The Monster that lives in my head.
3 Nem todo sonho é legal
Notas iniciais
Estacionei meu carro enfrente a enorme biblioteca e desci com o celular e minhas chaves na mão,puxei a porta de vidro e entrei, dando de cara com a recepção.
–Boa tarde, posso ajuda-la?
– Na verdade, só vim olhar alguns livros.
– Procura algum gênero especifico? Se precisar de ajuda é só falar.- Pensei um pouco.
– Talvez terror. Fica em qual prateleira?
– Só 1 minuto -ela foi la dentro, não demorou muito e voltou com um cara.
– Esse é o Edward ele vai te ajudar.
– Ah, oi Edward. -Lembrei do cara com cabelo de cor acobreado que trabalhou lá em casa hoje.
– Olá Isabella, vamos? Fica por aqui -ele foi na frente e o segui em silêncio e ele parou em frente a um enorme corredor
–Algum autor em mente, nomes?
– Não, nada... Só quero dar uma olhada.
– Ta, se precisar de mim vou estar aqui perto. -Ele foi pra outra prateleira.
Dei de ombros e comecei a ler os nomes dos livros. Vi um livro com o nome "Ser nao existente". Peguei-o mais rápido que pude e olhei a capa, era uma criatura negra de olhos vermelhos. Dei uma checada no livro, falava sobre uma garotinha de 10 anos que tinha medo do bicho papão e se escondia debaixo da cama todas as noites.
Isso não me interessou muito e fui procurar outro. Eu continuava procurando livros, mas nunca encontrava o quê eu relamente queria, na verdade... Nem eu sabia o que estava procurando.
Andei mais durante o extenso corredor e vi uns computadores e resolvi pesquisar, sentei-me vagarosamente na cadeira, abri o Google, respirei fundo e escrevi "Criatura sem Face". Nem um resultado encontrado, era tudo que aparecia em qualquer busca minha. Engoli em seco, tentando controlar minha respiração, afinal aquilo tudo era apenas um sonho, nada demais.... Resolvi esquecer isso e fui pra uma prateleira de livros de romance. Enquanto eu lia os nomes dos livros, escutei uma voz aveluda e dei um pulo pra trás de susto.
–Conseguiu encontrar? -Ah... Era só o Edward... Afinal... Quem mais seria?
– Desisti de procurar livros de terror. -Falei baixo.
– Hmm- Ele olhou a prateleira e pegou um livro- Recomendo esse.
– "Amor de repente" ? -olhei pra ele e depois pra capa do livro- tem certeza que isso é bom?
–É sim, uma das minhas recentes leituras.-Olhei de novo pra capa do livro
–Tudo bem... Vou leva-lo.
–Mais alguma coisa?
– Acho que só. -Dei uma última olhada pra prateleira e caminhei até a recepção.
–Você só precisará de um cadastro. -Ele me entregou uma ficha. Preenchi algumas coisa que pediam lá, como nome, endereço, data de nascimento, status civil e outras coisas.
– Prontinho, você tem 1 mês para entregar, para pegar outro tem que devolver este.
– Vou terminar de ler isso em menos de 1 semana. -Sorri.
– Como quiser — ele sorriu- se quiser alguém pra conversar sobre o livro...
– Claro, vou ler... E depois a gente troca umas idéias.
–Vou esperar... Você tem meu número.
– Tudo bem... Obrigada.- Andei até meu carro e percebi que estava caindo uma chuva muito forte.
Entrei no carro rapidamente e com cuidado com o livro,o coloquei no banco ao lado, Liguei o carro, junto com o para-brisa e dirigi até em casa.
Dirigi sem presa alguma, não tinha nada pra fazer apenas ler.
Entrei em uma das ruas mais isoladas do bairro, ou seja, a rua da minha casa. Parei na porta e desci sobre chuva, entrando correndo em casa e trancando a porta. Tirei meus sapatos e pendurei minhas chaves atrás da porta.
Subi pro quarto, vi que a janela ainda estava aberta e a fechei me deitando logo em seguida, e começando a ler o livro. Li durante bastante tempo que não notei quando adormeci.
E novamente eu estava dentro daquela floresta, no meio do nada. Dessa vez eu não tinha forças para tentar fugir, eu estava cansada como se tivesse corrido uma maratona, caí sentada no chão, no meio das folhas molhadas, e vi novamente aquela criatura, ainda sem nome, as garras dela vieram lentamente em minha direção, e uma trovoada bem alta soou me acordando do pesadelo.
Me sentei rápido na cama, morrendo de frio, mas eu estava suada, vi o livro caído no chão e a cama toda revirada, revelando meu sono agitado. Engoli em seco, olhei pra janela e vi algo com a face branca no meio da floresta, pisquei meus olhos umas 3 vezes e quando os abri, não havia nada. Levantei lentamente da cama ainda com medo, e fui lavar meu rosto, peguei a água, com a palma da mão e joguei em meu rosto, quando fui olhar no espelho que tinha em cima da pia, vi a face daquela criatura e gritei.
Pisquei várias vezes com a mão na boca e vi apenas meu reflexo. Senti lágrimas em minhas bochechas e desci pra tomar uma água. Bebi a água temendo olhar para algum lugar e ver aquele ... Arght nem nome esse ... Ser tem! Isso não é real, ..., repeti varias vezes na tentativa de me acalmar.
Eu estava com tanto medo que nem vi que tava apertando o copo de vidro com tanta força, e ele se quebrou em minha mão. Senti o sangue escorrer pelos meus dedos e fui até a pia limpar o ferimento antes que suje todo o chão. Lavei a mão com apenas água,senti uma pequena ardência, enxuguei-a e subi para o quarto sem olhar para janela nenhuma.
Me lembrei da época em que era pequena e depois de um pesadelo minha mãe me deixava dormi com ela e o papai. Essa lembrança me fez sentar na cama, abraçar meus joelhos e começar a chorar.
Lembrar dos meus pais era doloroso, e me permiti esquecer por um momento meus medos e dar espaço a uma velha conhecida... A dor. Continuei chorando, sem ter pausa para respirar, me deitei de volta, cobrindo meu corpo inteiro,eu soluçava alto de tanto chorar. Depois de horas e mais horas chorando naquela noite fria eu adormeci.
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