The Last Seven.
1 Sorte ou Azar?

PARTE® 01/07
No ocultismo considera-se que os números possuem poderes e que usados em conjunto, que resultem novamente em números importantes, tornam-se mais poderosos. Pra mim isso não passa de bobagens ou achava isso alguns anos atrás. Quando você fica muito tempo olhando pra uma parede branca com marcas de pés, você começa a pensar em dias, meses, horas e anos. Datas que nada mais são que números. Sempre existirá um número uma data ou hora especial pra você. Você tem um número de sorte? E já parou pra pensar que talvez esse número não lhe traga sorte. Talvez todas as coisas boas que você achou que esse número iria lhe trazer tenham um peso profundo no seu futuro? Pois é. Ao decorrer da história que vou lhes contar, quero que tirem suas próprias conclusões sobre o número sete ser um número de sorte ou azar pra mim e meus amigos.
Vou contar um pouco de como nos conhecemos. Estávamos na quinta série, e como a maioria dos grupos de adolescentes, foi na escola. Estudávamos juntos a cerca de dois anos, só que nem se quer reparávamos, uns nos outros, cada um tinha seus amigos. Até que por nossa infelicidade ou felicidade, nosso professor de educação física, colocou nos sete em uma mesma equipe, pra competirmos com as outras equipes. Pra ser sincero no começou foi um clima insuportavelmente chato. Ficávamos um olhando pra cara do outro, e mexendo nos celulares. O trabalho duraria cinco meses, pois contaria como nota pro ano inteiro. E aguentar aqueles garotos quais nem se quer eu conhecia, seria praticamente um inferno em 50 minutos. Podia notar claramente nos olhos deles que preferiam estar fazendo o trabalho com seus amigos. Mas já que não tínhamos saída, até porque já havíamos pedido várias vezes pro professor, até mesmo com carinha de cachorrinhos que caíram da mudança. Mas nada parecia mudar o coração daquele velho rabugento. Resolvemos fazer o trabalho juntos. Acho que foi o trabalho mais divertido que já fiz. Durante esses cinco meses, foi um dos melhores pra mim. Diverti-me como uma criança, de certa forma eu era uma. Foi assim que nos conhecemos e nos tornamos grandes amigos. Depois desses meses de trabalho, nunca mais nos desgrudamos. Ficamos grandes amigos, até mesmo as nossas mães. Menos a mãe do Yoongi, porque ele morava com o irmão. Passou-se seis anos.
Já estávamos nos formando, e prontos pra completar a maior idade. O que para nos era uma tremenda felicidade. Apenas três de nós, ainda não haviam completado a maior idade, o resto sim. Adorávamos ir a uma pista de skate qual havia perto de um bairro abandonado. Era perigoso? Com toda certeza, mais aquilo que tornava nossa aventura emocionante.
— Alguém vai lá comprar as bebidas? — Perguntou o Jimin, pegando o skate em sua mão e sentando na rampa.
— Deixa que eu vou, só me dêem a grana. — Falou Namjoon, parando seu skate e o segurando.
—Eu to fora dessa. Não vou beber hoje. — Fiquei surpreso com aquilo dito pelo Jeon. Ele era o mais novo, mas era o que mais bebia.
—Beleza, sobra mais. — Disse sorrindo e entregando o dinheiro pro Namjoon, qual estava contando as notas.
Após todos darem o dinheiro, inclusive o Nam. Sentei-me ao lado da caixa de som, já exausto, apenas fiquei esperando as bebidas chegar.
O local era um breu, havia apenas três postes de luz iluminando. O som estava com o volume no máximo. Após alguns minutos, Namjoon chegava com as bebidas, os garotos vinham todos em minha volta, sentando em forma de um circulo. Jin reduziu o volume do som, pra que pudéssemos conversar. Cada um pegou seu copo plástico, menos o Jeon. Mas isso não o impediu de ficar lá conosco.
— Olha o que eu trouxe. — Falou o Hoseok tirando de seu bolso uma caixinha de carta.
— Me da aqui a garrafa— Yoongi tirou a garrafa das mãos do Jimin, e começou a servir.
— Deixa-me entregar as cartas— Falei pegando a caixinha, e colocando meu copo ao meu lado.
— Vocês estão sabendo que aquele velho da minha rua, foi encontrado morto? O corpo dele estava lá há uns três dias. — Falei entregando as cartas pros meninos.
— Aquele velho nos odiava. — Falou Yoongi rindo.
— Lembram quando pichamos o muro da casa dele? — Falei me referindo há alguns meses atrás. Qual eu e o Yoongi pichamos o muro dele. Mas ele sabia que éramos nós, pois, por descuido acabamos não percebendo que ele estava na janela nos observando. — Na verdade foi encontrado um bilhete de suicídio. Ele tomou vários remédios pra morrer. E fiquei sabendo, que antes de morrer, escreveu um recado na parede também. “Encontrarei os sete em breve no inferno.”
— Será que ele estava se referindo a nós sete? — Perguntou Jin jogando uma carta no monte.
— Acho que não, ele tinha sete filhos também. Devem ser deles que ele escreveu isso. — Falei pegando uma carta.
— Vocês têm coragem de ir lá? — Disse Jeon. E todos afirmaram com a cabeça.
— Vamos termina de jogar então e vamos lá — Falou Hoseok
Assim que finalizamos a bebida e o jogo, o que por sinal Yoongi acabou ganhando. Fomos embora, em cima dos skates, já Hoseok em sua bicicleta. Após aproximadamente 45 minutos, chegamos a minha rua. A mesma estava iluminada, deserta como esperado, com apenas um veículo na rua. Fomos andando até o final dela, passei em frente a minha casa, qual estava com a luz do banheiro e da cozinha acesas. Com toda certeza, meu pai no banho e minha mãe na cozinha. Paramos em frente à casa do velho. Olhamos pra ela, parecia mais abandonada do que quando ele estava morando lá. Era uma casa bem antiga, tipo aqueles de filmes de terror. Só não saiam morcegos pela janela. A única coisa bonita na casa era um pequeno jardim florido, com luzes laterais. O velho amava aquelas flores, e não pense que era de sua esposa falecida. Pelo contrario era dele mesmo, até porque pelo que sabíamos, ele era sozinho a mais de 40 anos.
Yoongi colocou a mão, fazendo escadinha pro Namjoon subir. Já em cima do muro, Nam, ajudou Yoongi a subir, Jin, Jimin, Jeon e por fim eu. Pulamos do outro lado, já pisando na grama com barro, era mais barro do que grama. Deixamos os skates e a bike, fora da casa ao lado de uma árvore, bem nem todos, Jimin resolveu levar seu skate junto dele, era novo e ele não queria se arriscar a perder. Não tinha o do porque dele ter esse medo, pois aquela era uma rua deserta e não passava uma bendita alma viva ou morta.
— Gente, e se tiver tudo fechado? — Perguntou Jin sussurrando.
— Certeza que não vai está, alguma janela deve estar aberta. — Disse Hoseok, andando na frente de todos.
Ao chegar à varanda, tentei abrir a porta, e como esperado fechado. Tentei abrir as duas janelas laterais e novamente fechadas.
—Vamos nos separar e procurar alguma maneira que possamos entrar. —Falou o Jimin descendo as escadas
Eu, Hoseok e Jin, fomos pra direita enquanto Namjoon, Yoongi, Jimin e Jeon foram pra esquerda. Fui seguido pelos meninos, havia três janelas uma pequena do banheiro, do corredor e uma da cozinha. Tentei do corredor, e nada. Estava com uma tranca em baixo.
—Conseguiram? — Perguntei empurrando ela mais uma vez com força pra cima.
— Nada aqui— Jin disse. Hoseok apenas negou com a cabeça.
Mordi meu lábio inferior, olhei pra cima e vi que havia uma janela aberta. Mas estava muito alto, não tinha como entrarmos.
— Tae, Hoseok e Jin, Encontramos uma aberta. — Disse Namjoon vindo em nossa direção gritando e fazendo sinal com a mão para o seguirmos.
Demos a volta pela lateral da casa. Os outros garotos já estavam dentro da residência. Nam entrou primeiro, depois eu, Hoseok e Jin.
O cômodo só tinha uma cama e um armário, estavam cheios de poeira. Pareciam que estava abandonado a sei lá, anos talvez.
— Cadê os meninos? — Perguntei, abrindo o guarda roupa, que por sinal estava vazio.
— Isso é preocupação com o Kook? —Perguntou Hoseok me encarando com a sobrancelha arqueada.
Apenas respirei fundo, saí do quarto esbarrando nele de propósito.
— Sem brigas, crianças, sem brigas — Disse Jin, dando uns tapinhas no ombro de Hoseok, qual me seguia logo depois.
Encontramos os outros meninos, após alguns minutos. Estavam na cozinha, colocando sobre a mesa os objetos quais haviam achado na casa. Não era muita coisa, algo que não era surpreendente, pois o velho qual morava lá, não era rico ou até mesmo colecionador de objetos caros. Encontramos na parte de baixo, um colar, anel e uma garrafa de vinho antiga.
—Eu não vou beber isso. — Afirmou Yoongi, pegando a garrafa e olhando a data dela.
— Dizem que as mais velhas são as melhores. — Jimin, pegou a garrafa mais uma vez e colocou em sua mochila.
Subimos pro segundo andar, qual havia um banheiro e apenas um quarto, o quarto que por sinal foi encontrado o corpo do velho. Ficamos de frente pra porta, olhamos um pra cara do outro. Era notável o suspense e o terror.
— Qualé gente! É só um quarto, estão com medo de que? Que o espírito do velho apareça e nos mate? Isso não existe. — Disse Yoongi, abrindo a porta bem lentamente. Aquele barulho de porta velha me arrepiava por completo.
— Para de abrir devagar, isso me assusta. — Falei, empurrando a porta com força a fazendo bater na parede, o local por estar quase vázio, deu um tremendo eco; os filhos do velho já haviam pegado os pertences mais caros.
Entramos no quarto, e a cena era exatamente como me haviam contato. Até mesmo a escrita na parede. Aquilo me arrepiou por inteiro, não que eu seja medroso, apenas era supersticioso. O quarto estava totalmente de ponta cabeça, era um ambiente frio e escuro. Tinha até mesmo alguns comprimidos no chão, qual ele tinha derrubado. Talvez a perícia não tenha notado, ou seja, não haviam feito o trabalho bem feito. Jimin pegou um dos comprimidos, e ficou observando, enquanto o resto do grupo foi direto pras gavetas e o colchão.
— Esse tipo de velho, não costuma guarda dinheiro em banco, e sim em seus colchões. Vai que temos sorte e achamos a grana do velho. — Falou o Kook, levantando o colchão.
Apenas sorri, e continuei tentando achar algo em uma das gavetas. Achei um papel, qual havia vários números 7
— 17 Horas
— 7 Filhos
— 7 Marginais
— Hospital 7
— Nasceram todos dia 7
— 7 Flores
— 7 Remédios
— Sete motivos também. Alguém sabe qual dia que os filhos do senhor Chu nasceram? — Perguntei coçando a cabeça.
— Não, e que pergunta estranha Tae. O Que é isso? — Perguntou o Jin tirando o papel da minha mão.
Todos os garotos vieram em cima pra ler. E começaram a rir. Jimin então pegou o papel amassou e jogou no chão.
— Esse velho era pirado. — Nam fica olhando pra parede qual havia a escrita de giz.
— Será que os sete marginais, se referindo a nós? — Perguntou Hoseok, vindo na minha direção e colocando seu braço em meu ombro.
—Somos sete e vivíamos perturbando ele. Então acho que sim— Falei sorrindo, tirando o braço dele de meu ombro.
Namjoon abriu a mochila dele e pegou uma lata de spray. Chacoalhou a mesma e começou a escrever palavras de ódio, fazer desenhos e rabiscos.
—Esse velho babaca. — Disse o garoto enquanto pichava.
Assim como eu, os meninos começaram a jogar todos os pertences do velho no chão, quebrar armários e até mesmo rasgar o colchão. O quarto ficou ainda mais bagunçado do que quando havíamos encontrado ele. Após vandalizarmos, pegarmos algumas coisas quais achamos de valor. Paramos pra ver o que havíamos feito. Aquele velho já havia nos ferrado tantas vezes, e havíamos guardado tanto ódio dele, que nem se quer sentimos remorso por estar fazendo aquilo. Não éramos garotos rebeldes, éramos adolescentes normais, claro, na frente das nossas mães. Após passarmos exatamente duas horas dentro daquela casa, fomos embora. Enquanto passávamos pelo jardim, notamos que eram exatamente sete flores quais tinham lá.
— Esse velho era tão loucão que contava até quantas flores ele tinha no jardim. — Falou o Jin, qual chutava todas elas as matando.
Pulamos o muro e fomos embora, cada um pra sua casa. Eles não moravam longe da minha casa, o que mais era distante era o Yoongi que morava em um condomínio luxuoso. Ninguém sabia de onde vinha tanto dinheiro assim, até porque era só o irmão do Yoongi, que por sinal chamava-se SeungHyun. Minha mãe o tratava como um filho. Praticamente todos os domingos eles vinham em casa pra fazer parte do jantar em família. Mas ninguém sabia do que ele trabalhava, e como tinha tanto dinheiro. Bem, na verdade ele contou que esse dinheiro era de seus pais, quais haviam deixado de herança pra ele e seu irmão, Yoongi.
“Não vou contar a historia da família do Yoongi agora, até porque estragaria praticamente toda a graça. Mas voltando a historia...”
Fui pra minha casa, tomei um longo e delicioso banho quente, comi e fui dormi. A melhor parte de ser filho único, é que seus pais nem notam sua ausência às vezes. Peguei no sono muito rápido, esses últimos dias, estavam sendo muito agitados e sinto que os próximos serão ainda mais.
Acordei no dia seguinte, com o barulho do celular tocando, era o despertador. Levantei-me, tomei um banho, me arrumei com as roupas do uniforme. Coloquei meus materiais na mochila, comi algo bem rápido e fui pra escola. Poderíamos parecer garotos irresponsáveis, contudo, quando se tratava de escola, éramos bem responsáveis, pois gostamos de festas, vandalizar e zoar. Porem todos nos sete tínhamos um sonho a conquistar, e pra isso precisávamos de estudo. Encontrei Jimin no meio do caminho indo também pra escola. Ele estava com algumas marcas roxas no braço. Aqueles malditos mais uma vez bateu nele.
Jimin tinha mais dois irmãos, os preferidos dos pais dele. Ficava evidente que os pais, preferida os outros dois a ele, até mesmo pela maneira que eles tratavam o garoto. Teve até mesmo uma vez que os pais dele tiraram sua sobremesa de suas mãos pra dar pro irmão mais novo dele. E sem contar aquele dia, que o fizeram dormi sem cobertor no inverno porque os irmãos estavam com frio e precisavam de mais cobertores.
— De novo? Deixa-me ver— Perguntei, puxando a blusa dele qual estava presa dentro da calça jeans pra cima. As marcas de roxo eram evidentes.
—Perdi meu skate novo. Não sei como! — Falou o garoto, arrumando sua blusa dentro da calça.
— Mas o que eles têm a haver com isso? Nem foram eles que pagaram. Fomos nós que lhe demos de presente de aniversário. E eu nem fiquei chateado com você, e tenho certeza que nem os meninos. — Os pais dele eram realmente uns ordinários.
Eu e os meninos, sem o Jimin saber, já até havíamos pensado em nos juntar e bater nos pais dele. Mas isso foi apenas uma viagem de nossa cabeça. Até porque, poderíamos ser em um numero maior, contudo não tínhamos coragem pra isso.
— Tae, eles são meus pais. Por favor. Mas o pior é que eu levei o skate embora... Eu acho. Deve ta naquela casa, em algum lugar. Até porque, tenho certeza absoluta que entrei com ela lá — Coloquei minha mão no ombro do garoto, e ele deu um gemido de dor. Tirei na mesma hora. Fomos pra escola, ao chegar, sentamos nas nossas respectivas carteiras, e ficamos conversando esperando os meninos chegarem. Os mesmos chegavam juntos com todos os alunos e professores, pois já era à hora do inicio da aula.
Passaram-se uma, duas três aulas. Na quarta aula o diretor veio chamar o Jimin. Olhamos um pra cara do outro sem entender nada. Até porque, sempre chamam todos nós, e não apenas um. Jimin se levantou e foi com o diretor. No intervalo, sentamos em uma mesa pra comermos. A comida da escola chegava ser melhor do que da minha mãe às vezes.
Olhei pra porta do refeitório, e adentrava Jimin, com uma cara nada boa. O garoto sentou-se à mesa, apoiando seus braços e colocando sua cabeça.
—Meus pais vão me matar, eu estou morto, certeza. Pelos céus. — Murmurava o garoto.
—O que aconteceu? — Perguntou Namjoon, colocando a mão nas costas do garoto. O mesmo levantou a cabeça.
— O diretor, me levou pra uma sala qual havia dois policiais, e adivinhem. Eles estavam com meu skate em mãos. Pelo que entendi, quando estávamos quebrando as coisas, os vizinhos escutaram e chamaram a policia. Um tempo depois que saímos a policia, chegou na casa e encontrou meu skate na cozinha. Onde eu infelizmente deixei aquela porcaria. — Falou o garoto, abaixando sua cabeça novamente na mesa.
— Mas como sabem que era seu? — Perguntou Hoseok, bebendo o suco.
— Eu coloquei meu nome de corretivo em baixo. — A voz do garoto parecia chorosa.
— E qual foi o B.O que sobro pra você? — Perguntei, apoiando minha mão na mesa e olhando pro garoto.
—Vou ter que fazer alguns trabalhos comunitários. Porque como a casa estava vázia, e o dono morto. Não foi considerado um assalto ou invasão de propriedade. Até porque pelo que entendi o velho Chu, não deixou a casa pros filhos e sim doou para um orfanato, contudo a casa vai ser demolida, pra uso do terreno. — O garoto dava socos na mesa.
— E não nos entrego por quê? — perguntou Namjoon olhando pro menino.
—Vocês são meus amigos, vou aguentar essa barra por vocês dessa vez. Vou lá, cuidar dos velhos e varrer ruas. — Todos deram um tapinha na cabeça do Jimin.
Comemos nossa refeição, e voltamos pra aula. As últimas aulas até que foram rápidas. Assim que terminou fomos embora, fui pra minha casa, Jimin e Hoseok foram pra casa do Yoongi jogar vídeo game. A mãe de Jin veio buscá-lo, então foi embora somente eu e o Namjoon. Fomos pelo caminho conversando, nada demais. No meio do caminho recebo uma mensagem do Yoongi.
—Você está com o Nam?—
—Sim, ainda não chegamos na nossa rua—
—Já avisa a ele que de noite vamos à casa do Chu, e trás bebidas das mais fortes.—
Fiquei sem entender, apenas passei o recado. Chegando na esquina de casa, cumprimentei o Nam e fui embora. Ele morava na rua de trás da minha. Cheguei em casa, e meus pais não se encontravam, provavelmente estavam trabalhando ou foram no mercado. Um não desgrudava do outro, até mesmo trabalhavam juntos na mesma empresa de eletrônica. Fui comer alguma coisa que minha mãe tinha deixado na geladeira e fui estudar um pouco. Após três horas da minha chegada, escuto o carro dos meus pais, só podiam ser eles.
— Oi Filho, já comeu o que deixei na geladeira? — Perguntou minha mãe abrindo a porta sem bater.
— Já sim, e não precisa fazer a janta pra mim. Vou sair com os meninos. — Falei fechando o livro.
—Pra onde vão? — Vamos à casa do Yoongi jogar o novo jogo que o irmão dele comprou.
—E como está o Seung? — Perguntou minha mãe, se encostando à porta.
— Está bem. — Não, que eu tivesse ciúmes dela gostar tanto dele. Apenas acho que não era necessário essa aproximação toda.
—Quando você for me procure, porque eu comprei um presentinho pra ele. — Apenas balancei minha cabeça positivamente e ela saiu.
Fui ver o horário, e já era quase a hora marcada. Joguei meu livro em cima da pilha de roupas e fui toma um banho, me arrumei rapidamente. Coloquei um casaco e desci as escadas procurando minha mãe.
—Mãe? Cadê você? Já estou indo! — Falei olhando na cozinha.
— Não, espera. Deixa-me pega o presentinho no meu quarto. — Ela subiu as escadas correndo.
— Me encostei-me à porta e fiquei batendo meu pé na parede branca. — Tirei a mochila das costas e olhei minha carteira, estava vazia. Sabia que tinha dinheiro de baixo da fruteira. Olhei a escada pra ver se minha mãe vinha, e nada dela aparecer, aproveitei e corri pra fruteira. Peguei o dinheiro qual havia lá, e voltei pro local e da forma qual estava.
— Aqui! — Falou minha mãe descendo as escadas com um pano em mãos.
— Mais que porcaria é essa? — Falei indo na direção dela.
— E um cachecol que eu fiz. Ele estava reclamando de frio, quando veio aqui da última vez. E eu fiz isso pra ele. E bem útil — Falou ela me entregando.
— Tenho certeza que ele tem dinheiro pra comprar um cachecol. — Peguei o mesmo e joguei na mochila.
Sai de casa e fui pra casa do Namjoon, ao chegar gritei seu nome. E nada dele sair, após oito minutos ele descia.
— Caralho cara, que demora da porra foi essa? — Falei me levantando, pois de tanto que esperei me sentei na frente da porta dele.
— Depois eu te explico. — Disse ele me puxando pelo braço.
Fomos até o mercado a duas esquinas de casa, e como o Nam era maior de idade, não tinha problema em compra bebidas. Pegamos três bebidas super forte. A menina do caixa ficou dando em cima do Namjoon, e ele em cima dela. Eu apenas fiquei olhando aquilo, não sei nem como ele conseguiu o número dela e um pirulito de morango. Bom, ele tem lábia, deve ser por isso que conseguiu o doce de graça... E o número também.
— Coloca na sua mochila— Pediu o Nam, enquanto jogava o número da menina no esgoto.
—Coloca na sua, e pegou o número da menina pra joga fora? — Falei pegando as sacolas da mão dele.
—Não posso coloca na minha mochila por isso. — Disse o platinado, abrindo a mochila. Vi mais de dez sprays dentro dela. — Ela não faz meu tipo, e é divertido só seduzir. — O garoto dava um sorriso de lado. —O meu acabou ontem, então comprei mais, bem mais. —
Balancei a cabeça negativamente e ri. Guardei as bebidas na minha mochila.
—Você deveria experimentar. Quer tenta? — Perguntou o Nam, tirando sua mochila das costas.
—Picha? —Perguntei
—Não jogar pingpong. — O garoto riu e parou ao lado de uma loja.
— Ta me dá uma. — Ele abriu a mochila e me deu uma latinha.
Sacudi, e comecei a pichar, Nam olhou pra mim e sorriu, abriu seu pirulito e começou a chupar. Praticamente enfiou na minha boca me oferecendo.
—Não obrigado— Falei afastando minha cabeça.
— Você que sabe. — Falou ele sorrindo.
Permaneci ali pichando, e eu nem sabia exatamente o que estava fazendo. O garoto platinado deu uns tapas no meu braço, e de certa forma mostrou com a cabeça os policiais vindo em nossa direção. Sem pensar duas vezes começamos a correr, mas por nosso azar, eles conseguem nos pegar. Jogava-nos contra a viatura, e começaram a revistar. Conseguia sentir as mãos dos policiais passarem por meu corpo. Aquilo era horrível, me sentia um verdadeiro criminoso. Olhei pro Nam e sorri, e o sorriso do garoto foi recíproco. Estávamos encrencados? Com toda certeza, mais chegava a ser divertido aquilo. Minha adrenalina estava a mil. Os policiais abriram as mochilas, e viram o conteúdo dela. Sem pensar duas vezes, começam a fazer perguntas do tipo, “Nome, Idade, Endereço, e o principal, onde havíamos arrumado aquilo” Apenas respondíamos com “Não sei e não lembro. E claro demos nomes falsos” Com um descuido dos policiais, quais entram na viatura pra comunicar e verificar se existiam registros nesses nomes quais havíamos, dito a eles. Sem pensar duas vezes, fizemos um sinal com a cabeça um para o outro e corremos. Mas antes, passei a mão em minha mochila que estava mais próxima. A do Namjoon, infelizmente não deu pra salvar, pois estava nas mãos do policial. Corremos como nunca, chegamos à minha rua, já eufóricos e praticamente sem ar. Subi no muro da casa do velho Chu, o Nam me jogou a mochila com as bebidas. Segurei a mesma, e em seguida o garoto subia também no muro. Pulamos no gramado de barro, totalmente desgastado. Apoiamos-nos no muro da casa e ficamos em silêncio. Podemos ver a luz do farol do carro da policia passar logo em seguida. Olhamos um para o outro e sorriamos, apertei a mão dele. Olhei pra cima e vi uma luz, vindo do quarto do velho. Só poderia ser os meninos quais haviam chegado primeiro.
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