The New Continent.
13 A ira de uma organização.
—— Ainda não acredito que venci! —— Talvez àquela tivesse sido a centésima vez em que pronunciava as mesmas palavras durante todo o percurso. Electabuzz caminhava do meu lado, convencido pelo seu feito, erguendo os braços e vez ou outra apertando seu bíceps.
Charmeleon bufava fumaça pelas narinas, odiando o fato de não ter sido escolhido para a ultima rodada. Haunter e eu tentamos animá-lo, mas seu humor durante o dia não era dos melhores.
Na noite passada, a equipe do torneio contratou uma rodoviária local para nos buscar e deixar-nos exatamente na cidade 4, com direito a hospedagem gratuita, já que a audiência tinha batido o recorde dos dois anos passados.
O meu primeiro feito, foi arranjar alguma enfermeira naquela espelunca, para que meus Pokémons tivessem uma noite relaxante e merecida de descanso. Depois, pedi para um serviço de entregas levar a taça bordada a ouro para minha cara. Torcia pro maldito Delibird não danificar ou arranhar o meu troféu. Nunca havia conquistado um na vida, e com toda seriedade do mundo, e por escrito, queria o polido e brilhando todos os dias. "Mais uma tarefa diária pro meu pai." O único pensamento, por mais cômico que fosse, pairou na minha mente e me fez rir.
Depois disso, só pude terminar a noite da melhor maneira possível: um longo banho numa banheira, com direito a espuma. E cama.
Já hoje, caminhávamos aos arredores da magnífica metrópole. Grandes arranha-céus riscavam a amplitude azul acima das nossas cabeças. Um aeroporto em constante movimento, erguendo e descendo os aviões, não cessava um minuto sequer. Lojas vendiam tudo que pudesse fazer ventos. O grande comércio de lá tendia ao turismo. Lembranças de Pokémons Flyings consumiam cada esquina.
Feirantes a cada cinco minutos nos paravam, oferecendo seus produtos, e se não fosse pela ira de Charmeleon ao ser parado todas as irritantes vezes, cuspindo fogo ao alto e espantando aos arredores de cem metros, definitivamente a viajem seria mais conturbada.
Me encontrava apenas com Franchinni, Dan, Tomi e Mapa. Os demais tinham ido há outros cantos da grande cidade. —— Eu estou seriamente quase pegando um ônibus. —— Resmungou Mapa, entre passadas curtas, com seu Growlithe atrás de si, farejando o ar incansavelmente. —— Larga de ser preguiçosa. —— Comentou Dan, com Mareep apoiada em sua cabeça e seu Hitmonlee andando lentamente a medida que os passos do moreno se aplicavam.
Atravessamos uma viela e cortamos caminho por um longo corredor, onde inúmeras portas dos fundos se encontravam trancadas ao lado de escadarias de emergência e latões de lixo. Era bastante larga, e asfaltada. Possivelmente o caminhão de lixo passasse por ali em determinados dias. A maior sorte é que o cheiro não estava impregnado no ar. Somente tornava desconfortante quando passávamos ao lado de uma ou duas caçambas repletas de sacos pretos.
Felizmente, após dez minutos em linha reta, saímos numa curta avenida com bastante faixas de pedestres espalhadas. E do outro lado, uma enorme praça com vastos treinadores, batalhas ocorriam em cantos simultâneos, em mini arenas protegidas com espelhos de alta resistência e um do mesmo material, na frente do treinador, evitando assim, golpes desordenados colidirem e provocar mortes acidentais.
Charmeleon, por mais que tivesse lutado na noite passada, deixou o mal humor de lado e expeliu fumaça negra pelas narinas, entusiasmado. Ele não foi o único. Electabuzz socou o ar com uma precisão forte, e seu punho se encheu de eletricidade. Hitmonlee chutou o ar duas vezes, através de um rodopio enquanto estava no ar, parando numa posição igualzinha ao filho do Will Smith no filme Karate Kid. Mareep apenas sorriu confiante, assim como Growlithe e os demais que nos acompanhavam.
Assim que atravessamos a avenida, decidimos dar uma volta e estudar um pouco o lugar. Não sabíamos o nível dos que pelejavam, sequer sabíamos o nosso. Portanto, um bom estudo sempre caia bem.
Vimos que todas as arenas tinham uma margem de duas duplas no aguardo, enquanto a maioria possuía cerca de quinze à vinte membros assistindo o desfeito das batalhas. Com exceção de uma.
Num campo mais afastado, o placar jazia virtualmente pairado nos dois cantos. Restava apenas uma PokéBall na somatória completa de quatro. No campo, um Jolteon e um Magneton disputavam para saber quem venceria.
Os Pokémons já se encontravam bastante debilitados, com vários arranhões em seus corpos. A treinadora gritava incansavelmente, sempre dando apoio moral ao seu Pokémon. Já o do canto, com uma boina em sua cabeça, analisava tudo, vendo seu Magneton levitando, visando Jolteon correndo pela arena com sua enorme agilidade. —— Magneton, Sonicboom agora! —— Gritou o rapaz. Me esgueirei assim como os outros pelos cantos, tentando ter uma visão privilegiada. Felizmente consegui acesso ao campo, um pouco do lado de onde a treinadora se encontrava. Foi suficiente para ver a batalha, e com detalhes. —— Salte e use Double Kick! —— O garoto sorriu. —— Magnet Bomb! —— As patas dianteiras de Jolteon emanaram um brilho branco, mas Magneton se prontificou na sua subida e lançou quatro projéteis na sua direção, sendo que três ele conseguira esquivar sem problemas.
Os objetos lançados por Magneton, no momento que atingiram o solo, causaram uma pequena explosão, que definitivamente causaria dores ao atingido. A quarta bola magnética ainda ia na direção do electric type, mas com uma de suas duas patas, ele socou o alvo, fazendo a explosão acontecer bem ali. Muitos achariam que ele teria sido nocauteado, mas dentre a fumaça, seu corpo continuou a subir e pousou imediatamente entre as elevações de Magneton. Com um ultimo rugido, Jolteon socou o rosto do meio, fazendo consequentemente que os dois caíssem.
A poeira impediu que todos vissem, mas quando se baixou, ambos tinha seus lhos em redemoinhos e estavam impossibilitados de continuar. Uma voz robótica junto de um placar cibernético apareceram no centro da arena, mostrando os rostos os nomes dos participantes. Os dois possuíam um troféu ao lado do nick, e um enorme "Draw" embaixo, indicando resultado.
Fred e Pezarim. Esses eram seus nomes. E a média de treinadores naquela praça, variava de quatro a cinco Pokémons em sua equipe, já. Me aproximei de Charmeleon e sussurrei algo em seu ouvido. Ele concordou e eu retornei Electabuzz a sua PokéBall, junto com Haunter. —— Galera, eu já volto! Me encontrem aqui daqui uma hora ou uma hora e meia, ok? Não sumam! —— Eles mal tiveram tempo para discordar.
[...]
Um pouco mais além do parque, uma enorme área verde pairava, dando uma imagem magnífica pra a cidade. Prédios e mais prédios, por mais que fizessem parte do cotidiano, não fazia o meu tipo. Eu gostava de ficar ao ar livre, viajar entre florestas, montanhas, qualquer cenário que não houvesse civilização. Mas claro que não queria ficar o tempo inteiro longe dela.
Charmeleon olhava os arbustos e resmungava a cada vez que nada acontecia. Sua impaciência tinha ficado maior hoje. Talvez ainda tivesse vestígios de ressentimento por não ser escolhido para a final. Mas haveriam muitas finais que participaria ainda.
Cansado da busca, sentei num canto repleto de grama lisa e curta, apreciando o seu toque macio, embora pinicasse às vezes. Charmeleon caminhou com seus braços baixados, desanimado também. —— Oras, vamos! Mantenha o humor lá em cima, se não, nunca vamos encontrar um Pokémon descente! —— Ele bufou cinzas, e sentou-se do meu lado. O rosto ainda tinha feições de rancor, mas eram bem mais imperceptíveis do ontem, ao menos.
Aguardamos no mínimo uns trinta minutos, e em meio a cochilos, sendo que ainda me restavam uma hora para encontrar com meus amigos, fui desperto pelo farfalhar de plantas a pelo mens uns cinco metros de nós. Rapidamente, me ergui junto de Charmeleon. O lagarto saltou a minha frente e mostrou suas garras brancas e afiadas, desafiando quem quer que fosse, no meio daquele mato apertado.
Um pouco mais adentro, notei com ajuda da luz do sol, um brilho verde sendo refletido, contudo, ainda não fornecia todas as características que precisava, muito menos possuia partes de seu corpo para fora — além daquele brilho -, para que a Pokédex pudesse completar o seu trabalho. Impaciente como naturalmente era desde sua evolução, Charmeleon lançou uma camada de chamas, cobrindo todo o arbusto e incinerando as folhas, deixando apenas o que restara do mato desintegrado. Agora, coberto de cinzas, um ser alongado, com dois pares de asas um tanto triangulares, olhos com lentes protetoras do verde esmeralda encarando o oponente, se movimentou, chacoalhando seu corpo e se livrando dos fragmentos que o incomodavam, ele alçou voo, planando envolta de nós com o olhar vidrado em Charmeleon. Entusiasmado, o réptil saltara um pouco a frente de mim, desafiando ainda mais Vibrava. Olhei na Pokédex para obter informações básicas, nas quais ajudariam no desempenho da nossa luta, e se tudo desse certo, uma captura.
—— Charmeleon, aproveite a distância e use Dragon Dance. E olhos atentos! —— O lagarto vermelho saltou, dando um mortal de costas e um brilho cobriu seu corpo, num pleno azul celeste. Sentindo sua força e velocidade aumentar, Charmeleon sucou o ar como se fosse um legítimo Pokémon fight e mostrou o suposto indicador, chamando Vibrava para a luta. O dragão similar a uma libélula aceitou o desafio, indo velozmente de encontro com Charmeleon, o adversário abriu sua boca, revelando quatro caninos um tanto afiados, e de lá, um brilho branco se prolongou. Charmeleon realmente deveria tê-lo irritado bastante, já que Vibrava carregava um potente Hyper Beam.
Antes do raio ser direcionado ao corpo do meu Pokémon, rapidamente instruí uma frase defensiva, pois à altura em que estávamos, Vibrava não conseguiria cancelar o ataque. —— Dig e surja pelas costas usando o Dragon Rage! —— E assim ele o fez. Com as ferozes garras, perfurou o solo adentrando com seu corpo viril e sumindo alguns segundos adiantados para depois do impacto brutal do raio em contato com o solo. O golpe foi tão forte que o chão tremeu e pude avistar um grupo de Pidgeys voando para longe, incomodados com a quebra da calmaria de outrora. Fui forçado até mesmo a perder o equilíbrio.
Sem tardar, e em um plano um pouco mais baixo e próximo do solo, das costas, Charmeleon surgia lançando um brilho bem mais potente de sua boca e agora similares a chamas azuis com tonalidades roxas. O raio foi lançado tão forte e rápido nas costas de Vibrava, que o Pokémon rugiu e despencou do ar. Lancei a Ball no mesmo instante, antes que ele pudesse colidir com o chão duro e ocasionar feridas graves. A esfera fez o trabalho protetor por mim, engolindo o pequeno num manto vermelho, trazendo por fim adentro do objeto redondo. Tocando o gramado, a PokéBall remexeu duas e rápidas vezes, até não residir brilho algum, ou sequelas de uma escapatória furtiva. O havia capturado, e estava feliz com o meu resultado. Finalmente obtinha meu quarto Pokémon. E de bônus, um movimento adquirido e melhorado ao meu lagarto de fogo, algo que seria muito útil no decorrer da nossa jornada.
[...]
Saímos do centro as pressas, a doce enfermeira alertava que Charmeleon precisava maneirar nas atividades físicas e descansar um pouco. Mas como convencer alguém tão impulsivo como eu, sedento por batalhas e ainda numa cidade que portava um Ginásio? Seria impossível manter os nervos dele calmos, não antes de ganharmos aquela insígnia.
Nos movemos até uma quadra, tínhamos cerca de quarenta minutos antes do horário marcado com o pessoal. Andávamos tranquilamente avaliando as lojas, roupas, itens colecionáveis e etc. Todavia, o que atraiu mesmo nossos olhares, foi uma esquina comprida, um modelo enorme de um avião, com hélices idênticas a moinhos, girando de acordo com a força do vento, e na cabine, o símbolo do que tanto almejávamos. A insígnia Turbina. Um modelo totalmente prateado, circular e alongado, ficando mais fino conforme se estendia até o final. Simplesmente uma cópia do motor que sustenta o voo dos aviões mais modernos, embora possuísse um ligeiro detalhe do líder: uma pena felpuda, diferente de todas das quais já vira.
Enquanto testemunhava a obra de arte esculpida por metais e polida da melhor forma possível, devido o brilho refletido e adquirido a quaisquer horas do dia, um pequeno puxão foi sentido na barra da minha calça. Olhei e notei o reptiliano sendo o responsável pela sensação. Com o olhar determinado e um fogo ardente pairando nos seus globos oculares, ele fechou o punho com a destra, já que a canhota se ocupava e sibilou um rugido reprimido. Não precisava de um tradutor, eu sabia o que Charmeleon queria.
Batalhar.
[...]
De frente para os portões, com as portas já abertas, vimos uma enorme escada idêntica a que os passageiros utilizam para desembarcar das aeronaves quando finalizam suas viagens. Logo acima, no final daquele lance de degraus, uma porta com maçaneta e formato também similar demais aos de aviões, se abriu, relevando luzes fortes e uma torre de comando dentro do próprio ginásio — obviamente em escala reduzida, mas intimidava e representava da mesma forma. A antena no fim, piscava incansavelmente em vermelho e na parte de comando, via-se a claridade emitida pelas telas dos computadores e aparelhos como radares e diversas parafernálias das quais não possuía conhecimento algum.
A sombra de um homem apareceu por trás da luminosidade, e em poucos instantes desapareceu. Mas, para minha surpresa, uma porta se abriu, expelindo um pouco de fumaça — talvez gelo seco -, logo se dissipando ao vento. O loiro em passos largos e céleres, vez ou outra parecendo saltitar, finalmente se revelou. Não estava como da ultima vez que o vira, repleto de trajes e materiais para culinária. Não. Ele vestia uma jaqueta preta de couro, e acoplado nos antebraços, dois braceletes largos e mais negros do que o próprio casaco. Sua calça era jeans e nelas havia presa um cinto, com duas asas e um emblema de aviador no centro. No peitoral direito, uma insígnia presa, idêntica a do símbolo lá fora e legítima a quem ganhasse uma delas, por mérito. Vencendo uma batalha justa.
—— Faz um tempinho, amigo! —— Gritou ele do outro lado da arena, ajustando suas vestes. —— Digamos que sim. Mas não tanto. —— Coloquei minha mão na nuca, coçando-a levemente. Reencontros às vezes me deixavam sem palavras, não sabia como me portar e qualquer ruído emitido me fazia pensar agir vergonhosamente. Porém, o líder não ligou muito e logo ergueu seus volumosos braços, e mais holofotes pairaram acesos e pelo centro do campo, e dos dois lados do campo, turbinas desciam em metais presos para que não ocorresse um acidente. As máquinas sopraram uma vez, e no meio, o chão se abriu, liberando uma arena repleta de lacunas e com espaços ocos um pouco abaixo do piso normal, formando fendas por toda a arena. Primeiramente não fazia ideia do que se tratava, mas notei não haver outras destas no ar, então o primeiro palpite me veio à tona. "São para dificultar Pokémons terrestres." A ideia me irritou um pouco, mas estava mais do que lógico isso devido a presença deles.
Yash me avaliava do outro lado do recinto, sorridente, pois notara a minha perspectiva sobre a arena. —— Engenhoso! Gosto disso. Mas não estamos aqui apenas para olhar o meu belíssimo campo, não? —— Indagava ele, já erguendo uma esfera bicolor em sua palma destra. O líder a lançou graciosamente até atingir os céus, e dela, um Pokémon magnífico se revelou durante o brilho luminoso e mais forte do que os próprios holofotes. A esfera ampliava a libertação, tendendo a chamar atenção de quem assistia. Um efeito comum usados em capsulas que eram postas nas próprias PokéBalls. E esta tinha a habilidade de deixar a abertura mais brilhante, obviamente.
Quando os raios foram diminuindo, a pelugem ganhavam o destaque, junto do pescoço alongado e garras graciosas e bem afiadas, uma combinação de beleza e ferocidade. Altaria abriu suas asas erguendo seu corpo pelo campo e aplicando rasantes que fazia a poeira de outras batalhas, impregnadas no âmbito, desgrudarem do solo e o acompanharem num ritmo eufórico e vívido. —— Por favor, escolha o seu Pokémon! E se vencer o meu, a insígnia Pena será totalmente sua! —— Era impressionante a capacidade de entusiasmo repentina e incansável emanando e aflorando do corpo do Gym Leader, contudo, o fato mais curioso vinha do poder em suas exclamações. Causavam leves arrepios em minha espinha, dando uma alta e inquietante hiperatividade, desejando ardentemente travar aquela luta.
—— Seu desejo é uma ordem! —— Nem precisei apanhar uma das esferas em meu cinto, já que a sensação era mútua ao meu Pokémon. Charmeleon me conhecia melhor do que ninguém, mesmo em pouco tempo ao meu lado. Talvez empatasse apenas com meus pais. O lagarto vermelho pulou da parte suspensa em que nos encontrávamos, e chegando ao solo, suas garras arranharam o piso, e ele se posicionou, fixando suas mãos no chão e assumindo uma forma de quadrupede. Não parecia ser a melhor posição, mas sabia o motivo dele agir daquela maneira.
As turbinas.
Quando os ventos causados pelas máquinas deram um breve intervalo, ele correu até uma das elevações feitas justamente para se proteger das rajadas, e que tivesse total visão do seu oponente. —— Aqui vamos nós! —— Meu verbalizar penetrou cada canto do âmbito, até ouvir um pouco atrás de mim, os destroços ensurdecedores proliferados pelo romper de metais e diversos tipos de materiais, desviando toda a minha energia e concentração na batalha.
Uma hora antes do ataque.
—— Já faz quase uma hora que o Marti sumiu... E ele não atende o celular... —— Murmurou Mapa. Seus braços estavam agarrados ao seu Growlithe firmemente. Ele se aconchegava no colo da garota enquanto bocejava, se esfregando na sua blusa. Nos olhos da menina, algumas lágrimas não propositais escorriam, ela também imitara a recente ação de seu Pokémon, até usufruir de sua mão para coçar o canto do olho. —— Aposto que deve ter saído correndo e ido treinar, pois viu o quão habilidoso eu sou! —— Argumentou o rapaz de cabelos crespos, presos a uma boina. Em seu pescoço jazia um cachecol preto e dourado, e ele vestia uma blusa de lã preta, dando destaque as tiras do utensílio. Ele tinha seu Magneton logo atrás do ombro, levitando e assentindo em concordância com seu treinador, que no caso se tratava de Fredini, o novo amigo que o grupo fizera após observarem a batalha árdua contra a garota de longas madeixas negras. —— Ah, claro. Até porque você quase perdeu pra uma garota... —— Respondeu Pezarim, a oponente de outrora. Ela trajava uma roupa simples. Jeans básico, camisa de manga comprida com a gola um pouco decotada e uma jaqueta de couro por cima. Jolteon se acomodava no banco ao lado da treinadora, satisfeito com o progresso e sonolento pelo papo desinteressante a seu ver. —— Conheço o Marti, ele jamais ficaria com medo de um novo oponente. —— Assegurou Tomi, com os braços cruzados, olhando o horizonte, pensativo. —— Concordo. Estudei com ele na ITEP, e o cara não dava pra trás nunca. Admiro isso. Mas do jeito que a vitória de ontem deixou ele elétrico, aposto que deve ter corrido por ai atrás de alguma coisa... —— Dizia Franchini, acariciando sua Ponyta e abocanhando um dos sanduíches expostos a mesa, feitos por Dan, que até agora só se encontrava parado, olhando para o celular, como se uma resposta fosse chegar a qualquer momento.
—— Ah, eu não seu vocês... —— Growlithe saltou do colo de Mapa, quando ela levantou abrutadamente. —— ... Mas eu casei de esperar. Vou dar uma procurada e sei exatamente por onde começar. O que você disse me deu uma ideia, Fran. —— E sem delongas, a manceba girou os calcanhares e foi rumo de encontro a avenida.
[...]
Alguns minutos caminhando, a garota chegou próximo de um pequeno estabelecimento posicionado na calçada, mas ainda dando espaço suficiente para que pedestres pudessem contorná-la ou simplesmente atravessá-lo, já que haviam portas automáticas. Mapa se prontificou e ambas se abriram em direções opostas, liberando um jato de ar gélido que arrepiou de súbito todos, devido a brusca queda de temperatura. Afinal, eles andavam debaixo de um sol escaldante e no lugar não haviam muitas árvores como na praça para protegê-los dos raios solares.
Dentro do ponto, Mapa caminhou até um painel onde havia uma tela computadorizada e várias opções, como também um enorme mapa ao lado direito, mostrando todas as ruas, avenidas e até becos da cidade em que estavam. —— Ah, claro. Vai pesquisar aonde o Marti está ai? Acho que ele não tem um GPS embutido. —— Riu Dan, mas a púbere sequer perdeu tempo de olhar para ele. —— Não, mas como vocês são da era Neandertal, eu lhes apresento a tecnologia! Ele vem ajudando a vida das pessoas há séculos. Bom... Não vou perder tempo com piadinhas, estou programando para um ônibus nos buscar aqui e nos deixar no ponto mais próximo do gym. —— Fran se aproximou, olhando de soslaio. —— E por que isso? —— Indagou. —— Sério? Conhecendo o Marti como vocês, sério mesmo que não sabem aonde ele pode ter ido? Sozinho? Com o Charmeleon P da vida com ele por não ter lutado na ultima fase do campeonato? Nossa. É tão óbvio. —— Triunfante, ela finalizou o pedido e se sentou num banco, retornando seu Growlithe, já que dentro dos ônibus não era permitida a entrada de Pokémons soltos para o maior número de passageiros. Não que fosse totalmente proibida, mas valia como os assentos preferenciais, o uso era livre com pessoas naquelas condições.
[...]
O ônibus demorou por volta de 15 minutos para tomar todo o seu trajeto, inclusive buscá-los e despejá-los no próximo ponto. Por mais que o lugar parecesse enorme, era possível dar uma volta na cidade toda em apenas meia hora dentro de um dos ônibus, e o que ajudava muito eram as ruas livres e sem trânsito algum. Poucos gostavam de usá-los, mas estavam sempre a disposição para turismo, ou algum apressado da vida.
Descendo, houve um ligeiro protesto de cada um por terem de sair da área refrigerada. O sol não dava descanso e ardia constantemente.
Eles atravessaram a rua e pararam próximo a um edifício com muros altos e largos, repletos de gramados e alguns seguranças posicionados na entrada principal. Eles pareciam ter entrado em posto agora que pessoas ficaram próximas do colossal edifício. Mas ninguém os culpava, ser segurança de fato era um dos trabalhos mais tediosos que tinha. Mas isso não foi desculpa para Fredini não gostar por estar sendo observado como um trombadinha que pudesse perturbar a paz deles. —— E ai? Qual o plano? —— Dizia, se encostando no muro e olhando para o céu, sua impaciência desagradava Pezarim, mas ela decidiu ficar quieta, por hora. —— Não sei, nem sabemos se o Marti está aqui com certeza. —— Afirmou Dan, e todos, exceto Mapa, assentiram.
A garota deu alguns passos envolta e rapidamente parou. —— Olhem lá! —— Aquilo era para ter soado como um sussurro, mas a intensidade de sua razão a tornou quase um berro. Convencida de que não estava errada, o grupo avistou Martinato parado ao lado de Charmeleon, avaliando a estrutura do Ginásio, e pouco tempo depois, o garoto entrou e as portas se fecharam. —— O que eu falei? Amo estar sempre certa. —— Fran aplaudiu, mas ironicamente. Isso não mudava muita coisa na vida dela. De ninguém, na verdade. —— Acho que deveríamos dar um susto nele enquanto ele batalha! —— Sugeriu Tomi, com um sorriso enorme e repleto de malícia no rosto. —— Oras! A culpa é dele, não do Charmeleon ou qualquer Pokémon que ele use. Não seria justo. —— E mais uma vez outro debate se iniciou.
Enquanto discutiam sobre qual castigo deveriam dar para Marti, e com uma frase escapando aos ouvidos de Fredini, o alto se virou e cessou a discussão. —— Se for pra entrar lá e só ver, e decidir um plano pra mais tarde, então vamos logo! Eu quero estudar a forma que ele luta. Se ele venceu o campeonato de ontem, com certeza é um ótimo oponente para os meus Pokémons. E eu gosto de estar na vantagem. —— Pezarim se aproximou e colocou sua mão na cintura, cansada das atitudes do mancebo. —— Você quer largar de fogo no cu? Esperar um ou dois minutos a mais não vai mudar a sua vida, e se seus Pokémons são tão bons assim, você não precisa estudar como ele luta! Vá lá e o vença assim mesmo. —— Isso o desarmou completamente, mas sua personalidade exigia uma respostas, contudo, ele cedeu pela primeira vez na conversa. Não queria passar uma imagem de fraco, por gostar de avaliar seus oponentes antes, gostava disso, e pensava que quem o fizesse, também estava sendo engenhoso, mas da forma como Pezarim falou, apoiar sua causa parecia uma atitude de mocinha. E ele odiaria ter essa fama.
[...]
Foram exatos quase dez minutos para decidirem. O tempo corria, e definitivamente a essa altura, Martinato já deveria ter começado a sua batalha com o líder. Ou pelo menos já deveria tê-lo achado e proposto a partida. O plano era realmente atrapalhar o garoto, com uma condição: Se ele usasse o Charmeleon. Afinal, o Pokémon fire tinha noção de que eles o estavam esperando e não protestou momento algum.
Indo rumo ao ginásio, um pouco a frente, do outro lado da calçada, um grupo parecia ter tido a mesma ideia que Marti. Eles se amontoavam e discutiam quem lutaria primeiro. Eram cerca de cinco ou seis, ficava difícil distinguir com todos se movendo e um passando o outro a cada segundo. Conforme se aproximaram, alguns reconheceram os outros a frente, deixando somente Fredini e Pezarim para trás, já que eram novos e não conheciam os outros treinadores.
E estes eram Yokota, Jubs, Thalles, Sabrina (a campeã em disputa solo), uma garota nova que os "antigos" não conheciam, deveria ter se juntado recentemente com eles, assim como a dupla que os acompanhavam, por fim, Cody.
Todos estavam bastante motivados e enérgicos. Isso determinou Tomi a se aproximar correndo. —— Caramba! A renca toda veio! —— Surpresos, e avistando todos, houve aquela pausa para comprimentos e assuntos sobre ontem, ou também da estadia. Finalmente, as apresentações. A garota nova se chamava Ariely, mas todos a chamavam de Lore, devido o seu segundo nome. —— Bom, atualmente eu tenho um Eevee, Teddiursa e um Swellow. —— Comentou a garota, depois da pergunta de Dan sobre quais Pokémons ela obtivera até agora.
Quando o assunto voltou sobre o ginásio, Pezarim deixou escapar que Marti deveria estar enfrentando o líder neste exato momento, e isso deixou os nervos de Yokota a flor da pele. —— Aquele maldito chegou primeiro que eu! Argh! —— Irritado, ele quase, quase iniciou uma corrida até o lugar, mas foi impedido pela garota ruiva, que puxou a gola de sua camisa. —— Aquieta o cu, japonês! —— Berrou Sabs, e todos ao redor riram.
Dan contou sobre o plano que tiveram para castigar Marti, e isso agradou Yokota. Estavam decididos e precisavam entrar logo, ou se não a luta poderia acabar.
Finalmente, quado todos se prontificaram na frente do ginásio, cordas metálicas penetraram a estrutura de cimento, rompendo o teto e a parede. Aquilo assustou todos, e quando se viraram, uma máquina planadora, semelhante a um jato, só que cinco vezes maior, jazia imóvel, com dois homens em uma porta aberta para dentro do compartimento. Eles usavam um Staraptor e um Fearow. Logo montando em seus dorsos e sobrevoando a área.
Não tardou, logo o primeiro apêndice metálico esticado recuou numa velocidade surpreendente, segurando um Altaria, rugindo de dor e incomodo pela intercepção em seus movimentos. —— É melhor saírem daqui, seus pivetes! —— Ameaçou um dos mascarados, e depois duas rajadas de ventos poderosos (Gust) vinda das asas dos Pokémons Flying, lançaram o grupo para diversos lugares. Neste período, Marti, acompanhado de Charmeleon e o Gym Leader Yash saíram pela porta da frente, irritados e ao mesmo tempo confusos com o acontecimento.
Mal sabiam eles que as circunstâncias dificultariam ainda mais.
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