The New Royalty
15 Capítulo 15
Notas iniciais
A bile me subiu a garganta mais uma vez, me fazendo empurrar o cobertor par o lado e correr às pressas para o banheiro. Já era a quarta vez que isso acontecia — Só em dezembro. Mas eu não tinha comido nada na noite passada, então não tinha nada para vomitar. Mas, mesmo assim, tentei, agachada ao vaso sanitário, despejar qualquer coisa que estivesse me impedindo de dormir. Forcei a garganta com dois dedos até um líquido amarelado e amargo descer da minha boca, mas era só. Só o que sairia dali era isso, eu tinha que me conformar.
Escovei os dentes o mais depressa possível, tentando por tudo o que era mais sagrado que Maxon não acordasse com os jorros de água barulhentos que saiam da torneira. Em vão, tudo por água abaixo.
– O que aconteceu? Ainda são quatro da manhã... — Perguntou, os olhos apertados de sono, esfregando as mãos no cabelo emaranhado.
– Nada, só...
– Você vomitou?
– Não. — Eu era uma péssima mentirosa.
– Francamente, America, sinto o cheiro daqui. — Ele levantou a tampa do vaso, confirmando suas suspeitas. Tudo o que eu menos queria era deixar Maxon alarmado — O que você comeu no jantar?
– Hum... nada? Mas, ah, deve ter sido a mudança súbita de temperatura, isso sempre acontece comigo quando a temperatura cai inesperadamente — Essa era a pior e mais improvável mentira de todas.
– Tudo bem, então... Quer que eu chame alguém para trazer algum remédio?
– Não é necessário, estou bem, realmente.
Ele concordou com a cabeça, bocejando alto. Nós voltamos para a cama e nos embrenhamos no cobertor. Maxon logo caiu no sono, mas eu não consegui por um bom tempo, bolando na cama, virando de um lado para o outro repetidas vezes, procurando uma posição que não me causasse desconforto. Eu só tinha duas opções reais: Primeira, podia ser mesmo a queda de temperatura, embora fosse muito difícil; segunda, eu podia estar... grávida!
Já era vinte e três de dezembro, um bom tempo depois... depois de todas as tentativas. Nós não estávamos mais usando preservativos, eu deixara de tomar minhas pílulas... Podia ser que tivesse, enfim, dado certo, que, neste momento, eu estivesse carregando um filho na barriga. Mas eu não devia criar muitas esperanças, é claro, e nem falar para Maxon das suspeitas logo. O que eu tinha que fazer era esperar por novos sintomas.
Os lábios de Maxon me acordaram como todas as manhãs, beijando-me todo o corpo. Pareciam-me apenas minutos depois de eu ter apagado, mas havíamos dormido por horas.
– Deixei você dormir mais um pouquinho já que estava tão mal de madrugada. Você está melhor? — Maxon perguntou, e pude notar que ele já estava completamente vestido.
– Hum, obrigada. Estou melhor, sim.
Ele se sentou na beirada da cama, me observando. Já estava ficando levemente constrangida; eu estava assanhada e com a cara, muito provavelmente, amassada e os olhos com olheiras roxas. Maxon continuou me fitando com seus olhos castanhos profundos, e eu já estava ficando maluca com isso.
– O que é?
– Acha que... Acha que dessa vez foi? — Pelo visto, não era apenas eu quem suspeitava disso.
– Não sei, pode ter sido alguma bobagenzinha também. — Confessei, não querendo o fazer criar expectativas.
– Eu sei, mas eu quero tanto...
Eu me pus sentada e repousei a cabeça em seu ombro, acariciando o seu braço enquanto me concentrava na nevasca que caia do lado de fora.
– Sei disso, mas tenha paciência. Na hora certa virá.
Ele se deu por vencido, se levantando sem ser brusco com a minha cabeça em seu ombro, suspirando.
– O.k., você quer que eu te espere se arrumar?
– Não, pode ir na frente.
Ele me deu um beijinho na testa e saiu do quarto, fechando a porta atrás de si. Tomei um banho lento e demorado, adiando o máximo possível do dia exaustivo com Silvia no meu pé. Ensaboei-me três vezes apenas para retirar as espumas novamente. E de novo e de novo. Foi quase impossível não ficar de frente o espelho, analisando milimetricamente minha barriga. Eu podia realmente estar grávida. Podia estar carregando o herdeiro de Illéa dentro de mim. Acariciei minha barriga enumeras vezes, talvez esperando que algo dentro de mim se remexesse, mas nada. Se eu estivesse realmente grávida, estava ainda no comecinho e não começaria assim, tão rapidamente os chutes do bebê.
Bebê. Meu bebê.
Mesmo com essa incerteza martelando em minha cabeça, me vesti e desci as escadarias radiante. Isso tudo era apenas o início da felicidade, apenas o comecinho.
Adentrei na sala de jantar e, mesmo ver Silvia importunando meu maridinho com trabalho e mais trabalho não abalou o meu bom humor. Agarrei Silvia pelos cotovelos, dei um giro dançante, e tasquei-lhe um beijo na bochecha. Maxon também não conseguia esconder o sorriso; juntos, exalávamos alegria para todos os lados do palácio.
Na aula de yoga, eu não podia estar mais concentrada. Já ouvira falar antes que yoga era muito bom para gestantes, acalmava os nervos da mãe e do bebê. Georgia estava mais do que satisfeita com o meu desempenho e me questionou o porque disso.
– Eu vomitei ontem! — Eu expliquei, toda empolgada. Ela torceu o nariz.
– E isso é bom?
– Se é bom? É claro que é. Eu posso estar grávida, não percebe?
Ela me congratulou e me mandou praticar bastante yoga nos momentos livres, eu precisava me manter o mais relaxada possível nos nove árduos meses que eu provavelmente teria de gravidez. Nos afazeres reais, Silvia parecia não querer estragar meu bom humor, não me importunando tanto como era do seu feitio. Li contratos e revisei leis, ajudei Maxon com os projetos para a remoção de novas Castas, e eu não poderia estar mais feliz fazendo tudo isso.
Esse foi o meu primeiro dia como futura mamãe.
Na manhã de Natal, Maxon me acordou com milhões de beijos — E presentes. Me pus de joelhos na cama para abrir um a um e não pude me conter a chorar quando encontrei, dentro de uma caixinha branca, um par de sapatinhos amarelos de bebê.
– Oh, meu Deus, Maxon, que coisa mais linda! — Eu disse — Mas ainda não sabemos se estou realmente grávida.
– Ah, eu sei que está. — Me interrompeu — E eu amo você.
– Eu também amo você.
Maxon me beijou nos lábios e eu enlacei os braços em seu pescoço, puxando-o pela nuca e o trazendo para mais perto de mim — Como se isso fosse possível. Seu beijo quente e doce quebrava a frieza da manhã preguiçosa de inverno do dia vinte e quatro de dezembro. Enfim, véspera de Natal.
Ele desceu as mãos pelos meus ombros, causou-me um leve arrepio na espinha ao segurar-me pela cintura fortemente, e desceu mais ainda as mãos pela minha barriga, cintura, e parando confortavelmente em minha perna. Os apertões que ele deixava ali ficariam como marcas pelo resto da semana, mas eu não ligava. Seus lábios desceram dos meus, passando para a minha clavícula a medida em que seus dedos começaram brincar com a barra da minha camisola de seda, ameaçando a puxar para cima a qualquer instante, seu sorriso gigantescamente malicioso e sua respiração quente me causando repetidos arrepios. Seus lábios desceram mais, estacionando deliciosamente no vão entre os meus seios ainda sob a camisola. E então, para a minha satisfação, ele finalmente decidiu levantar o único tecido, fino e decrépito que ainda me vestia, passando os dedos pela minha barriga novamente e... fazendo meu estômago embrulhar com isso. Senti ânsia de novo, o vômito escalando as paredes da minha garganta.
Quase não consegui chegar a tempo ao banheiro, pondo para fora o jantar da noite anterior completo. Meu Deus, isso não estava acontecendo! Eu estava mesmo, mesmo grávida! Escovei os dentes novamente e, para tirar qualquer resquício de qualquer coisa da minha boca, gargarejei enxaguante bucal. Estava envergonhada por ter estragado todo o momento, mas não conseguia deixar de ficar feliz com a constatação que acabara de ter.
– Podemos continuar de onde paramos, se quiser. — Sugeri quando sai do banheiro.
– Vomitou de novo?
– Foi.
Ele balançou a cabeça negativamente, mas não podia esconder um sorriso por muito tempo.
– Não, nós podemos deixar isso para depois. — Ele tirou da gaveta do criado-mudo uma cartela de remédios — Pedi para Allye ontem a noite por precaução.
Tomei o amargo remédio sem pestanejar. Maxon excitava em sorrir abertamente enquanto eu respirava fundo, tentando impedir de um novo vômito me fazer voar novamente para o banheiro. Ele se levantou da cama, se abaixou diante de mim como quando alguém vai fazer um pedido de casamento e começou a acariciar minha barriga. Ele estava tão feliz, tão contente com tudo isso que eu não tive forças para pedi-lo para não criar expectativas. Nós enfim teríamos um bebê... Meu filho, filho de Maxon, fruto do nosso amor.
– Ei, coisinha.– Ele me surpreendeu falando numa voz robótica - Ei coisinha, fale comigo, coisinha.
– Meu Deus, Maxon, que horror! Se continuar assim ele nunca vai se acostumar com a sua voz.
Ele riu, se levantou e me beijou.
– Por que não faz logo o teste? — Ele sugeriu — Imagine só anunciar para a sua família isso na noite de Natal.
Eu ri. Podia até imaginar os arregalares de olhos, o escancaramento da boca e as perguntas frenéticas de May. "Como? Quando?", ela perguntaria. May era indiscreta, sempre fazia essas perguntas às grávidas que via passeando nas ruas ainda em Carolina.
– Pode ser. — Concordei, dando mais um beijo nele.
Mas não pude esperar para que uma das minhas criadas comprasse um teste, eu tinha que saber logo. E, em menos de uma hora, estava com as palmas da mão suando frio de nervosismo enquanto conversava com Ashlar — Que me indicava uma ginecologista sua amiga. A tal mulher só chegaria ao palácio a tarde, me fazendo esperar uma eternidade pela minha consulta. Então, para matar um pouquinho o tempo, decidi ligar para a minha família, convidando-os para um jantar de Natal. Não excitei também em ligar para Marlee e Carter Woodwork e Georgia e August Illéa.
– E como estão os enjoos? — Georgia perguntou ao telefone.
– Terei a confirmação mais tarde.
– Mal posso esperar.
– Imagine eu.
A tarde se arrastava como uma lesma, me distanciando mais e mais das cinco da tarde. Já estava cansada de roer as unhas, e já tinha feito tudo o que podia para passar o tempo. Organizar a ceia, os presentes, ligar para a família e os amigos, jogar conversa fora com Maxon, tocar piano, violino, cantar... Eu só podia fazer uma coisa, uma coisa que provavelmente acabaria com vinte e cinco por cento do meu bom humor.
Ler o Diário de Gregory Illéa.
Maxon estava no escritório e demoraria um bom tempo para terminar a reunião com o Conselho, eu tinha pelo menos uma hora livre para ler o próximo capítulo do tirano fundador do meu país. Respirei fundo, me levantei da cama e tirei o livro do meu esconderijo secreto — O piano — , me sentei à escrivaninha e comecei a ler.
Sábado/Domingo, 2/3 de outubro.
"Olha, não me leve a mal, não quero ser atirada nem nada, mas vi a forma como olhou para mim hoje durante o jantar, e eu conheço esse tipo de olhar. Muitos já o lançaram para mim, mas isso não vem ao caso agora. O que quero dizer é: Você é me futuro marido e não tenho como escapar de você em nossa lua-de-mel então, se tiver o único e impuro interesse em possuir meu corpo por uma noite, podemos fazer isso já para que você possa me libertar desse matrimônio forçado", foram essas as palavras da Princesa Bethany, sem tirar nem pôr. O que eu poderia dizer? Fiquei horrorizado. O que ela estava pensando que eu era, um reles aproveitador? Ela realmente achava que eu a queria apenas no intuito de tê-la por uma noite? Eu tinha coisas muito mais importantes a fazer com ela ao meu lado, e se eu era um aproveitador, seria do poder. "Sinto muito, Alteza, mas creio que já seja tarde demais para a senhorita estar fora da cama", eu disse depois de me recuperar do nó na garganta. "Você não manda nos meus horários", e, dito isso, ela saiu dos jardins, correndo pelas escadarias.
Eu estava enganado, ela é muito mais intimidadora e persistente do que eu havia imaginado. Tem coragem, sabe chegar ao ponto que deseja. São atributos grandiosos, realmente, mas apenas eu posso ser o detetor deles. Todas essas qualidades na essência de apenas uma jovem é perigoso. Perigoso para o império que estou formando. Ah, será mais difícil agora mudá-la, reprimi-la, mas eu o farei. Se ela entrar na dança, terá que sapatear conforme a música. A minha música.
O despertador tocou, comunicando que já eram cinco horas. Nem percebera o tempo passar lendo a porcaria do Diário. Ainda não conseguia acreditar que Gregory fosse tão seco assim. Estava na cara que Bethany não queria se casar com ele, que ela provavelmente tinha deixado um grande amor na Rússia, e, afinal, existiam vários países e com certeza em algum deles havia uma princesa desesperada para ser rainha.
Deixei de lado esses pensamentos e me concentrei na minha consulta. Arrumei meu cabelo diante do espelho mais uma vez e fui para o grande salão.
– Majestade, há uma médica esperando pela senhorita na ala hospitalar. Eu já estava subindo para avisa-la. — Anastasia comunicou quando nos esbarramos na escadaria.
– Obrigada.
Andei pelos corredores lentamente, nervosa. Mas foi inevitável chegar a ala hospitalar. Meu coração batia tão acelerado que doía na minha caixa torácica, mas eu entrei na grande sala.
– Ah, Majestade. — A médica me reverenciou — Estava a sua espera.
– Boa-tarde.
– Tem algum motivo especial por essa súbita consulta? — Ela quis saber.
– Isso é você quem me dirá.
Ela ensaiou um sorriso.
– Então venha.
Eu a segui pela ala hospitalar até entrar em uma sala mais afastada. Quando entrei, fechei a porta atrás de mim, mal conseguindo regular a respiração.
***
– Que maravilha, Majestade. Um herdeiro para Illéa!
Eu mal conseguia segurar o meu riso, entrecortado, estranho, mas irredutivelmente feliz. Meus dedos tremularam enquanto eu tentava abotoar os botões do meu vestido, me causando uma impaciência logo oprimida pela minha alegria. Eu teria um bebê, estava realmente grávida!
Mas a doutora — Que, agora eu me lembrava, se chama Vanessa — não parecia realmente feliz ou me lançando um sorrisinho contente. Afinal, ela foi a primeira a examinar a futura Alteza Real de Illéa e isso deve ser, acredito eu, uma coisa honrosa. Eu a imitei e, me levantando da maca, me sentei a sua frente apenas uma mesinha de escritório me separando dela.
– Majestade — Ela começou, seu tom de voz era assustadoramente sério, a falta de sorriso em seu rosto a deixando mil anos mais velha — , pode ser que eu esteja errada, mas creio que seja uma gravidez de alto risco.
Eu gelei.
– O que quer dizer?
– Quero dizer que, se eu não estiver com o pensamento falho, Vossa Majestade e o bebê terão dificuldades, podendo chegar a adquirir doenças ou até mesmo a morte antes, durante ou pouco tempo após o parto. — Meus músculos se enrijeceram. Como poderia ser? Eu estava bem, me sentia absolutamente normal, o que poderia dar errado em minha gravidez? Corria risco de morte? Meu bebê também? Mas ele era tão pequenininho... Eu queria chorar, gritar, espernear, mas reprimi esses desejos. Dra. Vanessa via o desespero passar pelo meu rosto e logo pegou as minhas mãos, numa tentativa "amaxonzada" de me acalmar — Contudo, posso estar equivocada.
A forma direta e sem rodeios com que a doutora falava me dava a falsa sensação de tudo isso não passar de um engano, um mal entendido. Será que eu estava escutando certo mesmo?
– E o que pode confirmar suas expectativas? — Indaguei, gélida.
– Nada, não por enquanto. Só o tempo dirá se você terá a probabilidade de passar por dificuldades no parto ou não. Mas depende de você também.
– Como assim?
– Veja bem: quando se está grávida, a mulher precisa passar seus nove meses em repouso, sem estresses e evitando uma série de outras atividades que poderiam prejudicar o bebê — Ela umedeceu os lábios e continuou — , e quando essa gravidez apresenta um grau de risco elevado, a mãe precisa ter repouso dobrado. Então, para evitar que uma situação irreversível aconteça, você terá que se preservar a máximo.
– De que forma?
– Evitando levantar peso, estresse, repousando a maior parte do tempo, se adaptando a uma dieta alimentícia balanceada e, principalmente — Ela abriu uma gaveta e tirou de dentro uma cartela de medicamentos azuis — tomando essas pílulas. Duas vezes ao dia, depois de acordar e antes de dormir. Vossa Majestade precisará abrir mão de muitas coisas, pelo menos pelos próximos três meses, por exemplo da sua vida sexual.
Em outros tempos, em outras situações, eu coraria. Mas eu tinha muito mais coisas com que se preocupar.
– Tome — Ela me deu o seu cartão, com nome, localização e número telefônico — . Se sentir alguma coisa, qualquer bobagenzinha que você acredite ser fora do comum, me ligue que eu virei imediatamente para cá. Se você sangrar, ou sentir mais enjoos do que o normal, não excite em telefonar.
Eu apenas assenti, incapaz de mexer a mandíbula.
– Eu... eu posso ir?
– Pode, Majestade. — Mas ela segurou minhas mãos enquanto e me punha de pé — Por favor, não se desespere. Se seguir direitinho tudo o que eu disser em nossas próximas consultas, tenho certeza de que nada acontecerá a nenhum de vocês dois.
Então eu me levantei completamente da cadeira, cruzando a salinha sem nem me preocupar em me despedir.
– E lembre-se: Tome as pílulas duas vezes ao d...
Fechei a porta, causando um barulho ensurdecedor. Reprimi meu impulso de sair correndo pelo palácio, mas nada podia fazer para parar de chorar. Sentia tudo dento de mim desmoronar a cada passo que dava, meu coração se desintegrava em mil minúsculos pedaços, incapazes de se reagrupar novamente. As lágrimas quentes traçavam um caminho ardente sobre minhas bochechas, a dor lancinante em meu peito pedindo para ser extravasada. Eu queria gritar, me esconder em alguma sala qualquer, me isolar e ficar lá até me acordar desse pesadelo terrível. Meu bebê, a coisinha miudinha que se formava dentro de mim, que crescia mais um milímetro a cada minuto, estaria ele realmente correndo perigo? O que eu tinha feito para merecer isso? Eu o desejara tanto, Maxon estava tão feliz com a ideia de ser pai... Meu Deus, e Maxon? Como eu contaria isso para Maxon? Eu deveria contar? Não, eu não podia. Não lhe obrigaria a compartilhar da minha dor, não quando as coisas estavam indo tão maravilhosamente bem...
Alcancei, enfim, o terceiro andar. Tentei, diante de um espelho no corredor, dar um jeito na minha maquiagem escorrida ou no meu nariz absurdamente vermelho até me lembrar de que Maxon estava, provavelmente, em alguma reunião com o Conselho. Eu teria tempo para me organizar antes de ele chegar. Com uma coragem insana, abri a porta do quarto.
Mas o que eu não esperava era ser surpreendida por Maxon, me agarrando pela cintura e me elevando do chão, me fazendo rodopiar no ar. Ele percebeu que eu estava chorando e me devolveu ao chão. O que eu podia fazer? Eu podia fazer o certo e difícil ou o errado e fácil. Mas eu precisava esconder isso de Maxon, não infligiria dor ao meu amado por uma coisa que eu ainda nem tinha certeza.
– O que aconteceu, America, por que está chorando? — Ele perguntou, mas eu não conseguia responder. Em vez disso, me lancei para o seu peito, o abraçando fortemente, tentando de alguma forma esquecer o que a doutora havia me dito. Mas era em vão; a dor só aumentava mais.
Maxon acariciou meus cabelos, incrivelmente paciente com a minha choradeira, e me abraçou também, tão forte que eu podia ouvir seus batimentos cardíacos através do roupa.
– E-estou g-grávida. — Reuni forças e disse.
Por um momento, seus braços enrijeceram e seu peito, sempre quente, congelou. Ele podia ter se esquecido de respirar. E então veio a alegria. Ele me pegou nos braços, me fazendo envolver seu quadril com minhas pernas, e eu pude praticamente ver o tamanho da felicidade que se refletia em seus olhos. Por um momento, eu busquei sentir essa mesma felicidade que estava até agora camuflada pelo medo e pela dor. E eu consegui. Consegui sentir as ondas frenéticas de alegria que preenchiam meu corpo, a sensação deliciosa que percorria minhas veias. Eu estava quase feliz, quase completa.
– É sério? Está realmente grávida? — Perguntou Maxon ainda descrente.
– E-estou. — Foi tudo o que consegui dizer entre um soluço e outro.
– Então por que está chorando, meu amor? — Seus dedos acariciaram meu rosto vermelho e enxugaram as lágrimas salgadas que ainda desciam dos meus olhos.
Não a verdade, não podia dizer a verdade.
– E-emoção.
– Ah. — Ele arfou, me puxando mais para si. Enterrei meu rosto em seu ombro, buscando apoio, um apoio que eu não podia pedir expressamente em palavras.
– Eu... Eu t-te am-mo. — Conseguir pronunciar uma das poucas verdades do dia.
Senti ele sorrir com os lábios em meu pescoço.
– Oh, America, eu também te amo. Te amo tanto que nem sou capaz de descrever... Você é tudo para mim, meu amor, tudo.
Ele andou um pouco, comigo ainda nos braços, me depositou na cama delicadamente e então se deitou ao meu lado. Não havia malícia em sua ação; ele só queria ficar comigo junto a ele. E que bom que ele queria, pois eu não ia conseguir deixá-lo ir, ficar sozinha com a minha dor porque, por mais que ela tivesse de ser sentida apenas por mim, eu precisava de Maxon para me ajudar, precisava do calor da sua pele e da doçura das suas palavras. Seus olhos castanhos brilhavam intensamente na meia-escuridão do quarto, eu não podia despregar meu olhar dele. Suas mãos tiraram uma mecha ruiva dos meus olhos e seus lábios vieram de encontro ao meu com uma ternura tão súbita que eu não queria deixar de beijá-lo nunca mais. Ele passou a beijar minhas lágrimas, enxugando elas da forma mais doce eu podia imaginar. Seus dedos acariciaram-me o rosto e eu fechei os olhos, tentando me concentrar na parte boa do meu dia.
Fale com o autor