The Mission
3 Capítulo 2 - Room For More
Notas iniciais
Dentro de apenas alguns segundos, a garota já havia sido levada ao prédio principal da organização, o único que não fazia parte da complexa rede de corredores e salas subterrâneos. Este disfarçava-se como um centro informacional comum, de nome "Alpha Informações", e não era muito visitado, uma vez que poucas pessoas frequentavam a pequena cidade de Littleroot. Por esse motivo, havia sido construído ali.
Maddison — ou Kate, como deveria ser chamada a partir de agora -, fora cumprimentada por um dos agentes disfarçados que trabalhavam no "centro informacional" antes de sair. Do lado de fora, deparou-se com uma certa movimentação indesejada; crianças e adolescentes corriam de um lado para o outro, alguns deles travando batalhas. Ela havia se esquecido de que aquele dia em especial era o dia de entrega de iniciais, adorado pela maioria. Mas não por ela.
–Isaac, vamos tentar nos camuflar entre eles. E lembre-se, pokémons normais não falam, só repetem seu próprio nome. -ela instruía a raposa, ainda segurando-a no colo. Não precisou andar muito para chamar a atenção de alguém.
–Moça, moça! -uma voz doce fora ao seu encontro. Era uma menina de aproximadamente quatorze anos, possuindo cabelos ruivos meio alaranjados, que balançando ao vento, assemelavam-se muito à chamas dançantes. Seus peculiares olhos escarlate eram vívidos e penetrantes. Utilizava um vestido branco de poucos detalhes, e estava acompanhada por um pokémon muito semelhante à um pintinho, sendo laranja com algumas penas amarelas. — Isso é um Fennekin? -indagou, maravilhada, fitando a raposa nas mãos da outra.
–Er, sim. — deu de ombros. Provavelmente, havia causado surpresa por aquele ser um pokémon extremamente raro na região, uma vez que era natural de Kalos. Pôde facilmente reconhecer o pokémon ao lado da menina; era um Torchic, um dos três iniciais de Hoenn.
–Incrível! — seus olhos brilharam e ela sorriu, antes de desaparecer em meio à multidão.
Maddison perguntou-se se todos ali eram tão sociáveis, e se aquilo era sequer normal. Uma das primeiras coisas que um pai diria a um filho prestes a sair de casa não seria "nunca fale com estranhos"?
Ignorando o que havia ocorrido, a garota de cabelos negros colocou a raposa amarela no chão para que pudesse analisar o mapa em sua Pokédex. Atticus havia lhe instruído a seguir até a primeira cidade onde encontraria um ginásio; Petalburg. Parecia que levaria alguns dias para chegar até lá, pois teria de atravessar, primeiramente, Oldale Town.
–Melhor irmos logo. Temos um longo caminho pela frente. -ela suspirou, chamando o Fennekin que assentiu, seguindo-a.
Afastou-se da multidão o mais rápido possível; odiava estar cercada por pessoas e, principalmente, barulho. Aquilo a estressava. Felizmente, não fora interrompida por mais ninguém até deparara-se com uma placa de madeira fincada na terra, ao início do que parecia ser uma floresta. Nela, estava cravado "Rota 101". Quando estava prestes a colocar os pés no caminho de terra, porém, ouviu alguém chamar-lhe.
–Já está indo, sem nem mesmo uma primeira batalha pokémon? — uma voz masculina brincou.
Virando-se para trás, a menina deparou-se com um rosto familiar. Um garoto alto, de pele clara e cabelos loiros bagunçados, realçados por seus olhos azuis extremamente brilhantes. Vestia uma regata branca de gola em V e calças jeans, carregando uma mochila muito parecida com a sua em seu ombro direito. Ao seu lado, havia um pokémon que assemelhava-se a um jacaré azulado, vestindo em sua pata direita uma luva sem dedos preta. Maddison arregalou os olhos imediatamente.
–Christopher? O que você está fazendo aqui? — indagou, surpresa. Não esperava encontrar outros agentes ali fora; bem, talvez ele estivesse apenas em treinamento. Mas por que, em um dia de tanta movimentação?
–Desculpe, você deve estar me confundindo com outra pessoa. — ele puxou um cartão azulado de seu bolso, entregando-o à menina. — Sou Nathan, e estou aqui para me tornar um treinador pokémon. -piscou. — E você, como se chama?
Nome falso, uma mochila, treinador pokémon... Ele não estava em treinamento, ou sequer em uma missão rápida. Então, temeu que não fosse a única encarregada de resolver aquele caso. Por que Atticus não a avisara que iria enviar mais agentes?
–Kate. -ela revirou os olhos, respondendo friamente. — Eu não acredito que você está realmente se divertindo com isso tudo.
Os pais de Christopher, ambos agentes famosos da Alpha, haviam falecido em uma de suas mais perigosas missões, quando o garoto tinha apenas seis anos. A partir de então, ele fora treinado pela organização, assim como ela. Maddison havia participado de alguns treinos com o rapaz, uma vez que ambos tinham a mesma idade quando começaram a receber treinos intensivos, e até haviam recebido seus parceiros pokémon no mesmo dia. Mas nunca imaginara trabalhar com ele em uma mesma missão.
–Ora, estou aqui apenas pela diversão. — ele riu. — Por que não começamos nossas jornadas com uma batalha amistosa? — provocou.
–Que tal, Isaac? — o Totodile posicionou-se à frente do treinador, encarando a raposa amarela, que rosnava. Ele não gostava de ser desafiado.
Ela não conseguia acreditar que ele realmente estava fazendo aquilo. A garota desprezava ao máximo batalhas pokémon, achava-as sem sentido e desnecessárias. Porém, nunca recusaria um desafio. Seu excesso de orgulho jamais a permitiria, o que poderia vir a ser um problema em diversas situações.
–Vamos Isaac. — ela sussurrou, chamando seu pokémon e, com apenas um gesto de mãos, ele já sabia o que fazer.
Agilmente, a raposa correu em círculos em volta do jacaré, tentando confundí-lo e distraí-lo, para que pudesse atacar. Este, porém, parecia familiarizado com o movimento e, analisando cautelosamente o oponente, saltou para trás, retirando-se do centro.
–Isso vai ser interessante. — o rapaz sorriu. — Barron, estratégia de ataque número sete.
–Estratégia de defesa número três. — revidou a menina, mordendo o lábio.
Enquanto o Totodile corria em direção ao seu alvo em zigue zague, disparando pequenas esferas de água, o Fennekin agilmente esquivava-se, abaixando, e lançava brasas que colidiam com o ataque do oponente, anulando-o. E, durante certo tempo, nenhum dos pokémons parecia sofrer qualquer tipo de dano; pareciam ficar apenas na defensiva, evitando contato físico, uma vez que haviam sido treinados sua vida toda para isso e desconheciam qualquer outra técnica de luta. Ambos os treinadores já estavam ficando cansados.
–Vocês tem um estilo bem estranho de batalha. — observou uma menina que surgira, arqueando uma de suas sobrancelhas. Talvez estivesse vendo a luta por certo tempo.
Maddison rapidamente a reconheceu; era a mesma garota de vestido branco que lhe perguntara sobre Isaac assim que saira. Será que ela os estava perseguindo? Comicamente, seus perseguidores haviam passado de criminosos altamente perigosos e bem-armados para inofensivas menininhas de quatorze anos.
–Nós não temos experiência alguma. — o loiro colocou as mãos nos bolsos, desculpando-se.
–Bem, eu posso mostrar para vocês o básico. — a jovem sorriu, animada, virando-se para a garota de cabelos negros. — Gostaria de ver um Fennekin em ação.
–Hm, tudo bem. — Maddison deu de ombros. Por dentro, porém, sentia-se rebaixada. Agora iria aprender com uma treinadora iniciante? Mas não tinha muita escolha. Sua experiência em batalhas pokémon era nula, e aquilo precisaria ser mudado caso quisesse que seu disfarce de treinadora não fosse desmanchado. — Isaac, lá vamos nós de novo. — apontou para a frente, e assim a raposa posicionou-se novamente.
–Vamos lá, Torchic! — a menina de vestido branco apontou para a frente, e ali o pintinho se posicionou. — Comece com Scratch!
O pokémon laranja piou, avançando em direção à raposa e tentando atingí-la com suas garras; esta, porém, fora mais rápida, saltando para o lado diversas vezes. Possuía um bom reflexo devido aos treinos que tinha, nos quais deveria desviar de balas.
–Ele é rapidinho. — observou, impressionada, a mais nova. — Bem, você agora deve comandar seu pokémon a usar algum ataque. — explicou.
Um ataque? Ela nem sequer imaginava quais seu Fennekin conhecia. Durante sua vida toda, apenas utilizara estratégias de combate, não ataques direto. Então, lembrou-se da Pokédex que lhe havia sido entregue e apontou-a para a raposa. Descobriu que esta estava no nível dez, surpreendendo-se; talvez Isaac não estivesse em um nível mais alto por nunca ter sido treinado para batalhas e combates corpo-a-corpo. Ele não possuía muitos ataques, então não foi difícil escolher.
–Bem, uh... Use Ember! — comandou rapidamente.
Um pouco hesitante, o Fennekin mirou seu alvo e começou a disparar diversas brasas em sua direção. Este tentava desviar de algumas, mas era, na maioria das vezes, facilmente atingido.
–É isso aí! Torchic, siga com o Reversal! — a menina gritou.
Rapidamente, o pintinho foi envolto por uma aura vermelha e avançou contra Isaac, atingindo-o com suas garras e fazendo-o cair. O pokémon se surpreendeu; jamais imaginara ser atingido tão facilmente. Enfurecido, disparou mais algumas brasas contra o oponente, mas este parecia atento. Com o comando de sua treinadora, arranhou o rosto da raposa, que chacoalhou a cabeça.
–Tudo bem Torchic, pode voltar! — a menina de cabelos castanhos apertou o botão central da pokébola em suas mãos, que liberou uma energia vermelha, recolhendo o pokémon.
–Por que você retornou seu pokémon? Achei que uma luta só acabasse quando um dos pokémons fosse nocauteado. — o rapaz arqueou uma das sobrancelhas, confuso.
–Sim, mas não quero que Torchic fique muito cansado. Afinal, pretendo seguir pela Rota 101 e capturar meu primeiro pokémon e, para isso, ele deve ter energia suficiente. -respondeu a menina, sorrindo. — Vocês também estão vindo por aqui?
–N... — a outra começou, mas foi interrompida pelo loiro.
–Estamos sim. Podemos seguir com você? — indagou, fitando a mais nova.
–Claro! Será ótimo ter companhia! — e, assim, a garota seguiu pela pequena estradinha de terra por entre as árvores, sendo seguida pelos outros dois. Maddison lançou um olhar frio e repreensivo para o rapaz, mas este pareceu ignorá-la. — A propósito, sou Candice. Como se chamam?
E aquela fora apenas uma das milhares perguntas que se sucederam enquanto o trio adentrava a mata. Em poucos minutos, a menina de cabelos negros viu-se revelando parte de sua vida "falsa" para uma desconhecida. Mas aquela não era a única coisa que a incomodava.
Por que Christopher quisera se juntar à uma treinadora iniciante? Eles tinham uma missão em mãos para cumprir, e aquela garota apenas os atrasaria. E por que o loiro havia sido enviado? Será que Atticus havia duvidado de sua capacidade de encontrar os Ghosts? Havia tanto que queria perguntar, mas não poderia fazê-lo naquele momento. Teria de esperar até que estivesse sozinha com o agente, para não levantar suspeitas. Mas não precisava esperar para fazer uma de seuas perguntas.
–E por que exatamente você decidiu sair em uma jornada, Candice? — indagou, sem pensar duas vezes. Após tudo que a menina lhe havia perguntado, com certeza não a acharia intrusiva.
–Bem, eu quero ser uma líder de ginásio. — respondeu alegremente.
–Hm. — que tipo de pessoa gostaria de seguir aquela profissão quando, recentemente, vários líderes de ginásio estavam sumindo? Talvez a menina fosse tão alienada que nem ao menos soubesse daquilo. Ou será que as notícias sobre os frequentes desaparecimentos não corriam ainda pela pacata cidade de Littleroot? — De que tipo? — ela não se importava de fato, mas queria dar continuidade à conversa. Poderia acabar descobrindo alguma coisa, e quanto mais rápido conseguisse resolver o caso, melhor.
Porém, antes mesmo de Candice responder, esta pediu para que todos fizessem silêncio. Os outros dois pareceram um pouco confusos, olhando à sua volta, à procura de qualquer coisa fora do normal. E somente quando viraram-se para a frente entenderam.
Uma criaturinha similar à um dromedário de pequeno porte encarava os três. Era marjoritariamente amarelo, possuindo a ponta de seu focinho redondo e sua barriga de um tom mais claro. Em suas costas, havia uma mancha verde e, ao topo, um pequeno orifício. Ao redor de seus olhos, possuía marcas marrons que lembravam óculos, e um pequeno topete em sua cabeça. Parecia tranquilo, tendo uma expressão cansada.
–Fogo. — a garota respondeu finalmente, sorrindo para o pokémon recém-aparecido e retirando uma pokébola de seu bolso.
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–Atticus! — a mulher entrou na sala como uma tempestade. Parecia furiosa. — Você mandou outro agente qualificado para essa brincadeira? Isso é sério! -ela fitava o homem, que ria.
–Agora está duvidando de minhas ordens, Laura? — arqueou uma das sobrancelhas, mas não deu tempo para a mulher de cabelos roxos responder. — Os Ghosts estão por trás de muito mais do que apenas o sumiço de líderes de ginásio. Um agente apenas não bastará para resolver esse problema.
–Será isso mesmo? Ou você mandou Christopher para fazer companhia a Maddison e certificar-se de que ela irá se divertir? — seu tom era sério e irritado. — Nós formamos agentes, não treinadores!
–Quaisquer que sejam os meus motivos... — o moreno começou, levantando-se de sua cadeira e virando-se para fitar a mulher com uma expressão séria. -Eu ainda sou o Diretor da Alpha. Faço o que bem entender, e minhas ordens não deveriam ser questionadas.
–...Faça como quiser. — e, tão breve como entrara, retirou-se.
Assim que a mulher se foi, o homem de cabelos castanho-claro trancou a porta. Em seguida, colocou um CD em um dos milhares de computadores e, assim que este começou a rodar, uma figura mascarada acompanhada de um Gastly surgiu na enorme tela. Sua voz era macabra.
–Ninguém nunca encontra fantasmas. E ninguém nunca nos encontrara.– uma risada pôde então ser ouvida da gravação, enquanto uma fumaça roxa tomou conta do local escuro onde estavam, que não podia ser identificado. Ao fundo, ouviu-se um grito e, por fim, o rosto aterrorizado de um homem branco de cabelos negros, antes antes da tela ficar preta novamente.
Atticus já reproduzira aquele vídeo milhares de vezes e, cada vez que o fazia, parecia saber menos sobre o que ocorria. E não podia contar para ninguém sobre ele; muito menos para Laura. Se o fizesse, todos correriam perigo, e as chances de o caso ser resolvido seriam menores do que já eram.
Ele só esperava que dois agentes fossem o suficiente para resolver aquele mistério. E deveriam fazê-lo rápido.
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