The New Royalty
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Nick respirou fundo quando a carruagem sumiu adiante da linha do horizonte. Maxon continuou a me segurar pela cintura como se estivesse segurando todo o seu mundo, e então todos nós fomos para dentro do palácio, silenciosos, ouvindo apenas os fungados de nariz da Rainha Araminna. Essa era última tarde da Família Real Italiana em Illéa; no dia seguinte eles partiriam.
Os criados ainda estava voltando aos seus postos quando adentramos no Grande Salão. Maxon beijou minha cabeça e, com um último aperto na cintura, foi se juntar ao rei. Logo, estávamos apenas Nicoletta e a Rainha Araminna uma vez que Orabella e Naomi estavam mais para trás.
– Me perdoe pelo tumulto, America. Não era minha intenção. — Se desculpou uma envergonhada Araminna.
– Não tem problema algum, o que importa e que eles agora estão felizes. — Assegurei.
– Sim, é tudo o que importa.
Nicoletta estava com a cara amarrada, os braços atados ao peito, parecia quase raivosa.
– O que foi? — Perguntei.
– Ele não é bom o suficiente para ela. Só faz burrada,é um idiota completo! — Ela respondeu, bufando — Daphne é sensível e Jeremy é um... um brutamontes!
– Nicoletta! — Repreendeu a rainha — Seu irmão é um cavalheiro e você sabe disso! Você só está zangada porque nunca se apaixonou.
A rainha havia dito isso em alto e bom som, fazendo todos se virarem para olhar para Nick. Era estranho vê-la enrubescer já que sempre parecia tão segura de si. Ela jogou os cabelos ridiculamente para cobrir-lhe os olhos e fitou o chão com tamanha intensidade que eu tinha a impressão de que ele ia ceder e todos íamos cair no vácuo.
– Obrigada, mamãe, agora todos sabem que sou uma solteirona, mal-amada e... — Respirou fundo — virgem.
Eu engasguei com a própria saliva.
– Você...? — Questionei — Você não é...
– Feche a matraca! — Meio que ordenou e saiu em disparada pelas escadas. Sabia que ela estava chorando e sabia que a raiva estava lhe subindo a cabeça. E com isso, sabia que a paz no palácio estava abalada.
– Com licença. — Eu disse a rainha com um leve meneio de cabeça e subi a escadaria o mais majestosamente possível.
Eu já estava quase alcançando o segundo andar quando ouvi uma porta bater com violência. Bastou seguir o som para descobrir qual era o quarto de Nicoletta, mas, ao bater à porta, recebi um "Vá embora" nada caloroso.
– Vamos, Nick, meus pés estão doendo, esse sapato está me matando! Me deixe entrar para tirá-los. — Insisti.
Ela abriu a porta tão ligeiro que eu bambeei para a frente.
– E você tem um quarto também para quê? — Questionou, o rosto inchado e vermelho.
– Obrigada. — Eu forcei a passagem.
Ela fechou a porta e correu para a cama que fez creque quando ela se jogou, agarrando uma almoçada e escondendo o rosto.
– Apenas fique calada, tudo bem? — Disse, a voz abafada pela almofada.
– Tudo o que Vossa Alteza quiser.
Ela chorou, socou a cama até os nós dos dedos doerem, abafou gritos na almofada, assoou o nariz com a mesma, esperneou, arrancou alguns fios de cabelo, se mordeu, mordeu o vestido, mordeu a almofada e mordeu o cobertor. Não sabia o que fazer com alguém à beira da loucura porque era bem capaz que eu ficasse louca também. Mas eu tinha que tentar alguma coisa.
– Oh, meu Deus, Nick, não se morda! Não vai ser menos virgem desse jeito. — Eu brinquei. Ela sorriu por debaixo das lágrimas.
Eu não podia ver seu rosto contra a almofada, mas podia perceber, por suas orelhas, que a vermelhidão lhe tomara.
– Você não entende, America. — Gaguejou — Você tem um marido, vida sexual ativa — Eu ri — , promessa de filhos... E eu? O que diabos eu tenho? Nem uma paixonite platônica sequer.
– Nick, você é linda! É inteligente, engraçada, carismática, nobre, e não estou falando de sangue; é generosa e altruísta, às vezes um pouquinho explosiva, mas é bom. De vez em quando. — Comecei, contando nos dedos sua principais qualidades.
– Tá, mas se eu sou tudo isso mesmo, por que ninguém me quer? — Ela já ia começar a chorar de novo.
– E o que você tem feito para que essa situação mudasse? Já deixou alguém se aproximar de você? — Perguntei já prevendo a resposta.
– Não, mas... Eu nunca senti essa coisa, America, sabe, "amor à primeira vista". — Confessou.
Não aguentei, tive que rir.
– E você acredita mesmo nisso? Pelo amor de Deus, Nicoletta!
– Aconteceu com você e Maxon. — Se defendeu, ligeiramente aborrecida pelo meu riso.
– O que? Eu odiava Maxon, odiava a Seleção, odiava estar disputando com outras trinta e quatro garotas uma coroa que eu não queria... Não foi, definitivamente, um conto de fadas.
Ela pareceu deslocada.
– Isso é sério? E hoje vocês se amam? — Indagou, confusa, as sobrancelhas arqueadas sobre seus olhos miúdos e inchados.
– Eu o amo mais do que à minha própria vida. Mas, no início, nada nunca é como imaginamos ser. — Eu me deitei de barriga na cama e comecei a balançar minhas pernas nos ares, apoiei meus cotovelos na cama e segurei meu queixo com os nós dos meus dedos — E então, nem uma paixonite?
– Só uma vez — Respirou fundo — , com o filho do duque. Eu tinha quinze anos e era meio gordinha e ele era um deus grego. Ele me esnobava e então eu resolvi emagrecer, ficar bonita e jogar tudo isso na cara dele. Quando eu mudei, ele veio atrás de mim... Mas não restava mais nem o menor dos sentimentos dentro de mim por ele.
– Acha que foi isso que fez você se fechar para todos? — Indaguei.
– Sim.
E com isso, ela deu fim a conversa. Diante do espelho, ela enxugou as lágrimas e foi para o closet trocar de roupa — As que ela usava haviam virado a mistura de lágrimas, suor e saliva. Quando finalmente retornou ao quarto, estava como sempre: Uma garota em seus dezenove, vinte anos, mais alta do que as outras e com um corpo de fazer inveja.
– America... — Ela começou, retorcendo os dedos nas mãos e começando a corar novamente antes de se sentar na cama ao meu lado — Nem sei como posso te perguntar isso.
Ela estava insegura. Isso nunca acontecia.
– Seja direta, essa é a melhor forma.
Ela suspirou.
– Você e Maxon são casados. — Constatou. Eu ri da obviedade da situação — Tiveram lua-de-mel e tal... Eu não confiaria em outra pessoa no mundo para fazer essa pergunta.
– Ai, meu Deus, Nicoletta! Você está me matando de curiosidade. — Eu ri.
– O.k., o.k. . Vamos lá: — Engoliu em seco — Como é, America?
Os grilos cantaram dentro de minha cabeça. Afinal, "como é?" o quê? Procurei indicações sobre o que ela estava tentando dizer, mas ela estava olhando para os joelhos, completamente envergonhada.
– Como é o quê?
– Você sabe, America, não se faça de santa canonizada! Como é... a coisa toda?
Pensei mais nisso. A coisa toda. A coisa toda...
– Mas que diabos, Nick! Desembuche! — Exigi.
– Cama. Escuro. Duas pessoas.
Eu ri tão alto que soldados bateram à porta para perguntar se estava tudo bem. Nick teve que responder por mim já que eu não conseguia me conter. Então era isso que ela queria saber. Foi quase impossível não me lembrar de quando fiz essa mesmíssima pergunta à Marlee. Eu era uma ingênua garota e, aquela America, nunca conseguiria responder à essa pergunta de Nicoletta.
– Bom. — Foi o que eu respondi.
Ela arregalou os olhos e escancarou a boca comicamente.
– Bom? Bom? Demorei um tempão para conseguir te perguntar isso e você me vem com "bom"? Preciso de mais respostas, America, relatórios completos.
– O que exatamente quer saber? Porque, sim, você deve saber de alguma coisa. — Perguntei.
– Só o básico. O que a pessoa... sente? — Complexou a pergunta.
– Hum... — Eu pensei, ligeiramente envergonhada — Um grande misto de emoções?
– Já vi que não se pode conversar com você, America. — Bufou, se levantando da cama e indo arrumar os cabelos na penteadeira.
– Desculpa, desculpa. Bom, ah... É estranho a primeira vez, mas é incrivelmente bom depois. Você nunca se sente saciada, acho que isso define.
– O.k., chega, isso tá ficando estranho. — Me parou, deixando a escova de cabelos na penteadeira e se levantando da cadeira — A propósito, você é filha única?
– "A propósito"? Mas o que tem haver com o que estávamos falando?
– Eu sei lá. — Deu de ombros — Minha cabeça é um emaranhado de coisas.
– Percebi. — Debochei — E não, eu definitivamente não sou filha única. Sou a filha do meio de cinco irmãos.
– Cinco? Quer dizer, um, dois, três, quatro, cinco? — Questionou.
– É. Kenna e Kota, os mais velhos, depois eu, e May e Gerad. Kenna já é casada e tem uma filha, Astra.
– Hum... E Kota? — Perguntou.
– Kota? Ele é um babaca. Não tenho contato com ele.
– Ah, mas ele é casado? — De repente ela se mostrava interessada demais na vida de Kota.
– Não, ninguém aguentaria viver sob o mesmo teto que ele por muito tempo. — E emendei: — Mais alguma pergunta, senhorita?
– Não, não. Sua família visita você muito?
– Pelo menos uma vez por semana. — Respondi.
– Por que não os chama para cá hoje? Vai dar uma animada no pessoal daqui; a mamãe está inconsolavelmente envergonhada pelo showzinho de horrores de hoje mais cedo. Chama eles, devem ser tão legais como você.
– Eu não sou legal! — Afirmei, cruzando os braços no peito e fazendo cara de mau.
– Vai logo, sua bobona.
Minha família só chegou no finzinho da tarde. Maxon tirou a tarde de folga — O que era um milagre — para poder dar atenção a todos, principalmente à um Gerad incansável. Ele, Maxon e James, o marido de Kenna, brincavam de bola nos jardins enquanto o rei e a rainha da França ficavam sob uma tenda, assistindo à tudo de longe. Eu, Nicoletta, Orabella e Naomi, mamãe e May ficamos batendo papo e comendo croissants até passar mal, ao passo de Kenna mostrava os jardins para Astra.
– Você é uma gracinha, May. — Elogiou Nick.
– É o que todos dizem — May respondeu, convencida. Céus, como aquela menina havia crescido! Nem parecia mais a garotinha que eu tinha deixado em casa quando vim para a Seleção; já era quase uma mulher e eu não me conformava com isso.
Foi quando Marlee chegou que a festa foi feita. Eu a havia convidado também já que Nicoletta queria o maior número de pessoas no palácio. Carter já a estava esperando — Demos folga a ele antecipada — e, depois de milhões de beijos, eu finalmente pude abraçar a minha amiga.
– Fiquei tão feliz por ter me convidado. — Ela disse em meu ouvido e, mais baixo, sussurrou: — A princesa é realmente encantadora. Pelo amor de Deus, me diga que minha roupa não está muita chula.
Eu a soltei e fingi uma conversa enquanto a analisava. Apenas quando eu disse que ela estava linda ela relaxou. Tratei de apresentá-la a Nick, que ficou maravilhada com o bom humor de Marlee e refiz as apresentações com mamãe, May e Orabella e Naomi.
– Como vocês estão? Digo, você e Carter? — Eu perguntei após um criado vir oferecer à Marlee um croissant.
– Melhor impossível. Estamos com planos de eu engravidar no começo do ano que vem! Estou muito, muito feliz. — Disse, um enorme e radiante sorriso em seu rosto.
– E por que só no começo do ano? — Quis saber Nicoletta.
May fez um barulho de sucção ao tomar o suco, fazendo minha mãe fuzilá-la com o olhar. Eu levei meu copo a boca e fiz o mesmo. Mamãe se jogou na cadeira e levou os dedos à ponte do nariz, apertando-o com frustração. Nós rimos.
– Ah, as coisas em Illéa estão um pouco difíceis, sabe, Nicoletta. Um filho hoje em dia, por incrível que pareça, está custando caro. Leite e fraudas são um absurdo nesses tempos de crises mundiais. — Explicou Marlee, dando de ombros ao falar.
Eu me aprumei na cadeira. Aqui, confinada no palácio, sem nenhum contato com o resto de Illéa, eu não tinha como saber realmente, na pele, o que estava acontecendo com o país. Imaginava ser apenas uma coisinha de nada, mas Marlee tinha razão; guerras, mesmo sem nos envolver, prejudicavam bastante nosso país. Importamos muitos produtos de fora, de lugares onde a escassez de alimentos devido as guerras estava matando pessoas de fome. Nossas terras eram, em sua maioria, pobres já que o antigo Estados Unidos foi completamente destruído por bombas nucleares. Nossa agricultura chegava a ser vergonhosa, dependíamos de outros países.
– Marlee, como estão as coisas lá fora? — Eu perguntei.
– Difíceis, não vou mentir, embora o Rei Maxon seja o mais próximo de anjo da população. — Eu sorri — O Rei Clarkson havia nos deixado na miséria e, graças a Maxon estamos sempre progredindo. Illéa seria o país perfeito se as guerras não estivessem matando pessoas de fome lá fora.
Minha garganta se contraiu e o pedaço de croissant ficou entalado nela.
– Pessoas estão morrendo? De fome?
Eu estava horrorizada. Nossa situação não podia estar tão ruim assim. Marlee explicou que as castas mais baixas, da Cinco em diante, estavam enfrentando muitas dificuldades. Pais de família precisavam vender suas casas e poucas posses para poder alimentar seus filhos, que garotas de treze a vinte e tantos anos estavam se prostituindo por um prato de comida. Eu não sabia o que dizer, tudo no que eu conseguia pensar era em se Maxon sabia de tudo e isso e, se sabia, por que não havia me contado antes.
Pessoas do Cinco em diante morrendo... Cinco. Poderia ser eu e minha família se eu não fosse a rainha, poderia ser mamãe vendendo a casa e nossas posses e eu me prostituindo para velhos ricos da Dois em troca de umas moedinhas. May poderia seguir o mesmo caminho... E Gerad, bem, ele poderia ser tirado de nós e levado para um orfanato por não termos condições para cuidar dele. E então nossa família estaria arruinada.
– Mas as coisas vão melhorar. — Confortou Nicoletta, me despertando dos meus devaneios — Ouvi falar que a Monarquia Russa cedeu e vai dividir o petróleo com a Sudoécia.
– Por que mesmo eles estavam em guerra? — Marlee se mostrou interessada.
– A Sudoécia insistiu que metade do petróleo russo pertencem a eles já que, após a Quarta Guerra Mundial, depois de todos os russos terem sido mortos, a antiga Suécia foi o país que recolonizou a Rússia. — Nick disse, satisfeita em ter sido incluída na conversa — Mas, sinceramente, vão estamos todos aqui para discutirmos política, não é?
– Definitivamente não. — May disse.
O restinho da tarde se passou como um raio. Brinquei um pouco com Astra, que já andava, e com Gerad. Mas, na maior parte do tempo, fiquei apenas conversando com a parte feminina da família, Nicoletta e suas primas e Marlee. Eu tinha telefonado para Geórgia também, mas ela não pudera vir. Ela trabalhava como assistente social em Angeles, ao passo que August Illéa era o mais novo membro dos guardas de rua. Maxon e eu o havíamos oferecido emprego no palácio, mas ele recusou, alegando que se sentia melhor ao lado do povo. Nós concordamos com isso, é claro.
Procurei não pensar nas crises illeanas — Aquilo estava me deixando doente — e fiquei apenas observando as crianças brincarem. Agora, à tenda, estávamos apenas eu, Marlee e Nicoletta. Maxon estava com a monarquia italiana, mamãe, fazendo um breve passeio pelos jardins e Kenna e James tiraram um tempo para ficarem à sós, conversando sob uma árvore enquanto May e Gerad brincavam com Astra. Estávamos todos bem, felizes. Kenna parecia emanar luz para todos os lados e eu me perguntava se isso se devia à filha. Ela nunca poupou elogios para o fato de ser mãe e, confesso, um pouco de inveja me atingiu algumas vezes.
Um marido, uma vida, um país para ministrar e... um filho. Uma parte de mim desejava, ansiava por aquilo. O sonho de ser mãe de vários e vários filhos não havia se apagado com o tempo, mas, mesmo assim, eu me sentia com o pé atrás. Um filho. Isso exigiria muito de mim, vinte e quatro horas de atenção. Minha liberdade seria limitada, e sem falar dos longos nove meses de gestação. Fiquei, então, me imaginando com um barrigão, sendo acariciada por Maxon. Eu quase já podia sentir os chutes do bebê imaginário quando Nicoletta falou comigo.
– Por que está com cara de tacho?
Marlee riu alto.
– Eu estava? — Perguntei, limpando minha mente.
– Estava. Sorrindo abobadada e com o olhar vago de um demente. — Acrescentou.
– Você e seus maravilhosos elogios... — Zombei.
– No que estava pensando, afinal? — Dessa vez quem perguntou foi Marlee.
– Nada não.
Ambas bufaram ao mesmo tempo, as franjas que caiam sobre a testa sendo lançadas a vento.
– Pode contar imediatamente, senhora rainha. — Insistiu Marlee.
Eu tinha duas opções: A) falar com elas e saber o que elas achavam sobre tudo isso. Eu precisava de opiniões diferentes das minhas e certamente não teria coragem para perguntar a Maxon, ou B) me fazer de desentendida e ficar com toda essa indecisão só para mim. Não, eu precisava desabafar, precisava disso para poder voltar a respirar direito. Afinal, elas eram minhas amigas, certo?
– Maxon quer ter um filho. — Disse, apenas.
– Isso é biologicamente impossível. — Nicoletta respondeu.
– Você me entendeu, Nick. — Me zanguei.
– Tá, mas qual o problema? Você não quer um filho? — Marlee se aprumou mais na cadeira e se inclinou para mais perto de mim, atenta a cada vírgula por mim pronunciada.
– Não, é claro que eu quero! Quero muito mesmo, ter um filho seria maravilhoso e sei que é o sonho de Maxon, mas... não me sinto preparada para isso, quer dizer, é tanta responsabilidade... Não sei se daria conta.
Elas pareceram um pouco em dúvida sobre o que dizer, se entreolhando e mordendo o lábio inferior de apreensão.
– Desculpe, não posso te aconselhar sobre isso. Não sei o que dizer. — Confessou Nicoletta, se desculpando com o olhar.
– Bom, America — Começou Marlee, prendendo completamente a minha atenção — , eu particularmente acho que você seria uma mãe maravilhosa, quer dizer, olhe a forma como você trata seus irmãos.
– São meus irmãos, e não meus filhos.
– Mas é como se fosse. Você os viu nascer, ajudou na criação... Mas não sou eu quem tem que decidir, e sim você. — Ela tomou mais um gole do suco e então voltou a olhar para mim — Você quer um filho, não quer?
Eu queria, é claro que queria. Mas, se eu queria tanto assim, por que demorei tanto para responder?
– Sim, eu quero. Muito.
– Então qual é o empecilho?
E eu não tinha, realmente não tinha. Sonhava em ser mãe desde quando era apenas uma garotinha e com Maxon então... Ele era o homem da minha vida e a sua felicidade era a minha. Eu sabia que Maxon me amava muito e que esperaria o tempo que fosse necessário para que eu aceitasse o desafio de ser mãe, mas ele merecia pelo menos uma prova de amor. Esta era a minha. Eu queria e eu iria ter um filho. Ainda hoje.
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