, essa era a mais real. Seu timbre, as notas mais altas e as mais baixas, as brandas e as eufóricas, tudo soava como música em meus ouvidos. Uma música daquelas que você põe para repetir várias vezes apenas para chegar naquele ápice que você tanto se viciou.

Ergui minha cabeça e olhei fundo em seus olhos. Ele esperou por uma resposta que eu demorei um bom tempo para formular.

– Nunca, nunca... me chame de "minha querida".

A princípio, ele riu. "Certas coisas nunca mudam", deve ter pensado. Mas, logo depois, seu rosto assumiu um ar mais sério, de incredulidade. Sua boca se abriu repetidas vezes, mas nenhum som saía dela. Ele estava atônito. Esperei, com lágrimas nos olhos, que ele dissesse alguma coisa, mas tudo o que saiu de seus lábios foi meu nome gaguejado enumeras vezes. Era estranhamente bom sentir que podia deixar até o mais inabalável dos homens desconcertado.

– America? V-Você...

Não consegui dizer nada. Me joguei em seus braços com uma força demasiada excessiva. Ele caíu de costas na cama e eu não parei de beijá-lo nem por um segundo sequer. Tudo o que eu queria, ou melhor, tudo o que eu precisava estava ali, bem perto de mim. E jurei para mim mesma que nunca mais correria o risco de o deixar escapar por entre meus dedos.

Maxon mal conseguia me beijar tamanho era o seu sorriso, então eu o fiz por ele. Beijei cada parte do seu pescoço até que tudo estivesse manchado pelo meu batom. Beijei seu rosto repetidas vezes, com pressa como se tudo aquilo pudesse se acabar em questão de segundos. Sua testa, a ponta de seu nariz, suas bochechas, seu lábios... Tudo estava marcado com a cor da minha boca. Maxon me parou por um tempo; sua ficha ainda não havia caído.

– America, você voltou! — Exaltou, mais para si mesmo do que para mim, sentando-se na cama novamente e me pondo em seu colo. Afirmei várias vezes com a cabeça como se isso fizesse com que ele entendesse mais rapidamente.

– Sim. E eu amo você. Amo você mais do que tudo! — Afirmei com veemência. Ele estava tão perplexo que mal podia se mexer, enquanto eu era toda enérgica, desesperada. Muita coisa nos fora privada por muito tempo e não era justo que mais desse tempo nos fosse roubado.

– Eu também amo você. Muito.

Ele me beijou novamente, uma de suas mãos acariciando meu rosto e a outra descendo pelas minhas costas. Ele me puxava mais para si a cada instante, esquentando-me com seu corpo febril.

Eu não sabia o que fazer. Não sabia se ria ou se chorava; não sabia se apenas o beijava ou arrancava logo esse maldito vestido do meu corpo. Estava tão nervosa, tão chorosa e tão feliz por finalmente ser eu mesma que não pensei em mais nada. Porque, afinal, tudo o que importava estava ali, bem na minha frente, todo entregue para mim, e eu não tinha com o quê me preocupar. Não havia outro lugar em que eu quisesse estar que não fosse em seus braços.

– M-Maxon... — Arfei. Tantos soluços irrompiam de minha boca que eu não conseguia terminar minha fala.

Maxon pairou seu indicador sobre meus lábios e nos separou um pouco, apenas o suficiente para ter uma visão mais privilegiada de meus olhos de esclera vermelha. Ele tirou alguns poucos fios de cabelo do meu rosto, organizando-os atrás de minha orelha, e redesenhou cada um de meus traços. Seus dedos acompanharam a linha de meu maxilar até meu queixo, acompanharam a ponte do meu nariz, contornaram o desenho de minha boca, e, com sua palma, acariciou minhas bochechas. Céus, como eu sentira falta do seu toque, do seu cheiro, do seu calor...

– Shhi... — Pediu quando eu tentei mais uma vez falar, e murmurou: — Não é preciso falar nada, meu bem.

Assenti e o beijei novamente, jogando meus braços ao redor de seu pescoço, acariciando seus cabelos, fazendo de um tudo para não cair no choro.

Sim, eu já havia desistido de tentar recuperar minhas memórias, já estava bem menos interessada nelas, mas agora eu via o quão importante elas eram para mim, como elas compunham uma parte bela e essencial na minha vida. A parte mais importante de tudo o que eu já vivera.

Por mais piegas que isso soe, não sei como pude viver tanto tempo sem Maxon. Não sei como pude simplesmente desistir, jogar tudo para o ar e voltar para a casa de minha mãe. Eu estava cega, dormindo como era do meu feitio em momentos importantes. Mas eu estava bem acordada agora e não havia mais embaraços ou escuridão em minha mente. Eu era eu novamente, e só Deus sabe como eu me sentia feliz por isso, por voltar a ser quem eu era.

Admito ter tido momentos em minha vida em que pensei em desistir, em que achei que jamais poderia ser uma rainha como Amberly ou alguém antes dela deve ter sido. Pensei em jogar tudo para o alto, largar as responsabilidades, e viver no anonimato. Na Seleção e depois dela, eu estava cercada pelo medo, presa em um círculo de fogo com meus maiores temores me queimando. Em momentos assim, quando eu olhava para mim mesma e não conseguia mais me reconhecer envolta em tanto luxo, eu me perguntava se era isso mesmo que eu queria para a minha vida, se eu realmente queria viver sendo alguém que eu não era. Eu dividara de minha capacidade, duvidara de mim mesma.

E hoje, olhando para tudo isso, revivendo minhas lembranças, vejo o quanto estava sendo tola. Eu estava ali porque queria. Estava ali porque havia decidido isso, havia escolhido a vida que viria à mim quando pronunciara o "sim" no altar. E, não, eu não me arrependia dessa palavra. Ela concretizara o que eu mais queria: ser de Maxon por inteiro. Era graças à ela que eu era rainha; graças à ela que eu passava por tantas provações; graças à ela que eu, muitas vezes, não me sentia como eu mesma. Mas era graças à ela também que eu havia eternizado o meu amor por Maxon. E eu a repetiria mil vezes se fosse necessário.

Eu poderia me sentir deslocada como fosse, poderia não me reconhecer, muitas vezes, ao me olhar no espelho, mas esse era o meu lugar. Era o lugar onde eu deveria estar e, principalmente, onde eu queria estar. E eu jamais, em hipótese alguma, o deixaria novamente.

Olhei para Maxon novamente, para a razão de eu manter meus pés no chão e minha cabeça em seu devido lugar. Acariciei seu rosto, tocando cada parte dele, sentindo sua barba de dois dias espetando-me a palma da mão. Nenhum obstáculo em meu caminho seria capaz de me fazer me arrepender por minhas decisões. Elas o trouxeram param mim, e só isso já era o meu maior presente.

"E então, como todo conto de fadas que se prese, o Príncipe Encantado beijou a Princesa e eles viveram felizes para sempre."

Seria maravilhoso se nossa história terminasse assim. Mas isso não vai acontecer por dois fatores bastante notáveis: (a) porque não somos um conto de fadas, e (b) esse não é, de longe, o fim da história.

É apenas o começo.

Notas finais
Que clichê, não é... Eu poderia ter feito melhor? Sim, poderia. Eu poderia ter deixado menos clichê? Sim, poderia. Mas por que eu não fiz isso? Porque a criatividade tá pouca por aqui... Espero realmente que vocês tenham gostado desse capítulo, porque né... É o que temos... Como esse não é o último capítulo (Já podem se alegrar: Tem epílogo genteeeeee), vou deixar os agradecimentos finais para lá e pular para uma coisinha que eu tava me programando para perguntar à vocês já faz tempo. Então tá, bora lá: Muitas pessoas vêm me pedindo algo como um hentai Amexon, ou Maxerica, que seja e.e. Mas, como não foi meu objetivo desde o início, não incluí esse gênero na fanfic. Andei pesquisando um pouco e tal (e.e) e acho que, se eu tiver bem alimentada, sem esse sol calorento aqui em cima de mim e com criatividade excedendo as expectativas, eu consigo fazer algo legal. Mas, claro, eu jamais faria um capítulo desse teor sem seu consentimento, até porque eu não escrevo a fic para mim, e sim para vocês. Como eu ia dizendo... Se pelo menos a maioria concordar com um bônus: hentai, eu faço ele e posto no máximo na terça-feira (Sim, vai demorar porque eu também tenho vida social né :v Mentira, tenho não... São as provas mesmo que estão lascando com a minha vida e.e). Se a maioria não concordar, deixa como tá né, deixa a fic tooooooda própria para os baixinhos (Ah, qual é, você também assistia Xuxa e entendeu isso :v) Enfim, se concordarem: Bônus; Se não concordarem: Nada de bônus. Capiche? Comentem o que vocês acham da ideia, não me deixem no vácuo pelo amor de Deeeeeeeeeeeus! Amo vocês, beijinho e até o próximo capítulo :*