:- Uau… — Luka foi por fim capaz de falar, quando Sam acabou de explicar tudo aquilo pelo que tinha passado na “outra realidade”

:- Bem podes dize-lo – Suspirou de alivio

:-Acho que não há mesmo maneira de derrotar a Lana a não ser lutando… — Luka, concluiu pensativo, olhando por breves segundos a janela que dava para o lado de fora.

:- Eu já vi… Nós já o vimos – Sam andou até Sloan e Zeke, parando no meio dos dois – O mundo, quando ela começar a ganhar esta guerra e eu posso garantir que não é mesmo nada bonito… Temos de para-la e tem de ser agora!

:- Adoro a determinação, xuxu, — Zeke colocou a mão no ombro dela – infelizmente, Sloan e eu não podemos ficar, espero que te lembres de tudo o que te ensinei, embora de certa não tenha acontecido nesta linha do tempo, bom, aconteceu contigo – Pareceu um pouco confuso com a sua própria frase, ainda assim continuou – Temos coisas a tratar em casa, mas assim que precisares de nós e se precisares nem penses duas vezes, estaremos sempre aqui – Sorriu-lhe docilmente

:- Obrigada, vocês dois foram uma grande ajuda mesmo! – olhou Sloan, ainda tinha gravadas na mente as palavras da outra, “Tu pensas que não és forte e determinada? Miúda! Tu és a determinação em pessoa! Estás aqui, não estás? Fizeste tudo o que podias para conseguir remediar o teu erro e algo me diz que não irias parar até que achasses uma maneira fosse ela qual fosse de o fazer, quer eu e Zeke estivéssemos aqui para te ajudar, quer não. “ Podia parecer pouco, meras palavras ditas ao acaso por alguém, mas na verdade vieram na altura, quando ela mais as precisava de ouvir, e por isso ela esta eternamente grata a Sloan.

:- Bom, — O professor aproximou-se dos três – Obrigado por toda a ajuda. Nem quero pensar em Sam sozinha e sem ter a quem recorrer – Sorriu a Zeke, este baixou instintivamente a o olhar para o próprio peito, todas aquelas emoções ainda de certa forma o afectavam, já tinha passado por muito, enfrentado muitos seres que o queriam ver morto, mas Julian fora sem qualquer sombra de dúvida um dos poucos que esteve realmente á sua altura.

Sam escolhera deixar fora da sua explicação o confronto com os dois, ou até mesmo o facto que fora obrigada a mata-lo. Sabia que ele não ia reagir muito bem a saber que o seu lado demónio tinha literalmente tentado arrancar o coração do peito de alguém, nada de bom viria de contar essa parte da história e de certa fora ela não era importante para o professor, por mais que fosse um momento que ela soubesse que nunca iria ser capaz de apagar da sua mente. Limitou-se simplesmente a dizer que sem Declan ele tinha permanecido na sua “fase negra”, contou sobre a universidade e nada mais.

:- Não se preocupe, tudo bem – o loiro acenou, colocando o braço por cima dos ombros de Sloan – Bom como eu disse… coisas a tratar, pessoas para ver, estarmos aqui assim que esta guerra, rebentar. Podem ter a nossa palavra.

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:- Como podes ter a certeza que ele veio para aqui? – Sam perguntou ao que Jesse encolheu os ombros

:- É um vampiro, onde mais pode estar?

:- É um esgoto! – Sam olhou á volta – Além do mais ele tem um anel que lhe permite andar no sol, certo?

O caçador riu

:- Não está a usa-lo

:- Como sabes?

:- Sei porque ele quer redimir-se de todo o mal que fez, porque está a ajudar a Lana apenas com esse fim, de certa forma ele quer castigar-se a ele mesmo. Passou anos nas sombras. Longe de tudo e todos. Pensa que não merece qualquer tipo de simpatia ou privilegio pois a culpa ainda o atormenta e muito. Achas que ainda ia usar um anel que daria tantas vantagens?

:- Faz sentido – Acenou, depois fitou-o – como és tão bom a ler as pessoas?

Um sorriso transpareceu no canto dos lábios dele

:- Era detective, lembras-te? Fazia parte do trabalho.

:- Jesse?

:- Sim?

:- Sei que não falei nisso, mal te mencionei mas… também senti a tua falta, sabes quando a linha do tempo de alterou...

Ele olhou-a, depois não pode evitar um suspiro, e permaneceu com o mesmo sorriso nos lábios

:- Acho que também és boa a ler as pessoas – ela riu – Mas eu não estava preocupado. Apenas a sentir-me um pouco de fora… — Fez uma careta entendendo que tinha acabado de se expor mais do que queria – Só… também faço parte desta guerra. Seria bom sentir que faço falta.

:- Fazes.

Foram interrompidos por passos rápidos que se arrastavam na água fedorenta do esgoto, Jesse levou o dedo os lábios fazendo sinal para Sam se silenciar, pegou a besta e apontou-a na direcção do barulho.

:- Declan! – Sam chamou e ele quase pulou de susto, lançou-lhe um olhar irritado e no segundo seguinte, Declan parava na frente dos dois. Sam pousou a mão na arma fazendo com que ele a baixa-se – Ás vezes a saída mais fácil é a certa

:- Que fazem vocês dois aqui?! Não vale a pena perderem o vosso tempo a matar-me. Mais cedo ou mais tarde a Lana vai faze-lo

Sam rolou os olhos

:- Deixa-te de ser mártir, estamos aqui para ajudar

:- Ajudar? – olhou-os desconfiado

Sam suspirou, também lhe custava admitir que queria ajuda-lo depois de todo o mal que ele causara, mas a verdade é que ela também tinha visto como seria a realidade se ele nunca os tivesse ajudado. E com isso podia reconhecer que sem ele, tanto ela como os seus amigos estariam perdidos.

:- Sim. Como já deves ter entendido o feitiço do tempo não ajudou. Mas eu pude ver em primeira mão um mundo em que tu não existias, custa-me a admitir mas sem a tua a ajuda… bom… Por isso, pensei que devia recompensar-te e fazer com que ficassem em segurança

:- Segurança? Deves estar louca! É a Lana, está longe de ser uma amadora, vai achar-me num piscar de olhos!

:- Queres calar-te e ouvir? – Jesse ordenou

:- Bom, não vai ser fácil – A jovem tirou um cartão do bolso do casaco – vai para essa morada, eles podem ajudar-te lá.

Pegando o cartão, o vampiro examinou-o

:- Isto é em L.A?

:- Um dos contactos do Jesse. É um abrigo para seres sobrenaturais. Está sob um feitiço de protecção, do tipo que nem Lana consegue desfazer. Há um vampiro, lá, um vampiro com alma, tal como tu. Tenho a certeza que ele pode ajudar-te.

:- Não sei… — olhou o cartão, fazendo-o girar nos dedos.

:- Meu, — Jesse pousou a mão na ombro dele – Para de te torturar. Alguém fez de ti um monstro e de certa forma isso não é culpa tua. Fizeste uma coisa muito boa ao ajudar-nos. Arriscas-te a vida por nós mais do que uma vez. Está na hora de seguir em frente. Para de sentir pena de ti mesmo! Fizeste algo muito útil. Para te lamentar e continua a faze-lo.

:- Obrigado… — o vampiro disse simplesmente, olhando o outro, ainda surpreendido com o que tinha acabado de ouvir.

:- Apenas disse a verdade, além do mais, vais ter de chegar a L.A sozinho.

:- Boa sorte – Sam disse de forma sincera antes dos dois começarem a afastar-se em direcção á saída.

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Andava de um lado para o outro da sala apenas iluminada por velas, penduradas nas paredes de tijolos, o livro grande e velho descansava sob uma mesa no centro do cómodo.

:- Não vais conseguir – Disse a si mesma – Não vais conseguir sem Declan, ou até mesmo sem aquela idiota da Marih, por muito lerda que fosse, sempre sabia uma coisinha ou outra.

Deu um murro a mesa, e respondeu a si mesma

:- CALA A BOCA! Eu sou a bruxa mais poderosa que já viveu e que ainda vive, posso fazer o que eu bem entender! Eu tenho o poder para isso!

: -Só vives graças a mim!

:- Se não fosses tu, seria outra idiota qualquer na sua busca de poder. Não estás feliz? Não era isto que querias?

:- É claro que não! Todas as pessoas que eu amo ou estão mortas ou se viravam contar mim e querem me morta!

:- Oh, bohooo! Ninguém me ama pobre de mim, os mortais são tão inúteis! – Andou até a varanda, abrindo bem as portas para deixar o sol entrar, sorriu, quase de forma sádica e depois sentiu um arrepio na espinha

: — Nota-se mesmo que és do tempo das carroças puxadas por cavalos. Não passas de um cliché!

:- Talvez , — Continuou falando “com ela mesma” – Mas isso não faz com que eu não seja poderosa. Observa e aprende, minha jovem. Tudo o que estás prestes a fazer, tudo aquilo que fizeste até aqui, é graças a mim, graças aos meus poderes, sem mim, serias apenas um comum e chato mortal, talvez se a tua família não tivesse no passado estragado qualquer hipótese de continuar com os seus poderes – encolheu os ombros – é meio irónico que sejas tu o corpo que tive de possuir.

Abriu os braços deixando que os raios de sol a atingissem, os cabelos loiros brilhavam como fios de ouro reluzentes. Dos braços, tão pálidos que quase reflectiam com o sol, começaram então a sair pequenos fios de electricidade de cor azulada, estes elevaram-se até ao céu parecendo atingir o mesmo, Lana, ria como alguém que tinha perdido toda a sanidade mental. Os seus olhos azuis eram agora totalmente brancos, elevou-se no ar como se não pesasse nada, os cabelos agora voavam atrás de si. Estava a conseguir, o seu plano estava a resultar, sem aquele vampiro intrometido, ia por fim concretizar o que lhe parecia ser a ideia mais eficaz que tivera até então.

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:- Então ele está a salvo? – O professor perguntou agora que Sam e Jesse tinham regressado para junto dele e Luka

:- Por agora…

:- Ainda não entendo porque tanto trabalho para salvar um vampiro…

:- Ele deu a vida por nós, Luka, é o mínimo que podia fazer – Sam respondeu olhando a janela e franzindo o sobreolho – Está a ficar mais escuro ou é da minha vista?

:- Ele também matou a tua melhor amiga, já te esqueceste disto? – O lobisomem ignorou o comentário da rapariga

:- Nunca o esquecerei…

:- Tens razão, está a ficar mais escuro … são quatro da tarde… – Jesse andou até ela, abrindo a janela e olhando para a rua, o céu escurecia, como se algo se tivesse colocado inesperadamente na frente do sol – Alguém ouviu falar de algum eclipse?

:- Não me parece – Julian respondeu, juntando-se aos dois – A lua, está cheia… — Disse elevando os olhos para o céu que estava agora tão escuro como se fosse noite.

:- Foi ela! Lana! Na outra linha do tempo, ela fez o mesmo! Merda! Devia ter pensado nisso, ter feito algo enquanto ainda havia tempo!

:- Duvido que houvesse algo que pudesses fazer… — Julian foi interrompido por um rugido que surgiu subitamente por detrás deles, Os três viraram-se lentamente para ficar cara-a-cara com Luka.

Pelos grossos e caninos afiados davam agora lugar á anterior face humana do rapaz, longas garras saiam dos seus dedos e os olhos agora de tom vermelho brilhavam com ferocidade, Ele apoiava-se na mesa de metal, a camisa rasgada no peito que revelava ainda mais da pelugem negra que ia tomando conta do seu corpo, dando lhe o agora conhecido aspecto metade homem-metade lobo.

Rugiu de novo para os seus amigos, de forma ameaçadora, como que pronto a devora-los.

:- Luka! – Sam chamou aflita

Sem pensar duas vezes, Jesse pegou a arma que sempre trazia presa á cintura e apontou-a ao lobisomem.