Notas iniciais
Boa tarde, amadinhos. Vim trazer o capítulo atrasado. :) Eu fui pro Rio no último final de semana, e tive provas durante o resto, então aproveitei o feriadão pra escrever este e postar, assim não fico devendo mais nada pra vocês, meus queridinhos. sz Sim, no domingo provavelmente vai ter outro capítulo. Bem... Não tenho muito o que dizer. LOL' To tristinha porque voltei pra SP e agora to longe do honey-honey. :T Namoro à distância é triste, gente. ;-; Enfim, tirando minhas tristezas de lado... Hoje eu trouxe um pouquinho do Sasuke pra vocês. Espero que curtam! :)


Capítulo 04 – O Tutor.

Dentro das paredes da Torre do Fogo, tudo era bom e amplo. Todos o respeitavam, todos lhe cuidavam.

Todos, exceto um alguém.

Naruto não conseguia suportar aquele menino estúpido, o tal Uchiha. Eles tinham a mesma idade – embora Sasuke fosse algum tempo mais velho – e ainda assim, mesmo sendo um simplório filho do líder da força policial – o que de simplório não tinha nada, exceto se comparado a um príncipe – o garoto conseguia ser ainda mais prepotente e egocêntrico do que qualquer um.

Todos aqueles pensamentos preconceituosos eram de total conhecimento do garotinho Uchiha, que francamente, pouco se importava se estava ou não nas graças do futuro herdeiro do trono. Para uma criança como ele, nada o importava, além de agradar os pais e o irmão mais velho.

Quando Mikoto foi convidada pela rainha para se tornar sua dama de companhia, entretanto, a convivência do príncipe e do Uchiha se tornou constante. Enquanto as mães bordavam, riam, pintavam e cantavam, aquelas duas crianças cheias de espírito competitivo passavam o dia inteiro lutando um contra o outro em um não tão mortal combate com espadas de madeira. A convivência fez com que o sentimento de amizade começasse – mesmo que aos poucos – a florescer, e o pensamento que os considerava tão insuportáveis um para o outro mudou. Agora, ele respeitava o príncipe, pois este era, sem dúvidas, o garoto mais esforçado que conhecia e que provavelmente conheceria.

Sem saber quando exatamente aquilo começou a acontecer, Naruto se surpreendeu consigo mesmo ao notar o quanto admirava Sasuke Uchiha. Ele era forte, inteligente, honesto e confiável.

Sem dúvida, o melhor amigo que o príncipe um dia poderia vir a ter.

*~*

– Esquerda! – O Uchiha exclamou com voz de ordem, e Naruto obedeceu, movimentando o braço com a espada de madeira usada para treinamento na direção ordenada. – Esquerda! – O tutor se aproximou de braços cruzados, observando até mesmo as caretas que o loiro fazia, inconscientemente, ao aplicar os golpes no ar.

Naruto já estava residindo na Torre do Fogo há algumas semanas, e seus ferimentos já estavam consideravelmente melhores, de modo que as aulas de força física – que eram exigidas com urgência pelos conselheiros – enfim poderiam começar.

Sasuke Uchiha, o filho mais jovem de sua família, era o instruído a ensinar e acompanhar os avanços do príncipe na arte de lâminas em geral: esgrima, espadas ocidentais e – principalmente – orientais, que eram o forte do tutor. Claro que ele não era o único professor de Naruto, mas certamente um dos mais irritantes e irritáveis, perdendo apenas para Jiraya, provavelmente.

Mal Sakura havia dito que o braço dele já poderia ser usado com um pouco de moderação e os treinamentos foram exigidos, mas eles iam até um patamar que, se Sak sonhasse, jamais permitiria.

Naruto tinha aulas com o Uchiha quatro de sete dias da semana, e nos outros três, de ataques físicos com Jiraya – que era ainda mais durão que Sasuke. Ela não conseguia entender o porquê de ele estar se esforçando tanto, sendo que era óbvio que não gostaria de estar ali. Mesmo que Naruto fosse, de fato, um grande teimoso, aquilo não respondia nada. Ao menos não para ela.

Sasuke, entretanto, podia compreender bem os sentimentos do Uzumaki. Desde menino, o príncipe sempre tivera um grande senso de justiça; ele sempre quis se igualar aos pais e ser um governador tão incrível quanto foram. Portanto, ver apenas a vila naquele estado deplorável... Mesmo ele, um mero soldado, se irritava com a situação de sua cidade natal. De seu país natal. – Direita! – Sasuke exclamou, e foi prontamente obedecido.

O esforço de Naruto era a prova concreta de que ainda que não se lembrasse do forte sentimento de querer proteger o legado de Minato, de querer arrumar tudo aquilo que foi bagunçado após a morte dos seus pais... Aquele sentimento estava ali.

Guardado, e até mesmo esquecido... Mas sem dúvida estava ali.

Quando Naruto caiu ao chão, exausto e com a expressão visivelmente frustrada pelo fracasso, a espectadora, que até agora observava tudo cheia de angústia nos olhos verdes, correu para socorrê-lo.

Sasuke suspirou impaciente, mas não impediu a enfermeira de erguer e analisar o melhor amigo. – Idiota! Eu disse pra não se esforçar! – Ela exclamou irritada, depois de aliviar-se ao ver que os pontos não haviam sido abertos. Naruto, ofegante, apenas cerrou os olhos azuis com as lembranças amargas do vilarejo atual contrastando-se às doces de sua infância.

– Ele pode continuar? – O Uchiha havia se aproximado, e Sakura sentiu-se um pouco alterada com aquela aproximação. Mesmo que estivesse nervosa, ela preferiu ignorá-lo, porque também estava realmente irritada com toda aquela pressão sobre o príncipe herdeiro. – Ei! – Ainda ignorando, ela ajudou o loiro a se erguer. Apenas quando Sasuke a agarrou pelo braço, impedindo-a de levar o outro para se sentar, ela o encarou. – Por favor, senhorita Haruno, não ignore alguém do exército. – Aquele aviso arrepiou até o último fio dos cabelos róseos, mas ela não fez parecer.

– É claro que ele não está bem. – Tentou parecer ríspida. O moreno suspirou novamente. – Ele não pode continuar. – Sasuke fez uma careta, e olhou para o aprendiz. Naruto já não estava mais ofegando, agora tinha um rosto tenso, pensativo. – Vossa alteza deseja continuar? – O Uzumaki pareceu pensar um pouco. Depois de meio segundo, afastou-se dos braços de Sak; pegou a espada de madeira no chão e tornou a refazer a posição de ataque.

Sasuke ofereceu um sorriso vitorioso à Sakura, que desviou o olhar com irritação. Definitivamente, não queria ver o amigo se machucar por nada.

~

A tensão era quase palpável em todo o recinto. A sala de estar dos Hyuuga nunca, jamais havia parecido tão carregada de energias negativas como naquele momento – com exceção do dia em que Hiashi recebeu, há dez anos, a notícia do falecimento dos Uzumaki.

Da família Hyuuga, apenas Hinata e Hiashi estavam presentes, sentados um do lado do outro. A primeira encarava o chão com o rosto cheio de tristeza envergonhada, enquanto o segundo olhava para seus convidados como se o que tivesse acabado de dizer fosse uma das coisas mais simples do mundo. -... Cancelar? Você quer cancelar o noivado? – O Conde quase gritou a pergunta. Estava chocado.

– Exatamente. – Hiashi afirmou enquanto bebericava da xícara de chá servido momentos atrás pela esposa. – Os motivos são particulares, então peço que não nos incomode com questionamentos que não serão explicados. – O conde Inuzuka levantou-se com o rosto vermelho. Toda a confusão fora transformada em fúria por aquela simples frase tão cheia de prepotência.

– Papai! – Kiba se levantou e parou o senhor colocando-se entre ele e o Hyuuga. – Por favor, meu pai. Isso é um assunto meu, então, por favor... – Mas o homem não respondeu. Apenas esquivou-se do caminho do filho para tornar a encarar o pai de Hinata.

– Você acha que é assim? Acha que pode formar um compromisso com um Conde e desfazer as coisas assim?! – Ele bufou. – Um feudalzinho de merda, sem títulos, com duas filhas mulheres – Referiu-se com nojo. – Que foram mimadas por seu dinheiro sujo. – Hiashi não respondeu. – Essa garota – Apontou para Hina, que ergueu os olhos perolados cheia de constrangimento. – Essa garota nunca conseguirá um pretendente tão ideal quanto Kiba! – Se Hiashi não tivesse geralmente total controle de seu comportamento, talvez tivesse rido muito com aquela exclamação.

– Por favor! – Hinata se levantou imediatamente. – Não fale com papai dessa forma. A culpa é minha, e apenas minha. – Os Inuzuka olharam para a garota com expressões cheias de surpresa. – Fui eu quem pediu por isso... – A mentira não pareceu incomodar o pai, que continuou bebendo de seu chá. Hina deu à Kiba o mais sincero olhar de desculpas e sentiu o peito doer ao enxergar decepção nos olhos castanhos do rapaz. – Perdoe-me, Kiba. – Ela murmurou. – Eu não posso prosseguir com esse relacionamento, porque não me sinto apaixonada por você. – Embora essa afirmação não fosse necessariamente incorreta, ela também não era verdade.

Desde que Hinata soube, pelo pai, que o príncipe herdeiro estava vivo, tudo na vida dos Hyuuga parecia ter se iluminado: vestidos foram feitos para a moça, professoras de etiqueta foram contratadas e ela teve que começar a treinar pintura, pois ser prendada era o mais importante de tudo!

E embora não amasse Kiba, em comparação a ele, o que ela poderia saber da educação que Naruto havia tido nos dez anos em que fora dado por morto? Não o conhecia, e temia que a vida que levou – provavelmente uma vida pobre, uma vez que estava desaparecido – o tivesse transformado em um monstro como muitos espalhados no país. Portanto, sem dúvida, em comparação à casar-se por título com um desconhecido, para ela, era muito mais satisfatório do que casar-se pelo mesmo motivo com alguém que já conhecia.

Ainda assim, ela seria a noiva do príncipe. Era isso o que ela era... Era para isso que havia nascido; esse fato nunca foi segredo pra ninguém, e mesmo que fosse um pouco tristonho não conseguir decidir seu próprio caminho, a moça sentia-se na responsabilidade de atender todos os desejos de seu pai. – Vamos, Kiba! – O Conde exclamou com revolta, e sem pedir permissões ou fazer cumprimentos educados, retirou-se do local, sendo seguido pelo filho que, decepcionado, não conseguiu ter coragem para olhar nos olhos de Hinata e se despedir.

Depois de meio minuto, sozinhos na sala, a jovem Hyuuga despencou sentada no sofá, chocada com sua própria coragem e falta de sensibilidade para com o melhor amigo de sempre. – Você foi bem, querida. – Hiashi a tranquilizou com um sorriso e carícias nos cabelos azulados, agora presos em um penteado que fora feito pela serva naquela mesma manhã. Mas os olhos perolados da moça continuavam desolados.

– Ele estava triste... – Murmurou, mais para si mesma do que para o pai.

– É claro que estava. Perder uma pretendente como você, minha filha, certamente é algo a se lamentar. O pai dele também e é por isso que ficou naquele estado. – Pousou o chá sobre a mesa de centro. – “Um Conde”... – Ele riu com desdém. – Um conde falido, diga-se de passagem.

– Não seja mal, papai. Eles não estão falidos. – A filha o censurou, mas o senhor deu os ombros.

– Mas é um fato que estão com problemas de dinheiro, e esse deve ter sido o principal motivo do filho ter declarado sua vontade sobre o casamento. – O rosto da moça corou. – Claro que ele estava apaixonado, mas também é visível que o casamento seria muito mais vantajoso para eles. Nós somos ricos, donos de terras e educados, diferente daquele senhor que usa um vocabulário tão chulo... – Suspirou com lamentação. – Do que ele me chamou?

– Papai...

– “Merdinha”. – O Hyuuga bufou. – Pois esse “merdinha” poderia pôr abaixo aquela pensão barata que ele e a família estão ficando enquanto estão proibidos de voltar aos seus aposentos dentro dos muros da Torre. – Hinata preferiu não mais discutir. Ajeitando a saia afofada do vestido lilás, ela levantou-se com muita classe; reverenciou o pai e pediu perdão, pois gostaria de estudar em seus aposentos.

Hiashi aceitou imediatamente, e a filha enfim pôde escapar. Era um fato que ela amava o pai incondicionalmente, provavelmente, ele, dentre todas as pessoas, era o que possuía maior afeição da filha mais velha. Ainda assim... Não podia deixar de sentir-se magoada pelo amado pai pensar tão mal dos Inuzuka. De fato, desde que a família governante sumira, a fortuna deles diminuíra muito, em comparação do que um dia havia sido – diferente da família dela, que não vivia de “esmolas do governo”, como Hiashi costumava falar. E ela também estava certa de que o dinheiro que a família de Kiba procurava era muito mais difícil de ser encontrado do que o título que seu pai desejava, mas essa procura não se aplicava a ele propriamente dito.

Kiba Inuzuka era um rapaz adorável, digno de ser admirado por qualquer boa moça. Mesmo que tivesse crescido em fartura considerável, era bondoso e generoso; um garoto cheio de vida, de ideias para tornar um mundo melhor. Infelizmente – para Hiashi – ele não tinha raízes lá muito boas.

A mãe do rapaz era uma condessa muito distinta, parente de segundo grau da falecida rainha. Após a morte de seu pai – no caso, o avô de Kiba – se apaixonou perdidamente por um mero plebeu, que porventura veio a casar-se mais tarde, com o consentimento da mãe. Como era a única filha de sua família, as raízes do marido foram abafadas e ele herdara os títulos, o dinheiro e algumas propriedades da família Inuzuka. Apenas os familiares e as empregadas que trabalhavam para estes na época sabiam do fato, então era natural que todos que tivessem empregadas também soubessem.

Quando Hinata adentrou em seu quarto, sentou-se cansada no banco aveludado da penteadeira vitoriana. Primeiramente, afrouxou as cordas do espartilho e depois, desfez o penteado, escovando os cabelos cuidadosamente. Enquanto se olhava no espelho, começou a comparar suas feições com quando era menina, e inconscientemente, imaginou como seria o seu príncipe prometido.

Estreitando as sobrancelhas, ela levou os olhos até o pedaço de tecido rasgado que havia guardado do seu herói de semanas atrás; em sua imaginação, ela não conseguia parar de encontrar semelhanças entre ele, e seu prometido. Eles tinham os mesmos cabelos dourados... Os mesmos olhos brilhantes azuis... A mesma coragem...

– Não podem fazer deboche da minha noiva!

Ela riu de si mesma, tanto pela lembrança, quanto pela comparação. – Não pode ser. – Murmurou baixo, desacreditada. Mas mesmo que tentasse não acreditar, ela não pôde tirar os olhos do pedaço de tecido rasgado sobre a penteadeira.

~

– Seu banho está pronto, vossa alteza. – Uma serva de vestido cinza se aproximou do príncipe que, até então, estava sentado em sua cama, refletindo.

Ela se aproximou para ajudá-lo a se despir, mas foi recusada. – Eu já pedi para pararem com isso... – O rapaz suspirou desgostoso. – Eu não preciso de ajuda para me banhar. – A garota, que deveria ser pelo menos dois anos mais nova que o rapaz, enrubesceu.

– Perdoe-me, senhor. Só que parecia um tanto cansado, então...

– Não tem problema. – Ele lhe deu um sorriso tranquilizador. – Só não é necessário. – Um pouco constrangida, a serva concordou. Ela seguiu para a suíte avisou a todas as outras que estavam à disposição do herdeiro, lembrando-as das instruções de Tsunade, que deixou bem claro que todos deveriam seguir o que quer que fosse desejado pelo rapaz, e enfim, Naruto pôde relaxar um pouco.

Ele seguiu para a suíte grande, agora vazia de qualquer alma viva que não fosse ele; despiu-se dos trajes e adentrou o ofurô deliciosamente quente. Enquanto mergulhava a cabeça para se livrar do suor nojento, as palavras irritantes dos insuportáveis conselheiros retornaram à sua mente.

“Um dever para com o país”... “Um dever para com o povo”...

Subitamente, os olhos se abriram embaixo d’água, cerrados. Sim... Ele tinha um dever; mesmo que não se lembrasse, ele sabia que tinha.

~

A pedra quicou três vezes pelo lago, antes de afundar. E mal essa se foi, outra foi atirada. Outra que seguiu o mesmo caminho.

Sak estreitou os olhos e se sentou emburrada sobre uma das pedras que provavelmente estava ali para paisagismo. Como ele poderia ser tão insensível à dor alheia?! Como justo ele, cavalheiro dos seus sonhos, poderia ser tão ameaçador justamente com a pessoa que o salvara?! – Talvez não se lembre de mim. – Ela murmurou irritada.

– Quem? – A voz a fez pular, assustada. Para sua sorte, aquele era o Uchiha errado. Ela se levantou e reverenciou-o educadamente.

– Itachi-san! Que surpresa vê-lo aqui. – Era mesmo verdade. Normalmente, Itachi estava à porta de Naruto, sempre vigiando. Itachi deu os ombros com um sorriso estranho que Sakura não entendeu.

– Não se preocupe, tem alguém vigiando. De qualquer forma... Quem acha que não se lembra de você? – O rosto dela corou. Estreitou as sobrancelhas e tornou a olhar para a água. – Tudo bem se não quiser contar. – Ele se sentou na pedra à frente da enfermeira e jogou uma pedra pequena, que quicou cinco vezes antes de afundar.

– Seu irmão não é muito delicado. O Naruto-... Digo, sua alteza... Está muito cansada. Temo que os pontos possam se soltar. – Itachi assentiu.

– Se pensa dessa forma, por favor, avise ao meu irmão. Ele realmente não deseja mal ao príncipe... Assim como todos nós, só está preocupado... Quer ensiná-lo a se defender. – Pela cara da Haruno, ela não parecia acreditar muito nisso. – É a verdade. – O mais velho garantiu com um sorriso.

Ainda desconfiada, os olhos verdes fitaram os negros sempre sinceros e gentis... Tão diferentes dos do irmão... – Sasuke preza muito o príncipe. Ele realmente ficou feliz quando soube que ele estava vivo. – Sasuke, feliz? Imaginá-lo sorrir sem deboche era uma missão impossível para a rosada. – Por favor, não pense mal do meu irmão. Todos nós... Só queremos a segurança do príncipe herdeiro. – O sorriso da moça foi tímido, mas ela acabou por dar os ombros.

– Acreditarei em você, senhor Uchiha.

~

Após terminar de se vestir, Naruto saiu às pressas da suíte em que acabara de se banhar, e se surpreendeu com a visita inesperada.

Sasuke Uchiha estava em pé, com a postura ereta típica de cavalheiro. Entretanto, ele não carregava arma alguma: apenas uma caixa de madeira mediana, negra com desenhos dourados.

Ele reverenciou sua alteza com muita educação. – O que faz aqui, senhor? – Naruto não pôde evitar o soar surpreso.

– Espero que não esteja incomodando vossa alteza. – O loiro negou.

– Só estou surpreso. – Confessou. – O que o trás aqui? – O Uchiha pareceu hesitar. Olhou fixamente para a caixa por alguns segundos e depois a estendeu na direção do outro.

– Isto pertence à minha mãe, senhor. – Confuso, Naruto puxou o que lhe fora ofertado. – Ela preza muito o conteúdo desta caixa de lembranças, portanto, gostaria de pedir que, mesmo que demore, devolva a ela.

– O que eu ia querer com uma caixa de lembranças da sua mãe? – O loiro riu daquilo, nada naquela postura educada e gentil parecia fazer sentido.

Sasuke se aproximou e ergueu a tampa delicada, a fim de revelar do que se tratava tudo aquilo. Os olhos azuis do herdeiro do reino se estreitaram ao encontrar a imagem de uma mulher sorridente Uma mulher de cabelos ruivos, no mesmo tom de vermelho das paredes da Torre. Um tom de vermelho amor.

Hesitante, o loiro puxou o retrato pequeno extremamente bem feito. – Este retrato foi feito há anos, por minha mãe. Ela era uma das damas de companhia da falecida rainha... – Os olhos negros analisavam cada movimento na expressão do outro, que ainda parecia estar assimilando. – Imagino que ninguém tenha lhe mostrado imagem alguma de seus pais. Não tenho nada de sua majestade, o senhor Minato, mas pelo menos uma imagem da senhora Kushina...

– Essa é a minha mãe? – Naruto ergueu os olhos na direção do tutor, que assentiu prontamente. O rapaz tornou a observar o retrato e percebeu que o rosto daquela mulher era o mesmo rosto que sempre lhe aparecia em sonhos. – Está é minha mãe... – Ele concluiu para si mesmo, e alisou o papel grosso.

Sasuke baixou a fronte. – Eu sinto muito, vossa alteza... Sinto muito pelo ocorrido, mas fico sinceramente feliz por você ter sobrevivido ao ataque. – E ergueu os olhos para fitar os orbes azuis, que agora estavam lhe dando atenção. – Sei que muitos anos se passaram senhor, mas eu o conheci... O príncipe que conheci... O Naruto que conheci... Era o garoto mais obstinado de todos! Sempre foi esforçado, sempre sonhou em alcançar os feitos de seu pai... É por isso que eu acredito incondicionalmente em sua capacidade. Por isso e porque vi, pelos treinamentos, que o senhor está decidido a mudar. Que o senhor sentiu-se tocado ao ver a situação lá fora e que quer, assim como eu, assim como todos, fazer algo por essa gente! – O rosto do Uzumaki estava pensativo, mas ele não parecia nem tenso, nem nervoso. Mesmo com tantas responsabilidades visivelmente jogadas em seus ombros.

Sasuke ajoelhou-se e curvou a fronte, fazendo o outro surpreender-se. – E- Ei! Levante-se! – O loiro exclamou constrangido, mas o Uchiha não se moveu.

– Sei que são coisas difíceis para se assimilar, meu senhor... – Ele apertou os punhos. – Mas não creio que nosso povo tenha uma escolha melhor, além de você, para governá-los. – “Eu não vou ser um bom líder!”, era o que Naruto queria dizer. “Eu não sei cuidar nem de mim mesmo!” ele queria gritar, mas não disse uma palavra. – Eu sei que é difícil, mas... Tanto eu, como meu irmão e creio que muitas outras pessoas... Estamos dispostos a dar nossas vidas pelo senhor. Então, por favor... – Os olhos negros se ergueram. – Faça a ordem voltar ao reino. – Naruto puxou-o pelo antebraço e ajudou-o a se erguer. Ele sorriu amigavelmente, e apertou as mãos do tutor amigavelmente.

– Vamos falar com os conselheiros.

~

– Vocês o quê?! – Jiraya praticamente berrou. A conselheira suspirou e tornou a beber de seu chá quente.

– Será que a idade começa a afetar sua audição, Jiraya? – Ela debochou. O velho estava pronto para se jogar e arrancar todos os fios de cabelos grisalhos daquela maldita, mas foi impedida por Tsunade, que teve que agarrá-lo pela cintura para contê-lo.

– Ele não está pronto! Ele não pode ser apresentado à sociedade se nem mesmo tem forças para se defender sozinho! – Exclamou com desespero.

– Está decidido, Jiraya. Logo completarão dois meses desde que o príncipe retornou; os nobres que estão afastados... Não poderemos mais mantê-los assim, no escuro, nem o povo. Nós devemos esclarecer as coisas. – Os punhos do guerreiro novamente se cerraram. Ele sabia que tudo aquilo estava certo, mas ainda assim... Por quê? Por que ele não conseguia aceitar aquilo?!

– Ele será apresentado na semana que vem, depois de os preparativos estarem prontos. – Homura Mitokado, o velho ancião, murmurou com cautela. – Espero que até lá, tenha preparado sua alteza, o príncipe, e a si próprio para o acontecimento. – Sem esperar mais nada, Jiraya se retirou do local soltando fogo pelas fuças. Foi seguido por Tsunade até seu quarto.

Chegando ao local, tomou o saquê quente do gargalo, e jogou o recipiente de porcelana na parede assim que este se esvaziou, estourando a garrafa em cacos médios que se espalharam pelo chão. Ele estava pronto para jogar também o copo, quando sentiu Tsunade agarrá-lo mais uma vez pela cintura. Ela estava chorando. – Você tem que se acalmar! – Ela exclamou angustiada. – Eu sei que está com os nervos a flor da pele, mas... Ultimamente, nem mesmo o Naruto... Nem mesmo com Naruto você tem sido gentil! – Segurou o rosto do homem firmemente e fitou os olhos escuros. – Aquele garoto precisa ter você ao lado, agora mais do que nunca, Jiraya! – Sibilou. – Você tem que compreender... Não é só você quem está perdido! Ele acaba de descobrir que tem que cuidar de um reino inteiro! Ele está assustado, confuso... – Ela fungou, mas não soltou o rosto do antigo general de guerra. – Ele é o filho do Minato... – Disse entre dentes. – Filho do Minato, e da Kushina... – E mais lágrimas escorreram por seu rosto. – Temos que amá-lo não só por nós, mas também pelos dois. Temos que estar ao lado dele... – Jiraya também fungou; cerrou os olhos para evitar inutilmente que as lágrimas fossem vistas e abraçou a princesa, que o apertou gentilmente em seus braços, sem nunca imaginar que ela, sem duvida, era a única com poder suficiente para tranquilizá-lo.

Afinal... Ela, mesmo que não soubesse, era a única mulher que ele já havia amado algum dia.

~

A conselheira suspirou ao fechar a porta de seu aposento. – Esses dois estão me saindo muito pior do que o próprio príncipe. – Koharu reclamou revirando os olhos.

– Eles não confiam em nós. – Homura murmurou baixo, refletindo sobre os acontecimentos. – Mas... Koharu, não acha que talvez, de fato, esteja cedo demais para introduzir o príncipe à sociedade? – A velha se apoiou na bengala e olhou para o companheiro de sempre com seriedade extrema.

– O próprio príncipe veio até nós, pedindo que isso fosse feito. Somos apenas servos... Como poderíamos negar? É tudo o que sempre quisemos: que a linhagem Uzumaki retornando ao trono, o príncipe herdeiro tomando posse de suas responsabilidades... Logo, se os céus permitirem, o reino retornará a ser unido como sempre foi.

– Mas o fato de que o príncipe nos pediu... Creio que foi um tanto suspeito, você não acha? – A mulher deu os ombros, e depois riu.

– Suspeito que tenha um dedo Uchiha nessa história. – Homura ergueu as sobrancelhas, surpreso e confuso. Koharu ainda sorria; sentou-se e olhou para a janela como se estivesse orgulhosa de si mesma. – Foi mesmo uma grande ideia escolher Sasuke Uchiha como o tutor do príncipe. – Ela se deliciava com a imagem do jovem herdeiro tintilando espadas com o também jovem guerreiro no jardim.

– Acha que ele foi persuadido pelo menino Uchiha? – O velho se levantou para observar também. Koharu deu os ombros.

– Quem sabe? Mas tenho certeza de que ele não é inocente no caso. Certamente... Conseguiu puxar o amor à sua pátria escondido no fundo do coração do filho de Kushina e o trouxe a tona. Sasuke é realmente genial... – Ela colocou o indicador no queixo, pensativa. – Quando chegar a nossa hora, eu creio, será um conselheiro incrível. – O outro concordou.

– Sem dúvida... Os Uchiha sempre têm um grande potencial.

Notas finais
Enfim. Não foi o melhor capítulo que eu escrevi na vida, mas não está de todo ruim. q Era um capítulo necessário. Pude mostrar um pouco dos Uchihas e de sua fama, um pouco de Sasuke, um pouco de Kiba e até mesmo um pouco da Mikoto - sim, ela vai ser uma personagens de considerável importância na história. Uma pequena explicação sobre a família Inuzuka: A mãe do Kiba era uma parente distante dos Uzumaki; ela foi uma condessa granfina muito desejada por jovens da corte, mas seu espírito rebelde se amarrou justamente com um plebeu (no caso, o pai do Kiba). Como o pai dela havia falecido, e a mãe dela (avó do Kiba) era a criatura mais doce do universo, permitiu o casamento, desde que as raízes do noivo fossem escondidas e que ele aceitasse adotar o nome da família. Algumas empregadas "de confiança" sabiam do caso, e, espalharam para suas amigas "de confiança", por tanto... Muita gente sabo dinhe e das raizes do Conde Inuzuka. XD A família sempre foi muito rica, mas com a morte dos governantes, o reino entrou em caos, e naturalmente, os impostos caíram, e consequentemente, renda das famílias da corte. Os Hyuuga são feudais, eles não fazem parte da corte. Eles pagam impostos, como os demais plebeus, a economia não caiu TANTO quanto os que dependem, como Hiashi diz, "das migalhas do governo". XD Enfim. Não foi uma explicação HISTÓRICA, mas acho que deu pra entender! XD Qualquer dúvida, crítica ou sugestão, por favor, fiquem a vontade. Nos vemos no domingão! sz