The New Royalty
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Mais dias se passaram, a neve foi derretendo aos poucos, as flores finalmente começavam a aparecer e colorir os jardins do palácio. A primavera estava banhando Illéa num sol tão escaldante que eu cheguei — Por breves segundos, enquanto minha mente sofria lapsos estranhos — a sentir falta do frio e da neve alva e branca.
No finalzinho de março, com quatro meses de gestação, minha barriga já estava mais volumosa e eu era incapaz de não lembrar da época em que brincava com May de colocar uma bola sob a roupa e fingir estar grávida. Tudo isso parecia tão ridículo agora e, na época, era uma das melhores brincadeiras que tínhamos. Parece até que estou vendo mamãe brigar conosco por estar brincando com isso. "Tirem essas bolas daí!", ela gritava, "Não podem brincar com coisa séria. Agora vão brincar de outra coisa enquanto eu passo o pano na casa!"
Ultimamente, eu estava tendo mais visitas do que o normal. Kenna e Marlee sempre que podiam vinham passar uma tarde comigo já que agora eu tinha tempo de sobra para fazer nada.
– Você não sabe o que Astra inventou agora. — Kenna disse enquanto Marlee se deitava de barriga na cama, balançando as pernas no ar. Parecíamos três adolescentes de colegial conversando sobre garotos — Ela quer um cachorro, acredita?
– De onde ela tirou essa ideia? — Perguntei.
– Da televisão. Ela estava assistindo um filme sobre cachorros e então cismou que quer ganhar um de aniversário. — Explicou revirando os olhos, achando a ideia absurda.
– E qual o problema de um cachorro? — Marlee questionou.
– O problema não é o cachorro em si, e sim que ela já tem uma tartaruga, dois peixinhos dourados, um hamster e um coelho que está roendo todos os meus sapatos. — Queixou-se, mostrando a marca de dentes em seu calçado — Sério, esse foi o único que consegui salvar.
Minha cabeça começou a doer, uma dorzinha mínima tomando apenas minhas têmporas, mas eu sabia que isso poderia piorar e se tornar um pesadelo terrível. Tateei pela gaveta do criado-mudo, mas meus remédios não estavam ali. Tudo o que tinha era a cartela de comprimidos que a Dra. Vanessa me receitou.
Será que seria muito ruim se eu não tomasse o remédio para a enxaqueca? Ela estava tão pouquinha que parecia quase idiota tomar um medicamento forte daqueles para um simples mal estar. Ah, frescura! Em minutos isso iria passar.
– E quanto a você, Ames? — Kenna perguntou — Como está a gravidez? Já não era sem tempo de essa barriguinha começar a crescer, não é? — Ela acariciou a alta elevação em minha barriga.
– Estou bem, quer dizer, mais ou menos. — Dei de ombros, fingindo desinteresse.
– Por que?
– Ah, sei lá, esses desejos estranhos estão cada vez mais frequentes. Por exemplo, agora, nesse momento, estou com vontade de comer camarão. — Fiz uma careta para isso.
– Mas você odeia! E é alérgica. — Disse, rindo.
– Exatamente.
– Você não deveria se preocupar com isso. — Ela pegou na minha barriga novamente — Quando eu estava grávida de Astra, sentia vontade de comer barro de parede.
– Céus! — Marlee levou as mãos a boca para conter o riso.
– Está vendo? — Kenna continuou — Poderia ser bem pior.
Kenna e eu nunca havíamos sido as irmãs mais próximas do mundo. Eu nunca havia recorrido a ela para algum conselho de irmã mais velha ou coisas do tipo, mas, desde que todos da minha família descobriram sobre Aspen, Kenna e eu nos aproximávamos cada dia mais. Percebi que eu não estava sozinha no mundo, sem uma influência feminina que não fosse materna. Eu tinha uma irmã, alguém que eu tinha certeza que poderia contar algo importante, que eu não precisava esconder um segredo.
Com Marlee era a mesma coisa. De cara, logo no caminho para Angeles, nós ficamos amigas. Ela pensava como eu; não precisávamos ser inimigas só porque lutávamos pelo mesmo objetivo — Que na época não era o meu. E, confinada no palácio, ela se tornou a única pessoa na qual eu podia conversar, com exceção das minhas criadas.
Mas, mesmo elas sendo pessoas tão importantes para mim, pessoas que eu tinha certeza que podia confiar um segredo, eu deveria contar sobre a gravidez de risco? Elas não contariam a Maxon, é claro, e eu certamente explodiria se não contasse isso a ninguém. Se haviam pessoas que pudesse contar isso, essas pessoas eram Kenna e Marlee.
Mas, por outro lado, por que eu contaria? Para encher suas cabeças de preocupação? Não, claro que não. Elas têm as vidas delas, ambas tem uma casa e um esposo para cuidar, Kenna tem uma filha... Elas não precisam de mais uma coisa para preocupar-lhes. Eu seria egoísta se pensasse apenas em mim e contasse para elas. Afinal, a Dra. Vanessa disse que estava tudo bem, não é? Eu não tinha o que temer.
Permaneci calada sobre isso, então. Se altruísmo pegasse, eu diria que estava contagiada pelo de Maxon.
A tarde, logo depois das meninas irem para suas casas, minha dor de cabeça piorou. Sem meus medicamentos no criado-mudo, eu estava completamente entregue à dor. Não era como da última vez, era tolerável, suportável. É claro que eu poderia chamar minhas criadas ou algum mordomo, ou até mesmo Ashlar, mas isso parecia uma medida tão exagerada que eu deixei a ideia se dissipar. À noite, tivemos chuva, e só isso já foi o bastante para derreter o pouco de neve que ainda estava acumulado nos jardins.
Ao acordar, percebi que minha cabeça estava latejando mais, destruindo todos os meus planos da noite anterior de ir fazer yoga. O.k., eu já tinha retardado isso por tempo demais! Estiquei meu braço até tocar a pequena campainha e, em questão de segundos, Mary, Allye e Anastasia haviam chegado.
– Sim, Majestade? — Allye perguntou.
– Pode pegar com Ashlar uma nova cartela de remédios para enxaqueca? — Pedi.
– Vossa Majestade está se sentindo bem? — Mary questionou — Prefere que eu traga seu café na cama?
– Não, está tudo bem, eu posso descer. É só isso.
As três saíram do quarto, me lançando uma reverência — Allye batendo continência comicamente. Só All mesmo para me fazer rir com uma dor dessas...
– Algum problema, querida? — Perguntou Maxon, saindo do banheiro e secando os cabelos na toalha, seus fios numa desordem só.
– Só uma dorzinha chata de cabeça. — Reclamei, deixando minha voz o mais casual possível para não preocupá-lo.
– Alguém foi buscar alguma coisa para você? — Indagou, deixando a toalha à uma poltrona e engatinhando pela cama até chegar a mim, me beijando.
– Sim, All foi buscar uma cartela com Ashlar.
– Menos mal. Eu não aguentaria lhe ver naquele estada novamente. — Naquele estado é algo carinhoso demais para se referir a minha última crise — Você vai descer para o café ou prefere que eu peça para trazer para cá?
– Eu vou descer, não está tão ruim assim.
Ele me beijou novamente e eu tive que me agarrar às suas costas nuas para não cair da cama. Sob meus dedos, eu sentia todas as cicatrizes de Maxon, cicatrizes de açoites que o pai lhe dava sem piedade. Algumas delas estavam em suas costas por minha culpa e eu nunca me perdoaria por isso, por lhe infligir dor. Umas eram como em alto relevo, já outras eram a pele rasgada, com um pequeno grau de profundidade. Maxon uma vez me perguntou se eu não sentia nojo ou repulsa por suas marcas e foi a pergunta mais ridícula que ele já me fez. Essas cicatrizes estavam em sua pele como uma espécie de lembrete de sua coragem e determinação. Como eu poderia sentir repulsa por isso?
A porta foi escancarada, forçando Maxon a se separar de mim com um pulo de susto para fora da cama. Eu havia até me esquecido da minha dor de cabeça enquanto me embrenhava em pensamentos. Allye se desculpou pela interrupção, completamente ruborizada.
– Juro que bati na porta. — Defendeu-se, deixando em cima do criado-mudo uma bandeja com um copo de água e minha cartela de remédios — Com licença.
Tomei meu remédio, esperando uma melhora súbita que, claro, não veio. Maxon esperou que eu tomasse meu banho e me arrumasse para descermos para o café. A dor amenizou por breves dez minutos, e então voltou um pouco mais forte, mas nada alarmante. Fazia pouco tempo que eu havia tomado o remédio e eu certamente não poderia tomá-lo novamente antes do meio-dia por causa da gravidez. Então, sem reclamar de dor em voz alta, terminei meu café e me dirigi para a yoga, Georgia me esperando impaciente.
– Ah, finalmente. Achei que fosse me deixar esperando de besta novamente.
– Desculpe. — Pedi — Não andava muito bem.
Não demorou muito para minha enxaqueca atacar de uma forma que eu não tinha como me manter focada na yoga e, quando menos percebi, já estava no meu quarto, provavelmente horas depois. Dessa vez, não houvera tanta dor ou desespero como antes, eu apenas apaguei. O Dr. Ashlar estava colocando uma bolsa de gelo em meu pescoço e em minha testa, mas mesmo assim eu ainda sentia calor. Será que estava com febre?
Óbvio que não. Febre dá frio e não calor!
– O que aconteceu? — Me limitei a perguntar — Onde está Maxon?
– Rei Maxon acabou de sair, Vossa Majestade. Parece que foi cancelar o Jornal Oficial desta noite por suas condições de saúde. — Explicou.
Me pus sentada imediatamente, as bolsas de gelo caindo. Maxon não podia simplesmente cancelar o principal jornal do país por causa de uma enxaqueca passageira. Me senti tremendamente mal por isso. Meu Deus, eu era a rainha! Tinha responsabilidades. Não podia ficar o tempo inteiro cedendo a uma dor irritante de cabeça.
– Chame Maxon, mande alguém chamá-lo. Estou bem. — Afirmei.
– Vossa Majestade tem certeza de que está absolutamente recuperada? — Questionou, voltando a me fazer deitar e recolocando a bolsa de gelo sobre minha testa. Afinal, para quê esse raio de bolsa? — Pedirei que um mordomo o impeça disso.
– E que diga a ele para vir para cá.
– Sim, Majestade.
Instantes depois de Ashlar sair do quarto, ele já estava de volta, me fazendo engolir uma sopa insossa e fina, tão fina que parecia um caldo ralo. Maxon apareceu logo depois, me perguntando como eu estava e o que havia acontecido. Era justamente isso que eu queria saber.
– Rainha America estava desacostumada ao calor. — Explicou Ashlar — Foi uma elevação repentina de temperatura, mas tudo ficará bem logo. Talvez ela consiga gravar o Jornal Oficial de Illéa como tanto quer.
– Não, nem pensar! — Maxon contestou — Ela está fraca, ainda.
– Não, estou bem. De verdade, não tem com o quê se preocupar. — Assegurei.
– Doutor, diga a America que ela precisa ficar de repouso. — Insistiu, se dirigindo a mim em terceira pessoa como se eu não estivesse ali. Argh!, com eu odiava isso.
– Sinto muito, mas não posso dizer isso. Ela está bem, e até o momento da gravação se sentirá ótima.
Maxon bufou e vi em seus olhos a raiva por não poder me deixar acamada, mas Ashlar não voltou atrás no que disse, me fazendo remexer os braços e os quadris numa dancinha da vitória enquanto ele não olhava. Maxon riu da minha infantilidade e me deu um beijo na testa.
– Bem, vou deixá-los à sós. — Ashlar anunciou.
Maxon mal esperou que a porta se fechasse e já começou a me beijar. Beijando-me apressadamente a testa, as bochechas, o dorso da mão, entre minhas sobrancelhas... Eu já estava morrendo de rir de seus beijos desesperados quando ele enfim parou, segurando minhas duas mãos.
– Por favor, me diga que vai ficar deitada, que não vai gravar o Jornal.
Eu tive que rir, mas não havia humor em minha risada.
– Estou bem, Maxon, não se preocupe. Posso fazer isso. De verdade. — Reassegurei. Ele desmoronou numa poltrona ao meu lado com a mão no rosto, derrotado.
– Você gosta de me dar sustos, não é?! — Disse, mais como uma afirmação do que como pergunta.
Soquei seu ombro, mas foi o meu punho que doeu.
– Ei, acha mesmo que gosto de ter essas crises? Eu me assusto tanto quanto você. — Aleguei, tentando me levantar.
Minha barriga parecia pesar dez quilos enquanto eu me erguia na cama, Maxon me ajudando a me pôr de pé. Dois mordomos entraram no quarto assim que terminei de desamassar minha roupa. Eu não estava sentindo antes, mas agora eu percebia que da minha roupa emanava um cheiro de vela e incenso tão sórdido que fazia meu estômago se contrair e dar uma cambalhota dentro de mim. Consegui engolir o vômito no momento certo, o gosto de fel ardendo enquanto descia por minha garganta.
– Que horas são? — Perguntei, apreciando a parte alaranjada do céu que eu podia ver pela sacada.
– Quase quatro da tarde. — Maxon disse e pude ouvir o som da porta se fechando; os mordomos haviam saído — Você precisa comer algo nutritivo. Imagino que aquela sopa estivesse horrível.
Voltei-me para ele e me deparei com uma grande bandeja sobre a cama com tudo o que eu gostava. A sopa era provavelmente uma entrada — Muito ruim — para meu estômago quase em jejum não rejeitar o que viria. Não precisava ser mandada comer duas vezes: Voltei a me sentar na cama e comecei a devorar a comida maravilhosa. Maxon ficou apenas me olhando comer, sentado na poltrona, verificando a hora de cinco em cinco minutos no relógio.
– Ainda dá tempo de desistir do Jornal. — Eu disse:
– Não vou desistir. — Ele disse:
– Mas você não parece muito bem. — Eu disse:
– Está me chamando de feia? — Ele disse:
– Não, é só que está um pouco inchada, sei lá, o rosto. — Eu disse:
– Está me chamando de gorda? — Ele disse:
– Argh! Desisto.
Sorri internamente com isso. Ah, como era bom ganhar uma discussão uma vez na vida com o Sabe-Tudo-Senhor-Meu-Marido.
Depois de terminar meu banquete, minhas criadas praticamente expulsaram Maxon do quarto. Mary fez um trabalho de mestre em minha cara inchada e Allye se ocupou em meus cabelos enquanto Anastasia ainda terminava o vestido. Pouco antes das sete, eu já estava pronta, meu vestido azul turquesa esvoaçando enquanto o vento frio noturno entrava pela sacada. Anastasia fez o que pôde para me fazer trocar o colar de passarinho por uma joia mais sofisticada, mas depois de muita insistência da minha parte em ficar com ele, ela desistiu.
Quando Maxon veio me buscar para o Jornal, já estava pronto — O que me fazia pensar que seu alfaiate havia finalizado sua roupa há pouco. Os câmeras já haviam chegado ao foyer, se posicionando diante de nossos tronos para tirarem fotos nossas.
– Acha que devemos contar sobre a gravidez hoje? — Murmurei em seu ouvido quando os câmeras se dispersaram.
Ele torceu o nariz.
– Imaginei que devíamos anunciar isso em uma grande festa. — Respondeu.
– Tudo bem.
Quando Gavril entrou no foyer para apresentar o Jornal como todas as sextas-feira — Fazendo sua dancinha quase ridícula — e deu início à ele, não pude não notar na tensão no rosto do responsável por manter a gravação no ar, seus músculos tremiam e e eu pudia ver uma veia saltando do seu pescoço. Ignorei, achando que isso provavelmente me deixaria tensa também diante das câmeras. Estava tudo certo no telão a nossa frente que transmitia o que estava sendo gravado, não havia falha alguma, nada que pudesse preocupar o tal homem.
Uma falha, um chiado. Pude perceber isso por um curto segundo, entre um piscar de olhos e outro. No canto direito do telão, havia uma pequena falha, fazendo essa parte tremer. Tentei suavizar meu rosto, mas aquela pequena falha me intrigava: Eu não me lembrava de nada assim em Jornais anteriores. Será que as transmissões de satélite estavam oscilando?
Aconteceu de novo, dessa vez por um tempo mais longo. Dois ou três segundos se passaram com o telão tremido, um chiado ensurdecedor saindo de suas caixas de som e uma gravação tentando ganhar a batalha contra a nossa. Agora eu não estava mais intrigada. Estava apavorada! O que estava acontecendo com a transmissão? Estavam tentando interromper o Jornal? Por que?
Quem?
Antes que eu pudesse olhar para Maxon e perguntar-lhe isso, a transmissão foi cortada, deixando o telão totalmente escuro por três segundos. A tela voltou a se iluminar depois e eu me procurei nela, mas eu não estava. Não havia Maxon, nem eu, nem Gavril na tela, em vez disso, um homem de cara bolachuda e olhos um tanto quanto puxados aparecia no horário do Jornal Oficial em todas as casas de Illéa. Intrigada? Apavorada? Eu estava Aterrorizada!
– Majestade. — O homem bolachudo cumprimentou, meneando a cabeça com sarcasmo, um riso diabólico escapando dos seus lábios finos. Maxon, que segurava minha mãe com força, pareceu tremer à voz do homem misterioso — Esse é o último aviso. Não haverá um quarto, um quinto... O terceiro é tudo o que há. Pense sabiamente. Pelo bem de todos.
Com um último chiado, a tela escureceu de vez, meu coração sendo esmagado pelo medo que eu nem sabia a quê se devia. Maxon se levantou do trono com voracidade, levando as mãos a cabeça e despenteando os cabelos com uma raiva tão grande que senti um tremor me percorrer a espinha. Seja lá o que aquele homem tenha querido dizer, Maxon entendeu muito bem.
E eu não.
– Maxon, o que significa isso? — Indaguei, me pondo de pé também e seguindo-o enquanto ele andava de um lado para o outro. Podia ver nos olhos de todos presentes no foyer o quão alheios a tudo isso eles também estavam.
– Agora não, America. — Respondeu.
Senti um ódio mortal se apoderar de mim. Como assim agora não? Acho que eu também devia explicações.
– Não, agora sim! — Exigi, batendo o pé como uma criança mimada — O que foi tudo isso?
Ele bufou e se virou para mim com tanta raiva que me senti encolher. Ele parecia agora tão mais alto e tão mais forte do que eu que cheguei a me sentir apenas uma formiguinha.
– Isso deve ser gravado? — Ouvi um câmera perguntar. Maxon fuzilou-o com o olhos e percebi que o câmera também se encolheu — Tudo bem, nada de gravação.
– Vai me responder? — Reuni forças e disse.
Ele despenteou o cabelo novamente, com os olhos cerrados, e soltou:
– Quer realmente saber? O.k. . Illéa está sob ameaça dos chineses. Se não reintegrarmos as Castas ao nosso sistema governamental, podemos dar adeus às nossas vidas!
Eu ainda não entendia todo o significado disso, mas agora eu tinha pelo menos a noção do quão grave a situação era. Mas em que as Castas beneficiariam os chineses? E por que eles? Minha cabeça não conseguia formar uma só ideia coerente, tudo em mim se focando na última frase de Maxon: Podemos dar adeus às nossas vidas. Mas por que?
Soltei o ar e só então percebi que não estava respirando. Senti algo dentro de mim se revirar tão subitamente que não tive forças para me manter de pé. Alguém segurou-me pelas costas, mas eu não conseguia ver quem. Não era meu estômago que se revirava, disso eu tinha certeza. Era o meu útero. O meu bebê.
Minhas pernas estavam formigando enquanto alguém me colocava deitada em algum lugar. Eu tinha a consciência de que estava gemendo de dor, mas o som não chegava aos meus ouvidos. Conseguia distinguir apenas o borrão que era Maxon, e, quando senti suas mãos tocando minha perna percebi que não estava formigando ou dormente. Era um líquido, água, talvez? Não. Água não deixaria a mão de Maxon suja de vermelho. Eu estava sangrando. Meu bebê estava morrendo!
Céus, o que estava havendo?
Senti ser carregada novamente, minhas costas abandonando o estofado em que eu provavelmente estivera deitada. E então eu apaguei.
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