Notas iniciais
Oi Oi Gentee *----------------------* Eu ia postar ontem, mas acabei dormindo... Foi mal ;-; Tô com muito sono (Aulas dozinfernos) então não esperem notas iniciais super-hiper-mega-master-ultra bacanas. Só pra avisar. Obrigada pelos comentários e pela nova recomendação (GabiMultiboooks, você é um amorzinho :3 *3*) Amo vocês, seus liendos! Beijinho, até lá em baixo e não vou prometer uma data específica para o próximo capítulo porque... né. P.S.: Vocês gostam de ler ouvindo música? Eu adoro uma trilha sonora de fundo enquanto escrevo meus capítulos, rs... E, meu Deus, quando escrevi esse capítulo estava escutando Love Someone (Jason Mraz) e Stay (Rihanna) e tô xonada *---------* Agora que vim perceber como essas músicas são perfeitas pra esse capítulo, então, se você gosta de ouvir música enquanto lê, aí está uma super dica da Tia Evelyn, huehue. (AMO TANTO LOVE SOMEONE *-----------------------------* Música da novela, sabe..)

Quando me acordei, o sol ainda não tinha se levantado completamente. Meu sono havia sido conturbado, cheio de pesadelos e sonhos incomuns, como o do abismo. Eu ainda não entendia o que ele significava, maesmo depois das tentativas de Willa. Esperei que o dia amanhecesse para me aprontar para mais uma manhã no palácio. Acho que já estava me acostumando com tudo isso.

Allye foi a primeira a chegar e, por baixo de todo o uniforme pitoresco de criada, eu ainda podia ver a garota eufórica e bela da noite passada. Me animava saber que, se eu não sabia onde encontrar minha felicidade, podia proporcionar um pouco às pessoas a minha volta. Anastasia chegou logo depois, calma e calada como sempre, um lindo vestido azul turquesa em mãos. Essa era uma das coisas mais chatas, eu podia dizer: Vestidos. Qual o problema em eu usar calças jeans?

– A senhoria dormiu bem? — Allye perguntou, arrumando minha cama e afofando meus travesseiros enquanto eu me espreguiçava.

– Sim. — Menti — Muito bem, obrigada. E vocês?

– Como princesas! — Exasperou. Não me contive a rir de sua animação.

– All! — Anastasia repreendeu.

– Ah, você não é a chefe! — Replicou Allye.

Insisti em tomar meu banho sozinha e tentei demorar o máximo possível nele. Quando as pontas dos meus dedos começaram a engilhar, cedi e me enxuguei. Apreciei-me diante o espelho do banheiro por uns instantes; será que meus seios estavam cheios por causa de... leite? Se fosse, eu deveria amamentar Eadlyn, não? Por que eu não fora instruída a isso antes? Quer dizer, eu não iria levar jeito de primeira, é claro, mas eu não excitaria. Eadlyn não poderia passar fome.

Saí do banheiro com essa pergunta na cabeça, tentando a todo custo mantê-la lá para que pudesse me lembrar de perguntar a Vanessa. Era ela quem estava cuidando de Eadlyn, certo? Ela deveria me explicar direitinho sobre isso.

– Ah, Mary. — Chamei quando ela fez menção em desabotoar meu vestido para que eu pudesse vestí-lo — Posso usar outra coisa?

Ela ergueu as sobrancelhas com dúvida.

– Tipo, algo mais informal.

– N-não gostou do vestido, senhorita? — Anastasia gaguejou.

– Não, eu adorei. Vocês são incríveis transformando um simples pano em algo tão grandioso assim, mas eu, bem... Preferiria algo mais discreto. Como... calças.

Allye riu de minha ideia e Anastasia a repreendeu com cutucões nas costelas. Mary fez as duas pararem com apenas um olhar fuzilante. Elas se aquietaram.

– Mas a senhorita é a rainha. — Mary contrapôs, endeusando a palavra "rainha" — O que podemos fazer é escolher um vestido mais simples.

Bufei. Elas só estavam fazendo seu trabalho me vestindo à caracter, não tinham culpa. Tentei deixar para lá a ideia — Maravilhosa — de usar calças. Pelo visto, eu não seria permitida a isso nunca mais.

Elas me ofereceram um vestido mais simples, também azul, mas de caimento até os joelhos. Ele tinha manguinhas de tecido leve e sua saia era um tanto esvoaçante. Olhei-me no espelho. Até o mais simples para elas era algo sofisticado para mim. Com sapatos bege — Que não me apertavam, graças à Deus — e nem uma grama de maquiagem, deixei que elas arrumassem meu cabelo em algo casual. Uma trança que pendia em meu ombro esquerdo.

Mary, com muito cuidado, abriu uma gaveta com o fundo forrado em veludo. Dentro, estava uma imponente e amedrontadora coroa. Gelei quando os dedos dela a tiraram de dentro da gaveta e se direcionaram para o topo de minha cabeça. Deixei que ela fizesse isso. Qualquer coisa, eu só precisava tirar depois.

O brlho da coroa batendo no vidro do espelho era de cegar. Ela era dourada, com pedras preciosas que eu não saberia dizer o nome encrustadas e, por mais delicada que aparentasse, pesava toneladas, afundando meu crânio. Era linda, entretanto, mas eu sentia que não pertencia a mim, que eu não merecia tamanha honra.

– Ela é tão bonita. — Allye elogiou, sua voz pensativa e distante.

– É. — Confirmei e pisquei os olhos para que deixasse de bobagem. Eu não ia andar para cima e para baixo com isso. Tirei-a com todo cuidado e voltei a guardá-la na gaveta de veludo. Mary parecia contrariada — Mas é demais para mim.

Elas assentiram, compreendendo. Era bom ter pessoas que não julgavam minhas escolhas, fossem elas quais fossem.

Meus olhos correram para a sacada, as cortinas balançando ao vento que entrava das portas abertas. O jardim, verde e ensolarado como sempre, era um convite para um passeio. Um passeio que eu não queria fazer sozinha.

Deixei o quarto em silêncio e busquei não voltar a chamar a atenção dos guardas à minha porta. Mas um deles era Aspen. Eu não o ignoraria.

– Bom dia. — Desejei aos dois.

– Bom dia. — Repetiu Aspen, o outro apenas me reverenciando — Precisa de ajuda para encontrar seu destino?

Eu tinha duas opções. A primeira era pagar de idiota, precisando de alguém para me guiar por minha recente nova casa, mas ter a companhia de Aspen. A segunda era ser auto suficiente, provavelmente me perder e ter que pedir ajuda mais a frente. Ainda precisava de uma resposta para isso?

– Por favor. — Pedi.

Aspen abandonou seu posto e o outro soldado que montava guarda ao seu lado recolheu seu bastão. Ele, então, me acompanhou pelos corredores e escadarias até a sala de jantar. Mesmo em silêncio, era bom saber que ele estava do meu lado. Eu não me sentia mais tão deslocada.

– Como vão as coisas? — Perguntou, olhando para a frente. As aparências deviam ser mantidas.

– Bem, na medida do possível. — Dei de ombros e toquei o colar de passarinho em meu pescoço. Nostalgia me atingiu — Ontem eu me lembrei da morte do meu pai.

Ele arriscou olhar-me de esguelha, talvez para ter certeza de que eu não desabaria em lágrimas. Tentei sorrir.

– Sinto muito. — Prestou suas condolências — Foi realmente um baque grande demais.

– Oh, se foi. — Confirmei.

Dito isso, dei fim, sem querer, à conversa. Pensamentos sobre o que Aspen sentia por mim e, principalmente, o que eu ainda sentia por ele voltaram a me atormentar. Eu o sentia distante de mim e, em algum lugar dentro de mim, isso machucava. Podia ser apenas seu respeito por meu casamento, conformidade ou aceitação. Tinha a possibilidade de ele me amar, ainda. Eu só precisava descobrir se minha recíproca era verdadeira. Isso era de longe a parte mais difícil.

– E Maxon? — Murmurou, me despertando.

– O que tem ele?

– Alguma lembrança referente a ele? — Olhou-me de esguelha novamente.

– Não. — Tornei a mentir. Eu precisava parar com isso. Estava virando um hábito.

– Bem, boa sorte com tudo. Está entregue.

Olhei as portas a minha frente. Eu deveria ter prestado mais atenção no caminho até ali. Pelo visto, precisaria de ajuda na manhã seguinte de novo. Virei-me para trás para agradecer a Aspen por sua boa vontade em me ajudar, mas ele já tinha sumido. Os guardas da porta a abriram e eu pude entrar. Esperava encontrar Maxon tomando café, mas estava vazio, exceto por alguns mordomos.

– O Rei Maxon não está, Majestade. — Um deles me informou.

– Sabe onde posso encontrá-lo? — Perguntei, sentando-me à mesa gigante. Parecia ridículo ter tanta comida em uma mesa só para mim.

– Ele está nos jardins com sua filha, a Princesa Eadlyn. — E, com uma reverência, completou: Com sua licença, Vossa Majestade.

Estava com fome, mas comi pouco aquela manhã. Com apenas um pãozinho com suco de laranja para não desmaiar até o almoço, deixei a sala de jantar. Eu finalmente veria Eadlyn acordada. Poderia, enfim, ver seus olhos castanhos por mim mesma. No meio do caminho no Grande Salão, Vanessa me inteceptou. Que ótimo, me poupava de procurá-la depois.

– Senhorita America. — Chamou-me — Lembre-se que tem mais uma sessão com Willa hoje, no mesmo horário.

– Estou me lembrando disso. — Afirmei. Esperei que estivéssemos o mais afastadas possível dos guardas mais próximos para perguntar-lhe: — Doutora, eu queria lhe perguntar sobre... meus seios.

– Perdão? — Disse, confusa.

– É que, assim, eu deveria estar amamentando, não é? Mas não estou. Por que? E... eu tenho leite...?

Ela ficou um tempo calada até se situar com o que eu falava. Quando finalmente entendeu, deu-me um sorriso.

– Enquanto você esteve em coma, parou de fabricar leite e o que já tinha se acumulado durante a gestação se perdeu em sua corrente sanguínea. Eadlyn está se alimentando com um leite industrializado próprio para crianças recém nascidas. Não se preocupe com isso. Ah, e quanto a se você ainda tem leite, é provavel que seu corpo tenha parado de fabricar, mesmo depois de você ter se acordado.

Ergui as sobrancelhas. Isso era bom, acho. Eu não precisaria amamentá-la e correr o risco de sujar tudo ao meu redor com leite.

– Então... é tudo meu? — Brinquei.

Ela riu.

– Tudo seu.

Depois de Vanessa me deixar aos portões do Grande Salão, fui direto para os jardins. Os guardas à porta as abriram e eu pude finalmente inalar o cheiro do verde da grama e sentir o sol iluminar-me a cara e penetrar em meus poros. Não sabia que estava com tanta saudade assim de sentir seu calor. Respirei fundo e desci os degraus.

Pensei em me descalçar para sentir o pinicar da grama em meus pés, mas desisti. Havia um vai e vem de guardas, mordomos e jardineiros e, por mais que eu não fosse ser repreendida, seria um tanto quanto ridículo. Contentei-me, então, em apenas imaginar correr e sujar meus pés de terra.

Além dos funcionários do palácio — Jardineiros, guardas, mordomos, criadas — , encontrei Maxon brincando com Eadlyn à sombra de uma árvore. Duas babás estavam conversando um pouco distante; pareciam exaustas. Ri comigo mesma. Pelo visto, Eadlyn estava dando bastante trabalho a elas. Aproximei-me dos dois devagar, não queria assustá-los, mas, bastou eu pisar em algumas folhas secas para que ela se virasse em direção ao barulho. Senti-me zonza. Pensei que estivesse vendo os olhos de Maxon, mas eram os de Eadlyn. Castanhos, brilhantes, vivos.

– Hey, mamãe chegou. — Maxon disse, se levantando da grama e vindo em direção a mim. Eu estava hipnotizada pela criaturinha em seus braços e demorei um bom tempo para perceber que ele estava inclinando-a para que eu a pegasse. Suei frio.

– E-eu não sei pegá-la. — Justifiquei. Eu segurando alguém tão frágil quanto Eadlyn seria um desastre.

– Eu também não sabia, e agora sou o maior segurador de bebês de Illéa.

Engoli em seco. Caso ela escorregasse, Maxon a socorreria. Peguei Eadlyn nos braços e a aconcheguei ao meu peito. Ela esperneiou um pouco por desconhecer o meu braço, mas logo se aquietou. Entrei um pouco mais debaixo da copa das árvores para que sua pele fina não ficasse muito exposta ao sol. Ela bocejou um pouco e pôs sua mãozinha fria em meu ombro, esquentando-a, e fechou os olhos, me libertando do transe. Maxon pareceu fascinado, a boca entreaberta.

– Jenna, Less, vocês não vão acreditar. — Disse, fazendo um sinal com a mão, chamando as babás. Senti-me excluída de só Deus sabe o quê — Ela dormiu.

As duas também entreabriram a boca.

– Céus, tentamos isso a madrugada inteira. — Adimirou-se a primeira.

– Ela não dormiu a noite? — Indaguei, confusa.

– Não. Na verdade, ela não dorme de jeito nenhum. — A outra respondeu.

– Eu não ouvi ela chorar. — Disse com ceticismo. Se ela tivesse choramingado, eu com certeza teria me acordado. Meu sono havia sido tão leve quanto uma pluma.

– Mas ela não chora. — Explicaram-me — Ela faz tudo. Brinca com os dedos dos pés, rola no berço, mas não chora de jeito nenhum.

Eu ri. Pelo visto, não era apenas o fato de ser princesa que diferenciava Eadlyn das outras crianças...

Depois de um tempo, o braço em que Eadlyn estava deitada começou a entorpecer e eu já estava perdendo a força. Uma das babás, Less, pegou-a dos meus braços e disse que a levaria para dentro do palácio, "O banho de sol matinal dela já se prolongou por tempo demais", explicou Jenna, correndo atrás de Less com o carrinho e os brinquedos. Ri novamente em pensar que duas profissionais não davam conta das perautisses de Eadlyn. Lembrava a mim mesma quando pequena.

Mamãe sempre dizia que eu fora a filha mais difícil de educar dos cinco. Kenna era doce e meiga e morria de medo de ser chamada a atenção. Kota sempre foi mais ativo e um tanto mais afastado, mas, ainda assim, obediente. May seguia os passos de Kenna, e Gerard, por mais que já tivesse quebrado a torneira da pia e praticamente inundado a casa, derramado mostarda nas pinturas do papai e enchido de farelos de salgadinhos as teclas do velho piano, era mais fácil de lidar do que eu. Mamãe e papai tiveram grandes problemas comigo quando comecei a falar. Minha mãe sempre foi meio histérica, facilmente irritável e, uma hora o outra, soltava um palavrão e, adivinhe só quem repetia todos eles? Eu.

Uma vez, estávamos no supermercado e uma mulher esbarrou-se em minha mãe e derramou em sua roupa o café que segurava. Minha mãe, claro, fez um escândalo medonho pelo acontecido e a mulher desastrada, pelo visto, não levava desaforo para casa. Resultado: Ficou eu, uma garotinha de cinco anos de idade entre duas malucas que se esbofetavam com palavras. Até hoje, sabia de cor tudo o que uma disse para a outra. No mesmo dia, quando cheguei em casa, papai varreu sobre meus pés sem querer e Kota ficou me enchendo a paciência, dizendo que eu não iria mais me casar. Ele passou o resto da semana falando isso e eu, farta, repeti todos os palavrões que minha mãe havia dito à mulher no supermercado. Fiquei de castigo por um bom tempo e minha mãe, culpando-se por sua filha ter aprendido tantos xingamentos, prometeu a si mesma de que nunca mais iria repetir algo como vaca ou vadia. De vez em quando, ela ainda soltava um "merda!" discreto, mas todos fingíamos não ouvir.

– O que vai fazer hoje? — Maxon perguntou, tirando-me de meus devaneios. Eu nem sequer me lembrava de que ele ainda estava ali, os braços cruzados, as costas apoiadas no tronco da árvore. Eu não tinha percebido antes, mas seu sorriso era torto. Sua boca inclinava quase imperceptivelmente para um lado, a pontas de seus dentes brancos aparentes sobre os carnudos lábios rosados.

Ele percebeu que fiquei muito tempo olhando para ele e riu. Eu, constrangida, desviei o olhar para as ervas daninhas que cresciam sem serem notadas às raizes da árvore.

– Não sei. — Dei de ombros — Talvez eu tente aprender jardinagem e arranque essas coisas daí. — Apontei para as ervas — Eu gostava de jardinagem?

– Que eu saiba, não.

Cruzei os braços sobre o peito quando uma brisa fria me atacou. Como gostaria de ter vestido um cardigan antes de ter vindo para os jardins. Olhei para o céu, zangada. O sol estava se encobrindo entre as nuvens. O dia, antes belo, prometia chuva.

– Quer dar um passeio pela propriedade? — Perguntou-me, se desencostando da árvore, as mãos nos bolsos da calça — Sei que já lhe mostrei um pouco do palácio, mas há muito ainda fora dessa... jaula.

Ri da forma como ele mesmo se referia a sua própria casa.

– Quero. — Respondi sem excitar. Ele abriu o maior dos sorrisos.

Caminhei ao lado de Maxon por todos os arredores do palácio. Realmente, eu não conhecia absolutamente nada daquele lugar. Ele me mostrou a academia e tentou me explicar o que cada aparelho fazia, mas não coonsegui prestar atenção; tudo naquele lugar cheirava a um incenso terrivelmente familiar. Depois, exploramos as estufas. Eu jamais, em toda a minha vida — Que não era lá essas coisas de longa — havia visto rosas mais lindas do que as cor-de-chá. Seu perfume e sua cor incomum eram como para mim o que sereias deviam ser para pescadores enfeitiçados. Não tive coragem de tocá-las, elas eram frágeis demais, e eu, desastrada. Também haviam as lindas órquideas fúcsias que encantavam até mesmo a mais tosca das pessoas. Diferentemente da academia, quis ficar para o resto da vida nas estufas.

Maxon também me mostrou os estábulos reais. Diferente do que eu pensava, era um lugar limpo e bem cuidado. Havia todo o tipo de animal que se podia imaginar: Porco, carneiro, cavalos e até um pequeno canil para cães de caça. Maxon me fez perder o medo e passar minha mão pela crina de seu cavalo. Era delicado e macio, quase como veludo. Sua pelagem castanho claro contrastava lindamente com a crina loura. Maxon expicou que ele era um cavalo diferente, um cruzamento entre as duas raças mais bonitas que, por terem nomes tão difíceis, acabei por me esquecer. Um tratador de cavalos se aproximou e deu-me uma cenoura para que eu oferecesse ao cavalo. Ele aceitou de bom grado, relinchando de felicidade.

– E aí, topa? — Maxon perguntou, inclinando o queixo na direção do cavalo.

– O que?

– Cavalgar. — Explicou-me. Tremi só com a possibilidade de isso acontecer.

– N-não, eu não sei cavalgar.

– Ah, vamos. Para tudo tem uma primeira vez.

Olhei para o cavalo e então para mim. Queria fugir de sua proposta, mas não sabia como não ser grosseira.

– Ah, eu... Estou de vestido. Não seria nada legal montar nele de vestido. — Objetei, na esperança de que ele se desse por vencido.

Ele semicerrou os olhos para mim, lendo minha expressão com atenção. Era como se ele fosse um daqueles cães farejadores, sempre atentos à procura do medo.

– Tudo bem. — Disse por fim, desmanchando a cara investigativa e analisadora — Mas você me deve um passeio à cavalo, agora.

Sorri amarelo. Será que ele não percebia que, para o meu próprio bem e de toda a humanidade, eu devia manter meus pés pregados ao chão e não tocar em nada ao meu redor? Bufei, fingindo tédio.

– Tudo bem, eu me rendo. — Levantei as mãos como sinal de minha rendição. Ele riu do meu teatrinho fajuto.

– Promete?

– Pode confiar.

Ele abriu um sorriso e fez sinal para que eu continuasse o seguindo, então. Infelizmente, eu estava perto demais do chiqueiro e fui atingida por um jato de lama quando um porco gordo se jogou de barriga. Meu rosto saiu intacto, mas meus braços e vestido ficaram manchados com a mistura de água e terra. Gemi ao pensar no trabalho que daria lavar-me.

Maxon já estava bem a frente e, quando percebeu que eu não o seguia, voltou-se para mim. Ele deu uma gargalhada tão alta que até os pássaros preguiçosos aconchegados em seus ninhos levantaram voo. Fuzilei-o com ódio. Não era engraçado, nem de longe. Quer dizer, seria. Se não fosse trágico.

– Não é engraçado, o.k.? — Enfureci-me, balançando meus braços para que o excesso da lama abandonasse meu corpo. Até as pontas dos meus cabelos estavam sujas graças ao meu movimento.

– Desculpe. — Pediu, ainda sorrindo. Ele tirou uma boa parte da lama de meus braços com seus dedos e passou-os em seu rosto, como se fosse a pintura de um índio ou de um soldado em batalha dos filmes — Sente-se melhor agora?

– Não posso dizer que não. — Sorri.

Ele limpou o rosto com pressa, como se a lama fosse impregnar em seus poros caso ele a deixasse ali por muito tempo. Depois, me ofereçou a mão para que eu segurasse.

– Venha, sei onde pode se limpar.

Ergui uma sobrancelha, excitante quanto a sua mão estendida. Ele não apresentava perigo, eu sabia, mas tive medo, ou melhor, receio, de que ele sentisse esperanças sobre nós dois. Ele não merecia sofrer, esperando que eu voltasse. Mas, ainda assim aceitei sua mão.

Ele nos guiou por um ponto afastado. Os jardins de flores coloridas e grama verde cediam espaço para algumas pedras, as paredes suntuosas do palácio se distanciavam. Logo, o caminho começou a ficar mais complicando, tivemos que pular sobre pedras e ajudar um ao outro para que não escorregássemos no lodo. Eu ouvia barulho de água correndo e não demorou muito para que eu, de fato, a visse. Tão cristalina que se podia ver as pedras marrons sob ela, a água vinha de tão longe que eu não podia ver sua nascente. Parecia até um pecado sujá-la com a lama dos porcos.

– É um lago. — Maxon disse — No inverno, tudo isso congela. Eu costumava vir aqui quando criança para patinar. Mamãe dizia para que eu tomasse cuidado com o monstro que vivia no lago congelado. — Riu com nostalgia, lembrando-se da história.

– O que aconteceu com seus pais? — Eu já vinha querendo perguntar isso há tempos, mas nunca tivera coragem. Parecia rude perguntar algo assim, mas, mesmo assim, o fiz.

Ele não pareceu nem um pouco incomodado com a intromissão em sua vida e eu aliviei meu coração do medo que tinha de que ele ficasse com raiva — Medo esse que eu não sabia por quê tinha.

– Eles morreram durante um ataque rebelde. Minha mãe tentou salvar meu pai, atirando-se em sua frente quando um rebelde preparou-se para atirar nele. Meu pai morreu depois, pelo mesmo homem. — Disse-me. Ele tentou sorrir para mim, me mostrar que estava tudo bem, mas o sorriso só atingiu seus lábios. Seus olhos se mantiveram sem brilho. Ele suspirou como se segurasse as lágrimas.

Toquei seu ombro, reconfortando-o. Ele merecia um abraço, mas parecia um salto muito grande para se dar de uma vez só. Acariciei seu ombro enquanto ele olhava para as pedras, hora ou outra chutando alguma.

– Também sinto falta do meu pai. — Confidencializei com um murmúrio. Ele olhou para mim, pronto para reconfortar-me também, mas eu balancei negativamente a cabeça e pus um sorriso no rosto — Mas não viemos aqui para isso, e sim porque estamos sujos.

– Sujos, não. Imundos. — Corrigiu-me.

Abaixei-me nas pedras, tomando cuidado para não cair dentro do lago, e peguei a água com minhas mãos em formato de concha. Era demorado, muito mais fácil seria simplesmente enfiar a cabeça dentro d'água, mas deixei a preguiça de lado e joguei água em meu rosto, concha após concha. Não ficou um trablho cem por cento, mas dava para o gasto. Passei, então, a focar em meu vestido, esfregando as partes mais sujas ou apenas tirando o excesso de outras. Maxon fazia o mesmo que eu, mas ele parecia não ter ideia da força que tinha mergulhando as mãos na água de uma vez, respingando para tudo quanto era lado. Uma hora, ele enfiou as mãos de uma vez, fazendo um maremoto se levantar e espirrar-me água na cara, na roupa e nos cabelos. Arrepiei-me coma água gelada.

– Oh, meu Deus, me desculpe. — Desculpou-se, apressado. Fiz cara de horrorizada.

– Não acredito no que fez. — Deixei minha voz o mais fina possível, imitando algumas Dois frescas — Você me paga, Schreave.

Ele juntou as sobrancelhas, sem entender nada, mas já era tarde para ser entendido alguma coisa. Joguei um monte de água em seu rosto e em sua camisa. Por sorte, ele não estava de terno; não daria tanto trabalho assim secar.

Ele tirou um pouco de água dos olhos e me encarou com injúria, mas sua expressão não mostrava raiva. Ri de mim mesma. Não era sempre que alguém molhava o rei de Illéa tão audaciosamente.

– Você vai ver. — Ameaçou-me.

Tentei correr de sua fúria, mas a água pegou-me de costas. Meu vestido grudou em minhas pernas e eu temi que ele fosse transparente o suficiente para que mostrasse o que não devia. Ah, dane-se. O que importava mesmo era vencer essa guerra. Retruquei chutando a água para Maxon, molhando mais sua camisa e sua calça. Ele tirou os sapatos de couro e jogou-os para longe. Era um boa ideia. Federia como um gambá se fosse molhado.

Fiz o mesmo com minhas sandálias e esperei que ele se vingasse. Sua resposta foi um chute no lago que levantou tanta água que meus cabelos pingaram. Meu prendedor escorregou dos cabelos, fazendo-os cair em uma cortina ruiva sob meus olhos.

E nós ficamos assim, brincando de jogar água um no outro apenas para esperar que o adversário se vingasse. Podíamos parecer estúpidos nessa brincadeira, mas era bom. De vez enquanto, todo mundo precisa de uma dose de estupidez. Maxon já estava com os cabelos pingando também, seus fios pregados à testa. Por um tempo, ele parou com o molha-molha e olhou do lago para mim e de mim para o lago. Eu meio que já sabia o que ele pretendia fazer, mas minha lerdeza não permitiu que eu me movesse um centímetro. Quando percebi, suas mãos se agarraram a minha cintura e quadris e me empurraram para o lago. Mergulhei contra minha própria vontade e fiquei fascinada quando abri os olhos debaixo d'água. Algumas algas cresciam entre as pedras, peixes corriam para se esconder em abrigos improvisados, todos assustados com nossas risadas e movimentação na água.

Maxon pulou no lago logo depois, imergindo nas águas límpidas. Quando levantei minha cabeça, senti pingos de chuva atingirem meu rosto. O céu estava nebuloso e com aparencia triste, mas não me zanguei como mais cedo previra. Era até bom. Era como se a felicidade fosse propriedade nossa.

– Obrigada pelo banho, hein. — Gritei, carregada de sarcasmo, para que me ouvisse sobre o barulho da chuva batendo no lago. Ele riu.

– Não há de quê. — Respondeu com a mesmas notas altas — Acho que nem preciso mais de banho por hoje.

– Acho que não preciso de banho é nunca mais! — Corrigi, erguendo meus braços para os céus, recebendo a chuva em meu rosto.

Maxon nadou um pouco na água enquanto eu brincava e sentia as mordidinhas dos peixinhos que começavam a se acostumar com nossa bagunça. Eu devia estar apreciando a beleza dos pingos batendo no lago, das gotas de orvalho escorregando das plantas em meio aos pedregulhos, mas não. Em vez disso, apreciei Maxon. Eu não podia simplesmente me fazer de cega e deixar de notar seus músculos sob a blusa branca justa ao corpo que já não servia mais para quase nada. Observei a forma como ele se movimentava, como mexia os braços ao nadar, como seus músculos se contraiam quando uma rajada de vento frio atacava seu corpo molhado. Parei de olhá-lo por uns segundos e passei a me analisar. Estava preocupada que o vestido azul de tecido fino deixasse perceptível coisa demais e, de fato, deixava. Tentei despregá-lo do meu corpo, fazer com que não marcasse demais minhas poucas curvas, mas foi quase em vão. Quando Maxon voltou a se aproximar, movendo-se com lentidão na água, cruzei os braços sobre o peito como se fosse conseguir escondê-los assim.

– Hey. — Chamou.

– Hey. — Respondi.

– O tempo está fechando cada vez mais. — Observou — Pode ser que troveje e caiam raios, não sei. Mas é melhor estarmos protegidos no palácio se isso acontecer.

– Está recorrendo à "jaula" como abrigo? — Provoquei.

– Não. — Respondeu e, embora ele sorrisse, eu sabia que falava sério — Só estou recorrendo à coisa mais sã a se fazer.

Concordei com a cabeça e saí do lago, sem jamais descruzar os braços. Estava frio, o vento cortante me fazia ranger os dentes e tremer o queixo. Maxon correu até seu paletó largado na grama e envolveu-me com ele. Molharíamos o palácio todo daquele jeito. Se a chuva pelo menos cessasse, poderíamos secar mais um pouco ao vento, mas enquanto os pingos gelados ainda caíam sobre nossas cabeças, tudo o que podíamos fazer era esperar que as criadas enxugassem nosso rastro.

– Pelo menos estamos limpos. — Ele brincou, balançando os sapatos nos dedos. Agora não adiantava mais; o couro iria feder com a água da chuva.

– Pelo menos. — Dei de ombros e confessei: — Foi divertido.

– É — Confirmou — , foi divertido ver você perder.

Olhei-o, fingindo incredulidade.

– Na-na-ni-na-não. Deu empate, o.k.? Em-pa-te. — Soletrei. Era tão a minha cara tentar me safar da derrota.

– Não mesmo. Ganhei de você quando lhe joguei na água. — Gabou-se.

– É, mas você jogou tudo fora quando se jogou junto.

– Ei, você está enrolando! — Acusou-me, apontando um dedo para mim — Você só não quer admitir que perdeu.

– O que? Pfff... O.k., eu desisto. Tem razão, o todo poderoso Maxon Schreave venceu essa.

Ele riu e nós voltamos para o palácio. Dois mordomos nos receberam com mantas para nos protegermos do frio que já deixava meus lábios arroxeados. Pegaríamos um resfriado se não trocássemos essas roupas molhadas logo. Na pressa de ir para o meu quarto, esqueci de entregar o paletó de Maxon. Dei de ombros para isso. Eu teria tempo para entregá-lo depois.

Depois de minhas criadas terem um trabalho gigantesco em secar meus cabelos, pedi para que trouxessem o almoço para o quarto. Eu ainda estava um pouco enrugada da água e estava espirrando a qualquer sinal de poeira. Se eu tivesse um ataque de espirros na frente de várias pessoas, morreria de vergonha. Belisquei um pouco meu almoço, comendo um pouquinho aqui e ali, mas não cheguei a raspar o prato como eu sempre fazia. Acho que ficar submersa na água por muito tempo havia me dado sono.

Quando minhas criadas me deixaram sozinha, deixei o prato de comida no criado-mudo e me enrolei nas cobertas, o frio delicioso do dia chuvoso me deixando preguiçosa. Fiz uma nota mental de não fazer muita hora na cama quando minhas criadas viessem me chamar para o jantar ou qualquer outra coisa. Ainda queria brincar um pouco com Eadlyn antes que ela fosse dormir, ou melhor, fingir.

Quando me acordei, o sol já estava se pondo. Mary e Anastasia tentaram não fazer barulho, mas Allye acabou derrubando só Deus sabe o quê. Depois de ela pedir perdão mais do que o necessário e ser repreendida diversas vezes, ela foi juntar os caquinhos do que havia quebrado. Por sorte, tinha sido só um pó compacto, nada muito importante. Fiz uma nova nota mental: Não deixe nada de valor perto de Allye. É um perigo grande demais.

Depois de um banho para livrar-me do sono, desci a escadaria a procura de comida. Claro que, se eu pedisse às minhas criadas, elas logo me dariam uma bandeja toda de coisas para lanchar, mas eu decidi pegar por mim mesma. Seria bom para conhecer mais um pouco do palácio. Foi bastante fácil chegar até a cozinha, parecia até que eu já tivera ido lá depois do coma. Acertei sua localização de primeira, em cheio. Talvez eu tivesse algumas cenas dela em minha memória ainda.

A chefe da cozinha, "'E' Alguma Coisa", disse-me que eu não precisava ficar indo ali sempre que estivesse com fome, que eu podia simplesmente tocar a campainha para chamar minhas criadas e pedir-lhes para que fizessem isso por mim, mas expliquei a ela que era bom esticar um pouco as pernas. Ela ergueu as sobrancelhas, como se o que eu tinha dito fosse curioso e ao mesmo tempo hilário, mas se deu por vencida no fim. Acabei lanchando na cozinha mesmo, conversando hora ou outra com algumas cozinheiras. Leite com biscotos foram o suficiente para me fazer esperar até o jantar. Se eu tivesse pedido às minhas criadas que me trouxessem algo para lanchar, elas me fariam comer tudo o que tivesse na cozinha. Já não bastava uma barriguinha saliente de gravidez — Que para todos, não existia — , eu não podia ficar acima do peso.

Eu já estava exausta novamente quando me dirigi para a ala hospitalar, teria novamente sessão com Willa. E, como já era de se esperar, uma comitiva de médicos aguardavam minha chegada à porta do consultório. Quando deixei a sala, todos vieram especular sobre o que estávamos falando. Francamente, eles eram tão abelhudos que eu sentia vontade de dizer um palavrão digno da minha mãe naquele dia no supermercado.

– Mas, Majestade, é apenas para saber se ela está fazendo seu trabalho direito. — Ashlar explicou, andando apressado, tentando me alcançar.

– Sim, ela está fazendo um ótimo trabalho. — Revirei os olhos — Era só isso, não? O.k., tchau.

Cheguei ao quarto de Eadlyn a tempo de vê-la acordada. Ela estava com olhinhos de peixe morto, sonolenta, mas não queria desistir de brincar. De vez em quando, ela me lançava um sorriso banguela e crispava os lábios como se quisesse ensaiar uma palavra. Ela era tão encantadora que eu tinha vontade de nunca mais sair de perto dela.

Jenna e Less disseram que já era a hora da princesa dormir, ela tinha uma rotina e, mesmo que ainda fosse novinha demais para saber disso, precisava ter seu inconsciente acostumado. Pensei em dizer a elas que eu mesma a faria dormir, mas não tinha muita certeza de como faria isso. Eu não sabia nada sobre crianças, mesmo tendo ajudado minha mãe a cuidar de May e Gerard. Era diferente. Era minha filha, e eu morria de medo de fazer alguma bobagem. Então, apenas fiquei quietinha, fotografando mentalmente Less fazê-la dormir para que eu aprendesse. Quando Eadlyn cedeu ao sono, saí do seu quarto e disse para Jenna e Less descansarem também. Elas pareciam exaustas. De bom grado, elas falaram que se revesariam para velar o sono de Eadlyn. Senti-me segura assim. Sempre teria alguém por perto caso ela precisasse.

Jantei sozinha e, se eu soubesse, teria ficado no quarto mesmo. Não que Maxon fosse de falar muito, mas, ainda assim, era melhor saber que tinha alguém comigo durante as refeições. Perguntei a um mordomo se ele tinha ideia de onde Maxon estava e, para ele, ele estava no escritório, em seu gabinete ainda. Engoli tudo o mais rápido possível e subi para o meu quarto. A essa hora, eu já estava morrendo de sono como se eu não tivesse cochilado depois do almoço.

Dispensei minhas criadas assim que pus os pés dentro do quarto. Quando elas saíram, vesti a primeira camisola que vi pela frente — Uma de tecido grosso para o frio — desamarrei meu cabelo e caí na cama, sem nem sequer me dar ao trabalho de fechar as portas da sacada, as cortinas brancas balançando ao vento. Eu conseguia ver uma parte do céu, mesmo deitada. Estava bonito, é claro, como sempre. Mas esta com uma tristeza depressiva. Fechado, sem estrelas, sem o luar da noite anterior. Era engraçado como as coisas podiam mudar de um dia para o outro. Engraçado como, em um dia, você dorme com dezesseis, dezessete anos. E no outro você se acorda casada, rainha e com um filho. Suspirei e fechei os olhos.

Em meus sonhos, eu via o rosto de papai. Em um momento, ele estava perto o suficiente para que eu o pudesse tocar, mas depois, ele se afastava. Eu corria, desesperada, atrás dele. Queria o avisar sobre um suposto perigo, o esconder de algo ou de alguém que o ameaçava, mas, quanto mais eu corria atrás dele, mais ele se distanciava. Era uma corrida sem começo nem fim, apenas uma maratona de quem se cansa primeiro. Sentia dores incrivelmente realista nas pernas e tentei parar para descansar, mas meu pai parecia sentir dores do inferno sempre que eu parava de correr. Sua vida dependia de mim. Continuei, então, em minha maratona. Eu não podia simplesmente deixar que meu pai morresse, não era egoísta assim. Mas, quando caí de joelhos no chão, não consegui mais me levantar e vi meu pai agonizar na minha frente, sua face se transfigurando de dor. Sua última palavra havia sido um grito de socorro fraco.

– NÃO! — Gritei, me pondo sentada. Eu não podia ter feito isso, não podia ter deixado-o morrer. Era tudo minha culpa ele não estar mais comigo agora — PAI, NÃO! NÃÃÃÃO!

Agora, lágrimas escorriam dos meus olhos e os soluços começavam a aparecer, mas não tive tempo de fazer mais nada. Duas portas foram arrombadas; a do meu quarto mesmo e a que dava acesso ao quarto de Maxon. Dois guardas ainda corriam até mim para verificar se eu estava bem, mas Maxon havia sido mais rápido, abaixando-se no chão a minha frente e tentando acalmar-me, segurando minha mão. Senti uma paz estranha se restaurar dentro de mim ao ver que ele estava comigo, ao sentir que não estava sozinha, que ele sempre estaria ali para me ajudar a me acordar dos pesadelos. Não sabia como e nem ao menos por quê, mas gostava de sua presença ali.

Com um gesto com a mão, Maxon expulsou os guardas do quarto. Ele continuou acariciando minha mão e me ajudando a deitar novamente. Eu estava suada, os cabelos pregados na testa deviam me dar um ar psicopata. Ele esperou que eu parasse de ofegar para se levantar do chão.

– O que aconteceu? — Perguntou com sua voz mais tranquila, sem querer me sobrecarregar mais.

– Pesadelo. — Foi tudo o que respondi. Ele assentiu com a cabeça.

– Tente dormir novamente. — Pediu — Não fique pensando no pesadelo.

Fiz que sim com a cabeça, mas foi impossível não pensar em meu pai sendo torturado na minha frente, por minha causa. Senti mais soluços se aproximarem com meus pensamentos.

Maxon me deu um boa-noite fraco e se dirigiu para a porta de onde tinha vindo. Sem pensar nem por um segundo nas consequências, nas esperanças que eu daria a ele se fizesse isso, pedi:

– Por favor, fique comigo. Pelo menos até eu dormir.

Arrependi-me disso no momento em que terminei de falar. Céus, como eu era egoísta! Maxon era bom demais para mim para que eu brincasse assim com seus sentimentos. Ele não merecia isso e eu não podia alimentar esperanças que pudessem vir a serem falsas. Mas, quando ele assentiu com a cabeça e fechou a porta pela qual entrou, voltando para perto de mim, parei de me sentir arrependida.

Ele se deitou na beirada da cama, como se quisesse manter uma distância respeitosa entre nós dois, não querendo invadir meu espaço, mas eu acabei com tudo isso. Acomodei-me mais perto dele e, quando ele abriu o braço, percebendo o que eu queria fazer, aninhei-me em seu calor, descansando minha cabeça sobre seu peito nu. Ele acariciou meus cabelos, despregando alguns fios da minha testa e meu único arrependimento foi usar uma camisola tão feia e sem atrativos quanto a que eu usava. Maxon me cobriu com o cobertor e me aconchegou mais a ele, acabando com o frio que eu sentia.

– Como sabia que aquela porta estaria aberta? — Perguntei depois de um bom tempo em silêncio, lembrando da tarde passada em que ele me entregou a chave e disse que eu poderia a fechar se quisesse.

– Não sabia. — Admitiu e eu senti um leve dar de ombros — Mas arrisquei tentar. Era mais rápido.

– Desculpe-me por acordá-lo e... o fazer ficar comigo.

Ele riu baixinho como se não quisesse acordar as paredes — Como se elas já não tivessem sido acordadas por meus gritos.

– Acredite, isso não é um castigo.

Eu sorri. Senti-me constrangida por estar tão perto de um homem seminu. E pior, deitada sobre seu peito. E ainda pior, um homem que eu mal conhecia! Mas, ainda assim, me sentia bem, como se com ele eu sentisse estar protegida. Em minha cabeça, nada me atingiria se ele estivesse perto de mim. Soltei o ar que eu nem sabia estar prendendo e fechei os olhos. Talvez fosse a inconsciência me dominando e me fazendo imaginar coisas, mas juro ter o ouvido cantar baixinho algumas estrofes de uma música conhecida. Nem sequer consegui identificar qual era, já estava dormindo.

Quer tenha sido coincidência ou não, meu sono foi tão tranquilo quanto podia ser.

Notas finais
Sono, sai de mim! Amei tanto esse capítulo, é um dos meus preferidos *-------------------* Vocês gostaram também? Não se encabulem (huehue) comentem =D Amo vocês, obrigada por não terem desistido ainda de lerem essas notas absolutamente inúteis e até mais ^^ Beijinho :* P.S.: ALGUÉM AÍ ESCUTOU LOVE SOMEONE? ALGUÉM AÍ TAMBÉM SE VICIOU? P.S.2: Heeeeeey! Você pessoinha que tem facebook e DETESTA as páginas de A Seleção que só postam "imagines" ou tirinhas repetitivas, tenho uma dica pra vocês:::::: Curtam a página Não Sou Sua Querida ( https://www.facebook.com/pages/N%C3%A3o-sou-sua-querida/1415030445408467 ) da Ray Singer. Sim, estou mendigando curtidas mesmo, huehue... Beijinho :* :*