Notas iniciais
Hooooooe *-----------------* Tudo bom?? Como prometido:::::::::::::::::::::::::::: Cenas tristes virão 3:) Ai, não fiquem muito p*tos comigo, vai... Sou apenas uma pessoa querendo destruir os sentimentos de vocês :3 Beijinho e boa leitura ^^ :* P.S.: Algum de vocês já assistiu "Men, Women and Children"?? Tô simplesmente in love com o trailer desse filme *--------------------------* Ele é um filme de comédia dramática que retrata as diversas histórias comuns nas famílias de hoje em dia; o quanto a tecnologia separa as pessoas próximas, modifica os relacionamentos amorosos e etc. Pelo o que pude ver, cada personagem vive um drama familiar, como por exemplo a personagem principal tem que lidar com a proteção exagerada da mãe que acredita que tudo é perdição mundana e que a internet é o caminho para o inferno. Além disso, o filme vai tocar em temas delicados como a anorexia, o uso de drogas, a infidelidade e a proliferação de material ilícito na internet. É bastante interessante porque mostra como sabemos pouco sobre as pessoas que amamos.. Vou assistir amanhã *---* #ansiosa... Quem se interessar pelo trailer, o link ta aí: https://www.youtube.com/watch?v=zCb8tIQkWfo .

Quinta-feira, 18 de setembro.
Estavam todos lá quando eu cheguei. Bem, quase todos. A celebração acabara de começar e eu já implorava internamente para que acabasse. As poucas pessoas que sobreviveram estavam todas diante de mim, correndo seus olhos carentes pelas minhas vestes de tecido rico. Eles clamavam por mim, meu nome ecoava pelo nada que eu já chamava de Illéa.
Gregory, Gregory, Gregory... Todos gritavam em uníssono. Esse era o início de uma vida, início de uma era de um povo castigado. O meu início.

O tempo para comemorações acabou quando o sol começou a despontar no céu. Ali, no meio da destruição, eu pude perceber o quão fraco o país estava. Ele precisava de alguém que governasse-o, alguém que tivesse a competência para lucrar sobre um povo sem se tornar detestado por eles. O país precisava de mim. Afinal, quem odiaria aquele que salvou o país da ruína total, da guerra inconsequente? Eu só precisava ser rei, do tipo, um rei por direito. A princesa russa teria de aceitar meu pedido de casamento já que a Rússia nos devia algo; esse "algo" logo seria cobrado. Pouco me importa se o país ficará sem governantes, pouco me importa se eu trarei uma inimiga para o meu time, pouco me importa se eu nem sequer seu nome sei. Eu terei poder, governarei o lugar que me pertence por direito.

Illéa, o país que ressurgiu da cinzas.

Domingo, 21 de setembro.

A situação catastrófica do país está se tornando mais amena. A princesa chegará em dois meses para o noivado, a tempo de presenciar a inauguração do palácio real de Illéa. Casa Branca? O que é isso comparada a magnificência da minha mais nova morada? Ela abrigará apenas puros-sangues reais, qualquer um abaixo disso, qualquer um que não tiver uma correnteza vermelha real sob as veias será classificado como mero criado. Jossy, o último arquiteto vivo de Illéa, está fazendo um trabalho de mestre no que antes era o nada. Agora, operários estão tirando do papel toda a beleza que Jossy pôs, criando um cenário único para um homem único — Eu. Quer dizer, o palácio não é tão único assim já que, por falta de tempo, foi completamente inspirado no Palácio de Buckingham, a antiga morada real dos britânicos. Mas quem se importa com plágios? A Família Real Britânica já foi completamente dizimada mesmo durante a Quarta Guerra. Ninguém notará esse pequeno deslize.

O Estado Americano da China não tinha aliados fortes, mas os países estão se mobilizando para nos ajudar agora. O mundo está diferente. Depois de tanta guerra e destruição, as pessoas caíram em si; guerras não adiantam nada se um país não tem o quê oferecer. Nenhum tem mais. O petróleo, a água potável, o ouro... O que restou de tudo isso? O que foi deixado para as gerações que viriam? Nada. Então, se no futuro as coisas voltaram a se repetir, para que houve a guerra? A primeira, a segunda, a terceira, a quarta... Pelo quê será a quinta? Haverá uma? Haverão motivos para guerrear mais uma vez?

Voltando ao país: O que restou da Austrália, Escócia e Grécia está nos ajudando a reerguer. Operários, construtores civis e toda a mão-de-obra necessária para reconstruir o país vem desses lugares. Talvez em dois anos, tenhamos um novo país. Não pretendo ser um rei injusto, mas também não pretendo não burlar as regras humanas contra a corrupção. Eu terei o que me cabe, eles, o que os cabe. Divisões serão feitas para que ninguém receba mais do que merece. Essas divisões não se aplicarão apenas aos de agora; as gerações futuras também serão da mesma classe social que seus antepassados, recebendo assim o mesmo que seus tataravós receberam.

Já tenho até um nome formado em minha mente. Castas.

Quarta-feira, 08 de outubro.

Quem diria que daqui a dez dias Illéa vai completar um mês de nascença... O país está progredindo tão rapidamente que nem vejo o tempo passar. Meu casamento está se aproximando também, mas, por mais incrível que possa parecer, não estou nem um pouco nervoso. Sinceramente, por que estaria? Andei conversando sobre isso com Jossy, o arquiteto que vem sendo a única pessoa que me entende. Ele diz que compreende minha falta de estase; eu não conheço a princesa, não tenho o interesse de conhecê-la... É como um casamento arranjado, algo de fachada. Não tem como florescer amor de um casal como esse, talvez eu nem deva nos chamar de "casal". Mas, afinal, o que é o amor senão um atraso de vida? Imagine só o que uma paixãozinha poderia fazer com tudo o que eu já conquistei até aqui, tudo o que ainda vou conquistar. Se nutrir algum sentimento por mim mais forte do que respeito, a princesa que me desculpe, mas eu não cairei em uma cilada como essa. Seremos um casal na frente do povo, e nos ignoraremos diante de nós mesmos. É assim que tem que ser se eu quiser conquistar o mundo todo.

Terça-feira, 21 de outubro.

Enfim, um mês. Pouquíssima coisa falta-se fazer no palácio, os móveis luxuosos serão entregues no país ainda esta semana. Ninguém no mundo pode estar mais feliz do que eu, feliz não, orgulhoso. É, é esse o sentimento que nutro por minha pessoa.

Como prometido à população, hoje foi o dia em que as Castas começaram a valer. Fui incumbido por mim mesmo de dividir os dois mil e quinhentos habitantes em oito Castas, cada uma de acordo com a profissão. As regras para as Castas são bem claras e não há outro local onde eu queira gravá-las senão aqui, no meu mais promissor projeto: O diário que um dia virará um livro, que servirá de inspiração para os futuros governantes, para que eles jamais se esqueçam de onde tudo começou, de onde o sobrenome Illéa se tornou conhecido.

As Castas:
.Casta 1 — Realeza e Clero.
.Casta 2 — Celebridades, políticos e oficiais.

.Casta 3 — Professores, filósofos, escritores, cientistas, médicos, veterinários, dentistas, arquitetos, bibliotecários, engenheiros, psicólogos, cineastas, produtores musicais e advogados.
.Casta 4 — Fazendeiros, joalheiros, corretores de imóveis e de seguros, chefes de cozinha, mestres de obras, proprietários e donos do próprio negócio.

.Casta 5 — Artistas não famosos: artistas plásticos, músicos, cantores, pintores, escultores, atores e dançarinos.

.Casta 6 — Secretários, serventes, governantas, costureiras, balconistas, cozinheiros e motoristas.

.Casta 7 — Jardineiros, pedreiros, lavradores, pessoas que limpam calhas e piscinas e trabalhadores braçais.

.Casta 8 — Pessoas com deficiência, viciados, fugitivos, indigentes, mendigos e pedintes.

Houveram reclamações por parte dos desocupados, é claro. Eles queriam que cada qual seguisse a profissão que quisesse, mas não é assim que é para ser. Quando as pessoas têm o poder de escolher, elas escolhem errado, e é por isso, pensando no bem de todos — É claro — que eu facilitei suas vidas, eliminando uma porção de possibilidades para que tudo fosse o menos burocrático possível.

As trinta e cinco províncias já foram todas definidas por nome e região. Em Angeles — A capital — , Allens, Baffin, Dakota, Calgary, Likely, Labrador e Kent as construções já acabaram. Casas, escolas, hospitais, farmácias, lojas, calçadas, avenidas... Tudo está completo. As pessoas, divididas cada quais em suas Castas, já tomaram posse de seus locais de trabalho. Organização, cooperação, justiça; tudo isso está gravado em suas mentes. Essas pessoas, até seu último suspiro, me reverenciarão. Sou seu líder, seu herói, seu rei e esta é a forma como governo. Qualquer um que descumpra a minha lei estará sentenciado à pior das penitências.

A morte.

Com um baque, eu fechei o livro, arfante. Gregory era um monstro, disso eu tinha certeza. A forma como ele lidou com a divisão das Castas, sua performance fria quanto ao povo, tudo isso me trazia a mente as memórias ruins de quando eu era uma Cinco. Uma Cinco que precisou trabalhar desde cedo para que sua família não morresse de fome, uma Cinco que deu suas migalhas de comida à irmã mais nova para que ela não sofresse tanto. Não fora Clarkson, tampouco Amberly e Maxon, fora Gregory. O culpado da fome fora ele; o culpado da desigualdade fora ele; o culpado das minhas memórias ruins de infância fora ele.

Era difícil ainda relembrar os maus bocados que eu já havia passado, mas eu tinha que prosseguir com a leitura do Diário se eu quisesse desvendar todos os mistérios do meu país. Mas não hoje, não agora. Me levantando da cadeira, eu saí da biblioteca, trancando-a novamente com os dígitos do teclado, o livro debaixo do braço. A escadaria, por sorte, ainda estava vazia já que era a hora do almoço e momento em que as trocas de turnos dos guardas estavam acontecendo. Como um raio, desci todos os degraus, dobrei todos os corredores e cheguei ao terceiro andar a tempo de poder esconder o livro dentro do piano. Maxon não tocava ele, só quem o usava era eu então me parecia o lugar mais seguro a se guardar o Diário. Foi só eu fechar o piano que Maxon entrou no quarto, os olhos percorrendo o ambiente até finalmente me encontrar.

– Ah, America, te procurei pelos corredores quase que a manhã toda! — Ele reclamou — Onde esteve?

– Na aula de yoga, claro. — Abusei da obviedade na voz.

– E depois?

– No... quarto? — A confiança em minhas palavras se dissolvia a cada pergunta mais específica.

– Mas eu te procurei aqui tamb... Ah, deixa para lá. — E, me abraçando, ele disse — O almoço já está sendo servido, você vem?

Eu assenti com a cabeça, o peso da mentira sobre minhas costas me soterrando.

As semanas se passaram num borrão de luz; num momento eu estava no jantar e dois minutos depois já era de manhã. O progresso para a abolição da Casta 7 corria a todo vapor. Maxon sempre me dava as notícias já que os deveres de rainha começavam a se mostrar presentes diante de mim. Silvia era sempre pontual ao me buscar para as aulas de yoga e eu passei a ver as minhas criadas mais vezes por dia já que eu precisava de pelo menos dois dias de preparação para o Jornal Oficial de Illéa. Todas as sextas-feiras, passamos a nos reunir no foyer do palácio para as transmissões. Eu, é claro, evitava ao máximo falar já que parecia que um nó se formava em minha garganta a cada tentativa.

– Vossa Majestade, Rainha America tem algo a completar? — Gavril perguntou, um sorriso superficialmente branco em seu rosto.

Completar? Completar o quê? Eu nem sequer sabia do que ele estava falando, então apenas balancei a minha cabeça negativamente e disse, fazendo força para minha voz não embargar:
– Isso é tudo.

Isso é tudo... Isso é tudo o quê?

E assim era a minha rotina: Café da manhã, yoga, papeladas para assinar, reuniões do Conselho, preparações para o Jornal, dormir. Café da manhã, yoga, mais papeladas e mais reuniões... Desde que pegara o livro da biblioteca, eu ainda não tinha tido tempo de ler mais — Bom, isso não é totalmente verdade; tempo eu tinha, mas eu o usava para dormir. Maxon se mostrava sempre cansado, enfadado do trabalho e ansioso pela abolição de uma nova Casta. Eu sentia que devia contar para ele que eu tinha pegue o livro, que eu queria aprender mais sobre Illéa, mas o que eu podia dizer? Ei, Maxon, eu dei uma bisbilhotadinha no Diário de Gregory Illéa porque se eu for esperar explicações suas é capaz de eu morrer de velhice! Não, talvez o melhor fosse me manter em silêncio mesmo.

Como se já não bastasse todas as confusões do dia-à-dia, ainda tínhamos uma nova preocupação: filhos. Meses se passavam rapidamente e, sempre no início de um, Maxon e eu esperávamos pelos primeiros sinais — Menstruação atrasada, enjoos sem explicações e vômitos por coisas bobas — , mas eles nunca vinham. Eu sentia como se devesse dizer algo à Maxon, pedir desculpas, mas ele sempre me parava, dizendo que estava tudo bem e que não iríamos desistir assim tão cedo. Mas eu sabia que algo estava errado com ele. Sabia no fundo do meu coração que Maxon se sentia mal por tudo isso, que ele se culpava internamente.

Maxon sempre foi altruísta, pensando primeiro nos outros para depois pensar nele mesmo. Ele tentava a todo custo esconder sua frustração e sua tristeza, pois sabia que isso me deixaria mal, me colocaria para baixo, mas eu tinha meus meios de saber quando ele estava assim. O melhor sorriso que Maxon tinha não era aquele torto e malicioso que dançava em seus lábios, e sim aqueles que traziam brilho aos seus olhos. Seu mar castanho era o mais hipnotizante de todos quando sorria, eu não conseguia despregar meus olhos deles. Quando triste, mesmo com o maior dos sorrisos em seus lábios, seus olhos ficavam sem brilho, sem vida. E era assim que seus globos de chocolate estavam desde o primeiro alarme falso de gravidez.

Numa noite, pouco antes de virarmos cada um para seu lado e dormirmos, Maxon me veio com a pergunta que não parava de martelar dentro da minha própria cabeça:
– Acha que o problema sou eu? Acha que herdei isso da minha mãe?

Sim, eu já havia pensado nisso, mas eu calava minha mente toda vez que isso me engolfava. Não podia ser Maxon, ele era... perfeito! Não havia nada, nenhum indício de anomalia aparente, era simplesmente impossível que fosse ele. O problema poderia ser vários, poderia ser eu, poderia ser a ansiedade por um filho... Mas ele, não.

– Vamos continuar tentando, Maxon. — Eu o tranquilizei. Ele percebeu a minha fuga de conversa.

– Você também acha. — Constatou, se sentando na cama de uma vez e levando as mãos a cabeça. Maxon nunca perdia o controle e ver ele assim, tão perturbado, fazia meu coração se desintegrar em míseros pedacinhos — Se não puder te dar um filho, eu nunca vou me perdoar.

Eu o calei com um beijo antes de ele continuar com tudo isso. Parecia ridículo pegar suas mãos — Como ele sempre fazia comigo — já que eu tremia, mas eu o fiz e procurei dentro dos seus olhos pelo menos um fiozinho de brilho que eu pudesse me apegar para não me debulhar em lágrimas. Mas eu não via nada, nem sequer meu reflexo.

– Maxon, pode não ser você, pode ser...

– Você? — Completou sarcástico, dando um risinho que mais parecia uma tossida — A probabilidade de ser você é mínima comparada à minha!

– Como você pode saber? A genética é uma coisa que pode pular gerações e mais gerações. Pode ser que a minha tataravó tenha tido dificuldades e eu tenha herdado isso dela. Não se culpe tanto, não exija muito de você. — Eu toquei seu rosto, tirando dos seus olhos mechas de cabelo loiro. Seu sofrimento era o meu sofrimento e, nesse momento, eu não conseguia aguentar de tanta dor — Nós teremos um filho, nem que tentemos todos os dias. Nem que tentemos agora!

Ele balançou sua cabeça negativamente, mordendo o lábio inferior de apreensão.

– Não quero que se sinta obrigada a isso apenas porque "temos" que ter um filho. — Ele confessou, e essa foi a sua vez de segurar minhas mãos.

Eu o puxei pelos ombros até já estarmos deitados novamente, ele sobre mim, apoiando as mãos na cama para que seu peso não caísse completamente sobre meu corpo.

– Não, Maxon, eu quero porque eu quero, não por obrigação. — Eu disse, tentando abrir um sorriso verdadeiro.

Ele sorriu, mas eu vi aquela coisa novamente, aquela coisa que me dava angústia e me deixava desmotivada. A falta de brilho, a opacidade de seus olhos... Eu não via a mim mesma, eu não via o amor que ele tinha por mim, não conseguia distingui-lo em meio a tanta dor, penúria de si mesmo. Eu não via nada, apenas os olhos de alguém que se culpava por algo inculpável pouco antes de ele me beijar.

E nós realmente tentamos, mais uma tentativa falha do mês.

Notas finais
~Le eu sendo espancada por vocês~ Eu sei, gente, eu sei que estão p*tos comigo... Mas vai melhorar, tudo vai melhorar (Só não no próximo cap 3:) ) Amo vocês, mesmo vocês querendo me estrangular como o Peeta fez com a Katniss (OPS! SPOLER!) :3 :3 Então, só isso mesmo, hu3hu3 ^^ Beijão e aé o próximo capítulo