The Legend of The Sky's Princess

23 Capítulo 23 – Emboscada no Lago Hylia


Capítulo 23 – Emboscada no Lago Hylia

Perto do castelo podia-se ver uma espécie de riacho que dava em uma lagoa mais para frente. Na verdade era uma ramificação um tanto distante do lago Hylia e do rio dos Zoras, que levava ao Domínio dos Zoras, quase todo no subsolo. Olhando o fino riacho não se podia imaginar que era algo tão maior.

– Hey! Listen!

– O que, Navi?

– Não acha que devíamos visitar a grande fonte das fadas? Ela disse que em tempos de guerra sempre poderia nos ajudar. As coisas continuam assim desde aquela época?

– Sim. Eu a visito de vez em quando. Só temos que achar a porta de entrada.

– Que lugar é esse? – Zelda* lhe perguntou.

– É onde vive a fada que cuida de todas as outras fadas que vivem fora da Floresta Kokiri. Ela é bem mais poderosa e sábia e se você pedir, ela pode te ajudar em tempos difíceis com alguma força.

Link* ficou em silêncio por alguns minutos até encontrar uma entrada entre as paredes de pedra que arrodeavam o local.

– Ali!

O grupo se aproximou de uma passagem iluminada, que Link* e Midna não puderam notar na escuridão quando estavam indo ao deserto. Entraram por um pequeno túnel até chegar ao local, que era inteiramente iluminado por dentro. O chão era constituído por azulejos bancos e azuis claros. As paredes mostravam um tom de azul marinho e gotas brilhantes de água caíam por elas como se fossem estrelas. No centro da pequena sala havia uma fonte com água cristalina no chão, o símbolo dourado da triforce estava marcado no chão à frente, nas laterais da fonte fogo verde saía de dois castiçais de pedra que vinham do chão, cobertos pelos mesmos azulejos.

– Esse lugar esteve bloqueado por pedras até pouco tempo atrás, eu o desbloqueei com uma bomba pouco antes de vocês três aparecerem aqui. Mas não cheguei a chamar a fada, porque não havia necessidade.

Ele tirou a ocarina do tempo de seus itens e se posicionou em cima do símbolo da triforce, emitindo as notas suaves de Zelda’s Lullaby. A luz se intensificou e uma grande e histérica risada foi ouvida. Uma mulher de cabelo rosa escuro divido em três mechas e roupas que pareciam ser feitas com folhagens apareceu flutuando em cima da fonte. Seus lábios e unhas possuíam a mesma cor que o cabelo, que estava enfeitado com folhas iguais às da roupa. Suas botas de cano longo pareciam ser feitas de folhas maiores e mais escuras. Tinha uma aparência assustadora para uma fada e não tinha asas, mas seu olhar era mando e gentil. Ela olhou nos olhos de cada um, demorando-se um pouco mais em Midna e finalmente olhando de um Link para o outro.

– Sejam bem vindos. Eu sou a grande fada da magia – elas os saudou com um sorriso e uma doce voz — Qual de vocês dois me chamou? Quem de vocês é meu velho amigo? Faz tanto tempo que não nos vemos que nem tenho noção de quanto se passou.

– Sou eu – Link disse.

Ela finalmente se atentou à ocarina em suas mãos e à fada que planava ao lado do hylian. Olhou novamente para o garoto e dirigiu-se a Link.

– Link... – ela sorriu – Faz tanto tempo que não vem aqui. E como está crescido! Vejo que Navi voltou pra você, isso é muito bom.

– Também é bom rever você – ele respondeu.

– Me sinto honrada em revê-la após tantos anos – Navi lhe disse.

– Quem são seus amigos? E esse garoto igualzinho a você usando as mesmas roupas? Essa garota tão parecida com a princesa... E como está a princesa?

– É uma longa história. À você eu posso contar, mas não temos tempo, serei rápido. Ganon está de volta, esses são Link* e Zelda* de séculos atrás no tempo. Midna é a princesa de Twilight, o reino que foi atacado anos atrás. Ganon os fez cair nessa era e quer destruir a lenda antes que ela comece. E provavelmente quer se vingar de Midna também.

– Isso é terrível! – Ela falou arregalando os olhos – Bem que notei uma grande concentração de energia maligna lá fora, nem mesmo tenho permitido minhas fadas a saírem daqui.

– Quanto a Zelda... Ela não esteve bem ultimamente, fiquei muito preocupado, mas acabamos de descobrir que ela espera nosso herdeiro.

– Isso é maravilhoso! Certamente serão muito felizes quando essa guerra acabar. Como meu papel na lenda, de ajudar o herói quando o mal vier... Se estamos em guerra, eu lhes darei ajuda. Venha cá, jovem Link*, fique ao lado do outro herói.

Ele obedeceu e a fada ergueu os braços.

– Eu darei a vocês mais poder em suas habilidades secretas.

Luzes de várias cores surgiram entre as mãos dela e envolveram os dois guerreiros. As duas espadas brilharam intensamente.

– Agora suas skills secretas terão mais força e causarão mais danos na luta contra Ganondorf. Fico feliz por terem me visitado. Se precisarem de ajuda, podem vir até aqui.

Eles agradeceram e a fada riu histericamente de novo, desaparecendo na direção da água.

– Sabe... Quando eu era criança, essa fada me deu todas as técnicas das skills secretas, mas até disso eu me esqueci depois de ir à Términa, ainda bem que o Hero’s Shade me fez lembrar. – Link disse quando saiam da caverna.

– Link!

Olhou em volta quando ouviu a voz da esposa, sentiu alívio e preocupação ao mesmo tempo. Ela não tinha jeito, não devia estar ali! Correu na direção dela e Impa passou por ele com um olhar de “ela tinha que ver você ou teria um ataque” e foi na direção dos demais.

– Zelda!

Abraçou-a forte e afastou-se para encará-la. Lutou contra a vontade de brigar com ela. Ganon queria matar todos eles e era do conhecimento geral que Zelda era o alvo favorito do vilão, mas também esqueceu-se completamente disso quando viu o brilho nos olhos dela, e imediatamente soube o que ela queria ouvir. Link sorriu.

– Minha princesa, você está bem?

– Sim, melhor do que jamais estive, Link, apesar de estarmos no meio de uma guerra – ela mostrava um sorriso inabalável.

– Eu fiquei tão preocupado, e tão feliz quando Impa me disse. Finalmente teremos uma criança! Muito obrigado, princesa – Link beijou sua esposa suavemente e a embalou num novo abraço.

– Seria tão bom se estivéssemos vendo isso em circunstâncias normais... – Impa olhava o casal com um leve sorriso no rosto – Ficarei feliz em poder reviver um pouco de quando Zelda era criança daqui algum tempo.

– Entendo o que ela sente, mas não devia estar aqui – Midna lhe disse.

– Tem razão, mas o castelo também não está mais tão seguro. Penso em escondê-la por enquanto.

Minutos depois o casal juntou-se a eles e aproximaram-se da margem do lago, que era mais fundo do que parecia. Mas a água transparente deixava visível um baú fechado no fundo.

– Deve haver um rupee dentro, ele é todo seu, Link*.

– Pode mesmo nadar tão fundo? – Zelda* lhe questionou.

– Tranquilamente.

Link* subiu numa pedra e pulou dentro do lago, submergindo rapidamente.

– Não está chovendo, mas estando tão frio, acha que ele vai ficar bem? – Midna perguntou.

– Vai sim. Apesar do tecido parecer grosso, essas roupas que usamos secam facilmente.

Link* logo chegou ao fundo e encontrou o baú perto da grama submersa. Dentro dele encontrou um rupee laranja, vali cem, o que equivalia a um rupee de bronze de Skyloft. Adiantou-se para voltar à superfície, mas parou a meio caminho, tomado por uma sensação estranha. O interior do lago estava calmo, mas extremamente triste, parecia um lugar abandonado. O garoto nadou de volta ao exterior do lago, antes que se afogasse e sentou-se no chão para recuperar o fôlego e tentar se livrar da água que encharcava suas roupas.

– Estava certo. Tinha um rupee laranja. Mas... O lago está tão triste, parece abandonado.

– Estranho. Eu esperava encontrar o espírito da luz aqui.

– Link!!

Ouviram uma voz distante, uma voz jovem e conhecida. O grupo olhou para uma das pedras do lago e viram um jovem Zora. Não parecia tão diferente dos outros, mas aparentava estar numa hierarquia um tanto superior.

– É o príncipe.

– É um prazer conhecer seus amigos e ver que Navi voltou, mas nos apresentaremos melhor depois. Nosso domínio está um caos novamente.

– Por que o espírito não vem?

– Nayru protege tanto o deserto quanto as águas. Ele só virá quando nosso domínio estiver em paz. Muitos de nós estão congelados ou estão malucos. Há monstros lá. Ruto e eu estamos fazendo o possível, mas as coisas estão fugindo mais do controle a cada segundo. Ganon tirou a vida de minha mãe, mas não vou deixa-lo matar mais ninguém! Você é o lendário Herói do Tempo. Precisamos que nos empreste sua força.

– Nós ajudaremos.

– Eu agradeço, Link. Espero que quando tudo isso acabar possamos conversar com mais calma.

O príncipe pulou na água e desapareceu, provavelmente voltaria ao domínio por algum caminho subterrâneo.

– O espírito não virá agora – Impa começou – Eu devo esconder a princesa e a garota até que vocês retornem.

A guardiã não pode dizer mais uma palavra. Um vento terrível se formou no lugar e passos estrondosos foram ouvidos ao longe.

– O que é isso?! – Link escutou Navi gritar de dentro de seu chapéu.

– Mestre Link – Fi apareceu de repente – Eu detectei na área um grande grupo de goblins se aproximando. Estão usando alguma montaria, provavelmente javalis do deserto. São muitos realmente indivíduos.

A água do lago agitou-se assustadoramente e incontáveis goblins montados em javalis invadiram o local.

– Eu sabia que estava tudo calmo demais! – Midna reclamou, sacando a espada.

Link correu, colocando-se na frente de Zelda, e viu o jovem de Skyloft fazer o mesmo com sua noiva. Impa aproveitou-se das habilidades ninjas dos Sheikahs para dançar entre a manada de monstros e atacar vários de uma vez, mas não importava quantos derrotassem. Sempre vinham mais. O coração dos dois guerreiros quase saiu pela boca quando as duas Zeldas deixaram a segura proteção dos heróis. Zelda* atacava as criaturas com flechas de luz. A princesa corria em incrível velocidade entre os monstros, matando quantos podia com magia ou com a espada. Link lembrou-se de que ela fora Sheikh em uma linha de tempo diferente, mas ela sabia disso e mantinha tais habilidades.

Estavam começando a ficar desesperados, e estavam certos, pois o pior aconteceu. Link* sentiu seu coração ser esmagado da mesma maneira de quando o Demon King quase comera a alma de Zelda*, além de fazê-la cair inconsciente de metros e metros de altura. Um gigantesco ser que parecia misturado de pássaro e dragão veio dos céus e arrastou a princesa em incrível velocidade. Ele sumiu ao longe no grande túnel de pedras que levava ao rio dos Zoras. No mesmo momento em que isso acontecia, um goblin enorme e muito mais feio, montado num javali, tirou Zelda* do chão e disparou para algum lugar. Os gritos das duas cortaram o ar e chegaram aos ouvidos dos demais como uma facada no coração.

– NÃO!!! ZELDA!!!

Link estava furioso, sentia angustia e raiva crescerem dentro de si e aniquilou as criaturas restante até não restar mais nenhuma.

– DEVOLVE ELA!!! – O grito raivoso de Link* era ouvido em meio à confusão enquanto ele corria atrás do raptor e tentava fazer suas flechas o acertarem.

Quando a poeira baixou e os javalis bateram em disparadas, agora sozinhos, os dois guerreiros pareciam paralisados olhando as direções para onde haviam sido levadas as pessoas mais importantes de suas vidas. Midna, ainda com a espada em mãos, fitava o velho amigo, com um olhar angustiado. A criatura não havia levado só a princesa de Hyrule e a esposa do herói, mas também seu filho e herdeiro do reino, que nem sequer havia nascido. Impa tinha os olhos arregalados de desespero. Sentia-se culpada, mas sabia que tal sentimento em nada resolveria o problema. Olhou para o garoto, que parecia ter se transformado numa estátua olhando na direção onde o monstro sumira com Zelda*. Impa engoliu a própria dor e foi até Link.

– Desse ou de outro jeito, Ganon faria isso. A culpa não é sua.

Link a encarou. A sheikah tentava parecer séria como de costume, mas podia ver lágrimas tentando libertar-se nos olhos dela também.

– Também não é sua, Impa – disse com a voz um tanto alterada.

Link* aproximou-se com Fi.

– Eu calculo que há 95% por cento de chance de que a princesa esteja viva e tenha sido levada para algum lugar da localidade conhecida como Domínio dos Zoras. Também estimo em 95% de chance de que Zelda*, Hylia, está viva e foi levada à vila conhecida como Kakariko, na qual passamos a caminho da Montanha da Morte. Me chame se desejar informações, mestre – ela falou, voltando à espada.

– Nós temos que fazer alguma coisa – Midna aproximou-se – Estaremos indo exatamente para onde Ganon deve querer, mas ficar aqui lamentando também não ajuda. É melhor sermos rápidos.

– Deixarei Zelda nas mãos de vocês dois. O lobo será útil na busca. Eu levarei o garoto ao lugar onde nasci.

– Link*... – o Herói do Tempo disse ao aproximar-se do garoto desolado – Nós vamos conseguir. Essa não é a primeira vez que isso nos acontece, mas faremos ser a última. Vá buscar, Zelda.

– Com certeza eu a trarei de volta! – Falou determinado, apesar do sentimento angustiante que criava um nó em seu peito.

– Midna, leve-me ao rio dos Zoras.

– Agora mesmo.

A princesa ergueu a mão e desapareceu junto com Link. Impa e o garoto chamaram os cavalos e cavalgaram apressadamente na direção de Kakariko Village. Link* não conseguiu evitar lembrar-se das palavras da Impa que ele conhecera na superfície, quando encontrou Zelda* na segunda fonte.

“Você andou muito para chegar aqui. Olhando para você, eu temo que a deusa tenha cometido um erro em sua escolha de agentes. Se essa falha é alguma indicação, você não tem esperança de defender Sua Graça daqueles que procuram assassiná-la. As minhas palavras te deixam com raiva, garoto? Minhas palavras doem? Se eu não tivesse vindo, sua Zelda* já teria caído nas mãos do inimigo. A verdade é que você estava atrasado. Você estava atrasado, e falhou em protege-la.”

Eram palavras dolorosas, quase venenosas levando em conta o desdém com a qual haviam sido proferidas. Sentiu raiva de Impa novamente, raiva daquele momento, do momento que acabara de viver, e de si mesmo. A raiva transformou-se em dor e desistiu de segurar suas lágrimas, que deslizavam por seu rosto e eram levadas pelo vento. Havia deixado acontecer de novo. Havia prometido a ela que nunca mais a deixaria ir pra longe sozinha.

– Eu vou te encontrar! Não importa o que aconteça! – Jurou para si mesmo enquanto acompanhava a guardiã na veloz corrida para sua vila natal.