Ele caiu de joelhos, uma ‘onda’ de sentimentos atingiu-o, as imagens dele a atacar os seus amigos, a quase matar Sam assaltaram a sua mente e começavam a ser demasiado dolorosas para ele consegui lidar, não queria acreditar que tinha feito tudo aquilo, sabia que não tinha qualquer tipo de controle quando o fez, mas ainda assim, toda a dor que causara deixavam-no envergonhado, quase sem ser capaz de enfrentar aqueles que até há bem pouco tempo chamara de amigos.

:- Professor? – Sam chamou meio a medo ajoelhando-se junto dele

:- Sinto muito… — Foi a única coisa que ele foi capaz de dizer, levantando-se devagar sem sequer conseguir olhar a jovem

:- Acabou? – Luka perguntou aproximando-se dos dois, estava a coxear a haviam cortes na sua cara e braços que se iam fechando aos poucos

:- Acabou – Julian disse apenas fixando o nada

:- Nada disto foi sua culpa… — Sam levantou-se também agarrando de novo o pulso partido

:- Foi sim. Eu quase te matei – por fim ele olhando-a — quase matei o Luka. Ela fez-me odiar-vos, aos dois…eu nunca tinha sentido tanta raiva na minha vida!

:- Julian – Luka aproximou-se parando na frente do seu amigo, os cortes da sua cara e braços tinham agora sarado – Ainda nos odeias?

:- Não! – franziu a testa abanando negativamente a cabeça – é claro que não!

:- Então não foi culpa tua! Tu não nos odeias, a Lana fez-te odiar-nos, não foi escolha tua, não são as tuas emoções reais! – Luka disse pousando suavemente a mão no ombro de Julian

:- Talvez não. Mas mesmo assim eu magoei-vos. Foram as minhas mãos, as minha acções que quase tiraram as vossas vidas… eu não consigo nem explicar o quanto eu lamento…

:- Nós não o culpamos, de nada! –Sam olhou o professor carinhosamente

:- Eu sei. Mas eu culpo. Eu preciso de...desculpem por tudo… podem deixar-me sozinho? Eu tenho de…pensar, de assimilar tudo isto.

:- Não tem de faze-lo sozinho

:- Sam –Luka puxou-a suavemente – Vamos.

:- Mas…- ela protestou, mesmo assim sendo arrastada pelo lobisomem para fora do laboratório.

:- Que raio é a tua ideia, nós devíamos estar lá do lado dele, faze-lo ver que não teve culpa de nada! – Sam protestou de novo, agora do lado de fora do laboratório

:- Sam, — olhou brevemente a porta sendo fechada pelo professor que fitava o chão, arrastando-se para dentro– Ele acabou de quase dar cabo de nós e de ver a sua mulher morta, acho que precisa de algum tempo sozinho para por a cabeça em dia – o lobisomem sorriu suavemente á jovem colocando o braço por cima dos seus ombros – vamos, temos de ter levar ao hospital para tratar desse pulso

Ela apenas suspirou

: — Está tudo bem, princesa, ele vai ficar bem.

A sala estava escura, ele sentava-se simplesmente nessa escuridão, fazia-lhe bem que ela não passa-se agora apenas da escuridão que envolve o seu corpo e não mais fosse capaz de tocar na sua alma, pensando em tudo o que tinha acabado de acontecer, a sua cabeça andava á roda e sinceramente, Julian não tinha certeza como iria dali para a frente agir perante Sam e Luka, afinal de contas…depois de tudo o que ele lhes tinha dito, de como os tinha tratado, depois de tudo o que lhes tinha feito, ele não podia simplesmente fingir que nada tinha acontecido e esperar que tudo voltasse ao normal…

Suspirou olhando o copo de whiskey e dando um pequeno gole no mesmo, encostou-se então para trás no seu cadeirão de couro, fechando os olhos. E outro pensamento lhe tomou conta da mente, o da sua mulher naquele vestido azul claro flutuando bem ali na sua frente…Nunca pensara voltar a vê-la tão cedo mas estava de certa forma agradecido por isso ter acontecido. E com este mesmo pensamento, conseguiu por fim encontrar um pouco de paz, deixando o copo quase lhe escapar da mão enquanto envolto na imagem de Haleh adormecia.

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:- Falhas-te me, de novo! – Lana disse irritada

:- Não foi culpa minha! tu pediste o professor, eu trouxe-te o professor. O teu plano falhou, não eu.

:- Declan…- a loira suspirou andando até ele – Nesta altura já devias saber que desafiar-me não é um boa ideia – empurrou-o contra a parede e fazendo uma estaca aparecer na sua mão

:- Vais matar-me, agora?

:- Dá-me uma boa razão para não fazer –aproximou-se, pegando-o pelo pescoço e erguendo-o no ar apenas com uma mão – até agora todos os nosso planos saíram furados. Preciso de uma vitória – Lana usou a sua mão livre para encostar a estaca no peito de Declan – ou vou ficar muito irritada…

:- Há algo que podemos fazer para nos vingarmos da Sam, não vai trazer-te grande vantagem mas decerto a fará sofrer. Não é uma ideia lá muito original, mas acho que a este ponto podemos concordar que originalidade não nos levou a lado algum- Declan disse com um sorriso a aparecer no canto do lábio, um sorriso que antecipava problemas, então a bruxa largou-o, afastando-se mas mantendo a estaca na mão, pronta para o fazer virar pó caso ele a irritasse ainda mais.

:- Continua… — Lana exigiu, olhando-o curiosa, antecipando o que quer que o vampiro tivesse em mente.

Mila olhou á volta mas não havia sinal da sua amiga. Impaciente pegou o telemóvel, fazendo o dedo deslizar no ecrã até encontrar o nome dela nos contactos, estava á espera há já meia hora. Não tinha tempo para esse tipo de jogos! Ia ligar-lhe e cancelar os planos, tinha de estudar e fazer algo mais produtivo com o seu tempo do que estar ali parada, especada a espera dela.

Levou o telefone ao ouvido e foi nesse instante que o viu, caminhava para ela confiante com um sorriso no rosto e um casaco de cabedal escuro que lhe ficava a matar.

Mila sabia que já o tinha visto antes pela universidade, ele não era o tipo de rapaz de passar despercebido, com seus caracóis quase loiros, olhar meigo e sorriso perfeito… Nunca tinha no entanto falado com ele, por isso agora perguntava porque raio ele estava a ir na direcção dela.

O “Tut” do sinal de chamada fez-se ouvir algumas vezes, até que ela por fim desistiu no momento exacto que ele parava na sua frente

:- Oi… — Ele cumprimentou com um sorriso

:- Olá…

:- Declan – Disse estendendo-lhe a mão

:- Mila – tomou a mão dele num suave aperto , depois largando-a completou – Desculpa mas tenho de ir…

:- É por isso que estou aqui

:- Desculpa?

:- Lana, o carro dela avariou, e pediu-me para te vir buscar

:- Porque não podia vir a pé? Não estamos assim tão longe do campus…

Ele encolheu os ombros

:- Sabes como ela é – esperou que ela soubesse, porque a Lana que ele conhecia era em tudo diferente da que a sua amiga uma vez conhecera

:- Pois… — Mila riu – Se sei. Tudo bem, vamos lá. Onde vamos já agora ?

:- Surpresa, Lana disse que ias adorar, os pais dela compraram uma casa nova um pouco para lá da saída da cidade, pensou que podias passar lá o fim-de-semana

Mila mostrou-se desconfiada

:- Porque raio ela se ia lembrar agora disso? Passou-se tanto tempo desde a ultima vez que falamos…

:- Ela quer compensar-te por isso. – Depois lembrou-se algo que ia fazer Mila sentir-se uma pouco mais á vontade e talvez até confiar nele um pouco mais – Sam vai estar lá também

:- Vai?

Ele acenou e fez um gesto como que a perguntar “vens?”

:- Okay… vamos lá então…

Quando por fim chegaram ao destino, Mila olhou á volta absorvendo o cenário, aquela casa não era uma casa mas uma espécie de castelo antigo a cair de podre, e também não se situava a saída da cidade, mas sim no meio de uma espécie de floresta densa na qual ela nunca se tinha sequer atrevido a entrar, quando os seus sensores de perigo começaram a piscar de vermelho, era já tarde demais….

:- Onde estamos? – Perguntou entrando pela gigante porta de madeira situada na parte da frente do mini castelo

:- Como eu te disse, a nova propriedade dos Perry

:- Isto não é casa, não uma normal seja como for, e como raios até agora nunca tinha ouvido sequer falar deste sitio?

Declan suspirou impaciente, abrindo caminho para a sala enorme que surgia bem depois do corredor da entrada, as paredes eram de pedra, tinham aspecto de ser frias, das mesma pendiam velas acesas aos invés de lâmpadas de luz eléctrica, tal como nos filmes que retratavam os tempos medievais.

:- Uau e eu pensava antes que a Lana era excêntrica – Mila comentou.

:- Lana é muito mais do que aquilo que tu pensas – Declan, com uma velocidade que não era de todo humana, passou para trás dela, Mila não conseguiu sequer dizer nada já os braços dele a envolviam de trás , prendendo os dela com força contra a própria barriga,

:- Mas que raio é que tu pensar que estás a fazer?! — tentou libertar-se mas ele era forte demais, sentiu o seu corpo seu puxado ainda mais de encontro ao dele, naquele abraço apertado do qual ela não se conseguia libertar, mil pensamento assaltaram a sua mente, o mais racional que ela a ia violar, tentou mexer-se mas não foi capaz – por favor! – Suplicou

Declan sorriu mostrando o dentes aguçados de vampiro, a vítima bem a ali presa de encontro a si, não tinha como escapar! Havia um tempo que não bebia de um humano, deixou que essa luxuria tomasse conta de si, sentia o sangue dela borbulhar de medo, era um cheiro intoxicante ao qual ele não conseguia resistir. Então cravou os dentes no pescoço da ruiva, sentindo o liquido quente encher-lhe a boca, fechou os olhos de prazer, quase que como a entrar em êxtase.

Por fim, Mila foi drenada da sua vida, Declan soltou o corpo morto dela do aperto fazendo com que este tombasse no chão com um estrondo que ecoou pela sala inteira. Riu revelando os dentes ainda manchados de sangue.