The King
2 Uma História.
Notas iniciais
Capítulo 02 – Uma História.
Naruto não estava acostumado a ficara parado. Entretanto, há muito ele não tinha vontade de sair da cama. Shizune era uma boa médica, então não era surpresa o seu braço não doer mais tanto, embora a ferida realmente incomodasse.
Mas mais que a ferida, o que lhe incomodara era a clara lembrança das duras palavras do avô.
Jiraya nunca foi um homem de emoções. Não no sentido de ser insensível, claro que não, mas ele era um homem controlado, e nunca havia gritado a sério com o neto em todos os dez anos em que viveram juntos, embora de vez em quando se irritasse quando o menino perguntava dos pais.
Sua linha de pensamento foi interrompida pelos gritos no corredor. “Eu vou entrar!” uma voz familiar exclamava. E de repente, as duas portas grandes de madeira maciça se abriram e Tsunade surgiu e descabelada, fitando o Uzumaki, cheia de preocupação. Naruto pôde ver os conselheiros e Jiraya correndo atrás dela. O rapaz estava sentado, assustado com a reação da mulher e quase recuou quando ela se sentou ao seu lado.
— Onde está? – Ela perguntou. – Me mostre sua ferida! – Quase gritou, e ele obedeceu imediatamente, estendendo o braço enfaixado. – Malditos... – Ela murmurou entre dentes. – Eu vou pegá-los e matar cada um deles com minhas próprias mãos.
— Você está assustando o garoto! – Jiraya exclamou aos risos por notar a palidez no rosto do príncipe. Tsunade pareceu despertar, e olhou nos olhos azuis. – Oh... Perdoe-me, querido.
— Ela ficou furiosa quando soube que tinham te machucado. – O avô estava sorrindo, e o garoto se perguntou se ele ainda se lembrava da atitude grosseira com ele em seu último encontro.
— Por que você também veio, madre? – Ele realmente estava confuso. Agora, parando para pensar, se lembrou de que ela também estava na casa quando os velhos malditos o levaram.
Tsunade riu.
— Oh, garoto. Por favor, não me chame mais de madre. Eu nunca fui devota o suficiente para qualquer coisa desse tipo.
— E essas palavras vêm de uma princesa... – A velha conselheira lamentou-se, mas Tsu preferiu ignorá-la. – Naruto puxou o braço das mãos da loira, irritado e levantou-se para olhar para todos.
— Quem diabos são vocês? E porque me trouxeram pra esse lugar? Eu não estou entendendo nada, e odeio bancar o idiota, então poderiam me explicar?!
Todos os quatro se entreolharam e suspiraram.
— Perdoe-nos, vossa alteza. – O velho homem se curvou ao falar. – Eu sou Homura Mitokado, e esta é Koharu Utatane. – A velha faz uma mesura educada. – Nós somos os Conselheiros Reais. Em sua falta, nós respeitosamente cuidamos do país com todos os nossos esforços para o dia em que o senhor pudesse ter maturidade suficiente para herdar o trono que lhe pertence.
Naruto teve que contar até dez mentalmente para não mandar toda aquela educação para o inferno.
— Escute... Algo deve estar errado. Eu sei que não sou príncipe! – E olhou para o avô, quase desesperado para que ele concordasse. – Eu sou Naruto! O simples Naruto órfão! Fui criado pelo meu avô desde que posso me lembrar!
Os conselheiros concordaram.
— De fato, desde que pode se lembrar. – A velha murmurou. – Mas não se lembra, meu senhor? Uma pequena lembrança... De estar acordando em um quarto como este... – Ela gesticulou com as mãos como se tentasse mostrar os detalhes do local. – Não se lembra de acordar confuso, com a cabeça doendo...?
Os lábios dele formaram uma linha reta.
— Não.
Ele garantiu, mas estava mentindo. Na verdade, aquele lugar era de fato bastante familiar.
— Imagino que tenham pegado o rapaz errado.
Tsunade baixou a cabeça e Jiraya desviou o olhar para uma parede próxima.
— Infelizmente, alteza, isso é impossível. Jiraya é um guerreiro nobre, e foi ele quem ficou responsável por esconder e mantê-lo em segurança. – O homem explicou. Os olhos azuis do príncipe seguiram até o homem que lhe criara.
— Isso é verdade? – Mesmo que tenha hesitado, Jiraya assentiu com a cabeça.
— Você é o príncipe, garoto. – Ele sorriu desgraçadamente, e lá se foram todas as esperanças do pobre rapaz. Ele sentou-se derrotado ao lado de Tsunade, que segurou suas mãos solidariamente.
Ela olhou para os três em pé e, obedecendo a uma ordem silenciosa, eles deixaram o cômodo.
— Naruto... Eu vou contar-lhe tudo.
Ela sorriu quando os olhos dele fitaram os dela.
— Você não se lembra, porque quando o encontramos depois da-... – Os olhos dela piscaram rápido, e ele notou que estavam tentando controlar lágrimas. – Depois da tragédia. – Ela fungou, e coçou o nariz para se controlar. – Estava com a cabeça ferida, e todos se preocuparam...
"Quando você acordou não se lembrava de nada. Seu nome, onde estava... E continua assim até hoje, pelo visto.
Naruto mal conseguia piscar.
— Você... Você se chama Naruto Uzumaki, e... E é o primeiro homem nascido na linhagem real em três gerações. — Sua voz se arrastava, reflexiva — Mito Uzumaki, minha mãe, sua bisa avó e antiga rainha... Depois eu, que abdiquei ao trono para me casar... E... — Ela estreitou os olhos. — E sua mãe. Kushina Uzumaki. Ela... Kushina nasceu para brilhar, entende? Ela tinha luz própria. Ela parecia ter nascido para ser rainha, uma boa rainha... E foi. – Suspirou como se lamentasse o fato. – Seu pai se chamava Minato Namikaze. Ele era um garoto perdido. Todos acreditavam que fosse um órfão de guerra, vindo de um país estrangeiro.
"Jiraya, o seu avô... Ele sempre teve um bom coração; na época era o comandante do exercito. Mesmo que nunca tenha se casado, não se importou com os comentários ao adotar um garotinho desconhecido. – O sorriso no rosto dela foi sincero, mas sofredor. – Minato cresceu e se tornou um grande homem... Corajoso, forte. Depois de salvar a princesa de um bando de sequestradores, se tornou o guerreiro mais amado de todos, e... Minha filha se apaixonou. Ele era um grande homem, então não tínhamos porque nos opor. Mas ele era uma criança estrangeira. Apesar de ter sido adotado por um nobre, algumas pessoas não gostaram da ideia de um menino de origem desconhecida ficasse com o trono.
"Ainda assim... Nós sequer imaginávamos... – Os olhos dela se esvaziaram com a lembrança. – Eles eram ótimos governantes, amados... Nós nunca imaginamos que havia um traidor.
—... Traidor?
Tsunade assentiu afirmativamente.
— Minato e Kushina gostavam de andar pelo reino. Era o seu sexto aniversário, e você seria apresentado ao povo; apenas as pessoas dentro dos muros da Torre do Fogo conheciam seu rosto. Mas... Eles... Vocês sequer chegaram à primeira cidade.
Naruto sempre imaginou que seus pais estivessem mortos. Mesmo assim, aquela era uma confirmação dolorosa. Os gritos daquele sonho tornaram a ecoar por sua mente, e ele sentiu-se agonizado.
— Por favor, madre... Saia.
Ele precisava ficar sozinho. Tsunade não tentou contrariá-lo; levantou-se e saiu do quarto, pedindo antes que ele descansasse, mesmo sabendo que ficaria deitado a noite inteira, talvez chorando, como ela.
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Sakura guardou o último vestido dentro do armário de madeira velha. Mesmo que fosse velha, era muito melhor do que o do convento. Seu quarto também era melhor; muito grande para apenas ela e Shizune ocuparem, e a Haruno estava sinceramente feliz por não ter mais aquelas noviças insuportáveis para dividir.
Ela prendeu os cabelos longos e foi banhar-se na suíte – outro motivo para sua felicidade – e passou a pensar em todas aquelas mudanças.
Tsunade e Sakura haviam saído do convento algumas horas depois do aviso da madre. Elas seguiram para a cidade Imperial e chegaram na manhã seguinte, após uma longa viagem de carruagem. Ela não havia dormido muito, assim como sua mestra, então assim que foi levada ao seu quarto, a princesa Senju falou que descansasse por algumas horas. Mas como ela poderia? Estava estática com toda aquela mudança!
Sak sempre havia sido uma garota sonhadora do campo, então estar na cidade justamente para cuidar da realeza era motivo de comemorar. Ela estava muito perto do sonho de se tornar uma médica como Tsunade Senju, e estava animada com a ideia. Ela suspirou alegremente, encolhida o ofurô de madeira cheio de água quente.
— Eu vou conseguir, mamãe!...
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Hiashi Hyuuga era um dos mais importantes senhores feudais de todo o país do Fogo, e o mais importante na cidade imperial. Era também líder de um dos clãs mais respeitados e tradicionais.
Embora rico e cheio de posses, ele tinha apenas duas filhas mulheres: Hinata e Hanabi; era muito velho e apaixonado por sua esposa, portanto não tinha mais esperanças para um filho herdeiro. Como herdeiro, então, sobrara seu sobrinho.
Neji Hyuuga era jovem, corajoso e inteligente. Tudo o que ele havia pedido a Deus para um filho, havia nascido no sobrinho – que ele, no fim das contas, havia criado como seu.
Como os Hyuuga eram extremamente tradicionais, a ideia de que uma das filhas pudesse suceder Hiashi era inimaginável, portanto, mesmo que fossem ricos, pelo fato de a família não ter nenhum título, foi decidido de que ambas as filhas se casariam para trazer honra ao seu clã.
Hinata, a garota mais velha, era o seu orgulho particular. A moça era inteligente, educada e gentil com todos. Sabia tocar, cozinhar e cantar maravilhosamente, então não foi muito difícil encontrar um bom marido.
Tinha quinze anos quando se tornou noiva de Kiba Inuzuka, o único filho homem de um Conde. Eles de fato eram muito amigos, mas ela não pôde deixar de lamentar – intimamente, é claro – o arranjo entre os pais. Embora soubesse que Kiba sempre fora apaixonado, ela infelizmente não compartilhava deste sentimento.
Mas questionar isso era algo impossível para alguém de sua criação.
Não havia sequer duas semanas que o compromisso havia se formado. O rapaz a visitava todos os dias no intuito de cortejá-la e ela aceitava sempre de maneira tímida e recatada. Tocava piano, cantava para o noivo e mostrava-se feliz – embora estivesse farta – pelos elogios sempre enaltecidos. Claro que, para Hiashi, ele não fazia mais do que sua obrigação. O pai da garota estava completamente satisfeito com aquele noivado, uma vez que idealizara para a filha algo muito melhor.
Hinata sempre foi educada para ser uma rainha, porque ela seria a rainha, se as circunstâncias tivessem sido outras. Veja bem: eles eram ricos, de boa família e donos de muitas terras, além de ter um histórico invejável em guerras. Tinham boas conexões, porque eram parentes distantes do clã Uchiha – um dos fundadores do país – e a menina nascera convenientemente poucos meses após o príncipe herdeiro. Ela teria um futuro incrível, e seria uma rainha maravilhosa, sem duvidas. Isso se a antiga família real não tivesse sido morta tão cruelmente por um bando de traidores que, infelizmente, nunca haviam sido pegos.
Visto que, por seus primeiros seis anos, um futuro brilhante sorria para a filha e foi-lhe arrancado amargamente, o velho senhor Hyuuga não podia dizer-se exatamente satisfeito ao vê-la sorrindo, cheia de cortesias a um noivo que, ele sabia, não tinha a afeição totalmente retribuída.
As reuniões entre as famílias Inuzuka e Hyuuga aconteciam todas as semanas, e enquanto as mulheres conversavam e os jovens noivos cantavam juntos ao piano, os velhos pais se sentavam no sofá da sala de estar para conversar.
— E como andam as coisas na Torre? – Hiashi questionou enquanto bebia do chá servido outrora pela filha caçula. O conde o imitou.
— Eu não saberia dizer, senhor. – Ele assoprou o líquido quente, e o pai de Hinata arqueou as sobrancelhas, confuso.
— Como pode não saber, conde? – O velho homem pigarreou.
— Na realidade, os conselheiros nos convidaram a sair do palácio. – Os olhos perolados – a marca registrada do clã Hyuuga – se estreitaram nas faces de Hiashi. Ele fitava o Inuzuka analiticamente. – Eu poderia saber o porquê? – O conde sabia que estava interrogado, e se sentiu desconfortável.
— Como eu haveria de saber, homem? – Ele riu gravemente. – Sabe que o conselho é muito discreto quando se trata de alguns assuntos. Trágica traição... Quando não se encontra o culpado, todos são culpados.
O senhor feudal concordou.
— Realmente, uma grande perda. – E olhou para a filha. – Hinata era muito próxima do príncipe. – O conde riu, mas ainda estava desconfortável.
— Duvido que tenha sido tão próxima de sua alteza, o príncipe Naruto, de como é com meu menino. – Hiashi não tinha como negar aquilo.
— Afinal eram crianças. – O piano parou de tocar naquele momento.
— Papai, nós temos que ir. – Kiba avisou com tom de lamentos. O pai concordou imediatamente, pois estava cansado do senhor Hyuuga rodeá-lo; levantou-se quase apressado, enquanto o filho despedia-se cordialmente da noiva, beijando-lhe a mão branca enquanto ela sorria com timidez.
— Foi um prazer revê-la, senhorita Hyuuga. – Ele murmurou baixo e sedutor. Ela assentiu em concordância, mas assim que ambos, pai e filho passaram pela soleira da porta, ela respirou aliviada.
— Eu pensei que gostasse dele, minha filha.
Ela enrubesceu ao notar que o seu próprio pai ainda estava no cômodo, e se recompôs imediatamente.
— Se esse casamento não a agrada... – Ela negou com a cabeça.
— Não há problema algum, meu pai.
Na verdade, havia sim. Mas ela sabia que se casaria por arranjos, de qualquer forma, então preferia se casar com um amigo que ela poderia vir a amar posteriormente do que com um desconhecido qualquer.
— Só estou cansada. – Ela mentiu constrangida, mas o pai pareceu engolir a desculpa.
— Venha. – Ele a puxou gentilmente, guiando-a para o sofá. – Querida, você ouviu o que seu futuro sogro falou? – Ela negou com a cabeça, surpresa por Hiashi se interessar em qualquer assunto do conde Inuzuka. – Ele disse que foi convidado a se retirar do palácio... Sabe o que isso significa, não é?
Prosseguiu após a filha negar com um aceno de cabeça:
— Significa que ele está proibido, até segunda ordem, de comparecer. – Ele estava mesmo interessado nisso. Hina podia ter certeza, já que era possível ver as rugas de preocupação na testa sempre implacável. – Hinata, querida, eu creio que seja melhor adiar o seu casamento por um tempo. – Aquilo a surpreendeu. Hiashi sempre se mostrou disposto a casá-la o mais rápido quanto possível.
— Tem certeza, meu pai? – Ele assentiu.
— Isso é muito estranho. Para o Conselho agir assim... Algo está errado. Pode ser que se tenha descoberto quem são os traidores. Os Inuzuka podem estar envolvidos, já que foram tão prontamente excluídos...
— Eu não acho que o senhor Inuzuka tenha algo a ver com a morte de suas majestades. – Hina se apressou em defendê-los, porque mesmo que ela não estivesse apaixonada por Kiba, eles eram amigos.
O pai concordou – pois concordava com tudo o que a filha dizia.
— Talvez você esteja certa. Ainda assim... Quero que se mostre um pouco duvidosa sobre o noivado. – Ela sabia que magoaria Kiba, mas concordou. – Não se preocupe, querida. – O pai lhe sorriu. – Eu vou investigar isso. – E alisou o rosto porcelana adorado. – Minha princesa só se casará com alguém digno de merecê-la.
Ainda que Hinata soubesse que aquela frase não estava relacionada a rapazes pobres, caso ela se apaixonasse por um, ela sorriu.
~
Todos sorriam, e eu estava feliz. A mulher de cabelos de fogo acariciava meu rosto, e eu estava nos braços do homem de cabelos dourados.
Ainda que eu não pudesse enxergar os seus rostos, eu sabia quem eles eram.
Meu pai e minha mãe.
Papai me carregava em direção à carruagem, e eu estava animado para o futuro acontecimento, pois logo eu seria conhecido. – Mamãe, nós vamos demorar a chegar? – Perguntei ansioso, e a mulher riu.
O riso dela era reconfortante.
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Naruto abriu os olhos lentamente, com uma estranha tranquilidade pairando por todo o corpo. Ele ainda estava deitado, e sentia o travesseiro úmido; ele não sabia se por saliva, ou por lágrimas.
Alguém bateu na porta e por um instante, ele pensou em mandá-lo embora. Ao invés disso, disse: “Entre”, e Jiraya, ao lado do jovem que o socara outrora entrou em seus aposentos.
Naruto se levantou, e ambos se curvaram. Aquilo foi incômodo. – Por favor, não façam isso. – Ele suspirou, ajeitando os cabelos com o braço bom.
— Eu pensei que você gostaria de conhecê-lo. – O avô sorriu; estava visivelmente tentando animá-lo. – Esse é Itachi Uchiha. – Mais uma vez, o rapaz se curvou.
— É um prazer conhecê-lo, vossa alteza.
Naruto estava pronto para mandá-lo se ajeitar, quando Jiraya prosseguiu.
— Ele é o mais jovem capitão da história do país, e será o seu guarda costas pessoal. – Mas antes que o Uzumaki pudesse tentar negar, Itachi continuou.
— Estou aqui para servi-lo, vossa alteza. Por favor, não se acanhe por nada nesse mundo. Eu darei minha vida pelo senhor. – Jiraya sorriu, e deu duas palmadas leves no ombro do moreno, que não deixou de se curvar.
— Ele é genial, educado e muito confiável, pelo menos segundo os conselheiros. – E apertou os ombros do Uchiha. – Ainda assim, eu ficarei de olho. – Murmurou num tom que apenas Itachi pudesse ouvir. O rapaz, ainda sério, concordou.
— Por favor, não se curve!
Naruto praticamente gritou, e Itachi retornou a antiga posição.
— Eu realmente não preciso de um guarda.
Erguendo as sobrancelhas negras, os olhos de ônix encararam o braço enfaixado sugestivamente, fazendo o príncipe se constranger.
— Não se preocupe, meu senhor. Eu não serei uma babá, apenas um guarda-costas. – Esclareceu com um sorriso tranquilizador, mas o Uzumaki estava perdido demais para ficar calmo com qualquer coisa. No fim, sabendo que só perderia tempo insistindo no oposto, acabou por concordar.
— Como vocês quiserem. – Ele murmurou voltando para a cama.
— Mais tarde apresentaremos seus tutores.
— Apenas vá embora, eu quero dormir. – O loiro reclamou. Itachi se curvou uma última vez, e retirou-se. Um sorriso nasceu no rosto de Jiraya.
— A médica que o acompanhará está lá fora. – Ele estreitou as sobrancelhas.
— Não é a Shizune? – Perguntou, mas logo deu os ombros. – Pouco importa, eu só quero dormir.
— Mas ela precisa trocar suas bandagens.
Ele só insistiu porque sabia que a surpresa o agradaria. Por fim, assim como havia imaginado, Naruto concordou.
O velho guerreiro curvou-se em despedida, e se retirou com um sorriso secreto. A enfermeira foi mandada entrar pouco tempo depois.
Sakura estava vestindo um vestido branco com espartilho de pano preto cobertos por um avental cinzento. Ela trazia consigo um baú pequeno para bandagens e limpezas. Estava atônita desde que a avisaram de que cuidaria de ninguém mais ninguém menos que o príncipe! Só aquela ideia a apavorava, mas ela não podia se descuidar.
— Meu senhor. – Sua voz saiu um pouco trêmula, e ela curvou-se. O rapaz, escondido por cortinas finas, sentou-se, confuso por achar aquela voz – mas não o tom de voz – familiar.
— Eu trocarei suas bandagens, vossa alteza. – Ela murmurou respeitosamente.
— Fique a vontade.
Então ela se aproximou, e quase tropeçou ao ver que, sentado naquela cama, Naruto a observava com os olhos arregalados.
— Sakura?! – Ele praticamente gritou.
— Naruto!
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