The Last Seven.

7 Iremos ficar sempre juntos - FIM


Notas iniciais
Por fim o último capitulo dessa fanfic. Eu gostei muito de escrever ela. Realmente foi muito divertido. Acho que foi a única fanfic minha que eu não tive preguiça de escrever. KKKK Mas tinha preguiça de corrigir :v

PARTE ® 07/07

Eu não tinha certeza de que se era aquilo que eu queria fazer. Mas sabia que se todos fosse eu sem dúvida nenhuma iria encarar aquilo. Contudo tinha algo me preocupado, não era o plano, é sim a saúde de Jeon. Não tinha certeza de que ele teria saúde e força suficiente pra realizar aquilo. Ele já estava fraco por conta de tanto tratamento que fez, seus cabelos caindo constantemente, sua fraqueza, sua palidez seu nariz sangrando. Às vezes eu olhava pra ele e via um cadáver ambulante. Era tão doloroso vê-lo com aquela vontade de continuar a viver e infelizmente não ter tempo pra isso era o que mais me angustiava.

Se fosse necessário eu o carregaria nas costas. Mas que ele iria junto conosco nesse assalto a banco, com toda certeza iria. Estávamos na quadra da escola e Namjoon nos explicava por cima o que teria que ser feito. Pra ser sincero assim que ele fechou o notebook de novo, já não me lembrava de mais nada. Combinamos de no dia seguinte nos encontrarmos com o homem que nos vendeu as armas.

Fomos cada um pra sua casa. Na hora marcada todos estavam no mesmo local da primeira vez, aquela rua era perfeita pra esse tipo de coisa. Não sei nem como não possui moradores de rua ou drogados. Hosoek, Namjoon, Jin, Yoongi e eu estávamos sentados conversando, quando vimos à aproximação do carro. Fomos pro meio da rua e ficamos esperando por lá.

Não tínhamos todas as armas do primeiro assalto. Até porque havíamos queimado. Porém como não éramos bobos nem nada. Guardamos uma arma, por precaução. Mas pra um assalto daquele nível, iríamos precisar de armas melhores e mais algumas ferramentas. O homem estacionava o carro bem na nossa frente e saia do mesmo.

—Vocês estão de parabéns. Nunca duvidei da capacidade de vocês, moleques. — Falou o homem saindo do carro e batendo palma.

—Corta o papinho e vamos direto aos negócios. — Disse Hoseok segurando um papel na mão.

—Assaltaram um banco e já estão se achando os maiores criminosos? Baixa a bola ae — O homem encostava-se no capo do carro e ficava nos encarando.

—Trouxe tudo que pedimos pelo telefone? — Perguntei cruzando meus braços.

—É obvio se não, não estaria aqui. — O homem inclinava a cabeça um pouco. — Eu quero saber se vocês trouxeram minha grana. —

—Pra falar a verdade não. — Disse Yoongi com um sorriso sarcástico.

—Como assim não? Então não tem negócio. — Disse o homem se desencostando do carro.

—Tem sim! — Jin apontava a arma pro homem.

Em seguida Yoongi, Hoseok, Namjoon e eu, fazíamos o mesmo.

—O papo é o seguinte. Você vai morrer aqui e agora, vamos pegar suas armas, e até seu carro. — Disse Hoseok dando um sorriso de lado.

—Oh! Crianças, vocês são muito inocentes. Acham mesmo que iria vir sozinho. Falou o homem apontando pras laterais.

Eu pronto pra matá-lo, cego pela raiva. Nem vi que já me aprontava uma arma que empunhava. Um dos meninos batia na mão do homem, tirando a arma dele. Isso foi tão rápido que nem consegui ver o que tinha acontecido. Foi como um flash de câmera.

—Você tinha falado isso da primeira vez, já sabíamos como você trabalhava. E bem, você não sabia como os trabalhávamos. — Falei apontando pras mesmas laterais que ele havia apontado.

No mesmo momento aparecia, Jeon e Jimin carregando os corpos dos cúmplices dele. Sabíamos que o homem iria trazer mais pessoas pra escoltá-lo, pois tínhamos armas. Da primeira vez não, por conta disso ele não trouxe reforço.

—Ajoelha!— Gritou Yoongi dando uma coronhada no homem que caia de joelhos no mesmo momento.

Jeon soltava o corpo que estava arrastando e caia desmaiado. Aquilo nos assustou na mesma hora, não era a primeira vez que isso acontecia, já sabíamos como lidar com isso. Era uma vez na semana que isso acontecia, contudo por ele estar ficando cada vez mais fraco e frágil isso estava se tornando regular, todos os dias ele desmaiava. Caia no chão como se estivesse morto.

—Vai ajudá-lo— Gritei.

Hoseok e Jin corriam pra socorrer Jeon.

O homem que estava de joelhos começava a gargalhar. Tirando sarro da situação, ele não parecia ter medo de uma arma em sua cabeça. Não parecia ter medo de ver seus amigos caídos no chão, mortos. Parecia não ter medo de morrer ali, naquele momento e pelas nossas mãos.

—Vocês podem me matar, mas parece que encontrarei um de vocês no inferno em breve. — Ele gargalhava, não demonstrava medo. Aquilo fez com que meu sangue borbulhasse de raiva.

E pelo visto não tinha sido somente eu que tinha ficado com raiva daquilo. Yoongi e Namjoon também; era nítido nos olhares deles a raiva. Toda ação provoca uma reação de igual ou maior intensidade, naquele momento a minha reação foi com toda certeza de maior intensidade. Comecei espancá-lo sem pensar, Yoongi e Namjoon me ajudavam a bater nele. Era covardia da nossa parte? Com toda certeza, mas não estávamos lá pra ser justos.

Sentia minha mão arder de tanto que espanquei aquele homem. Estava me sentindo mais aliviado depois de ter feito aquilo. Jeon acordava meio abobado, sem conseguir entender nada.

—O que aconteceu? — Perguntou ele sentado no chão enquanto Hoseok estava ao lado dele o apoiando.

—Demos um jeito nesse engraçadinho— Falei dando um chute na cara do homem que já estava coberto de sangue.

Peguei minha arma e apontei pro rosto dele.

—Espero que você tenha sofrido bastante. Agora vou aliviar sua dor ou apenas aumentá-la — O homem abria seus olhos e olhava pra mim. Apertei o gatinho em seguida.

Suspirei fundo, ele merecia morrer. Yoongi abria o porta-malas em seguida, tirava todas as malas pretas que estavam lá. Abríamos pra verificar se tudo que havíamos pedido estavam lá. E sim! Estava.

Levamos os corpos até um jardim de uma das casas abandonadas. Fizemos buracos suficientes pra caber os três. Jogamos os corpos deles, os enterramos. Jogamos água na trilha de sangue que haviam deixado e até mesmo nos limpamos, pois, estávamos cobertos de sangue por termos espancado o homem.

Assim que terminamos de esconder os corpos e limpar as provas, levamos pra dentro da loja os armamentos e os dividimos. Já sabíamos atirar, só precisávamos aprender a manusear aquelas armas. Escondemo-las e fomos embora, pois já estava anoitecendo.

Em nossas casas, éramos adolescentes normais. Nunca deixávamos que transparecêssemos esse nosso lado. Ajudávamos as mães, lavando louça e até mesmo ajudávamos nossos pais, arrumando o carro. Ou seja, usávamos uma mascara de bons meninos e filhos. Sem dúvida nenhuma se descobrissem o que fazíamos ou o que iríamos fazer, iriam nos odiar e iriam nos entregar pra polícia no mesmo momento.

No dia seguinte fomos até a loja abandonada, estudamos um pouco mais sobre o banco. Esse parecia ser mais fácil do que o outro. Até porque, não era um de vinte e quatro horas, por tanto no máximo iria ter dois guardas. Por incrível que pareça, Namjoon conseguiu esquematizar aquilo perfeitamente bem, parecia até mesmo um trabalho do Seung.

E por falar nele, ele sabia do nosso plano e deu maior apoio. Porem ele não quis se meter, falou que era problema nosso. Mas entendíamos, ele não queria ficar se expondo muito, até porque pelo que sabíamos a polícia estava em cima dele. Por tanto ele estava evitando fazer coisas arriscadas demais.

Jeon parecia que estava cada vez pior, sabíamos que precisávamos apressar o assalto, pois se não chegaria no dia e ele não teria forças nem pra andar.

Adiantamos o assalto uns dois dias antes. Sabíamos que estávamos preparados pra aquilo. E como sempre cada um tinha uma responsabilidade. Mas dessa vez mudamos, Hoseok, Jimin e Jin iriam abrir o cofre, Jeon e eu iríamos render os policiais, Namjoon e Yoongi iriam encher as malas com o dinheiro. E a fuga? Bem, iríamos estacionar o carro nos fundos, assim que tivermos terminando de colocar os dinheiros na mala, eu iria até o carro já deixar pronto pra sairmos de lá. Dessa vez todos iriam participar.

Conseguimos um carro, era bem grande. Não chegava a ser uma van como da primeira vez e já havíamos conseguido as roupas e mascaras. Estava tudo pronto pro assalto.

Dirigi até o banco de número 7, estávamos todos com roupas e mascaras já no rosto. Menos eu, porque estava dirigindo. Mas estava com a mascara na cara, somente a espera de chegar lá pra baixar e esconder minha face. O clima como da primeira vez, era pesado. Minhas mãos suavam como antes e minha barriga parecia mais o Alaska de tanto que sentia frio na barriga. Estacionei o carro nos fundos do banco, onde o carro forte sempre entrava. Batemos na porta dos fundos.

—Gruppe Seis— Gritou Namjoon, ficando ao lado da porta junto de Yoongi.

Gruppe Seis era o nome da empresa que era responsável pela coleta e abastecimento dos bancos da região. Assim que um dos seguranças abriu a porta, o rendemos e o levamos pra dentro. Fomos até o último segurança que estava nas câmeras monitorando. Bem não estava exatamente porque ele estava era dormindo em cima de algumas telas de televisão.

Descemos com os dois e os prendemos em umas mesas de ferro fundido. E dessa vez pra não ter erro prendemos com algemas. Os meninos foram tentar abrir o cofre enquanto eu e Jeon ficávamos de olho nos policiais.

—Foram vocês que assaltaram o banco dois? — Falou o policial da direita.

Dei um sorriso de lado e não falei nada. Não estava a fim de papo, só queria sair de lá logo e o mais rápido possível. Cada segundo pra mim pareciam horas. Sentei-me em uma cadeira e fiquei encarando os policiais com minha arma apontada pra o rosto deles.

Já havia se passado uma hora e nada deles. Achei estranho aquilo. Não podia sair de lá e deixar o Jeon no estado que ele estava sozinho com aqueles dois policiais. Mesmo eles estando presos.

Peguei meu celular e liguei pro Hoseok, que me atendeu na segunda chamada.

—Porra, o que está acontecendo pra demorar tanto? — Falei gritando no telefone

—Precisamos de você aqui, venha pra cá. — Falou o menino.

—Sabe que não posso sair do meu posto, vem pra cá que eu vou pra ai. —Falei desligando o telefone.

—O que aconteceu? — Perguntou Jeon me encarando

—Eles precisam de ajuda lá. Hope vai vir aqui no meu lugar. — Assim que terminei de falar o menino chegava, me dando um tapinha nas costas.

—Vai lá V—

Afirmei com a cabeça e sai de lá. Fui até onde estava o cofre e já entendi o problema logo de cara, o pó não estava corroendo a porta.

—Não sei o que está acontecendo. — Disse Jimin me entregando o pote com o pó.

Peguei aquele pó e cheirei por cima, senti a textura dele em minha mão.

—Mas que caralho. Não acredito nisso!! — Falei jogando aquele pó no chão.

— O que aconteceu? — Falou Jin sem entender nada.

—Essa porcaria é café. Ainda bem que matamos aquele filha da puta— Falei socando a porta.

—O que vamos fazer agora? — Os meninos pareciam mais perdidos do que eu.

Suspirei fundo, olhei pro tento tentando arruma alguma solução.

—Vamos ter que colocar mais bomba do que queríamos. Vamos ter que encher isso de bomba e correr pra muito longe, porque vai ser muito forte a explosão — Fui até a bolsa com os explosivos, joguei pros meninos. Eles pegavam e colocavam na porta do cofre, era cerca de duas camas de dinamite.

Assim que posicionamos tudo em seu devido lugar. Afastamos-nos o máximo que conseguimos. Jimin apertava o botão e como esperado sentimos uma forte pressão. Infelizmente um pedaço da parede voava, e atingia a perna de Jin. Não chegou a sangrar, contudo ele estava sentindo uma forte dor. Pedimos pra ele ficar sentado enquanto colocávamos o dinheiro nas sacolas.

Quando terminamos de recolher todo o dinheiro e encher sete malas, fomos pra onde estavam os seguranças presos. Fizemos um sinal pros meninos e fomos em direção a saída. Mas no mesmo momento escutávamos uma voz no megafone.

—Sabemos que estão ae dentro. Saiam com as mãos na cabeça. — Disse o homem que provavelmente seria um policial.

Corri até a janela, olhei pra fora e infelizmente estava cheio de policia. Fiquei em pânico, não sabia o que fazer naquele momento.

—Fudeu— Disse Namjoon jogando a mala no chão.

—O que vamos fazer? — Disse Jimin que parecia em pânico assim como todos os outros.

—Não acredito que ele fez isso, não acredito. — Disse Yoongi. O menino parecia que estava desnorteado e sem rumo, pois ficava andando de um lado pro outro.

Estávamos sem entender o porquê dele ficar repetindo várias vezes “Foi ele, não acredito”

—Ele quem? Do que você está falando— Perguntei segurando as mãos do menino e as tirando da cabeça dele.

—Seung, foi ele que nos denuncio. — O menino me encarava com os olhos arregalados. —Ele falou pra mim não vir, disse também que a policia estava atrás dele. Devem ter pegado ele e o feito falar. — O menino caia em lágrimas, estava totalmente perturbado. — Não acredito, não posso acreditar.

—Precisamos sair daqui. Depois pensamos nessas coisas. — Hoseok ficou olhando pra todos os lados tentando encontrar uma saída.

—Vamos sair pelos fundos, o carro já está lá. — Disse Namjoon

—Mas eles devem ter policiais no fundo. — Falei olhando pela janela mais uma vez.

—Vamos ver pelas câmeras. — Disse Jimin subindo até as câmeras de segurança do local.

O garoto voltou com um sorriso enorme no rosto. Dizendo-nos que a parte de trás estava livre. Ingenuidade da nossa parte, o plano tinha tudo pra dar certo e sair perfeitamente bem. Se não fosse esse imprevisto dos policiais. Mas nunca imaginaria que Seung iria ter coragem de nos entregar. Era algo realmente difícil de acreditar. Mas vindo de alguém que sequestrou o próprio irmão, não é tão difícil assim de acreditar.

Fomos direto pros fundos. Assim que chegamos subimos no carro rapidamente, menos Jeon que por estar muito debilitado e fraco, não conseguia ser tão rápido. Os policiais cercaram a rua, não sabia o que fazer naquele momento.

—Vão, vão. — Gritou Jeon pegando sua arma.

— O que você esta fazendo? — Gritei pela janela do carro.

— Joguem as armas no chão e levantem as mãos. — Falou um policial

Todos policiais apontavam a arma pra nós. Na hora tirei as mãos do volante.

—Eu não vou ser preso. Eu não vou— Gritou Jeon, apontando as armas pros policiais.

Todos nós já tínhamos nos rendidos. Estávamos sem saída, não tinha mais o que fazer. Aquele definitivamente era um beco sem saída.

Jeon inesperadamente dava um tiro pro alto. Não sei qual foi o intuito dele, se era de amedrontar os policiais ou de provocar. Mas infelizmente os policiais acharam que foi uma ameaça, depois disso só ouvi mais sete disparos. Aquilo passou em câmera lenta na minha cabeça, várias e várias vezes.

Jimin se ajoelhava ao lado do corpo do garoto, caindo em lágrimas.

—Jimin... eu...— Falava Jeon com dificuldade, pois cuspia sangue

—Pode dormi meu amigo, pare de se esforçar. Estará tudo bem, quando você acordar... — O menino dava um beijo na testa de Jeon e derrubava algumas lágrimas.

Eu praticamente o matei, matei meu amigo mais cedo. Poderia ter outro jeito de sair de lá, poderíamos ter levado os reféns junto. Mas não havíamos pensado nisso, estávamos em pânico. Talvez se tivéssemos pensado um pouco mais sobre isso, nada disso teria acontecido.

Matei meu amigo mais cedo. Eu me sinto culpado por tudo isso, poderíamos ter dito que ele não iria junto, por estar fraco. Mas queríamos proporcionar uma vida inesquecível pra ele. Contudo a única coisa que conseguimos foi fazê-lo morrer mais cedo. Ele era o mais novo e precisávamos cuidar dele.

Depois daquilo, tudo que aconteceu passa na minha cabeça como flash de fotos. Só me lembro daquela algema gelada em meus punhos. Não conversamos mais nada depois daquele dia. Nem se quer eu os vi. Só recebia notícia deles pelo meu advogado. Sabe a pior parte não foi ser preso, foi o fato de saber que Jeon estava morto e todos nós iríamos ser condenados à morte.

Estava eu sentado em uma cadeira de ferro de frente pro meu advogado. Ele falava algumas coisas que não prestei atenção. Eu estava fora de mim, estava viajando, não havia caído à ficha pra mim de tudo aquilo. Fiquei olhando pro canto até que o advogado falou uma coisa que me prendeu a atenção.

—Seung, entregou vocês pra se livrar e livrar o irmão dele. — Disse o homem segurando um monte de papéis na frente.

—Yoongi está livre? — Perguntei olhando pra ele com meus olhos fixados dele.

—Ainda não. Quando Seung foi preso, a polícia fez uma proposta. Se ele contar quem era vocês, ele não iria ser condenado à morte, apenas pegaria prisão perpétua. Contudo Seung, disse que se ajudasse a polícia pegar vocês com a mão na massa, se em troca, seu irmão poderia responder em liberdade. — O homem me entregava um papel com a assinatura do Seung e do chefe de polícia. — E o chefe da polícia aceitou. Agora Yoongi vai responder em liberdade. Seung já está preso.

Fiquei feliz na hora, pelo menos Yoongi não iria sofrer aqui dentro. Não fiquei magoado, pelo contrário. Aquilo me aliviou só de saber que ele não estava preso. Merecíamos aquilo.

—Se você contar quem matou o segurando do banco dois e contar com quem conseguiram essas armas, acho que consigo fazer você responder em liberdade também. —

Eu não queria aquilo pra mim, queria que meus amigos fizessem isso.

—E se eu contar mais coisas que a policia não sabe. E eu, assumir toda a culpa, meus amigos irão responder em liberdade? — Perguntei sussurrando

— Na verdade não. No máximo que conseguiria seria não fazê-los ser condenado à morte. Mas você iria ser mandado pra cadeira elétrica. E não estou aqui pra ajudá-lo a se matar, estou aqui pra ajudá-lo a não ser morto —

—Você não entende, eu não quero que eles morram. Não quero mais um amigo morto. — Forcei as algemas que estavam presas na mesa.

—Tudo bem, você realmente quer isso? — Falou o homem suspirando.

Apenas balancei a cabeça afirmativamente.

—Irei comunicar todos os outros meninos e ao chefe de policia. — Disse o homem se levantando e saindo de lá.

Fui levado pra cela mais uma vez. Eu não conseguia acreditar que eu estava em um lugar como aquele. Eu iria morrer, mas morreria sabendo que meus amigos não iriam ter o mesmo fim que Jeon.

A cela qual eu estava era repugnante, baratas, ratos era o que mais tinha. Minha cama era um pedaço de colchão, nem se quer tinha um lençol ou travesseiro. Ai que saudade de casa. A comida? Bem a comida não era tão ruim assim, se eu engolisse rápido não morria engasgado com os pelos que tinham no meio. Apenas torcia pra aqueles pelos serem de animais e não de humanos.

Nos primeiros dias foram um inferno, pessoas gritando de noite, era todo dia alguém sendo levado morto por ter cometido suicídio ou alguma gangue que matou. Eu tentava ficar na minha, mas ficava imaginando o que estava acontecendo com os meninos se eles estavam bem, se estavam sofrendo algum tipo de abuso.

No dia seguinte, acordei com fortes batidas nas grades de minha cela.

—Vai! Levanta! Você tem algumas coisas pra nos contar— Disse o polícial vindo em minha direção e me pegando pelo braço.

Nem se quer eu havia conseguido processar direito sobre o que estava acontecendo. Pelo caminho até a sala do diretor do presídio, alguma coisa chamava minha atenção em uma cela. Era Jimin, ele estava sentado na cama dele. Quando ele percebeu que era eu, foi direto em minha direção. Mas não podia sair da cela, ficou lá dentro me olhando.

Não fiquei olhando ele por muito tempo, não conseguia. Era visível nos olhos dele a dor que ele estava sentindo, o sofrimento e a angustia.

—Tae!! Tae!! — Gritava o menino.

Na mesma hora Hoseok, Jin e Namjoon apareciam nas celas deles. Mesmo nós estando no mesmo presídio, eles não permitiam que nos víssemos, nem na hora do almoço ou no banho de sol.

Vê-los daquela forma, com as roupas laranja e olhares pedindo ajuda, fez com que minha vontade de assumir toda a culpa das mortes, fosse ainda maior.

—Não faça isso Tae! Não assuma toda a culpa. — Gritou Hoseok

Os policiais batiam na cela pra conter os garotos que gritavam várias coisas. Eles não queriam que eu fizesse aquilo, mas eu iria fazer. Iria ser a palavra deles contra a minha e sem contar que eu sei o que aconteceu como é, quando, e sabia até mesmo onde estavam os corpos dos homens.

Ao chegar à sala do diretor, eu contei em detalhes o que eu sabia. O homem disse então que iríamos dar uma saída. Levaram-me até uma van branca, entraram em seguida quatro policiais e um motorista. Não sabia pra que tanta segurança, já que não pretendia fugir de lá.

Começamos a andar e depois de duas horas, chegamos ao bairro abandonado.

—Então mostremos o que você está escondendo aqui— Disse o diretor que desceu em seguida de seu carro preto.

De todos os momentos da minha vida nunca tinha imaginado aquilo. Nunca se quer imaginei que estaria ali com policiais, comigo algemado e eu estaria entregando algo que eu ajudei a fazer.

— E bem ali— Falei apontando com minhas duas mãos presas.

Dois policiais ficaram ao meu lado, um andando em minha frente enquanto o diretor andava ao meu lado.

—Pra segunda vez de vocês, vocês parecem profissionais. — Disse o diretor dando um sorriso sarcástico.

—Tive um bom professor— Falei olhando pra frente

—Parece que não foi tão bom assim, não é mesmo? — O homem me dava um tapinha no ombro.

Tirei meu ombro, adentrei no jardim da casa da mulher qual enterramos os homens.

—Aqui estão eles. — Falei chutando um pouco da terra vermelha.

—Comecem a cavar — Disse o diretor aos policiais.

Os mesmos começaram a cavar. Passou meia hora até que finalmente o primeiro corpo começou a aparecer. Primeiro foi os braços, depois a cabeça. Aos poucos os policiais começavam a desenterrar, mas sem encostar-se aos corpos.

Na mesma hora que o diretor viu que o que eu havia falado era realmente verdade, resolveu chamar a perícia que chegou em questões de minutos. A partir daquele momento eles tomaram conta da cena do crime. Fiquei o tempo todo, parado olhando os corpos serem retirados.

—Não sente nenhum remorso? — Perguntou o diretor pra mim que fitava atentamente os cadáveres.

—Nenhum pouco. Eles mereceram, assim como o segurança também. Eu não mato inocentes, só mato quem ameaça a mim ou a meus amigos. — Falei friamente, mesmo no fundo tendo um pouco de remorso por ter matado o segurança que era pai de duas crianças. Mas tinha certeza que a mulher dele iria receber uma boa pensão. E dinheiro resolve tudo.

Depois dos corpos os levei até onde guardávamos as armas. Quando cheguei à loja, apontei pra de baixo da pia, onde tinha as sacolas de armas.

Após tudo aquilo voltei pro presídio. Meus pais nem se quer vieram-me ver acho que estavam decepcionados demais comigo. Eu os entendia e não queria que eles sentissem pena ou dó de mim.

No dia seguinte me levaram pra sala de visita, lá estava meu advogado, o que por sinal era dos meninos também. Sentei-me e fiquei o olhando, acho que naquele momento eu já estava caindo mais na realidade.

—E ai? Eles ainda vão ser condenados a morte? Contei tudo que sabia! — Falei ansioso pela resposta. Minha perna ficava dando tique de ansiedade.

—Por você ter assumido tudo e por ter entregado os corpos e as armas. Eles não serão condenados a morte. Tentei fazer com que você também não fosse. Mas alguém precisa ser penalizado e infelizmente será você. — Suspirei naquela hora, sabia que aquilo iria acontecer, já estava preparado. —Sinto muito—

—Não sinta. Eu já sabia que isso iria acontecer, já estou preparado. — Falei firmemente.

Mas eu havia me esquecido de algo importantíssimo, que eu levava como regra pra mim, e sabia que os meninos também levavam, ou seja, que estaríamos sempre juntos, não importava a situação.

—E o Yoongi? Ele já está solto. — Perguntei

—Já sim ele foi liberado ontem à tarde. Mas respondera ainda pelo crime. Infelizmente a lei não permitiu que eu conseguisse isso pros outros meninos ou redução da pena. Se condenados vão pegar prisão perpétua e você condenado a morte. —

Já sabia que iríamos ser condenados, até mesmo os meninos já sabiam disso. Sabiam que seu destino seria passar o resto da vida naquela cadeia e a minha seria a morte.

Eu fui o primeiro a ser julgado e como esperado peguei cadeira elétrica. Depois Namjoon, Hoseok e Jimin foram julgados. E como esperado também foram condenados, mas pelo menos seria prisão perpétua. Eu só iria ser morto depois de alguns meses, quando todos forem julgados e condenados.

Namjoon

Nam foi condenado assim como todos os outros. Recebi uma notícia dele nada agradável. Foi à pior coisa que eu pude saber sobre ele. Todo mundo sabe que drogas não são algo difícil de conseguir na cadeia. Nam conseguiu um contato dentro da cadeia e acabou comprando do cara drogas. O pior é que ninguém sabe quem é esse cara. E nem como ele conseguiu trazer drogas pra cadeia. Onde Nam conseguiu o dinheiro? Os próprios pais dele mandaram pra ele usar em compras de produtos de higiene na prisão. Mas ninguém esperava que fosse pra esse tipo de uso. Os pais dele eram os únicos que ainda mantinham contato com o filho. Mesmo o Nam falando na frente dos pais que ele havia cometido o crime, eles ainda acreditava na inocência do filho. Provavelmente estavam se fazendo de cegos. Namjoon não era viciado, pelo contrario ele não usava drogas, somente bebia.

Ele pegou as drogas e as escondeu de baixo de suas vestes e foi pra sua cela, guardar de baixo do colchão. Provavelmente Nam tinha outra intenção com aquilo, e não somente de se drogar e tentar fugir daquele local ‘viajando’ Quando chegou de noite ele usou todas as drogas de uma só vez. E acabou tendo uma overdose, seu corpo foi encontrado na sua cela 7, na manhã daquele dia. Seu corpo não foi a única coisa que foi encontrado.

Havia uma palavra na parede escrita de sangue ‘Iremos’ Não sabia até aquele momento o que significava aquela palavra e nem conseguia acreditar que havia perdido mais um amigo. Namjoon não usava drogas, sabia no fundo que ele havia se matado. Fiquei sabendo através do meu advogado. Infelizmente eu estava em outra área da prisão. Não tinha nenhuma comunicação com ninguém de fora, nem sabia se estava sol ou chovendo. O que mais dói, e saber que nem iria poder ir ao enterro dele.

Jimin

Depois que o Jeon morreu Jimin nunca mais foi o mesmo. Não somente eu acho isso, todo mundo que o conhece percebeu isso. Ele não era mais um menino feliz ou alegre. Depois que Namjoon morreu, Jimin ficou mais violento. Ele nunca foi assim, mas se tornou. Talvez o ambiente qual ele estava favoreceu esse lado dele. Ele era um amor de pessoa, mas quando era pra ser ruim, sai de baixo. Jimin havia saído de sua cela pra almoçar, pegou sua refeição e sentou-se na mesa de um grupo de caras.

Na prisão cada um senta com seu grupo, não pode misturar. Mas eu não sei o que ele estava pensando quando fez aquilo, até porque foi à primeira coisa que nos foi dito quando chegamos à cadeia. Parecia coisas de criança isso, mas era assim que funcionava na cadeia e precisava ser respeitado. Jimin foi afrontado pelo líder do grupo e ele não se rebaixou.

Tenho certeza que ele queria briga. O líder do grupo jogou a comida do Jimin longe e foi pra cima dele. Será que não seria mais fácil pedir pra sair da mesa? Contudo acho que o que Jimin queria era aliviar seu estresse em alguém, por conta disso que ele ofendeu o cara e o homem foi pra cima dele. O homem o ameaçou de morte após alguns policiais os separar.

Jimin foi pra enfermagem onde cuidou de seus ferimentos na face e em outras partes do corpo. Na cadeia até poderia parecer que as coisas são justas pelos bandidos. Pois na hora da briga de mão foi um contra o outro. Mas nas costas não tem nada de justo. Naquela madrugada, três homens invadiram a cela de Jimin e o mataram com 7 facadas no peito. Seu corpo foi encontrado horas depois por alguns policias.

O estranho foi que na parede havia também uma palavra: ‘ficar’ Quando recebi essa notícia do advogado. Eu já sabia que aquilo seria alguma mensagem dos meninos. O que significava? Eu já não sabia, mas meu coração estava tão dolorido, tão destruído que a morte naquelas alturas seria uma libertação pra mim. Jimin havia arrumado aquela briga com o cara mais barra pesada da prisão, sabia que o resultado disso seria sua morte.

Ele estava procurando se matar, assim como o Namjoom. Não sei o que os meninos estavam planejando. Mas temia que a próxima visita que meu advogado me faria, seria a notícia de mais uma morte dos meninos. E foi dito e feito.

Hoseok

De todos meus amigos. Talvez Hoseok fosse o que eu menos queria receber a notícia, não porque eu não gostava dos outros. Mas sim porque o amava de uma forma diferente. Não aguentaria saber que ele morreu ou até mesmo se matou. Seria a pior notícia pra mim. Você deve pensar que ser condenado à morte e a pior notícia do mundo. Mas acredite não é. A pior notícia do mundo e saber que alguém que você ama morreu, e você nunca mais vai vê-la, escutar sua voz, ver seu sorriso, sentir seu abraço ou seu toque. Isso é a pior notícia que alguém poderia receber, acredite em mim.

Quando os meninos ficaram sabendo que eu fui condenado a morte. O próprio advogado disse pra mim que temia que eles fossem fazer algo. Porque os olhares deles não brilhavam mais, já pareciam mortos por dentro. Não estou dizendo que eles estão fazendo isso por mim.

Apenas estou dizendo que o pronunciamento de minha morte havia sido a gota d’água pra eles. Junto à morte de Jeon, traição da parte do Seung, a prisão e meu condenamento. Isso tudo foi demais pra eles. Eu os entendo no fundo. Hoseok por alguma ração que naquele momento eu não sabia, foi parar na enfermaria cheio de machucado e inconsciente.

A enfermaria do presídio era praticamente um hospital. Tinha tudo lá, desde uma sala de cirurgia de emergência até um local onde tem vários medicamentos. Poderíamos ter cometido crimes graves, mas eles prezavam deixar as pessoas vivas. O engraçado nisso era que estavam me condenando à morte. E totalmente contraditório, mas e de entender, pessoas como eles tem que viver até a velhice pra poder pagar a pena de prisão perpétua. A morte era apenas uma forma de escapar disso mais rápido.

Ao Hoseok acordar, tirou a agulha que estava enfiada em sua mão no soro. Parecia desnorteado e totalmente abobado, ele chegou a pegar a agulha e se machucar. Foi pro corredor, andou de sala em sala. Até que achou uma e entrou nela a trancando por dentro. Por ser uma enfermaria de presídio deveriam ter policiais lá. Mas por alguma razão que desconheço e tenho certeza que até o diretor desconhece não havia nenhum deles.

Hoseok pegou sete tipos de remédio, e foi pro banheiro onde se trancou mais uma vez. Lá já não sei o que aconteceu, apenas sei que seu corpo foi encontrado após alguns minutos já sem vida. E como esperado com uma palavra escrita de sangue ‘sempre’ Morreu de overdose de remédio.

Sei disso tudo, graças ao advogado que trouxe a notícia e os vídeos da câmera de segurança. Eu não sabia se ele estava fazendo isso pra ver se eu sabia de algo ou pra me torturar.

Eu chorei como uma criança, não via à hora de ser morto. Temia que Jin fizesse o mesmo. Apesar de Yoongi não esta lá, eu tinha certeza que ele estava recebendo as notícias dos meninos, não sabia como ele estava reagindo ou até mesmo aguentando tudo aquilo. Estava sozinho, sem seu irmão sem seus amigos. Talvez ele estivesse mais desolado do que eu. Eu não conseguia pregar os olhos durante esse tempo todo. Ficava com medo de receber novas notícias.

Pra falar a verdade, já estava morto há muito tempo. Morri junto de Jeon, com as mortes dos outros, apenas foi acumulando mais tiros, facadas em meu peito. Eu me culpo pelas mortes de todos. Principalmente do Jeon. Nunca terei paz!

Jin

Após uma semana inteira sem escutar a morte de nenhum dos outros membros. Parecia que tudo estava resolvido, que nada de ruim iria acontecer. Fui chamado pelo meu advogado mais uma vez, temia que fosse pela morte de Jin. Tive um tremendo alivio quando ele me disse que o assunto era sobre meus pedidos pro último momento de vida.

—Eu tenho um pedido sim!. De não morrer- pensei comigo naquela hora

Apenas balancei a cabeça negando, não queria nada, já havia aproveitado demais a vida que eu tinha, comi o que deveria, usei o que tinha que usar, fiz a verdadeira festa isso sim. Um policial chamou o advogado, apenas fiquei sentado na mesa os olhando conversar. Após alguns minutos o advogado senta-se à mesa de cabeça baixa e suspirando alto e não parava de suspirar. O advogado falava, o que o policial havia o dito. Dei um soco tão forte na mesa de ferro na hora, que chegou a afundar.

Jin havia sido encontrado morto enforcada. Não conseguia ver relação nenhuma com o numero sete naquela altura. Perguntei as horas que ele havia sido encontrado, e hoje nem era dia 07 ou que terminava com sete. Até que caiu minha ficha. Perguntei que mês era esse. E adivinhem era Julho, mês 7. O homem até mesmo me falou que haviam encontrado uma escrita de sangue no chão. ‘juntos’ Apenas juntamos ali mesmo o quebra cabeça. “Iremos Ficar Sempre Juntos” Quando li aquilo, escrito no papel.

Caiam lágrimas, era algo que sempre falávamos. Que independente do que acontecesse, iríamos sempre ficar juntos. Viveríamos juntos. Iríamos presos juntos, faríamos provas juntos, estudaríamos juntos, lutaríamos por algo juntos, focaríamos os objetivos juntos e o principal morreríamos juntos. Podemos até não termos morrido seguidamente, no mesmo dia e hora. Mas estávamos tendo o mesmo destino a morte. Sabia que isso iria acontecer com o Yoongi. Mesmo ele não estando na prisão, iria saber sobre os suicídios. Ele iria fazer isso, com toda certeza. Não poderia deixar isso acontecer.

Implorei como nunca pro advogado ir visitar Yoongi pra ver como ele estava. Ele não podia fazer isso, ele tinha que viver. Eu dei minha vida pra eles, os impedindo de terem o mesmo destino que o meu, e é dessa forma que eles retribuíam? Se matando?Não podia os julgar, aquilo era demais pra eles é até mesmo pra mim. Eu tinha os melhores amigos do mundo. Amigos não! Irmãos.

O advogado foi visitar Yoongi pra ficar mais aliviado. Na nova cela que eu estava, era menor e mais suja do que a outra. Uma pessoa que está morta, por assim dizer não precisa ser tratada como gente. Depois de dois dias o advogado me visita. Estava apreensivo e temia pela vida do Yoongi. Só de me aproximar do advogado já sentia um frio na espinha, minhas mãos geladas, parecia que nem minha alma estava em meu corpo. Foi a caminhada mais longa que já tive em minha vida. Lembro-me bem quando sentei naquela cadeira de ferro gelada.

—Então? Como Yoongi está? — Perguntei com medo da resposta.

—Ele está bem. Parece que reagiu bem a morte de seus amigos. — Falou o homem com uma voz calma me passando confiança.

—Você está errado. Yoongi nunca demonstra o que sente. Você por acaso chegou a entrar dentro da casa? — Perguntei já sabendo da resposta.

—Não! Ele não deixou, falou que estava uma bagunça. — O homem enrugava sua testa sem entender minha pergunta.

—Deve ser porque não deve restar mais nada lá dentro. Yoongi e explosivo, quando ele não está bem, ele quebra tudo. Mas ele é o que mais sofre entre nós. Ele toma as dores de todos, cuida de nós. Não deve estar sendo nada fácil pra ele. —

—O que você quer que eu faça? — Perguntou o homem batendo na mesa.

—Quero que você vá de novo a casa dele e insista pra entrar. E você vai ver como estará lá dentro. Ele não está bem, pede pra algum policial ficar na porta. Tenho medo dele acabar... —

—Fugindo? —

—Se matando. — Suspirei. Passei a lateral da minha mão em meu nariz.

—Vou fazer isso. Não se preocupe. E bem... Falta 5 dias. Está preparado? —

—Como alguém consegue se preparar pra morrer? — Dei um sorriso de lado.

—Desculpa a pergunta. —

— Que dia que vai ser daqui 5 dias? —

— Dia 29. Por quê? —

—Então hoje é dia 25. Correto? — Falei.

Teria um dia 27, e eu não iria morrer nesse dia. O que era muito estranho, mas não questionei talvez o número só estivesse brincando comigo.

—Certo, sua morte vai ser de cadeira elétrica, dia 29 desse mês às 7 horas em ponto. — Ele falava isso com uma suavidade que chegava a parecer mórbido.

Dei risada naquele momento. Até em horas agora? Esse maldito iria estar até em horas. O advogado me olhou de uma maneira estranha. Não é qualquer pessoa que ri, ao saber que vai morrer e ainda mais de cadeira elétrica. Mas o que posso fazer? Não tinha saída e aquela perseguição do número sete era assustador.

Às vezes na minha cela olhando aquela parede branca com marcas de pés e arranhados, fico imaginando o porquê de ter o sete envolvido em tudo isso. Coincidência ou praga do velho Chu? Não posso culpar aquele velho por um erro nosso. E tenho certeza que os meninos também não haviam notado essa perseguição do número sete. E se tivéssemos assaltado sei lá, o banco seis ou vinte? Será que estaríamos presos? Pra ser sincero não posso ficar justificando meu azar e minhas escolhas erradas em um número, dizendo que é perseguição dele. Mesmo isso parecendo.

Voltei pra minha cela, e no dia seguinte tive notícias do Yoongi pelo advogado. Ele disse que o garoto não deixou ele entrar na casa, de maneira nenhuma mas pra segurança do garoto colocou um policial na porta. Segurança do garoto uma ova, segurança deles, isso sim.

Quando chegou dia 27, dois guardas passaram em minha cela e me retiraram dela me levando pra um corredor mais estreito. Tendo apenas uma cama naquela cela, nem privada ou chuveiro tinha. Era mais escura e silenciosa. Não se escutava nada, era perturbador e aterrorizante. Aquele silêncio, as horas não passavam tudo parecia infinito.

Yoongi

Quando estava quase anoitecendo, sou chamado pra ir pra sala do diretor. Não sabia o motivo, mas esperava que não fosse uma noticia ruim como todas as vezes que me chamaram pra fora da cela.

Ao chegar me sentei e fui algemado na mesa. Motivos de segurança. Ficamos somente eu, meu advogado e o diretor do presídio naquela sala. Era até um lugar bonito. Em seguida chegava Seung, algemado e se sentava na cadeira ao meu lado. O olhei de lado, não tinha raiva dele. Até porque talvez se eu tivesse no lugar dele, eu teria feito o mesmo. ‘Antes eles do que eu’ Mas saber que ele condenou o próprio irmão era demais pra mim.

—Nos chamou aqui pra que? — Perguntou Seung me olhando, desviou o olhar pro diretor.

O homem de cabelos grisalhos suspirava alto, levava suas mãos até a mesa e olhava pro advogado, aquele silêncio era horrível. Não sabia nem o porquê eu estava lá e muito menos junto do Seung. Mas no fundo talvez eu soubesse.

—Infelizmente, o Min Yoongi foi encontrado morto queimado essa tarde. —

Eu só conseguia escutar zunido na cabeça, e o eco dele falando ‘Encontrado morto. ’ O meu último amigo, morto! Queimado! Não conseguia acreditar naquilo. Seung gritava e se debatia. Estava inconsolável. Eu fiquei olhando pros lados e balançando a cabeça negativamente. Não conseguia acreditar naquilo.

—Pelo que foi nos passado. Ele se trancou no quarto, jogou álcool em si mesmo e no cômodo e se queimou vivo. Só fomos saber disso, pois ele não apareceu no julgamento. Quando os policiais chegaram a casa, já estava totalmente tomada pelo fogo. — Falou o advogado.

—E o policial que eu pedi pra ficar com ele? Eu sabia que ele iria se matar eu sabia... Sabia— Falei em meio às lágrimas.

—O policial estava na hora do almoço. Não sabíamos que ele iria fazer isso. — Disse o diretor do presídio como se fosse algo normal.

Pelo Yoongi nunca ter passagem nem nada do tipo, e ser apenas um garoto de 19 anos. Não achavam que ele teria coragem de fugir ou de fazer esse tipo de coisa. Por isso que o policiamento perto da residência dele foi pouca.

—O policial que ficou pouco tempo na frente da casa dele. Disse que escutou por várias horas, coisas se quebrando dentro da casa. Ele não saia nem na janela, ele estava em um caso grave de depressão. Quando soube que os garotos morreram e que o Taehyung foi condenado à morte. Ele surtou de vez. Esse tipo de coisa é comum pra pessoas de mente fraca. — Disse o advogado. Na hora me revoltei completamente, Como ele tinha coragem de dizer que Yoongi tinha a mente franca bem na minha frente. Seung nem conseguia escutar o que eles falavam ele ainda estava em choque. Estava chorado e olhando pro cantinho da sala.

—Eu fiz isso... Eu matei meu irmão... Eu matei seus amigos... Eu matei você Taehyung. — Sussurrava Seung. — Eu não deveria ter entregado vocês, eu deveria estar no seu lugar. — Ele parecia arrependido, mas o engraçado, que ele se arrependeu somente agora. Eu não tinha raiva dele, como eu havia dito. Eu apenas tinha nojo do que ele era. E eu estava me tornando igual.

Na hora por conta da raiva e dor que estava sentindo naquela hora, não pensei direito, apenas virei pra Seung e cuspi em sua face.

—Isso é pelo Yoongi. Vai ter que conviver o resto da sua vida sabendo que matou seu próprio irmão por egoísmo. Só pra se livrar da condenação a morte. Agora você vai ter o resto da vida pra lamentar pelo que fez. — Falei o olhando enquanto ele estava de cabeça baixa.

—Hey, hey! Vocês parem agora ou irei mandar... — Dizia o diretor. Na mesma hora eu o interrompi

—Vai mandar fazer o que comigo? A morte não é suficiente? Vai mandar matar meus pais também? — Eu não via a hora de acabar com minha dor. Se perder um amigo já é uma dor horrível, imagine perder 6 amigos e um deles e o menino que você amava.

—Taehyung, sua morte estava marcada pra dia 29. Mas pelo ocorrido de hoje, vai ser marcado pra amanhã dia 28 as 17horas. Dispensados. — O diretor apertava um botão qual acionava os guardas que estavam do lado de fora.

Levaram-me novamente pra minha cela. Não dormi, queria aproveitar a dor de se viver. Não estava com medo, eu acolhi a morte como uma velha amiga e acompanharei de bom grato, seja lá pra onde ela for me levar.

Taehyung

Quando chegou na hora. Fui mandado pro chuveiro onde tomei um longo banho, quente. Não quis comer nada. Os guardas me escoltaram. Quando estava caminhando por aquele corredor escuro, cheiro de mofo. E totalmente silencioso, só escutava o assovio do policial. Ao chegar à sala fui colocado em uma cadeira de ferro. Prenderam meus braços e pernas. A sala era um triângulo, com apenas uma porta e várias saídas de ar nas laterais da sala.

O engraçado era que nada passava pela minha cabeça quando estava passando pelo corredor, quando me sentei naquela cadeira. Comecei a sentir medo, meu corpo tremia, suava frio. Estava com medo de doer. Preferia uma morte mais rápida do que essa.

Eu não preciso de dias ou anos... Apenas segundos articulava os planos. Tudo mudaria se apenas naquele dia de escolher o banco a ser assaltado, escolhêssemos outro. Ou até mesmo os planos mudavam se não tivéssemos aceitado a assaltar o banco novamente. Se escolhêssemos outras formas de viver intensamente.

Mas não posso reclamar quem não aproveita os momentos não merece nenhum segundo a mais. E eu aproveitei todos os momentos, junto com os melhores, os mais incríveis amigos do mundo.

—Tem algum arrependimento? — Perguntou um dos policiais que molhava uma esponja e a colocava na minha cabeça junto de um capacete de ferro

—Não. — Falei seco

Apesar de onde fui parar e do que aconteceu com meus amigos. Não me arrependia de nada. Na verdade apenas me arrependo de nunca ter dito ao Hoseok que o amava. Não deveria ter perdido tempo. Deveria ter dito isso a ele desde o principio. Pois dessa forma eu não morreria pensando no “talvez”

—Preparado? — Perguntou um dos policiais.

—Ninguém nunca está preparado pra morrer. — Sussurrei

—terá que está preparado agora. Um... Dois... Três... — O policial apertava um botão.

Algumas pessoas irão dizer que o número sete foi um número de azar, pois tudo que acontecia de ruim conosco tinha o número sete envolvido. Mas eu discordo, ele não passa de um número qualquer. A culpa não é dele. E das nossas ações. As pessoas costumam querer justificar tudo que acontece de ruim com elas ou decisões erradas. Sempre tentam arrumar um culpado. Eu poderia culpar o número sete. Mas pelo contrario o trato como aliado eterno.

E o que você acha o número sete! Foi um número de sorte ou azar para nós?

Meu corpo era tomado por fortes ondas de choque. Não conseguia sentir ou pensar em nada. Apenas conseguia sentir muito sono, longe de um sono tranquilo. Dessa vez seria a última vez que fecharia meus olhos. Mas esperava de todo coração quando acordasse desse sono. Eu encontrasse meus amigos do outro lado. Eu estou indo até vocês...

— Sete balas

— Sala Sete

— Sete facadas

— Mês Sete

— Sete Remédios

— Dia Sete

— As 17 Horas

IREMOS FICAR SEMPRE JUNTOS.

Notas finais
Obrigada pra quem leu até aqui e pra quem comento. Agradeço de coração. Sei que postei várias vezes em dias errados. Mas vocês tem que entender que a preguiça não deixava postar em dias certos. KKK as vezes até esquecia. Essa fanfic eu tinha já ela pronta a dois meses atrás. Acordava cedo só pra escrever. E não via a hora de postar aqui e ver a reação de vocês. Não via a hora de postar cada capitulo... mas não esperava que postaria tão rápido assim o último capitulo. Fiquei surpresa quando me dei conta hoje de manhã que esse era o capitulo sete o último. E espero que vocês tenham gostado desse final pra ela.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!