The Last Seven.
6 Estamos Nessa Juntos.

PARTE ®06/07
Aquela noite foi a noite mais louca e insana da minha vida. Em um dia vivi mais do que muitas pessoas de 80 anos, por ai. Assaltei um banco, usei drogas, bebi mais do que deveria e sem contar que transei em um banheiro público.
Acordei no outro dia na casa do Yoongi, como cheguei lá? Não faço idéia, apenas sei que estava vivo e inteiro. A casa estava uma verdadeira zona, só faltavam às putas. Apesar de que, acho que muitas zonas por ae são mais organizadas do que a casa de Yoongi.
Todos os meninos estavam lá, cada um jogado em um canto da casa. Eu estava deitado no sofá enquanto Hoseok estava sobre mim, dormindo.
—Hoseok, acorda, preciso me levantar— Falei me mexendo, fazendo assim o garoto também se mexer.
—Oi... aah! Me desculpe, já levantei! — Sua voz saia totalmente manhosa, se levantava. Estava com o olhar de alguém que havia ficado a noite toda sem dormi. Era bem isso que havia acontecido.
Levantei-me sonolento, despreguicei e coloquei meu tênis.
—Já vai embora? — Falou Hoseok voltando a deitar.
—Já sim, preciso ir, minha mãe deve estar com saudade e preocupada. Mesmo sabendo que estou na casa do Yoongi. — Terminei de vestir meu tênis e fui pro banheiro.
Precisava aliviar aquele bafo de álcool, tanto na boca quanto nas roupas. Fui pro banheiro, lavei bem meu rosto com a água gelada, dei algumas batidas na face pra me despertar totalmente.
Escuto alguém batendo na porta, e a abrindo lentamente.
—Pode abrir— Falei olhando pra porta, esperando pra ver quem era.
—Tem um enxaguaste bucal que tiro o cheiro do álcool da boca e use esse perfume também, ele é bem forte. — Disse Seung, virando de frente pra privada e começou a usar.
—Porra Seung, deixa pelo menos eu sair. — Falei passando o fio dental.
—Estou na minha casa e apertado. Você fala como se nunca tivesse visto uma rola em sua vida. — Disse o homem dando um sorriso malicioso. Com toda certeza já sabia o que havia acontecido entre mim e o Hoseok.
Fiz o que ele havia pedido até mesmo havia passado o perfume. Peguei minha mochila com minhas roupas que tinha levado pra lá, pra supostamente dormi. Fui pra sala, tive que pular alguns meninos.
A maior parte do dinheiro ficaria com Seung, o restante iria ser dado pro Jeon fazer seu tratamento. Não iríamos ficar com nenhum centavo, mas nem nós importávamos. Só queríamos saber que nosso amigo estaria bem é vivo.
Passaram-se alguns meses, três meses pra ser mais exato. E durante aqueles três meses, o que mais se passou na televisão foi o assalto ao banco dois. Eu tinha muita vontade de gritar que havia sido eu que tinha feito aquilo. Mas como não sou louco nem nada, não fiz isso.
Fomos todos pra casa do Jeon, iríamos ter um almoço. A família dele tinha chamado todo mundo. Estávamos todos felizes pelo fato do garoto estar fazendo o tratamento. Os pais dele não sabiam como agradecer Seung por ter “dado” o dinheiro do tratamento, ele estava sendo coroado como a pessoa mais bondosa do mundo. Mas não tinha problema nisso, até porque de certa forma, foi graças a ele que Jeon está fazendo o tratamento. Mesmo termos dado uma pequena ajuda.
Ao chegar à casa do menino, cumprimentei todos que já estavam lá, isso incluía a família de Jimin, Namjoon, Hoseok e Yoongi, só faltava a família de Jin. Os pais estavam na sala assistindo o jogo e conversando sobre, isso incluía Seung, na cozinha estavam todas as mães, e no quarto estavam os meninos. E bem os irmãos do Jimin estavam todos na varanda.
Fui pro quarto, os meninos todos estavam jogando vídeo game. Era um espaço pequeno pra tanta molecada. No play estava Jimin jogando contra Yoongi. Enquanto os outros meninos estavam esperando sua vez.
Não comentávamos sobre o que fizemos, não quando estávamos na casa de um de nós. E bem... Minha relação com Hoseok estava como antes, infelizmente. Tanto eu quanto ele tínhamos medo de assumir nossa relação. Não porque nossos pais tinham preconceito, pelo contrario eles viviam dizendo que deveríamos ficar juntos, até brincavam sobre isso. O nosso maior problema era medo de acabar nos magoando ou estragando a amizade de nós sete. Por tanto preferíamos deixar isso de lado. Mesmo que de vez enquanto ainda nos pegávamos escondido. Era uma amizade colorida, por assim dizer. Bem colorida mesmo, tipo um arco-íris.
Sentei-me na cama, quase deitando sobre a mesma. Assim que os dois meninos que estavam jogando terminavam, entrava os outros dois.
—Vai querer jogar Tae? — Perguntou Jeon sentando ao meu lado.
—Não to afim. Como está indo seu tratamento? — Perguntei dando um tapa na coxa do menino.
—An... bem... — Disse ele de uma forma estranha. —Jin ta demorando ne? — Estava na cara que ele queria mudar de assunto, o porquê disso? Não sabia, mas não quis ficar questionando ele.
—Pior que está mesmo. — Falou Namjoon
Assim que o menino de cabelo platinado terminava de falar, Jin adentrava no quarto.
—Meninos! Estão chamando pra descer e almoçar. — Disse Jin
Hoseok dava pausa no jogo.
—Entra assim no quarto já mandando descer, e nem fala oi. — Falei dando um sorriso de lado.
—Eu vou primeiro— Jimin se levantava e jogava a almofada que estava em seu colo na minha cara e descia correndo.
Namjoon, Yoongi e até mesmo Jin fazia o mesmo. E eu como não sou bobo nem nada, não queria ser o que ficaria com a raspa da panela. Desci correndo junto a eles. Na escada foi um empurra-empurra. Em vários momentos achei que iria cair rolando daquela escada.
Ao ver o fuzuê que estava na escadaria à mãe de Namjoon dava um grito da cozinha.
—PAREM AGORA, E DESÇÃO ESSA ESCADA COMO GENTE! — Gritou ela batendo a colher de madeira na porta.
Assustávamos na hora, e descíamos em silêncio, totalmente comportados.
Cada um pegava seu prato, e ia pro jardim onde tinha uma mesa extensa pra comer. Cabiam todas as famílias naquela mesa de madeira.
Antes de começarmos a comer, o pai de Jeon se levantou e quis dar algumas palavras, agradecendo pelos amigos que ele tinha e pelos amigos que o filho dele tinha.
Escutava minha barriga roncar de fome, não via à hora dele parar de falar pra mim começar a atacar meu prato. Quando ele finalmente terminou, Jeon quis dar algumas palavrinhas também.
—Primeiramente, queria agradecer a vocês por tudo. Por mim, vocês deixaram de fazer muitas coisas que gostávamos. Ficaram varias vezes comigo no hospital e me esperavam terminar a quimioterapia. Ficaram comigo, me ajudaram, me traziam deverem da escola. Essa parte eu não acho necessária fazerem, mas obrigado. — Disse o menino rindo. — Sei o sacrifício enorme que vocês tiveram comigo. Sei também, que vocês não querem que nada aconteça comigo, porque me amam assim como amo vocês. Mas... — Aquela pausa que ele dava me deixava mais curioso pra saber o que aquele ‘mas’ significava. — Desde o começo, sabíamos que talvez as quimioterapias não fossem resolver meu problema. E infelizmente não estão resolvendo. — Algumas lágrimas caiam do rosto dele. Eu não esperava por aquilo, depois de tudo que tínhamos feito, aquele seria o resultado? —Por tanto eu resolvi, que não vou mais fazer o tratamento. Prefiro viver esses três últimos meses longe de um hospital. Prefiro aproveitar e me divertir-me, viver intensamente. Eu nunca tinha me divertido tanto quanto me diverti nesses últimos meses. Eu realmente me senti vivo. Se eu morrer, não teria nada pra reclamar. Eu agradeço a preocupação de todos, mas essa é minha decisão, ninguém pode mudar mais ela. Não quero ficar sendo espetado, não quero morrer sabendo que passei os últimos meses de vida em um maldito hospital. — Ele suspirou e se sentou. —Espero que entendam. —
Todos ficaram em silêncio, não sabíamos o que dizer ou pensar. Minha barriga nem reclamava mais de fome, foi um baque tão forte. Não por ele não querer mais fazer o tratamento, isso eu entendia. Eu não entendia o do porque de não estar dando certo.
—Tudo bem, entendemos seu lado. — Namjoon se levantava e saia da mesa. E foi em direção ao garoto de cabelos negros.
O abraçou forte, Jimin, Jin e Hoseok fizeram o mesmo. Não me aguentei e fiz a mesma coisa. Abracei eles como nunca, era tão doloroso, já estava sofrendo por perdê-lo antes dele ir. Yoongi se levantou com os olhos marejados e saiu da mesa, mas não veio até nós. Ele adentrou na casa. Estávamos tão entretidos naquela comunhão, que nem havíamos reparado que ele não estava conosco.
—Hyung, quero ir embora— Disse o menino voltando e parando na porta.
—Me dão licença. — Disse Seung, colocando o guardanapo na mesa e indo até o menino.
Ficamos observando eles conversar, até que Seung virou de frente
—Yoongi, infelizmente não está se sentindo bem, vou levá-lo pra casa pra descansar. Vocês nós desculpem. — O homem se aproximava da mesa, e apoiava sua mão nos ombros do pai de Hoseok e do Jin.
—Não tudo bem, sem problemas. Mas ele está bem, o que ele tem? — Perguntou a mãe de Jeon
—Ele não estava muito bem esses dias, e essa notícia, deve ter piorado a dor de cabeça dele. — Seung foi embora junto de Yoongi
Ficou um clima totalmente ruim, mas entendíamos Yoongi. Ele parecia ser o mais forte por fora, mas por dentro era o mais sentimental. Poucas pessoas que conhecia Yoongi sabiam disso.
Após abraçarmos e darmos apoio ao Jeon. Sentamos e fomos comer. Passamos uma boa parte da tarde juntos.
Acordei cedo depois daquele final de semana. Yoongi já estava melhor. Seung nos contou que assim que chegou a casa dele, ele começou a quebrar as coisas enquanto se questionava o porquê de acontecer aquilo. Depois de um dia de descanso e afastado de todos, parece que ele acabou aceitando.
Não foi fácil pra nós, ou até mesmo pro Jeon aceitar aquele tipo de coisa. Mas sabíamos que já havíamos feito tudo que podíamos pra ajudá-lo. E não cabia, mas a nós a forçá-lo a fazer o tratamento ou até mesmo arrumarmos uma varinha mágica e o curvarmos. Estava totalmente fora do nosso alcance.
Já estava no final da tarde, resolvi ir pra escola pra pegar alguns materiais que havia deixado lá. Assim como eu, os meninos também finalizaram a escola. Por não estarmos com a cabeça pra festas, não fomos ao baile e nem fomos à colação de grau. Passei na frente da casa do velho, estavam montando um local totalmente diferente. Até que estava ficando agradável. Pelo menos depois de morto, fez algo que prestava.
Fui pra escola andando, precisava pensar. Era o que mais estava fazendo. Ao chegar, abri meu armário e peguei uma blusa de frio que estava lá desde o começo do ano e uns livros. Levei a chave do meu armário pra diretoria e a entreguei. Não podia mais ficar com aquilo, já não pertencia mais a mim. Iria ser dado pra outro aluno ou aluno.
Quando estava saindo, recebo uma mensagem de Namjoon, dizendo que estava na arquibancada da escola. Estranhei aquilo, ele não gostava de vir na escola nem quando estudava o que estaria fazendo na escola depois de ter se formado.
‘O que será que ele está fazendo aqui?’ – pensei comigo.
Fui até o local, lá estava ele sentado com um notebook e sua bicicleta. Cheguei ao mesmo tempo de Yoongi. Cumprimentei os meninos
—Chegaram rápido vocês dois em. — Disse o menino de cabelo platinado.
—Eu estava aqui na escola devolvendo as chaves do meu armário. — Falou Yoongi se sentando ao lado de Namjoon
—Eu estava pegando algumas coisas que deixei dentro do armário, e também levei a chave pra direção. — Falei pegando a bicicleta de Namjoon e me sentando no banco dela.
—Chamou a gente aqui pra que? — Perguntou Yoongi olhando o notebook
—Quando os outros meninos chegarem eu falo. — Disse ele fechando o notebook, evitando assim que Yoongi visse o que tinha ali.
Após alguns minutos de extrema ansiedade os meninos chegavam todos juntos. Até sentia um alivio, pois achei que iria morrer de curiosidade.
— Fala logo Nam— Falou Yoongi, colocando a mão no ombro do menino e o chacoalhando.
—Ta bom! Vou falar. — O garoto abria o notebook. — Prestem atenção e se juntem mais. — Fazíamos o que o garoto pedia. —Quando assaltei aquele banco, eu nunca tinha me sentido tão vivo. Parecia que eu estava realizado em vida. E o Jeon quer viver intensamente, correto? — Disse o menino virando o notebook pra nós, que estávamos em sua frente.
—Está sugerindo que assaltemos mais um banco? — Falou Hoseok.
Finalmente podíamos ver conteúdo do notebook dele. E pra nossa grande surpresa se tratava de uma planta do banco de número sete.
Eu realmente havia me sentido completamente vivo quando fiz aquilo, mas não sabia se queria arriscar meu pescoço novamente.
—Desde aquele último assalto, eu fiquei trabalhando nisso. Aprendi muitas coisas ao lado de Seung, e consegui montar tudo certo o esquema da entrada e saída e até mesmo do cofre. Como descobri essas coisas? Aquele amigo do Seung me informou, ele pediu 500 mil em troca dessas informações. —
—Eu topo— Disse Jimin sem pensar duas vezes
Todos os outros meninos também aceitaram, não tinha como eu recusar.
—Estamos nessa juntos. — Falei cerrando meu punho e levando pra cima.
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