Notas iniciais
Oee *--------------* Eu dei uma revisada bem superficial no capítulo então, se houver algum erro de ortografia ou gramática e tal, podem me avisar. Obrigada pelos coments no primeiro capítulo, espero que vocês façam o mesmo neste porque só um escritor sabe como é ruim perceber que ninguém comenta sua fic ;-;Então é isso, beijinho e até lá em baixo.

Eu não queria acreditar, simplesmente não podia. Era ridículo eu, uma nascida Cinco, casta dos artistas fazer isso. Nem sequer se parecia com uma. Eu não queria crer que aquele rabisco era uma boneca! May fazia um trabalho excelente, me deixaria no chinelo se fosse desenhar! Meu Deus, chegava a ser uma aberração...

Por fim, amassei e fiz uma bolinha com o papel. E, por ser uma pessoa de ótima coordenação motora, errei a sacola ao meu lado. Deitei minha testa na escrivaninha, sentindo minha respiração quente bater e voltar no papel sob minha cabeça. Hoje mais cedo, Maxon conseguiu entrar em contato com as monarquias francesa e italiana e, como nosso país agora era muito bem visto internacionalmente, ambos aceitaram a proposta de se encontrarem em Illéa. Desde então eu vinha tentando fazer de tudo para que saísse perfeito. Não quero fazer feio na minha primeira organização de evento sozinha e, céus, não quero parecer uma idiota diante de Daphne Champoudrye.

Senti alguém balançar meus ombros e só então percebi que havia dormido. Maxon tentava me acordar, mas tudo o que conseguia fazer era erguer a cabeça apenas para depois fazê-la pender para trás na cadeira. Ele riu. Mas por que diabos ele estava rindo? Não devia ser tão engraçado assim me ver dormindo, a não ser que...

Percebi uma crosta nos arredores dos meus lábios quando os toquei, constatando que... Eu babei! De todas as coisas que eu já passei, essa era sem dúvida alguma uma das mais humilhantes. Foi quase cômico o meu pular da cadeira. Empurrei Maxon para o lado e corri a toda velocidade para o banheiro, trancando a porta. Minha boca estava toda coberta de baba e, quando engoli, senti o gosto dela na minha língua. Argh!

Ao longe, escutei as gargalhadas de Maxon e, com tanta raiva, mas com tanta raiva, esfreguei a pele do meu rosto com toda a força até ficar vermelha. Nunca achei que fosse pagar um papel tão ridículo como esse. Escovei os dentes e a língua e gargarejei enxaguante bucal — Esse gosto horrendo tinha que sair!

– Você está bem, amorzinho? — Perguntou Maxon e, mesmo sem estar o vendo, pude perceber seu sorriso enquanto falava.

Escancarei a a porta com força, determinada a não rir da minha própria situação.

– Eu estava babando, Maxon! Babei todas as minhas anotações, então, não, eu não estou bem.

Ele puxou meu braço e me abraçou, rindo com a cabeça nos meus cabelos, me arrepiando quando sua respiração chegava perto de mais da minha pele. Maxon sempre soube como me ter em suas mãos, como me derreter completamente. Se afastando de mim, ele ergueu as sobrancelha repetidas vezes, subindo e descendo elas até me fazer rir.

– Não, não e não. Tenho muita coisa a fazer ainda. Está se esquecendo de que os franceses e italianos chegam na semana que vem? — Disse, me desprendendo dos seus braços e voltando para a escrivaninha antes que que eu cedesse. Ele fez beicinho e eu fico tentada a deixar minha pilha de anotações babadas de lado, mas qualquer errinho de cálculo na reunião provocaria uma grande guerra, e pior, envolvendo Illéa também.

– Você vai ter seis dias e seis noites para organizar tudo isso. — Questionou, segurando meu queixo, me fazendo olhar para ele — Vai dar tudo certo. Confio em você.

– Não deveria ter dito isso. — Respondi, sentindo tudo dentro de mim congelar ao ver a maioria dos papéis de Maxon babados. Ergui as folhas para ele ver e fechei os olhos, esperando uma bronca. Mas a bronca não veio.

– Ah, America, você é tão...

– Idiota? — Completo.

– Eu ia dizer única.

Eu sorri e baixei minha cabeça, incapaz de não corar. Me voltei para as minhas anotações, tentando salvar algumas e passar as coisas escritas em outras para folhas de papel limpas — E secas. Só percebi que Maxon se sentara ao meu lado quando ele já começava a ler as coisas escritas nos papéis borrados de saliva.

– Já que você não está afim de fazer algo melhor hoje, eu poderia te ajudar nisso tudo aí. — Ele disse, aproximando mais a cadeira da escrivaninha.

– Não precisa. — Respondi imediatamente — Isso é trabalho meu.

Ele fez cara de assustado e levantou as duas mãos como se quisesse me parar de alguma agressão.

– Nossa — Começou- , não precisa querer me bater por causa disso.

Desmoronei na cadeira novamente e deitei minha cabeça na pilha de papéis, deixando, dessa vez, minha boca bem longe dela.

– Maxon, você não entende. Tudo precisa sair perfeito! — Repliquei, virando um pouco a minha cabeça para olhá-lo — Sou eu quem precisa fazer tudo isso porque isso é trabalho da rainha.

– Mas ninguém iria saber caso eu lhe ajudasse. — Murmurou no meu ouvido como uma criança traquina.

– Eu iria saber.

Ele pareceu pensar um pouco e eu tomei isso como um ganho de tempo para mim. Me apressei a rever logo os papéis, a riscar coisas que não deviam fazer parte do evento e a circular as principais coisas.

– Isso não é só por causa da guerra, não é? — Perguntou depois de um tempo calado — Tem outra coisa na qual você está preocupada?

Suspirei.

– Daphne. — A palavra saiu num murmúrio inaudível.

– Quem?

– Daphne.

– Desculpe, querida, não estou ouvindo.

– Eu disse "Daphne"! — Dessa vez eu gritei e escondi meu rosto nos vários papéis em minhas mãos.

Ele poderia ficar com raiva ou até desconfortável com o meu ciúme, poderia simplesmente me deixar em paz depois dessa e acreditar que eu não confiava nele, mas não. Nada disso aconteceu. Ele apenas baixou os papéis do meu rosto e puxou meu braço até eu estar sentada em seu colo, de frente para ele, sem nenhum objeto para me esconder.

– Eu poderia ter me casado com ela, sabia? — Ele disse, tirando dos meus olhos uma mecha de cabelo — Ela poderia estar aqui, no seu lugar.

Só de pensar em alguém que eu não conhecia, sentada no colo do meu Maxon, enquanto o meu Maxon acariciava seus cabelos, já comecei a sentir calafrios odiosos. Mas afinal, o que Maxon queria dizer com tudo isso? Que ele podia colocá-la em meu lugar no momento em que desejasse?

– E ela adoraria estar aqui, realmente. — Disse, fria.

– Sim, ela adoraria, mas sabe por que ela não está? — Balancei minha cabeça negativamente — Porque eu não a quis. Porque eu não a amo. Porque a única pessoa que realmente importa para mim é você.

Um sorriso é incapaz de não se formar nos meus lábios depois disso. Ele me abraçou ternamente e aproximou seus lábios do meu ouvido:

– Me deixa te ajudar.

– E eu tenho forças para negar algo a você?

Quando deslizei para a minha cadeira, Maxon começou a vasculhas as apostilas que diziam tudo sobre como se comportas e sobre que decoração usar diante dos franceses e italianos. Ele fez algumas caretas e eu ri disso.

– O que foi? — Perguntei.

– Vai ser bem difícil organizar tudo isso. Franceses e italianos não concordam em nada, nem em uma corzinha.

– É, eu sei.

Ele passou a mão nos cabelos charmosamente bagunçados e começou a anotar coisas em blocos de notas. Me sentia super mal por Maxon estar me ajudando com uma tarefa que cabia única e exclusivamente a mim, afinal, ele também tinha suas coisas para resolver. E pior: Sentia que estava lhe roubando seu pouco tempo de descanso

Já era pouco mais de meia-noite quando Maxon puxou a camisa para cima e a arremessou longe. Muito bom, Max, muito bom mesmo! Agora você irá acabar com o fiozinho de compenetração que ainda me restava àquela hora da noite.

– Oh, não, Maxon! — Repreendi tentando não manter contato visual — Você vai acabar com a minha concentração!

Ele deu altas gargalhadas.

– Hum, é mesmo, senhorita America? — Disse, erguendo comicamente uma sobrancelha — Sou tão irresistível assim?

Eu não respondi e nós voltamos ao trabalho. Horas se passaram rapidamente e quando percebi já eram duas da manhã. Estava com as pálpebras quase se fechando, mas ainda havia tanta coisa para resolver que eu me obrigava a ficar acordada por mais um tempo. Nem sequer o cardápio eu já havia preparado.

A sacolinha de lixo ao meu lado já estava a ponto de transbordar, então, nem liguei mais para o lugar em que estava jogando as bolas de papel — Elas estavam espalhadas por todo o quarto. Maxon jogou a cabeça para trás e bufou alto. Se eu já estava entediada disso, imagine ele.

– Vá dormir. — Eu disse, passando a mão em seu braço e ao mesmo tempo escrevendo.

– E deixar você sozinha com todas essas coisas? Nem pensar.

Dessa vez quem bufou foi eu.

– E se eu disser que também vou dormir?

– Aí não tem problema.

Quando me levantei, minha coluna estralou várias vezes e eu bocejei tanto que meus olhos lacrimejaram. Antes de dormir, a única coisa que me lembrei foi de descalçar os sapatos de bico fino e dormir de vestido mesmo, aconchegada ao peito de Maxon — Que disse incansavelmente que me amava.

Na manhã seguinte, por incrível que pareça, eu me levantei antes de Maxon. Mas foi só o tempo de tomar banho e vestir uma roupa limpa para ele acordar, mais disposto do que nunca. Essa era uma das coisas mais invejáveis nele: Ele nunca, nunca — Nunca — sentia com preguiça.

– Você dormiu bem? — Perguntei me sentando ao seu lado na cama.

– Razoavelmente. — Ele respondeu, endireitando as costas — Você chuta muito sabia?

– E você descobriu isso agora?

– Hum... É.

– Você é tão... — Comecei, pensando em algo que o irritasse.

– Incrível? — Ele completou.

– Não, bem, eu ia dizer lento.

Ele fingiu ficar furioso e partiu para cima de mim, segurando meus pulsos e falando bem pertinho do meu rosto, nossos lábios quase se tocando.

– Não fale assim com o rei! — Ele ordenou, se segurando para não rir.

– Ou o quê? O que você faria comigo? — Tentei fazer a minha voz soar o mais sensual possível, mas até eu senti vontade de rir ao me ouvir falando.

– Minha querida — Desdenhou — , eu sei muito bem qual o seu ponto fraco.

Ergui as sobrancelhas desafiadoramente.

– E qual é?

Ele se aproximou ainda mais de mim — Se é que isso era possível — e falou lentamente enquanto suas mãos começaram a trabalhar em minha barriga.

– Cócegas!

Foi impossível não bolar na cama. Chutes e socos voaram para todos os lados, mas, infelizmente, nenhum fez Maxon parar. Dei altas gargalhadas, mas eu não estava feliz. Estava com ódio! E essa era a pior coisa de você sentir cócegas: Você parece estar feliz por fora, mas por dentro você sente vontade de matar alguém.

– Por... favor... pare!

– Só se disser a palavrinha mágica. — Ele disse, se deliciando com a minha situação.

– Vou matar... você!

– Errou. Mais uma chance.

– Eu... odeio você!

– Só mais uma.

– O.k., o.k! — Cedi e ele parou um pouco com as cócegas — Eu... amo você.

– Não ouvi. — Zombou, sarcástico, pondo uma mão no ouvido para escutar melhor.

– Falei que amo você!

– Ah, agora sim.

Sem mais nem menos, ele se levantou e foi para o banheiro, ainda rindo da minha situação. Demorei um pouco para parar de arfar e, quando finalmente consegui, ouvi leves e ocas batidas na porta. Me recompus rapidamente, passando a mão nos cabelos para baixar o volume e endireitei meu vestido. Ao abrir a porta, me deparei com Aspen, segurando uma carta na mão

– Majestade — Ele se curvou e eu revirei os olhos. Ele sorriu com isso.

Aspen havia sido promovido a Soldado Chefe. Era um cargo de alta importância que fora criado no governo de Maxon. Na verdade, criamos isso como uma espécie de motivação já que antes todos os soldados eram comandados unicamente pelo rei. Isso mudou justamente para fazer com que os soldados se sentissem incentivados a se superarem sempre, para talvez um dia alcançarem o cargo de maior importância no nosso exército.

– O que deseja, Soldado-Chefe Leger? — Perguntei.

– O rei se encontra?

– Ele está no banho, por que? — Respondi, examinando o exterior da carta com curiosidade.

– Sem querer ofender, Majestade, mas é um assunto a ser tratado com o rei. — Ele respondeu.

Nosso comportamento podia parecer um tanto quanto formal de mais, mas nem sempre era assim. No caso, agora, eu era a rainha e Aspen, o soldado. Mas nada me impedia de conversar descontraidamente em seus dias de folga.

– Aspen, meu marido e eu não temos segredos. — Disse.

– Claro, Majestade. — Ele se curvou novamente e me entregou a carta — É dos franceses. Algo relacionado a sua visita.

– Ah, claro. Obrigada, Soldado-Chefe Leger.

E, pela terceira vez, ele se curvou e saiu. Fechei a porta, examinado a carta. Era quase torturante esperar Maxon sair do banheiro para poder abrir a carta, mas, quando isso aconteceu, eu voei para cima dele, lhe mostrando a carta e dizendo para ele abrir rápido. Ele se assustou com minha afobação, mas não pestanejou ao abrir a carta. Tomara que não seja sobre uma possível desistência de nos visitar.

Maxon correu os olhos pela carta, ora mordendo o lábio de apreensão, ora erguendo as sobrancelhas. Já estava impaciente com essa demora, mas, antes de eu perguntar, Maxon olhou para mim, baixando a mão que segurava a carta.

– Eles não vêm mais na semana que vêm. — Ele disse.

– Como assim, eles desistiram? — Perguntei pegando a carta de sua mão.

– A data foi revogada. — Ele respirou fundo, já prevendo a minha histeria — Eles chegam depois de amanhã.

Notas finais
E aí? Ficou hiper pequeno, eu sei (;-;) , mas prometo que os próximos serão maiores. Só pelo fato de você estar lendo isso aqui eu já te amo *-* *3* *3* Não se esqueçam de acompanhar, favoritar, comentar, curtir, compartilhar, tanto faz :p Apenas façam dessa escritora alguém feliz :3 :3 Beijão e até, no mais tardar, amanhã :*