Notas iniciais
Oe *--------------------------------------* Consegui postar no dia certo, tô tão orgulhosa de mim :') :') Tudo bem com vocês? Morreram por esperarem tanto por esses capítulo? Espero que não.. Bom, tudo o que tenho para consolar vocês sobre esse capítulo é dizer: Capítulos melhores virão.. É, vai ter mais sofrimento da America, sofrimento INTEGRAL, o capítulo TODO 3:) Epa, não me bata tão forte assim :p Então é só gente. Beijinho :* Até lá em baixo ⇩ E boa leitura ^^ P.S.: Vocês lembram daquele filme que eu sugeri à vocês? Men, Women and Chidren? Eu assisti o filme e, se você gostou do trailer, NÃO SE ILUDA! O FILME NÃO TEM NADA, N-A-D-A A VER COM O TRAILER! Assim, eu gosto muito de um filme sobre uma crítica social e principalmente sobre o relacionamento familiar, mas odiei o filme. Sei lá, achei o humor negro dele muito forçado. (Essa foi a sinopse sem spoiler) (Essa é a sinopse COM spoiler): Bom, o filme não gira em torno de um único personagem, e sim sobre vários. Tema 1 - Superproteção materna: Brandy é uma adolescente que sofre nas unhas da mãe, pois esta está sempre lendo suas mensagens de texto e manipulando suas redes sociais. Tema 2 - Abandono materno: Tim sofre por ter sido abandonado pela mãe, que foi se casar com outro homem na Califórnia. Tema 3 - Anorexia: Allison é o tipo de garota que sonha em ter o corpo "perfeito" e por isso reivindica sua alimentação por um pedaço de aipo. Posteriormente ela tem relações sexuais com um babaca lá e ela engravida e depois tem um aborto natural por estar fraca e desnutrida. Tema 4 - Material ilícito na internet: A personagem de Judy Greer é fotógrafa e sonha no dia em que sua filha se tornará uma estrela de hollywood (não sei como se escreve isso) e, para satisfazer os poucos fãs da filha, comercializa na internet fotos nuas ou seminuas da filha. Tema 5 - Infidelidade: Don (personagem de Adam Sandler) trai a esposa com prostitutas enquanto sua esposa o trai com homens que ela conhece em sites de relacionamento. Tema 6 - Sexo. SÓ TEM SEXO NESSE FILME TODO! É NA PRIMEIRA CENA, NA DO MEIO E NA ÚLTIMA! SE VOCÊ AINDA TEM INTERESSE EM ASSISTIR, NUNCA VÁ COM A SUA FAMÍLIA (Eu fui com a minha tia, que mais parece ser minha prima, mas mesmo assim... foi tão constrangedor! Tive que fingir que estava com vontade de vomitar para desfocar a atenção do filme!)

Eu não conseguia me concentrar na aula de yoga, parecia que Georgia estava falando uma língua alienígena. Mas não era só ela, já que ninguém ao meu redor me prendia a concentração. Meu aniversário de casamento se aproximava mais e mais a cada dia, assim como o Natal. Já era primeiro de dezembro, a neve já caia lenta e silenciosamente sobre Angeles, engolfando a província na mais bela e cristalina brancura. Era comum ver, pelo televisor, as crianças brincando de fazer anjinhos e até mesmo bonecos de neve. Eu faria, em outros tempos. Mas não agora.

Eu não poderia estar num momento pior no meu casamento. Com Maxon se culpando internamente e as responsabilidades reais, minha vida estava se tornando um completo desastre. E ali estava eu, numa aula de yoga — Em vão — , sem recursos para fazer meu marido feliz novamente, com o coração apertado e segurando as lágrimas. Eu não aguentava mais, não aguentava Maxon se culpar pela minha dificuldade de engravidar, não aguentava Silvia todos os dias me instruindo a sorrir e acenar como se minha vida fosse perfeita. "E ela é, Majestade.", dizia Silvia toda vez que eu questionava sobre isso. Mas o pior de tudo mesmo era saber que Maxon sofria por algo que eu não poderia mudar, eu não tinha como.

– America, você está com a respiração pausada demais. — Georgia reclamou, soltando o ar dos pulmões com tédio e se jogando para trás, ficando com os cotovelos apoiados no tapete colorido — Assim, não dá. Você está excepcionalmente distraída hoje.

– Desculpa. — Era tudo o que eu podia dizer.

Quanto mais eu tentava parar de pensar em todos os problemas, mais eles se faziam presente em minha mente. Dali a alguns minutos, eu estaria liberada das aulas de yoga e as dificuldades do dia-à-dia clamariam para serem ouvidas, e eu tinha que parar para escutá-las. Esses eram meus únicos momentos no dia em que me era permitido não pensar em nada, e eu estava estragando isso, estragando minhas horinhas de paz finita.

Só percebi que estava chorando quando já estava com a cabeça deitada no colo de Georgia. Com minha respiração entrecortada e os soluços exagerados que eu sempre tive, era quase impossível ouvir o que Georgia perguntava. Mas são sempre as mesmas perguntas retóricas; "O que houve?", "O que está acontecendo?", "Você está bem?". Não, eu não estava bem, mas eu conseguiria transformar toda a minha dor em palavras?

– Ei, America, o que houve? — Perguntou novamente enquanto acariciava o meu cabelo.

– T-tudo!

– Defina "tudo". — Pediu.

– Eu não consigo engravidar, Georgia, e isso está destruindo a minha vida. Maxon acha que o culpado é ele, que pode ter herdado alguma anomalia da mãe, mas eu sei que não é. Quer dizer, não pode ser Maxon. — Respirei fundo algumas vezes. Falar era mais difícil do que guardar tudo para si, eu estava aprendendo isso da pior forma — Vê-lo triste e culpando a si mesmo me dá agonia. Eu tenho certeza absoluta de que não há nada, nadinha de errado com ele, o problema poderia até ser eu, mas ele insiste em não acreditar nisso. Eu não estou aguentando, Georgia, vê-lo sofrer é pior do que tudo que eu já passei. É pior que passar fome, pior que ser humilhada por um grupinho de Dois e Três, pior até que a dor de perder um pai.

Transformar a dor e o sofrimento em palavras me deixava mais fragilizada. Eu arfava e soluçava incansavelmente, tentando me apegar a qualquer raiozinho de esperança que eu visse pela frente. Georgia permanecia calada, assimilando minhas palavras um pouco atônita.

– Por que ele acha que o problema é com ele? — Dentre tantas perguntas difíceis que eu esperava que ela fizesse, ela me veio com a mais fácil — E você, por que acha que o problema é contigo?

– A Rainha Amberly teve problemas para engravidar e ele acha que herdou isso dela. E comigo é porque eu acho que é a única opção viável. Maxon é perfeito, não há nada de errado com ele, eu tenho certeza disso. — Expliquei quando estabilizei a choradeira.

– Você quer dizer "perfeito" fisicamente falando?

Eu corei, é claro, mesmo sem ela ver meu rosto.

– É, mais ou menos.

Ela respirou fundo e eu busquei forças dentro de mim para não recomeçar a chorar.

– America, não é porque ele é perfeito fisicamente que não há alguma anomalia em seu organismo. — Disse, tirando algumas mechas de cabelo do meu olho. Me pus sentada imediatamente, a olhando como se ela fosse louca.

– O que você está sugerindo?

Mordendo o lábio inferior de apreensão, ela respondeu:

– Eu sei lá, talvez... impotência?

Minha boca se escancarou comicamente com tamanha acusação. O que ela estava pensando? O que ela estava insinuando?

– MAXON NÃO TEM IMPOTÊNCIA! — Eu gritei, me pondo de pé e começando a andar de um lado para o outro na grande academia — Quando lhe contei tudo isso eu buscava a sua ajuda, e não que você colocasse mais pilha na minha cabeça!

– Desculpe, não sabia que ia reagir assim, mas pode ser isso. — Defendeu-se.

Esfreguei minhas mãos no rosto, desejando que tudo isso não passasse de um pesadelo. Minha raiva por tal acusação se tornava maior até mesmo que a minha dor, mas não estava reclamando disso. Minha dor havia sido diminuída... Eu devia um "obrigada" à Georgia, ou ela me devia um "mil desculpas"?

– Acho que eu saberia se meu marido tivesse impotência, não? — Disse com um tom carregado de sarcasmo.

– Nem sempre, pode ser algo interno.

Eu explodi com isso como uma criancinha, batendo meus pés no chão e chutando o ar até meus pés doerem.

– Não é Maxon, o.k.? Eu tenho certeza disso!

– America, você não tem como sa...

– Ah, olhe, já acabou a aula. — Apontei para o relógio de parede, um sorriso debochado nos lábios — Até mais, professora.

E sai apressada da sala de vidro. A cada passo que eu dava, o palácio parecia se distanciar mais e mais, transformando meu caminho em algo tortuoso. Tudo bem que Georgia não conhecia Maxon como eu, mas, se não tinha algo bom para dizer, que ficasse calada. Tudo o que eu mais precisava no momento era de um travesseiro para abafar meus gritos de ódio, mas eu não o teria até a noite, pois, assim que adentrei no palácio, fui recebida por uma Silvia enérgica, segurando papeladas e mais papeladas.

– Ah, que pontualidade! — Elogiou com um sorriso de orelha à orelha — Vamos, Vossa Majestade tem quinze minutos para tomar banho, vestir uma roupa apropriada, comer seu lanche da manhã e iniciar as atividades diárias.

Eu apenas assenti, tentando esconder meu rosto inchado e vermelho com meus cabelos, e subi as escadarias. Mas o destino não foi meu quarto, e sim o escritório de Maxon. Sempre tivera o costume de vê-lo antes das obrigações diárias apenas para desejá-lo um bom-dia, mas, agora, eu precisava vê-lo para saber se ele estava bem. Só assim o meu dia se iniciaria certamente.

– Maxon? — Chamei, batendo à porta. Um "entre" fraco já fez tudo dentro de mim esmorecer.

Maxon estava como sempre, inclinado na poltrona, lendo ou assinando em algum documento importante. Seu altruísmo o obrigou a sorrir ao me ver e a se levantar para me beijar, mas seus olhos opacos nunca mentiam. Pelo visto, este seria mais um dia difícil para nós.

– Como está, meu amor? — Quis saber, sorrindo.

Péssima, é claro! De que outra forma poderia estar?

– Bem, muito bem. — No fim, eu acabei por descobrir que eu também era altruísta — E você?

– Ótimo, Illéa não poderia estar mais animada com o fim da Casta Sete e a proximidade do Natal.

– Eu perguntei você, e não Illéa.

Sua garganta se contraiu com essa minha observação. Ele ainda conseguia ser o homem mais sexy do mundo mesmo tão preocupado.

– Estou bem também. — Sua resposta seca me fez calar.

– Tudo bem. — Eu disse.

– Tudo bem. — Ele concordou.

Parecíamos dois estranhos naquele momento, fitando as paredes e o teto para que lágrimas não escorressem dos nossos olhos quando eles se encontrassem. Busquei as horas em seu relógio de pulso e então lhe dei um novo beijo nos lábios. Não houve mais trocas de olhares ou um incentivo em palavras para o longo dia que se seguiria; eu apenas saí, Maxon voltou para a sua poltrona e eu fechei a porta atrás de mim, finalmente me permitindo chorar descontroladamente.

Guardas não faltaram para me socorrer, mas eu dispensava todos apenas com um sinal de pare com a mão. Sua Majestade se desfazia em lágrimas quentes que escorriam uma atrás da outra pelas bochechas vermelhas, enquanto um batalhão se formava ao redor, todos dispostos a ajudar. Alcancei meu quarto uns bons dez minutos depois, apenas segundos antes de Silvia me procurar, com raiva pela minha demora.

– Majestade, a senhorita precisa ler esses termos sobre o fim da Casta Sete, ainda tem que começar a organizar a festa de Natal das trinta e cinco províncias, não pode ficar deitada na cama o dia to... Oh, Majestade, o que houve? Por que está chorando?

– Me deixe em paz, Silvia, apenas me deixe em p-paz! — Exigi, deitando minha cabeça num travesseiro para que ele abafasse os meus gritos.

– Majestade, vou deixar os papéis em sua...

– Já falei para me deixar em paz!

Ela escapou do quarto pouco antes do travesseiro a atingir, fazendo com que ele fosse arremessado na porta de madeira. Nem cinco minutos depois, minhas criadas chegaram no quarto, me roubando o pouco tempo de paz que eu havia conquistado a força. Mary não me fez perguntas — Provavelmente Silvia a alertou sobre isso — , mas Allye e Anastasia não hesitaram em fazer suas perguntas retóricas.

– Apenas não falem n-nada. — Pedi enquanto sentia meu corpo se desmanchar de agonia.

Eu estava perdendo tudo. Estava perdendo Maxon, estava perdendo minha confiança e minha sanidade. Precisava fazer algo a respeito, tinha de tentar sustentar meu casamento com mais força, me prontificar para apoiar Maxon. Mas, se eu não tinha forças nem para me ajudar, como poderia ajudar meu marido? Eu não sabia as respostas para nenhum dos meus questionamentos, então apenas tentei deixar minha mente vaga enquanto assistia os belíssimos flocos de neve aterrizarem na sacada e o vento frio e cortante de dezembro me levar para um mundo sem dor e nem preocupações.

Já devia ser umas seis e meia da tarde quando acordei. A neve parara de cair, o frio cortante se fora, assim como as minhas criadas. Pesadelos inundaram meu sono, me tirando a tranquilidade que eu tanto ansiava. Eu achei que seria bom acordar, que melhoraria. Mas isso não aconteceu. E, com isso, descobri que não há alívio nenhum ao se acordar, e que os pesadelos são até melhores do que a vida real. A vontade de chorar já se foi, simplesmente não haviam mais lágrimas dentro de mim para serem derramadas. A cor roseada do céu me chamava para ser assistida, mas eu a ignorei, passando direto para o banheiro.

Eu parecia um esquilo coberto de picadas de abelhas, só que sem pelos no rosto. As bolsas sob meus olhos e a vermelhidão do meu nariz me deixavam quase cômica. As dificuldades para esconder tudo isso sob uma grande camada de massa corrida — Também chamada de maquiagem — se seguiu até o céu escurecer e a neve voltar a cair em flocos elegantes.

Quando Mary, Allye e Anastasia vieram ver como eu estava, senti vontade de chorar novamente. Eu havia sido grossa com Silvia, havia dado vexame na frente das minhas criadas e pagado papel de idiota na frente dos guardas. Ótimo, agora é que minha vida desandou de vez!

– Estou bem melhor, obrigada. — Respondi o mais serena possível.

Com grandes sorrisos, as três ajeitaram meu cabelo e me deram um vestido para usar. Pouco antes das oito da noite, Silvia veio me buscar para o jantar. Estranhei isso já que sempre fora Maxon quem me buscou para o jantar, mas eu fui com ela. Não era uma má ideia, eu teria a chance de pedir desculpas à ela.

– Silvia, me perdoe por hoje mais cedo. — Eu pedi, ligeiramente envergonhada.

– Vossa Majestade deve ter tido seus motivos, não me deve perdão. — Seu sorriso era tão genuíno que eu cheguei a sorrir também.

O jantar foi silencioso e, embora Maxon insistisse em seu teatrinho de "Está-tudo-bem-meu-amor", eu me sentia mais desajustada ainda. Maxon não estava ajudando muito mascarando o que sentia e eu provavelmente explodiria se não conversasse com ele a respeito. Mas não aqui, não agora, não em um lugar cheio de guardas e criados.

Maxon esperou até eu terminar meu mousse para enfim subirmos ao nosso quarto. As criadas, por sorte, haviam trocado a roupa de cama que estava coberta de lágrimas e secreção nasal — Catarro. Nós trocamos de roupa e eu limpei metade da maquiagem, só a sombra, rímel, delineador e batom, deixando a base, o pó e o corretivo para esconderem meu inchaço. Me deitei na cama, ao lado de um Maxon aflito e recomecei a chorar, deixando a massa corrida escorrer do meu rosto.

Quase instantaneamente Maxon me abraçou e eu senti o alívio e a proteção de estar envolvida em seus braços. Queria ficar assim para sempre, apenas apreciando Maxon em seu estado mais natural, ouvindo as batidas do seu coração e suas mãos hábeis acariciar a minha pele e os meus cabelos.

– Não se culpe tanto, Maxon. — Pedi entre um soluço e outro — Você não tem noção de como sua autoflagelação está me matando!

Ele respirou fundo, seu peito descendo e subindo no ritmo das batidas do seu coração.

– Eu não queria, America, realmente não queria que você se sentisse tão mal. — Sua voz, carregada de pesar, me desintegrava em mil pedacinhos.

– Pois, por favor, pare! Pare de tomar a culpa apenas para você, pare de me torturar tanto assim.

Ele respirou fundo mais algumas vezes, percebi que ele estava se segurando para não chorar, e então disse:

– Eu preciso saber se eu tenho ou não alguma anomalia que me impeça de lhe engravidar.

– Eu já falei que você não tem!

– Não, você não tem como saber. — E, se pondo de pé e vestindo um robe preto, ele me deu um beijo nos lábios — Eu preciso descobrir, America, preciso saber a verdade. E eu vou buscar ela.

Ele saiu do quarto, fechou a porta atrás de si e me deixou sozinha com a minha dor e a minha mais nova dúvida; o que Maxon foi fazer e por que eu não posso saber?

Notas finais
Bem, tô cansada de escrever aquela sinopse do filme, então... Espero que tenham gostado do capítulo, que comentem e favoritem e acompanhem e tal e que PELO AMOR DE DEUS NÃO VÃO COM AS SUAS FAMÍLIAS ASSISTIR MEN, WOMEN AND CHILDREN! Beijin e tchau :*