The New Royalty
20 Capítulo 20
Notas iniciais
O cheiro de hospital era tão insuportável que eu talvez preferisse morrer de asfixia à senti-lo. A luminosidade muito forte do ambiente irritava meus olhos mesmo estando com as pálpebras fechadas, tentando incansavelmente dormir, oprimir o cheiro de limpeza exagerada, comida insossa e remédio. Parecia até que eu até podia saber como era o local: Paredes brancas, piso encerado, criado-mudo ao lado da maca e luzes ofuscantes em todo o teto. Devia haver uma televisão também já que eu conseguia captar ruídos leves, as palavras aleatórias me indicando algum programa de culinária. Onde eu estava? No leito de um hospital, é claro. Onde esse hospital ficava e por que eu estava aqui? Eu não fazia a menor ideia.
Minha cabeça doía quando eu insistia em tentar me lembrar do que havia acontecido antes de eu chegar a este quarto. A dor começava nas têmporas, passando a envolver toda a minha cabeça lentamente, latejante, como se um martelo estivesse me batendo de dentro para fora. Era certo que eu estava no foyer, pois só lá as cortinas vermelhas têm gravadas nelas o brasão de Illéa, e se eu estava lá é óbvio que estava gravando o Jornal Oficial.
Tentei abrir os olhos para analisar o local. O quarto claro como eu havia imaginado e a televisão ligada baixinho era quase perturbador. Tão claustrofóbico, claro e polido exageradamente, silencioso... Era martirizante ficar confinada nas quatro paredes do ambiente. Meu nariz coçou e só tocando-o pude perceber que ele estava com uma cânula pregada nele, o ar entrando como uma cocegazinha irritante. Mas eu não estava só. À um canto no quarto, dormindo com uma tensão nos músculos de dar cãibra, estava Maxon, os cabelos despenteados e a boca meio entreaberta deixando sua expressão séria mais descontraída.
Ajeitei-me na maca e, quando tive a certeza de que podia respirar sem a ajuda da cânula, a eliminei. Uma sirene começou a apitar depois desse meu movimento, inundando o quarto numa luz vermelha e forte como num manicômio quando um paciente tenta fugir. Em segundos, Maxon acordou, sua rapidez em se pôr de pé me assustando. Enfermeiras entraram no quarto logo depois, empunhando seringas com sedativos.
– Não, estou bem. — Afirmei, puxando meu braço para longe da seringa afiada.
– Meu amor, você acordou. — Maxon disse, correndo para mim.
– Maxon, diga à elas que estou bem!
– Sinto muito, Majestade, mas precisa repousar por mais um tempo. — Uma enfermeira explicou e então eu percebi que não podia simplesmente me safar da agulhada. Amoleci meu braço e deixei que a mulher fizesse seu trabalho.
– Que horas acordarei? — Perguntei, tentando parecer calma enquanto a sirene abafava minha voz e as luzes vermelhas me cegavam quase completamente.
– Dentro de algumas horas, Majestade. — A enfermeira morena respondeu enquanto o sedativo grosso fazia arder minhas veias.
– Tenho algum tempo antes disso fazer efeito?
– Dois minutos ou menos. — A loira disse, retirando a seringa do meu braço. Reprimi um gemido de dor quando a agulha espessa deixou minha pele.
– Podem nos deixar à sós, então? — Perguntei. A loira acenou com a cabeça e me reverenciou. As duas enfermeiras, saindo do quarto desligaram a barulheira na sirene. Parecia que minha cabeça agora ia explodir.
– Que bom que está bem. — Maxon disse, segurando minhas mãos com as suas quentes e se sentando na beira da maca — Você me deu um susto tão grande, America, quase me matou do coração...
– O que aconteceu? — Interrompi-o, minhas pálpebras começando a pesar fazendo-me partir direto ao ponto. Ele sorriu amarelo e eu pude novamente ver seus músculos ficarem rígidos.
– Nada, meu bem. Não sei do que está falando. — Um péssimo mentiroso, isso é o que ele era.
– Não se faça de idiota.
Ele ergueu as sobrancelhas de susto.
– Acalme-se, querida, está tudo bem agora...
– Por favor, me diga o que aconteceu. — Implorei, apertando sua mão envolvida na minha até os nós dos meus dedos ficarem brancos.
Ele respirou fundo, como quem sente um grande pesar por falar algo e disparou:
– Você sangrou ontem durante o Jornal Oficial.
Meu peito congelou. Céus, isso definitivamente não era um bom sinal. Lutei contra o sono e me desenrolei do cobertor fino, deixando a revelar uma camisola de hospital. Minha barriga ainda estava ali e, colocando a mão por cima, podia sentir um ligeiro pulsar de coração. Meu bebê estava bem.
– Como? Por que? — Questionei — Por favor, Maxon, a verdade.
Meus olhos já não aguentavam mais se manter abertos, mas eu tinha certeza que podia lutar contra o sedativo enquanto não soubesse da verdade.
– Você teve um grande stress repentino e isso causou uma breve hemorragia. Mas acalme-se, você está bem. Você, e nossa Eadlyn. — Senti um peso ser tirado das minhas costas e duzentas toneladas serem atribuídas às minhas pálpebras. Eu sorri com a notícia. Eadlyn ou Ahren estava bem — Agora durma, querida. Tudo será esclarecido quando você acordar.
Eu sorri mais uma vez, cerrei de vez as pálpebras e me preparei para a inconsciência. Pouco depois de Maxon beijar minha testa e minha barriga, eu dormi.
Dessa vez, não foi o cheiro de comida insossa e remédios que me acordaram, e sim o de um delicioso cozido de carneiro. Meu Deus, como o cheiro era apetitoso, estava prestes a lamber o ar para ver se o cheiro me trazia alguma pista do sabor. Minha barriga roncou alto e então e finalmente abri os olhos, a delícia de aroma me puxando da sono.
– Oh, estávamos esperando que acordasse. — Dr. Ashlar me assustou com sua voz grave muito perto de mim — Está se sentindo bem?
– Sim. — Minha voz soou como um sussurro, mas pelo menos minha resposta era verdadeira. A dor de cabeça havia passado, mas a cânula foi colocada em meu nariz novamente. Tentei não focar nas cocegazinhas, mas era quase impossível; sentia vontade de espirrar a todo instante e estava parecendo uma retardada fazendo caretas para impedir que isso acontecesse — Onde está Maxon?
– O rei foi até a cantina sob minha insistência, passou o dia inteiro sem tocar em uma refeição sequer.
– E como tudo isso aconteceu? — Indiquei a mim mesma. Ashlar sorriu com minha tentativa de fazer humor.
– Vossa Majestade passou por um stress muito repentino, um susto forte demais, e isso foi refletido também para o bebê. Teve uma pequena hemorragia, mas não se preocupe, a criança está bem e imagino que Vossa Majestade também, não é? — Era notável a sua tentativa de desconversar, as palavras parecidas demais com as que Maxon usara me dando a impressão de que ele fora instruído por meu marido a dizer isso.
– E como consegui esse...
Minha cabeça não doía mais quando forçava a memória. Eu não precisava de Ashlar para me contar o que tinha acontecido de tão grave para causar-me uma hemorragia de uma hora para outra... Eu lembrava de tudo. Lembrava da tensão nos músculos do diretor de edição do Jornal Oficial; lembrava dos cortes que eram feitos na gravação; lembrava da cara redonda e bolachuda que aparecera na tela e do seu aviso pouco entendível... Lembrava-me da raiva e do medo estampado nos olhos de Maxon quando tudo isso aconteceu.
Não sabia como, mas eu estava de pé, me livrando de alguns fios que ainda me sufocavam e me prendiam à maca. Enrolei-me no cobertor já que a camisola era curta demais para andar pelos corredores e fugi do quarto, Ashlar tão atônito que não foi capaz de me impedir disso. Um labirinto de corredores se estendiam a minha frente e isso definitivamente não parecia com a ala hospitalar... Era muito mais grandioso. Segui pelos corredores tão brancos de dar dor na vista, perdendo-me cada vez mais. O hospital parecia completamente vazio e eu me sentia presa e agoniada. Um espaço aberto estava a minha frente: a cantina.
Só havia uma mulher, aparentemente entediada, atrás do balcão de doces e Maxon, sentado numa mesa distante com o ar tão abatido que era difícil de ter certeza se era ele mesmo. Mas como poderia não ser?
– Maxon? — Chamei. Ele se assustou e derramou metade do café na mesa.
– America, como está? Por que está enrolada em um cobertor? Você não tinha autorização para sair, não é? — Disse tudo rapidamente. Eu apenas neguei com a cabeça enquanto ele me abraçava.
– Estou bem. — Foi tudo o que eu disse.
– Oh, graças à Deus. Fiquei com tanto medo, America, que algo acontecesse a você ou ao bebê. — Ele acariciou minha barriga volumosa sob o cobertor — Não está nua, está?
Eu não consegui me conter a rir.
– Não. É só que a camisola é frouxa e curta demais.
Ele atuou com um suspiro. Atuou... Pelo visto era tudo o que ele sabia fazer, atuar.
– Maxon — Sussurrei — Você precisa me esclarecer algumas coisas.
– Eu sei. Quando chegarmos ao quarto, prometo lhe contar tudo.
Esperei que Maxon terminasse seu café para podermos ir para o quarto do hospital. Eu ainda não sabia onde estava exatamente e não via a hora de sair daqui. Um hospital comum em Angeles não seria tão vazio assim, não é?
– Onde estamos? — Perguntei a Maxon enquanto cruzávamos mais um corredor.
– No Hospital Real.
Ergui as sobrancelhas.
– Estamos no subsolo, é como um porão gigante sob o palácio. Apenas para casos extremamente graves. — Explicou.
– Mas e a ala hospitalar?
Ele apenas riu, com o sorriso torto mais lindo do mundo.
– Não acha mesmo que cirurgias e partos são feitos na ala hospitalar, não é? Lá é apenas para coisas leves.
Chegamos, enfim, ao quarto. Ashlar ainda estava lá, me esperando com a feição mais acusadora de todas. Pensei em me desculpar, mas me detive. Desculpar-me pelo quê? Eu estava bem e não era totalmente errado sair do quarto, era?
– Vossa Majestade não deveria ter saído assim, tão depressa. — Censurou-me.
– Já estou de volta. — Murmurei, voltando para minha maca e desenrolando-me do cobertor, deixando-o apenas sobre meu corpo.
– Dr. Ashlar, pode nos dar um minuto? Ou talvez vinte. — Disse Maxon. Ashlar apenas confirmou com a cabeça e saiu. Maxon se virou para mim e se sentou na beira da minha maca enquanto eu lutava para esconder minhas mãos suadas de nervosismo — O que quer saber?
Sua voz era rígida, mas eu podia ver seu esforço para esconder essa rigidez. Fingi que não notei as notas mais altas de sua voz.
– Tudo o que você estava me escondendo até a noite do Jornal Oficial. — Disse, séria, reprimindo o meu medo pelo que quer que ele fosse falar.
Ele umedeceu os lábios e passou um bom tempo apenas encarando os joelhos. Via seus punhos se fecharem com uma força tão bruta que os nós dos seus dedos ficaram brancos e aparentes. Senti gastura dessa visão. Era como se os ossos dos seus dedos fossem rasgar a pele que os cobria. Respirando fundo, ele se voltou finalmente para mim. Nem as bolsas arroxeadas sob seus olhos roubavam sua beleza.
– Lembra-se da noite de Natal, quando recebi aquela carta? — Confirmei com a cabeça, como poderia me esquecer? — Ela foi enviada pelo imperador chinês.
Suei.
– Achei que a China tivesse sido obliterada completamente quando o Estado Americano da China lutou contra ela. — Interrompi-o. Ele sorriu, mas não havia humor em seus lábios. Era mais como um sorriso de descrença por eu não saber a verdade.
– Eles não foram. Suas armas sempre foram muito potentes, nunca que o Estado Americano, fraco como estava, poderia derrotar a China por completo. Os chineses haviam construído, com os lucros do Estado Americano, uma plataforma abaixo do seu país. Caso uma guerra envolvendo-os se iniciasse, eles teriam para onde ir, se escondendo n'A Plataforma da Nova China. A China foi completamente dizimada, mas muitos sobreviveram e levaram sua cultura e armamentos para o subsolo.
– E ninguém sabia disso? Você descobriu isso agora? — Questionei.
– Não, exceto a linhagem real illeana, ninguém sabia de nada. Todas as Castas, com a exclusão da Um, eram alheios a essa notícia.
– O.k., continue sobre a carta. — Disse, tentando assimilar o pouco que ele já me havia contado.
– Não. Eu tenho que começar do começo. — Isso me trouxe calafrio a espinha. Ele continuou: — Quando Gregory Illéa fundou este país, erguendo-o do nada, das cinzas da destruição, e tirou nosso nome da lama, ele foi procurado pelo imperador chinês daquela época. Esse imperador propôs a Gregory o que hoje chamamos de Castas.
– Mas como? No Diário de Gregory Illéa diz que foi ele quem criou as Castas.
Dessa vez, o riso de Maxon era verdadeiro.
– E você acreditou? Céus, America, nunca que Gregory iria admitir que essa grandiosa ideia não foi dele. Ele queria fama e poder, não daria o gostinho disso tudo ao seu inimigo. — Explicou e eu assenti com a cabeça — Continuando: Você deve estar se perguntando "Mas o que a China ganharia implantando o sistema de Castas em Illéa?". Bem, ele impôs uma condição à Gregory para que as Castas pudessem prosperar em Illéa: Gregory poderia ver todos os seus inimigos morrendo na pobreza, mas apenas se todos os lucros dessas pessoas nas Castas mais baixas pertencessem à China.
– Isso não faz sentido. — O interrompi novamente — O que Gregory ganharia com tudo isso? Dando de mão beijada os impostos para a China?
– Ele ganharia o poder das Castas. Veja bem, o sistema de Castas não era uma ideia que Gregory aceitaria e decidiria ter tudo para ele, inclusive os impostos, ou então, por gratidão, daria os lucros para a China. É claro que não. Era um documento e o imperador o estava vendendo. Se os lucros não chegassem à China, seria quebra de contrato e então os chineses tinham o direito de atacar-nos. — As coisas começavam a se iluminar na minha cabeça a medida em que Maxon ia explicando — Gregory aceitou esse sistema e, tendo o documento, isso era legalmente seu. Ele enfim havia conseguido o poder que tanto queria. As gerações foram se passando e, a cada novo rei era dado o documento que fora vendido a Gregory, juntamente com todas as regras que se seu antepassado havia aceitado. As realezas nada podiam fazer contra isso, então, por comodidade, davam continuidade a esse tratado entre os dois países. Mas eu, quando dei início à exclusão das Castas, imaginava que já que esse tratado era tão velho, não serviria mais. Mas eu estava enganado.
– É agora que entra a parte da carta? — Indaguei, minha camisola pregada às minhas costas molhadas de suor.
– É. Então, na noite de Natal, a carta que eu havia recebido era do imperador chinês atual. Nela, dizia que eu deveria restabelecer o sistema de Castas e me deram uma cópia do contrato. Eu o li enumeras vezes àquela noite, procurando por brechas que eu pudesse usar como desculpa para tirar as Castas do nosso país. Mas eu não encontrei nada. Quando mais Castas começaram a ser excluídas, eu voltei a receber uma carta, dessa vez me alertando sobre uma guerra que poderia vir a acontecer caso eu não desistisse da obliteração do sistema. Eu não dei ouvidos novamente, mas mesmo assim busquei ajuda ao Conselho, mas foi em vão. E ontem, durante o Jornal Oficial, recebemos uma mensagem pela televisão. Não só nós no palácio, mas toda Illéa recebeu. Como o imperador não disse nada sobre guerras, deixando apenas subentendido para mim, a população não ficou tão apavorada, mas eles querem respostas. E eu não sei se a verdade é a melhor solução.
Maxon havia acabado as explicações e um silêncio extremo recaiu sobre o quarto. Meu Deus, estive procurando pelas respostas sobre o meu país em vão por todo esse tempo. E Maxon sabia de tudo, mas preferiu me esconder. Ele achou que o Conselho deveria ficar ciente disso antes de mim.
– Pretendia me contar isso quando? — Minha voz era calma, mas algo na dureza das minhas palavras o fez se assustar.
– Não pretendia. — Admitiu e eu senti um surto de raiva preencher meu ser.
– E por que não? Por que eu não poderia saber? Por que sou fraca demais para lhe ajudar? Por que sou inútil demais para isso? Por que só sirvo para lhe agradar e dar uns beijinhos em você, é isso? Casamento não é apenas amor, Maxon. Precisamos confiar um no outro se não quisermos que tudo isso desgaste. — Eu sentia lágrimas quentes escorrerem pelas minhas bochechas, mas, ao contrario de como sempre fazia, eu não as enxuguei.
– America, me perdoe. — Suas mãos apertaram as minhas e eu fechei os olhos. Não queria baixar a guarda diante de apenas um toque. Me recusei a olhá-lo, mas mesmo assim as lágrimas continuaram a correr pelo meu rosto — Eu não queria que tivesse medo, é só isso. Não queria lhe causar preocupações, principalmente estando grávida. Eu só quis te proteger.
Sua voz se tornava mais baixa a cada instante e eu podia sentir a sua luta para não chorar também
– Você não foi o único a esconder as coisas até agora. — Eu disse depois de um tempo, tomando coragem para abrir os olhos.
– O que quer dizer?
– Quero dizer que... eu não lhe contei todos os detalhes da minha gravidez. — Ele pareceu intrigado. Eu continuei: — Há um risco enorme de eu morrer no parto. Ou o bebê.
O calor lhe fugiu do rosto, deixando-o tão palidamente branco como a neve. O aperto de sua mão na minha era tão gélido que senti um grande alívio quando ele me soltou, se pondo de pé.
– Está brincando comigo. — Acusou, descrente.
– Eu nunca brincaria com algo assim.
Ele respirou fundo, assanhando os cabelos em seu ato de desespero. As lágrimas que há pouco haviam parado, ameaçavam recomeçar a descer.
– Quando pretendia me contar isso? — Questionou sem olhar para mim.
– Não pretendia. — O imitei.
– E o que podemos fazer para que tanto o bebê quanto você possam sobreviver?
Neguei com a cabeça, a voz sendo roubada de mim.
Ele assentiu com a cabeça como quem entende o recado e se virou para a porta pronto para sair. Mas, desistindo no meio do caminho, voltou-se para mim com o rosto transfigurado de dor.
– Você vai sobreviver. — Assegurou, confiante — Nem que para isso...
– Nem que para isso...? — Encorajei-o. Senti um arrepio me percorrer quando entendi o que ele queria dizer. Nem que para isso não exista uma Eadlyn...
– Nada. — Interrompeu-se e saiu do quarto.
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