The New Royalty
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Depois do jantar, da troca de presentes e da conversar fiada, todo mundo foi pra casa. Kenna me deu os parabéns pela gravidez novamente e Maxon fez piada sobre o por quê de não o terem parabenizado também já que, como ele mesmo diz "Teve sua contribuição nisso". May ainda insistia na história de que eu devia contar a ela sobre como foi que engravidei do dia para a noite e mamãe logo havia deixado o mau humor de lado, dando espaço à felicidade pelo novo neto. Em pouco tempo, todos já estavam saindo, os motoristas do palácio indo deixá-los cada um em suas casas.
Assim que deixamos de ver o último carro e Maxon e eu retornamos ao palácio, a essa hora com o Grande Salão vazio, Maxon se voltou para mim, os olhos faiscando num sorriso perfeito.
– A onde foi que paramos, hein? — Perguntou, me puxando mais contra si — Ah, lembrei.
Ele voltou a me beijar, suas mãos descendo pelas minhas costas e parando poucos centímetros acima da quadril. Não tinha como se preocupar com qualquer coisa assim, nada mais parecia ter importância quando ele me beijava. Suas mãos deixaram minhas costas e passaram a afagar meu rosto, seus dedos fazendo círculos em minhas bochechas. Ele se separou de mim, me afastando a contra gosto, mas com delicadeza. Ele riu, ainda com a testa pregada na minha, o som do seu riso perto demais do meu ouvido me fazendo arrepiar.
– Sua irmã é uma graça. — Ele disse, ainda com as mãos no meu rosto. Eu não pude deixar de rir também.
– Eu sei. Mas ela já é tão grande... Me preocupo se minha mãe a está criando dentro de uma bolha impermeável, quer dizer, May já tem idade para saber de algumas coisas. — Confessei.
– Como por exemplo...?
– Ah, você sabe do que estou falando. — Soquei seu ombro — Mas, bom, voltando ao assunto, deve ser difícil para minha mãe. Deve ser difícil para qualquer mãe.
– Imagine quando tiver que explicar para nossa filha tudo isso...
Eu torci o nariz em desaprovação. Isso ainda demoraria muito para acontecer — Graças à Deus. Então foquei no que ele disse: Filha.
– Acha que será uma menina? — Indaguei. Ainda era cedo demais para saber, mas, claro, não cedo demais para imaginar. Ainda não tivera tempo para pensar muito no assunto, mas, agora, pensando na coisinha pequenininha que eu carregava na barriga, vinha a minha cabeça a imagem de um recém-nascido vestido de azul...
– Acho que sim. — Disse, um sorriso se formando em seus lábios — Você não?
– Hum..., na verdade, não. Imagino um menino. — Admiti, a imagem do recém-nascido de azul voltando a minha cabeça.
– Isso merece uma aposta. — Maxon disse.
– Valendo o que? — Entrei em seu jogo.
– Bem, digamos que, se for menina... — Ele respirou fundo, pensando em algo em que pudéssemos apostar. Suas mãos voltaram a minha cintura como se quisesse me prender pra que eu não fugisse de sua aposta — você terá a árdua missão de explicar o mundo dos adultos para sua irmã. — Fechei os olhos e gelei. Por que ele era tão bom em apostas.
– E se for um menino?
– Se for menino, você escolhe o que quer que eu faça.
Mordi o lábio inferior, minha criatividade em apostas fugindo completamente da minha cabeça.
– Pode me dar mais tempo para pensar? — Pedi.
– O tempo que preci...
– Majestade!
Tanto Maxon quando eu nos sobressaltamos com a chamada brusca. Aspen corria a toda velocidade para nós dois, carregando em mãos um envelope branco cujo remetente eu não conseguia ler. Não era do feitio dos guardas agir assim, correndo como Aspen estava no momento, então, só podia ser uma coisa realmente séria.
– Peço perdão pela interrupção, Majestade. — Aspen disse quando finalmente nos alcançou — Mas chegou essa carta ao palácio agora há pouco. O selo é internacional.
– Obrigada, Soldado Leger. — Agradeceu Maxon, pegando a carta.
Podia ser coisa da minha cabeça, mas posso jurar que vi o rosto de Maxon mudar de cor, empalidecer, e sua mão se fechar em punho às minhas costas. Aspen nos reverenciou e voltou andando para o seu posto. Não queria enfurecer mais ainda Maxon com perguntas retóricas, mas minha curiosidade estava me matando.
– O que aconteceu? De onde veio a...
Ele me interrompeu, levantando uma mão para me parar. Me senti terrível! Por que diabos ele não poderia me contar agora o que estava acontecendo? Ele rasgou o lacre da carta com voracidade e começou a percorrer os olhos pelo papel fino. Seus olhos faiscavam para a carta e sua boca se repuxava mais e mais numa careta de ódio a cada palavra lida. Eu já estava para roer minhas unhas quando ele finalmente terminou de ler a maldita carta, baixando-a como se quisesse a esconder. Seus olhos se voltaram para mim, sem sombra de raiva, e ele até ensaiou um sorriso. Argh! Como eu odiava quando Maxon se tornava altruísta demais.
– Se importa de subir primeiro? Eu vou logo depois. — Perguntou, segurando minhas mãos.
– O que vai fazer? O que tem na carta? — Rebati.
Ele tirou algumas mechas dos meus olhos e acariciou meu rosto novamente, me fazendo acalmar.
– Está cansada, suba. — Desconversou.
– Vou subir quando você subir.
– Prometo que quando chegar lá em cima lhe conto tudo.
Pesei a verdade em suas palavras. É claro que se, quando ele chegasse lá em cima não quisesse me contar, eu o importunaria pelo resto da noite. Mas, com esse tempinho que ele estava me pedindo, ele podia muito bem arranjar uma desculpa. Mas que motivos ele teria para isso? Se fosse algo realmente sério, ele me contaria, certo? Quer dizer... Nunca se sabe.
– Pode fazer isso por mim? Prometo não demorar. — Insistiu.
– Tá. — Respondi a contra gosto.
Ele me beijou novamente e saiu apressado, sumindo em algum corredor do palácio. Bem, eu não tinha outra alternativa senão ir para o terceiro andar, não é? Subi as escada, mal humorada, e entrei em meu quarto, fechando a porta com toda a força. Afinal, o que tinha na carta de tão importante assim? Algo que Maxon não queria que eu soubesse... Ou será que tudo isso era coisa da minha cabeça? Podia ser algo bom na carta? Mas se fosse, Maxon não teria reagido daquela forma, empalidecendo de medo e fuzilando a carta com fúria. Ou será que eu também estava imaginando toda essa reação? Meu Deus, eu precisava me acalmar e parar de pensar que tudo era coisa ruim.
Tomei um banho rápido e fui para a cama, me enrolando debaixo das cobertas, esperando que o frio que entrava pela sacada me mantivesse desperta. Absolutamente em vão. Segundos depois, eu já estava dormindo.
Nos dias que se seguiram, não tive a menor chance de perguntar a Maxon sobre a carta e, em poucos dias, acabei por me esquecer completamente. As semanas se passaram rapidamente e, quando menos percebi, já era Ano Novo. As comemorações em Illéa demoraram para acabar; nosso povo nunca estivera tão feliz como estava nesse momento. Maxon e eu continuamos a ir para o foyer para gravar o Jornal Oficial de Illéa todas as sextas-feiras, meu marido sempre dando boas notícias para os cidadãos e Gavril sempre dando um jeito de me enquadrar na programação, praticamente me forçando a falar alguma coisa. Em parte, estava tudo bem.
A cada enjoo que eu sentia, eu ligava imediatamente para a Dra. Vanessa. É claro que eu sabia que enjoos e tonturas eram normais na gravidez, mas, depois de saber que eu tinha complicações, eu estava sempre preocupada. Os desejos só começaram a vir depois do segundo mês de gestação. Minha barriga ainda não estava crescida, é claro, mas eu podia jurar que via uma leve ondulação — O que Maxon, só para me irritar, insistia em dizer que era gordura. Deixei de participar das reuniões do Conselho a pedido de Maxon. Ele disse ser muito estressante para mim e para "a bebê". Mas eu ficava me perguntando se não havia um quê a mais nisso tudo, se havia um motivo mais forte por trás. Quer dizer, podia ver que Maxon, como marido, não me escondia nada. Mas Maxon, como rei, estava um pouco... mudado. Ele, claro, não admitia essa mudança, mas eu podia ver isso estampado em sua testa.
Em fevereiro, com três meses de gestação, minha barriga finalmente começava a mudar. Agora, Maxon não me irritava mais com a história de gordura, passando a acariciar a ondulação estranha. Era uma coisa mínima, é claro. Quase imperceptível em meu corpo magro, mas dava para ver, se olhasse bem de perto. Agora que eu estava grávida, estava faltando bastante a yoga. Eu tinha finalmente motivos para isso, motivos que Silvia não podia contestar de maneira nenhuma.
Perto da décima terceira semana, A Dra. Vanessa veio ao palácio para acompanhar minha gestação. Eu estava nervosa, é óbvio, sempre ficava ao fazer meu pré-natal. Mas hoje era em especial: Maxon estaria comigo. Havia instruído Vanessa a mentir se fosse necessário para que depois, no telefone, ela pudesse me dizer a verdade. A doutora, claro, não concordava com esse meu comportamento, alegando que seria muito mais fácil se meu marido também soubesse; entrava tudo num ouvido e saia no outro.
– Meus parabéns, Majestade.
– America. — Corrigi.
– Seu bebê cresceu consideravelmente de tamanho. Está na medida certa, por assim dizer. — Continuou — Não vejo nada de errado com ele, nada que envolva uma deficiência física. Ele está bem, e acho que a mãe também.
Ela me lançou uma piscadela. Esse era o nosso sinal para dizer que, realmente, estava tudo bem. Suspirei, mal conseguindo conter um sorriso. A mão de Maxon atada a minha suava descontroladamente. Eu ri disso.
– Ele? Quer dizer que é um menino? — Sua voz saia embargada.
A doutora me acompanhou na risada.
– Não se sabe ainda. Talvez lá para o quarto, quinto mês de gestação nós consigamos ver o sexo do bebê.
Maxon suspirou. Agora, sua mão estava tremendo.
– E então, tem algo que eu possa fazer, mais cuidados a se tomar? — Questionei, de repente nervosa.
– Não, só aquelas mesmas coisas de sempre: Não pegar peso, repousar, evitar estresses, alimentar-se de comidas balanceadas... Não se preocupe, se continuar seguindo à risca essas indicações, tenho certeza de que tanto Vossa Majestade quanto seu bebê ficarão bem.
Eu sorri e Maxon beijou minha testa.
Depois da consulta, Maxon e eu voltamos para o quarto. Hoje, por um milagre, ele não tinha reunião com o Conselho. Mas, em compensação, ficou revisando as regras de Illéa, enquanto eu ficava deitada, olhando para o teto, morgando em cima da cama. Era legal estar grávida, saber que está carregando um filho, uma coisinha tão pequena e que você já ama, mas era a parte de não fazer mais nada que me irritava. Agora, Silvia cismava de que eu não podia ficar mais descendo tanta escada e fez com que minhas poucas aulas de yoga acontecessem em meu quarto. Eu já sentia falta do jardim, das rosas silvestres cobertas de geada, da grama sob uma grande camada de neve e das árvores gotejando cristais de gelo. Mas eu amava isso e não reivindicaria minha gravidez por nenhuma temporada ao ar livre.
– America, estava pensando. — Maxon disse se levantando da escrivaninha e se sentando ao meu lado na cama, os papeis em mãos e uma caneta enganchada ridiculamente em sua orelha — Acho que deveríamos voltar atrás em muitas dessas regras aqui.
Eu me aprumei na cama. Finalmente algo em que eu pudesse opinar.
– Veja isso: — Continuou — "Por meio deste está declarado que qualquer homem, mulher ou criança que for apanhado pulando nos bancos das praças das províncias será sentenciado à chicotadas. A quantidade de chicotadas serão equivalentes ao dobro da idade do ou da meliante". Isso é absurdo!
– É sério isso? Quem diabos criou essa lei? — Me espantei. Pular em bancos de praças?
– Quem você acha?
Neguei com a cabeça, completamente abismada. É claro que havia sido Gregory Illéa. Quem mais teria essas ideias ridículas?
– E também tem essa aqui, veja: "Para assegurar que o controle de Castas continue estável e que nenhuma gravidez indesejada atrapalhe esse sistema, relações sexuais só deverão ser permitidas após o casamento. Se por meio de flagrante ou gravidez um casal seja descoberto, ambos os indivíduos arcarão com as consequências de acordo a gravidade da situação. 1. Pena de morte; 2. Prisão por tempo indeterminado; 3. Exclusão do indivíduo de sua Casta de nascimento, passando assim a ser um Oito". Bem, agora que as Castas serão eliminadas, não precisamos mais regular isso, não é? — Maxon deu um suspiro audível ao falar sobre a eliminação das Castas, mas não pude compreender o motivo.
Pensei um pouco sobre o assunto. Essa não era uma regra de todo o ruim. O tempo esperando pelo casamento poderia fazer os jovens repensarem sobre suas vidas. Por exemplo, se essa regra não existisse, eu provavelmente teria perdido minha virgindade com Aspen, o que teria sido o erro que eu, na época, julgaria como a coisa certa a se ter sido feita. E depois, será que eu teria entrado na Seleção? Provavelmente não. Com certeza teria me casado o mais depressa possível com Aspen. Não existiria Maxon... Meu estômago embrulhou só de pensar nessa vida. Ou então, se eu entrasse para a Seleção e me casasse com Maxon, o arrependimento sempre me acompanharia. Não. Sem dúvida alguma, essa era uma regra eficaz.
– Não acho que devamos mudar essa regra. — Opinei. Maxon ergueu as sobrancelhas.
– Achei que você tivesse dito há alguns dias que queria que Illéa estivesse livre desse tipo de regra.
– Bem, eu realmente disse, mas... Pense bem: Guardar-se por mais tempo pode ajudar as pessoas a pensar melhor, afinal, nunca se sabe quando sua vida vai mudar completamente. Evitaria um... erro.
Ele continuou me olhando por um bom tempo com a mesma expressão.
– Isso é sobre você, não é? — Murmurou.
– Também. — Arrastei a palavra.
Ele suspirou.
– Bom, você conhece mais sobre isso do que eu. Viveu lá fora por muito tempo, sabe o que eles pensam e, se acha que essa regra é eficiente, ainda a manteremos.
Depois de passar a tarde inteira revisando leis e regras um tanto quanto ridículas em nosso mundo atual, Maxon e eu descemos para o jantar — Coisa que não fazíamos a muito tempo já que ele passara a sempre pedir nossa refeição no quarto. Comi pouco devido ao meu enjoo, mas, pelo menos não coloquei nada para fora. A gravidez estava sempre me deixando exausta, mas eu não estava com sono essa noite, entretanto. Mas, mesmo assim, fiquei deitada, Maxon ao meu lado, eu com a cabeça sobre seu peito enquanto ele afagava meus cabelos delicadamente. A neve parara há pouco de cair, mas o frio não diminuíra, mesmo com a porta da sacada fechada.
– America? — Sussurrou, mais para ver se eu estava dormindo do que como um chamado.
– Hum?
– Você já andou pensando sobre... nomes? De bebê?
Ele me pegou completamente desprevenida. Embora eu estivesse tendo durante os últimos meses muito tempo de folga, nunca havia pensado no assunto. Sempre que queria me referir a ele pensava em O Bebê. Mas só, apenas isso. Nem um apelido, nem um nome que, de repente, me viesse a cabeça.
– Hum..., não. — Confessei.
– Nem eu. Mas nós deveríamos começar a pensar nisso, quer dizer, você já está se encaminhando para os quatro meses e seria legal se, quando fossemos anunciar a sua gravidez para o povo, já disséssemos o nome, não acha?
Apenas concordei com a cabeça. Ele continuou.
– Bom, se for menina... O que você acha?
– Eu não sei.
– Ah, vamos, America. Qualquer coisa.
Bufei.
– O.k., ah... Kaya? — Foi o primeiro nome que me veio a cabeça.
Ele pensou um pouco, tamborilando os dedos nos lábios.
– Hmm... Estranho. Que tal Carly?
– Bonito. E... Felicity?
– Que nome feliz. — Riu, também me arrancando uma gargalhada — Eayla?
– Quem diabos se chama Eayla? — Rebati, rindo mais ainda.
– Eu sei lá, mas temos que ser originais. Hmm... Agora você.
– Deixa eu ver... Keidlyn?
– Legal e não é tão comum quanto Kaitlyn. Ei, e se misturássemos esses nomes? — Disse, eufórico — Tipo, Eayla e Keidlyn daria... Eadlyn.
Eadlyn. Eadlyn. Até que era um nome bonito.
– Gostei de Eadlyn. — Respondi, começando a imaginar, finalmente, um recém-nascido vestido de rosa.
– Eu também.
– E de menino? — Eu perguntei.
Ele pensou um pouco nisso, as sobrancelhas juntas de concentração.
– Ahy?
Ergui as sobrancelhas.
– Sério? Coitado do bebê! — Brinquei. Ele riu — O.k., ah... Olren? Não, não, não, essa foi péssima...
– Não tanto se misturarmos... Ahy e Olren... Ahren? Tá aí, gostei.
Ahren. Eadlyn. Ahren. Eadlyn.
– Eu gosto dos dois. — Admiti, acariciando minha barriga.
– Então, se for menina será Eadlyn. — Maxon disse.
– E se for menino será Ahren. — Complementei.
Eadlyn e Ahren... Bons nomes para bons reis.
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