The King

50 Primeiro Passo.


Notas iniciais
Antes de qualquer coisa, como sempre, eu gostaria de agradecer a todos os que comentaram. Essa semana não tivemos o fluxo de comentários que eu estou acostumada... ;-; Mas eu compreendo. Acho que a demora nos posts meio que desanima o leitor. Isso magoa muito a tia Candy, mas eu vou continuar a me esforçar. Aos que comentaram, que sempre comentam, MUITO OBRIGADA! De verdade, pessoal, os comentários são o combustível para os autores. Booom... E aí, pessoal! Como vão vocês?! :D Pois é, mais uma semana atrasada. Eu realmente tenho que distribuir melhor o meu tempo... estou me esforçando para isso, pessoal. De verdade, mas é um pouco difícil. Sem contar que anda muito difícil desenvolver essa história. u.u Eu to precisando ler mais, mas é difícil achar um tempinho... Minhas leituras estão tão atrasadas que chega a ser depressivo! D: *Respira fundo* Enfim. Eu gostaria de ter postado mais cedo, durante a semana, mas muitos problemas me impediram. O primeiro e mais estressante foi com o maldito banco. Como eu trabalho pro governo, só posso receber no maldito Banco do Brasil, que é uma bela porcaria. Para começar, eu fiz a bendita conta em fevereiro, e até o começo do mês tava sem o bendito cartão... O que significava que eu tinha que ir no caixa sacar, e pagar minhas continhas. Só que, por algum motivo, minha conta tava bloqueada. """"" E eu tive que ir na minha agência no outro dia, porque não dava pra ir no mesmo dia. ''''' Enfim, foi muito estressante. Toda essa treta me tomou terça e quarta. Na quinta eu dormi e na sexta, tive que ir para o hospital, porque tava com uma treta agendada. Imaginem vocês: cheguei às 9 e sai às 15, só pra tirar um maldito sinalzinho!... -- Enfim, foi uma semana cansativa. E, neste momento em especial, eu estou MORTA. Sério, fui na Bienal hoje (porque minha irmã insistiu), e estou simplesmente acabada. q Agora que já falei pra caramba, e quero desesperadamente dormir, vou deixá-los ler. q Boa leitura!

Capítulo 50 – Primeiro Passo.

Foi preciso uma semana para que a cidade realmente se acalmasse e, assim, Fugaku pudesse ser capaz de seguir com os planos da futura nova rainha.

Foi preciso mobilizar toda a força militar do país para que as devidas providências sobre a revolta civil que estourava fora dos muros da Torre fossem tomadas. O exército havia sido cuidadosamente instruído sobre seu modo de agir, tal como os líderes do Alto Escalão... Ou o que havia sobrado dele.

Para Fugaku, não havia nada mais estúpido do que gente que pensava poder ganhar só por estar em maior número. Até porque, afinal de contas, eles – o país – haviam começado como um vilarejo! Mentes ganham guerras, e essa era a verdade.

Inteligência e experiência, não números. E, ao menos por agora, o duque poderia dizer com satisfação que, de fato, a Torre estava cheia de boas e construtivas mentes.

Ficou decidido, em uma reunião com os senhores dos feudos situados na cidade imperial – com exceção, é claro, dos Hyuuga –, a Corte imperial, o Alto Escalão e a nobreza que os revoltos seriam tratados da pior e mais brutal maneira possível: como claros traidores.

Surras, espancamentos e mortes, caso necessário.

Mais que isso: qualquer familiar de meliante também corria o risco de cair sob a tutela dos Grandes Traidores – como eram chamados os líderes militares, àquela altura –, e qualquer que fosse sua atividade de rendimento, acabaria.

Boa parte das lojas do centro comercial da Cidade Imperial agora estava de portas fechadas, e as poucas abertas eram ocasionalmente alvos de retaliação.

Não que isso o incomodasse.

Foi preciso uma semana para que a casa fosse posta em ordem – ao menos teoricamente, já que os falatórios insuportáveis continuavam piores do que nunca. Uma semana exaustiva, que resultara em prisões abarrotadas com os pobres cidadãos que lutavam por justiça; salas de tortura cheias de desertores úteis demais para serem descartados, e a criação de uma boa cota de bordéis, para esposas e irmãs de qualquer um que pudesse ser visto como um traidor.

Lidar com a ANBU foi impossível, já que ninguém além de Danzou podia ter certeza sobre as identidades de seus subordinados, mas o Exército, antes liderado por Kakashi – que simplesmente havia sumido do mapa com Shisui e Danzou – agora estava sobre o comando de um prodígio qualquer da Guarda real; o mesmo ocorrera a Polícia Militar, que mais parecia estar nas ruas para amedrontar o povo do que para protegê-los.

Era uma verdadeira ditadura.

Quando as coisas se acalmaram, outro anuncio fora feito, naquela semana. Desta vez, pela boca de Yahiko. O duque não precisou escrever um discurso para que ele se saísse bem: o homem foi firme e ameaçador quando dissera que, em um mês, com ou sem o aparecimento do Rei desertor, Karin Uzumaki seria coroada a rainha da nação do Fogo – mesmo que os sacerdotes firmemente se negassem a abençoar o governo da jovem princesa.

Não houve retaliação.

Não houve gritos revoltosos... Não houve sequer um murmúrio, enquanto ele fazia o anúncio. E Fugaku considerou aquilo deliciosamente promissor.

De fato, a maior parte dos planos do Uchiha corria como o desejado.

O Rei havia corrido para longe com o rabo entre as pernas, como um cão medroso. E ainda que a certeza de que o filho mais jovem estivesse ao lado dele incomodasse o duque profundamente, lhe dava a certeza de que, cedo ou tarde, Naruto ressurgiria para buscar o que lhe pertencia... E, quando ressurgisse, desapareceria para sempre.

A Rainha estava presa na acomodação mais alta da Torre, sobre os cuidados de Kurenai e vigiada pelos atentos olhos de Obito. O destino dela ainda era desconhecido, mesmo pelo próprio Fugaku. Por Mikoto, que sempre fora muito ligada à afilhada, ele não desejava fazer mal à moça. Talvez, depois da morte de Naruto, ele conseguisse convencer Karin – que tinha um coração tão mole quanto seu cérebro – a condená-la ao exílio, em vez da morte, mas ainda era cedo para decidir. Se ela estivesse grávida, não teria salvação, e essas foram suas exatas palavras à Obito.

“Tudo ia conforme o planejado”, era o que Fugaku queria dizer a si mesmo no fim daquela tarde exaustiva, mas pensar assim só contribuiria para enganar a si mesmo.

Não. Embora muitas coisas seguissem conforme ele havia imaginado, outras simples haviam se tornado um caos.

Como a maldita invasão das Terras principais do clã Hyuuga.

Francamente, ele não conseguia enxergar a dificuldade de seus subordinados. Tudo o que tinham que fazer era ir lá, entrar e tomar as Terras. Por chantagem ou força, ele não se importava os meios, desde que as malditas terras voltassem a pertencer aos Uchiha!

E, no entanto, não tinha nem a casa principal, nem uma sequer das fazendas espalhadas ao redor de Konoha. Ele não tinha nem posse, nem controle de absolutamente nada. Os homens dos Hyuuga eram insistentes, e estavam decididos a continuar no mesmo lugar, da mesma forma. Não pareciam se importar com leis, nem com o fato de que Hiashi estava morto – na verdade, a notícia da morte do velho patrono da Hyuuga havia passado batida, mesmo aos capatazes mais próximos.

Aquelas terras pertenciam aos Hyuuga, mas Fugaku percebeu que os camponeses pensavam além daquela verdade, como se as terras pertencessem a eles, homens pobres e trabalhadores, e suas famílias. E ninguém parecia disposto a abrir mão de nada, nem uma lasquinha, fosse para Uchiha, fosse para Uzumaki.

Portanto, ele pensou com amargura, isso era algo que ele próprio teria que resolver, quando tivesse um mísero segundo.

— Algum problema, milord? – Uma das servas que o ajudava a se vestir perguntou cautelosamente. – As roupas estão muito apertadas?

Ele se limitou a negar com a cabeça.

— Nós fizemos às pressas, mas espero que esteja do seu agrado. – A mulher afastou-se, de modo que o duque pudesse enxergar seu reflexo pelo espelho. – Negro e elegante, como nos pediu.

— Impotente, foi o que lhes pedi. – Ele ajeitou o colarinho. – É bom o suficiente. – E olhou de canto para a moça. – Sua alteza real está pronta?

— Creio que sim, milord. Ela mal dormiu esta noite. Chorou o tempo inteiro, porque o sacerdote ancião se nega a fazer a cremação do príncipe. – Fugaku suspirou longamente.

— Não precisamos do sacerdote ancião para nada.

Era o que dizia, mas Fugaku estava furioso com aquele velho maldito.

O velho ancião, na realidade, parecia negar a tudo o que acontecia; para ele, Naruto era o destinado a estar no trono e, portanto, se mostrara contrário a tudo e qualquer coisa que pudesse demonstrar seu apoio à Karin.

Negou-se a coroá-la, mesmo diante de ameaças.

Negou-se a fazer o rito de passagem de Nagato, e mesmo o de Mikoto...

Mesmo o do pequeno neto Uchiha, que havia sido enterrado – não cremado, como Fugaku desejava – sem permissão, pelos dois avós (e ninguém mais além deles), no sagrado cemitério do Templo.

— Vamos achar nosso próprio sacerdote. – Ele murmurou entre dentes. – Pode sair, garota. – Ele ordenou, e a moça assim o fez, deixando-o sozinho para divagar tristemente sobre os últimos acontecimentos.

Fugaku sentia como se cada passo dado para alcançar o poder fosse um passo dado para se afastar de sua família, em todos os sentidos possíveis.

Itachi continuava firme na decisão de ser fiel à Naruto, fiel aos seus ideais. E embora as mortes, tanto da mãe quanto do filho, o tivessem feito sofrer mais do que às surras que havia sido exposto – para facilitar sua mudança de ideias –, ele não fez menção de dar o braço a torcer.

Naturalmente, ninguém além de Fugaku sabia sobre o cativeiro do até então conselheiro. Yahiko ainda estava furioso com a morte do amigo, e Fugaku imaginava que, se o mercenário periodicamente tentava invadir o cativeiro da rainha – que era uma preciosa refém –, só Deus saberia o que teria feito caso soubesse sobre Itachi.

Na realidade, mesmo Kasumi o preocupava. Ela estava fraca, doente e depressiva; para sua própria segurança, havia sido trancada – das portas às janelas – e tinha a permanente companhia de uma serva; Obito estava tentando lidar com a filha sozinho, mas o duque sabia perfeitamente que isso poderia não terminar bem. Ele não era Mikoto, afinal. E Kasumi estava acostumada a ser cuidada por Mikoto.

Ele não pôde deixar de imaginar que, talvez, se sua duquesa estivesse viva, metade de os seus problemas seriam automaticamente resolvidos.

Kasumi não teria perdido o bebê e, por sua família, pela esposa frágil e grávida, Itachi cederia cedo ou tarde. Se Mikoto estivesse viva, cuidaria do casal, e Obito ficaria tranquilo para lidar com seu trabalho.

Se Mikoto estivesse viva, ele não sentiria aquele vazio insuportável no peito. E, ainda que ela o odiasse por sua traição... Se Mikoto estivesse viva, Fugaku estaria vivo.

— A princesa está pronta.

Só Deus podia saber de onde Obito havia surgido, mas Fugaku não se importou; ele ajeitou as mangas do casaco e tentou não olhar no rosto do cunhado quando perguntou: — Como está Kasumi?

Levou um segundo até que o mercenário absorvesse aquela questão.

— Mal. – Ele foi sincero. – Acamada e depressiva... – Suspirou. – Sequer tem forças para prosseguir com as crises de histeria... – Os olhos negros caíram ao chão, e os punhos se apertaram. – Ela ainda pergunta sobre o bebê. Mesmo que já tenha dito que o enterramos em solo sagrado, insiste em vê-lo...

— Você não sabe mais o que fazer.

Não era preciso ser muito inteligente para perceber isso, diante do tom de voz do mercenário. -... Sei que pode não acreditar, Obito... Mas realmente lamento pela situação de sua filha.

De fato, ele não acreditava.

— Consegui convencer um dos sacerdotes. Depois da cerimônia do príncipe... Amanhã, será a vez de Mikoto... – Falar aquilo fez com que seu peito doesse tanto que levou um segundo para que as palavras voltassem aos seus lábios. – Itachi está preso. Sasuke sumiu... – Ele ergueu os olhos até Obito. – Kasumi foi uma filha para sua irmã... Ela a amou tanto quanto nossos meninos, você sabe disso.

Levou um segundo para que o mais jovem percebesse aonde ele queria chegar.

— Mesmo por Mikoto, não forçarei minha filha a sair. – Ele decretou, claro e objetivo. – E não permitirei que o faça, definitivamente. – Fugaku tentou prosseguir; não queria discutir, mas precisava que, de alguma maneira, ele compreendesse a necessidade daquilo.

Mas Obito não o permitiu.

— Sua alteza o está esperando, milord. – Ele foi soou mais irônico possível. – Eu imagino que não queira deixar esperando a chave para a sua vitória, não é mesmo?

Os punhos do duque apertaram, mas Obito saiu antes de qualquer resposta.

Nenhum dos dois sentia vontade de discutir, então Fugaku, francamente, não se importou com aquilo. Levou algum tempo até que ele conseguisse superar todo o estresse e cansaço provocados por aqueles longos dias; recuperar-se a ponto de deixar o quarto a caminho dos aposentos da futura rainha.

Queria que aquele dia terminasse logo.

~

A senhora Yakushi bocejou longamente enquanto, sentada em frente à varanda, observava os homens em seu quintal. Sem dúvidas, ela pensou enquanto esboçava um sorriso, eles pareciam muito animados naquela manhã.

Sasuke Uchiha já se livrara da tipoia do braço – embora a ferida claramente ainda precisasse cicatrizar – e, neste momento, encontrava-se em pé, em frente ao seu rei, empunhando um pedaço de bambu mediano.

Naruto estava caído, encolhido, agarrando as partes baixas enquanto seu rosto se avermelhava. – Sasuke, seu maldito! – Ele gritou, furioso. – Isso foi golpe baixo! – O loiro se encolheu mais, dolorido. – Golpe baixo! Jogo sujo!

Sasuke suspirou longamente; deixou a espada improvisada de lado e estendeu a mão para ajudar o rei a levantar-se. – É disso que se trata, Naruto: jogo sujo. Enquanto lutava contra Yahiko, percebi que precisamos nos livrar desse pensamento, de que todos são nobres e elegantes quando empunham uma espada.

Naruto fez uma careta confusa, e Sasuke sorriu por isso.

— O que estou dizendo é que você deve esquecer todas as regras que o ensinei sobre esgrima. – O moreno explicou, mas o rei franziu os lábios. – Eles não respeitam, então também não temos motivos para respeitar.

— Isso me parece errado... Regras existem por um motivo, não é?

— Para serem cumpridas. – Sasuke deu os ombros. – Ou quebradas. O fato é que, se você jogar limpo, eles vão ganhar. Aquele homem é muito melhor do que eu, e nós dois sabemos que eu sou muito melhor do que você.

Os olhos azuis reviraram.

— Não se trata só de você, Naruto... E sabe disso. – Eles se entreolharam. – Não é só a sua vida que está em jogo, meu amigo. Sua esposa, Sakura... Até mesmo eu. Nossas vidas podem depender disso. Um passo em falso, e todos nós estaremos condenados.

O pigarreio de Shikamaru prendeu a atenção de ambos, assim encerrando o assunto. – Perdoe-me, majestade. – O conselheiro fez uma reverência educada. – Mas eu e seus avós conseguimos terminar.

Naruto e Sasuke se entreolharam por um instante e, no outro, já estavam correndo na direção da pensão. Shikamaru suspirou.

— O que terminaram? – A senhora Yakushi quis saber, realmente curiosa.

— Hm? Oh... Um esboço da Torre. – Ele fez uma careta. – Algo como uma planta da construção... Para termos noção de como nos mover, compreende?

— Perfeitamente. – Ela não pôde evitar um sorriso. Possivelmente compreendia sobre aquelas situações muito mais do que qualquer um de seus atuais convidados, mas nada ganharia com exibições. – Eu posso ver?

O conselheiro lhe sorriu e gentilmente estendeu as mãos para ajudá-la a se levantar. Eles seguiram juntos, de braços dados até o quarto que Shikamaru, Sasuke e Jiraya dividiam, chegando a tempo de ver Sasuke e Naruto tomarem seus lugares ao lado de um pedaço de pergaminho quadrado e imenso – que, na verdade, era uma sequência de pedaços remendados – onde a planta da Torre havia sido cuidadosamente desenhada com carvão.

— Levaram dias, mas finalmente conseguimos. – Tsunade sorria abertamente, muito orgulhosa com o resultado de seu trabalho. Ela tinha manchas de carvão espalhadas pelas mangas da camisa, parte da calça e rosto, mas não parecia se importar. – Três cabeças realmente pensam melhor do que duas. – Ela assentiu para si mesma. – Foi um grande trabalho em grupo.

— Certamente, vovó. – Naruto concordou embora, de todos ali, fosse quem menos contribuíra com memórias. – Então nós vamos mesmo entrar por aqui? – Ele apontou para o ponto que indicava a passagem por onde haviam fugido. – Dá numa saleta discreta, ninguém vai perceber.

Sasuke suspirou.

— Isso se ninguém nos viu sair. – Ele cruzou os braços e analisou o desenho. – E é bem provável que alguém tenha visto, já que estávamos abarrotados de traidores a cada corredor... Não. – Decidiu – É melhor irmos por outro lugar. De preferência um lugar que não alcance suspeita.

— Que eu conheça, só esta passagem dá caminho para a cidade...

O silêncio se estendeu.

— Precisamos entrar por aqui, se não tem jeito. – Naruto concluiu. – Não podemos esperar mais tempo. Precisamos pensar logo em uma estratégia.

— De nada vai servir, se for uma estratégia furada. – Sasuke observou, cruzando os braços enquanto analisava cada ponto da construção redonda representada na figura à sua frente. – Precisamos ser cautelosos, acima de tudo.

Mais silêncio.

— Não vai adiantar nada sermos cautelosos se demorar demais. – Naruto murmurou com a voz trêmula e o rosto baixo. – Eles nos deram um mês... Um mês! – Ergueu os olhos azuis rígidos até o melhor amigo. – Temos um mês até aquela garota se tornar rainha. Um país só não pode ter duas soberanas, Sasuke... Sabe o que isso significa? – Não parecia uma pergunta que precisava de resposta, mas ainda assim, Naruto prosseguiu: — Vão se livrar da rainha atual.

Os olhos de Sasuke se estreitaram.

— Pelo amor de Deus, é um palácio! Não devia ser uma regra que tivessem passagens secretas?!

Nonou abafou uma risada, divertida com o sobressalto do rei, e todos olharam abismados em sua direção. Afinal, não parecia ser o momento ideal para risadas.

— Desculpe. – Ela pigarreou – Será que eu posso? – E diante da falta de resposta, ajeitou-se entre Naruto e Sasuke, observando o mapa de modo tão analítico quanto o Uchiha fizera da última vez.

— Bem... Que tal... – Ela deslizou o dedo pelo pergaminho lentamente. – Aqui? – E parou-o sobre uma linha fechada.

Naruto fez uma careta; estreitou os olhos e coçou a nuca, confuso. – Sei que não sou um mestre em compreender mapas, mas... – Olhou curioso na direção de Sasuke, que tinha os orbes negros fixos ao ponto indicado. – Isso não é uma parede fechada?

O Uchiha estreitou os lábios.

— Sim. – Murmurou, um tanto irritadiço pela piada da senhora.

Eles não tinham tempo a perder, pelo amor de Deus! Kasumi estava em suas últimas semanas, e a barriga de Sakura logo começaria a aparecer. Ele precisava chegar a Torre, o mais rápido possível! E tinha que pensar em uma maneira efetiva para consegui-lo. Definitivamente não tinha tempo para gastar com as piadinhas de uma senhora aposentada.

— Ora, vejo que não temos nenhum calouro da ANBU aqui, hm? Isso. – Com o dedo indicador, ela batucou no papel. – É uma das entradas para o QG da organização.

— A sala do Danzou certamente será vigiada. – Sasuke suspirou. – Isso se ele não for o maldito traidor. – Estreitou os lábios, desagradado.

Nunca havia gostado de Danzou e, portanto, nunca havia realmente se esforçado para tentar entrar na ANBU, ou receber qualquer proposta para tal. Pelo pouco que sabia – porque a realidade é que ninguém, além dos próprios ANBUs podiam falar realmente sobre suas atividades – considerava-a uma organização desnecessária e, em certos casos, até injusta.

Estava pensando nisso quando o sorriso da senhora Yakushi tomou sua atenção; um sorriso que continha um misto de mistério e divertimento, que claramente chamou a atenção dos mais jovens que a rodeavam.

— E quem disse que o QG é a sala do Danzou? – Eles ficaram em silêncio, visivelmente surpresos com o tom de voz da mulher. – Esperemos que os caros traidores não sejam religiosos, senhores.

~

Um pássaro engaiolado devia se sentir exatamente daquele jeito, Karin pensou enquanto a carruagem real seguia para o Templo.

Devia se sentir tristonho, fraco... Impotente. Eram sentimentos depressivos, ela bem sabia. Lamentáveis, até... Mas simplesmente inevitáveis, devido às circunstâncias.

Ela se sentia cansada. Extremamente cansada... Mal havia feito alguma coisa durante aquela maldita semana infernal, mas sentia-se exausta, mais do que nunca, graças à sua mente perturbada. Não conseguia comer, não conseguia raciocinar... Não conseguia nem mais chorar.

Desde aquela cena terrível, havia passado cada minuto de seus dias pensando no pai. Na cena de sua morte, no fato de sua morte e principalmente na falta que já sentia... Na traição do casal real, e na consequente revolta que havia tomado todos os cantos da Cidade Imperial, que agora deveria pertencer a ela.

Princesa ou não, Karin não conseguia deixar de sentir mágoa pela reação daquela gente, que mesmo depois de tanto, parecia disposta a defender condenados. Mesmo que se tornassem condenados por isso.

Ainda que Yahiko e Fugaku tentassem esconder-lhe, a princesa estava sim, ciente das dezenas de presos, condenados e mortos resultantes da absurda explosão do povo. Ela também sabia que boa parte do exército estava sendo não só investigada, como observada. E imaginava que, pela demora de sua coroação, os líderes religiosos também devessem simpatizar com o primo.

Tudo aquilo devia deixá-la furiosa! Possessa, até. Mas tudo o que Karin podia sentir era tristeza... A mais pura tristeza. E uma grande vontade de voltar para a casa, para a antiga vida tranquila em sua chuvosa cidade natal.

Por que as pessoas não podiam compreendê-la? Eles é que haviam agido de má fé. Seu pai fora morto! Morto friamente, diante de seus olhos, numa cena que, mesmo que Karin desejasse profundamente, jamais poderia esquecer.

— Chegamos, minha querida.

Konan, a mais paciente de gentil dos Akatsukis, havia pousado uma de suas mãos carinhosamente sobre as da sobrinha, que descansava sobre a saia do pesado vestido. Lentamente, quase apáticos, os olhos da jovem princesa se ergueram. Karin observou a tia sorrir, ainda que seus olhos brilhassem com lágrimas, e comprimiu sua vontade de perguntar o porquê daquilo.

Se Konan queria chorar, devia chorar. Nagato merecia isso... Lágrimas de pessoas que o amavam. Mas ainda que seu peito e mente estivessem vazios, para a ruiva estava claro que a tia só queria lhe dar forças...

E mesmo assim, não conseguiu devolver-lhe o sorriso, mesmo um triste e melancólico.

— Vamos? – Konan insistiu tranquila e afável, e Karin limitou sua resposta a um acenar fraco de cabeça.

Viu a tia levantar-se, mas levou mais de dois minutos para se mover do banco da carruagem. Com a ajuda de Yahiko – que já estava a postos lá fora, apenas esperando pela chegada das mulheres de sua família –, ela desceu do móvel; ajeitou débil e inutilmente a saia longa do negro vestido cumprido e, aceitando o braço do tio, seguiu em frente, a caminho de seu inferno particular.

Ela não queria, mas obrigou-se a erguer o rosto e cumprimentar, mesmo que com um aceno fraco, os nobres que decidiram prestar respeito ao falecido e à sua família. Tentou seu máximo para evitar qualquer aproximação – porque, francamente, não confiava naquelas pessoas –, mas se esforçou para manter uma postura cordial.

Um aperto de mão aqui, uma troca de sorrisos tristes e lamentosos ali. Uma reverência educada, retribuída com um assentir. Desejos de pêsames, Palavras de gratidão suavemente murmuradas... E aquilo era tudo o que Karin poderia lembrar-se das curtíssimas três horas do velório de seu pai.

Um sacerdote jovem realizou o rito de passagem de Nagato. Disse palavras admiráveis sobre um homem que nunca havia visto. Abençoou um assassino – porque, embora o amasse muito, Karin sabia que Nagato era um assassino – e perdoou-o de todos os seus pecados, como se assim pudesse garantir sua passagem de ida para o céu.

Uma cerimônia grande, vistosa e bonita...

Um sacerdote inteligente, embora claramente inexperiente.

Palavras vazias... Pessoas vazias.

Durante todo o tempo, Karin sentiu como se pudesse sufocar, mas foi firme até o fim. Por seu pai e por ela mesma. Não se deixaria afetar por aquelas coisas, ou ao menos não permitiria que eles notassem que ela havia se afetado.

Quando o duque, muito prestativo, aproximou-se da família de mercenários com uma tocha mediana em suas mãos, Karin quase não percebeu seus movimentos. Ela segurou a tocha, firme, e seguiu passos largos até o “leito” de seu pai, mas foi como se seu corpo agisse sozinho.

O corpo de Nagato estava deitado sobre uma superfície de mármore ou pedra – Karin não sabia especificar. Havia palha sob seu corpo, e um tecido branco o cobria, de modo que apenas o seu rosto estava à mostra.

E ela se esforçou muito para conseguir olhar para ele.

Já fazia uma semana desde sua morte, então o corpo não estava em seu melhor estado – embora Fugaku tivesse claramente se esforçado para conservá-lo. A pele de Nagato tinha um tom ainda mais arroxeado do que da última vez em que Karin pudera vê-lo; os lábios estavam tão escuros que lembravam pintura e em seus olhos, olheiras tão profundas que ele parecia exausto... Tão exausto quanto ela.

O sacerdote disse mais alguma coisa enquanto ela velava o pai, mas francamente, Karin não pôde se importar. Era a hora de dar adeus... E ela não queria. Não podia dar adeus à única pessoa que lhe restara.

Sentiu seus olhos queimarem, mas por algum motivo seu corpo não hesitou quando ela pousou a tocha ao lado do corpo, ateando fogo no feno que rodeava o falecido príncipe.

Em questão de minutos, as labaredas haviam tomado conta do corpo do mercenário que, de uma hora para outra, tornara-se um santo.

Karin fora obrigada a se afastar; quase não percebeu quando Suigetsu se aproximou para puxá-la gentilmente, até que estivesse a uma distância segura do fogo. Ela observou o sacerdote, com as mãos erguidas aos céus, murmurar qualquer coisa inteligível... Ouviu os murmúrios, os lamentos e um choro amargo, cheio de mágoa, que Karin levou meio segundo para perceber ser da tia.

Tomando sua atenção ao resto da família, Karin observou os tios encolherem-se num abraço carinhoso. Yahiko tentava parecer forte, tentava ser firme, envolvendo os ombros da futura esposa enquanto Konan desmanchava-se em lágrimas, tão frágil quanto a própria Karin sentia-se por dentro. A tia fora a única a não chorar até então e, portanto, a cena surpreendeu à princesa.

Estava tão atenta à sua tia que mal pôde notar suas próprias lágrimas – que ela jurava que deviam ter secado, depois de tanto tempo chorando trancada no quarto – descendo silenciosas e discretas por seu rosto.

— Esteja bem, por favor.

O apelo soou baixo, quase murmurado às suas costas. A ruiva não precisou virar-se para reconhecer Suigetsu. – E, por favor, não desmaie de novo... Se... Se vossa Alteza... – Tinha hesitação em sua voz. – Sente-se mal, vou levá-la para se sentar.

Ela não quis respondê-lo pelo simples fato de tratá-la por “vossa alteza”, mas algo mais forte em seu peito a fez falar... Talvez o fato de querer desabafar.

— Uma vez, ouvi falar sobre o seu irmão... – Sua voz era um sussurro dolorido, que o pobre rapaz teve que se esforçar para conseguir ouvir. – Que ele havia sido o motivo de fugir... De procurar uma nova vida.

Suigetsu fez uma careta.

— Eu nunca falei isso para você. – Murmurou com claro constrangimento, mas então suspirou e, dando-se por vencido, confessou: — Sim. – Ele cruzou os braços e tornou a olhar em direção às chamas. – É verdade que ele só fez o que fez parar que eu fosse um bom homem e tivesse boas condições, mas o meu irmão era um desgraçado... Foi quase engraçado ouvir as pessoas falarem tão bem ele no velório.

Olhou-a de soslaio.

— Por quê? – Quis saber – Por acaso se sente assim?

— Não é engraçado. – Ela afirmou com uma frieza quase palpável. – É doloroso... – Confessou depois de um segundo de silêncio, encolhendo-se ligeiramente enquanto envolvia a si mesma com os braços. – Eu... Estou frustrada... Essa gente não conhecia meu pai e, quando falam, tudo soa vazio... Eu fico me perguntando se farão a mesma coisa comigo, quando me for.

Era estranho ver Karin agir daquela forma. Embora fosse uma garotinha mimada e sem qualquer experiência de vida, a ruiva costumava ser teimosa e firme. Portanto, ouvi-la dizer aquilo fê-lo sentir vontade de se aproximar.

No entanto, tudo o que fez foi olhá-la de soslaio. Viu-a encolher-se em seus próprios braços enquanto observava depressivamente o corpo de seu pai transformar-se em cinzas... Era uma figura triste e solitária, e perceber isso fez o peito dele apertar.

— Não vai morrer. – Suigetsu se pegou dizendo. Sentiu-se estranho quando os olhos dela, que mais pareciam duas grandes avelãs brilhantes, seguiram em sua direção. – Eu não vou deixar. – Ele não conseguiu controlar sua própria língua. – O seu pai me pediu para protegê-la... E mesmo que custe a minha vida, vou fazer isso.

A frase fez com que um sorriso suave brotasse nos lábios finos da moça.

— Muito nobre da sua parte, devo admitir... – Ela tornou a olhar na direção do pai. – Mas proteger um pássaro engaiolado é algo tolo a se fazer. Deviam seguir em frente, todos vocês... Procurar coisas novas. Subir o nível da organização. – Suspirou longamente. – De certa forma, eu devo ficar bem aqui...

Por alguma razão, Suigetsu pôde sentir que ela não confiava e suas próprias palavras, de modo que ele também não pôde fazê-lo.

— De qualquer forma... Fugir não vai adiantar nada, não é?

Ele suspirou.

— Não.

Foi sincero.

— Não importa o quanto você fuja, o vazio continua em seu peito... É uma dor crescente, mas com o tempo você se acostuma. – Pôs as mãos no bolso simplesmente para conter o impulso de segurar a mão dela.

— Então acho que eu tenho que me acostumar.

~

Itachi não sabia como diabos ainda podia se manter consciente depois de tanto, mas queria que aquilo acabasse logo. Queria divagar... Flutuar para um mundo inexistente, mesmo que fosse um mundo de loucos.

Queria alucinar com um mundo onde as coisas eram certas... Onde sua mãe estava viva, onde seu filho estava vivo. Onde sua família seguia como ele sempre havia sonhado: firmemente fiel à ideia de justiça.

Mas não conseguiu.

Ainda que quisesse, com todas as forças de seu ser, esquecer-se de tudo o que o fazia sofrer aquele inferno... Ainda que simplesmente quisesse morrer, nem seu corpo, nem sua mente pareciam capazes de permiti-lo.

Itachi não sabia há quanto tempo estava preso. Sequer conseguia contabilizar quantas horas haviam se passado, desde a última vez em que conseguira dormir. Ele tentou mover os braços, apenas para se certificar se realmente estava consciente, mas não pôde. Embora estivesse preso a correntes baixas, seu corpo estava cansado e fraco.

Ele não se importava muito com as surras que levava de tempos em tempos. Na realidade, gostava muito quando os homens de seu pai exageravam ao ponto de fazê-lo cair na inconsciência.

Porque a inconsciência, ele decidiu, era muito melhor do que sua atual realidade.

Quando estava acordado, era impossível não pensar na família que havia perdido... Impossível não pensar na cena da mãe sendo morta, repetindo-se várias e várias vezes em seu subconsciente; no corpo morto do filho que ele sequer teve a oportunidade de ver ou tocar... Nas lágrimas da esposa que tanto amava, na solidão da única filha que o havia restado.

Quando dormia, seus pesadelos o atormentavam. Sonhos sangrentos, cheios de lágrimas e dor... Sonhos em que perdia tudo, desde o irmão tão querido à filha que tanto amava... Sonhos que ele, naquela situação, não podia mais suportar.

Quando a porta se abriu, tão repentinamente quanto das outras vezes, Itachi estreitou os olhos negros. Estava no escuro há tanto que a luz repentina cegou-o imediatamente.

— Você está péssimo. – Obito observou, forçando sua voz ao bom humor. – Sua cara está roxa, Itachi. Não acho que faria tanto sucesso agora, se as garotas o vissem assim. – Ele tentou sorrir enquanto se aproximava para analisar o sobrinho.

De fato, era terrível vê-lo assim.

Podia entender agora o porquê de Fugaku evitar tanto aproximar-se daquela cela. Afinal, se para ele, que não passava de um tio distante, sentia seu coração apertar ao vê-lo daquela forma, tão ferido e fraco – ainda que o próprio Obito houvesse sido autor de algumas feridas mal cicatrizadas –, para o duque devia ser insuportável.

Itachi era muito parecido com Mikoto. Pelo menos na opinião de Obito, o rapaz tinha muito mais da mãe do que do pai e, portanto, era um tanto difícil odiá-lo a todo o tempo.

Ele o havia visto nascer, afinal... Havia ajudado o garoto a dar seus primeiros passos. O havia alimentado, lhe contara histórias para dormir!

— Obito...?

A voz de Itachi soou como um fio, seca, fraca e fina, despertando o tio de seus devaneios. Ele precisava de água, Obito concluiu. Urgentemente.

Pensando nisso, o mercenário tirou um recipiente preso ao seu uniforme e, agachando-se, obrigou o rapaz a beber. Inicialmente surpreso, o conselheiro se engasgou; tossiu seco, pesado, mas não tardou a se recuperar.

— Obito... – Agora parecia melhor. Pensar isso fez com que o mercenário sorrisse. – Eu sinto muito... – O rapaz murmurou, encolhendo-se. – Eu sinto muito... Peço mil perdões por ter sido tão estúpidos...

Itachi baixou a fronte, mas Obito não pôde compreender se fora proposital ou resultado da fraqueza de seu corpo.

— Se eu soubesse... Se eu ao menos imaginasse... Se eu sequer tivesse sonhado com tal situação... – Ele não conseguia falar; seus pensamentos estavam nebulosos, de modo que era impossível concluir uma frase. – Eu jamais... Jamais teria pedido... Eu nunca teria...

Só então o mais velho pôde perceber que ele falava de Kasumi.

— Não teria feito nada, garoto. – Ele suspirou; puxou de uma bolsa presa ao uniforme uma corrente grossa e colocou-a nos braços do sobrinho, que sequer pareceu notar. – Eu sei que disse tudo aquilo a você, mas a verdade é que... – Ele estreitou os olhos. – Não foi sua culpa. – Teve que admitir. – E, se foi, não foi proposital... – Os olhos negros se ergueram no intuito de olhar para o rosto do mais jovem. – Você se apaixonou por minha filha... Quis cuidar dela. Odiá-lo por querer protegê-la seria o mesmo que odiar sua mãe, por querer cuidá-la.

Tornando a atenção às algemas do rapaz, soltou-o das correntes que prendiam Itachi ao chão. – Vamos, rapaz.

.

Sakura deslizou o tecido úmido pela testa da cunhada lentamente, cuidadosa.

Kasumi sorriu fracamente, e remexeu-se na cama grande, encolhendo-se mais, abaixo dos cobertores grossos. Os olhos castanhos se abriram ligeiramente, e ela fez uma careta ao enxergar a preocupada expressão da cunhada.

— Você ainda está aqui. – Murmurou com a voz rouca. Sakura sorriu, e limitou sua resposta a um anuir.

— O que significa que eu ainda estou doente...

— Um pouco de febre. – A rosada a explicou. – Nada mais, senhora. Não se preocupe, por favor. Precisa de tranquilidade.

Kasumi pareceu pensar por um instante. Então suspirou e sorriu. – Por favor, não aja dessa maneira. Eu sei que estou morrendo.

Sakura não a respondeu, mas Kasumi pôde sentir a mão gentil sobre sua testa parar de trabalhar. – Está tudo bem. – A Uchiha a tranquilizou. – Eu estou bem com isso... – Sua voz soou calma, como se realmente aceitasse a ideia de partir.

E Sakura se incomodou profundamente ao perceber.

— Minha febre não passa, não é? Eu também mal consigo me mover... Dificilmente me vejo desperta. Acho que passo tanto tempo inconsciente que, uma hora ou outra, não vou acordar mais...

— Desejar morrer só vai te matar mais cedo! – A mais jovem a interrompeu, claramente aborrecida, erguendo os olhos verdes para encará-la. – Essa é mesmo você?!... – Estreitou-os. – A Kasumi que eu conheci e admirei nunca desistiria assim!...

A outra continuou em silêncio, francamente surpresa pelo sobressalto da mais jovem. Sakura, irritada e emocionada, agarrou as mãos da futura duquesa e, com tanto carinho quanto temor, prosseguiu:

— Eu entendo o que você perdeu. Compreendo que esteja sofrendo, mas você tem uma filha! Uma filha, um marido... Uma família! Pessoas que te amam. – Ela pensou em Obito, e em todo o esforço que daquele mercenário... E quis chorar.

— Pessoas que se importam!... – Prosseguiu – Por isso, não importa o quanto você queira morrer, senhora Uchiha, eu não vou deixar!

E, no mesmo instante em que exclamou, a porta se abriu.

Num sobressalto, a esposa de Sasuke se afastou; ela sentiu o peito palpitar de nervosismo, e os olhos lagrimaram ao ver Obito, com muito esforço, carregar um Itachi fraco e acorrentado.

Ele lançou um olhar estranho à Haruno; um olhar de gratidão, que a fez ter certeza de que havia ouvido alguma coisa.

Kasumi sentiu cada membro de seu corpo paralisar... Sua mente flutuou, seus ouvidos zuniram insuportavelmente e ela sentiu-se desfalecer. Pela primeira vez naquela semana demoníaca, tentou resistir... Apoiou-se na cama, apertando os lençóis, e fez menção para se levantar, sendo impedida pela atenta Sakura.

— Itachi!... – Sua voz soou levemente ansiosa e, embora o marido se sentisse ligeiramente cego graças à claridade, que ele ainda tinha que se acostumar, ergueu os olhos. – Itachi...! Itachi!

Itachi tentou se livrar de Obito, mas o mercenário não o permitiu.

Com cuidado e cautela, aproximou o genro do leito da filha, fazendo com que Sakura consequentemente se afastasse. Muito gentil, o mais velho dos Uchiha sentou o sobrinho ao lado da doente, que imediatamente se sentou.

— Itachi!... – Kasumi sentiu-se tremer ao enxergá-lo. Foi como se ondas de sentimentos invadissem seu peito... Raiva, ódio, pena... Frustração! Mas “Itachi” foi tudo o que ela conseguiu repetir.

Por que ele estava tão machucado?... Por que parecia tão cansado, tão fraco?!

Ela o abraçou tão forte quanto conseguiu e chorou em seu peito, sem se importar com o mau cheiro, o suor e o sangue que consumiam suas vestes. Mesmo com as mãos acorrentadas, Itachi conseguiu envolvê-la...

E pela primeira vez desde que aquele inferno havia começado, ele sentiu que podia aguentar. Sentiu que devia aguentar... E lembrou-se de seus motivos para sobreviver. Estava tão fraco que se sentia em transe enquanto a esposa, carinhosa e atenciosa, espalhava beijos por seu rosto sujo enquanto implorava o seu perdão.

— Isso... – Sakura murmurou lentamente, hesitante. Ela e Obito haviam se afastado do casal e, embora a privacidade fosse impossível, ao menos eles poderiam conversar sem serem ouvidos. – Isso... – Ela prosseguiu, suspirando. – Pode deixá-lo encrencado, não é?

De soslaio, os olhos verdes encararam o mercenário.

Ele parecia... Leve. Ou ao menos mais leve do que nos últimos dias.

Sakura percebeu que apenas o fato de Kasumi reagir o deixava em paz.

— Talvez. – Ele deu os ombros, e realmente não parecia se importar. – É por uma boa causa, não acha? – E, diante do silêncio dela, suspirou.

— Esses dois precisam de forças... Precisam perceber que esperar a morte não vai tornar nada melhor, nem facilitar em nada a vida de ninguém... – Um tanto incomodado com os próprios pensamentos, ele cruzou os braços. – Eles precisam seguir em frente. Pela filha que tem, um pelo outro e, principalmente, por eles mesmos.

— Mas ninguém se importa com isso, não é? – Sakura murmurou lentamente. – E, por isso, realmente penso que está encrencado.

Ele sorriu diante aquela observação.

De fato, talvez, se Kasumi não apresentasse melhora nenhuma... Se recuperasse a ponto de querer levantar-se da cama para acompanhá-lo no velório de Mikoto, ele estivesse mesmo encrencado.

Mas ali, parado, olhando para a filha que, embora chorasse com desespero e vontade, parecia finalmente ter voltado à vida... Ele percebeu que não se importava.

— Algumas vezes, senhora Uchiha... Estar encrencado vale a pena.

~

Com um chicote extremamente desnecessário, Fugaku obrigou o cavalo a galopar mais rápido. Era noite, e ele estava exausto, mas após o último relatório que Zetsu havia entregado, era impossível ficar parado.

Doze de seus homens haviam morrido naquela tarde, nos portões da residência Hyuuga – que agora, custasse o que custar, seria uma das residências Uchiha. Não que Fugaku realmente se importasse com as identidades dos mortos, mas aquilo era um absurdo!

Os soldados mandados haviam sido bem treinados, afinal. Faziam parte do poder militar da nação do Fogo, e eram temidos por todas as partes do mundo!... Estavam armados com barris e barris de pólvora e, mesmo assim, morriam nas mãos de camponeses.

Camponeses!

Era o cúmulo do absurdo.

Ele precisava resolver isso logo.

Veloz como trotava, chegou muito rápido ao seu destino, e sequer esperou que o líder da operação se aproximasse para descer do cavalo e se aproximar da linha de frente. Estava furioso, e não tentou esconder isso.

— Que diabo há aqui?! – Ele gritou aos homens. – Como um bando de camponeses podem dar conta do maior e mais poderoso exército do mundo?!... Respondam-me! Como?!

Como todos pareciam ratinhos diante de suas palavras, foi difícil encontrar o líder ali. Demorou algum tempo até que um homem, que devia ter poucos anos a menos do que o duque se aproximasse, hesitante, com um bilhete em mãos.

— O que é isso?... Do que se trata?

— Estava em um dos corpos recuperados, milord. Não sabemos do que se trata, pois está endereçado ao senhor... Achamos que o melhor a se fazer seria entregá-lo sem ler.

Fugaku franziu o cenho, analisou o pedaço pequeno nas mãos do homem e observou a caligrafia bonita que descrevia as palavras “Ao Duque Uchiha”; puxou o bilhete com raiva e rapidamente o desdobrou.

Caro duque,

O senhor matou meu marido e aprisionou minhas filhas, portanto espero que não leve a mal a tão modesta diminuição de seu exército.

Afinal, não devem chegar nem aos pés de minhas perdas.

Devo dizer que não me sinto muito surpresa com o fato de o senhor ser o misterioso Traidor. Hiashi nunca confiou plenamente em você, tampouco eu.

Mas, mesmo conhecendo a desconfiança de meu marido para com o senhor, admito que nunca imaginei que ele seria capaz de algo assim: tão ousado e inteligente!... Algo que, não lamento ao dizer, garante que as nossas terras nunca, jamais voltem a ser governadas pelas mãos dos Uchihas.

Já ouviu falar em testamento, milord?

Devo lembrá-lo que, uma vez que meu prezado bisavô deixou as terras à minha avó, sua tia-avó, elas não podem ser identificadas como um “legado de família”.

Realmente não sinto nada ao desapontá-lo, meu senhor, mas esta terra não lhe pertence. Nem por herança, nem por direito.

Esta terra pertence aos homens que aqui trabalham. Pertence às suas famílias.

O marido que você me tirou garantiu que isso fosse juridicamente acertado e, por isso, a menos que mate todos nós, coisa que, depois de tantos dias, duvido que consiga fazer, não tem a menor chance.

Com muito prazer, deixo-o com essa desagradável notícia.

Suzuki Hyuuga.

Lentamente, Fugaku amassou o maldito papel.

Aquilo não podia ser verdade... Só podia ser uma brincadeira de muito mal gosto de uma viúva pobre e em desespero. Não havia outra explicação.

E desde quando Suzuki Hyuuga era o tipo de mulher de fazer cartinhas desafiadoras? Durante toda sua vida, mal teve a coragem de desafiar as filhas!... Quem dirá um duque!

— Mexam-se! Eles estão se aproximando!

O mesmo homem que havia lhe entregue a carta exclamou, e todos os militares se colocaram a postos. Fugaku ergueu os olhos e identificou facilmente as figuras de duas pessoas se aproximando.

Diante a forte guarda dos soldados, eles deviam ter sido massacrados.

Por que mais ficariam tão apavorados?

Fugaku logo se apressou: passou pela barreira de homens que havia sido montada e, tão firme quanto os dois que se aproximaram, seguiu a diante.

Não demorou muito para identificar que a estatura de um deles era muito pequena e, por trás das calças, havia uma mulher. Depois daquele bilhete, não foi muito difícil concluir de quem se tratava.

— Fugaku, meu caro.

Suzuki lhe sorriu, mas seus olhos queimavam.

— Há quanto tempo, não?... Ouvi dizer que roubou o trono de meus filhos.

— Sua sobrinha, você quer dizer. – Ele cruzou os braços e sorriu, apenas para provocá-la. – Hinata nunca foi sua filha, não é?

Embora ouvir aquilo a fizesse sentir uma pontada incômoda no peito, Suzuki foi firme, forte, e continuou a sorrir de maneira afetada.

— Roubar a nação não lhe basta, milord? Também quer as minhas terras?

Minhas terras. – Ele a corrigiu. – Tudo isso pertence aos Uchihas, madame. Ou devo lembrá-la que, ainda que seu marido tenha deixado tudo em suas mãos, uma mulher sozinha não pode herdar nada?

Suzuki riu.

Uma risada melódica, claramente provocativa.

— De fato, nossa constituição não é lá muito gentil com esse tipo de coisa. Mulheres não podem herdar negócios, não é?... Tão arcaico! – Ela suspirou. Virou-se, e pegou um pergaminho das mãos do homem ao seu lado – um brutamonte alto e forte que Fugaku reconheceu como um dos capatazes do falecido Hyuuga. Cuidadosa, ela desenrolou o pedaço médio, e em voz alta, começou a ler:

— “Eu, Hiashi Hyuuga, deixo aqui marcadas as minhas últimas vontades”. – Pigarreou. – “Em caso de morte natural, todos os meus pertences devem recair sobre as mãos de meu sobrinho, Neji Hyuuga, que criei como filho... No entanto, no caso de uma morte repentina, ou por ato de violência, cada pedaço de terra que a mim pertence será dado nas mãos de cada capataz responsável.” – Lançou um olhar divertido ao duque, que empalidecera. – “Deixo expresso, também, o desejo de que meus herdeiros cuidem de minha esposa e filhas, caso seja necessário”...

Ela suspirou, fechou o papel e tornou a entregá-lo ao homem.

— Acho que não preciso ler mais nada, não é?

— Estas terras pertencem aos Uchihas. – Fugaku murmurou entre dentes, como um cão raivoso. – Eu vou recuperá-las, Suzuki. Custe o que custar.

— Doze homens foi o que lhe custou, milord. – Ela foi fria ao dizer. – Só hoje. – Adicionou, sorrindo levemente. – Mas, já que estamos fazendo ameaças, deixe-me dizer uma coisa...

Ela se aproximou, sem se importar com o perigo, e pousou o dedo indicador sobre o peito do duque, que se aprumou instantaneamente.

— Estamos acuados enquanto tenta nos atacar... Mas tente fazer uma coisa com Hinata... – Ela estreitou os olhos. – Tente tocar em um fio de cabelo da minha filha, e eu juro que vou te matar.

Ele estreitou os lábios; não moveu os braços, mas aproximou o rosto perigosamente do da matrona Hyuuga, que não moveu um músculo para recuar, mesmo diante dos olhos negros e claramente ameaçadores.

— Eu vou recuperar as terras. – Fugaku repetiu lentamente, ameaçadoramente.

— Então tente.

~

Era muito cedo, mas Obito não se importou.

Ele mal havia dormido, já que passara boa parte da madrugada no quarto da filha. Kasumi parecia lhe ter raiva... Ou ao menos ressentimento, mas ele não se importava. Falar com Itachi a havia tranquilizado; ela tornara-se consciente e racional, de modo que não foi preciso insistir muito para que aceitasse ser uma das anfitriãs do velório de Mikoto.

Obito sabia que a filha, alheia a tudo à sua volta, devia lhe atribuir culpa a todos os acontecimentos desastrosos da última semana. Aquilo explicaria seu comportamento naquela tarde: frio, ressentido e de poucas palavras.

Ele também sabia que Kasumi ficaria apavorada quando percebesse que Fugaku, e não ele havia sido o responsável por todas aquelas desgraças... E embora a descoberta possivelmente fosse tirar a culpa de seus ombros, o mercenário não podia deixar de temer que a fizessem-na entrar em crise mais uma vez.

O dia mal havia clareado, mas ele decidiu que o melhor a se fazer era começar com seus deveres. O dia anterior havia sido longo, mas ele sabia que o atual seria ainda pior. Era a despedida de Mikoto, afinal...

A despedida da mulher que todos amavam.

Definitivamente, não havia melhor descrição do que aquela.

Pensar nisso fez com que Obito se lembrasse do epitáfio de Rin. “Infinitamente amada”, era o que Kakashi mandara descrever. Ele achara uma ideia estúpida e superficial, mas naquele momento, diante de sua atual situação, não conseguia pensar em palavras mais verdadeiras para descrever sua irmã.

Ele subiu até o quarto mais alto da Torre pensando pesarosamente sobre a partida da tão admirável duquesa... Ela havia morrido, mas era quem menos definhava de toda Uchiha, sem sombra de dúvidas.

Decididamente, os mortos é que deveriam penar-se dos vivos.

Dos que ficavam, dos que sofriam e que se lembravam.

Ele não bateu à porta de madeira velha; simplesmente puxou do cinto o molho de chaves e, sabendo de cór, colocou a certa na fechadura.

Como imaginava que a rainha, assim como sua companhia, devia estar no décimo terceiro sono, tentou ser furtivo. A pobre mulher estava passando pelo pior momento de sua vida, e Obito não achava necessário perturbá-la até no sono.

Ele entrou discretamente, mas se surpreendeu com a luz fraca de uma vela acesa.

Andou furtivamente pelo cômodo de entrada do aposento e, curioso, espiou o quarto; teve que forçar suas vistas para enxergar com aquela luz fraca... Mas sentiu todo o corpo tremer ao perceber do que se tratava.

A rainha estava agachada, de joelhos, e era apoiada por Kurenai Yuuhi.

— Mais baixo, majestade. – A tutora tentou lhe indicar, mas foi impossível.

Obito sabia que a rainha não comia muito, mas comia bem. Afinal, Fugaku era quase um anfitrião aos seus reféns mais preciosos.

Portanto, não foi muito difícil imaginar o motivo da indisposição da rainha, nem o porquê de Kurenai estar tão tensa ao tentar abafar os sons enquanto Hinata parecia vomitar toda a janta da noite anterior no recipiente que deviam usar para as devidas necessidades.

Ele recuou assustado com a própria conclusão, e tropeçou em uma mesa de centro que estava no caminho. O barulho fez com que ambas se alertassem, e Hinata sentiu seu mundo cair ao enxergar o mercenário.

— Não... – Kurenai balbuciou. – Obito!... Não! Por favor, não!

Ela implorou, o que só fez com que a situação se tornasse ainda mais clara.

— Está grávida.

Ele concluiu sozinho, sem muito esforço, e teve certeza ao ver a tutora engolir em seco. – Deus do céu, ela está grávida...

Mesmo ele mal pôde acreditar.

Hinata apertou o tecido que cobria seu ventre; usava um vestido velho e simples, marrom, porém limpo. Seus cabelos estavam desgrenhados e abaixo de seus olhos, profundas olheiras se destacavam.

Seu olhar implorava por silêncio, mas ela não parecia acreditar que ele o faria.

Perturbado com a informação, ignorando os pedidos alterados de Kurenai e os olhares tristonhos da rainha, ele simplesmente se apressou para seguir para fora do quarto. Ambas puderam ouvir o tique da fechadura se fechando, e por um longo instante, não puderam se mover.

—... De tantas situações... Como isso foi acontecer justo agora?...

Kurenai agachou-se e envolveu a protegida gentilmente.

— Eu lamento tanto, querida... Tanto...

Hinata não respondeu; apenas continuou parada, apertando o próprio ventre, olhando debilmente na mesma direção que Obito havia partido.

Seu mundo todo havia sido arruinado em uma semana.

Em sete dias, ela perdera o pai, o marido, a irmã... E soube que perderia o filho.

— Ele não vai contar... – Kurenai garantiu, embora sua voz soasse incerta. – Pode parecer o pior dos homens, mas não é... Eu estou certa de que não vai...

Mas Hinata não podia ter certeza.

E se aquele homem fosse o responsável por tudo aquilo?... E se ele fosse A Grande Cabeça, por trás da traição? Só pensar nisso fazia com que se sentisse nauseada.

Hinata fechou os olhos e respirou fundo. Com a mão livre, apertou a corrente no pescoço – um presente de Naruto – e pediu aos céus. Naruto estava vivo, afinal... Tinha que estar. E eles o diriam se não estivesse.

Ele a amava, não é?

Então viria buscá-la... Buscar Hinata e o bebê deles — o qual ela havia descoberto que carregava há tão pouco tempo, no pior de todos os momentos.

Ele viria buscá-los, e Hinata decidiu que nada faria com que sua esperança se esvaísse.

~

Naruto observou, por trás do capuz, a Cidade Imperial.

Tudo parecia frio... Cinza, sem vida.

E, pela primeira vez, ele percebeu, sentiu que as palavras de Sasuke eram verdadeiras: um Rei era a esperança de um povo. Um povo sem rei era vazio, triste e miserável... E, embora não fosse o melhor de todos, Naruto era o soberano daquelas pessoas. Embora fosse ligeiramente estúpido, ele era a esperança daquele povo.

E decidiu que também lutaria por eles.

— Por aqui. – A senhora Yakushi murmurou; fez uma menção com a cabeça e seguiu pelas ruas. Era muito cedo, o dia sequer havia clareado, mas havia pessoas nas ruas, trabalhando.

Ninguém pareceu notar a movimentação do grupo.

Ou então fingiram não notar.

Um calouro de Nonou havia disposto a veterana um horário muito exato dos turnos e dos pontos das rondas, portanto não foi difícil evitar a polícia militar – que era a divisão responsável por se atentar à movimentação da população.

O grupo seguiu até um templo pobre da cidade; uma igreja que Naruto, francamente, nunca havia prestado atenção. Eles entraram, e foram completamente ignorados pelo sacerdote que limpava o local.

Nonou não hesitou nem por um segundo, ela parecia confortável, e agiu como se já tivesse feito aquilo milhões de vezes: seguiu em frente, firme, até a parte interior do templo e, ao alcançar uma espécie de quarto, pediu a ajuda dos rapazes para empurrar um baú grande e velho, que tinha uma pintura que o fazia parecer empoeirado.

Naruto só pôde identificar a entrada quando Nonou, de alguma maneira, fez com que uma porta se abrisse ao chão.

Ela sorriu, satisfeita pelo fato de a passagem ainda estar ali, e ergueu os olhos para os mais jovens, que pareciam abismados com tudo aquilo. Ela ergueu os olhos claros com um sorriso animado estampado no rosto.

— Por favor, majestade. – Afastou-se, dando espaço para a passagem. – Fique a vontade. É o caminho para a sua casa, afinal.

Notas finais
Peço que ignorem qualquer erro. Eu realmente to morta de cansaço, mas queria postar o mais rápido possível... Por isso, talvez algo tenha passado batido. ;-; Bem... Mais uma vez eu quero agradecer a todos os que comentaram. De verdade, vocês são a gasolina dessa fanfic! ;-; Aos que já comentaram e aos que já recomendaram, muito obrigada pelo apoio! O Nyah me cortou, então encerro por aqui. Até o próximo capítulo, pessoal! :)