The Magic In me
29 O Que Tem De Ser Feito
:- Pare com isso, agora mesmo! – Sam ordenou ao professor, mas ele limitou-se a ignora-la de novo, Zeke continuava naquele aperto, os pés balançavam para trás e para frente tentando tocar o solo que não alcançavam, Sam pode ver os seus olhos azuis brilharem de raiva, então ele foi capaz de levantar uma das mãos , lançando ao professor um raio que o atingiu no estômago e o faz cair de costas, Zeke, por sua vez, caiu de joelhos no chão esforçando-se por respirar
:- Sam! – Chamou ao mesmo tempo que se engasgava – Tens de sair daqui agora, vai!
:- Nem penses! Não vou embora e deixar que ele te mate
:- Se ficares matar-te-á também!
:- Pouco me importa!
:- Fico feliz em ouvir isso! – O professor riu aproximando-se dos dois, Sam pode ver agora que ele carregava uma espada nas costas, o medo tomou conta do seu corpo quando o viu brandir o objecto brilhante e afinado – Tenho mais uns truques na manga
Elevou a espada acima da cabeça de Zeke, pronto a decapita-lo, este elevou brevemente a cabeça, os cabelos loiros cobriam-lhe o rosto, o professor sorria malevolamente, Sam olhou a cena obrigando o seu cérebro a pensar, os seus poderes a acordarem e fazerem algo, mas parecia hipnotizada apenas sendo capaz de observar os dois homens.
Zeke rolou sob si mesmo e a espada acabou cravada na terra. O demónio puxou então a arma que se soltou sem dificuldade, já o seu oponente se levantar de um pulo
:- Uma espada, sério?
:- Uso aquilo que posso – Sorriu e tentou trespassar o outro com a espada, mas este foi mais rápido e pulou para trás, mais um vez o professor falhou – Bons reflexos – riu divertido, ainda agarrando a espada, deixou-a a agora quieta e virada para baixo ao seu lado , Zeke viu uma oportunidade de atacar e não pensou duas vezes, elevando ambas as mãos lançou uma rajada de vento ao professor que fez os seus cabelos esvoaçarem atrás de si, Sam continuava hipnotizada, mas desta vez pela beleza e graça do feiticeiro.
O professor foi atirado para trás e espada tombou perto de si. Não demorou muito até que o homem mais velho estivesse de pé de novo, na verdade, em questão de segundos ele estava na frente de Zeke, agarrou-lhe o braço e puxou-o para baixo obrigando-o a ficar de joelhos
:- Tens força para um velhote – Provocou arfando
:- Ainda não viste nada – colocou o pé no peito, mesmo por cima da ferida e Zeke gemeu de dor, depois puxou-lhe o braço com toda a força fazendo o ombro sair do sitio, o outro gritou de dor enquanto o demónio ria como um louco, Zeke olhou-o nos olhos, o suor cai-lhe pela cara e os cabelos colavam-se no seu rosto bonito, o ombro pendia da clavícula, deixando o seu braço inutilizável
:- Já superei dores piores – Disse pondo-se de pé , sentia de novo aquela raiva, aquela raiva que o fizera derrotar o professor da primeira vez, mas agora sentia-se fraco demais para ser capaz da utilizar, no entanto da mão que cujo braço ainda estava intacto fez aparecer um bola de fogo e lançou-a em direcção ao professor, mas este rapidamente formou um escudo a sua volta que a fez dissipar
:- Vais ter de tentar mais do que isso, feiticeiro — a ultima palavra foi dita quase como uma ofensa, então avançou sob ele, braços erguidos fizeram com que Zeke sentisse como se algo o empurrasse para baixo, uma força invisível dominou-o obrigando a cair de joelhos mais uma vez – De joelhos e a suplicar, é assim que te quero, és um inútil, um tolo se pensavas que me podias humilhar daquela maneira e eu te deixaria vivo para contar a história! – Quase cuspiu as palavras parando na frente dele e agarrando-lhe o queixo com força – Jurei – Começou enquanto fazia o corpo de Zeke elevar-se no ar apenas o segurando pelo queixo – Que te ia arrancar o coração, e é isso mesmo que vou fazer! – soltou o por segundos mas ele não caiu, voltou levitar tal como se o professor o continuasse a agarrar.
O Demonio arrancou então o penso que ele tinha no peito, revelando a ferida feita pelos seus dedos, buracos grandes que rodeavam o coração do loiro.
Então com um sorriso sádico no rosto, colocou os dedos sob as feridas, sangue voltou a brotar enquanto estes se começavam de novo a enterrar no seu peito, Zeke mordeu o lábio evitando dar ao outro o prazer de o ouvir gritar de dor, então o lábio rosado começou igualmente a sangrar, ainda assim ele recusava-se a gritar, recusava-se a deixar que aquele demónio tivesse o menor prazer ao mata-lo pois ele sabia que agora estava completamente perdido. Estava demasiado fraco para lutar, o anterior confronto tinha-lhe retirado demasiada energia, fechou os olhos, sentido aquela horrível dor tomar conta de si, podia sentir que cada vez mais aquele dedos horríveis se enfiarem para dentro do seu peito.
Então subitamente a dor parou, ele caiu desamparado no chão, rolou sob si mesmo para ver o que tinha acontecido e foi então que viu, de joelhos no chão (oh a ironia) a espada trespassava-lhe o corpo de um lado ao outro, bem no sitio do coração, os seus olhos já sem vida fitavam o nada, o sangue escorrida da lamina afiada e brilhava á luz do luar, o corpo dele começou a escorregar sob a arma começando a tombar em direcção ao chão.
Zeke sentou-se no chão recuperando o fôlego, foi então que a viu , parada atrás do professor, as lágrimas escoriam-lhe pela cara abaixo, ele tremia como se estivesse gelada. Fitou-o sem conseguir dizer uma palavra, sentia um nó horrível no estômago, deixou cair de quatro no chão chorando, soluçando.
:- Sinto muito, sinto muito, Julian, tive de faze-lo! Tive! Sinto muito, por favor perdoe-me!
Não podia ficar ali parada enquanto via Zeke ser morto! Tinha de agir! Tinha de salva-lo! Tira-lo dali antes que fosse tarde demais, viu o professor fazer com que o seu corpo ficasse elevado no ar, viu retirar o penso que lhe cobria a ferida, e então viu começar a enterrar nos dedos no peito do outro! Sem conseguir pensar direito, o seu primeiro instinto foi correr para a espada e foi o que fez, pegou na arma sentindo-lhe o peso, a mão fechou-se sob o punho dourado com tanta força que quase sentiu o ferro penetrar-lhe a pele, aproximou-se rapidamente, nenhum dos dois lhe dava atenção, o professor concentrava-se unicamente em aniquilar o seu inimigo e Zeke mantinha os olhos fechados, talvez evitando chorar de dor. Ela sabia o que tinha de fazer, sabia que aquele não era mais o seu querido professor mas um demónio nojento, malévolo e vingativo, ergueu a espada fazendo pontaria ao coração de Julian, então, num movimento rápido, enquanto prendia a respiração trespassou-o com a lamina. Ele não teve tempo de dizer nada, caiu de joelhos, olhou o objecto que lhe perfurava o peito e depois… depois morreu.
Sam sentiu-se enjoada, atordoada, não queria acreditar que tinha acabado de fazer aquilo! Que tinha acabado de matar alguém que lhe era tão importante. Viu Zeke olha-a e então não foi capaz de se conter, ele próprio lhe dissera que ela deveria libertar as suas emoções, então foi isso mesmo que fez.
Ainda chorava, caída no chão quando sentiu um braço puxa-lha para cima, olhou-o não se querendo deixar ir mas acabando por ceder.
:- Oh querida! – ele murmurou , puxando-a para junto de si, ela encostou a cabeça no lado do peito dele que não estava ferido e chorou ainda mais, ele afagou-lhe os cabelos com a mão cujo ombro estava no lugar – Sinto muito, Oh! Sinto tanto que tivesses de faze-lo! Mas Sam… — Afastou-se um pouco pousando agora a mão na cara dela, fazendo com que o olha-se – eu prometo-te, coração! Eu prometo que me vou recuperar! Que vamos fazer aquele feitiço e repor tudo tal como estava!
Ela foi apenas capaz de acenar. Sentia-se sem força para mais nada, sentia vontade de vomitar, não conseguindo sequer olhar o corpo morto do professor que jazia na erva fofa de cara virada para o chão. Não podia acreditar que tinha tirado uma vida, fora a primeira vez que matara alguém, sabia que numa guerra tinha de haver baixas, sabia que ia lutar e isso significava ter de matar alguém, só não sabia que era tudo aquilo que ia sentir quando o fizesse.
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Dias passaram, semanas passaram, aquela linha do tempo ficava cada vez mais assustadora, Lana tornava-se cada vez mais poderosa e por muito que Zeke a ajudasse a aperfeiçoar os seus poderes, Lana estava sempre um passo a frente, sem Declan para a informar do próximo passo da bruxa, era difícil, muito difícil adivinhar o que ela faria de seguida.
Assim sendo, alcateias foram atacadas e dizimadas, locais de convívio de seres sobrenaturais igualmente tratados, deixando de pé apenas aqueles que não eram totalmente do bem, e se juntavam ao seu exercito, uns por medo, outros pelos simples prazer da morte e do caos. Exercito esse que crescia de dia para dia.
Nem mesmo os humanos estavam a salvo, na verdade eram eles maioritariamente os alvos de Lana, Aviões, comboios, cheios de pessoas inocentes simplesmente desapareciam como que do nada. Nas sombras da noite, escondiam-se seres que agora não tinha medo de atacar, pois os caçadores tinham sido também alvos de ataques, os poucos que sobreviveram, fugiram temendo pela vida, traindo a sua promessa de ajudar os inocente pensando só em si mesmos.
O mundo estava um caos, um horror, as pessoas tinham medo de sair á rua, pois agora nem sequer havia mais sol, Lana tinha conseguido criar a escuridão permanente para que os seus aliados corressem livremente pela rua, caçando pessoas que ainda se atreviam a sair. Para eles, matar quem mal se podia defender era parte da diversão.
Zeke entrou no laboratório do professor que tinham agora limpo e adoptado de novo como base de operações.
:- Okay, temos tudo! – Disse pousando em cima da mesma de metal o grande saco de pano negro que trazia ao ombro – está horrível lá fora! Mal se pode por um pé na rua sem ser atacado! Esta camisa era nova! – apontou para si mesmo revelando um camisa azul clara que não passava agora de um farrapo rasgado – Tive de lutar uns quantos lobisomens , outros tantos vampiros e duas bruxas! Mas consegui! – Exclamou orgulhoso, as forças tinham por fim se recuperado, e o ataque do professor parecia agora uma memória distante – Graças a Deus pelo feitiço de protecção á volta desta espelunca, caso contrario já estamos todos mortos.
:- Tudo? – Sam andou até ele impaciente – Tudo para o feitiço? Parque não disseste logo? Vamos lá fazer isso de uma vez!
:- Clama queridinha, paciência é uma virtude, nunca ouviste dizer? – retorquiu na sua atitude de diva – Não se trata de simplesmente misturar ingrediente e já está, é um feitiço complicado e requer muita energia!
:- Tens a certeza que estás recuperado a cem por cento para o fazer? – Sloan que se sentava na secretaria desengonçada a limpar a arma perguntou
:- Sim – ele rolou os olhos – estou óptimo! Para te preocupar, sabes bem não me conseguem deitar abaixo assim tão facilmente, coração. Agora calem essas bocas que eu tenho muito que fazer! – Disse atirando a camisa para que antes vestia para o chão e revelando o torço magro mas ainda assim musculado, começou a retirar do saco uma quantidade estonteante de frasquinhos e a misturar num vazio o conteúdo de alguns.
Algumas horas depois, Zeke estava por fim pronto. No chão estavam pintados círculos vermelhos
:- Cada um representa um de nós, onde estamos antes do professor completar o feitiço do tempo
:- Temos mesmo de voltar nesse instante?! Quer dizer não podemos recuar um dia ou dois antes disso?
:- É demasiado arriscado – ele respondeu simplesmente – Okay agora… — entregou ás duas um frasquinho que continha um liquido rosa brilhante e segurou nas mãos um igual. Embora bonito, o liquido emitia um cheiro nauseabundo. Sam conteve a respiração para não vomitar – elevem os frascos acima da cabeça – ordenou, colocando no centro da sala um enorme relógio redondo, as duas fizeram o que lhes era pedido e ele ficou parado na frente do relógio — Quando eu disser, despejem os frascos na cabeça, — Sam fez uma careta mas não se atreveu a protestar.
Zeke fitava agora o grande objecto no cento da sala, a luz era pouca pois lá fora o dia não existia mais, e o local era apenas iluminado por luz de pequenas velas colocadas sob uma mesa.
:- Tempo que corre, tempo que flui, tempo que não pode ser perdido. Tempo que morre, tempo vive. Tempo que tem de ser respeitado. Peço-te que me concedas esta passagem, peço-te que dobres perante a minha vontade. Ordeno-te que sejas meu! Ordeno-te que movas consoante os meus desejos! Eu sou o teu mestre! Eu comando-te! – gritou para o relógio e depois fez sinal a Sloan e Sam para despejassem o conteúdo do fraco por cima de si mesmas, as raparigas obedeceram e ele partiu o relógio pulando em cima dele , então despejou também o frasco que tinha na mão mas sob os cacos e os pés.
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Sam, olhou á volta, estava de mão dada com Luka… Tinha resultado! Ela tinha voltado no tempo! Estava exactamente antes do professor completar o feitiço.
Pegando um pequeno saco de pano ele retirou de lá de dentro o mesmo pó negro que formava o círculo, mantendo-o na mão com o punho fechado. Proferindo algumas palavras numa língua desconhecida, Julian entrou para dentro de círculo, parando em frente a Sam
:-PARE, PARE AGORA MESMO NÃO FAÇA ISSO! PARE!
O homem olhou-a confuso, os olhos azuis abertos de espanto
:- NÃO PODE MANDAR ME DE VOLTA OU TODOS VOCES VÃO MORRER!
:- De que—Não teve tempo de completar a frase, Sloan e Zeke irromperam pela sala
:- Sam! – gritaram os dois ao mesmo tempo
:- Mas que raio se está a passar aqui?- Julian perguntou confuso guardando de novo o pó no saquinho de pano
:- Meu Deus é tão bom estar de volta! – Sam abraçou-o, quase o fazendo cair – Sinto muito! Oh, Julian! Eu sinto tanto, eu tive de faze-lo! Se Zeke morresse estava tudo pedido!
:- Algo me diz que quem perdeu algo fui eu – Comentou confuso deixando que ela o abraçasse, por fim a jovem afastou-se com lágrimas nos olhos e virou a atenção para Zeke
:- Funcionou! Realmente funcionou!
:- Duvidavas mesmo que eu iria conseguir? Isso ofende-me!
:- Okay, desculpa lá, coração, mas eu não estou a entender nada do que se acabou se passar, mudas-te de ideias? Estás bem? Porque estás a olhar para mim assim… Sam?
:- Luka! Oh meu Deus, eu tive tantas saudades tuas! – Lançou-se nos braços dele deixando todos ainda mais confusos – Não sabia o que fazer sem ti! Sem vocês! Estava tão perdida! Não podia acreditar que estavas morto! – afastou-se do abraço e pousou as mãos na cara dele – Luka! Não sabes como estou feliz por estares bem!
:- Aw, coração! Isso é muito querido mas eu não faço ideia do que se está a passar, bateste com a cabeça, por acaso? – ela riu
:- Vou explicar tudo!, mas primeiro, este é o Zeke, e já conhecem a Sloan
:- Yo – a Loira cumprimentou com um aceno
:- Sem Zeke eu, nós estaríamos perdidos. Bom começando do inico…
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