Notas iniciais
Oi Oi gentee *---* Tudo bom? Perdoem-me por ter passado tanto tempo sem postar, mas eu estava com alguns problemas pessoais... Bom, antes de mais nada:: Vocês são divos :3 Obrigada por comentarem os capítulos e por continuarem lendo essas notas ^^ Depois de mais nada (huehue):: Comentem mais nessa bagaça :p B| Beijinho, amo vocês, até lá em baixo ^^ :3

Havia um abismo em meus sonhos, tão fundo que eu não poderia dizer se tinha um fim ou se a queda duraria para sempre. Mas era lindo, tentador. As folhas das árvores ao meu redor balançavam sob a brisa serena de primavera, a grama, verde e molhada da chuva que há pouco parara, era um convite para deitar-se. As nuvens no céu formavam figuras, e eu ficava como uma garotinha tentando adivinhar o que elas formavam. De repente, quando a sombra do sol mudou de posicionamento, eu consegui ver o fim do abismo. Um rio de um azul tão límpido que me dava vontade de mergulhar, sentir a água clara e gelada arrepiar-me o corpo, abrir os olhos debaixo d'água para ver as pedras coloridas, sentir a cocegazinha dos peixes se debatendo enquanto nadam.

E por que não? Seria tão simples sentir de fato tudo isso em vez de apenas imaginar. Quer dizer, eu não morreria pulando em um abismo, morreria? Não, claro que não. Eu estava sonhando e ninguém morre em um sonho a menos que queira. Tirei minhas roupas, ficando apenas com a roupa de baixo e me preparei para pular.

"Ocorreu tudo bem, não tem com quê se preocupar", alguém falou às minhas costas.

Dei um pulo para trás de susto, recolhendo minha roupa e me cobrindo como podia, mas não havia ninguém para eu me esconder. A grama, os pedregulhos, as árvores e só. Apenas isso na imensidão em que eu me encontrava. Respirei fundo; eu estava enlouquecendo.

"Mas..."

"Mas?"

"Mas haverão sequelas."

"Que tipos de sequelas?"

Alguém suspirou. Me encolhi mais ainda.

"Perda da memória recente"

Quem tinha perdido a memória? Quem estava falando sobre isso? Não podia mais ser coisa da minha cabeça, eu não imaginaria um diálogo assim... Tudo bem, isso era um sonho. Em sonhos tudo pode acontecer, mas... Era tudo tão real; O azul do céu, o verde da grama e as sete cores do arco-íris. Mas mais real do que isso eram as vozes. Vozes que eu tinha certeza de que já ouvira em algum lugar, mas não sabia onde. Como um dèjá vu.

Não, eu não os conhecia , definitivamente. Não tinha como conhecê-los. Os donos das vozes continuaram a brincar de se esconder de mim até o ponto em que, de tanta agonia, desisti de pular no rio. Vesti-me novamente, zangada, bufando alto, e tentei achar uma saída do lugar onde eu estava. Mas eu estava presa. Andava para o sul e encontrava a mesma árvore de folhas balançantes, andava para o oeste e sempre me deparava com o mesmo raio de rocha. Era como se, quanto mais eu andasse, mais o lugar — Que começava a me parecer hostil — me empurrava para o abismo.

"Não quero!", Gritei quando uma rajada de vento forçou-me para o abismo.

Lutei contra o vento, mas era em vão; ele era milhões de vezes mais forte que eu. Eu não podia sair, não podia apenas ficar quieta, tinha que pular, não tinha outra escapatória. Pedi internamente para que as vozes voltassem, que me ajudassem a fugir desse lugar — Ou acordar deste pesadelo.

"Até quanto ela se lembra?", uma das vozes, a masculina e aveludada, voltou.

"Ainda é cedo para dizer, ela precisa se acordar para fazermos os testes do quanto de memória ela perdeu. Mas, ainda há a chance de estarmos enganados", a outra explicou.

"Quantos por centos de chances de estarem enganados?"

"Seis"

Mesmo que nada ter pedido para que voltassem. Eles continuavam falando da pessoa que havia perdido a memória, mas nada para me ajudar, nada sobre mim.

Mim. Quem sou eu?

Toquei meus cabelos e, por mais incrível que pareça, não os reconheci. Era como e eles pertencessem a outra pessoa, como se eu sempre tivesse sido morena ou loira. Minhas vestes também não faziam sentido. Eram finas, ricas e longas. E eu tinha uma tiara na cabeça, dourada e com pedras preciosas encrustadas. Como se eu fosse um membro da realeza ou até mesmo a rainha. Rá. Muito engraçado.

Tudo mudou. Agora, não haviam mais as cores vivas do ambiente hostil, sem verde, sem laranja e sem azul. Tudo o que eu via era um negrume assustador e sem fim, como o abismo de antes. Nem sequer eu existia neste meu sonho. Quer dizer, isso era um sonho? Se não era e se eu já estava acordada, por que eu não conseguia enxergar? Teria ficado cega?

Tentei abrir os olhos, mas não consegui. Eu estava presa dentro da minha própria mente, incapaz de fazer qualquer coisa. Como se estivesse enjaulada em algum lugar feito a molde para o meu corpo, onde eu nem sequer podia respirar por falta de espaço. Uma ideia me veio a cabeça: sarcófago, o lugar onde os antigos egípcios mantinham os faraós depois de mortos. Era como um caixão normal, só que na forma do corpo, para caber apenas o faraó, nada mais. Mas isso não fazia sentido, não no meu caso. Os faraós existiram a séculos e mais séculos atrás, senão milênios e eu estava bem convicta de que saberia se eu fosse, por acaso, uma faraó — Uma faraó. Isso nem sequer existe.

Um ruído leve me tirou dos meus pensamentos, como se vidro estivesse batendo em madeira. Tentei descobrir o que era isso já que, pelo visto, eu estava cega. Um cheiro de rosas perfumou o ambiente e eu tive certeza de que o vidro era um jarro de flores e a madeira em que foi colocado é uma mesinha. Ótimo, talvez se eu ficar boa nisso me devolvam minha visão e minha liberdade novamente.

"Já é setembro, acredita?", a voz masculina do abismo falou "Todos dizem que o tempo está passando rápido demais, mas eu discordo. Ele parece se arrastar" Esperei atentamente. Talvez ele me desse alguma pista de (a) onde eu estava, (b) por que estava aqui e (c) se voltaria a enxergar.

"As coisas não estão indo muito bem, America", confidenciou-me. America. Sim, este é o meu nome, posso me lembrar com facilidade dele agora. "Quer dizer, não com o país. Illéa está ótima, Angeles está se reerguendo rápido depois da guerra. Nós vencemos, meu bem, derrotamos as forças chinesas. Mas, quando digo que as coisas não estão indo bem, não quero dizer o país, não, longe disso. Quero dizer... você"

Um calafrio percorreu minha espinha — Ou o que devia ser ela. Que eu não estava bem, eu sabia. Sabia que eu estava cega, presa em meu próprio corpo e com uma grande dificuldade para me reconhecer. Mesmo ele não tendo contado nenhuma novidade, esperei que ele continuasse.

"America, você já está assim há três meses e a exatos três meses eu não como, eu não durmo, eu não faço nada senão ficar aqui, ao seu lado sonhando em se você um dia voltará para mim", ele fungou, mas logo continuou a falar "É engraçado, não é? Você está aqui, do meu lado, provavelmente ouvindo tudo o que eu estou dizendo, mas é como se não estivesse. Você ouve, mas não pode falar. E, talvez, você não saiba quem eu sou. E isso dói ainda mais, saber que sou um completo estranho para você", ele fez uma nova pausa, desta vez mais longa do que a última. Eu estava em choque. Ele me conhecia, sabia o que estava me prendendo... Me amava. Eu sentia, na forma como falava, no jeito doce com que mencionava meu nome, na dor que transparecia em sua respiração por eu não poder lhe responder.

"Eu perdi tantas coisas na guerra, America. Perdi sangue," Ele riu, mas não havia graça em seu riso de tristeza "Perdi alguns ossos também, mas nada se compara ao que eu mais perdi, a coisa mais importante de todas para mim. Eu perdi você, America. Perdi aquela que trazia cor ao meu filme em preto e branco, perdi o motivo da minha risada e também da minha preocupação" Eu não sabia onde estavam meus olhos, mas eu sabia que, aonde quer que eles estivessem, eles estavam lacrimejando "Estou te perdendo mais e mais a cada dia, pois, a cada dia que passa, a probabilidade de você voltar diminui. Agora, pouco mais de setenta por cento, amanhã, sessenta e nove vírgula nove" Sua respiração estava falha, entrecortada. Ele estava certo, eu não sabia quem ele era, mas ele parecia me conhecer como ninguém. Me amar como ninguém. Ele riu, sem emoção, de algo que se lembrou e voltou a falar "Sabe quantas pessoas já vieram lhe visitar, só esse mês? Trezentas. Estima-se que umas mil já tenham vindo ver e orar por você. Alguns são a sua família. Sua mãe, May e Kenna. Outros, seus amigos. Marlee e Nicoletta. Mas também há aqueles que você não conhece, mas que te admiram. Seus súditos, sua... Sua família sem lanços de sangue" Família... Eles estavam vindo me ver "Você ainda tem família, America. Tem a sua mãe, seus irmãos, seus amigos, seus súditos... e tem a mim. Você tem a mim mais do que qualquer coisa, porque eu sou seu, lembra? Meu coração é seu para você fazer o que quiser com ele"

Um silêncio assustador se estendeu pelo lugar. Eu o tinha e nem sequer sabia quem era. Eu tinha pessoas que me amavam, que se importavam comigo. Eles ainda existiam, em algum lugar, longe de onde estava no momento, mas existiam. Eu não estava só. Eu só precisava... acordar.

"Sabe, a Dra. Vanessa me disse ontem uma coisa que eu achei que você devesse saber", fungou novamente "'Médicos podem fazer corações baterem novamente, podem curar doenças e fazer voltar a ver aqueles que eram cegos. Mas eles não podem fazer nada disso se a pessoa não quiser'" Senti um toque quente em minha mão, não como quando me queimei na panela quente da minha mãe, mas como quando ficamos exposta ao sol, envolvidas no calor natural das manhãs. Era gostoso e eu não queria que esse toque me deixasse.

Sim, eu sabia que era o toque dele.

"America, volte. Volte e serei o que você quiser que eu seja. Volte e todos os seus sonhos eu prometo que tentarei realizar. Eu abandono a coroa se você quiser, vamos para onde você quiser ir. Você é meu lar e não há sentido viver em um mundo em que você não exista." Senti meu coração, pela primeira vez desde que... desde que podia me lembrar. Senti primeiro o palpitar suave e brando, depois as batidas ardentes contra minha caixa torácica, machucando-me, fazendo doer. Houve calor e houve frio, como se eu estivesse em dois lugares ao mesmo tempo, na tropicalidade da América do Sul e na frieza incontestável da Europa no inverno rigoroso. Dor, ela não poderia faltar nessa festa, mas não era a dor que eu estava acostumada a sentir, era diferente. Uma dor... boa. Uma dor que me fazia senti viva porque a vida não tem graça se não houver um pouco da dor. Só é preciso se acostumar com ela, porque ela nunca vai nos deixar completamente.

"Volte. Lute contra isso tudo e Volte"

O negrume se dispersava aos poucos. Cinza escuro, cinza e cinza claro... Até o branco ofuscante. Eu via a minha mãe me abraçando, via May correndo e Gerard pulando em minhas costas. Via o violino, de repente se transformando em piano e então em partituras. Ouvi música, senti cheiro de torta e meu coração doeu mais. Era isso. Eu tinha uma vida, tinha minha família, tinha amigos... Eu podia recomeçar. Eu tinha essa oportunidade e eu a agarraria com todas as minhas forças.

"Eu te amo", disse com fervor. Lábios tocaram minha testa e a dor se dissipou. Senti como se meus pulsos estivessem sendo libertados das algemas que me infligiam dor. Senti cada pequena parte do meu corpo. Meus dedos dos pés, as pernas e os joelhos. Senti meu tronco, meu peito e meu tórax. Minhas mãos, meus braços e meu pescoço. Senti meus lábios, a quentura das minhas bochechas e meus olhos. Eu me controlava agora.

Abri os olhos devagar e o vi. Cabelos loiros, olhos castanhos como chocolate, lábios grossos e carnudos e nariz fino e perfeito. A esclera do seu olho estava vermelha e irritada, lágrimas escorriam por suas bochechas. Era ele. Era aquele que dizia me amar.

– America. — Murmurou, descrente. Sorri para ele.

Céus, ele não me era tão estranho assim. Eu já o vira antes... No Jornal Oficial de Illéa, ao lado dos pais, Amberly e Clarkson. Era ele. Maxon Schreave, príncipe de Illéa e provavelmente muito ruim das ideias se acha que sou o amor de sua vida.

– America, não acredito que voltou.

Ele se inclinou para mim e eu não pude evitar seus lábios se colarem aos meus. Eu estava assustada, é claro. Não é todo dia que um desconhecido lhe beija. Mas, embora meu cérebro gritasse atrocidades para ele e tudo dentro de mim quisesse empurrá-lo, algo me impediu. E eu me deixei ser beijada pelo príncipe. Seus lábios eram ansiosos, mas nem um pouco grosseiros, muito pelo contrário. Era terno e doce. Eu nunca experimentara algo melhor.

A verdade me consumiu. Ele não era nada para mim. Não era meu namorado, nem meu marido e nem o amor da minha vida. Ele era apenas o príncipe e eu, uma Cinco. E, sem ousar desfrutar de mais um segundo do seu beijo, empurrei-o de mim, dando-lhe um tapa de ficar a marca de quatro dedos em sua bochecha.

Notas finais
Sobre esse sonho do abismo::::::: Mais pra frente vocês vão entender. Sinto muito para o Team Amexon (Incluindo eu), mas America está DÊS-MAY-ADAH! Não, gente, sério. Tadinha, perdeu a memória ;-; ;------; Sou tão mal 3:) Prosseguindo::::::::: Não esperem que eu faça algo honroso à Georgia porque a Ames esqueceu de tudo então não se lembra da morte dela. Maaas, o nome da Eadlyn... Sem spoilers galera, huehuehue.. Amo vocês seus liendos, comentem isso aqui (Não cai a mão, eu juro) e até amanhã :* :* P.S.: Vocês leram os primeiros capítulos de The Heir?? Só eu que tô achando a Eadlyn uma FDP, mimada e nojentinha?? Tô ODIANDO. Acho que não vou comprar The Heir não.. Vou ler EBook mesmo porque não tô afim de jogar dinheiro no lixo B| B| B| Ué, cês não leram ainda os dois primeiros capítulos? Pois, como sou boazinha (:3) o link está aí: https://docs.google.com/document/d/1--6wC7qPtI75uJ11447aHjWokmnCOZJ6okIkSBGG5PU/mobilebasic?pli=1