Notas iniciais
Uoi! Eu ia dizer que o capítulo saiu um dia antes do previsto, mas olhei pro relógio e já eram 00:00... Dane-se! O dia só muda quando o sol nasce u.u Tudo bom gente? :p "Obrigadaçu, meu, pelos comentários e tal, valeu? Cês são tudo o que há!" Rá. Não! Eu não acabei de virar uma 'princesa de aba reta'. Nunca! Ok, já enrolei demais, haha.. Beijin e até lá em baixo ^^ P.S.: Sim, eu SEMPRE vou dizer essa mesma coisa u.u

Sábado, 02 de outubro

O que eu poderia dizer sobre a princesa? Vários graus acima da elegância, a beleza comparada a um pôr-do-sol na Tailândia, os olhos tão verdes, tão límpidos que chegavam a transluzir. Era, de fato, a mais bela jovem que eu já havia conhecido. Durante o jantar real, onde a princesa foi apresentada a mim como minha noiva, pude perceber o quão perfeitamente indicada para minha esposa ela era: Culta, graciosa, majestosa e, principalmente, quieta. Era atenciosa ao ouvir tudo o que era dito no jantar, mas permanecia em silêncio, exceto quando a palavra era passada a ela. Eu precisava de alguém exatamente assim, que não se intrometesse no meu trabalho e honrasse o sobrenome que a ela seria dado.

Rainha Bethany Illéa, eis o nome de minha futura esposa.

Quanto ao país, Illéa está se reerguendo tão rapidamente quanto é possível. Faltam apenas sete províncias serem restauradas, a meus amigos e aliados já foram dados cargos de alto poder e Castas mais ricas; a meus inimigos, tudo o que podem fazer é implorar por suas mortes. Castas Seis e Sete já estão abarrotadas de inimigos que vim formando ao longo da minha batalha por Illéa. Até seus últimos descendentes pagarão pelo erro que foi ter Gregory Illéa como rival. "Isso não é justo!" Pois eu digo que é. É assim que deve ser feito; esse é o preço por terem preferido burlar as minhas explícitas regras.

Após o jantar, Bethany marcou um encontro à sós comigo nos jardins, e é para lá que estou indo agora. Contarei tudo quando voltar, é claro.

Os passos no corredor foram ficando mais intensos, e então eu me obriguei a fechar o livro e escondê-lo debaixo da pilha de papeis que eu lutava arduamente para organizar. Maxon adentrou no quarto logo depois, trazendo consigo uma bandeja com nosso jantar. Pouco depois da minha crise de enxaqueca, concordamos em deixar o trabalho de lado por um dia, mas eu não podia adiar mais, não quando Illéa parecia que ia desmoronar sobre nossas cabeças.

– Oh, America, por que tem que ser tão teimosa? — Questionou Maxon, depositando a bandeja na escrivaninha ao meu lado — Você precisa descansar, ainda não está totalmente recuperada de hoje mais cedo.

Sua preocupação comigo era aceitável e até entendível, mas não era por causa de uma súbita enxaqueca que eu poderia deixar meus afazeres — Obrigatórios — de lado.

– Eu sei, mas há tanta coisa para arrumar... — Contestei, os papeis espalhados pelo quarto me dando um nó na garganta.

Tentei voltar ao trabalho, mas Maxon tomou os papeis da minha mão antes que eu pudesse fazer alguma coisa. Eu podia ser teimosa, mas Maxon era campeão nessa arte.

– Prometo que deixarei você organizar tudo isso depois de amanhã. — Disse.

– E por que não amanhã?

– Porque será nosso aniversário de casamento e — Ele jogou os papeis para a cama, mas eles seguiram o rumo desordenado do vento que entrava pela sacada e se espalharam pelo chão do quarto — , se acha que eu vou te soltar por um minuto sequer amanhã, você está redondamente enganada.

Senti um arrepio na espinha da forma como ele falou, pouco antes de ele me beijar. Maxon estava a todo vapor e eu não poderia reclamar disso... Fazia tempo que não via meu marido tão feliz e disposto, não queria estragar isso, mas também não podia parar de pensar no que o tinha feito voltar a se alegrar.

Eu estava contra a parede, Maxon com o corpo colado ao meu, e só aí eu percebi o quanto ele cheirava bem — E que o odor de suor vinha da minha pele. Quase que imediatamente, passei por baixo do seu braço que me prendia à parede, constrangida até a morte. Eu não havia sequer tomado banho hoje, nem lembrava de ter penteado os cabelos.

– O que foi? — Maxon perguntou sem entender, erguendo uma sobrancelha até o cenho enrugar.

– É que, bem — Como eu poderia dizer isso sem me humilhar — , com toda aquela coisa de enxaqueca, eu acabei não — Sussurrei sentindo meu rosto arder no escuro do quarto — tomando banho.

Eu esperava uma piadinha sobre isso, ou até mesmo uma torcida de nariz, mas Maxon riu como se não houvesse amanhã, chegando a se encostar na parede para que esta lhe sustentasse. Seu riso em seus olhos me faziam — Quase que completamente- esquecer o episódio vergonhoso que se passara.

– Acha realmente que eu me importo? Você cheira bem, naturalmente falando.

– Você é nojento! — Acusei e cheirei meu cabelo; era uma mistura sórdida do sal do suor, da água da neve e do perfume de Maxon;

– Só às vezes. Você desperta o pior de mim, sabe — Deu de ombros.

– Bom saber que eu sou uma péssima influência para você. — Debochei e entrei no banheiro.

Só depois de uma boa meia hora de banho foi que resolvi voltar ao quarto. Agora, meu cabelo cheirava a framboesas, e meu corpo, a loção de amêndoas. Quando atravessei a porta, notei que o quarto estava absolutamente transformado. Flores vermelho-sangue davam vida ao quarto pintado em cores neutras e velas em castiçais dourados transformavam o ambiente em um cenário de filme. Sobre uma mesa de canto, que Maxon e eu raramente usávamos para refeições, estavam mais um castiçal e o jantar que ele havia trazido na bandeja. Estávamos num jantar romântico, Maxon com seu terno majestoso exalando elegância e eu... com minha singela camisola de seda rosa. Tudo bem, fui burra por não ter pegue uma roupa mais adequada, mas quando é que eu ia imaginar que meu majestoso marido fosse preparar todo esse jantar de gala para mim?

– Meu Deus, Maxon — Me maravilhei — , para quê tudo isso?

– Para comemorarmos nosso aniversário, é claro.

– É só amanhã! — Maxon estava ansioso demais por isso.

– Não, não é. É daqui a uma hora, então, faça o favor de não estragar tudo e comer todo o jantar antes das doze. — Seu tom era brincalhão, mas eu sabia que ele estava falando sério.

Apontei para a camisola que eu usava antes de Maxon, como um legítimo cavalheiro, puxar a cadeira para que eu me sentasse.

– Se importa em eu usar isso? — Perguntei.

Ele riu, um sorriso malicioso dançando em seus lábios rosados.

– Ah, minha querida, isso estará em míseros farrapos dentro de uma hora.

Eu sorri de volta, me contendo para não corar como uma garotinha inocente.

Enquanto comíamos tudo o que estava na mesas em segundos, eu não parava de olhar para uma caixinha preta de veludo com uma fita prateada sobre o criado-mudo atrás de Maxon. Era meu presente, sem dúvidas... E eu não tinha nada a oferecer para Maxon. Mas o que eu poderia dar para alguém que já tem tudo aos seus pés? Com certeza não mais uma máquina fotográfica...

– Você consegue ser bastante pontual quando quer. — Maxon elogiou quando eu levei a última colherada de torta de amora à boca — Pronta para a segunda parte do presente? Digo, segunda e terceira.

– Maxon, eu não comprei nada par...

– Shhh... — Me interrompeu, se levantando da cadeira e esticando o corpo até pôr um dedo sobre meus lábios — Ter você ao meu lado já é mais que suficiente.

Ele se dirigiu para o criado-mudo, confirmando minhas desconfianças de que a caixinha era me presente. Com a caixa de veludo nas mãos, Maxon voltou até mim e eu me levantei da cadeira, ansiosa pelo meu presente.

– Assim que um novo rei assume o poder — Ele começou, me deixando maluca de nervosismo — , já lhe é permitido verificar e usufruir dos pertences do cofre do antigo rei. Logo depois da nossa lua-de-mel, quando voltamos para Illéa, eu visitei os cofres reais como eu havia sido instruído, mas foi bem rápido. O país estava começando a progredir e eu não queria perder nem um segundo desse progresso. — Ele umedeceu os lábios e continuou — Mais tarde, eu retornei ao cofre afim de encontrar algo que valesse a pena guardar e foi quando eu encontrei isso. — Ele ergueu a caixinha de veludo até as minhas mãos e me entregou — Não foi comprado, provavelmente não vale muito dinheiro, mas tem um valor sentimental gigantesco para você. — E com um beijo nos lábios, ele completou: — Feliz aniversário de casamento.

E, novamente, como num filme, o grande relógio de Angeles soou logo após ele completar o monólogo. Estava curiosa com a tal coisa de grande valor sentimental, então desenlacei a caixinha e abri pouco antes de o relógio completar as doze badaladas. Senti minha garganta secar com o presente e meus olhos marejarem de tal forma que eu não conseguia ver mais nada.

Porque ali, dentro da caixa, estava o colar de passarinho que meu pai havia me dado.

Eu me lembrava ainda do dia em que o tinha dado a um homem para que ele pudesse pagar sua dívida com o Rei Clarkson. Eu nunca mais vira o único presente que meu pai havia me dado, a relíquia que deveria estar comigo na hora de sua morte. Meu pai, morto por um falha nos batimentos cardíacos, havia sumido da minha vida sem me deixar uma única recordação material. Mas agora eu tinha, porque Maxon havia me dado novamente.

– Oh, Maxon! — Ofeguei, tirando de dentro da caixa o meu delicado colar — Por que seu pai guardou isso se tanto me odiava?

– Eu não sei — Ele deu de ombros — , talvez ele não tivesse algo melhor para fazer com ele.

– Oh, meu Deus, oh, meu Deus! Obrigada, mil vezes obrigada! — Exasperei e me joguei sobre ele, o abraçando tão fortemente que poderia chegar até a doer. Ele riu no meu pescoço e fui incapaz de controlar uma série de arrepios.

– Agora, a terceira e mais importante fase do presente. — Ele disse e se desvencilhou de mim sutilmente, buscando dentro de uma gaveta um envelope grande e amarelado.

– O que...

– Abra. — Interrompeu, me entregando o envelope.

Estava nervosa com o terceiro presente, e fiquei ainda mais nervosa quando ele não veio acompanhado de uma série de explicações minuciosas. Meus dedos tremiam quando eu enfim consegui puxar o papel grande e com o selo da medicina sobre o nome do médico: Ashlar.

– Maxon, o que é isso? Que exame é esse? — Agora eu estava apavorada, tremendo da unha encravada do pé até a ponta do fio de cabelo mais longo da minha cabeça.

Ele riu do meu desespero, me deixando ainda mais elétrica.

– Acalme-se, não quero que caia dura no chão. — Zombou, relaxando metade dos meus músculos contraídos — Leia.

Eu segui seu pedido e quase gelei quando entendi que o exame se tratava de saber se Maxon era ou não estéril. Meus dedos tremiam tanto que era difícil conseguir ler, até que Maxon me ajudou, segurando o papel para mim. No final, eu estava extasiada, ainda digerindo as palavras ali escritas.

– Maxon, isso quer dizer que...? — Pedi uma confirmação.

– Sim, America, sim! — Ele gritou, me segurando pela cintura e me elevando do chão, minhas camisola esvoaçando — Eu não tenho problema algum, America!

– Eu sabia, sempre disse isso a você. — Eu também gritava.

E, devido aos nossos gritos e a nossa falta de privacidade, o quarto foi invadido por um guarda que, provavelmente, era iniciante, sua armadura ficava frouxa em eu corpo franzino e baixo.

– Vossa Majestade está...

Maxon jogou a caixa vazia do meu segundo presente bem na cara do guarda, o fazendo cambalear para trás e me arrancando um riso estridente.

– Por favor, não estrague o meu momento. — Ele pediu, me fazendo rir ainda mais. O guarda recuou mais e fechou a porta

Com toda a euforia de Maxon não ser estéril e a certeza dele de que eu também não tinha nenhum problema, nem percebi quando já estava com as pernas envoltas em seu quadril, o calor dos nossos corpos quebrando a frieza do vento de inverno que entrava da sacada. Nossos lábios só se separavam quando, enfim, precisávamos de um pouco de ar, mas era só o tempo de uma nova rodada começar. Ele me pôs no meio da cama, sem desgrudar os lábios dos meus. Maxon fez jus ao que tinha dito: Em um segundo, minha camisola estava sendo rasgada, e no seguinte, ela jazia em farrapos em algum canto do quarto escuro, iluminado apenas pelas velas. Minha nudez não me incomodava mais, não quando Maxon já sabia de cor cada milímetro do meu corpo. Seus dedos percorreram um caminho de fogo pelo meu corpo, do meu pescoço, passando por meus seios e parando febrilmente na minha região do baixo-ventre.

Ele, já descalço, começou uma luta contra os botões da sua camisa ao mesmo tempo em que me beijava doce e intensamente. Precisei o auxiliar com os últimos, mas confesso não ter sido de muita ajuda; todo o meu corpo tremia sob a perspectiva de ter meu marido são novamente, tê-lo feliz ao meu lado pelo resto da vida.

Ele afagou meus cabelos, tirando dos meus olhos uma mecha ruiva, enquanto chutava a calça para algum canto qualquer. Me beijou nos lábios novamente, descendo, como fizera com os dedos, pelo me corpo. Senti um espasmo de desejo se apoderar de mim quando seus lábios roçaram perto demais do meu seio esquerdo, mas eu o fiz parar, trazendo seus olhos intensos e penetrantes para os meus novamente, suas pupilas dilatadas de excitação quase me impedindo de ver sua íris castanha.

– Agora, vamos ao meu presente. — Eu disse, usando a voz mais sedutora que consegui. Ele, sobre mim, esticou um pouco a cabeça e soprou ar na única vela que ainda permanecia acesa.

***

Senti os lábios quentes de Maxon beijar-me o topo da cabeça, descendo pela testa, a ponta do nariz, a bochecha, os lábios, o pescoço, a clavícula, o vão entre os meus seios... Sem sombra de dúvidas, não havia jeito melhor de ser acordada senão este. Meus pés, gélidos do frio que devia fazer do lado de fora, buscaram quentura debaixo do cobertor, mas foi em vão. Devia fazer uns bons dois graus, com sensação térmica de zero, mas eu não me importava, em parte porque bastava encostar-me mais a Maxon para me sentir aquecida.

– Hey. — Ele chamou, a voz sexy de sempre me despertando para um novo dia — Bom-dia.

– Bom-dia.

– Feliz aniversário de casamento. — Ele me desejou de novo e eu me aconcheguei ao seu peito ardente enquanto o frio começava a se fortificar no quarto.

– Você já disse isso ontem.

– E vou continuar dizendo a cada cinco minutos. — Informou.

Eu revirei os olhos.

– Então, o que quer fazer hoje? — Ele perguntou.

– Achei que já tivesse esquematizado tudo para hoje.

– Não, quis deixar isso por sua conta. — Disse.

– Xiiii... Não faço a menor ideia. — Admiti, pensando em que tipos de coisas poderíamos fazer dentro dos muros do palácio.

– Tudo bem, vamos começar pelo café da manhã. Prefere que desçamos ou que eu peça para trazerem ao quarto?

– Trazer para cá.

Ele beijou minha testa e apertou o botãozinho para chamar minhas criadas. Meu coração gelou quando percebi que elas, em breve, apareceriam no quarto e me veriam assim... Não era justo para mim, para nenhum de nós! Eu já estava um tanto quanto habituada com a nossa falta de privacidade, mas isso já era demais.

– Maxon, eu acho que...

Tarde demais; Mary já estava à porta, sem um pingo de rubor no rosto ou olhar acusador. Será que as criadas eram instruídas a, além de não se meter na vida pessoal dos reis, agir naturalmente diante de situações embaraçosas e... constrangedoras? Provavelmente sim porque, quando Mary voltou a fechar a porta, não pude me recordar de malícia alguma em sua expressão. Mas isso não quer dizer que eu estivesse bem e conformada.

– Eu nunca vou me acostumar a isso. — Resmunguei, virando de barriga para a cama, a cara pregada no travesseiro.

Maxon apenas riu da minha patética ação.

– Pois acho bom se acostumar. Podia ser algo muito, muito pior. — Me amedrontou com uma voz assustadora e sugestiva.

Eu gemi no travesseiro na perspectiva de que alguém poderia ter invadido o quarto ontem a noite, em algo muito mais constrangedor. Maxon, provavelmente lendo meus pensamentos, riu mais ainda.

– Não podemos trancar a porta? — Sugeri, ainda com a voz abafada.

– Sinto muito, essas são as regras. Para nossa própria segurança.

Regras, regras... Você é o rei, pode burlar e infringir todas as regras.

– Lembra dos votos na cerimônia de coroação? — Eu balancei a cabeça, afirmando, e finalmente me virei de barriga para cima de novo — Lá eu prometi não abusar do poder.

Fiz uma cara cômica de choque, com direito a mão no coração e tudo.

– Você foi muito burro ao jurar aquilo!

A porta foi escancarada de novo, me fazendo pular na cama e me encolher debaixo dos cobertores. Maxon riu da minha situação o mais discreto que pôde, mas Mary permaneceu impassível, evitando até se concentrar na cena diante dos seus olhos. Era mais fácil para mim assim, sem olhares acuadores ou sorrisos sugestivos. Talvez Maxon estivesse certo; eu podia me acostumar a isso algum dia.

Comemos o café da manhã em silêncio — Tudo estava gostoso demais até mesmo para ser elogiado — e então tomamos um banho e nos vestimos — Não é óbvio? Enquanto Maxon e eu descíamos a escadaria de mármore, Aspen sibilou um "parabéns" quase inaudível. Embora já tenhamos sido namorados e Aspen tenha insistido em ficar comigo mesmo depois de ele mesmo ter posto um fim em tudo, nós éramos amigos. Não do tipo que você conta sobre toda a sua vida — Até porque não precisa já que ele está literalmente vendo a minha vida — , era mais do tipo "Ei, bom-dia! Somos amigos, lembra?". É estranho, sei disso.

Maxon fazia jogo duro, se recusando a me falar para onde estava me levando, mas era quase na cara demais que estávamos indo ao cinema. Eu já estivera lá antes, sabia o caminho... Era quase retardado tentar fazer suspense com isso. A neve que continuava a rodopiar sobre nossas cabeças enfeitava o casaco e os cabelos atrapalhados de Maxon. Ele parecia muito mais informal desse jeito, quase uma pessoa comum de Angeles — Quase, um quase bem grande!

– Maxon, por que não diz logo que estamos indo ao cinema?

Ele me olhou como se quisesse me matar.

– Pelo amor de Deus, America, finja que ficará surpresa quando chegarmos. — E nós continuamos a caminhar.

Os guardas que guardavam a entrada do cinema nos reverenciaram e abriram espaço para que pudéssemos entrar. Maxon correu direto para a pipoqueira, alegando que havia aprendido a usar. Apenas fechei os olhos antes de algum desastre acontecer.

– O que é? Não confia em mim? Sou um pipoqueiro de mão cheia, o.k.? — Disse.

– Eu não falei nada, mas... meu Deus, você colocou milho demais!

Mas já era tarde. Maxon ligou a pipoqueira e o milho imediatamente começou a papocar, transformando-se. Logo a panela da pipoca estava cheia, transbordando para tudo quanto era lado. Corri minhas mãos para a pipoqueira, procurando um botão que a fizesse parar, mas eu nada encontrei. A pipoca quente que pulava batia em meus braços e rosto, lançando ardor para o meu corpo. Maxon e eu começamos a travar um batalha contra as pipocas que estavam nos afogando, mas era tudo em vão, não tinha como parar.

– America, esse troço vai explodir! — Ele anunciou, me puxando para um lugar afastado e me encobrindo com seu corpo.

Dito e feito. Em segundos, ouvi um barulho de estouro, o cheiro de comida queimada subiu e eu tive que abanar a fumaça diante dos meus olhos para poder voltar a enxergar. Ótimo, agora tínhamos pipoca queimada para o resto das nossas vidas!

– Eu... disse... que... era... muito... milho! — Gritei, dando socos no seu ombro. Ele se esquivava como podia.

– Mas pense pelo lado positivo: Poderia ter pegado fogo.

– Você é inacreditável! — Eu não sabia se isso era uma crítica ou um elogio, mas, quando percebi, já estava rindo tanto que meus olhos lacrimejavam.

– Vossas Majestades estão bem? — Um guarda perguntou, entrando no cinema.

– Claro. Só fomos vítimas de um atentado da pipoqueira. — Eu disse, ainda sem conter o riso. O guarda exibiu um meio sorriso diante da situação ridícula e saiu fechando a porta atrás de si.

– Ainda dá tempo de assistir o filme. E nem todas as pipocas queimaram. — Disse Maxon, pegando uma pipoca em cima da poltrona e levando a boca — Só falta sal.

Assistimos o início de um filmezinho de romance, mas logo trocamos para uma comédia que tinha muito mais em comum com nossa situação. Duvido muito que Maxon tenha assistido alguma coisa já que ocupava todo o seu tempo me beijando e dizendo a cada cinco minutos — Como tinha prometido — "Feliz aniversário de casamento". No fim, eu desisti de assistir o filme, dando crédito às tentativas de Maxon de me "seduzir". Filme? O que era o filme em compensação...? Era divertido, e incrivelmente arriscado, podíamos ser pegos a qualquer instante. Mas eu resolvi arcar com as consequências disso.

A noite, Maxon e eu, exaustos da explosão d'A Pipoqueira Maluca e da guerra de neve depois do "filme", dormimos logo, nem esperando para o jantar. De conchinha, com o rosto em meus cabelos, Maxon sibilou um "Feliz aniversário de casamento" de novo e eu apaguei do meu melhor — E primeiro — aniversário de casamento de todos.

– Ei, bom-dia.

Abri os olhos, cheia de preguiça, e fitei a luz amarelada que vinha da sacada. Não havia mais neve, nem céu nublado; parecia bastante com um dia luminoso de primavera, mas com o cheiro de aguado do inverno.

– Bom-dia, Meu Majestoso Marido. — Eu disse, me virando para contemplar a criatura mais bela do mundo

– Pronta para voltar a rotina?

Suspirei.

– Não, mas não temos outra alternativa.

Eu não tinha do que reclamar. Gostava de ser rainha, de ter responsabilidades, gostava até de Silvia azucrinando meus ouvidos com afazeres reais. Eu tinha sorte por ter um maravilhoso marido ao meu lado e de poder ajudar o meu país. Eu não tinha porque chorar, não era para tanto. Desafios eu sempre encontraria a minha frente, só caberia a mim dizer se eles valiam a pena serem enfrentados ou não. E esses eu queria enfrentar.

Notas finais
E entãããããããããããão? Comentem o que vocês acharam (Sou uma mendiga de coments, haha) e façam uma autora feliz :3 Ah, antes que eu me esqueça e encha o saco de vocês com P.S. ::: Amanhã eu vou comemorar meu aniversário (4 dias atrasados pq tinha reserva demais naquela bagaça ;-;) e vai ser num boliche e eu NÃO SEI JOGAR BOLICHE! Então rezem para que eu pelo menos não caia como da última vez em que me atrevi a segurar aquela bola.. kk Beijã1, amo vocês (Só os que comentam u.u) (Mentira..) (Ou não..)