Dentro dos limites da Floresta Kokiri, o sol brilhava preguiçosamente, iluminando o denso bosque com sua luz calorosa. A brisa soprava de modo suave, fazendo as folhas das árvores balançarem em um ritmo leve. Era mais uma manhã comum na Floresta Kokiri. Link fora para a cidade, para seu treinamento diário, enquanto Zelda ajudava Saria com os afazeres domésticos. Elas estavam na cozinha, conversando, enquanto Zelda cortava alguns legumes para preparar uma sopa.

— Então, Zelda... – Saria se aproximou da princesa, seus olhos de esmeralda encararam-na por um momento, cintilando com uma alegria escondida. – Como andam as coisas entre você e Link?

Zelda sorriu e seu rosto ficou um pouco rosado.

— Ah...Bem... – Seu rosto ficou ainda mais corado enquanto ela falava. – Sabe como é... Andam muito bem...

Um sorriso largo se formou no rosto da pequena garota Kokiri enquanto ela observava a princesa com alegria.

— Sei... – Saria falou num tom irônico, com as sobrancelhas erguidas num sinal de desconfiança. Ela sabia o que estava acontecendo entre Zelda e Link, mas fingia não saber de nada.

Lentamente, ela se aproximou de Zelda e permaneceu um tempo ao lado da princesa, encarando-a com um olhar misterioso. Depois de um certo tempo, ela falou, tentando parecer o mais inocente possível.

— Eu vejo que vocês dois têm andado muito juntos.... – ela fez uma pausa breve, como se estivesse querendo provocá-la com suas indagações. – Vocês sempre passam a tarde toda na campina, estão sempre conversando e rindo... Vejo que há uma conexão muito forte entre você e ele... Me diz, Zelda... Tem alguma coisa acontecendo entre vocês dois, não é?

Zelda engasgou. Ela virou seu olhar para Saria, o sangue subindo para seu rosto.

— De onde, em nome das Deusas você tirou essa ideia, Saria? – ela gaguejou, constrangida.

— É bastante óbvio. – respondeu ela naturalmente. – Vocês dois são jovens, estão sempre juntos... Pareceu-me natural.

— É... – Zelda suspirou levemente. – Eu admito, Saria... Realmente tem alguma coisa acontecendo entre eu e ele... – ela suspirou outra vez. Seus olhos brilhavam com um jeito sonhador. – Ele é tão lindo, gentil, meigo, carinhoso, inteligente, educado... Eu nunca conheci alguém como ele antes... Quando meu pai foi embora, achei que nunca mais ia voltar a ser feliz, mas ele mudou tudo. Ele encheu meu coração com alegria, uma alegria que eu jamais esperava que fosse sentir... É tão incrível a forma como ele me faz sorrir, a maneira como ele faz eu me sentir feliz depois de tantos anos em que eu sofri nas mãos da minha cruel madrasta...

— Eu vejo... – Saria respondeu calmamente. – Eu já desconfiei disso desde o dia em que você chegou aqui em nosso vilarejo... Eu nunca tinha visto Link ficar tão empolgado com uma garota antes... Sabe, ele já conhecera outras garotas antes, mas ele nunca foi do tipo paquerador. Quando eu perguntava pra ele se ele não havia se interessado por alguma garota da cidade, ele sempre me dizia que ele ainda não havia encontrado o que ele estava procurando... Bem, acho que o que quer que ele estivesse procurando, ele encontrou em você.

As duas garotas sorriram uma para a outra. Elas ficaram em silêncio por alguns segundos até Zelda se lembrar do que ela estava fazendo anteriormente.

— Oh, Santas Deusas! A sopa! – Zelda se virou abruptamente e andou em direção ao forno à lenha, para verificar se a sopa estava pronta. Com uma colher de madeira ela provou a sopa. – Hmm! Está ótima! Link vai adorar! Ele sempre chega tão cansado e faminto... Talvez a comida que sirvam por lá não seja muito boa...

Saria riu.

— Com certeza, ele deve gostar MUITO mais da sua comida do que as que os soldados comem...

Saria parou de falar instantaneamente quando ouviu o som de cascos que se aproximavam cada vez mais de sua casa e foi até a janela. Quando ela viu a égua castanha no centro do vilarejo carregando seu cavaleiro, ela disse alegremente:

— Falando nisso, Link acabou de chegar.

Zelda correu apressada até a porta. Link desmontou de sua égua e foi caminhando lentamente em direção a casa. Zelda correu na direção dele e abraçou-o com força.

— Link, que bom que você já está de volta! – ela beijou os lábios dele levemente, em um selinho rápido. – Como foi o treinamento hoje?

Link hesitou um pouco antes de responder.

— Hã...bem...foi... normal... – ele gaguejou.

— Ahh... – Zelda suspirou, um pouco inconformada com a resposta desanimada dele. Mas ela estava tão empolgada com o retorno dele que ela nem deu importância. – Eu preparei uma sopa para você! – ela disse, em seguida, com empolgação. – Você deve estar com fome! Venha comer, está bem quente!

Ela o puxou pelos braços, levando-o para dentro de casa. Após a refeição, os dois foram passar um tempo sozinhos na Campina da Floresta Sagrada, como de costume. Eles haviam se sentado à sombra de um grande salgueiro. Zelda estava sentada entre as pernas dele enquanto ele carinhosamente a abraçava e acariciava. Ela se encolhera nos braços dele, fechando os olhos por um momento, pressionando seu ouvido contra o peito dele. Ela ouvia o som reconfortante dos seus batimentos cardíacos. Segurando-a mais apertado, ele colocou seu queixo no topo da cabeça dela enquanto Zelda se aconchegava confortavelmente nos braços dele.

Era normal que eles passassem um tempo em silêncio, apenas apreciando o momento, mas hoje, Link estava estranhamente quieto. Ele ainda não havia dito quase nada desde o momento em que havia chegado da cidade. Normalmente, ele teria algo de novo para contar à Zelda. Ele estava muito distante e silencioso, o que não era normal para ele. Ela aconchegou sua cabeça no peito dele e suspirou.

— Link... – ela disse lentamente enquanto ele acariciava os cabelos dela.

— Hmm..?

— Você está tão quieto hoje... Aconteceu alguma coisa?

Ele respirou fundo e respondeu, um pouco hesitante:

— Bem... não foi nada...

As palavras dele não a convenceram. Ela olhou para os olhos dele e perguntou mais uma vez:

— Não, Link... Tem alguma coisa te incomodando... Eu sinto isso. Você nunca esteve assim... Vamos, Link.. Por favor... Me conte o que está acontecendo com você...

Ela o beijou levemente nos lábios, para encorajá-lo a falar. Ele respirou fundo antes de dizer a ela o que se passava, sentindo um grande desconforto no peito.

— Bem... É que... – ele desviou o olhar, evitando olhá-la nos olhos. – O capitão que me treina me disse hoje que... vou ter que ser enviado em uma missão especial, bem longe do reino de Hyrule, para intensificar o meu treinamento como cavaleiro...

Os olhos de Zelda se arregalaram, incrédulos com a informação que acabara de receber.

— C-como assim? – ela perguntou desesperadamente. – Isso significa que...

— Vou ter que partir... – ele continuou com uma voz triste.

— Não!!!! – Zelda se levantou abruptamente do colo dele em um ato de desespero. – V-você... Você não pode! Não pode me deixar! – ela disse, enquanto lágrimas começavam a escorrer de seu rosto.

Link se levantou e se aproximou dela. Seus olhos mostravam a dor que ele estava sentindo naquele momento, mas ele tentou se manter calmo para que Zelda não se desesperasse ainda mais.

— Zelda... – ele disse, enxugando as lágrimas dela com seu polegar. – Eu não tenho outra escolha... Não foi um pedido, foi uma ordem... – ele mordeu o lábio e reuniu sua coragem. Olhando para o chão, ele murmurou – da sua madrasta, a Rainha...

Ela perguntou angustiada, seu coração se apertava com a dor.

— Por quê? Por que ela...

— Eu não sei... – ele respondeu, com o coração apertado. – Eu só sei que ela ordenou que os melhores espadachins fossem pra essa missão em outro reino para intensificar o treinamento. Como eu sou um dos melhores, terei que ir. Ela sabe do meu potencial, não posso enganá-la... Normalmente é o que fazem com novos membros do serviço militar da guarda real, eles enviam os que estão mais preparados... Mesmo que eu não queira fazer parte da guarda real, terei que ir. Se eu recusar, ela pode suspeitar de algo... Não quero que ela descubra que você está aqui comigo, você entende?

Zelda fungou. Lágrimas inundaram sua visão e seu estômago congelara.

— M-mas... Quando... Quando meu pai me disse que ia partir... ele... ele nunca mais voltou... E-eu não quero perder mais uma vez quem eu amo... Não... e-eu não suportaria uma segunda vez...

Uma nova enxurrada de lágrimas invadiu seu belo rosto. Link de imediato, tomou-a nos braços e segurou-a firmemente, não querendo deixá-la ir. Acariciando seus belos cabelos, ele a envolveu como uma criança enquanto ela chorava sobre sua túnica, inundando o tecido com suas lágrimas. Depois de um tempo, Zelda, ainda chorando, olhou nos olhos dele e murmurou:

— Quando você vai ter que partir?

— Em alguns dias. – Ele respondeu, sentindo um gosto amargo na garganta. – E-eu prometo que vou passar a maior parte do tempo com você antes de partir...

Zelda se agarrou a ele, não querendo deixar seus braços. Desesperado, ele a beijou, apertando-a contra si, de modo a nunca se esquecer da sensação do corpo dela contra o dele.

— Eu te amo, Zelda. – ele sussurrou entre vários beijos.

Zelda colocou os braços em volta do seu pescoço, puxando-o para mais perto dela, enquanto ele beijava sua orelha, seu queixo, seu pescoço.

— Eu nunca vou deixar você, Zelda. Nunca. – ele murmurou, apertando-a em seus braços com toda a força, como se todo o contato não fosse suficiente. Eles se beijaram mais uma vez, pois ambos sabiam que esta seria uma das últimas vezes que eles estariam juntos.

—--

Os dias foram se passando lentamente na mente de todos. Era como se uma nuvem escura e sombria estivesse pairando sobre o ambiente, inundando o humor de todos com angústia e tristeza. A notícia havia abalado a todos os Kokiri. Até mesmo Mido se sentiu desconfortável com aquela situação. Por mais que ele fosse arrogante, era difícil aceitar a ideia de que um velho amigo teria que partir para longe por tempo indeterminado. Zelda e Link tentaram ao máximo passar todo o tempo juntos durante esses dias, mas nada podia tirar do coração deles a dor que estavam sentindo. Link teria que partir e só as Três Deusas saberiam quando ele voltaria. O coração de Zelda se contorcia de dor. Ela já havia perdido o pai e ela não queria ter que perder outra vez alguém que ela amava.

Na noite antes da partida de Link, Zelda chorou mais uma vez. Com a cabeça baixa e os ombros curvados, ela chorou silenciosamente em seu quarto antes de cair em um sono profundo. Quando a aurora chegou, Saria foi chamá-la em seu quarto.

— Zelda, levante-se! – a pequena garota falou cuidadosamente, tentando esconder a tristeza que estava sentindo. – É hoje que Link vai ter que partir... Precisamos nos despedir dele.

Zelda se levantou lentamente, com os olhos inchados de tanto chorar. “Partir”. Aquela palavra trazia um imenso desconforto para sua alma. Ela sentia-se como se seu coração estivesse se despedaçando em mil pedaços. Tentando conter um novo fluxo de lágrimas, Zelda acompanhou Saria lentamente até o centro do vilarejo Kokiri, onde uma multidão de crianças se despedia de seu velho amigo.

— Adeus, Link. Tenha cuidado. – disse Fado, abraçando o jovem hyliano com força.

— Esperamos que volte logo... – disseram Mayla e Kayla, as irmãs gêmeas. – As coisas não serão mais as mesmas sem você aqui.

— Sentiremos sua falta... – disseram os Irmãos Sabe-Tudo.

— Também sentirei falta de todos vocês... – Link respondeu, abraçando cada um de seus amigos Kokiri. – Por favor, cuidem de Zelda por mim...

Depois das várias despedidas e abraços, Link aproximou-se de Mido cautelosamente, seu rosto também mascarado com a dor.

— Adeus, Mido. – Ele disse baixinho, estendo a mão.

O garoto olhou para o lado com uma carranca, e deu um tapa em sua mão, afastando-a.

— Boa viagem. – Ele sussurrou ferozmente. – Estou feliz que você não vai voltar tão cedo.

Link riu levemente com a atitude grosseira de seu amigo. Mido simplesmente cruzou os braços e não fez nada. Mas apesar da careta, seus olhos não conseguiram impedir as lágrimas de escorrerem por seu pequeno rosto carrancudo quando ele ouviu Link dizer calmamente:

— Eu também sentirei sua falta, amigo.

Não conseguindo mais conter a tristeza que tomava conta de seu coração, Mido abraçou Link, chorando. Apesar de sempre ter provocado e irritado Link, ele sempre teria um lugar especial em seu coração como seu amigo mais próximo e até mesmo, ele admitia em silêncio, como seu irmão mais velho.

Depois de se despedir de quase todos os seus amigos, Link avistou Saria e Zelda se aproximando do grupo. Seu coração se contorceu de dor e seus olhos se encheram de lágrimas quando ele viu Zelda correr à seu encontro.

— Link!!! – ela gritou, correndo na direção dele. Quando ela o alcançou, Link a tomou nos braços, abraçando-a fortemente. Zelda colocou a cabeça no ombro dele e chorou.

— Eu não consigo acreditar que você realmente tem que ir embora... – ela soluçou. – E-eu não quero te perder... Não quero...

Link a envolveu ainda mais apertado em seus braços. Suavemente enxugando suas lágrimas com seu polegar, Link disse, tentando esconder as lágrimas:

— Não chore, minha querida. Não quero ver mais nenhuma lágrima derramada sobre o seu lindo rosto... – ele lentamente aproximou o rosto dela do dele e sussurrou – Eu juro, pela Triforce Sagrada e pelas Três Deusas de Hyrule que eu vou dar um jeito de voltar pra você... Eu não vou te deixar, meu amor... Nunca. Eu prometo.

As mãos de Zelda se agarraram firmemente na túnica de Link e ela fechou os olhos, aproximando seu rosto do dele. Como se estivessem em uma cerimônia sagrada, eles se beijaram pela última vez, as suas emoções eram mostradas não com palavras, mas com ternas ações. O tempo deixou de existir. Ambos sabiam que deveriam parar, que eles estavam apenas a prolongar seu sofrimento, mas eles não conseguiam se afastar um do outro. Os beijos se tornaram ainda mais apaixonados. As lágrimas de Zelda aumentaram enquanto ela se segurava ainda mais apertada em Link, seu coração apertado em desespero. Link colocou uma mão em seu cabelo enquanto a outra segurava sua cintura, apertado.

O beijo parecia não ter fim. Eles poderiam se beijar para sempre, apenas parando um pouco para respirar para depois voltarem a se beijar novamente. O beijo profundo e apaixonado foi se transformando em pequenos e rápidos beijos nos lábios, nas bochechas, no pescoço e nas orelhas. Quando Link parou de beijá-la, Zelda gemeu em protesto. Ela não queria que ele parasse, mas ambos sabiam que eles teriam que se separar e que Link teria que ir embora. Ainda agarrada a ele, Zelda olhou para seus olhos azuis e profundos, úmidos com as lágrimas que ele não havia conseguido esconder por muito tempo.

— Eu tenho que ir... – ele sussurrou com tristeza, acariciando gentilmente sua bochecha e beijando sua testa com delicadeza.

— Eu sei... – ela murmurou, com o rosto cheio de lágrimas e os olhos vermelhos e inchados de tanto chorar.

Link segurou as mãos dela por um breve momento e entrelaçou seus dedos nos dela.

— Adeus, Zelda. Eu te amo. – ele sussurrou.

Com os dedos ainda entrelaçados, ele a beijou nos lábios mais uma vez, depois ele desenrolou seus dedos dos dela e se afastou. Zelda desesperadamente desejava tocá-lo uma última vez, mas ela se conteve.

— Adeus, Link. – ela respondeu com a voz trêmula enquanto lágrimas continuavam a cair pelo seu rosto. – Eu amo você também. E vou te amar pra sempre.

O mundo desmoronou completamente quando Zelda viu seu amado montar em Épona e se afastar aos poucos. Ele virou-se para olhar para ela uma última vez, com o rosto encharcado com as lágrimas e o coração apertado. Depois virou-se e cutucou Épona para que ela acelerasse, deixando sua amada Zelda para trás junto com seus amigos Kokiri. Link estava sendo levado para longe de tudo o que ele mais amava.

Antes que Link desaparecesse completamente em meio às árvores da floresta, Zelda virou-se e correu para dentro de casa, chorando desesperadamente. Ela entrou em seu quarto e se debruçou sobre a cama, encharcando seus próprios braços com suas lágrimas. Era como se um buraco estivesse se abrindo dentro de seu peito. Chorando descontroladamente, ela uniu as mãos e fez uma prece silenciosa às Deusas.

— Deusas Queridas... Por favor, protejam meu amado Link... Por favor, permitam que ele volte logo, em segurança... Eu não quero perder mais alguém que eu amo... por favor... Eu peço com todo o meu coração...

Zelda inspirou um pouco, sentindo as lágrimas voltarem. Bruscamente, ela enxugou-as, recusando-se a chorar outra vez. Ela tinha que ter esperança.

Saria estava na porta do quarto, ouvindo as preces da jovem princesa. Ela suspirou de leve. Assim como Zelda, ela também estava sofrendo muito com a partida de Link. Mas havia outra coisa incomodando a jovem Kokiri naquele momento. Ela tinha que se manter firme para poder falar com Zelda. Ela lentamente entrou no quarto e se aproximou da princesa, que continuava a orar silenciosamente às Deusas. A garota de cabelos verdes colocou uma mão no ombro de Zelda e falou baixinho.

— Zelda... Não se preocupe... Link vai ficar bem. Eu o conheço. Sei que ele dará um jeito de resolver tudo e voltar para casa. Ele nunca quebra uma promessa.

Zelda olhou para Saria e suspirou. Ela abaixou o olhar e falou em um tom baixo.

— Eu sei... Mas mesmo assim fico preocupada... Eu já perdi meu pai, não queria perder Link também...

Saria se agachou e olhou nos olhos dela.

— Sim... Entendo sua dor... Mas... – Saria fez uma pausa. Ela respirou fundo e reuniu sua coragem. Olhando profundamente nos olhos azuis de Zelda, ela continuou. – Tem uma coisa que preciso te contar... Eu não estava preocupada com isso até agora, mas... Bem, agora que Link não está mais aqui, você terá que ser mais cuidadosa.

A jovem olhou para Saria, um pouco confusa.

— Eu não entendo... – ela falou, com as sobrancelhas franzidas em dúvida. – O que você quer dizer com “ser mais cuidadosa”?

— Bem... – Saria suspirou outra vez, pensando cautelosamente no que iria falar. – Nós, Kokiri, temos uma data sagrada em nosso calendário... É o Dia do Festival Sagrado dos Guardiões da Floresta. Só acontece uma vez por ano. Nesse dia, temos que ir ao Bosque Sagrado para fazer uma cerimônia em homenagem aos antigos guardiões da floresta... Mas só os Kokiri podem entrar nessa parte do bosque. Ninguém mais é permitido. Por isso você não poderá ir conosco... Terá que ficar aqui na vila. Antes de Link partir, eu estava tranquila quanto a isso, pois ele iria ficar com você e te protegeria, mas agora que ele foi embora, você terá que ficar sozinha aqui. É isso que me preocupa... E esse dia chegará em alguns dias... Temo que a Rainha use um de seus truques para chegar até você. Você estará sozinha, não poderá enfrentá-la. Por isso eu digo pra você ser cautelosa, Zelda. Não sabemos o que a Rainha está tramando...

Uma raiva súbita invadiu o coração de Zelda. Mais uma vez a Rainha trazia desespero ao seu coração. Por causa dela ela teve que fugir de suas próprias terras. Por causa dela Link teve que ir embora. E agora ela tinha que se preocupar com ela mais uma vez. Quando ela teria paz? Quando a Rainha iria parar de atormentá-la? Zelda sentiu as lágrimas voltarem ao seus olhos. Não conseguindo controlar o choro dessa vez, Zelda abraçou Saria desesperadamente.

— Ela não me deixa em paz... Não sei quando isso vai acabar... – ela soluçou. Saria tentou consolá-la, mas ela não conseguiu. Envolvendo sua amiga em um forte abraço, ela também chorou de desespero. A partir daquele momento, ninguém mais sabia o que poderia acontecer.