The Magic In me
16 O Caçador
O beco era escuro, o cheiro era de fruta podre e lixo, Jesse andou cautelosamente pelo mesmo, ele tinha-o visto, ele tinha visto o vampiro atrair uma rapariga ruiva para fora desse mesmo beco, há umas horas atrás, infelizmente perdera-lhe o rasto. Mas agora tal como um assassino que retoma ao local do crime, ali estava ele.
Com a besta armada com flechas de madeira, continuou a caminhar até que o viu, parado perto de uma cerca de ferro que dividia a entrada para outro beco
: — Onde está ela? – Jesse perguntou apontado a arma ao vampiro
:- Um caçador? Já não via um a bastante tempo – comentou divertido
: — Onde está ela?
:- Mila? Não está aqui, não vais encontra-la. E mesmo que encontres é um pouco tarde de mais
Jesse não respondeu, se a rapariga estava morta então não havia razão para manter aquele vampiro vivo, bom… tão vivo quanto um vampiro pode estar. Sem pensar duas vezes, disparou uma flecha no momento que ela saiu da besta, o vampiro deu um pontapé na arma, a flecha enterrou-se no seu ombro e a besta caiu atrás de Jesse
:- Um pouco mais para o centro – o vampiro riu arrancando a flecha do ombro e atirando-a para os pés do caçador, Jesse apresou-se a pegar na mesma e precipitou-se em direcção ao oponente, mas era tarde demais, ele tinha já pulado a cerca de ferro e desaparecido no beco.
:- Porque eu não posso ter super-velocidade? – disse para sí mesmo pegando a sua arma do chão – Sem problemas. Encontrar-te-ei noutro dia. Tenho muito tempo…
Com a besta agora sob o ombro, O caçador começou a dirigir-se para a saída do beco, no entanto havia uma pergunta na sua mente. Porque não tinha o vampiro tentando mata-lo?, limitando-se simplesmente a fugir?
Passaram alguns dias desde que Jesse tinha encontrado aquele vampiro que por alguma razão que ele desconhecia, tinha de certa maneira sido piedoso com ele. Mas sendo um caçador, ele não iria desistir, especialmente porque investigou mortes recentes na área e nada acerca de uma jovem encontrada com feridas no pescoço e sem pinga de sangue no corpo, isto levou-o a querer que o vampiro a teria transformado num deles e provavelmente a enterrado a algures, ele mesmo. O caçador fez um careta ao pensar nisso. Os vampiros eram realmente repugnantes.
Andou até a janela, espreitando para o lado de fora e observando a escuridão, era tarde, bastante tarde, hora perfeita para caçar alguns vampiros. Jesse sorriu de antecipação, andando até a pequena mesa no centro do quarto de motel e pegando um pequeno saco de desporto negro, este não continha qualquer tipo de matéria de desporto, (bom, se não contarmos caçar criaturas sobrenaturais como um desporto), apenas algumas estacas de madeira, água benta, algumas flechas de madeira extra para a sua fiel besta, sua arma favorita. E claro um revolver para o caso de encontrar uma outra coisa qualquer em que pudesse disparar.
Jesse andou um pouco pela cidade, tinha chegado ali há menos de duas semanas, mas um caçador está sempre preparado, então tinha explorado o mais que podia daquele local, estudando também alguns mapas.
Aquela cabana velha e quase a cair de podre no centro da floresta podia ser um bom começo.
Entrou suavemente, sentido as tábuas de madeira ranger por baixo dos pés. Sim, de facto aquele local tinha o tipo de podridão que os nojentos do sobrenatural adoravam, empunhando a sua besta pronta a disparar e mantendo o saco com as outras armas pendurado no ombro, Jesse embrenhou-se mais por dentro da pequena casa, constatando por fim que de facto ele não estava enganado.
Chegando é pequena salinha, uma rapariga ruiva ria enquanto outra, esta de cabelos pretos a olhava com tristeza, parecia estar chorando, havia também um lobisomem parado perto desta última, mostrando-se pronto a atacar. Jesse largou o saco no chão,
:- Posso interromper a reunião? – Perguntou apontando a besta ao lobisomem
:- Não é o que estás a pensar, meu! – este disse levantando as mãos em sinal de rendição
:- Não? Um lobisomem, uma vampira e uma humana numa canana abandonada, isto podia ser o início de uma anedota. Deixa-me adivinhar, estão ambos a decidir quem é que fica com a presa? – a vampira riu
:- A Sam é tudo menos uma presa – disse limpando um pouco de sangue dos lábios
:- Oh, já petiscaste um bocadinho, huh? – Jesse perguntou desta vez apontando a arma para ela
:- Que vais fazer, caçador? – a Ruiva perguntou, fazendo a ultima parte soar como um insulto
:- Eu estava a pensar, talvez disparar esta flecha contra o teu coração e fazer-te virar cinzas, parece-te bem?
:- Mmm, antes disso, podes dizer-lhes que não existe cura para o vampirismo? – Perguntou, mostrando-se sem medo e cruzando os braços sobre o peito.
:- Se não contarmos com fazer-te virar pó? Nope – Jesse respondeu mantendo a sua posição com a besta preparada para disparar
:- Mata-a… Por favor…mata-a – A rapariga dos cabelos pretos falou por fim e logo o lobisomem, que agora regressava ao seu lado humano colocou a mão sobre o seu ombro
:- Achas mesmo que tens de pedir? – o caçador deixou um sorriso transparecer, disparando uma flecha mas a vampira foi mais rápida, desviando-se um pouco para esquerda e fazendo a mesma aterrar numas caixas vazias perto da rapariga de cabelos pretos
:- Cuidado, não queres matar a humana, queres? – aproximou-se e num movimento rápido desarmou Jesse fazendo a besta cair no chão, ele suspirou
:- Eu odeio mesmo – desferiu um murro no nariz da vampira fazendo-a dar um passo atrás – Quando fazem isso
Ela limpou o sangue que agora escorria do seu nariz com a mão e no segundo seguinte aterrou por cima de Jesse, os seus caninos faziam-se notar, e ela rugia irrita, ele empurrou-a pelos ombros para que não chegasse ao seu pescoço, por o canto do olho viu a rapariga de cabelos pretos com o rosto ‘enterrado’ no peito do lobisomem que apenas observava
:- Uma ajudinha? – Jesse pediu mas ninguém se mexeu, foi então que reparou num pedaço de vidro de uma janela partida no chão, esticando-se o mais possível e pegando no mesmo, rapidamente espetou-o no pescoço da vampira, sabia que não a matava mas era a distracção necessária para conseguir chegar á besta ou ao saco que tinha deixado no chão, a vampira grunhiu, abrindo os olhos de espanto e afastando se um pouco, permitindo Jesse empurra-la para longe, os seus olhos percorreram a sala, rapidamente, o saco estava mais longe. “Tenta a besta” ,Jesse pensou, mas parece que ela tinha lido a sua mente, depois de arrancar o pedaço de vidro do pescoço a vampira ruiva deu um pontapé na arma afastando-a para longe
:- Se a partiste, eu vou ficar muito furioso! – Disse colocando uma mão no pescoço dela e outra no seu braço, empurrando-a para longe e fazendo-a ir contra a parede – eu avisei – Jesse disse com um sorriso trocista e então mergulhou para o saco, abrindo-o rapidamente tirou uma estaca mas já a vampira estava sobre ele, agarrando-o por trás, pelos ombros e fazendo-o deitar no chão, colocou o joelho sobre o seu peito
:- Eu acho que sou eu quem está zangada agora! –deu-lhe um soco na cara, Jesse sentiu a raiva crescer dentro de si, então reunindo toda a força, desferiu um murro na cara da vampira, tal como ela fizera com ele, ela mostrou-se surpresa e mais uma vez ele conseguiu-se libertar, frente a frente de novo, o caçador desferiu um pontapé no estômago da vampira fazendo-a cair de joelhos, sem pensar duas vezes, desferiu outro pontapé, desta vez na cara da sua inimiga, ela caiu de costas e ele colocou o pé sobre o seu peito, Jesse reparou então que ela usava um colar, era uma espécie de frasco com um liquido qualquer dentro, baixando-se arrancou-lho do pescoço e empunhou a estaca que ainda mantinha na mão
:- Vou achar quem te fez isto – disse e depois sem hesitar espetou a estaca no seu peito fazendo-a explodir em cinzas. – Obrigado pela ajuda! – atirou ao lobisomem e cuspiu sangue para o chão – quer dizer, eu sei que vocês criaturas da noite tem de se manter unidas mas lobisomens e vampiros juntos, é algo que eu nunca vi.
Jesse andou então até ao saco, não obtendo resposta dos restantes e retirou o revólver, não tinha balas de prata com ele, e nessa altura amaldiçoou-se a si mesmo, de qualquer maneira apontou-o ao lobisomem
:- Okay, visto que não estás disposto a conversar, vou começar a disparar, ouviste dizer o que as balas de prata fazem aos lobisomens? — mentiu tentando infligir medo no outro
A rapariga rolou os olhos colocando-se em frente do lobisomen
:- Calma aí! O Luka é um os bons, okay? Podemos explicar tudo, só… — limpou uma lágrima e abanou um pouco a cabeça – Só preciso de um minuto para respirar, afinal acabaste de matar a minha melhor amiga. E já agora… – Sam andou até ao desconhecido – Agradecia que me desses o colar!
:- Depois de explicarem tudo – Jesse disse com um aceno de cabeça, enrolando o fio de prata nos dedos e observando o pendente em forma de frasco, o liquido lá dentro dando-lhe uma cor suave, bonita.
:- Sou a Sam, este é Luka. A rapariga que acabaste de matar chama-se…chamava-se Mila. Ela era a minha melhor amiga já há muitos anos. Quase como uma irmã para mim – suspirou – isto é uma muito longa história…
Jesse guardou o revolver na parte de trás da calças e puxou um caixa velha de madeira sentando-se em cima dela
:- Eu tenho tempo, podes explicar –cruzou os braço vendo o lobisomem, Luka, rolar os olhos.
Depois de Sam explicar tudo sobre Lana , o feitiço e como ela planeava tal como Deliah eliminar a humanidade, de como Luka era o seu guardião e basicamente tudo o que se tinha passado nos últimos tempos, Jesse ficou em silencio durante uns segundos
:- Então tu és um feiticeira que tem de parar uma bruxa que quer matar os humanos e apenas deixar os seres sobrenaturais, os que são…mauzinhos sobreviver, criar um inferno na terra?
:- Resumindo – Luka abanou afirmativamente a cabeça
:- Okay…isso é completamente estranho, quase que como saído de um livro de ficção mas…
:- Vais dizer que andar por aí a matar vampiros e seres do mal não é? – Sam perguntou erguendo a sobrancelha
:- Bom ponto de vista… – Jesse concordou com um sorriso a adornar-lhe o canto dos lábios – Okay tudo certo, mas como entra a tua amiga…Maya no meio disto tudo? Essa…bruxa tornou-a num vampiro? Porque eu tenho certeza que só um vampiro pode transformar alguém…
:- É Mila, e tu não nos disseste o teu nome ainda…
:- Jesse.
:- Okay, Jesse. De certa forma sim, a Lana é responsável pela morte da Mila.
:- Explica…
:- Okay – Sam suspirou irritada –Foi o seguinte…
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