Notas iniciais
Olááááááááááá´*--------------------------* Sou tão boazinha, mas tão boazinha que estou revisando e escrevendo essas notas às 01:00 da manhã... Eu podia estar no facebook, podia estar no twitter stakeando os boy magia, podia estar assistindo Once Upon A Time ou simplesmente dormindo. Mas não. Estou aqui, escrevendo essa budega por vocês :* Obrigada pelos comentários, galera. Vocês me emocionam :') :') Beijinho gente :* :3 P.S.: Não vou poder postar mais essa semana, pessoinhas, desculpa. É que meu tio morreu e eu vou viajar para ficar com a minha bisavó. Só volto na segunda-feira.

Abri meus olhos de repente, fazendo minha cabeça latejar. Eu não sentia mais nada sob meu corpo e, mesmo de olhos bem abertos, o mundo era escuro. Eu podia discernir uma ou outra parede, ou cortina ou o que restava de ambos... Pisquei com dificuldades, tentando evitar a poeira negra que subia e corroía meu corpo. Meu corpo foi depositado sobre algo macio, minha cabeça repousada num travesseiro. Eu quase me senti confortável assim. Se não fosse pela dor.

O lugar sobre onde eu estava se movimentou, meu corpo balançava sempre que passava por cima de um destroço. Me perguntei se esse destroço não seria o cadáver de alguém. Mãos tocaram meu rosto, despregando meus fios de cabelo de meu pescoço suado. Só então percebi que não estava só, que nem todos haviam morrido. E que, se não estávamos mais escondidos, significava que eu estava livre. Eu podia sobreviver.

Várias pessoas falavam ao mesmo tempo enquanto o que percebi ser a maca corria. Eu não conseguia entender suas palavras, sempre tão rápidas e baixas. Ou talvez o problema fosse meu cérebro, ele não estava captando todos os sons como deveria. Busquei me concentrar nas coisas ao meu redor, tentando ignorar a dor lancinante dentro da minha barriga. Internamente, eu estava viva, ativa, preocupada comigo mesma e, sobretudo, com meu bebê. Mas a America externa estava morta, acabada. Destruída. Eu forçava meus olhos a piscarem para espanar a poeira, mas ele me respondia com uma piscadela lenta. Minhas forças estavam se esgotando e apenas o meu eu interno não era capaz de mover-me.

– Majestade, ele foi derrotado. Illéa já pode respirar sossegada. — Ouvi alguém dizer.

Respirar sossegada... Eu podia respirar sossegada também, não? Pelo menos é o que eu queria, mas não era o que meus pulmões faziam. Um novo toque no rosto trouxe-me uma onda de calor ao corpo, uma descarga elétrica petrificante e mortal. Afinal, não há nada mais mortal e perigoso do que o amor, há?

– Ouviu, meu bem? Illéa está a salvo. E nós também ficaremos.

Maxon. Mesmo no meu torpor terrível, eu podia reconhecer sua voz. Eu podia passar anos, décadas sem ouvi-la e, mesmo assim, quando ela soasse novamente, eu saberia a quem ela pertencia. Não é tão fácil assim esquecer a voz daquele que é o seu grande amor. Pisquei novamente, uma lágrima intrusa descendo e molhando minhas bochechas. Mexi os lábios com destreza, tentei mentir e dizê-lo que estava tudo bem, mas as palavras não me pertenciam mais. Eu estava impotente, era novamente uma criança que estava descobrindo o dom da fala.

– Ótimo, ótimo. Aqui, deixem-na aqui. — Uma voz feminina falou — Agora, podem ir.

– Não vou deixar America agora. — Sorri com as palavras de Maxon. No meu estado mais vegetativo e mórbido, eu ainda podia perceber o garoto que temia lágrimas lutando contra sua dor para ficar comigo.

– Vossa Majestade precisa fazer um check-up e cuidar desses feri...

– Não. Eu ficarei com ela.

Suas mãos quentes envolveram as minhas gélidas e eu me senti absolutamente bem, em ótimo estado de saúde. É engraçado como nosso inconsciente pode manipularmos assim, não? "Vai ficar tudo bem. Eu estou aqui. Logo seremos você, eu e nossa pequena Eadlyn", ele disse com veemência, "Mas, para isso, você precisa aguentar."

Aguentar. Não é isso que eu estive fazendo a minha vida toda? Eu aguentei a fome, aguentei os pitis de Kota, aguentei a perda de uma paixão, um convívio forçado com trinta e quatro garotas, as crises em meu país, a quase morte daquele que amo e a minha também. Sempre fui uma lutadora e, se eu já tinha chegado até aqui, eu não iria desistir agora. Eu precisava aguentar um pouco mais. Se não por mim, pelas coisas que mais importam em minha vida e que estariam me esperando de braços abertos quando eu saísse dessa.

Fiz força quando percebi que estava mais que na hora de meu bebê nascer, mas, quanto mais eu forçava e mais Eadlyn se remexia com histeria, eu tinha vontade de desistir. Isso se repetiu por mais vezes do que eu era capaz de contar. Até que alguém — Que definitivamente não era eu — desistiu.

– Isso é em vão. — Reclamou a voz feminina — A dilatação dela é mínima, não posso fazer isso. Só piorará tudo.

– O que vai fazer então? Deixar meu filho perder o oxigênio dentro de minha mulher? — Maxon se exaltou. Exprimi toda a minha força apertando sua mão, buscando acalmá-lo. Eu só queria que tudo isso acabasse logo de uma vez.

– Não, é claro que não. — A mulher replicou com um quê de impaciência — Terei que fazer uma cesariana.

Cesariana. Eu ia ser cortada! Minha barriga seria fatiada e eu ficaria com uma terrível cicatriz para o resto da vida. Será que Maxon ainda ia me achar bonita com uma cicatriz gigantesca? Oh, eu não estava realmente me preocupando com a aparência, estava? Essa definitivamente não era eu! Se para o meu próprio bem e para preservar a vida da minha filha eu precisava passar por isso, que assim fosse.

Eadlyn desistiu de esperar e forçou-se a sair por ela mesma, sozinha. A dor excruciante fez-me gritar com pavor e arranhar o que quer que seja que eu segurava. Céus, eu segurava a mão de Maxon e sangue não estava em minhas unhas por acaso. Puxei minha mão da dele e segurei fortemente o lençol sob mim. Senti a dorzinha de milhares de agulhas me picando, mas, o que quer que fosse dentro da seringa, não amenizou minha dor real. Senti meu interior ser rasgado, repuxado, esfolado e arranhado. Tentei focar meus olhos em algo que me fizesse esquecer, nem que por breves momentos, a dor, mas tudo que encontrei foi a escuridão. Eu estava cega e perdida, o tato em minhas mãos e pés não existiam mais e tudo o que eu podia sentir era Eadlyn forçando-se para fora.

– Será que você não entende? Elas estão morrendo! — Maxon esbravejou — Faça alguma coisa imediatamente!

– Estou realmente tentando, mas não posso fazer nada enquanto o anestésico não fizer efeito. Se eu começasse a usar o bisturi agora, ela sentiria a dor de se estar morrendo mil vezes!

Com uma força inimaginável, apertei meus dedos envolta do punho da doutora. Ela assustou-se com meu ato de desespero, pude perceber isso com o seu arfar violento, mas me deu atenção total para o que eu diria.

– Use o bisturi, tire Eadlyn viva de dentro de mim, faça o que deve ser feito. — Exigi.

– Vossa Majestade pode não aguentar. — Ela objetou.

– Tire Eadlyn viva e então ninguém sentirá minha falta. Faça-a viver e todos ainda terão uma parte de mim.

– Não pode abrir mão da sua vida assim...

Estremeci com a voz de Maxon, embora não houvesse uma nota alta sequer em sua voz. Não havia cobrança ou ordenação em sua voz. Era um pedido. Um pedido de alguém que com certeza sofreria com a minha partida. Eu daria tudo para ter minha visão novamente, nem que por míseros segundos. Só queria um pequeno espaço de tempo para guardar seu rosto bem vivo em minha memória, para que ele fosse a última imagem que eu veria.

– Eu amo... você. — Ofeguei.

– Eu amo você, America. — Disse e eu pude deduzir que chorava — E não importa quanto tempo se passe sem que eu lhe veja, eu sempre vou te amar. Será sempre minha querida.

Ele segurou minha mão e eu não houve tempo para mais nada. Senti as camadas da minha pele serem castigadas com o bisturi, sendo forçadas a cederem. A doutora estava certa; era a dor da morte mil vezes, a dor de ser queimada de dentro para fora, de ser atropelada por um caminhão de carga máxima dez vezes e de milhões de veias, ossos e músculos se rompendo. Tudo ao mesmo tempo. Eu não tinha mais forças para gritar, não aguentava mais a dor e a agonia da pequena e mortal lâmina. Pele por pele, carne por carne, camada por camada... Então, quando eu achava que se eu sentisse mais dor eu morreria, eu escutei o som mais lindo de todos. Meu corpo, já quase completamente adormecido, não se moveu um milímetro com o choro angelical de minha Eadlyn, mas meus olhos responderam por isso. Agora, tudo o que me impedia de vê-la eram as lágrimas que marejavam meus olhos. A escuridão completa havia me abandonado.

– Dê-me. — Pedi com um sussurro.

A doutora enrolou a pequena em uma manta e entregou a mim com cuidado. Estava com medo de meus braços fracos e entorpecidos não aguentarem seu peso, mas ela era leve como uma jarra grande de água. Seu nariz era afilado e arrebitadinho, seus lábios grossos como os do pai, os dedos pequenos e avermelhados. Ela ainda estava suja de sangue e dos outros líquidos do útero, mas, mesmo assim, não excitei nem por um segundo em beijar sua testa. Ela parou de chorar e abriu os olhos como se reconhecesse quem eu era. Agora, quem estava chorando — Mais ainda — era eu. Seus olhos eram tão castanhos quanto os de Maxon.

As mãos hábeis da doutora já a estavam tirando minha filha de mim, mal dando-me tempo para memorizar cada pequeno traço do seu rosto. Puxei com delicadeza Eadlyn para longe dela, esquivando-a.

– Preciso levá-la para a encubadora. Ela é pré-matura. — Explicou, calma.

Apesar de tudo, de nunca mais querer deixá-la, de sentir que tudo meu agora pertencia ao amor que eu tinha por ela, eu a entreguei a doutora. Maxon beijou-lhe a testa também, para depois beijar meus lábios com doçura. Ela estava viva e era, provavelmente, saudável. Eu havia conseguido, havia aguentado.

– Maxon. — Chamei-o quando uma pontada em meu peito me desesperou.

– O que? Está se sentindo bem?

Neguei com a cabeça.

Sentia todos os meus órgãos se comprimirem, serem apertados por algo com uma força sobrenatural. Era como um revirar de estômago, mas só que em todos os órgãos ao mesmo tempo. O ar me faltou e eu lutei para me manter de olhos abertos. Minha garganta estava sendo estrangulada internamente, o oxigênio não conseguia mais subir ao meu cérebro. Fui desfalecendo aos poucos; primeiro, a visão sumiu, Maxon passando de um borrão para um negrume só. Depois, não pude mais sentir nada e, não importava o tamanho da força que eu colocasse, eu não conseguia me mexer. Logo, eu havia perdido todos os sentidos, exceto a audição.

– Céus, precisamos ser rápidos. — Ouvi a doutora dizer.

Uma parte de mim, a que ainda sentia alguma coisa, sabia que eu estava morrendo. A outra parte já estava morta. Senti Vanessa me conectar a diversos aparelhos, uma máscara de oxigênio me ajudando a respirar. Meu corpo bateu contra a maca e balançou enquanto esta corria. Agora, não éramos mais apenas Maxon, Vanessa e eu. Eu podia perceber, enquanto várias mãos se esbarravam em mim de vez em quando, que eu tinha uma equipe inteira de médicos a minha disposição. Afinal, Illéa não podia acordar sem sua rainha.

– É a sua deixa, Majestade. — Um homem falou.

– Não, eu vou entrar também. — As notas na voz de Maxon estavam mudadas. Ele estava chorando como se eu já não tivesse mais chance alguma.

– Mas não pode...

– Sim, ele pode. — Vanessa defendeu-o — E ele vai.

Não entendi o motivo que Vanessa teria para querer que Maxon entrasse na sala de cirurgia. E, por mais que tudo dentro de mim clamasse para que ele não me deixasse, minha parte sã e que ainda lutava para viver queria que ele não me visse, que ele não precisasse sofrer assim.

Fui liberada de uma série de fios apenas para ser conectada a outros milhões. Meu corpo estava entorpecido, como se o meu interior estivesse desfalecendo de dor, mas como se essa dor estivesse aprisionada em um corpo que não era meu. Uma nova agulha picou meu braço, ajudando a deixar meus membros superiores dormentes mais rapidamente.

– Audrey, ligue isto. — Vanessa ordenou a alguém — Colbie, deixe o bisturi ao alcance da mão. Chaff, você sabe o que me trazer.

– O que farão com ela? Ela vai se recuperar? — Maxon questionou, a voz embargada.

– Maxon, você precisa pensar com cautela. — Avisou-o — America não irá resistir, a menos que...

– A menos que...?

Ouvi um suspirar de Vanessa.

– A menos se a induzirmos ao coma. Deixaremos ela em um estado quase vegetativo. Ela não falará, não se levantará, será alimentada por sondas e tudo o que irá fazer é ficar deitada. Como se estivesse morta.

– Como isso iria a ajudar a sobreviver? — Maxon perguntou com ansiedade.

– Ganharíamos mais tempo para fazer o que quer que seja preciso. Mas você tem outra opção. — Ela suspirou novamente — Nós podemos fazer os procedimentos mesmo assim, mas as chances de ela não resistir são maiores.

Por um segundo, tudo ficou em silêncio, exceto pela respiração entrecortada de Maxon e os suspirares de Vanessa. Minha vida, minha sobrevivência, tudo agora pertencia a Maxon. Ele decidiria qual o meu destino enquanto eu não podia opinar em nada. Afinal, era a minha vida que estava em jogo, eu deveria tomar a decisão.

– Majestade?

– Se induzirem-a ao coma, qual a probabilidade de ela voltar? — Quis saber Maxon.

– Probabilidade máxima. Noventa e nove por cento de chances de ela voltar a ser como era antes. — Explicou Vanessa com um pouco de agonia pela demora de Maxon em sua decisão — Mas tudo depende de você. A vida de America está em suas mãos.

A voz de Maxon estava agora bem perto do meu ouvido e parece até que eu podia sentir seus dedos alisando-me o rosto e os cabelos. Tentei gritar para ele a minha resposta, tentei fazer um gesto com as mãos, mas nada. Meus comandos iam ao cérebro, mas este não os enviava ao meu corpo prisioneiro.

– O que você decidiria, minha querida?

– Ela não pode responder. — Vanessa alertou-o — Ela está sob anestésicos muito fortes. Só você poderá decidir.

– Então, faça o que for preciso para que ela volte para mim. Faça-a ter noventa e nove por cento de chances.

– Como quiser. Chaff, traga o que lhe pedi.Colbie , largue o bisturi e me traga morfina. Allison, vá até Peter e me traga a encomenda. Teremos um longo dia pela frente, equipe. — Ela completou com urgência — Majestade, pode sair.

Com uma fechada brusca de porta, Maxon saiu do quarto, me deixando entregue a vários desconhecidos que poderiam muito bem me matar imediatamente. Quanto tempo eu ficaria em coma? Eu sentiria alguma coisa? Ouviria ou pensaria em algo ou apenas ficaria como uma morta, sem pensamentos nem sonhos? Eu nunca saberia responder a esta pergunta, mas eu esperaria para viver na pele a resposta para ela.

– Ah, Audrey! Vá até o rei e lhe informe sobre o porém.

– Que porém? — Uma mulher de voz grave perguntou.

– Sequelas.

A dormência não estava em meus cabelos e, por isso, senti alguém de mãos leves afagá-los com delicadeza. Nunca havia parado para pensar no momento da minha morte, mas, agora, eu percebia como eu queria que a última coisa que eu tivesse visto e ouvido fosse Maxon. Mas não foi.

– Vamos, meu bem. — Vanessa encorajou-me com meiguice — Quem conduz tudo isso é você. A jogada é: Não desista. Você pode acordar-se quando bem quiser, a escolha será sua. Não somos nós, os "enjalecados", que conduzimos a orquestra. Você é maestra.

Não foi a voz de Maxon que ouvi por último, não foi o "eu te amo" apaixonado que eu tanto precisava, mas foi algo igualmente importante. Foi um apelo. Um apelo a vida, um apelo para que eu não desistisse de tudo o que eu havia conquistado.

E eu realmente não desistiria.

Notas finais
Tenho uns dois capítulos prontos já e acho que vou postar os dois de uma vez só quando chegar da casa da minha bisa :3 Beijinho pessoas, tô sem ânimo pra fazer notas... Tchauzinho