The Mission
2 Capítulo 1 - Setting off
Notas iniciais
Aquela era uma manhã especialmente calma no quartel general de Alpha, uma vez que a maioria dos agentes estava em campo ou treinando. Os vastos corredores e as imensas salas vazias, construídas da mais avançada tecnologia, chegariam a ser intimidadoras, se a menina não conhecesse o local tão bem. Afinal, havia passado toda a sua vida ali, aprendendo coisas sobre as quais crianças normais não deveriam saber. Mas ela era diferente.
Após não muito andar, estava em frente a uma porta de metal, onde estava escrito "Atticus Raheem — Alfa". Havia apenas alguns minutos desde que recebera a mensagem de um dos pesquisadores da agência de que o Diretor gostaria de falar com ela — provavelmente, iria indicá-la à uma nova missão, uma vez que já estava afastada do trabalho por alguns dias. Passou as mãos por seus cabelos negros compridos e ajeitou seu uniforme, endireitando sua postura. Em seguida, virou-se para a pequena raposa amarelada, que estava sobre suas duas patas traseiras ao seu lado. Sorriu para este e, vendo-o retribuir, bateu algumas vezes na porta e aguardou.
Um dos mecanismos avançados da enorme construção fez com que a porta se movimentasse, liberando uma pequena quantidade de fumaça no ar. Sentado em frente a um grande painel que continha diversos botões, havia um homem de cabelos castanhos e um ralo bigode, que vestia um terno preto.
–Entre, Maddison. -ele convidou, sem virar-se para trás. Só o fez assim que ouviu os passos da garota e o som da porta fechando-se novamente logo atrás dela. -Que bom que você veio. -o homem fitou a recém-chegada com seus olhos azuis, ajeitando seus óculos. -Tenho uma missão para você.
A menina de cabelos negros abriu um leve sorriso ao ouvir a última frase. Estava ansiosa para voltar ao campo, recolher informações sobre novos criminosos ou livrar-se de antigos, como já havia feito tantas vezes antes. Sentia falta da sensação que percorria seu corpo toda vez que completava uma missão, e o mesmo podia ser dito de seu parceiro.
–Um novo grupo de criminosos parece ter emergido recentemente. -Atticus coloca uma pasta grossa sobre a mesa à sua frente, retirando dela alguns papéis. -Eles nomearam a si mesmos de "Ghosts", provavelmente por seu hábito de atacar secretamente e desaparecerem furtivamente. Não se sabe exatamente quem são ou o que planejam, pois só trabalham às escuras, por assim dizer. -ele explicava, lendo algumas das informações que havia recolhido. -E parece que tem alguma ligação com o desaparecimento de líderes de ginásio da região.
–E o que devo fazer? Localizá-los e exterminá-los? -indagou a jovem prontamente, incapaz de segurar o sorriso que surgir em seu rosto. Maddie ouvira sobre o recente caso de alguns líderes de ginásio que desapareciam sem deixar quaisquer pistas. Suspeitava-se que fosse apenas um sequestrador comum atrás de dinheiro mas, claramente, era mais do que isso.
–Acalme-se, agente M3233. -o diretor riu, mas logo retornou à seu tom sério. -Sua missão é infiltrar-se entre treinadores pokémon e aproximar-se dos Líderes atuais, para tentar descobrir o que está acontecendo.
–...Você quer dizer que... -a menina pareceu confusa por um momento, temendo o que o moreno iria dizer. Não, não poderia ser aquilo.
–Quero que você se torne uma Treinadora Pokémon. -ele sorriu, mas a garota não parecia compartilhar da mesma felicidade.
Ela não podia acreditar no que acabara de ouvir. Ela, Maddison Mackenzie, era uma das melhores agentes da organização, sendo a responsável pela prisão de criminosos perigosos e conhecida por sua agilidade em serviço. Tinha um maior número de missões cumpridas e menos falhas do que qualquer outro agente em toda a Alpha. Aquilo era quase como um insulto para ela. Como se ela tivesse sido rebaixada vários níveis e enviada para treinar pokémons e recrutá-los, como faziam os novatos na agência.
–Com todo o respeito, senhor. -ela começou, movendo-se em direção ao homem. -Mas eu sou uma agente treinada para combate, não para brincadeiras de criança.
–Assim como eu não sou qualquer espécie de "pokémon domesticado". -a raposa amarela cruzou seus braços, pronunciando-se pela primeira vez. Ele parecia tão incrédulo quanto a parceira.
–Isso não é brincadeira alguma, agentes. -o homem arqueou uma das sobrancelhas. -Há uma nova organização em potencial que precisa ser detida. E o jeito mais fácil de conseguir isso, seria ter alguém infiltrado entre treinadores comuns. -ele suspirou, apoiando o rosto em suas mãos sobre a mesa, logo virando-se para fitar a garota novamente. -Você é uma de minhas melhores agentes, e também a mais nova, Mackenzie. Será muito mais fácil que você se camufle entre treinadores novatos do que meus agentes mais velhos. Sei que será capaz de completar essa missão. Senão, não a escolheria para o trabalho. -seu tom era sério.
Ela parecia pensativa por um momento. Não queria, de fato, abandonar sua vida emocionante por uma jornada pokémon infantil e sem graça, mas sabia que não teria escolha. Maddison sempre adorara pokémon, principalmente aqueles com os quais trabalhava, mas nunca havia os visto como instrumentos de batalhas fúteis e sem motivo, e sim como parceiros muito bem equipados. A menina tornou a encarar o Fennekin no chão ao seu lado, e ele parecia ter a mesma expressão, porém, assentia.
–Tudo bem, nós aceitamos a missão. -ela suspirou uma última vez, dando-se por vencido. Talvez, pudesse ser mais emocionante do que ela esperava. Mas as chances de que isso ocorresse eram pequenas.
–Excelente. -o outro sorriu, satisfeito. -Por favor, vá até o Laboratório. Eu estarei logo atrás de você. -dito isso, virou-se para o enorme painel novamente, apertando um dos milhares botões, que fez a porta se abrir novamente. Do lado de fora, estava uma mulher de cabelos roxos ondulados, vestindo o mesmo uniforme da menina. Ela sorriu para a mesma antes de entrar, observando a outra sair.
–Você... Entregou a missão para ela? -uma vez que Maddison e seu Fennekin não mais estavam por perto, indagou, observando o homem, sentado em sua cadeira, sorrir e assentir em resposta. -Por favor, me diga que não está fazendo isso só para ela poder experimentar como é ser uma adolescente normal de dezesseis anos. Você sabe que ela não é.
–É claro que não. -ele bufou, virando-se para a de cabelos roxos à sua frente. -Precisamos de alguém para resolver o caso, e a Agente M3233 é perfeita para ele. Por outro lado, porém, ela tem feito um ótimo trabalho recentemente. Acho que merece afastar-se um pouco desse mundo violento no qual a criamos e deixá-la tentar realizar o sonho de qualquer garota de sua idade, conhecer pessoas que não estejam envolvidos nesse mundo louco. -o homem suspirou, explicando. -E mesmo que ela seja diferente dos outros, não foi ela quem escolheu essa vida.
–Atticus, admiro sua preocupação, e entendo seus motivos. -a mulher aproximou-se. -Mas ela não é sua filha. Não precisa tratá-la como tal.
–Mas sou seu responsável. -ele retrucou, rapidamente. -Ela não tem mais ninguém nesse mundo, afinal.
E, após aquela frase, um silêncio estranho instalou-se na sala. Após alguns segundos, a mulher assentiu e retirou-se.
****
–Eu não acredito que nós realmente vamos fazer isso. -a menina de cabelos negros balançava a cabeça negativamente. Dirigia-se para a sala indicada, ao lado de Isaac, discutindo com este sobre sua mais recente missão.
–Bom, pode não ser tão ruim assim. -a raposa deu de ombros, tentando ser otimista, o que era extremamente raro de se ver. -Quer dizer, não será difícil derrotar líderes de ginásio e treinadores fracotes.
–Esse é exatamente o problema, Isaac. -ela suspirou, desapontada. -Eu quero desafios. Já fizemos coisas muito mais perigosas e complicadas do que isso.
–Bem, ainda tem a tal organização sobre a qual o Diretor falou. Podemos desmascará-los. E, enquanto não estivermos perto dos ginásios, teremos um tempo livre, para variar. Pense nisso como pequenas "férias" do trabalho, então. -sugeriu o pequeno. -Podemos nos divertir. -ele sorriu, conseguindo quebrar a barreira de pessimismo da parceira, fazendo-a abrir um pequeno sorriso.
Colocando o polegar sobre um dispositivo preso à porta branca onde estava escrito "Laboratório", a mesma foi aberta. O sistema de digitais da Alpha era extremamente útil, uma vez que levaria muito mais tempo e esforço para movimentar-se pela grande organização sem ele.
Como era de se esperar, a sala estava vazia, possuindo apenas uma mesa com diversos aparelhos, os quais a menina jamais vira antes. As paredes eram feitas de um material que permitia os presentes enxergar tudo o que ocorria do lado de fora, embora o mesmo não fosse recíproco para quem estivesse do outro lado. Eram também, em várias áreas, "touch"; ao serem tocadas, revelavam compartimentos secretos e dispositivos variados. No canto esquerdo da sala, um homem moreno e careca vestindo um jaleco sentava-se em sua cadeira.
–Sejam bem vindos ao laboratório, agentes M3233 e I3731. -ele os cumprimentou. -Podemos iniciar as explicações sobre sua nova missão? -sorriu, animado e, antes memso de ouvir uma resposta, continuou. Dirigiu-se até a mesa branca, apanhando um primeiro objeto. -Começaremos com os aparelhos de um treinador normal. Ou quase. Esta é uma Pokédex. -ele mostrou o dispositivo que assemelhava-se muito à um Ipad de tamanho reduzido, sendo marjoritariamente vermelho, com alguns círculos negros em seus quatro pontas e um ao centro, que era cortado por uma faixa de mesma cor que envolvia todo o aparelho. -Com ele, você será capaz de identificar qualquer pokémon que encontrar, além de poder analisar suas informações básicas, como nível, tipo e uma curta descrição. -com sua mão livre, pegou um aparelho similar a um relógio. -E este é um X-Transceiver. Bem, na verdade, ele foi ligeiramente modificado para realizar algumas funções além de mostrar as horas e fazer ligações, sobre as quais você irá descobrir sozinha.
Maddison olhava com certa falta de interessa para tudo aquilo, faltava apenas bocejar. Ela já utilizara equipamentos muito mais complexo e úteis do que aqueles, com certeza. Pareciam todos tão comuns, tão sem graça. A raposa parecia, também, não muito impressionada.
–Bem, vamos seguir em frente. -o homem então apanhou uma pequena caixa contendo cinco esferas, que eram divididas em duas por uma faixa preta, tendo uma das metades vermelha e outra branca. Estes já eram bem conhecidos pela menina, embora não muito utilizados. -São pokébolas. Com elas, você poderá capturar outros pokémons e formar o seu time, que pode ter, no máximo, seis pokémons. -explicou, ainda sem conseguir surpreender Maddison.
–E, por último, -uma voz familiar começou, entrando na sala. -seu cartão de treinadora. -o moreno entregou o cartão vermelho para a menina, que o encarou um pouco confusa.
–Um trainer card? -indagou, fitando o objeto. Este possuía, além de uma foto sua, informações como seu nome, idade e ocupação. Não demorou muito para notar que os campos estavam preenchidos com informações falsas. -...Kate? -arqueou uma das sobrancelhas, encarando Atticus.
–Bem, você precisará de um nome falso. Kate estava disponível. -ele deu de ombros, respondendo, mas ainda com um sorriso estampado no rosto. Logo olhou para seu pulso, fitando seu relógio. -Já são oito horas da manhã, não temos tempo a perder! Vá se trocar, agente. Vista-se como... Uma adolescente normal.
–O que? -ela arregalou os olhos, incrédula. -Vamos sair hoje?! -fitou Isaac em seguida, notando que a raposa tinha uma expressão confusa.
–Sim. Agora, mais precisamente. E sem "mas". -o líder a cortou, antes que pudesse protestar, e a garota foi em direção ao seu quarto, emburrada, junto ao parceiro.
****
–Estamos prontos. -a menina de cabelos negros suspirou, ainda não muito animada para sua missão. Havia colocado uma calça jeans azul desbotada com alguns rasgos decorativos, acompanhada de uma blusa de manga curta azul marinho. Em suas mãos, vestia um par de luvas negras sem dedos; estas eram, de certa maneira, especiais — foram criadas pela agência para facilitar escaladas. Em seu pulso direito, estava o X-Transceiver vermelho e, em suas costas, carregava uma mochila preta, onde estavam todos os dispositivos que levaria em sua "jornada". Isaac, em seu colo, utilizava sua coleira de metal multi-funcional.
–Boa sorte, agentes. -o moreno disse, afastando-se do elevador no qual estavam a menina e seu pokémon. -Continuaremos em contato, enviando-lhes equipamentos quando necessário. Nos comunique também caso obtenha quaisquer informações sobre os Ghosts. -ele observou a jovem assentir enquanto o elevador fechava suas portas e disparava para cima.
E, durante os poucos segundos que levaria para chegar ao piso principal, ela pensou em quão entediante seria brincar de treinadora pokémon.
Não. Aquilo não era apenas algum tipo de brincadeira. Era uma missão como qualquer outra. Uma missão, a qual ela iria concluir, de qualquer jeito. Não retornaria ao quartel até que todos os tão temidos "fantasmas" houvessem desaparecido permanentemente.
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