The New Continent.
14 Nem todo final é feliz. I/II
Notas iniciais
Os passos firmes e céleres do tenente preenchiam o vasto corredor, sibilando nos ouvidos do garoto de cabeça baixa, cujo o acompanhava, vez ou outra vigiando os membros da corporação que dirigiam olhares desdenhosos ao seu rosto. Ele tivera sido pego mais uma vez, em locais de acesso terminantemente proibido aos meros peões, tal peça como ele possuía em seu nível dentro da equipe tão bem sistemática.
O homem a sua frente possuía largos dois metros e um. Braços definidos que mais pareciam pernas. Suas costas definitivamente cobria o corpo do garoto e mais dois dele mesmo. Engolindo seco, ele simplesmente arqueou os olhos de soslaio, infelizmente tendo o rosto de um dos encarregado das mensagens, encarando-o com um sorriso dotado do mais puro sarcasmo. E o pior, ele ousou, mesmo na frente dum homem com a alcunha tão poderosa. —— Belo serviço, garoto! Pena que foi pego de novo. —— E em prol das risadas, ele dobrou a primeira esquina, quando teve uma oportunidade.
Já ambos, ainda caminharam por dez minutos exatos, até pararem perante uma porta mecanizada. Um laser vermelho se ampliou, fazendo a análise do paradeiro. A voz duma programação ordenou que colocasse a senha padrão, na qual era mudada de cinco em cinco minutos, a fim de evitar hackers. Finalmente com o acesso totalmente liberado, e as palavras firmes do algoz, deixando explícita a presença de um dos lacaios, de lados opostos, as portas cogitaram um rápido deslize, revelando uma sala com cerca de vinte homens de ternos brancos e um U esculpido em seu peitoral, digitando freneticamente em milhares de computadores compostos ali.
—— Fique ai. —— Em alto e bom som, com um timbre irritado, o tenente deu a ordem. O garoto sequer ergueu seu queixo, ou respondeu ao seu senhor. Calado, com o coração vibrando no peito, ele sentou-se numa das três cadeiras encostadas na parede, próxima a porta, postas ali para que alguém — pelo visto, hoje, ele — se sentasse enquanto aguardava novas exigências.
A cada segundo, o ar ficava mais gélido e parecia que a densidade do ar não era suficiente para seus pulmões. O jovem se sentiu escalando a montanha mais alta e sem equipamentos apropriados. Por um momento, achou que poderia ter uma parada cardíaca. "Pare com isso! Você precisa se manter firme!" Argumentava com seu subconsciente, se encorajando e tentando encarar a situação como um homem, não que isso de fato provasse sua virilidade. Todos sentiam medo, e isso jamais mudaria.
Finalmente, com as pisadas fortes, o homem de corpulento parou na frente dele, redigindo um olhar com todos os seus sentimentos estampados. O qual resumidamente se tornava apenas um: raiva.
Junto dele, um outro rapaz o acompanhou. Esse tinha uma expressão mais amena, mas não facilitava as coisas, já que seu olhar se mantivera sério e avaliativo desde o principio. O garoto se levantou, fez a tradicional cerimonia de apresentação, colocando o braço esquerdo junto ao peito, depois o esticando para frente. —— Senhor! —— Sua primeira palavra depois de tantos minutos quieto. A garganta sentiu o incomodo pela falta de saliva e ele quase tossiu. Agradeceu mentalmente quem quer que o observasse além da vida e por fim, silenciou-se, ficando em pose de sentido.
—— Descansar. —— Balbuciou o mais baixo. Sua estrutura ainda sim, era intimidante. Ele tinha cerca de um metro e oitenta nove. Braços definidos, assim como muitos músculos do corpo, contudo, tinha um sobretudo branco com listras cinzas, o habitual U em azul escuro, luvas negras e um óculos que conforme ele se movimentava, proporcionava uma lente escura, voltando ao normal assim que a luz amenizava seu campo de visão. Tinha longos cabelos tão claros que chegavam numa tonalidade branca, e na frente, um franja repicada, chegando a cair facilmente até sua bochecha. —— Jack, correto? Nome comum... Até demais, para os tempos de hoje. Que seja. Está ciente das acusações? —— Ele assentiu, engolindo seco. —— E qual a sua explicação para nós, seus comandantes, por ter invadido mais uma vez uma área de arquivos secretos, onde somente nós e os cientistas responsáveis tem acesso? —— A pergunta penetrou seus ouvidos como facas, e ele usufruiu de toda sua concentração para compartilhar uma opinião aceitável. Se fracassasse, seria considerado um traidor, ou até pior, um espião. Caso ocorresse isso, a morte sem dúvida seria sua unica certeza. —— Senhor, não vou enrolá-los como da ultima vez. Assumirei meu erro com honra. Eu invadi sim a sala de pesquisa, mas somente porque, estando aqui há duas semanas, percebi que os que não se destacam logo, rapidamente são descartados. E não quero ser um mero peão. Quero crescer nesta organização e por isso, precisei tomar conhecimento de várias pesquisas e passos da nossa Companhia. Inclusive, se me permitem... —— Ele apanhou alguns papéis presos em seu bolso, os alinhando da forma correta. Ficou um tanto envergonhado pelo material ter amassado tanto. —— Tomei proveito e redigi alguns detalhes que faltavam em arquivos inacabados. Creio que se puderem avaliar antes de se livrarem de mim, perceberão que o rumo das pesquisas, ataques ou até mesmo desenvolvimento de novas armas, pode mudar. E gostaria também de ressaltar que eu, sou um dos poucos aqui que ainda tem Pokémons ao meu lado e não preciso gastar material da empresa, logo, gerando um lucro de tempo para mais espécimes que possam ser utilizados em outros benefícios. Sei que fui errado, mas às coisas erradas muitas vezes geram bons resultados. É isso, tenente! —— Jack se prontificou, ficando em sentido. Fez novamente o ato de cumprimento e olhou reto, sem vislumbrar os resquícios de emoções dos senhores a sua frente. O mais baixo apanhou as suas anotações e passou detalhadamente seus olhos pelos documentos.
Sua sobrancelha destra arqueou. Perplexo, ele fez com que o brutamontes, que por mais que fosse gigante, era dotado de um cérebro bastante engenhoso, olhasse o conteúdo e visse por si mesmo. Um largo sorriso brotou em seus lábios grossos. Os dentes eram ainda mais apavorantes. Ele passou a mão em seu topete loiro arrepiado, cruzou os braços e deu um passo a frente. —— Mattew! —— Berrou, assustando todos os presentes, exceto o seu acompanhante, que ainda lia com veemência as anotações de Jack.
Rapidamente, um sujeito parou ao lado, apresentando-se cordialmente. —— Sim, comandante? —— Perguntou, e sequer realçou feição de desapontamento ou coisa do gênero. Estava ali para servir, não importa para o que fosse. —— Traga mantos apropriados e uma divisão a esse soldado. À partir de hoje, ele será um capitão! —— Em seus pulmões, o ar preencheu tão fortemente, aliviando cada nervo de seu corpo. Jack relaxou, respirando algumas repetidas vezes com força, até que o mesmo sujeito de outrora surgira de novo, com suas novas vestes. —— Agora, siga reto e troque-se! Quando voltar, explicarei suas novas ordens. Você tem seis minutos! Vá! —— Sem tardar, o mancebo correu, sendo guiado por Mattew até o estabelecimento privado, onde teria paz, por pelo menos seis minutos.
Dentro do cômodo, ele travou a porta, suspirou e encostou suas costas do outro lado. Com o indicador, retirou um pequeno objeto esférico, similar a uma moeda. Pressionou seu centro e dele, os mecanismos imediatamente responderam. Um apoiador de orelha estendeu-se, junto com um pequeno microfone esticado pela bochecha, chegando próximo a boca. —— Relatório da missão... Consegui me infiltrar nas linhas de frente dos inimigos. Meu plano ocorreu conforme o planejado, no aguardo para mais informações e assim que possível, irei repassá-las... —— E ao mesmo tempo em que se trocava, ele explicou exatamente o feito de agora pouco, não deixando escapar um detalhe sequer. —— ... Espero que tudo ocorra bem e que eu não tenha mais problemas. Fim do relatório. Agente... —— Antes de finalizar a frase, uma batida na porta forte soou. Ele pressionou o botão mas teve tempo de dizer uma única frase: —— Finalizando transmissão... —— O sussurro rápido e o pressionar no mesmo mecanismo central, fez com que o disfarce de moeda caísse em sua palma, no momento em que faltava apenas uma luva para se trajar. A porta abriu, e naturalmente ele fez a moeda escorrer dentro da peça de roupa, ignorando qualquer tipo de ação suspeita. —— Ótimo tempo, agora vamos, ponha isso no caminho. —— Disse Mattew, e assim, por hora, ainda como os presentes ali o conheciam, Jack o fez, acompanhando o serviçal.
[...]
O apêndice metálico se recolhia velozmente, alarmando todos os de olhos estupefatos a cena angustiante. Altaria se remexia e rugia de dor pelo incomodo das garras do mecanismo, por sorte, o trio de navalhas não chegou a penetrar o corpo do pobre Pokémon nuvem, mas mesmo assim, a pressão surtida em seu corpo provocara dores angustiantes, deixando os olhos de seu treinador embaçados pela covardia dos bandidos.
Os homens presos a aparelhos similares ao que pegara Altaria, da porta, alçaram uma espécie de voo, planando conforme a sua vontade pelo apetrecho em mãos. Uma espécie de joystique usadas nas antigas máquinas de fliperamas expostas num dos milhares museus de tecnologias ultrapassadas. Contudo, por mais que o método fosse do passado, caia muito bem no futuro com uma bela alteração, inclusive, não parecia ser difícil manuseá-lo.
As cordas de metais se alongaram até o Pokémon de Yash, que juntamente se encolhia até um dos lacaios com capacetes, ocultado suas faces. Nem precisava observar o gigante U para saber quais os patéticos operadores estavam trabalhando. A Team Universe tinha o ligeiro hábito de tornar a vida pacífica de divertida de um treinador num completo caos. Tudo para que? Dominação global? Já não bastava a quase extinção dos seres magníficos? O sangue percorreu toda a minha cabeça, formando uma raiva alucinante, sendo completamente intensificada quando o algoz depositou uma das coleiras elétricas no pescoço de Altaria.
O objeto se ajustou a medida correta, descarregando uma dolorosa carga de energia azul, similar a um potente Thunderbolt. Mas a intensão era apenas desequilibrar o emocional do Pokémon. Uma vez abatido, seu real objetivo era alcançado. Os olhos de Altaria se envolveram num tom vermelho vivo. Sua face de dor rapidamente sumira, sem deixar vestígio algum. Agora, um novo Altaria jazia no corpo do antigo. Cruel, destemido, sem medo algum e o pior... Fiel ao portador da coleira. —— Hahaha. Finalmente conseguimos um. Foi difícil achar. Afinal, pegamos tantos desses até que nossa pesquisa finalmente desse algum resultado. —— Comentou o primeiro a sair, já segurando na mão canhota um aparelho parecido com um celular. Ele pressionou alguns botões com seu polegar e as garras se abriram, deixando o dragon type ficar livre no céu, em exatos seis metros de distância do solo. Ele olhou ao redor, aguardando os comandos e avaliando o perigo, bastante precavido.
Sabrina instintivamente colocou sua mão levemente até o cinto, querendo ser rápida, mas ao mesmo tempo, sorrateira. Infelizmente os instintos de Altaria era impecáveis, seu dono havia feito um bom trabalho nos árduos treinamentos, tornando o espécime azul um inimigo poderoso. E sem delongas, Altaria emanava de sua boca um raio azulado repleto de pulsações, atingindo o chão alguns centímetros de distância dos pés da ruiva, lançando-a para o chão fortemente e emanando uma poeira.
O primeiro homem riu com a desgraça da garota, e um grupo foi socorre-la. —— Altaria, pare com isso! —— Berrou Yash, em vão, e somente tendo mais um Dragon Pulse na mesma intensidade e posição, lançando outro fortemente contra sua vontade ao solo. —— Idiota! Ele não pertence mais a você! —— Finalmente o segundo deu o ar da graça de suas palavras, tornando a raiva dos presentes mais intensa.
Inesperadamente e sem meus comandos, Charmeleon lançou uma esfera azulada repleta de faíscas esbranquiçadas, mas Altaria estava preparado, já que o único alvo que pudesse revidar era o ele. Usufruindo das asas, Altaria executou sem um momento de recarga, um potente Sky Attack.
O golpe surpreendeu todos, com exceção de Yash, ainda caído no chão e cabisbaixo. As dores do corpo o impediam de erguer mais o rosto e ele era forçado a assistir a cena com apenas um dos olhos. —— Defenda-se! Protect! —— Infelizmente, minhas palavras foram lentas demais, pois o golpe repelira o Dragon Rage e ainda acertava fortemente a barriga de Charmeleon, lançando-o aproximadamente três metros na longa avenida vazia.
Ainda imóvel, fiquei apenas boquiaberto com a potência dos poderes de Altaria. Não havia muito o que conceber aquela altura, e os mascarados ainda possuíam reservas. Felizmente, o grupo estava cheio, e com um Pokémon em campo apenas, seria impossível prever todos os movimentos. Rapidamente, Yokota lançou sua esfera e de lá, seu Charmander saia e imediatamente ia ao encalço do meu Charmeleon, ajudando-o a se levantar e se recompor na batalha. Sua calda tinha uma brasa pequena, mas quando o pequeno réptil alaranjado se aproximou do avermelhado, e as caldas se juntaram, as chamas se intensificaram e Charmeleon se recompôs finalmente. —— Intrometido! —— Citou o mascarado, usando o joistique e com isso, as cordas metálicas se esticaram, fazendo-o se aproximar mais do chão rapidamente. De seu bolso, uma PokéBall foi sacada e lançada imediamente.
Ainda no ar, a esfera se abriu, e dela um Bronzorg. —— Reforço! —— Berrou o segundo. Mas este estava ainda mais próximo do chão. Arremessou sua PokéBall e dela, um fortíssimo Drapion emergia, com os braços abertos. Ao entrar em contato com o solo, ocasionou-se um pequeno tremor devido ao seu enorme peso, mas não durou mais que alguns segundos.
A dupla de Pokémons vilões sequer utilizavam as coleiras manipuladoras que vimos no ultimo encontro. Estavam de livre e espontânea vontade no embate. Felizmente, de modo ágil, Sabs jogou sua esfera, conseguindo libertar seu imenso e fortíssimo Onix. O rugido o Pokémon rock emanou poeira pra todo o lado e o asfalto foi totalmente danificado, não que o patrimônio público fosse de importância ao grupo.
Pezarim e Fred também se uniram na mesma velocidade a garota ruiva, e de suas esferas bicolores, um Magneton — já visto antes — e um intimidante Shiftry foram libertados, e eles encararam um a um os seus alvos.
Percebendo a desvantagem, o piloto da aeronave pressionou alguns comandos sincronizados de botões e a parte da frente se abriu, erguendo-se para cima os espelhos blindados, revelando a cabine completa, com capacidade para caber no mínimo mais quatro pessoas. —— Seus fedelhos! Vamos idiotas, não podemos fracassar de novo! Vão! —— Com o incentivo mais parecendo uma ameaça, o piloto apanhou duas PokéBalls e as jogou bem ao alto, liberando dois lacaios, que também estava sem o uso das coleiras manipuladoras. Agora, a desvantagem vinha para o grupo, já que Houndour ateava fogo próximo dos restantes e um forte Pinsir os intimidava, aguardando quaisquer movimentos suspeitos.
—— Rápido, me cubram enquanto fingem que estão com medo... —— Sussurrou Ariely, e os amigos seguiram o plano encenando bem o temor nos olhos, se aglomerando entre todos os ângulos possíveis da menina, dando liberdade o suficiente para ela pegar uma de suas esferas e jogar para cima, deixando apenas o grande inseto abismado com o ato secreto. Ele saltou para trás assim que a bola se abriu, lançando o feixe de luz branca, liberando um par de asas belos e azulados, assim que o brilho cedeu.
Swellow ganhava altitude, voando com graça e deixando Pinsir ainda mais nervoso. O Pokémon inseto então, irritado pela forma como seu oponente preferia voar do que enfrentá-lo, instantaneamente o cupim utilizou suas pinças presas a cabeça e perfurou o asfalto, fazendo vários fragmentos se romperem. Em seguida, com a utilização de seus finos, embora muito fortes braços, o inseto lançou várias daquelas pedras ao alto, mirando acertar Swellow, que graças a distância e velocidade, não aparentou ter muita dificuldade em desviar do Rock Slide improvisado.
Com tudo igualado, Swellow aplicou um rasante, firmando suas garras no solo, dando abertura para sua treinadora passar os amigos e assumir a posição de comando. O piloto ordenou que mais um capanga aparecesse e tomasse controle da luta com Houndour. Sabs junto de Onix, Yokota um pouco afastado, mas focado na luta comigo, Pezarim ao lado de Fred com Magneton e Shiftry, todos prontos e irritados pela forma que era tratados. —— Agora vocês é que vão se ver, projetos de merda! Onix, Sand Tomb! —— Berrou Sabs, criando uma chama ardente nos espíritos de todos. —— Acha mesmo que vamos nos render, sua imbecil? Drapion, Ice Fang! —— A velocidade do Pokémon escorpião tornou a vida de Onix mais complicada. O aracnídeo venenoso correu pela rua, subindo e riscando alguns automóveis, até que saltara com suas presas brilhando azuladas, mordendo com força a rocha que formava o corpo de serpente de Onix.
A parte mordida imediatamente criou uma camada grossa de gelo, não derretendo com facilidade, embora o sol ardesse em cima deles. O movimento do Pokémon de Sabs foi anulado, mas a luta acontecia em todo o lugar.
Pinsir tentava executar inúmeros golpes do tipo lutador no pássaro, mas ele sempre arranjava um jeito de esquivar no ultimo instante. Feliz com a ira do seu oponente, ela podia prever com facilidade as outras sequencias, já que seu dono sequer deu alguma ordem. Pinsir parecia mais um Pokémon selvagem. —— Swellow, combine Agility com Aerial Ace, depois finalize com Wing Attack! Esse maldito vai se arrepender por ter ameaçado meus novos amigos! —— A garota demonstrou uma ira completamente contraditória de sua aparência. Ao fundo, alguns olharam para Cody, e ele apenas deu de ombros, como se não soubesse de nada também.
Swellow moveu-se, desviando das árvores, postes e carros que ali se encontravam, logo aparecendo atrás de Pinsir. Seu treinador tentou avisá-lo, mas obviamente, foi inútil. Swellow lhe dava um golpe na vertical, de cima a baixo, acertando-o pelas costas. Pinsir rugiu de dor, e se virou, mas errou literalmente ali, pois em seguida, as asas de Swellow vinham em sintonia, dando um cruzado bem no meio de seu rosto, nocauteando o inseto imediatamente.
Altaria sem um dono comandando-a, aproveitou toda a situação para de recompor. Charmeleon já se sentia bem melhor devido sua chama intensificar, graças a ajuda do Charmander de Yokota. O pequenino fez um sinal positivo ao réptil avermelhado, e eu olhei para Yokota. Trocamos informações óbvias em apenas um segundo, assentindo juntos. Agora tínhamos de agir como equipe. —— Charmander, Smockscreen! —— Altaria forçou seus olhos, tentando prever as ações da dupla Fire. —— Charmeleon, desapareça! —— Gritei, logo que uma imensa quantidade de fumaça era soprada em direção do dragão nuvem.
Irritado devido sua visão ter sido prejudicada, o oponente usufruiu de suas asas, criando um vórtex, varrendo ela toda do cenário, mas conforme o terreno era novamente revelado, os dois Pokémons não se encontravam lá, apenas um amontoado de rochas e asfalto destroçados.
Intrigado, Altaria rapidamente bateu suas asas para cima, evitando ser surpreendida por baixo, mas felizmente, os reptilianos agiram rápido e debaixo dela, o chão se rompeu e uma esfera azulada sendo banhada por chamas se ergueu, colidindo inesperadamente com a barriga do dragon type. Este por sua vez, perdeu o controle do voo e foi arremessado imediatamente ao chão, contudo, não tardou muito em levantar, mas ainda sim, mostrou dificuldades em se levantar.
Mais ao lado, Fred e Pezazim enfrentavam dois dos quatro homens mascarados. Bronzorg surtia uma forte barreira psíquica, obrigando o Electric type ser lançado para trás, mas sua resistência a movimentos do tipo psychic evitaram que os planos do antagonista fossem cem por cento concluídos. Magneton apenas se deslocou alguns centímetros para trás e acima. Assim que as ondas psíquicas cessaram, Fred não perdeu tempo, e o mesmo aconteceu com Pezarim. —— Supersonic seguido de Thunder Wave! —— Ponderou o garoto com boina. Ao lado, a morena alta fechou os punhos, já tendo pedido para seu Pokémon desviar de um vórtex de chamas. —— Shiftry, Quick Attack seguido de X-scissor! —— Sem delongas, o Pokémon árvore correu, deixando apenas vultos seus pelo campo, deixando com que as chamas atingissem tudo, com exceção dele ou sua treinadora e amigos. Num movimento ligeiro, Shiftry reapareceu ao lado de Houndour, e com suas mãos feitas de plantas afiadas, ele desferiu um corte em formato de X nas costelas esquerda.
Houndour foi lançado contra o corpo de Bronzorg, e ao sofrer o impacto, de sua garganta um rugido reprimido de dor soou, afinal, a carapaça do Pokémon psíquico era sólida e metálica.
O combo de Shiftry além de causar sérios danos ao Dark e Fire type, também provocou um ligeiro contratempo ao seu parceiro. Por mais que o movimento não tenha lhe prejudicado dor, houve uma ligeira distração, sendo assim, as ondas sonoras do Supersonic invadiram plenamente — onde que que estivessem — os tímpanos de Bronzorg, lhe deixando ligeiramente confuso no momento. Sequencialmente, o raio azulado rumou em contato com seu corpo pesado e flutuante, gerando uma carga que energizou toda sua extensão. Dali em diante, ele se encontrava paralisado.
Sabrina era a que mais sofria na luta. Seu oponente tinha diversos movimentos que o ajudavam muito na hora de enfrentar um peso pesado como Onix. Seu corpo já tinha três partes congeladas, e isso o deixou incapacitado de conseguir rastejar com perfeição, sendo que algumas partes deslizavam muito e as outras por serem rocha pura, freiavam a ação da serpente de rochas. —— Hehehe... Garotinha, acho que você se deu mal. —— Cantou vitória o lacaio da Team Universe. Infelizmente, Drapion cedeu a confiança exagerada de seu dono, pois os Pokémons tinham tendências a absorver atitudes similares aos seus mestres, sendo assim, o garota rapidamente ergueu seu punho, entonando firmemente sua voz, despreparando o algoz, que agora mantivera uma distância e uma vantagem cronometrada de um ataque ao outro. —— Earthquake! —— Com a calda erguida, as rochas com uma durabilidade muito maior do que o asfalto, bateram no solo, rompendo o chão em incontáveis fragmentos. Uma rachadura se formou na direção de Drapion, que agora corria na direção de Onix com sua boca novamente emitindo uma coloração azulada, contudo, a velocidade do escorpião não foi suficiente para deter as ondas sísmicas e um golpe totalmente eficaz.
Houndour, Bronzorg e Drapion estavam em maus lençóis. Agora restara apenas Altaria, que também não tinha uma das melhores situações. Charmeleon e Charmander rodeavam seu adversário, e o dragão nuvem os encarava vorazmente. —— Charmeleon, use Fire Punch com as duas mãos e tente imobilizá-lo depois! —— Gritei, e Yokote logo veio ao meu encalço. —— Charmander, use Bite para atrapalhá-lo! —— O réptil menor avançou mais rapidamente por se encontrar mais próximo de Altaria, sendo assim, suas mandíbulas abocanharam uma das patas do oponente, puxando-o para baixo e ocasionando muito desconforto. Em seguida, com os punhos em chamas, Charmeleon usufruiu de dois Jab consecutivos. Ambos acertando em cheio a face de Altaria.
O pássaro atordoado se chacoalhou, afastando Charmeleon e logo alçou voo. Infelizmente, Charmander não ousou soltá-lo e Yokota pensou que não fosse preciso dizer tal ordem, portanto, o pequeno logo era erguido numa altura consideravelmente perigosa.
Irritado, Altaria iniciou seus movimentos aéreos, obrigando de todas as formas possíveis o pequenino soltar-se de sua pata. Ambos estavam bastante incomodados. —— Sabs, uma ajudinha! —— Falei, vendo que a situação contra o Drapion estava sob controle. —— Charmeleon, escale o Onix e salte o mais alto que puder! Yokota, peça para Charmander soltar assim que eu disser! —— Sem questionar, o asiático assentiu e Sabs ordenou que Onix estendesse sua calda para próximo de meu Pokémon. Charmeleon correu, cobrindo uma distância bem menor, enquanto Charmander aguentava o máximo que podia.
Agora, correndo pelas elevações do corpo de Onix, mais uma ideia veio a minha mente e não hesitei em compartilhá-la. —— Pezarim, copie o ultimo movimento do Bronzorg e quando Charmeleon estiver caindo, amenize a velocidade da queda com a aura psíquica! Fred, dê cobertura a ela! —— Os dois concordaram e as ordens foram dadas imediatamente. Magneton, como ordenado, usufruiu de um forte Thunderbolt, para que a dupla dos combatentes ficassem ainda mais debilitados. Em seguida, Shiftry usufruía do Mimic, adquirindo o Psychic em seu arsenal de movimentos.
A esta altura, Charmeleon acabara de saltar, ganhando o máximo de altitude que conseguira, por sorte, Onix também o impulsionou com sua cabeça, abrangendo ainda mais a altura de seu salto. —— Agora! —— Gritei. —— Charmander, solte! —— Berrou Yokota, e seu Pokémon abriu a boca, caindo exatamente na direção de Charmeleon, que o recebera de braços abertos. Como a distância não foi nem um pouco grande, o choque entre os corpos não atordoou nenhum e a gravidade felizmente não os debilitou.
Agora, numa queda de quase dezessete metros, Charmeleon esperava que meus planos dessem certo, pois caso contrário, eles poderia muito bem ir direto para um caminho só de ida. Mas tudo ocorreu bem desta vez, e Shiftry imediatamente criara uma barreira psíquica envolta dos corpos dos Pokémons fire. Aquilo causou um pouco de dor, pois era um movimento ofensivo, mas como Shiftry se concentrava bastante para apenas desacelerar seus corpos, a dor foi suportável.
Já no chão, a equipe de vilões tinha recuado, deixando seus Pokémons para trás, mas quando sua aeronave ganhou altitude, todos recolheram seus parceiros de crime para um devido descanso. Só que não nenhum de nós pode deter ou romper a coleira que controlava Altaria de Yash. O gym leader estava desolado, mas seu rosto encobriu qualquer vestígio de dor, para uma ira abominante. —— Eu vou atrás de vocês, podem ter certeza! —— Ele ameaçou os capangas, que a essa altura já se encontravam acelerando rumo ao norte.
Todos se reagruparam e Mapa apanhou sua terceira PokéBall, jogando ela ao ar. De dentro, um Porygon surgiu flutuando. —— Pory, rastreie eles e volte para me avisar quando encontrá-los! —— Ordenou a garota. Seu Pokémon, sem expressão alguma, virou-se e partiu na maior velocidade que seu corpo permitira. —— Gabite, ajude-o! —— Pediu Cody, ou mostrar seu Pokémon evoluído. Quando a brisa soprou, o dragon type se ergueu como se fosse uma pena, e logo sobrevoou os prédios e casas, alcançando Porygon em pouco tempo. —— Acho melhor termos uma arma secreta, caso as coisas deem errados, o meu Pokémon pode se camuflar e esperar até a poeira baixar para nos avisar sobre a situação. Kecleon, use toda sua velocidade! —— Franchinni liberou também um de seus Pokémons e o camaleão fez um sinal de continência, assim, ficando invisível e aparentemente, dobrando as esquinas numa velocidade similar ao voo dos dois Pokémons.
Todos viram a raiva reprimida no rosto de Yash, mas ninguém se atreveu a consolá-lo. Não haviam palavras para expressar a amargura pelos lacaios daquela organização. Se ele tivesse a primeira oportunidade, certamente ira fazê-los sofrer.
Entretanto, no meio da roda, o pequeno Charmander de Yokota caminhou até o loiro, deixando de lado o amigo da mesma espécie. Ele tocou a barra da calça do mancebo, que o olhou com pesar e deixou escapar uma ligeira lágrima, na qual caíra bem no focinho dele. Domado pelo misto de pena e raiva, uma aura concentrou-se envolta dele e seu corpo se envolveu num brilho luminoso e forte, forçando todos a colocarem a palma de suas mãos na frente. Ao acalmar, agora um destemido e um pouco maior do que o meu, o segundo Charmeleon socava e cuspia fogo ao ar, querendo ir atrás o mais breve possível dos inimigos.
Yokota, mesmo que estivesse orgulhoso pela evolução, puxou o corpo de seu parceiro para próximo de si, dando um tempo para Yash. Este limpou seu rosto e entrou no ginásio, pedindo para que o aguardassem. Passaram-se alguns minutos e o loiro voltara totalmente renovado e com três novas PokéBalls. —— Eu sou o líder do quarto ginásio e não me darei por vencido! Irei resgatar o meu Altaria, custe o que custar. Aqueles que quiserem me acompanhar, por favor, me sigam! —— Meu Charmeleon ergueu seu punho, mas assim que o fez, foi forçado a se apoiar com uma das mãos no chão, enquanto um de seus joelhos se dobrava. Ele estava esgotando. O Charmeleon de Yokota rumou até ele, repousando sua pata no ombro do amigo. Algumas palavras foram dirigidas em forma de rugidos, aparentemente deixando meu Charmeleon irritado, mas não a ponto de discordar. Caminhei até ele, pois de certa forma, havia entendido o recado. —— Vamos, amigo, você precisa descansar, se as coisas ficarem feias, eu com certeza vou chamá-lo. —— Charmeleon agarrou a gola da minha camisa e me encarou profundamente, murmurando um simples rosnado. —— Eu prometo. —— Não sei como, mas interpretei tudo o que ele queria que fizesse. Satisfeito, o fire type sentou no chão, esperando que fosse retornado a sua PokéBall. Por mais que não gostasse de prendê-lo àquela esfera, desta vez não havia escolha.
Com os preparos feitos, nós decidimos irmos em direção mais básica, rumo a aeronave, pois assim cobririamos uma distância melhor. E se acaso um dos três Pokémons soltos voltassem, o trajeto seria ligeiramente menor.
Fale com o autor