The New Royalty
23 Capítulo 23
Notas iniciais
Uma parede que eram as costas de Maxon me impediam de ver o que estava acontecendo no Grande Salão, seu corpo na frente do meu como se quisesse me proteger. Tudo o que eu via agora era uma grande névoa de poeira e pessoas desesperadas correndo desesperadas para todos os lados com desespero. Eu via aqui e ali algumas fardas de guardas, tentando levar as pessoas para os abrigos. Os gritos podiam ser ensurdecedores, mas eu não estava atenta a eles. Tudo em minha mente girava em torno da minha dor.
Eu estava com os ombros ralados e da minha boca jorravam filetes de sangue. Maxon devia ter me empurrado contra a parede assim que as bombas começaram a cair. Espera, bombas? Não, tenho certeza que uma bomba faria um estrago muito maior. O teto do Grande Salão nem sequer caiu e eu não consiguia ver sangue no piso, a não ser o meu. Mas, além de sangue havia outra coisa. Um líquido quente e aguado que descia pelas minhas pernas. Céus, a bolsa havia estourado!
– Maxon, Maxon! — Eu gritei sobre o barulho da multidão, o chão já recomeçava a tremer. Meu marido estava imóvel — Maxon, ouça-me!
Seu rosto se virou para mim, mas eu tinha minhas dúvidas sobre ele estar prestando atenção no que eu dizia antes.
– Temos que sair daqui. Temos que ir para o abrigo, mas... Argh! — Gritei, despencando no chão. Maxon finalmente despertou do torpor.
– America, America, o que está havendo? — Perguntou, me tirando do chão e me pondo em seus braços. Eu sentia o mundo inteiro querendo sair da minha barriga e, por mais que eu nunca tivesse passado por um parto, eu sabia que estava acontecendo neste momento — America, está molhada! Não me diga que...
– E-estourou. — Gemi, as contrações se intensificando, minha Eadlyn rasgando a minha carne.
Por um momento, pensei que Maxon fosse desmaiar, mas não. Ele se mostrou mais ativo do que nunca, embora seu rosto mudasse de cor, passando de pálido como neve para verde como vômito de sopa de ervilha. Ele me segurou com mais força, me trazendo a dor de ter as costelas partidas, e correu à toda velocidade.
Era difícil abrir passagem em meio a tanta gente, mas, quando fomos interceptados por três guardas, tudo facilitou. Os três começaram a abrir espaço para nós no meio da multidão ao mesmo tempo em que ordenavam que todos os seguissem para os abrigos. Foi quando Maxon parou de correr.
– Como assim para os abrigos? — Questionou a um dos guardas. Eu não enxergava muito bem com as lágrimas de dor inundando meus olhos, mas seria burrice dizer que o guarda não era Aspen.
– Majestade, precisam se esconder. — Aspen respondeu como quem não entendeu.
– Leger, o bebê está nascendo! — O rosto de Aspen se contorceu de surpresa — Precisamos levá-la para o Hospital.
– Sinto muito, Majestade, mas não temos condições de pegar o caminho para o Hospital. — Explicou.
– Mas...
– Escutem, enquanto vocês ficam aí... Oh!... discutindo, eu estou dando à luz! Portanto... Argh!... andem logo com isso! Decidam-se! — Esbravejei, o bebê se contorcendo como uma cobra.
Não precisei dizer duas vezes. Maxon concordou em irmos para o abrigo. Aspen e os outros guardas se separaram, os outros dois indo levar a multidão para outros abrigos pelo palácio. Cada vez que Maxon dava um passo, eu sentia meu estômago subir até a garganta e estacionar ali mesmo.
– O que houve? Foi uma bomba? Por que o estrago foi tão pequeno? — Maxon perguntou a Aspen enquanto corria.
– Eles calcularam errado. A bomba era para ter caído no Grande Salão, mas acabou caindo na estrada e nos jardins. Mas, em menos de cinco minutos, mais uma vai aterrizar, e eu garanto que dessa vez eles não vão errar.
Aspen nos levou para um corredor sem saída, mas, ao empurrar uma parte da parede, uma passagem se formou diante dos nossos olhos. Ele fez um sinal com o braço para o seguirmos e Maxon correu mais ainda para isso. Aspen disse algo sobre voltar ao trabalho e nos reverenciou de forma torta.
– Não, Aspen, espere! — Eu gritei.
Ele parou de correr e se voltou para mim. Eu mal conseguia vê-lo com a poeira e as lágrimas nos olhos.
– Traga... Ashlar. Ele precisa fazer meu parto. — Exigi.
– Vou tentar. — Ele bateu continência e saiu correndo.
Maxon fechou o portal e correu pelo estreito e mal iluminado corredor de pedra. Não demorou muito para chegarmos ao abrigo. Era como uma grande sala de pedra, iluminada por archotes fracos e com sete beliches. Deve ter sido feito para uma família real bem grande. À um canto, havia uma espécie de banheiro, e à outro, uma grande estante com remédios e mantimentos. Eles seriam muito bem vindos caso passássemos muito tempo aqui dentro.
Maxon me depositou em uma beliche pouco antes de uma segunda bomba atingir os arredores do palácio. O chão de pedras tremeu e tenho certeza que vi uma pequena rachadura em forma de raio se formar no teto. A esse momento, quem ainda estivesse no Grande Salão estava morto. Podia ser qualquer um. Um rei ou um imperador, May ou Gerard, mamãe ou Kota...
Logo as lágrimas em meus olhos não eram mais apenas de dor, e sim de medo. Eu estava com medo de nunca mais poder abraçar minha mãe ou May; medo de não poder ver mais uma vez a felicidade de Nicoletta e Kota; medo de que tudo o que eu tinha desmoronasse como o palácio. Mas, acima de tudo, eu tinha medo de perder minha Eadlyn enquanto esperava por Ashlar.
Maxon pegou um pano e molhou-o com a água da pia, depois o pressionou em minha testa suada. Eu sentia tanta dor, mas tanta dor, que mero suor não me incomodava realmente.
– America, está doendo muito? — Sua pergunta ridícula era digna de riso.
– Não, está fazendo cócegas. — Disse.
Ele parecia deslocado, sem saber o que fazer. Ele apenas pressionava o pano em minha testa e em meu pescoço enquanto eu sentia meu osso deslocar. Gritei. Ele se desesperou.
– America, não sei o que fazer. — Confessou, seu rosto aterrorizado me lembrando do garoto inocente que tinha medo do choro das mulheres. Eu sorri em meio a dor com essa lembrança.
– Se Ashlar demorar muito... você terá que o fazer.
– O que? — Gritou, derrubando o pano no chão — Eu não sei fazer um parto.
– E acha que eu sei?
– Não, mas...
– Maxon — Arfei — ou é isso, ou o bebê vai morrer.
A criança deve ter chutado todos os meus órgãos, só isso explicaria tamanha dor. Gritei tão alto que quase estourei meus próprios tímpanos. Eu sentia como se uma bola gigante estivesse forçando passagem por mim, e pior, sentia que ela nunca abriria espaço suficiente para sua saída. Mas, ainda assim, eu podia mantê-la dentro de mim por mais um tempo. Sim, eu conseguiria esperar Ashlar e então eu estaria livre... Mas não se essas contrações terríveis ficassem indo e vindo como as dores do inferno!
Maxon enxugou minha testa com a sua própria mão, e com a outra segurou a minha. Seus olhos arregalados me davam uma ligeira ideia de como devia ser desesperador ver alguém assim, desfalecendo de dor. Ele não queria fazer meu parto, é claro, mas eu podia ver em seus olhos que ele só estava esperando pelo momento em que eu diria que era chegada a hora. Mas me segurei. Eu podia aguentar mais um pouco, eu precisava.
Ouvi ao longe o portal se abrir com um rangido e eu suspirei de alívio. Ashlar finalmente havia chegado. Mas, com a aproximação dos passos, um calafrio subiu por minha espinha e eu diria que pela de Eadlyn também. Ela chutou-me com impaciência, como se quisesse se esconder mais do que já estava escondida e então ficou quieta. Por um tempo, eu parei de sentir dor e cheguei até a imaginar que não estava na hora do parto ainda. Eu sorri e olhei para Maxon, mas seu punho cerrado e seu rosto pálido virado para o fim do corredor atraíram meu olhar para a criatura obscurecida pela falta de luz. Tudo o que eu conseguia ver eram duas espadas de prata de período medieval em suas mãos.
– Ora, ora, ora... — Sua voz atiçou meu medo. Era uma voz diferente, fina, não condizia com seu aspecto imperial e forte — Olhe o que temos aqui: O rei e a rainha de Illéa. Imagine a recompensa que vou ganhar por ter matado ambos...
– Não vai nos matar. — Maxon grunhiu com convicção.
– Hum... Isso é o que veremos.
O homem atirou uma das espadas ao chão, próximo aos pés de Maxon, e se aproximou mais da luz, endireitando as costas, fazendo elas estralarem. Seu rosto estava coberto por uma espécie de capacete de metal, uma armadura forte e resistente cobria seu corpo. Tudo o que eu podia ver eram seus olhos, um azul escuro como o céu noturno que fazia todo o meu corpo tremer quando se focava em mim.
– Gosto de desafios. — Ele disse — Não gosto quando ganho por estar com vantagem. Vamos, lute comigo.
Maxon não excitou. Seus dedos deixaram os meus e eu tive que me controlar para não gritar. Maxon ia morrer... Maxon ia morrer na minha frente, diante dos meus olhos e eu não poderia fazer nada para evitar isso.
Ele pegou a espada de prata do chão e, com um movimento rápido, desviou-se do homem que já corria para cravar sua espada nele. Suspirei. Pelo visto, meu marido não era tão ruim assim. Começou então um tilintar de espadas, os dois, tentando atingir um ao outro, cruzando as lâminas, vendo quem desistiria primeiro. Eu podia ver o suor pingar da testa de Maxon e um repuxar de bochechas me deu a ideia de um sorriso no rosto do homem. Pisquei os olhos e, no segundo seguinte, Maxon havia conseguido driblar o homem, a lâmina de sua espada pegando de raspão no braço do guerreiro. Sangue espirrou para todos os lados, gotas do líquido quente respingaram sobre minha pele. As dores voltaram.
Agora, Eadlyn estava mais do que disposta a se libertar do meu ventre, me fazendo espernear de dor, mas eu não queria perder um segundo sequer da luta a minha frente, e muito menos que Maxon, por preocupação comigo, desviasse um décimo da sua atenção do guerreiro. Mais sangue espirrou em mim e pude perceber que era diferente do primeiro jato que me atingira. Era de Maxon.
– Não! — Eu gritei, mas nenhum dos dois olhou para mim.
A manga da roupa de Maxon estava encharcada, o que me dava a ideia de que a lâmina havia atingido seu ombro. Mas ele não desistiu pela dor, continuou lutando como um bravo herói, tentando salvar sua princesa do dragão que a ameaçava. Parecia como num conto de fadas, mas eu tinha a plena certeza de que não era. Se fosse, tudo seria mais fácil; Maxon derrotaria o guerreiro, cravando a espada em seu peito, e todos nós viveríamos felizes para sempre.
Ou não.
Por sorte, estava mantendo meus olhos bem atentos a luta e pude ver a hora exata em que Maxon conseguiu tomar a espada do homem e derrubá-lo no chão. Agora, eu era feita de pura histeria. Meu marido havia conseguido, estávamos salvos, talvez.
Maxon puxou o capacete do guerreiro. Ou melhor dizendo, da guerreira. Longos cabelos loiros se desprenderam de um coque baixo, olhos azuis penetrantes se fixavam com ódio em Maxon. Maxon amoleceu com isso e se levantou de cima da mulher inacreditavelmente bela. Ele a fez se levantar, pressionando com um cuidado súbito a lâmina da espada em seu pescoço.
– Você não mataria uma mulher, mataria? — Ela questionou, uma face angelical tomando-a. Boquiabri a boca. Como alguém podia ser tão falsa?
– Não, apenas inutilizaria-a.
Maxon cravou a espada em sua perna e eu diria que havia perfurado até chegar ao osso. O grito desesperado da mulher me fez parar de olhá-la. O sangue de sua perna escorria pelo chão de pedra e eu sentia meu estômago querer sair pela boca. Eadlyn fez força novamente e meus gritos abafaram os da mulher. Maxon correu até mim com desespero e voltou a pressionar o pano em minha testa, o sangue do seu ombro acabando por pingar em meu peito.
– Maxon, preciso cuidar disso. — Apontei para seu ferimento. Ele negou com a cabeça, mas eu sabia que estava sentindo uma dor excruciante.
– Não. O que você precisa fazer é empurrar esse bebezinho daí. — Disse tocando minha barriga.
Ele tirou seu paletó, ficando apenas com uma blusa de dentro. Arregaçou as mangas até o antebraço e respirou fundo. Eu ainda não conseguia acreditar que ele estava mesmo disposto a fazer isso.
– Maxon — Gemi — ,posso esperar mais um pouco.
– Não. Eadlyn está ficando sem oxigênio, ela irá morrer!
Isso fez meu corpo estremecer. Concordei com a cabeça, então. Ele estava certo, não podíamos mais esperar por Ashlar.
Fiz força e tentei empurrar o bebê, mas parei assim que vi Maxon cair de joelhos a minha frente, a espada ensanguentada da guerreira tendo perfurando de raspão o seu abdômen. Ele se arrastou até um canto e eu não pude deixar de segui-lo, mesmo com minha barriga pesando duzentos quilos. Ouvi uma risada seca a minha frente e tentei por tudo o que era mais sagrado ignorá-la. Mas não consegui.
– Da próxima vez. — A mulher levantou-se do chão, fazendo uma careta de dor — Certifique-se de que eu esteja realmente inutilizada.
Deitei a cabeça de Maxon em meu colo. Ele estava respirando e eu pulso respondia, mas a dor devia ser tão insuportável que talvez ele quisesse morrer logo. Só percebi que estava chorando quando as lágrimas começaram a pingar nele. Eu o abracei como pude enquanto a garota ria como se esse fosse o dia mais feliz de sua vida. Ela parecia pronta para me matar a qualquer minuto, mas estava me dando tempo. Tempo para que eu pudesse sofrer mais um pouco.
– Maxon, você precisa viver. Precisa viver pelo reino, por Eadlyn... Por mim. — Arfei — Eu preciso de você. Preciso da sua risada para me sentir feliz, das suas brincadeiras para conseguir aguentar meus dias difíceis e, acima de tudo, dos seus beijos para me despertarem dos pesadelos. Sou sua esposa, Maxon. Sua querida... Você não pode me abandonar.
Ele piscou os olhos, aguentando-se para não gritar de dor. Uma lágrima escorreu da minha bochecha e pingou em seu rosto. Logo, essa lágrima havia se juntado a sua, e ambas haviam escorrido até não existir mais, até seu rastro ser tudo o que havia sobrado.
– Eu não vou morrer, America. — Ele murmurou — Não hoje.
Ele puxou uma pequena adaga do cós da calça da própria guerreira e a atirou nela. A lâmina da adaga abriu um buraco em sua barriga, uma última risada escapou dos seus lábios e ela caiu com um baque seco ao nosso lado.
– Eu posso sobreviver. — Ele brincou, abrindo um pequeno sorriso. Eu ri de sua tentativa de me despreocupar e o beijei. Seus lábios, sua testa, suas bochechas, a ponta avermelhada do seu nariz... O beijo salgado das lágrimas era confuso e estranho, mas irredutivelmente bom.
– Agora, precisamos fazer seu parto. — Lembrou-me.
– Não. — Lutei contra a dor que eu há pouco havia esquecido que estava ali — Vamos cuidar de você.
Busquei na estante de mantimentos por curativos e remédios. Uma nova bomba caiu, fazendo o teto estremecer. Parecia até que Eadlyn sabia que não era um bom momento para sua chegada e se manteve quietinha, mas, mesmo assim, era difícil até respirar. Talvez a dor de vários ossos se partindo fosse pior, mas eu não encontrava em minha cabeça outra definição para a dor que eu sentia. Maxon ajudo-me, tirando sua camisa rasgada por si só. Seus ferimentos eram profundos e quase nojentos. A espada havia penetrado quase até o osso em seu ombro, a carne em exposição querendo me fazer vomitar. Mas respirei fundo e reprimi isso, eu precisava cuidar de Maxon, precisava aguentar o que fosse.
Fiz o que pude com seus ferimentos no ombro, e, graças à Deus, não tive muito trabalho como tive com seu abdômen. A lâmina havia pegado de raspão, abrindo apenas um corte fino. O sangue já havia estancado ali.
– Como está se sentindo? — Perguntei, fechando o último curativo em seu peito.
– Quase normal. Um quase bem grande. — Disse, forçando-se a sorrir.
– Maxon.
– O que?
– Ponha a mão aqui. — Ordenei, trazendo sua mão para a minha barriga — O que você sente?
– Nada.
– Exatamente. Não podemos mais esperar.
Quase que no mesmo instante, o portal foi derrubado. Um novo guerreiro se aproximou, empunhando um arma. Ele olhou a garota loira estirada no chão por um bom tempo, parecia conhecê-la. Ele se recuperou do torpor e chegou mais perto de nós, os dedos preparados no gatilho. Eu não tinha para onde correr, não poderia fugir com Maxon e o bebê... A morte era a opção mais viável.
Maxon tentou se erguer do chão, pensei que ele fosse lutar de novo, mas ele apenas ficou a minha frente. E no segundo seguinte, o vi como Amberly, alguém que, até o último segundo procurou salvar a pessoa que amava. Fechei os olhos.
– A guerra acabou. — O guerreiro me surpreendeu com sua voz — Seus guardas mataram o imperador e toda a sua família. Não sobrou nada da Nova China. Mas eu os vingarei.
– Maxon, eu te amo. — Murmurei antes que fosse tarde.
– Eu também te...
Não foi o barulho do gatilho, e sim de algo batendo com violência em algo duro como osso. Abri os olhos e pude perceber o momento exato em que o guerreiro caía no chão, a cabeça sangrando. Georgia estava atrás dele, empunhando um pedaço grande e pesado e concreto.
– Georg...?
Não consegui completar seu nome, pois, atrás dela, um guerreiro atirou em suas costas, a bala atravessando por sua barriga. Ela cambaleou, a boca entreaberta, a vida lhe fugindo dos olhos. Despencando no chão, ela estirou-se até alcançar a arma do guerreiro que ela havia matado com o concreto e, com uma ligeireza de quem passou a vida aprendendo isso, apertou o gatilho em direção ao homem que havia atirando nela. Um matou o outro. Ambos morreram na hora.
– A guerra acabou. — Ela agonizou — Já é de manhã. Estão livres... o sol ainda ilumina Illéa.
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