:- NÃO! – Sam gritou agarrando o braço de Jesse – Não podes disparar, é o Luka!
:- E o Luka está prestes a fazer de nós o seu brinquedo de roer!
O Lobisomem avançou sobre eles parecendo não os reconhecer, os três encostavam-se agora á pequena janela, a única janela no laboratório… Sem saída, sem salvação…
:- Que se passa com ele!? – Sam quis saber
:- Suponho que seja a lua cheia! – O professor explicou e isto foi seguido de outro rugido
:- Pensei que ele já tivesse essa fase sob controle!
Julian abanou negativamente a cabeça,
:- É uma lua cheia magica… sei que parece estranho, mas a lua cheia normal já surte um efeito forte sob os seres como o Luka, mesmo quando eles o aprendem a controlar, há sempre uma parte que tenta vir ao de cima, a parte do animal, agora juntando a tudo isso ainda mais mística, ainda mais magia…
:-Talvez haja um animal nele, mas a sua maior parte é humana! – Determinada, Sam deu um passo em frente – Já o perdi uma vez, não vou perde-lo de novo! Não depois de tudo o que passei para apagar a minha borrada!
:- Sam… — Jesse chamou em tom de aviso, mantendo a arma apontada ao lobisomem
:- Tudo bem. Está tudo bem. Luka? Consegues ouvir-me? Sei que estás aí, sei que és muito mais do que um animal, muito mais forte do que a besta! Nós somos teus amigos, lembras-te? Eu sei que estás aí, que estás a tentar, caso contrário já nos tinhas feito em farrapos
Ele olhou-a sem entender, os olhos vermelhos ainda brilhavam ameaçadoramente
:- Luka…- ela chamou, pousando a mão no braço dele que agora estava completamente coberto de pelos negros – Por favor, não posso deixar que morras de novo, controla-te! Tens de dominar a besta, sei que o consegues fazer! – olhou-o nos olhos, aquele brilho hipnotizante, penetrava a sua alma – Acredito em ti … — Sorriu-lhe
Ele deu um passo atrás, por fim, era como se tivesse acordado de um sonho, como se tivesse voltado a lembrar-se de quem era, tomado consciência do que estava a fazer, a boca abriu-se de espanto, revelando os dentes afiados, a sua cabeça zumbia, e ele caiu de joelhos no chão, concentrou todas as suas forças em quem realmente era, a voz dela repetia o seu nome vezes e vezes sem conta dentro da sua cabeça. Então, sentiu os pelos começaram e “recolher” os caninos afinados a dar lugar á dentição normal de um humano. Olhou as suas mãos e viu a pele branca, pele de humano, elevou a cabeça e viu que os seus amigos os fitavam, os olhos ainda brilhavam mas agora num tom castanho, levantou-se, a camisa rasgada revelada um pouco do peito com músculos bem definidos.
:- Obrigado, coração! – Disse a Sam suspirando de alívio.
:- Estava prestes a explodir-te os miolos! – Jesse resmungou guardando a arma
:- Não é uma lua cheia normal… — Luka ignorou o outro fitando a janela ainda aberta
:- Estás bem? Vais ficar bem? – Sam olhava-o preocupada, ele sorriu
:- Sim, não te preocupes, princesa, é preciso mais do que uma lua magica para me deitar abaixo.
:- Em breve … — Julian começou – a cidade inteira vai ser chacinada por seres da noite… Temos de fazer algo
:- Vou chamar o Marcus e o resto do pessoal – Luka acenou em concordância
:- Espera! Não sabemos que efeito a lua causou neles, Luka, tu quase nos matas-te!
:- Está a exagerar, Professor, só queria uma dentadinha… bom não é que alguma vez tenha dado uma dentada num homem e aposto que esse aí deve ser amargo para caramba, mas há uma primeira vez para tudo, além do mais tinha a Sam como sobremesa, — Piscou o olhou a feiticeira
:- Não é tempo para brincadeiras! – Julian respondeu de mau humor – Não podemos recorrer á tua alcateia até termos certeza que eles não vão tentar, como tu, dar uma dentadinha! – lançou lhe um olhar reprovativo – Além do mais, acabo de me lembrar que não és o único lobisomem aqui presente…
:- Izzie!
Sem pensar duas vezes, Luka dirigiu-se ao pequeno quarto nas traseiras do laboratório, sendo seguido pelos restantes, um suspiro de alívio saiu dos seus lábios ao ver a jovem ainda deitada na cama, embora esta se demonstra-se agitada mantinha a forma humana, não sendo, ao contrário dele mesmo dominada pela “besta”
:- Ainda esta fraca demais para se transformar… — Julian observou a rapariga com a sua habitual expressão concentrada.
:- Que fazemos agora? Se não podemos recorrer a alcateia do Luka… Como vamos lutar com todos os seres que vão ser libertados pela noite permanente? – Sam perguntou, deixando os braços cair ao longo do corpo em forma de rendição
:- Sei a quem podemos pedir ajuda – Jesse, encontrava-se encostado á ombreira da porta, e fez com que os restantes o olhassem curiosos – Existe um grupo de caçadores, apenas a uma cidade de distância, em cerca de cinco horas estamos lá… estou certo de que eles não se importariam de nos ajudar…
:- Caçadores? – Julian pareceu rejeitar a ideia de imediato – Bem sei que vocês sabem tudo sobre como aniquilar os seres das trevas, no entanto, isto não é o habitual jogo do gato e do rato que fazem com as vossas presas. Trata-se de atirar um gatinho para dentro de um barril de ratazanas esfomeadas…
:- Eu sei disso, sei que não será fácil, mas pense, proteger os inocentes é a nossa missão. Sei que não somos fortes como um lobisomem, não temos a magia do nosso lado como os feiticeiros, raios! Nem sequer temos a esperteza de um mestre de poções como você… mas fazemos isto durante anos, muitos de nos começa em criança! Muito de nós não se importam de morrer se for pelo aquilo em que sempre acreditamos, se for para proteger quem sempre juramos manter a salvo!
:- Tens noção que a maioria vai morrer?
:- Tenho.
:- Ainda assim queres arriscar pedir lhes ajuda?
:- Sim.
:- Tudo bem, suponho que não é altura de rejeitar mãos prontas a ajudar.
:- Vamos.
:- Espera! – Sam agarrou o braço de Jesse –Eu vou contigo. Luka, o que podemos fazer quanto a tua alcateia?
:- Bom, estou certo de que o Marcus não foi afectado pela lua, se o encontrar ele pode ajudar-me a fazer os outros “ voltar ao normal”
:- O que te leva a crer que ele não foi afectado?
:- Ele é o alfa, mas forte de que todos nós, é preciso muito mais do que uma lua cheia magica para que ele perca o controle.
:- Bom se assim é, vai procura-lo e tenta juntar o máximo possível de ajuda. Professor, fique aqui com a Izzie e tente achar uma maneira de parar a Lana
:- Certo – Julian acenou – Voltem assim que possível.

**************************************************************

:- Devo avisar-te que alguns destes caçadores são um pouco… paranóicos…
Sam olhou-o curiosa, os dois encontravam-se agora no carro de Jesse em direcção á casa onde os amigos dele habitavam
:- Paranóicos?
:- Quando se está nesta vida desde que se nasceu, quando se viu amigos, família morrer ás mãos de seres sobrenaturais todo o cuidado é pouco…
:- Compreendo…
Pararam por fim junto a um enorme portão de metal, pintado de branco, com arame farpado no topo, apesar de ser alto demais para ser escalado por qualquer um. Junto a esse mesmo portão, havia um homem alto, vestido uma camisa de flanela aos quadrados que segurava uma arma, aproximou-se deles com a espingarda pronta a disparar
:- Ei, Colt – Jesse acenou-lhe com o leve sorriso
:- Jesse? Há quanto tempo! – baixou a arma , deixando-a pendurada no ombro por uma fita de cabedal –

Deixa me adivinhar, vieste por causa disto? – apontou para o céu com a cabeça
:- Estás certo.
:- Vou pedir que abram os portões mas já sabes os procedimentos habituais. Talvez devesses explicar ai a tua… parceira? – Olhou Sam e lançou lhe um sorriso provocador. Depois fez sinal, para o que a jovem concluiu ser uma camera pendurada do outro lado do portão e a passagem abriu-se
:- Que ele quer dizer com aquilo?
:- Como eu te disse, paranóicos – Jesse parou o carro da parte de dentro da propriedade e os dois saíram calmamente – Apenas faz o que mandarem, não é nada de preocupante.
Colt levou-os até um pequena barraca de madeira situada um pouco abaixo daquela que não era uma típica casa mas sim uma mansão. Pousou a espingarda no chão e mandou-os esperar no centro do espaço vazio. Minutos depois uma rapariga entrou, era não muito mais alta que Sam, tinha cabelos loiros e aspecto frágil. Sorriu aos dois, depois andou até Jesse e … cheirou-o, Sam observava a cena, confusa
:- Ele está limpo.
:- Aura, bom ver-te de novo – o rapaz piscou-lhe o olho e ela andou até Sam, olhou-a de alto abaixo, como que apreciando cada detalhe do seu aspecto depois… cheirou-a tal como fizera com o caçador
:- Ela, ela não cheira normal, Não cheira a humano, há algo diferente nela…detecto…
:- É magia – Jesse elevou as mãos quando reparou que o outro avançou para a arma apontando-a aos dois
:- Que merda, meu, pensei que podia confiar em ti!
:- E podes, Sam é uma feiticeira – Os dois desconhecidos olharam na e ela acenou levemente com a mão, como se fosse a primeira vez que os via
:- Feiticeira? Pensei que estivessem extintos
:- Estão. E eu posso explicar, eu prometo…
:- Okay – Colt baixou a arma – sou todo ouvidos.

Depois de explicar a historia de Sam, Lana e tudo o que tinha acontecido até ali a Colt e Aura, Sam e Jesse eram agora conduzidos á enorme mansão no topo da propriedade
:- Não acredito que é mesmo verdade! Conheci alguém… Há muito tempo atrás … ele acreditava na profecia, treinava todos os dias para quando Deliah se erguesse de novo… — Aura comentou com ar sonhador – Parece que foi há uma vida atrás…
:- Que lhe aconteceu…?
:- É… uma longa história – a loira suspirou
:- Então qual é o plano? – era Colt quem fazia a pergunta
:- Não pensei bem nisso, apenas que vocês nos podiam ajudar a manter as ruas um pouco mais seguras.
:- Sabes que vais ter de discutir isso com ele?
:- Chief? Sim, sei. Acho que não vai ser difícil convence-lo
:- Certo. Aura, por não mostras a casa a Sam? Vou levar o Jesse a falar com o Cheif.

Com o aceno de cabeça, a rapariga começou a conduzir Sam pelo largo corredor
:- Quem raios é o Chief e porque nome soa como o de algum mafioso ou… chefe índio? – Aura riu
:- é isso mesmo que ele é, o chefe. Ele comanda os caçadores da comunidade, distribui os casos – encolheu os ombros – é boa pessoa embora tenha havido uma altura em que me queria ver morta…
:- Porque?
:- É uma longa historia…
:- Tudo contigo parece ser…
Aura abriu uma pesada porta de madeira e conduziu Sam para o interior de uma sala escura, quando a luz se acendeu, ela não queria acreditar no que estava diante de si
:- uau!
:- Bem-vinda a sala das armas! – riu
Uma elegante sala pintada de branco erguia-se sobre os olhos da feiticeira, toda ela composta por todo o tipo de armas e munições, algumas delas exposta em vitrines colocadas nas paredes
:- O Jesse já esteve aqui? Tendo em conta como sempre parece ter uma destas, nova pronta a apontar a alguém…
A outra riu de novo, não respondendo a pergunta
:- Então…- Sam disse ainda inspeccionando as armas – Disseste que tinhas conhecido alguém que acreditava na profecia de Deliah, quem? E não me digas que é uma longa história!

*************************************************************

:- Não pode! Isto não pode estar certo!
Julian debruçava-se sob um velho e pesado livro, os cabelos grisalhos desalinhados no topo da cabeça, os óculos pousados ao lado das velhas e amareladas, paginas, massageou a testa e suspirou, nada daquilo fazia qualquer tipo de sentido, como podia? Aquela passagem, aquele livro tinha feito com que toda a réstia de esperança que ainda tinha morresse…
Suspirou de novo e olhou as letras grandes, elegantemente desenhadas em cor preta
“Só a grande bruxa tem o poder de se parar a si mesma.”
Como? Fechou pesadamente o livro e colocou os óculos
:- Não pode… — repetiu, e então o som de vidros a partir fez se ouvir pela sala inteira. Julian levantou-se de um pulo pronto a lutar, sabia que não ia ficar em paz por muito tempo, assim que as criaturas da noite ganhassem terreno iriam atacar todos aqueles que se opunham a Lana, e ele era um dos opositores principais… para não falar no facto de ainda ter na sua posse o livro que a bruxa tanto queria, o livro que deu origem a tudo aquilo.