The New Royalty
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Abandonei o palco, esfregando minhas palmas banhadas de suor no vestido. O fim da Casta Oito acabara de ser oficializado com uma declaração oficial de Maxon para toda Illéa. O país estava em festa, ainda era possível ouvir o rugido da multidão enquanto éramos designados para os carros que nos levariam de volta ao palácio. Agora tudo ficaria mais fácil. Uma Casta a menos com que se preocupar.
Maxon, radiante por ter presenciado a felicidade extrema de seu povo, não soltou minha mão nem por um segundo sequer durante todo o trajeto pelas ruas de Angeles apinhadas de gente. Silvia, minha antiga mentora na Seleção, também estava no carro conosco já que fora encarregada de me auxiliar em minha primeira aparição pública após o casamento. Sempre perfeccionista, Silvia não parava de me mandar fechar as janelas do carro e parar de lançar acenos para a multidão do lado de fora. Mas era impossível. Todos pareciam querer me ver, pareciam buscar a confirmação de que o Maxon dissera era real. Eu deveria ignorá-los? Amberly faria isso? Não. E, se eu quisesse ser uma boa rainha, tinha que agir como Amberly.
Assim que os prédios começaram a desaparecer, dando espaço a vegetação mais densa e a estrada mais tortuosa, pude observar o palácio por fora completamente, em sua império e superioridade. Assim que estava chegando ao palácio pela primeira vez, ainda na Seleção, meu nervosismo não me permitiu explorar o que viria a ser minha casa, mas, agora, eu podia ver todo e qualquer detalhe do majestoso lugar onde eu morava.
Todo em mármore cor de creme, o palácio reluzia à luz da lua — E dos holofotes acesos. Se não fosse por sua enormidade, todos pensariam que o lugar era um museu, com as vigas e as colunas antigas entalhadas em estilo greco-romano. Os portões de ferro preto se abriram assim que o carro se aproximou e eu não pude deixar de notar na quantidade de ouro puro na qual o brasão de Illéa, nas duas partes dos portões, era constituído. As flores vermelhas e amarelas que predominavam nos jardins estavam todas iluminadas com um brilho artificial. Quem quer que seja que tenha projetado e construído tamanho monumento merece um grande prêmio.
– E ganhou. — Disse Maxon quando eu transformei meu pensamento em palavras — Quando o arquiteto morreu, foi construída uma estátua na praça pública de Angeles. Mas por que estava dizendo isso?
– É que só agora pude observar a magnificência do palácio. E a história das coisas me fascinam muito, como por exemplo, eu adoraria saber mais sobre o lugar onde eu resido. — Respondi. Maxon riu da minha tentativa de ser formal.
– Minha rainha me daria a honra de me ajudar a explorar o lugar onde residimos? — Ele perguntou, forçando sua linguagem culta.
– Mas é claro, oh, rei.
Um banho e uma boa noite de sono poderiam esperar, uma aventura pelo palácio, não. Assim que Maxon e eu pusemos os pés dentro do Grande Salão, ele tomou minha mão e começou a me guiar pelas salas secretas, corredores silenciosos e alas de quadros reais. Eu achava que sabia um bocado de coisas sobre a história do meu país e tal, mas eu definitivamente não sabia de nada! Nossa primeira parada foi em uma sala de troféus. A sala tinha o teto bem alto era muito bem iluminada, embora poucas luzes estivessem acesas. Haviam corredores e mais corredores de estantes, todas repletas de medalhas, troféus e artigos preciosos para o palácio e o país. Maxon me mostrava uma taça de ouro e cristais quando uma porta entreaberta me chamou a atenção. Um brilho prateado vinha da sala e, quando percebi, já estava correndo para ela.
Assim que escancarei a porta, pude ver, provavelmente, a mais divina das alas do palácio. Os lustres que estavam pendurados no teto não chamavam a minha atenção, muito menos as fotos de mulheres da realeza illeana estampadas nas paredes. Era o luxo dos vestidos que me faziam arregalar os olhos e entreabrir a boca.
– Você estragou tudo, America. — Repreendeu Maxon, fingindo decepção — Eu ia deixar o melhor para o final, mas...
Eu ri disso, mas logo minha atenção foi novamente tomada pelos vestidos. Deslizando meus dedos pelos vidros que os separavam de mim e arfando pela sua beleza até o vidro embaçar, eu fui olhando um a um, maravilhada. A grande maioria eram vestidos de casamento.
– Este foi o vestido usado no casamento da primeira rainha legítima de Illéa, Bethany, esposa de Gregory Illéa. — Maxon explicou, indicando o primeiro vestido. Uma longa saia, ombreiras exageradas e um tecido grosso e branco compunham o vestido — Este foi o de sua filha, e esse o da nora da sua filha.
Ele ia apontando os vestidos e dizendo a quem pertenciam. Os quadros ao lado de cada caixa de vidro continham as fotos das respectivas rainhas e seus nomes. Nos primeiros vestidos, eu corri os olhos rapidamente, até o sobrenome Illéa ser substituído por Schreave. O vestido de Amberly era, sem dúvida alguma, o mais encantador. Parecia que, mesmo sem poder tocar o tecido, eu sentia a sua suavidade. Podia até imaginar a rainha Amberly desfilando pela igreja, o véu sobre seu rosto, o tecido fino e elegante deslizando no chão, seus cabelos castanhos muito bem presos sob uma presilha de diamantes.
– Você quer tocá-lo? — Maxon perguntou, eu assenti com a cabeça solenemente, mesmo descrente de que eu pudesse tocar o vestido.
Maxon acionou um botãozinho escondido atrás do quadro de Amberly, fazendo a caixa de vidro se abrir. O tecido, tão suave quanto eu imaginava ser, era uma seda fina e macia, as rendas na parte superior completavam o que deve ter sido o vestido do milênio. Mas minha visão desfocou do belo vestido e se atentou ao último, um que eu conhecia bem, o que eu vesti no melhor dia da minha vida. A foto ao lado da caixa de vidro era uma das que Maxon havia tirado quando eu ainda era uma selecionada. Eu estava com o sorriso meio demente e os cabelos altos; definitivamente não parecia uma rainha.
– Meu Deus, precisamos urgentemente de uma nova foto! — Reclamei, ele sorriu e segurou meu queixo para me beijar. Quando o oxigênio se tornou necessário, nós nos separamos — Eu não fazia ideia de que havia uma sala só para os vestidos de casamento reais.
– Ah, America, há tantas coisas que você ainda precisa descobrir sobre esse palácio e, principalmente, Illéa. — Seu tom era brincalhão, mas eram em seus olhos que eu via a apreensão. Maxon sempre foi muito bom em esconder seus sentimentos, em fingir alegria em momentos de tristeza, mas eu já o conhecia bem o suficiente para saber que, mesmo ele falando normalmente, ele estava tenso.
– O que houve, Maxon? — Perguntei, acariciando seu rosto e tirando uma mecha cor-de-mel dos seus olhos.
Ele tomou minhas duas mãos e beijou o dorso de cada uma, sua tática de me acalmar sendo posta em prática.
– Tudo tem seu tempo. — Ele baixou minhas mãos e entrelaçou a sua em uma das minhas — Agora, o que quer fazer?
Eu pensei um pouco. Estava adorando conhecer mais sobre o palácio e aqueles que nele já viveram, mas, por outro lado, estava exausta. Um dia inteiro de preparação para aparecer publicamente em Angeles não tinha sido fácil, então, depois de dizer isso a Maxon, nós saímos da sala de vestidos e da sala de troféus e encaminhamos-nos para o nosso quarto.
Uma das melhores sensações do mundo é se deitar em sua cama depois de um dia terrivelmente cansativo. Mas, ainda assim, ainda com todo o cansaço e o sono e o estase do passeio pelo palácio, eu não conseguia parar de pensar no Maxon preocupado que falara comigo pouco antes. Ele queria me contar, via isso estampado em sua testa, mas algo o impedia de o fazer. Eu precisava saber o quê de tão terrível ele não queria me contar sobre o passado de Illéa, e, se não por intermédio de Maxon, eu teria que apelar para os livros proibidos.
Principalmente o Diário de Gregory Illéa.
Pela manhã, como todos os dias, nos levantamos, vestimos e fomos tomar nosso café. Silvia voltou para o palácio como minha assistente depois de eu perceber que não conseguiria fazer tudo sozinha. Era bom tê-la ao meu lado, mesmo ela enchendo minha agenda de compromissos direto. Quando eu era pequena, achava que ser rainha era apenas usufruir do luxo, das jóias e do título; depois de entrar na Seleção, comecei a pensar que era o trabalho incansável de manter um país unido entre tantas guerras. Agora, eu via que era muito além de tudo o que eu pensava, era de tudo um pouco. Eu tinha o luxo da comida e das jóias e o título de altíssimo nível — Um — , tinha a agenda e os compromissos diários de uma rainha, o papel importante no Conselho e tudo o mais. Mas nenhuma vidinha fácil compensaria minha vidinha complicada. Haviam responsabilidades? Haviam, muitas até. Mas eu tinha um amor, e também amigos e família. E, acima de tudo, eu tinha o poder de acabar com as injustiças sociais no meu país.
– E então, Silvia, como estão as coisas nas ruas? — Eu perguntei, me lembrando a felicidade das pessoas quando a Casta Oito fora eliminada.
Seu rosto se iluminou de alegria quando percebeu que eu estava disposta a conversar.
– Ainda há muitas províncias em festa. Em Angeles, Summer, Panamá, Belcourt, Calgary, Carolina e Clermont — Disse, lendo as províncias em sua prancheta — a festa só acabará a noite, quando completar um dia do fim da Casta Oito. Em Allens, Dominica, Dakota e Hudson as celebrações acabaram há duas horas. Províncias como Paloma não festejaram publicamente e em outras como Kent, as celebrações ocorrerão ao meio-dia, num grande almoço.
– Nada de revoltas ou tumultos? — Maxon perguntou.
– Nadinha, Majestade.
– Isso é maravilhoso. — Eu disse.
A sensação de ter meu povo feliz — Sim, eu já os considerava como meu povo — era simplesmente única. Antes de me tornar rainha, eu não imaginava que pudesse existir entre eu e Illéa uma ligação tão forte. Terminei o meu café, Maxon me deu um beijinho na testa já que tínhamos companhia e Silvia me levou até o meu quarto novamente.
– E então, o que tem na minha agenda hoje? — Ainda era estranho ter uma agenda de compromissos, sentia vontade de rir toda vez que ela era mencionada.
– Começaremos com a sua yoga matinal, depois Vossa Majestade terá essa papelada de cartas para assinar, juntamente com Rei Maxon, que será endereçada a todos os antigos Casta Oito. Quanto mais cedo Vossa Majestade começar, mais cedo terminará e mais tempo livre terá. — Ela respondeu, jogando uma enorme papelada sobre minha escrivaninha.
– Yoga? Eu não faço yoga.
– Ah, mas fará. Vossa Majestade precisa de um tempo para relaxar antes dos afazeres reais. — Explicou, e com isso me deu um muda de roupas para yoga. A melhor parte eram as calças!
Já vestida com minhas novas roupas, Silvia e eu descemos as escadarias até os jardins. Eu a seguia cegamente já que não fazia a menor ideia de onde aconteceria as aulas de yoga. Mas o que me perturbava mais era não saber o que era yoga! Eu não queria perguntar a Silvia, seria humilhante, então apenas fui a seguindo por um destino que eu não sabia qual seria — Que filosófico, hein?
Bem afastado, próximo as estufas, encontrava-se uma sala de vidro, completamente transparente, onde, mesmo do lado de fora, eu podia ver o interior. Era como uma academia, repleta de aparelhos para ginástica e, ao fundo, um grande tapete colorido. Velas acesas decoravam o ambiente. Uma mulher, baixinha, de cabelos castanhos e longos, presos por um rabo de cavalo, veio correndo até mim. Não consegui reconhecê-la a primeiro momento, mas depois, quando ela chegou mais perto e eu pude observar melhor o seu rosto, eu finalmente entendi quem era.
– Georgia? Não acredito que é você!
Eu corri ao seu encontro, acabando com o espaço entre nós. Sim, era realmente Georgia. Mas o que ela estava fazendo aqui? Ela não trabalhava como assistente social?
– Majestade. — Ela zombou, fazendo uma reverência exagerada.
– Mas o que está fazendo aqui? — Perguntei finalmente.
– Como assim? Estou aqui porque sou sua professora de yoga, não é óbvio?
– Vou deixá-las à sós para a aula. — Silvia interrompeu, saindo da academia silenciosamente.
– Ah, eu nunca te contei que yoga era uma paixão para mim? — Nós nos sentamos no tapete colorido acolchoado. Eu neguei com a cabeça para a pergunta — Pois é, durante aquelas invasões todas e a caça do governo por nós, eu andava muito tensa. Então descobri a yoga. — Explicou.
– Mas você não é mais assistente social?
– Sou, claro que sou. Silvia fez uma seleção de professoras de yoga e eu não me contive. Poderia fazer o que gosto ao lado de alguém que eu também gosto, é o emprego perfeito. No horário da tarde, eu continuo sendo assistente.
– Ah. — Foi tudo o que eu disse — Ah, Georgia, eu não sei nada sobre yoga.
Me senti tão burra dizendo isso quanto alguém pode ser. Georgia riu.
– Não é complicado, você vai aprender rápido. Bem, vejamos... Vamos começar pela respiração.
Eu ergui as sobrancelhas. Respiração? Eu sei respirar.
– Vamos, sente-se assim, como eu. — Eu imitei sua posição, sentando com as pernas dobradas de cada lado, os calcanhares encostados um no outro — Postura, respire fundo e solte. Postura, respire fundo e solte.
Respirei e soltei, respirei e soltei. Parece idiotice, mas era relaxante. Eu podia inalar o cheiro das velas perfumadas e soltar com tranquilidade, sem assoberbações. Já não existiam papeladas para assinar, Castas com as quais se preocupar... Era apenas eu e o som da minha respiração.
– Muito bom — Georgia dizia com a voz tranquila — Feche os olhos e continue fazendo a mesma coisa. Pense em coisas boas, pense em... camarão!
Torci o nariz, a tranquilidade se dissolvendo com isso.
– Sou alérgica a frutos do mar. — Expliquei.
– Shhh, você me entendeu! Fique calada, respire e solte; feche os olhos e pense em coisas boas.
O.k., America, pense em coisas boas, pense em coisas boas... Torta de morango, minha família, Maxon, Casta Oito acabada, aliança com a França, illeanos felizes, aventuras pelo palácio, a sala dos vestidos... A confusão de Maxon, sua negação para me contar o que estava havendo, busca em livros proibidos, o Diário de Gregory Illéa. Eu tinha me esquecido completamente disso; precisava ler aquele diário todo, respirar todas as vírgulas, ingerir cada vogal. Tudo em mim dizia que as respostas nas quais Maxon não queria me dizer estavam naquele diário, eu tinha que ir atrás dele. Afinal, que rainha eu era? Não sabia praticamente nada sobre o passado do meu povo e do meu país, sempre estava alheia às conversas políticas... Eu precisava estar mais ativa quanto a isso.
O cheiro das velas, a respiração lenta e relaxante, o tapete acolchoado sob mim, tudo me dava sono.Eu ouvia a voz de Georgia ao longe, bem longe, quase nada. Minhas pálpebras, já fechadas, amoleceram e eu senti que ia virar para trás. E eu virei.
– America! Não acredito que dormiu! — Georgia esbravejou.
– Desculpe, que ho... — Bocejei — ... que horas são?
Ela olhou no relógio de pulso.
– Iiiiih... Nove horas, acho que nossa sessão acaba aqui. — Ela parecia triste com isso — Gostou do seu primeiro dia, quer dizer, na parte em que você não dormiu?
Eu ri disso; duvidava muito de que Amberly dormisse em suas sessões...
– Sim, muito. E gostei mais ainda de ver você, embora você estivesse afim de papo. — Reclamei. Ela revirou os olhos.
– Ah, teremos muito tempo para isso. — E, com um impulso para a frente, ela se levantou. Ergui meus braços o mais alto que pude até ela me ajudar a levantar e só aí ela completou: — Nos veremos todos os dias agora, America. Às oito, em ponto, esteja aqui amanhã. Silvia irá lhe buscar.
– Tudo bem.
Com um abraço, eu me despedi dela. A academia ficava bem distante do resto do palácio, talvez houvesse uma passagem que me levasse diretamente para ele, mas eu resolvi correr pelos jardins até os suntuosos portões de madeira. A toda velocidade, corri para o meu quarto. Eu não tinha suado durante a yoga, então não precisava de um banho, assim, tão urgentemente — Não! Eu não era anti higiênica, mas também não era de tomar vinte banhos por dia. Trocando minha roupa de ginástica por um vestido e pondo minha coroa na cabeça, eu segui para o primeiro andar, descendo ligeira pelas escadarias e atravessando o corredor norte tão rapidamente que uma hora ou outra eu tropeçava em meus saltos. Me embrenhei numa escadaria e subi. Subi, subi, subi e subi mais um pouco. Subi até meus pés arderem. Chegando ao topo da escadaria — Enfim — , abri a porta que me levava a um novo corredor e fui andando até chegar nas pinturas magníficas na parede que eu só havia visto uma vez na vida. Ninguém estava no cômodo, era apenas eu. Nada de guardas. Ninguém que me denunciasse. E por que me denunciariam, afinal? Eu era a rainha! Podia fazer o que bem entendesse no palácio. Passei a mão pela moldura do último quadro até ouvir um clique. O quado se abriu, uma passagem se formou diante dos meus olhos.
Havia um teclado, repleto de números, letras e combinações. Por sorte eu conhecia Maxon bem o suficiente para saber que ele colocaria a data do nosso casamento na senha. Era algo fácil e ao mesmo tempo impensável para outras pessoas. Digitei a data e a maçaneta da porta se abriu. A sala sem janelas e repletas de estantes com livros estava exatamente como da última vez em que a vira. Eu poderia dizer o mesmo de mim? Eu estava igual? Não, com toda a certeza, não.
Corri os dedos pelos livros empoeirados, lendo os nomes em suas lombadas. Fitas marcavam as páginas em que alguém parou de lê-los. Quem teria sido? Um antigo rei? Uma antiga rainha? Maxon? Continuei a busca pelo Diário, mas era difícil achá-lo em meio a tantos livros. Todas essas relíquias de Illéa estavam gastas, a maioria com a capa descasando. Por um tempo que me pareceram ser horas, eu busquei o livro que eu queria, mas era em vão. E então eu busquei ajuda ao computador. É claro que eu não sabia usar um, mas não parecia ser tão difícil. A tela gritou "Bem-vindo" e então apareceu um teclado, como o para destrancar a sala. Em segundos, meus dedos rápidos fizeram aparecer na tela o nome do livro e, como num passe de mágica, apareceu escrito na tela que o Diário de Gregory Illéa se encontrava na estante F, prateleira 4, ao lado de Quem foi Shakespeare. Em pouco tempo, consegui localizar o Diário. Estava intacto, da mesma forma de sempre, a mesma fita vermelha demarcando-o como livro proibido.
Eu não tinha boas memórias do pouco que havia lido desse livro, passara a detestar Gregory e toda a sua linhagem podre, onde poucos se salvavam da corrupção. Me lembrava muito bem do que havia acontecido com a pobre filha de Gregory, Katherine, e não gostava nada de ter que reler as páginas em que ela era citada apenas como uma forma de adquirir mais poder. Mas eu tinha de enfrentar isso. Eu era a rainha de Illéa, e se queria governar com justiça o meu povo, eu precisava saber da sua história. Desde o princípio. E, se tinha que ser assim, que começasse logo.
Dessa forma, eu me sentei à uma mesa, abrindo o Diário, a repulsa por Gregory Illéa sedendo à curiosidade.
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