Notas iniciais
Olá, pessoal! Bom domingo pra vocês! :) Antes de qualquer coisa, quero explicar uma coisinha sobre os posts. Tia Candy anda muito atarefada. Como vocês sabem, eu escrevo duas fics, e meus capítulos costumam ser grandes... Imensos, pra mim. @_@ Portanto, depois de conversar com meu namorado, decidi que vou postar semana sim, semana não. E os posts em semanas de prova são proibidos! x3 Caso eu viaje, ou entre em semana de provas, vou avisar com antecedência. :) Beeem.... Agora, gostaria de agradecer à sakurita uchiha, pela 41ª recomendação de The King! Muito obrigada pelo carinho! :) Também gostaria de agradecer a todos os que comentaram o último capítulo... Foi um capítulo difícil de se escrever, porque era... Triste. ;-; Acredito que alguns... Possivelmente muitos leitores estão me odiando, mas a verdade é que nesse tipo de guerra, as melhores pessoas se vão. :( Eu realmente não matei a Mikoto a toa, então espero que compreendam. Bem, eu me esforcei MUITO para escrever esse capítulo. Passei o dia inteiro escrevendo e editando. Tem muitas lutas, e como vocês sabem, eu não sou muito boa nisso... Mas estou tentando! ;-; Bem, espero que tenham uma boa leitura!

Capítulo 47 – Quebrados.

Sasuke era esperto o suficiente para compreender sua situação.

Inteligente o suficiente para saber que perderia.

Yahiko era mais forte, mais experiente e, talvez o pior: jogava sujo

O filho mais jovem da família Uchiha sabia que não devia dar uma luta limpa a um mercenário podre, mas era inevitável. Seu corpo se mexia sozinho. Diferente do rival, ele havia crescido como o filho de um duque; era um homem importante, havia crescido e vivido para ser um digno representante da Uchiha.

Tinha sangue azul em suas veias e nobreza em sua alma. Era incapaz de lutar sujo, portanto, sabia que estava fadado à derrota.

Ele estava ciente de que, uma hora ou outra, os furiosos ataques do perturbado mercenário seriam efetivos; sabia que em algum momento aquele homem conseguiria quebrar sua defesa e, talvez antes do anoitecer, Sasuke estaria morto.

Para ser franco consigo mesmo, Sasuke sabia que era bom no que fazia. Ele conhecia mais as lâminas do que a si próprio, mas não gostava de matar. Talvez fosse aquilo que o diferenciava de Yahiko: a facilidade que tinham em acabar com a vida de uma pessoa.

Enquanto a dança das espadas continuava, irritantemente barulhenta, Sasuke pôde perceber que não havia nenhum vestígio de hesitação nos olhos daquele homem.

Havia dor, agonia, perturbação. Mas nenhuma hesitação.

Yahiko estava visivelmente desolado, extremamente furioso, mas aquilo parecia aumentar a eficácia de seus golpes. E Sasuke, inevitavelmente, lembrou-se de seus próprios sentimentos durante aquela invasão, tempos atrás.

Ele quase podia sentir o desejo de vingança expurgando pelos olhos uísque do mercenário, e sentiu pena dele.

Sasuke nunca havia perdido ninguém, com exceção de Naruto.

Lembrava-se da tarde em que havia recebido a notícia da morte do príncipe herdeiro, seu quase irmão, pelos lábios de sua chorosa e desolada mãe. Lembrava-se de ficar tristonho, de chorar, de adoentar-se, de gritar com qualquer um que o tentasse ajudar e desejar vingança, mas ele era só um menino na época.

Yahiko era um homem, mas naquele momento, Sasuke pensou que era exatamente assim que ele devia sentir-se: como um garoto perdido, atormentado pelo desejo de vingança, perturbado pelo sentimento de perda.

A verdade é que nenhum dos dois estava realmente preparado para aquele tipo de combate. Eles usavam suas vestimentas de gala, não de batalha! Ainda assim, o fato não parecia atrapalhar Yahiko. Nada parecia atrapalhá-lo.

Seus olhos estavam trêmulos, nebulosos de puro ódio; as investidas de sua espada eram firmes, rápidas e fortes, o que demonstrava o quão decidido ele estava em terminar logo com aquilo.

Ele o mataria.

O mataria, e depois seguiria para matar Naruto.

Sasuke mal pôde compreender como se sentia diante daquela conclusão, mas então o ouviu falar: — Eu não vou matá-lo, garoto. – O ruivo lhe disse, surpreendendo-o.

E Sasuke foi finalmente acertado.

Justo no braço esquerdo, o que o fez soltar a espada.

Ele sentiu a lâmina fria penetrando sobre sua carne, e urrou de dor. – Eu vou deixá-lo vivo, moleque. – Sentiu o chute em seu estômago e desabou ao chão, agarrando o braço ferido. – Não precisa ficar com pena. Não precisa procurar saber como eu estou me sentindo... Quando o seu amigo morrer na sua frente, vai entender. – Yahiko agarrou-o pelos cabelos negros; seus olhos tremulavam. – Só então vai poder compreender a minha dor...! – Mas antes que pudesse tornar a feri-lo, a pressão de um objeto pesado em sua nuca fê-lo cambalear.

– Yahiko! – Konan gritou ao ver o rei atingi-lo com um vaso. Impulsivamente soltou-se da sobrinha, e num piscar de olhos estava em pé, apressando-se para acudir o homem que amava.

– Não se mexa! – A voz de Sakura Uchiha a paralisou. Konan virou-se lentamente, parcialmente, e empalideceu ao ver a sobrinha rendida nas mãos da esposa de Sasuke – que claramente, tal como Konan, também ansiava proteger o amado. Os olhos verdes da antiga senhorita Haruno tremiam, assim como suas mãos, e consequentemente o pequeno e simplório punhal, cuidadosamente posicionado sobre uma veia no pescoço da princesa. – Não se mexa. – Ela repetiu a ordem, tensa. – Sente-se. – Murmurou, e aos poucos, a mercenária a obedeceu.

O salão de comemoração estava um caos.

Era a visão do inferno.

Corpos de homens que pertenciam à guarda real e ao exército estavam espalhados pelo chão, mortos ou feridos. Havia apenas seis Akatsukis; só seis mercenários, mas eles pareciam valer pelos dezessete guardas e doze soldados que estavam a postos aos arredores do salão. Os poucos homens que haviam restado estavam exaustos e desesperados. Tão desesperados que não seria surpresa se algum repentinamente decidisse desertar.

Hinata, que estava potencialmente segura sob a proteção de seu pai e primo, com a irmã agarrada à sua cintura, sabia que uma hora ou outra aquilo terminaria. E ela podia ver, com bastante clareza, o quão desastrosos seriam os resultados.

Ela estava ciente que, no fim, eles ganhariam. No fim, aqueles malditos mercenários matariam a todos, e tomariam a Torre e o Reino. Mas, mais importante do que isso, Hinata estava ciente de que a vitória da Akatsuki significava a morte de Naruto.

E, por isso, sabia que simplesmente não podia deixá-los vencer.

Ela deu graças aos céus pela mãe, graças a uma indisposição tola, não poder comparecer ao evento. Hinata poderia lidar com Hanabi, mas não com Suzuki.

– Eu quero que me escute. – Elas estavam agachadas, atrás de uma das mesas, escondidas pelas toalhas brancas. – Fique perto do Neji. – Instruiu. – Assim que o ver livre, eu quero que você corra até ele e diga que ordenei que a tirasse daqui, entendeu?

Hanabi parecia confusa.

– O quê? Mas... Você... O papai...

Hinata conhecia Hiashi bem o suficiente para saber que ele não deixaria aquele salão até que caísse, ou até que a última ameaça a filha estivesse morta, ainda que o rei ou a rainha o ordenassem a desertar... Mas Neji era diferente. Ele protegeria Hanabi.

– Faça o que eu mandei. – Hinata ordenou, os olhos firmes. – E, se ele demorar... – Ela espremeu os lábios. – Saia quando puder. Corra, só corra, e saia do palácio. Se notar algo estranho aos arredores da Torre, vá para a casa da ama... Você me ouviu? Não para a Hyuuga. Para a casa da ama. – Ela deu ênfase à ordem, e lentamente, debilmente, Hanabi anuiu.

Hinata passou mais um instante ali, parada, olhando para a irmã. E então a abraçou, tão forte quanto seus braços podiam. – Eu te amo... Sempre vou amar. – Ela murmurou baixo, com sofreguidão, e só então a mais jovem pôde compreender.

– Não... Não, irmã! – O choro de Hanabi foi um sussurro, mas ainda assim, Hinata se afastou. Ela levantou-se, decidida, e sem olhar para trás, ignorando o choro e as exclamações da irmã mais jovem, que implorava que não fosse, seguiu na direção do mais velho dos conselheiros – que era o homem confiável mais próximo naquele momento.

Ele lutava ao lado da princesa Tsunade – que também se mostrava uma guerreira muito habilidosa, ainda que não dispusesse de arma alguma.

Hinata viu Suigetsu, o guarda costas de Karin, aproximar-se apressadamente; ele tirava do suporte de suas vestes algo – que Hinata imediatamente concluiu ser algum tipo de arma – e simplesmente correu na direção de Tsunade e Jiraya.

Ela estava tão nervosa e ansiosa que sequer pôde assistir a cena de Karin sendo rendida, então não pôde compreender que o pobre homem simplesmente seguia na direção de sua protegida, no intuito de batalhar com qualquer pessoa que cogitasse machucá-la. Para a sorte de Sakura, a rainha não hesitou: desferiu-lhe um soco estupidamente forte no rosto, que fê-lo cair imediatamente. Depois, com um chute muito efetivo e quase instintivo na cabeça, fê-lo perder a consciência.

Tsunade a encarou, abismada com aquela atitude nada nobre, mas a rainha não seu importou. Ela agachou-se, furtou a adaga de Suigetsu e tornou a correr na direção dos mais velhos. – Majestade, volte! – Foi a ordem de Jiraya, mas Hinata já estava lá, no meio de tudo, travando uma batalha de lâminas com o rapaz loiro que parecia ser o mais jovem dos Akatsukis.

Ele parecia achar graça da atitude da rainha, mas Hinata soube que havia mudado de idéia quando, tal como o tal Suigetsu, fora atingido por um soco forte – desta vez no queixo.

Diferente do novato, Deidara não caiu, nem desmaiou, mas ainda assim sentiu-se furioso. No entanto, antes que pudesse tentar avançar contra a mãe da nação do Fogo para descontar sua raiva, Tsunade interveio: pondo-se à frente da esposa do neto, tomou o seu lugar na batalha e facilmente fez com que o interesse do rapaz se desviasse.

– Deve voltar, minha rainha. – Jiraya, que havia acabado de nocautear um mercenário de cabelos platinados, segurou firmemente o antebraço da rainha. – Devo levá-la até Shino... – Ele murmurou, mais para si mesmo do que para a própria Hinata. – O rapaz saberá para onde levá-la.

– Eu não vou a lugar algum! – Hinata se soltou furiosa, e encarou os olhos de Jiraya, decidida. – Naruto vai.

O conselheiro estreitou os olhos, abismado, extremamente confuso.

– Devo continuar aqui. E vou. Acho que posso segurar aquele homem por algum tempo... – Ela estreitou os lábios, incerta ao ver a batalha que Yahiko e Naruto travavam. – Sasuke está ferido. Não pode agüentar muito. – Ela tornou seus olhos à Jiraya. – Enquanto distraio Yahiko, você tira Naruto e Sasuke daqui.

– Como se eu fosse salvar um guardinha de merda e largar a rainha para morrer! – Jiraya bufou, visivelmente irritado. Ele respirou fundo, alisou os cabelos e encarou Hinata. – É a rainha, majestade. Deve ficar segura, e...

Naruto tem que ficar seguro. – Ela afirmou com uma convicção. Seu tom não soou alto, mas decidido e autoritário... O tom de uma verdadeira rainha. – Naruto é o Rei. É o herdeiro da nação do Fogo. Enquanto ele viver, haverá esperança... – Ela franziu os lábios. – Se ele morrer, o rei morre. O sangue se perde, e o reino está acabado. Mas enquanto estiver vivo, Naruto poderá reconquistar a Torre.

– Majestade...

– Eu – Hinata o interrompeu. – Não sou mais do que uma plebéia, que chegou ao topo graças ao poder do dinheiro... Se o rei morre, a rainha morre. Mas... – Ela engoliu em seco. – Se uma rainha morre, outra pode surgir.

– Ele a ama.

Uma afirmação simples e direta, que fez Hinata cambalear diante do impacto que lhe causava. Ela finalmente sentiu as incômodas lágrimas queimarem em seus olhos, mas não quis derramá-las. Tentou respirar fundo, mas tremia.

– Eu o amo. – Ela murmurou, fitando Jiraya fixamente. – O amo mais do que o meu povo, mais do que a mim mesma... E é por isso que você vai tirá-lo daqui. – Sentiu o aperto do conselheiro se tornar mais forte.

– Não... Eu vou! – Ele decidiu. – Irei protegê-los, cobri-los, e vocês dois saem daqui juntos, com a ajuda de Sasuke.

Hinata negou.

– As chances de Naruto são maiores com você do que comigo... Por favor, Jiraya! Nós não temos tempo para discutir!

~

Konohamaru estava em estado de choque.

O que ele devia fazer?

Como devia reagir?

Quem deveria defender?

Ele viu a tia lutar bravamente. Kurenai parecia decidida a proteger o casal real, assim como Shikamaru, e os demais soldados... Ou ao menos os poucos que haviam sobrado depois daqueles cinco ou sete minutos no inferno.

Eles estavam lá. Duas das pessoas que mais admirava na vida estavam lá, lutando pelo país, lutando pelo rei.

E mesmo assim... Konohamaru não soube o que devia fazer.

Os nobres deviam estar perambulando por toda a Torre, apavorados com a cena da morte do príncipe perdido, e ainda assim, nem um mísero reforço apareceu. Konohamaru era inteligente o suficiente para compreender que aquilo significava que alguém de cima estava mexendo os pauzinhos. Era inteligente o suficiente para saber que alguém ganharia muito com aquele caos.

E isso só conseguia fazê-lo se sentir-se mais temeroso.

Ele estava no meio dos dois lados, e não sabia por quem lutar. Ninguém pareceu perceber que, embora trajasse o uniforme do exército, nem mercenário nem soldado lançaram-se para atacá-lo.

Ninguém pareceu perceber que, na verdade, ele não passava de um maldito traidor... A menos não por enquanto.

Konohamaru viu Sasuke, o atual prodígio da guarda real, ser ferido por lutar por seu rei; ele viu rei arriscar sua vida pela vida de seu amigo, e viu a rainha arriscar sua vida pela vida dele. Viu a doce doutora Sakura, que tinha mãos leves e macias e gostava de cuidar das pessoas ameaçando a vida de uma mulher desolada e indefesa, e não conseguiu reconhecer ninguém.

E então viu Hanabi. Desolada e desesperada. Chorando e gritando, clamando o nome da irmã, e implorando por seu retorno. Ele também não conseguiu reconhecê-la... Pela primeira vez, enxergou medo nos olhos claros da dona de suas atenções. Medo e um total descontrole emocional. Mas, ainda que não a reconhecesse, ele subitamente soube o que fazer. Soube o que devia fazer.

Correu até a namorada, e ninguém se importou. Quando alcançou a pobre Hyuuga, agarrou-a, erguendo-a em seus braços prontamente e ignorando completamente todas as exclamações dela, que implorava, trêmula e desesperada, que ele a soltasse.

E tirou-a dali.

Fora do salão, tudo parecia em paz.

A mais absoluta paz.

Um guarda estava a postos, ele percebeu. Tinha sua postura ereta e olhar distante, sério. Mas ainda que estivesse tão próximo mostrava-se alheio aos gritos e ao interminável barulho de batalha que vinha do salão. Hanabi se debateu, gritou, e quase espancou Konohamaru para que ele pudesse soltá-la.

Quando se viu livre, a filha mais jovem dos Hyuuga correu, desesperada, até ele. Agarrou-se em suas vestes, caiu de joelhos e chorou. – Vocês têm que ir para o salão! – Ela gritou. – Um desastre está acontecendo...! O rei, a rainha...! – Ela não conseguiu concluir a frase, pois só pensar na imagem de Naruto e Hinata lutando a fazia sentir-se desesperada.

Mas o homem sequer se deu ao trabalho de olhá-la.

Ele continuou parado, olhando para frente. – Me escute! – Ela gritou, e bateu no peito dele. – Você deve proteger a rainha! – Continuou, com tapas, socos e gritos. – Vão lá! Vocês devem lealdade ao casal real...! Que diabos estão fazendo?! – Ela berrou tão alto quanto suas cordas vocais permitiam, e chutou a coxa do soldado.

Finalmente, ele reagiu.

Mas não foi uma reação exatamente favorável.

O homem bufou; encarou Hanabi como se ela fosse uma mosca irritante, ou uma sujeira em seu sapato. Agachou-se à altura dela, agarrou os cabelos castanhos e sorriu um sorriso maldoso.

Ela paralisou.

– Por que trouxe essa garota para cá, Sarutobi? – Ele questionou-o, ainda olhando diretamente para os olhos da jovem. Konohamaru também se sentiu um tanto confuso. – Por acaso não ouviu as ordens de Yahiko?

Os dois jovens empalideceram. Ela, por compreender. Ele, por ser revelado.

– Hoje a família real vai ser extinta.

~

Itachi não conseguia pensar em nada.

Ele não conseguia ouvir nada.

Deitado, com o corpo ferido, sua mente e sua alma quebradas, tudo o que ele conseguia enxergar era a poça de sangue que gradativamente aumentava em volta do corpo da mãe.

Tanto sangue que boa parte do vestido claro havia se tornado vermelho carmim.

Ele continuou deitado.

Parado.

Olhava fixamente para os olhos da mãe, as débeis pedras de ônix escancaradas, escondidas pelos cabelos negros que haviam se espalhado por seu rosto durante a queda.

Mikoto parecia olhar diretamente para ele... Diretamente para Itachi. Ele desejou ver dor naqueles olhos; desejou ver agonia, medo... Qualquer sentimento! Qualquer coisa que o fizesse saber que seu coração ainda pulsava!

Mas não havia nada.

Nada além do vazio.

Ele não soube quando, nem depois de quanto tempo, mas começou a ouvir o som de pancadas. O som de um homem gemendo de dor, e de outro gritando de ódio. Naquele estado, Itachi não conseguiria decifrar as palavras de nenhum dos dois, mas não se importava. Era quase como se seu corpo não pudesse se mexer... Como se seus olhos não pudessem desviar-se dos de Mikoto, ainda que estivessem sem vida.

.

Kasumi não podia se mover. Por longos minutos ela continuou parada, derramando lágrimas silenciosas enquanto sentia a pior dor de todas... Era um misto de dor física e emocional, mas ela não conseguia expressar nenhuma delas.

Queria gritar de dor, mas sua voz simplesmente não chegava à garganta.

Kasumi passou minutos observando, rezando para aquilo ser mentira. Minutos ali, parada, encarando o peito da mulher que mais amava na vida, rezando para que se movesse... Para que ela respirasse.

Mas nada aconteceu.

Pouco a pouco, sentiu a respiração ficar mais pesada – e consequentemente mais alta. Lentamente, ela tentou se aproximar... De seu ponto de vista, só conseguia enxergar o corpo deitado da sogra. O rosto de Mikoto estava virado na direção de Itachi, coberto por parte dos cabelos negros. Ela queria se aproximar, puxar o rosto da duquesa e ver seus olhos... Queria dar tapas leves em suas faces. Queria fazê-la acordá-la.

Sua respiração tornou-se um ruído. Incômodo, alto, assustado.

Ela apoiou as mãos no chão, zonza. Sentia sua cabeça girar...

Engatinhou lentamente até o corpo morto, mas suas mãos escorregaram no sangue – o dela, e o de Mikoto – e Kasumi caiu, sujando parte de seu rosto.

Obito virou-se naquele momento. Até então, ele estava sobre o maldito assassino, disposto a matá-lo com pancadas, mas a respiração da filha, alterada, alta e dificultosa, junto ao som de seu corpo caindo, chamou-lhe a atenção.

Ele viu Kasumi arrastar-se no sangue, encolhida de dor, com o rosto banhado em lágrimas, sujo de sangue... E esqueceu-se de Danzou.

Esqueceu-se de seu ódio.

E só pôde pensar em como ele não queria vê-la machucada.

– Acorde... – O sussurro de Kasumi foi um murmúrio mudo. Ela alisou os cabelos de Mikoto, trêmula. – Por favor, duquesa... – Tentou puxar seu rosto, mas sentia-se fraca demais para isso. – Por favor... Mikoto... – Ela não podia mais respirar. – Por favor... Mamãe...

Puxou uma das mãos da duquesa, finas e macias, e enlaçou seus dedos nos dedos da sogra. Kasumi fechou os olhos, exausta... E tudo sumiu.

Obito viu o exato momento em que o corpo de sua filha parou de se mover, e enfim soltou-se de Danzou.

Ele não se importou com o fato de aquele maldito ficar vivo.

Esqueceu-se da vingança, e simplesmente correu até ela. – Kasumi! – Ele exclamou, mas ela não respondeu. – Kasumi! – Ele tentou puxá-la, assustado demais para ser delicado; segurou seu rosto e bateu em suas bochechas. – Kasumi!

Ela havia desmaiado. Sua respiração ainda era um ruído dificultoso, e aquilo o apavorou. Instintivamente, trêmulo, ele pegou-a em seus braços.

– Não toque nela! – O grito de Itachi soou tão furioso que, por um segundo, Obito se assustou. Ele ergueu o rosto até o sobrinho, que tentava se levantar com dificuldade, e se arrastou, meio em pé, meio agachado, sem forças físicas ou mentais.

Itachi olhava para Obito como se ele fosse o responsável por todas as suas desgraças, mal sabendo que a verdade era o oposto. – Não toque na minha esposa!

Obito se empertigou.

Será que aquele imbecil não entendia quão delicada era a situação?!

Ele apertou a filha em seus braços e seguiu na direção de Itachi. O Uchiha mais jovem tentou agarrá-lo pelo pé, continuou gritando, como um grande inconseqüente, raivoso demais para compreender qualquer coisa.

Por um minuto, Obito sentiu-se sensibilizado por aquele pobre homem.

Mas mesmo a pena não o impediu de chutá-lo, com força suficiente para que o conselheiro desabasse. E então, sem dizer mais nenhuma palavra, ele se retirou dos aposentos, abandonando Danzou ferido, e um Itachi perturbado.

~

Por um segundo, Hanabi não pôde se mover.

Ela continuou parada, olhando debilmente para o homem que havia falado tão intimamente com Konohamaru, e continuou assim. O guarda parecia achar sua perturbação divertida, então continuou falando com o jovem soldado como se fossem companheiros de longa data.

Konohamaru não negou nada.

Ele sequer fez menção de fazer o outro homem calar a boca, e por isso Hanabi pôde concluir que tudo o que aquele maldito dizia era verdade.

Konohamaru era um dos traidores.

A conclusão fez com que um buraco nascesse em seu estômago, e a garota Hyuuga sequer conseguiu levar os olhos a ele mais uma vez. – Diga-me, senhorita Hyuuga... – O guarda alisou as faces da garota, lenta e suavemente. – Estava no pacote do dote da rainha, não?

Os olhos claros se estreitaram, e encararam corajosamente o traidor à sua frente. Hanabi não recuou diante do toque dele. Ela recuperou o olhar autoritário, e a postura altiva que era quase um traço de sua família.

– Se faz parte do dote da rainha, quer dizer que é patrimônio da nação do Fogo... Quer dizer que é uma das bonequinhas do rei. – Ele sorriu maldosamente, mas ela não fez menção de se mostrar intimidada. – Sabe o que isso significa, garota?

Silêncio.

Ele se aproximou, roçou os lábios na orelha dela e murmurou: — Significa que você faz parte da família... – Mas antes que ele pudesse concluir, algo o atingiu.

Hanabi ergueu os olhos, atônita, e viu Tenten, com um bule de chá. A tampa da porcelana estava caída, e parte do bule havia se quebrado na cabeça do maldito. A serva de Hinata estava ofegante, assustada, surpresa consigo mesma.

O homem à sua frente estava caído. Sua cabeça sangrava, mas ela não se sentiu nem minimamente arrependida. Especialmente quando Hanabi agarrou-a pela cintura, firme, assustada. – Estava na sala de chá com as outras criadas... Alguns nobres nos encontraram, e disseram o que acontecia... – Tenten apertou-a com força.

– Vocês devem ir. – Konohamaru finalmente conseguiu falar.

Quando Hanabi virou-se para fitá-lo, ele soube que já era odiado.

– O menino Sarutobi tem razão, querida. – Tenten, alheia à traição do rapaz, olhou fixamente para o rosto de Hanabi, mas não pôde identificar a expressão fria com que a garota o olhava. – Devemos ir.

Ela não a respondeu, mas também não mostrou resistência ao ser puxada.

E então ela virou-se para a criada, e juntas, correram pelo corredor.

Deixando-o para sempre.

.

Enquanto corria, Hanabi sentia cada membro de seu corpo tremer. De raiva, de angústia... De medo. Ela queria voltar ao salão. Queria pegar uma maldita espada e voltar.

Queria lutar pelo país.

Queria lutar por sua irmã... Protegê-la, acima de tudo.

Mas Tenten andava aos tropeços, decidida a não parecer assustada. – Há traidores entre a guarda. – Hanabi murmurou, e Tenten parou de andar subitamente. Ela virou-se para encarar a menor, surpresa, mas Hanabi parecia muito séria. – É por isso que os reforços não chegam... Aquele homem disse que pretendem exterminar a família real. – O rosto da senhorita Mitsashi tornou-se pálido. – Nós temos que ir para fora. Temos que avisar ao exército.

– Não! – Apressada, Tenten livrou-se de sua echarpe. Ela envolveu a cabeça de Hanabi com e peça, e num movimento rápido, rasgou parte da renda do vestido de festa da Hyuuga. – Você tem o tamanho de uma criança, então segure na minha mão, abaixe seu rosto e finja estar assustada enquanto estivermos na Torre. Nós vamos para a residência Hyuuga. Sua mãe está lá, ela vai saber o que fazer.

Mas Hanabi não tinha muita certeza disso.

Hinata havia lhe ordenado expressamente que não voltasse à mansão Hyuuga, então possivelmente havia concluído que eles também poderiam ser vistos como alvo.

– Nós devemos avisar o exército. – Ela tornou a afirmar, decidida. – As tropas estão nas fronteiras da cidade... Precisamos de cavalos.

~

Naruto achava que sua cabeça poderia explodir a qualquer minuto. Ele se sentia confuso, perturbado, agitado... E extremamente irritado.

Simplesmente não conseguia compreender como todo o seu mundo havia virado de ponta cabeça em questão de minutos... Não conseguia assimilar a ideia de que tudo havia dado errado, de que tudo estava perdido.

A união entra a Akatsuki e Konoha.

A união entre Naruto e Nagato... Tudo perdido, em um piscar de olhos.

E agora lá estava ele, em frente à Yahiko, lutando pela vida de Sasuke, de Hinata, e por sua própria vida. O mercenário estava furioso, ele podia ver, mas Naruto, para o alívio de Sasuke, parecia estar lidando bem com a situação.

Depois de atingir o mercenário uma parte do grande vaso – agora quebrado – em que Yahiko havia jogado Hinata, o rei havia se armado com a espada de Sasuke. Ela era mais leve, e menor do que a sua própria, mas Naruto, de alguma forma, conseguiu dar conta.

Sasuke estava ferido. Ele rasgou parte da capa que fazia parte de suas vestes e tentava estancar o sangue do braço, mas não acreditava poder ser muito útil sem o braço esquerdo. O fato de Naruto estar se saindo bem em sua defesa, e razoavelmente aceitável em seus ataques não fez com que o guarda se sentisse mais tranqüilo. O salão estava cheio de mercenários, afinal. Os soldados estavam mortos, e os guardas que haviam restado pareciam acabados. Além disso, não parecia que sua majestade fosse agüentar com muito tempo.

Um grupo de pessoas entrou no salão. Eram cinco rapazes ruivos que haviam servido o exército ao lado de Sasuke e agora deviam fazer parte da guarda real – ele não sabia dizer ao certo. O primeiro pensamento de Sasuke foi “finalmente reforços”, mas tal alívio só pode durar um instante.

Apenas o tempo de ele observar um dos homens se aproximar do rei, pegar uma das bandejas espalhadas pelo chão e simplesmente atingi-lo com tanta força que fez com que o soberano cambaleasse.

Ele ficou chocado por um instante.

Tão chocado que não conseguiu fazer nada além de observá-lo.

O homem pegou Naruto pelos braços, rendendo-o, fazendo menção para Yahiko continuar a surra.

O mercenário fê-lo de bom grado. Começou com um soco forte bem na boca do estômago do loiro, que se encolheu; depois, atingiu um soco violento em seu rosto, outro no queixo, e de novo, no estômago. Quando sentiu raiva suficiente, agarrou-o pelo pescoço; o guarda traidor soltou-o imediatamente, e Yahiko pôde jogá-lo ao chão.

Naruto estava ofegando. Yahiko acertou o cotovelo em sua face, e Naruto sentiu o gosto metálico subir à sua garganta. Sasuke levantou-se instintivamente, mas foi rendido pelo tal guarda. Ele gritou com o maldito homem, chamou-o de traidor, berrou e ordenou, mas de nada serviu: o ruivo continuou em silêncio, rendendo-o com uma faca em frente ao seu pescoço, e Sasuke só pôde observar.

– Então, você pensou que podia simplesmente livrar-se de Nagato... – Naruto gritou de dor quando Yahiko cravou a espada na palma de uma de suas mãos. – Pode ter enganado ao meu irmão, garoto... Graças aos belos olhos azuis que herdou de sua maldita mãe. Mas nunca me enganou. – Agarrando-o pelos cabelos loiros, Yahiko obrigou Naruto e olhá-lo. – Você matou o meu irmão, e agora eu vou matar sua família.

Um prazer imenso cresceu no peito de Yahiko, ao ver o rei empalidecer gradativamente. Ele sorriu com satisfação. – Seus queridos amigos e avôs... E a sua querida esposa... Eu vou tirar a vida de todos eles.

– Não se eu tirar a sua, primeiro. – A voz de Hinata surpreendeu a ambos, e Yahiko mal pôde se defender do punhal que a rainha tentou acertar em seu pescoço. Ela errou por centímetros, acertando o ombro do mercenário.

Konan gritou de pavor, Sakura exclamou uma ameaça e Karin chorou.

E, naquele instante, o guarda que rendia Sasuke vacilou. Ele xingou um palavrão e acabou baixando a guarda. Sasuke aproveitou-se da situação para acertá-lo com uma joelhada entre as pernas, e enquanto o homem se encolhia, acertou outra em seu nariz.

A ferida de Yahiko havia sido profunda o suficiente para Hinata sentir dificuldade em puxar o punhal de volta, mas ela conseguiu.

Ele urrou quando o fez.

– Maldita vadia! – Gritou, e virou-se na direção dela, agarrando-a pelo pescoço. Naruto tentou reagir, mas a rainha foi mais rápida: ela perfurou o antebraço do mercenário com aquele mesmo punhal, já manchado com o sangue do bastardo, e Yahiko a soltou. – Sua maldita!

Os dois se levantaram. Yahiko não se lembrou da espada gravada na mão do rei – que, a propósito, já tinha se livrado dela. Só queria pegar aquela maldita vadia e matá-la lentamente, bem na frente daquele reizinho de merda. Mesmo com o antebraço, o ombro e o braço doendo como um inferno, Yahiko tentou acertá-la com um soco.

Hinata era ágil, e os movimentos de Yahiko estavam lentos graças à suas feridas. Ela o guiou na direção em que o senhor Hyuuga lutava, porque sabia que o pai teria muito mais chances de lidar com aquele maldito do que ela própria.

Era corajosa, não burra.

– Sasuke! – Ela gritou quando decidiu que estava longe o suficiente, e lançou um olhar sugestivo, autoritário na direção do guarda, que levou um segundo para compreender.

O guarda olhou para Naruto com hesitação. O rei levantava-se lentamente, com dificuldade, e gemeu de dor quando precisou usar a mão ferida para se apoiar sobre uma das mesas. Ele deu um passo à frente e olhou na direção da esposa. Pôde perceber que ela evitava olhar em sua direção enquanto tentava se esquivar dos golpes do mercenário ao mesmo tempo em que tentava acertá-lo com os seus.

Hiashi tentou ajudá-la, mas estava ocupado demais com os novos reforços dos malditos Akatsukis. Reforços que deviam ser seus.

Naruto estranhou quando um grupo se aproximou dele. Shikamaru, Tsunade e Jiraya, todos vieram em sua direção. – Que droga é essa...?! A rainha está lá! – Ele apontou para Hinata. – Vão! – Mas nenhum deles foi. Shikamaru deu uma última olhada em Kurenai e lamentou-se por ela ainda estar lutando.

– Nós não temos tempo. Devemos chegar aos portões de Konoha o mais rápido possível, já que o exercito está lá. – Shikamaru murmurou. Ele olhava para Sasuke, Tsunade e Jiraya, mas evitava o teimoso Naruto, que insistia em saber que droga eles estavam fazendo! – Temos que tirar o rei de Konoha. Agora.

Sasuke sentiu seu estômago revirar. Ele anuiu lentamente, hesitante, e inconscientemente, seus olhos seguiram até a esposa.

Surpreendeu-se ao ver sua tão adorável e bondosa esposa, a doce Sakura Haruno, estar rendendo uma princesa inocente.

Seria engraçado, se não fosse tão trágico.

Sakura também olhava na direção dele. E ainda que estivesse tão distante, parecia compreender muito bem a situação.

Ela conhecia Sasuke, e estava ciente de seus sonhos. Sabia que o marido ansiava por um reino melhor, ansiava para que todos vivessem honestamente, decentemente, e sabia que Sasuke queria fazer parte dessas mudanças.

Portanto, a única coisa que seus olhos puderam expressar foi: “vá!”.

Porque sabia que ele precisava proteger o rei para alcançar seus objetivos.

–... Tirar-me de Konoha? – Ele finalmente conseguiu falar. Estava pálido.

– Não sabemos quem são os traidores, majestade. – Shikamaru o explicou. – Nós três faremos sua guarda. Levaremos sua majestade e a princesa até um lugar seguro, e depois pensaremos em uma estratégia para retomar a Torre.

O que eles estavam dizendo?... Iam desertar?! Mas a Torre pertencia a ele, não? Era o palácio do Rei, e pertencia ao rei e sua família!

Lentamente, atordoado, ele levou seu olhar à Hinata. Ela e Yahiko haviam se armado mais uma vez, possivelmente as armas dos mortos ao seu redor, e agora a rainha tinha a ajuda do velho pai.

Ela podia sair dali. Se ele fosse rápido, conseguiria alcançá-la, levá-la.

Quase sem pensar, Naruto deu um passo a frente, mas Jiraya o impediu de dar mais um. – “Tire o Naruto daqui”, foi o que a rainha disse. – Ele contou, sério. – E é exatamente o que farei.

Aquilo o deixou furioso.

Tão furioso que Naruto quase não pôde reconhecer sua voz gritando “Hinata!” furiosamente. Pela primeira vez, ela ergueu os olhos na direção do marido.

Um segundo de hesitação.

Um segundo de medo.

O segundo necessário para Yahiko acertá-la com o punhal.

E Naruto viu-a cair, agarrando a faca presa numa região entre a cintura e o quadril, encolhida de dor. Hiashi ficou furioso, e avançou contra o mercenário naquele mesmo instante, mas Naruto não pôde fazer nada.

Não pôde se aproximar porque, naquele momento, sentiu alguém pressionar algum ponto em seu ombro – ou pescoço, ele não sabia bem onde – e simplesmente caiu inconsciente.

.

Depois de pouco menos de meia hora, a Torre estava completamente tomada pelos traidores e mercenários. Tomada a tal ponto que o exército sequer teve a oportunidade de tentar atacar.

O Palácio era uma fortaleza, afinal.

A lista de reféns era extensa, mas não tanto quanto a de mortos.

Pouco mais de dez homens conseguiram fugir com o rei.

Sakura e Shizune eram médicas e, portanto, foram instruídas a seguir para instalações médicas, tal como tantos outros reféns que possuíam qualquer conhecimento na área seriam quando fossem encontrados. Lá, seriam obrigadas a cuidar das feridas dos mesmos homens que haviam tentado matá-las.

Nenhuma delas mostrou resistência, porque nenhuma delas queria morrer.

Enquanto seguia para uma das enfermarias da Torre, Sakura se perguntou se conseguiria, discretamente, acertar a veia de algum deles... Ela também poderia costurá-los sem os cuidados necessários. Eles pegariam infecções e morreriam lentamente.

Era um pensamento lamentável para alguém que sempre havia sonhado em cuidar das pessoas, mas naquele momento, foi inevitável.

Todas aquelas idéias, no entanto, sumiram de sua mente quando, ao alcançar a enfermaria, viu Kasumi deitada sobre uma das macas.

Ela estava ensangüentada. Literalmente, dos pés a cabeça, e parecia inconsciente. No momento em que ouviu a porta se abrir, Obito virou-se na direção de ambas, e parecia apavorado, quase sem ar quando implorou à Shizune: — Salve-a!

Por um segundo, a médica não pôde se mexer. Ela se manteve parada, olhando confusa de Obito para Kasumi, mas o pobre homem parecia estático. – Ela está sangrando... – O mercenário olhou na direção do corpo da moça. – Sangrando muito... – Ele apertou os punhos, e voltou a encarar a mulher. – Salve-a...!

Mas Shizune não conseguiu se mexer.

Não quis.

E Obito percebeu que ela não moveria um dedo para salvar sua filha.

Sakura ficou, francamente, chocada ao perceber o mesmo. Era Kasumi! Não um dos soldados nojentos que as haviam espancado cinco minutos atrás, enquanto lhe davam ordens. Era Kasumi... Kasumi! A menos esnobe de toda a nobreza!

Sakura estreitou os olhos e correu na direção da maca, ergueu as mãos presas à frente de Obito, olhando-o decididamente. Levou um segundo até que ele percebesse que ela estava o mandando soltá-la.

Recuperando todas as suas esperanças, ele sacou a adaga que Fugaku lhe dera para matar Danzou, e rapidamente libertou-a. – Eu preciso de água quente, tecidos limpos e de meus instrumentos! Mande alguém buscar uma maleta no meu quarto. – Ela ordenou ao mercenário, já se apressando para limpar as mãos. – Há quanto tempo ela está assim?

Rezou para que não fosse mais que quinze minutos.

– Quarenta minutos... Talvez uma hora... – Obito estava perturbado, mas corria para buscar o pouco que ela havia ordenado.

– Kasumi tem problemas respiratórios... Ela não está respirando.

Sakura pareceu surpresa por aquele mercenário saber mais sobre sua cunhada do que ela própria, mas preferiu ignorar seus pensamentos. Apressou-se para checar o pulso da Uchiha. – Ela está viva. – Garantiu. – Mande alguém buscar as minhas coisas! – Tornou a ordenar, e Obito apressou-se em seguir para a porta.

Ele não olhou para Shizune – que estava cabisbaixa – quando passou por ela, mas berrou com os homens que as haviam machucado minutos antes, ordenando que obedecessem a esposa de Sasuke. Depois, voltou às pressas para o leito de sua menina.

Viu Sakura rasgar metade da saia do vestido sujo, erguer o pouco que havia restado e puxar as anáguas carmim. Com a água e a toalha providenciadas pelo mercenário, ela limpou as pernas da cunhada e encobertou para começar o parto.

Quinze minutos ou quarenta minutos... Que fossem pro inferno, as probabilidades! Ela tinha que tentar salvar aquele bebê!

~

Quando Zetsu entrou no escritório, encontrou Fugaku sentado na confortável cadeira, provando do melhor vinho de todos... Um vinho com gosto de vitória.

Ele sorriu quando Zetsu entrou. Estava satisfeito demais para enxergar hesitação no olhar do servo. – Ora Zetsu! Ouvi dizer que Hiashi morreu. Foi comprovado? – Lentamente, o homem anuiu.

– Sim senhor. Yahiko o matou.

– Lamento pelas filhas dele. – Mas não lamentava pela morte dele.

Hiashi merecia morrer, apenas pelo fato de ter casado Sasuke com Sakura e, assim, impedi-lo de casar-se com Karin, como o duque havia planejado por anos, desde a descoberta de que o príncipe perdido tinha uma pequena filha convenientemente com a mesma idade que o seu pequeno filho.

– E por falar em filhas...

– A Rainha foi levada para o quarto, milord. Como é padrinho dela, imaginei que ficaria mais satisfeito dessa forma.

– Ela foi ferida? – Zetsu anuiu. – Quero que cuidem disso. – Ordenou, pensando nas reações de Mikoto. – O rei fugiu, portanto, Hinata é uma refém preciosa.

– Naturalmente.

Fugaku suspirou longamente; esticou-se na cadeira e tomou um gole gordo da taça de vinho. – Encontrou Obito, finalmente? Aposto que ele decepou Danzou.

Silêncio.

– Zetsu? Estou falando com você, homem.

– Não achamos Obito, milord... – Ele começou lentamente. – Mas achamos o conselheiro Uchiha. – Fugaku lhe ofereceu um sorriso leve.

– Ele não fugiu com o rei? – Zetsu negou, e Fugaku finalmente percebeu que ele parecia perturbado. -... O que houve com meu filho? – O duque enfim tomou uma postura séria, levantou-se no mesmo instante, um pouco perturbado com a possibilidade de Itachi estar morto.

– Você... Deve ver isso, senhor.

.

Fugaku foi guiado por Zetsu pelos extensos corredores. Pelo caminho, ele deu instruções e fez poucas perguntas aos soldados que estavam limpando a bagunça da Torre. Quase tropeçou, quando o servo parou em frente a porta de seu quarto.

Depois de um longo minuto de hesitação, o homem afastou-se da porta, fez menção para que o duque entrasse.

Fugaku estranhou aquilo, mas a preocupação com o filho fê-lo abrir a porta rápido.

E foi como se mundo tivesse despencado.

Mikoto estava deitada tranquilamente, com os olhos fechados e mãos cuidadosamente postas sobre o peito. Uma serva limpava seus cabelos e outras duas tentavam despi-la do vestido ensangüentado... Da única coisa que o fazia ver que ela estava morta.

– Saiam... – Mesmo ele não pôde se ouvir quando murmurou, mas ao ver que as mulheres não haviam parado de tocá-la, gritou: — Saiam! – Assustando-as.

– Senhor, precisamos trocar o vestido...

– Eu já mandei saírem! – Ele tornou a gritar, e as três obedeceram prontamente.

Levou um tempo até que ele conseguisse se aproximar.

Fê-lo lentamente, e quando a alcançou, sentou-se ao lado dela. Deslizou as mãos pelo rosto branco, limpo pelas servas, e percebeu que Mikoto não estava quente como costumava estar.

Seu corpo não estava quente como uma viva, mas também não parecia gelado como um cadáver. Ainda assim, Fugaku não conseguiu enganar a si próprio.

Ele sorriu, um sorriso triste, e percebeu, naquele momento, que sua morte não seria nada perto da dela. – Meu amor... – Ele agachou-se e encostou a testa na dela.

Apertou suas mãos, e sentiu seu coração apertar. Por um longo minuto, ele não conseguiu respirar... Fechou os olhos e apertou as pálpebras.

Ele lembrou-se da morte de sua mãe. Ela havia falecido após dar a luz à Shisui. Fugaku não havia chorado uma lágrima, embora tivesse ficado o tempo inteiro colado ao pai, encolhido em seus braços.

Ele lembrou-se da morte do pai, que morrera em uma das tantas batalhas em que o sangue Uchiha era desperdiçado em nome da família real. Era só um menino na época, mas não chorou quando o tio lhe deu a notícia.

Ele lembrou-se da morte de Madara... Lembrava-se de ter ficado mais triste pelas lágrimas dela do que por si próprio, e de como havia sido difícil ser o portador das más notícias.

Fugaku não se lembrava de uma única vez em que houvesse chorado pela morte de alguém, mas ali, diante do corpo da única pessoa que devia ter amado em toda sua vida... Ele não pôde se conter.

As lágrimas começaram silenciosas e lentas... E gradativamente tornaram-se mais fortes, gradativamente, sua respiração tornou-se ofegante e, quando percebeu que a luz de sua vida havia se apagado, seu coração despedaçado fê-lo gritar.

Ele não tentou conter sua voz. Não tentou conter o seu choro.

Mikoto merecia cada uma de suas lágrimas...

Merecia seu sofrimento, e seu amor.

E, acima de tudo, ela merecia vingança.

~

Hinata não conseguia se mover.

Ela ainda podia sentir a dor da facada, mas não era essa a ferida que a fazia chorar de agonia.

Sentia-se paralisada... Em choque.

Havia visto Hiashi morrer na sua frente.

Por ela.

“Eu disse que tiraria sua família”, foi o que Yahiko lhe havia dito após matá-lo.

– Majestade... – Ela ouviu a voz de Kurenai, mas não conseguiu se mexer. – Por favor, Hinata... – Sequer conseguiu olhar em sua direção. A mulher pareceu desistir, pois decidiu manter-se em silêncio.

Depois de horas... Ou minutos, Kurenai sentou-se ao lado dela. Não se preocupou em pedir permissão: encobriu-a com os lençóis gentilmente, e afagou os cabelos azulados como se a rainha fosse nada mais que uma pequena criança.

E esse foi o único consolo que a rainha, com o coração quebrado, pôde receber.

Notas finais
Eu chorei enquanto escrevia a parte da Kasumi. Sempre choro com a Kasumi e com o Obito, é uma coisa absurda! Desta vez, eu estava escutando Clair de Lune enquanto escrevia... É uma das minhas músicas favoritas. Às vezes eu choro só escutando ela. ee' Enfim. Como eu disse, o capítulo teve MUITA luta. Acho que muita gente bateu na cabeça das pessoas... Mas espero que não tenha ficado repetitivo! XD O Yahiko também parecia um zumbi, todo ferrado e lutando enquanto soltava fogo pelas ventas... Mas eu gostei do resultado final. Achei interessante, uma experiencia nova de escrita. ^-^v Espero que apreciem o meu esforço. ;-; Mais uma vez agradeço a todos os que comentam, mesmo que eu não responda. Sou muito malvada... Mas espero que não deixem de comentar por causa disso! ;-; Realmente é a falta de tempo!... T_T Bem, mais uma vez eu agradeço. Especialmente às pessoas que, mesmo magoadas, mostraram-se compreensivas diante da morte da nossa tão adorada duquesa... *Limpa os olhos com lencinho* Bem... *Respira fundo* Realmente espero que tenham apreciado o capítulo! Qualquer dúvida sobre os meus últimos posts/atrasos, por favor, olhem no meu perfil! :) Até a próxima!