Notas iniciais
Olá, pessoas! Cá estou eu, novamente, postando mais um capítulo para vocês neste domingo. Essa semana eu devo fazer o post mais cedo, pois vou viajar na sexta (dia 24) para o aniversário de dezenove anos do meu honey-honey! :D Antes de introduzir o capítulo, gostaria de falar da minha nova fanfic (que será um trabalho secundário, postado de duas em duas semanas no máximo): 50 tons de Uchiha [http://fanfiction.com.br/historia/367822/50_Tons_De_Uchiha/]! Por favor, não se preocupem com masoquismo barato, porque eu não sou disso. Na realidade, a fanfic foi idealizada para expressar todas as minhas frustrações com os protagonistas da obra de E. L. James! Eu estou tendo uma incrível facilidade em escrever The King. Tanta, que me surpreende, na verdade. Estou gostando muito de escrever, e espero que vocês estejam igualmente satisfeitos com meu trabalho. Enfim, aí está! Espero que gostem! sz

Capítulo 03 – Familiar.

Naruto nunca tinha visto Sakura tão bem vestida. As roupas eram simples, mas em comparação ao sem graça uniforme do convento, era incrivelmente sofisticado.

Não que ela tivesse curvas lá muito sedutoras, mas aquele vestido branco contrastando com o espartilho de cintura negro justo deixava-a linda aos olhos do príncipe – não que ela não fosse antes.

Eles ficaram em silêncio por um segundo, após se reconhecerem. E depois, mesmo com a cabeça confusa, ela se constrangeu. Pegou a maleta de curativos que havia deixado cair e se curvou timidamente. – P- Perdoe-me, vossa alteza! É que eu... – Em resposta, sentiu o calor doce do corpo do Uzumaki, que a havia abraçado firmemente, visivelmente necessitado de contato amigo.

Ela não conseguiu afastá-lo, pois aquela atitude também havia acalmado seu constrangimento. – Sakura...! – Ele exclamou, apertando-a saudosamente. – Sakura! – E inspirou o perfume dos cabelos róseos.

O rosto da médica corou um pouco, e ela pousou a mão no peito cuidadosamente, para que disfarçadamente pudesse afastá-lo. Sorriu um pouco constrangida e se curvou novamente. – Não faça isso! – Aquilo pareceu uma ordem, então ela se ergueu. -... Vamos! Você pode perguntar! – Naruto instigou depois de um tempo de silêncio.

– O que está fazendo aqui? – Ela não conseguiu resistir. – Ainda mais como um... Um príncipe! – Os olhos dele pareciam infelizes demais para alguém que havia acabado de descobrir ser herdeiro de um trono importante. O loiro deu os ombros, e se sentou como se estivesse cansado. Foi quando Sak notou a grande bandagem em um dos braços do Uzumaki. – E o que foi isso?! – Ela praticamente o sentou, e começou a desfazer os curativos. – E- Então é verdade... Você... Foi acertado por uma flecha! – Ela podia identificar pela aparência da ferida. O príncipe assentiu.

– Eu sei lá o que está acontecendo, mas... Eles acham que eu sou o príncipe herdeiro. Pode pensar em coisa mais absurda? – Ela não respondeu, porque não estava realmente prestando atenção. Estava mais ocupada desfazendo e limpando o ferimento profundo. – Ei! Preste atenção! – O rosto dela corou um pouco.

– P-Perdão...

– Se você falar “vossa alteza” mais uma vez, eu te demito! – O rosto dela empalideceu, mas quando ergueu os olhos verdes para fitá-lo, o Uzumaki estava sorrindo. – Eu fico feliz por ter vindo. – Murmurou sinceramente, e ela assentiu.

– Eu também... – Respondeu francamente, e retornou ao trabalho que lhe fora estipulado.

~

Quando Hinata tocava, o mundo a sua volta sumia completamente. Era assim que ela se sentia: livre, leve e solta. Realmente amava deslizar os dedos de um lado para o outro nas teclas do piano, pois era como se o som lhe fizesse companhia e, sinceramente, companhia era uma coisa que ela precisava ultimamente.

A filha de Hiashi sempre fora uma garota tímida. Quando menina era constantemente mal tratada por todos da sua idade na cidade imperial. Ela lembrava-se bem das maldades dos garotos gordinhos, que zombavam de sua família por não ter um título digno de seu dinheiro.

Claro que depois que o noivado com o príncipe foi proposto, tudo terminou. Hina se lembrava daquele garotinho sapeca que era o futuro herdeiro. Sempre era alegre, agitado e corajoso. Muito corajoso! Totalmente oposto a ela. Eles quase nunca se viam, mas lembrava-se que sempre se sentia nervosa quando estava prestes a acontecer.

Quando menina, ela gostava de ser tida como princesa por todos, e chorou muito quando seu prometido foi dado como morto. Ainda hoje, uma mulher, emocionava-se ao lembrar-se de como a família real havia partido.

Sentindo um toque em seu ombro, ela despertou de seus pensamentos. – Mamãe! – Exclamou surpresa e constrangida. A velha senhora Hyuuga parecia muito preocupada.

– Algum problema, querida? – O rosto da mais jovem corou, mas ela negou. – É que você estava sentada, sem tocar nada... Parecia pensativa, então... – Hina negou preocupação com qualquer assunto, mas a mulher não se convenceu. – É pelo noivado? Minha filha, eu sei que não é tão apaixonada por Kiba Inuzuka. Não fique tão apreensiva.

– Eu não estou. – Ela sorriu sem graça. – Mas ele deve estar constrangido com a situação. Eu não poderia ir até lá? Papai não deixou que eu dissesse com minhas próprias palavras. – Os olhos perolados da mãe se arregalaram aterrorizados.

– Mas que pergunta! Ir lá fora! – Ela estava realmente estupefata. – Sabe bem que tipo de pessoas há lá fora, Hinata! Se for lá, só Deus sabe o que acontecerá! Consigo imaginá-la sequestrada por aqueles monstros mortos de fome! – O rosto da menina enrubesceu, e as sobrancelhas escuras se estreitaram.

– Eles não são monstros, mamãe. – Murmurou, irritada com a situação. Embora Hina amasse muito sua mãe, considerava-a uma grande ignorante à dor dos outros. Mesmo assim, conseguia entender o ponto de vista da senhora Hyuuga.

De fato, desde que os Uzumaki haviam se extinguido, e os Conselheiros tomaram conta do país, as coisas estavam indo de mal a pior. Os moradores estavam famintos e cansados. Pais, mães e filhos trabalhavam dia e noite por um pão que teriam que dividir com a família inteira. A situação era tão crítica que ela sentia-se mal por ser tão rica, por ter tanto dinheiro, quando crianças não podiam sequer beber um copo de leite. – Por favor, mamãe. Não tema. Neji vai me acompanhar.

– Neji? Oh, se Neji for ao seu lado, querida, nada terei a temer. – O sorriso da senhora Suzuki foi belo e gentil. – Apenas use seu vestido mais simples, assim eles não vão incomodá-la. – Suspirando, a filha concordou.

Levantou-se do piano e depois de uma reverência educada, seguiu para seu quarto.

~

Naruto estava mais sorridente do que nunca, nos últimos dias. Ele tinha conhecido seus professores de etiqueta, história e política. Ele odiava todas elas.

Sakura também estava feliz por cuidar de alguém que gostava tanto. Para ela, Naruto continuava o mesmo bom rapaz, alegre, sorridente e teimoso. – Vamos fugir! – Ele insistiu não alguns dias após sua chegada.

– Fugir?! – Sak se apavorou apenas com a ideia, e Naruto riu da cara dela.

– Não fugir, fugir. Vamos fugir por agora. Você não veio ver as estrelas no meu aniversário. – Os olhos dele brilhavam tanto que ela não teve coragem de dizer que, mesmo se eles tivessem continuado no campo, ela não iria. – Então vamos! Eu não conheço esse lugar, e não quero conhecer de cima de uma carruagem. O que acha?

– Fugir da torre...? Eu não acho que Itachi-san... – Naruto bufou.

– Consigo me livrar do Itachi. – Ela duvidava um pouco disso. – Vamos, Sak! No fim da tarde! Ele estará ocupado com o velho safado! – A rosada nunca havia se acostumado com o jeito de ele falar do avô. No fim das contas, ela concordou. Afinal, quem negaria um pedido de um príncipe tão necessitado de liberdade?

Quando o sino da torre badalou cinco horas da tarde, Sak estava terminando seu tour pela Torre do Fogo. Retornava aos seus aposentos quando uma assustadora imagem de preto a abordou, puxando-a pela cintura e tapando sua boca.

Assustada, em resposta ela deu um pisão violento no pé do dito cujo, e Naruto, após soltá-la, praguejou baixinho para que eles não pudessem ser ouvidos. – A- Alte-! – Antes que ela pudesse terminar, ele lhe tapou os lábios. Colocou o indicador sobre os próprios lábios e com um olhar de censura, pediu silêncio. Ela se constrangeu por aquela situação, mas concordou ao lembrar-se do pedido dele há algumas horas.

Naruto estendeu-lhe uma capa e ela se perguntou se os guardas não os considerariam suspeitos. Quando expressou aquela duvida, entretanto, ele apenas respondeu com um: “Não se preocupe, eu conheço um jeito”.

O jeito era uma passagem secreta que ela nunca, em nenhum mundo, desconfiaria que pudesse ter, atrás de um grande quadro. A Haruno pensou em perguntar como ele sabia daquilo, mas ao se lembrar das instruções de Tsunade, calou-se. “Não o pressione para qualquer informação”, foi o que a mestra havia mandado, e ela era realmente uma discípula obediente – obediente até demais, na opinião de Naruto.

A passagem secreta deu num beco estranho, cheio de comerciantes assustadores, de rostos sujos e cicatrizes mal remendadas. Pela expressão do príncipe, ele também estava confuso. Ele se lembrava de que, quando pequeno, ao testar aquela saída com algum coleguinha, encontrara uma fileira de pessoas felizes que vendiam coisas bonitas de ouro e brinquedos simples, mas divertidos. Então, chocou-se ao encontrar aqueles mendigos amontoados um no outro, murmurando esmolas para as pessoas que passavam a pé. – Vamos. – Ele pediu quase desesperado para sair dali.

Crianças gritavam, choravam. Alguns se atiravam na saia de Sakura, que inconscientemente escondeu-se nas costas de Naruto, mas o príncipe estava distraído demais para prestar atenção naquilo.

Não... Aquele lugar não era Konoha.

Aquela não era a cidade imperial, aquilo era impossível.

Ele ainda podia ouvir os gritos dos vendedores “Cataventos”, disseram eles anos atrás. “Um pão!” exclamavam agora. Os ecos se misturavam como tortura em sua mente; ele começou a hiperventilar. – Ei! Você está bem? – A Haruno questionou, realmente preocupada. Ele sequer ouviu, pois estava ocupado, vendo um bando de moleques cercando uma carruagem de madeira preta.

Um deles parecia armado com algo brilhante. – Sakura, fique aqui. – Ele sequer esperou a resposta, e correu naquela direção.

Sak, por sua vez, embora estivesse muito assustada, não pôde desviar os olhos de um pequeno ladrãozinho, que após roubar algumas maçãs, correu velozmente, sendo seguido por uma corja de vendedores com o triplo de seu tamanho. – Espere! – Ela exclamou antes de correr naquela direção.

~

Hinata, assim como a mãe havia instruído, vestiu-se com a pior e mais simples roupa que havia no armário. Entretanto, não conseguiu encontrar o primo em lugar algum. Depois de procurar e procurar descobriu que o mais velho havia saído para outra cidade, a fim de renegociar com alguns dos trabalhadores. Ela torcia muito para que o primo – que em sua visão, era realmente bondoso – conseguisse arranjar um jeito de alimentá-los de maneira melhor.

Como já havia mandado uma carta para o filho do conde por uma empregada, e este a havia respondido prontamente, a jovem decidiu que era impossível voltar atrás. Ela iria de qualquer maneira, afinal, precisava explicar toda aquela decisão cuidadosamente, pois o Conde poderia considerar seu pai um impertinente, já que ele estava visivelmente disposto a entregar seu título à família Hyuuga em troca de um simples casamento, que neste momento, estava sendo temporariamente cancelado.

Ela tinha como dever cuidar do nome Hyuuga em primeiro lugar, então queria, mais do que qualquer coisa no mundo – figurativamente falando, é claro, pois o que ela mais queria no mundo é que as coisas voltassem ao normal, como quando eram quando Minato e Kushina estavam vivos – era explicar-se. Mentir, dizendo que ela, não o pai, era a culpada, pois estava em duvida com seus sentimentos.

Aquilo poderia magoar Kiba, mas salvaria o nome do pai, e o risco de transparecer sua prepotência.

Assim, após deixar um recado com a empregada, que foi instruída a só avisar depois que ela saísse, Hina pegou sua capa lilás simples, que fora bordada por sua falecida ama de leite, e retirou-se da residência Hyuuga.

O caminho de lá, para a casa em que o conde mantinha residência era um pouco incômodo. Não longo, mas incômodo. Ela teria que passar por fazendas com trabalhadores frustrados, por um beco cheio de mendigos e uma fonte que era como o ponto dos ladrões, mas ela estava preparada. Levava uma cesta – que sempre levava quando saia de casa – cheia de frutas deliciosas e pães recém assados para as crianças que sempre a abordavam.

~

Sakura alcançou o menino depois de muito esforço. Ele já estava cercado pelos mercadores. Estava dentro de uma fonte que um dia devia ter sido bonita, protegendo as frutas como se sua vida dependesse disso. E, analisando o rostinho magro e desidratado, Sak não duvidava que dependesse. – Devolva isso garoto! – O gordo dono da banca de maçãs avançou sobre ele, e a estudante instintivamente o segurou pelas vestes.

Quando ele se virou, furioso, ela imaginou que talvez não tivesse sido uma boa ideia. Mas agora era tarde demais. – O deixe em paz! – A rosada exclamou decidida, sem medo aparente.

– Em paz?! Esse pestinha roubou minhas maçãs! É ele quem deveria deixar-me em paz! – Gritou o gorducho. – Já é a terceira vez, mas agora você está cercado, fedelho! – Afirmou, apontando o dedo acusador em direção à criança, que não recuou.

– Não vê que ele está faminto?! – Sak ponderou. – Duas, três maçãs! Que falta lhe faz?! É a vida de uma criança! – O mercador a olhou de canto, desconfiado e irritado.

– Que falta me faz?! Em que mundo vive, senhorita?! – Ele se virou em direção a ela. – Eu tenho cinco filhos para sustentar! Se alguma criança precisa morrer de fome, que seja ele! Ladrãozinho impertinente! – A resposta de Sak foi um tapa violento no rosto sujo.

O mercador não gostou daquilo, nem ele nem os outros, e todos começaram a cercá-la, para a sorte do menininho, que mesmo que tivesse hesitado um pouco, acabou por fugir.

Claro que Sakura não esperava que aquele menino pulasse em cima de todos como um ninja e a defendesse com sua própria vida, mas aquilo magoou um pouco. A mágoa, entretanto, não era o sentimento predominante, já que uma corja de homens gordos e sujos estava se colocando à sua volta. – A menininha deve ser rica. – Um deles falou com um sorriso estranho. – Pode dar um bom dinheiro.

– E- Eu sou órfã! – Ela exclamou. – Ninguém vai pagar por mim. – Talvez Naruto pagasse, mas ela preferiu blefar.

– Bem, ela é bonitinha. E órfã? Eu aposto que os viajantes pagariam bem por ela. – O rosto da Haruno empalideceu, e os olhos verdes se arregalaram. Um dos homens mordeu os beiços, parecia ter gostado da ideia.

– Eu seria o primeiro a pagar. – Ele murmurou baixo. Parecia estar imaginando algo repugnante.

– Não! – O mercador que havia discutido exclamou. – Pela cara dela, deve ser virgem. – E riu. – Os senhores feudais devem pagar muito, então nós ficaremos pra depois. – E a segurou pelos braços.

– Não! – Ela exclamou, tentando de todas as formas se esquivar. – Não! Soltem-me! – Ela exclamava assustava, segurando-se para não chorar. – Naruto! – Gritou, mas pareceu ser em vão. – Naruto! Socorro! – Gritou mais uma vez, e nada. Só então ela percebeu que estava muito longe de onde ele a tinha mandado ficar.

Um dos gordos, o que havia sugerido a ideia, a jogou sobre os ombros. E mesmo que ela se debatesse e batesse nas costas grandes e pelancudas, não conseguia ter muito efeito. E então o homem parou de andar. Ela continuou gritando, quase sem perceber, exclamando ajuda e chamando incansavelmente o nome do melhor amigo. – Eu creio que a moça pediu para soltá-la. – Uma voz estranhamente familiar soou, mas ela não conseguia ver o dono, graças às costas grandes e gordas daquele velho.

– Por favor! – Ela pediu mesmo sem vê-lo. O gordo velho, que pareceu apavorado, soltou-a imediatamente.

Seu salvador a puxou gentilmente pelo pulso, escondendo-a em suas costas, e peitou o homem que deveria ter o dobro de seu tamanho. Sak estava tão estática que não prestou atenção no rosto dele, mas aqueles cabelos negros... Onde os tinha visto? – Eu poderia saber o que aconteceu aqui? – O mercador que a tinha carregado ficou constrangido. Ele recuou um pouco, os olhos baixos.

– Desculpe, senhor. Um garoto roubou Ichiro e nós ficamos furiosos quando essa senhorita nos atrapalhou.

– Os ladrões são assunto da força policial, senhor. Eu não me lembro da justiça às mãos nuas ter sido aprovada pelo conselho, quando os moradores sugeriram. – O homem ficou cabisbaixo.

– Desculpe, senhor. Mas nós avisamos ao seu irmão e ele não pareceu se importar. – O murmúrio pareceu uma queixa, e aquilo irritou o jovem rapaz, que sacou a katana e apontou para o pescoço empapado.

– O senhor está reclamando do meu irmão? – A voz dele era ameaçadora, e inconscientemente, Sak segurou seu antebraço.

Lentamente, o rosto pálido se virou, e os olhos de ônix, confusos e surpresos, fitaram os verdes assustados, que se arregalaram ainda mais ao reconhecê-lo. – Não se preocupe, senhorita. Eu não vou machucar ninguém. – Ainda assim, ela não conseguiu soltar o braço dele. Não porque não confiava, mas porque estava chocada. Ele entendeu errado, e baixou a arma. Tornou a olhar para o mercador, dando tempo para Sakura respirar mais uma vez. – Se encontrar com o garoto, pegue-o, mas não o machuque. Quero que leve até mim, entendeu? Até mim. Meu irmão tem coisas mais importantes a se preocupar. – O mercador concordou.

– Obrigado, Sasuke. – Curvou-se respeitosamente para o rapaz, que se virou para se retirar, dando um olhar sugestivo para que a Haruno o seguisse.

Claro que ela o faria de qualquer maneira. Teve que apressar os passos para alcançá-lo, e estava realmente desconsertada. – Você estava chamando por “Naruto”?

~

Hinata gostava muito de caminhar, e como nunca havia sido assaltada, sequestrada, maltratada, ou qualquer coisa parecida, não tinha medo. Assim como ela havia imaginado, foi só cruzar o beco que uma multidão de crianças a cercou, exclamando seu nome e sorrindo ao reconhecê-la.

Hinata gostou daquilo. Ser reconhecida. – Como vão, crianças? – Ela se agachou para olhá-los; eram cinco ao todo, num misto de três meninos e duas meninas.

– Famintas! Você nos trouxe o que prometeu? – A Hyuuga assentiu, e tirou da cesta um pedaço médio de queijo, que foi entregue ao garotinho maior.

– É para dividir, ouviu? – Ela avisou, sorrindo ao ver as carinhas tão alegres. Eles dividiram o queijo dito e quase imediatamente, cada um engoliu seu pedaço. – Eu também trouxe alguns pães, vocês podem levar para casa e dividir com suas famílias. – Ela estava descobrindo a cesta quando um bando de adolescentes começou a correr em sua direção. As crianças se dispersaram, pois sabiam que aquela gangue era confusão, mas Hinata, confusa e sem saber o que fazer, acabou sendo abordada.

– Passa a cesta, passa a cesta! – Um dos rapazinhos exclamou. Ela obedeceu, e o maior deles puxou seus pulsos para trás violentamente e apontaram-lhe um estilete mal feito.

– Sai! – Disse para o homem loiro que vinha correndo atrás deles. Naruto cerrou os punhos. – Se não sair, eu corto o pescoço dela! – A ameaça o fez recuar.

– Espere. – Ele pediu cuidadoso, e o moleque riu. Hinata estava paralisada. – Ei! A moça não fez nada... Eu que vim atrás de vocês, lembra?

– Salvadores como você só se importam com esse tipinho de gente! Só com pessoas ricas! – Ele apertou o gilete contra o pescoço de Hinata, que choramingou e se encolheu.

– Pare! – Naruto ordenou, e o menino obedeceu antes de fazer algo pior. – Se você parar, eu te dou isso. – Ele puxou do cinto um saco pesado e ao chacoalhá-lo, o titilar das moedas foi ouvido. Por sorte, os meninos pareciam muito interessados no dinheiro. Um deles foi até Naruto para pegar as economias que ele demorou meses para juntar (na esperança de comprar algo bonito para Sakura) e o outro enfim soltou a Hyuuga. Com a cesta e o dinheiro, eles correram velozmente, e Hinata, com os joelhos tremendo, caiu sentada. – Você está bem?! – O loiro se aproximou com um olhar preocupado. Os olhos perolados estavam arregalados chorosos, e o pescoço pálido sangrava um pouco.

O Uzumaki rasgou a túnica para entregar um pano em que ela se limpou. – Você consegue se levantar? – Ela não respondeu, então ele, segurando no antebraço trêmulo, a ergueu. O rosto de Hina enrubesceu quando ele a segurou pela cintura, e ao encará-lo assustada, seus olhos se petrificaram diante aquelas duas safiras azuis preocupadas.

Naruto também estranhou. Sentia que já tinha visto aquelas duas pérolas em algum lugar, há muito tempo... As sobrancelhas loiras se estreitaram. – Por acaso, nós nos conhecemos...? – Antes que Hina pudesse responder, Kiba surgiu.

– Hinata! – Ele gritou apavorado, e correu na direção da amada. Puxou-a possessivamente, e checou cada milímetro a mostra de seu corpo. – Hinata! Você está bem?! Quem fez isso com você?! Está sangrando muito! Temos que levá-la a um médico! – Tudo foi dito com tanta rapidez que deixou a pobre garota zonza.

– Eu estou bem... – Ela imaginou que aquela sentença seria o suficiente, e depois tornou a fitar aquele desconhecido tão familiar.

– Você a salvou! – Kiba reverenciou-o. – Senhor, eu devo-lhe tudo. Sou mais que grato, pois acaba de salvar a razão do meu viver! – A afirmação a constrangeu. – E logo depois de me ajudar, tão gentilmente, a espantar aqueles moleques de minha carruagem... – Ele tornou a olhar para noiva (ou ex- noiva, na realidade, no momento, ela estava confusa até com sua situação civil). – Eu mandei um recado. Estava indo para sua casa com minha irmã, então não era necessário que viesse. – Lentamente, a morena assentiu.

– O recado não chegou... – Ela ainda não conseguia tirar os olhos de Naruto, mas o loiro não pareceu notar, já que estava sorrindo aliviado para o Inuzuka.

– Não se preocupe com isso. Eu me esforcei muito para conseguir aquele dinheiro, mas tenho certeza que a vida de uma moça é muito mais importante. – E sorriu para a jovem, que enrubesceu. Aquele sorriso... Onde o tinha visto?

– Eu posso pagar de volta. – Kiba já estava tirando o saco de moedas do bolso, mas o loiro vetou a ação.

– Por favor, estaria me ofendendo. – E depois de reverenciar ambos, e desejar as mais sinceras melhoras para a senhorita, retirou-se, pois precisava, mais do que nunca, falar com os conselheiros.

– Vamos para casa. – O Inuzuka falou gentilmente, como se ela precisasse de cuidado para ser guiada. Hinata só pôde despertar quando as crianças que sempre alimentava se aproximaram da carruagem (não muito) e acenaram com rostinhos tristes e preocupados. Então, para acalmá-los, ela sorriu com gentileza.

~

Sakura ainda estava chocada. Como... Como o destino poderia ser tão brincalhão com seus sentimentos?!

Ela estava realmente focada em seu sonho profissional, e do nada, o único homem que ela pensou que gostaria de se casar algum dia reaparece. Uma piada! Uma piada de muito mau gosto, na opinião dela!

Ele estava mais bonito... Mais alto, mais forte do que ela lembrava. Mas era óbvio, já que um ano havia se passado e agora ele não estava doente.

– Sasuke – Sasuke Uchiha era o seu nome; ele havia se apresentado enquanto a puxava para a entrada da passagem secreta – estava em pé, de braços cruzados, esperando impacientemente. Não parecia se lembrar dela, mas ela não teve coragem de perguntar para confirmar. – Você conhece o Naruto...? Digo, o príncipe. – O olhar dele foi de censura.

– Não fale isso em publico. – Murmurou com a voz grave e séria, e a bronca a constrangeu. Sasuke suspirou. – Sim, eu o conheço. – Respondeu com simplicidade, e tornou a vigiar. A garota estava sentada, encolhida para se recompor do choque. O Uchiha havia providenciado com alguma senhora gentil um pouco de água para que ela se acalmasse. – Por isso tenho certeza de que ele vai saber voltar.

Aquilo era estranho. Ela estava muito confusa, mas antes de perguntar, viu a figura encapuzada se aproximar do local. Ela levantou-se de súbito. – É ele! – Avisou baixo, e o moreno sorriu animadamente.

Naruto estava cabisbaixo, tentando se lembrar... Mas nada. Quando ergueu os olhos e viu Sak olhando preocupada em sua direção, esqueceu-se de tudo, e sorriu. Estava se aproximando, sem enxergar o Uchiha quando sentiu o súbito soco no estômago. – Sasuke-kun! – Ela exclamou, e tudo se apagou.

~

Hinata passou todo o caminho de volta olhando para o tecido negro da túnica que seu herói havia lhe entregado. O sangue já havia sido estancado, mas o terror ainda estava presente em cada músculo da garota, mesmo com Kiba ao seu lado, segurando seu pulso firmemente para tranquilizá-la.

Não demorou muito até alcançarem a residência, e a senhora Hyuuga desatou a chorar ao ver a filha naquele estado. Sem se importar com o Inuzuka – pois ele, de alguma maneira, já fazia parte da família – ela puxou a filha pelo braço e entrou no escritório de Hiashi sem pedir permissão. – Veja isso, Hiashi! – Ela exclamou desesperada. Hina enrubesceu ao notar a presença do senhor Fugaku Uchiha sentado na mesa. Ele cumprimentou a garota com um aceno educado, que foi retribuído. – Veja, querido! O que moleques fizeram à nossa menina! Não! Não vamos aumentar comida alguma! Monstros como estes devem morrer de fome!

– Mamãe! – Hina censurou com a voz alta, mas Suzuki parecia decidida.

– Eu não quero saber! Diga quem foi, Hinata. Diga, para que seu pai os mate! Se não fizer, todos morrerão de fome! – Mas Hiashi não parecia estar ouvindo.

O homem estava petrificado com a notícia que acabara de receber do primo distante. – Senhora... – Ele murmurou para a esposa, erguendo os olhos de pérola lentamente. – O herdeiro está vivo.

~

Duas luas.

Duas grandes luas brilhantes estavam chorando enquanto me olhavam timidamente. – Não se aproximem dela! – Eu exclamei.

Não iria deixar ninguém machucar minha lua.

E ela sorriu por ser defendida.

Os olhos de Naruto se abriram lentamente, e ele se surpreendeu consigo mesmo. Era a primeira vez, desde que chegara àquele lugar, que não sonhava com os pais.

Levantou o tronco lentamente, e viu o avô, Itachi e outro que ele não conhecia ao lado do segundo. – Senhor. – Seu guarda estava com os lábios cerrados. – Peço humildemente que me escute, e não saia para fora. – O de cabelos longos se curvou, e o rapaz ao seu lado pareceu incomodado com aquilo.

Naruto não estava entendendo, até se lembrar, quando viu Sak ao seu lado, trocando as bandagens do braço. Jiraya aproximou-se, furioso. Empurrou Sakura sem pedir licença e apertou o ferimento do neto de consideração.

O grito do príncipe foi estridente, e ele empurrou o mais velho com um soco que foi prontamente defendido. – O que você acha que é isso, Naruto?! – Ele exclamou. Naruto estava se encolhendo, amargando a dor. – Não é um parque de diversões! Não é como antes, quando você saia escondido todos os dias com seus coleguinhas, quando você sempre trazia um bolinho doce de uma aventura ou um colar de ouro para a mamãe de outra! – E puxou o braço (sem tocar no ferimento, desta vez) e exibiu o sangue nas bandagens. – Isso é a vida real! É o que acontece com um povo sem lei! Você será a lei, garoto! Por tanto, tenha responsabilidades.

– Como eu ia saber de algo assim?! – O Uzumaki gritou em resposta, e o avô estava a ponto de machucá-lo novamente, quando sentiu a pontiaguda lança de prata roçar em suas costas.

– Por favor, senhor, afaste-se do príncipe. – Itachi murmurou cautelosamente, e Jiraya sorriu. Obedeceu, levantando-se e deu lugar a até então desesperada Sakura, que procurou medicamentos analgésicos na bolsa apressadamente. A preocupação da moça tomou a atenção de Sasuke por um segundo, mas não por muito tempo. Afinal, o irmão mais velho estava ameaçando um dos mais incríveis líderes de exército.

– Muito bom, Uchiha. Mas ainda estou de olho em você. – O sorriso de Jiraya era desafiador, e Sasuke sabia que o irmão se sentia orgulhoso de si mesmo por isso.

Itachi guardou a arma e tornou a posição de antes, ao lado do Uchiha mais jovem.

Os três esperaram até que Sakura assentisse, afirmando que a dor deveria ter passado, segundo o tempo ideal para os medicamentos. – Nós temos que apresentá-los, Naruto. – O avô falou calmamente, como se nada tivesse acontecido.

Aquela mudança de temperamento já estava tirando o Uzumaki do sério. Mas como ainda sentia-se incomodado, ele não disse nada. – Esse é Sasuke Uchiha, meu irmão mais jovem. – Itachi apresentou. Naruto arqueou as sobrancelhas, e fez questão de se sentar ao ouvir aquele nome. Sasuke sorriu, e reverenciou-o. – Ele acaba de voltar de uma vila distante e será seu tutor em esgrima e katana. Terão aulas todos os dias, com alguns horários que serão estipulados por seus outros professores. – O coração de Sakura disparou imediatamente. Então... Ela poderia vê-lo sempre?! O rosto dela ergueu-se timidamente para fitar o rosto lindo do homem que se apaixonara quase a primeira vista, e ela não conseguiu evitar imaginando-se cuidando mais uma vez de suas feridas, desta vez com ele acordado.

–... Sasuke...? – Naruto lembrava-se daquele nome. Lembrava-se, também, daquele rosto pirracento e desafiador. Sasuke sorriu, ainda curvado.

– Eu farei de tudo para capacitá-lo, vossa alteza. – Ele disse educadamente, mas Naruto não pôde saber se era ou não uma educação verdadeira.

Afinal, ele era o amigo com que ele andara na passagem secreta, muitos e muitos anos atrás.

Notas finais
Mais uma vez os convido para minha nova fanfic: 50 tons de Uchiha [http://fanfiction.com.br/historia/367822/50_Tons_De_Uchiha/]. Eu acho que vai ser uma história engraçada, mas sei que não vou conseguir concluí-la sem leitores. XD Finalmente Hinata e Naruto se encontram! (Se reencontram, na verdade) Acho que foi de uma maneira satisfatória, e espero que vocês pensem o mesmo. E foram muitos salvamentos, não acham? Os cavalheiros da minha fic são mesmo cavalheiros! Salvando moças e tudo mais! sz O encontro da Sakura e do Sasuke, na realidade, já tinha sido escrito há muito tempo, em uma fanfic que escrevi em caderno do governo que agora deve estar sumido. O fato é que eu gostei tanto da cena que não pude me esquecer, e julguei ser a maneira perfeita da nossa enfermeira não tão querida pelos leitores voltar a ver o seu primeiro amor. Já o encontro do Naruto e da Hinata... Foi uma coisa espontânea, não exatamente planejada, mas saiu de uma maneira que eu, particularmente, gostei muito de escrever (e ler, diga-se de passagem). Eu espero que essa fanfic esteja sendo tão interessante à vocês quanto Que Chegue Até Você pareceu ser (ainda estou meio triste por terminá-la. ;-;), e espero que cumpra a lacuna que (eu espero) a última fic tenha deixado em seus corações! Obrigada pelos vários comentários deixados! vocês são sempre tão adoráveis...! sz Uma pena que não tive tempo de respondê-los. Farei-o assim que puder! (eu tive quatro seminários só essa semana e também tive que entregar os trabalhos físicos, então estava realmente sem tempo). Minhas provas começam semana que vem. Espero que minha inspiração não suma! Dúvidas? Críticas? Sugestões? Estou sempre disposta à ouvi-los! :D