Notas iniciais
Quatro e quarenta da manhã e eu aqui, terminando de betar o capítulo. XD Vamos, me amem e me perdoem pelo atraso! sz Eu estou preocupada com as provas, então fiquei meio que sem criatividade. Pra voltar a criativar, comecei a ler a maratona que o Redisu fansub ofereceu aos seus leitores, com deliciosos shoujos. *Q* Enfim. Eu to meio zaiz, então não tenho muito o que falar. XD Só que esse capítulo foi um pouquinho complicado pra sair. :x De qualquer forma, fiquei satisfeita com o resultado (talvez seja só o sono... espero que não. XD), então espero que vocês se divirtam!

Capítulo 05 – O Herdeiro.

Os dedos de Hinata passeavam agilmente pelas teclas do piano, e sorrindo feito uma criança, ela cantarolava uma musica alegre e infantil. A pequena criança de cabelos negros sentada em colo da Hyuuga gargalhava e batia palmas no ritmo da música.

Quando a melodia terminou, entretanto, a menininha começou a bater nas teclas, como se pedisse mais. – Ora, Akane. – A mãe em questão se levantou imediatamente; puxou dos braços de Hinata a pequenina e a envolveu. – Querida, não pode quebrar o piano da tia Hinata. – Hina riu.

– Ela não vai quebrar com esses dedinhos. Então não se preocupe, Kasumi. – Aproximando-se mais, a Hyuuga ajeitou a cabeleira lisa do rosto de sua protegida.

A dita Kasumi era um pouco mais baixa que a filha mais velha dos Hyuuga, embora tivesse mais idade que ela. Os cabelos desta eram castanhos e belamente encaracolados; sua pele era alva e seus olhos, também castanhos, eram idênticos aos da filha que agora carregava.

– Hinata é muito apegada a crianças, imagino quando tiver seus próprios filhos. – Uma mulher de cabelos negros que até agora encontrava-se sentada no sofá, ao lado da senhora Hyuuga, resolveu se juntar às jovens.

– Sim, e serão belas crianças. O príncipe não tem como sair feio, Hinata. Eu tenho inveja de você. – O rosto da Hyuuga corou, porque ela ainda não estava pensando em filhos. Só a ideia de casar com um desconhecido já era apavorante o suficiente.

– E por falar nisso, querida, amanhã temos um baile para ir. – As sobrancelhas azuladas da moça se arquearam.

– Mas... É um baile reservado à corte. Eu não me sentiria bem indo, e deixando minha família para trás.

– Eu sou sua madrinha, tenho todo o direito de requisitá-la para tal evento. Além disso, estou certa de que seu pai não negará... Aposto que ele está ansioso para que você e o príncipe se reencontrem. – Mais uma vez, Hinata corou. Sua madrinha, a senhora Mikoto Uchiha, alisou o rosto tímido gentilmente.

– Também ficarei feliz se for, Hinata. Sempre fico sozinha nesse tipo de evento, pois minha sogra conhece muita gente. – Mikoto riu.

– Perdoe-me, querida, eu não deveria negligenciar minha nora. – Kasumi deu os ombros, ainda sorria.

– Mas o Kiba estará lá... Não sei se deveria. Vou me sentir desconfortável. – Mikoto bufou.

– Querida, ele estará presente no seu jantar de noivado e também no seu casamento. Nada tornará isso menos desconfortável. Acredite em sua madrinha: quando mais cedo se verem, mais simples a convivência irá se tornar. – Ela ainda estava disposta a recusar o convite, mas a mãe se levantou farta de toda aquela lenga-lenga.

– É claro que você vai, Hinata querida. Seu pai certamente fará questão. Pode usar aquele vestido novo que mandamos fazer semana retrasada. – Era difícil pensar em qual dos vestidos ela se referia.

–... Claro, mamãe. – Ela respondeu cabisbaixa; sabia que não teria como vencer depois daquele olhar de ordem.

~

Naruto se esticou preguiçosamente. Havia acabado de terminar o banho e sentia-se renovado mesmo depois de uma maratona de treinamento com Jiraya.

Bocejando, ele seguiu para a cama grande – já estava se acostumando com toda aquela mordomia – e se jogou sobre o colchão macio. Esticou-se mais uma vez. – Sem professores amanhã... – Ele murmurou para si mesmo, cheio de felicidade. Entretanto, ao se lembrar do porquê do dia de folga, revirou os olhos. – Mas vou ter que aguentar uma corja de ricaços estúpidos. – Murmurou para si mesmo, quase se esquecendo de que, agora, ele também fazia parte do grupo de ricaços. Sentou-se para se esticar.

No dia seguinte aconteceria o que era de praxe para a introdução de um príncipe perdido: um baile, com todos os integrantes da corte e seus familiares.

Particularmente, o príncipe não via aquilo com bons olhos. Tratar a corte com mais importância do que o povo era hipocrisia de sua parte, uma vez que ele se sentia parte desse povo, e que ele sabia que plebeus faziam muito mais do que nobres. Claro que como era um rapaz jovem e não sabia muito, sua opinião foi prontamente ignorada.

Suspirou ao se lembrar, e para afastar os pensamentos, puxou a pequena caixinha de madeira negra emprestada da senhora Uchiha. Agora que Sasuke não estava por perto, ele poderia ficar a vontade. Curioso, ele abriu a tampa e retirou todos os tesouros da mãe de seu tutor de dentro do recipiente e, um a um, analisou os retratos.

Tinham muitos de Kushina... Alguns de um homem, que Naruto julgou ser o pai dos irmãos Uchiha pela semelhança; outros de Itachi e Sasuke e um dele próprio, ao lado do Uchiha mais jovem. Nenhum dos dois parecia feliz ao pousar, e aquilo o fez rir.

Ele continuou passando papel por papel, mas parou para analisar um retrato de uma garotinha em especial. Ela era pequena, estava desenhada de corpo inteiro; vestia um quimono sem cor, tinha olhos grandes e envergonhados; cabelos curtos e franja reta.

Os olhos azuis do príncipe se estreitaram ao ver a imagem; de alguma forma... Ele recordava daquela garotinha de algum lugar...

O som do bater da porta tirou toda sua atenção. Ele imediatamente guardou a papelada, e depois de ajeitar a caixa, permitiu a entrada de quem quer que fosse.

Ele quase deixou escapar um suspiro de alívio quando o avô passou pela porta, e só não o fez porque ele parecia estranhamente sério. Lentamente, hesitante, Jiraya se aproximou do neto de consideração.

Sentou-se ao lado dele cabisbaixo e pensou bem antes de prosseguir. Aos poucos, os olhos negros se ergueram, e sorriram ao menino que viu crescer. – Amanhã não teremos volta, Naruto. – Ele bateu amigavelmente no ombro do outro, que o olhava confuso. – Amanhã... Você será o príncipe herdeiro. E logo se tornará o Rei.

–... Acha que eu não consigo velho? – Ele precisava ouvir a resposta do avô, porque ele mesmo não conseguia confiar em seu potencial. Mesmo que Itachi e Sasuke sempre dissessem que “o poder de governar estava em seu sangue”, ele não podia ter tanta certeza.

– É claro que eu acho, filho. – Ele bateu de leve nas faces do príncipe, com um sorriso doloroso estampado no rosto. – E é isso que eu mais lamento. – As sobrancelhas loiras se ergueram, surpresas.

– Lamenta...? – Jiraya suspirou.

– Se eu não tivesse tanta certeza... Não hesitaria em te arrancar daqui. – Naruto sorriu desgraçadamente e baixou a cabeça.

– Eu sinto que preciso fazer isso. – O velho riu daquelas palavras; não pelo fato de elas não combinarem em nada com o rapaz, mas com por ser a segunda vez que ouvira a mesma frase, dita com os mesmos olhos azuis decididos.

– Você é igual seu pai. – Ele bagunçou a cabeleira loira, e Naruto bufou.

– Não faça isso, não sou criança. – Reclamou, e o silêncio retornou. -... Avô. – Ele nunca tratava Jiraya assim, por isso, o antigo general pareceu ficar confuso. – Eu sinto muito por ter me comportado daquela maneira quando chegamos aqui. Eu só... – O sorriso do velho foi triste; ele bateu no ombro do outro amigavelmente.

– Sou eu quem devia me desculpar. Fui um tirano... Espero que vossa alteza possa perdoar-me algum dia. – O príncipe revirou os olhos, e tirando mais um sorriso do mais velho, que desta vez, alisou a cabeleira amarela. – Eu nunca pensei que íamos voltar aqui, filho. – Os olhos de safira do rapaz tornaram-se mais sérios. – Nunca pensei que os conselheiros, depois de pegar o poder do país em suas mãos, desejariam o seu retorno. Por tanto... Nunca o treinei para ser um rei. – Naruto não respondeu. – Mas seus pais sim. – Mais silêncio. – Seus pais... – O velho parecia segurar suas lágrimas, certamente dedicadas aos falecidos governantes. – Seus pais o ensinaram. E mesmo que você não se lembre... – Socou de leve o peito do garoto. – Está aqui dentro. Você herdou a vontade do fogo. – O Uzumaki sentiu-se um pouco constrangido por tantas palavras inesperadamente encorajadoras. – Eu confio em você, porque seu pai confiava. E é isso o que os pais fazem... Os pais confiam nos filhos.

– Pare de falar assim. – Naruto riu, estava nervoso. – Nem parece você, velho. Falando coisas assim... – Jiraya assentiu.

– Amanhã temos um dia cheio. – Levantou-se com uma expressão suave. – Então trate de dormir, garoto. – E depois de reverenciá-lo, seguiu para a porta.

– Velho! – O fez parar antes de sair. – Obrigado. – Jiraya sorriu, e depois de acenar com a cabeça e desejar mais uma vez boa noite, se retirou.

~

– Saia daqui! – Um garotinho gordo gritou.

– Isso mesmo! – Outro magrelo também exclamou. – Não queremos plebeus dentro dos muros Da Torre! – Ele reclamou, e tornou a puxar a cabeleira curta da garotinha que nesse momento, estava ajoelhada, chorando incansavelmente.

– Desculpe... – Ela murmurava. – Desculpe... – Todo o quimono amarelo pálido estava sujo; ela sabia que não teria coragem de dedurar os nobres esnobes para o pai, então só de imaginar a bronca da mãe pela sujeira sem sentido a fazia chorar.

– Não peça desculpas! Apenas saia! – O gordinho mandou, mas seus mau tratos foram interrompidos por uma pedrada no braço.

Ele se virou para ofender quem fosse, mas ao ver o príncipe de espectador, com uma pedra em mãos, todas suas ações foram brecadas por um misto de vergonha e medo sem fim. – O que vocês estão fazendo? – O loirinho murmurou com irritação.

Os olhos da garotinha Hyuuga ergueram-se, envergonhados. O garotinho pareceu ainda mais irritado ao reconhecê-la. – Vocês enlouqueceram?! – Ele praticamente gritou, e jogou outra pedra na direção dos outros, que se esquivaram exclamando desculpas. – Não quero saber de desculpas! Vocês não podem fazer deboche da minha noiva! Ouviram?! – Os rapazinhos correram, gritando “desculpe”, “desculpe”, mas de nada serviu, pois o herdeiro correu atrás deles. – Eu vou ensinar-lhes a nunca mais mexer com meninas!

Os olhos perolados abriram-se lentamente; a luz da manhã já feria suas vistas. Preguiçosamente, a moça se sentou. Esticou os braços e após um bocejo cansado e preguiçoso, levantou-se.

Ela caminhou passos calmos até a penteadeira, onde se sentou e começou a escovar os cabelos. Quando olhou para seu reflexo no espelho, estava sorrindo, e por algum motivo achou graça disso.

Fazia anos que não sonhava com o príncipe... Era um tanto irônico que, justamente quando ela estava com medo de revê-lo, sonhou com a lembrança da primeira vez que o admirou.

A porta rangeu, denunciando a entrada de alguém e pelo espelho, Hinata viu Tenten Mitsashi, sua criada, adentrando timidamente. – Já acordada, senhorita? – Ela sorriu gentilmente, e reverenciou a Hyuuga. – Bom dia.

– Bom dia, Tenten. – Hina retribuiu o cumprimento. – Mamãe já mandou o vestido do baile? – Aquilo surpreendeu um pouco à morena, já que no dia anterior, ela sequer queria ouvir qualquer menção ao baile.

– C- Claro. – E então ela sorriu. – Eu vou buscá-lo imediatamente. – E se retirou antes de esperar a resposta.

Hinata, após terminar com os cabelos, levantou-se e ansiosamente, andou em círculos pelo quarto. Há muito ela não se sentia assim, tão ansiosa... Tão curiosa.

Quando Tenten retornou, ela se deliciou com a escolha da mãe, pois aquele era um dos vestidos mais lindos que ela já tivera algum dia. – Sei que ainda falta tempo, mas eu já deveria começar a me aprontar, não acha? – Ela questionou dividida entre a ansiedade e o constrangimento por parecer tão eufórica. Tenten, por outro lado, parecia estar se divertindo com aquilo.

– Eu creio que quanto mais cedo começarmos, mais atenção aos detalhes nós prestaremos. – Timidamente, a Hyuuga concordou, e assim os preparativos se iniciaram.

A criada se apressou em preparar o banho que foi cuidadosamente feito: com direito a folhas tranquilizantes n’água e tratamento especial da senhorita Mitsashi, que até uma sessão de massagem ofereceu à moça.

Depois do relaxante banho, entretanto, a hora mais difícil do dia – pelo menos para a criada – chegou, e ela começou a apertar a cintura da Hyuuga com o espartilho, enquanto esta se segurava no mastro do dossel.

Como sempre acontecia quando tinha um compromisso na Torre, Hina fez questão de ficar o mais bonita possível, por tanto foram necessários mais de vinte minutos até que as roupas de baixo estivessem postas. Depois, com um pouco de dificuldade, a Mitsashi conseguiu colocar o vestido, que caiu perfeitamente bem em sua dona.

Era rendado, longo e bege; com mangas fofas de princesa que deixavam os ombros pálidos à mostra. Definitivamente, deixava-a com um belo porte.

Tenten ainda terminava de prender os galhos delicados de flor do campo nos cabelos de Hinata quando Neji entrou no quarto para avisar que os Uchiha já haviam chegado. Claro que, diante a imagem da prima, por um instante, ele não conseguiu raciocinar, nem se lembrar do por que estava ali. Felizmente, outra empregada o ajudou. – Avise a eles que estou quase pronta. – Hina pediu aos risos; mal podia crer que ficara metade do dia se enfeitando para uma mera festa! Claro, não era só uma mera festa, mas era o que os outros, desinformados, pensavam.

Depois do aviso, a criada se apressou em terminar os enfeites nos cabelos soltos para enfim livrar Hinata de sua companhia – embora esta realmente a prezasse.

Ela agradeceu muito à Tenten, sinceramente, por toda a paciência e alegria em fazer seu trabalho, e seguiu para a sala de estar, onde provavelmente todos estavam reunidos.

Os Hyuuga e os Uchiha não eram “unidos”, propriamente ditos, mas eram muito amigáveis uns com os outros. Afinal era um relacionamento que beneficiava ambos os lados, e isso era o que realmente importava para os patronos das famílias.

Conexões são tudo, afinal de contas.

Aproveitando-se de Kasumi tocando piano para que Mikoto e Hanabi cantassem alegremente, Itachi decidiu que, em seu horário de folga, deveria fazer o que fazia de melhor – depois, é claro, de bancar a babá – e se sentou ao lado do irmão a fim de debochar um pouquinho.

Sasuke, que estava excluído da conversa dos adultos – que só incluíam o senhor Uchiha, o senhor Hyuuga e Neji – estava emburrado, em pé ao lado da janela. – No que está pensando, irmãozinho? – Os olhos negros do mais jovem se reviraram, e Itachi segurou uma risada. – Acho que não te contei, mas... Há alguns dias, vi sua enfermeira se perguntando se você ainda se lembrava dela.

– O quê? – Ele até mesmo desencostou-se da parede.

– É claro que eu já percebi que a Haruno é aquela enfermeira que você passou um tempo apaixonado, quando tinha quatorze anos. – Ele riu da expressão do mais novo, que corou absurdamente. – Alegre-se! Pelo visto, ela ainda se interessa pelo seu rosto formoso. – Os olhos negros do mais jovem se reviraram.

– Pela décima vez, Itachi. Não é porque eu fico agradecido a uma garota que quero me casar com ela, ponha isso na cabeça. – O mais velho bufou.

– De qualquer forma, ela estava irritada contigo, pelo modo como tratou o príncipe.

– Engraçado como ela se preocupa mais do que o próprio Naruto. – Fez uma careta ao se lembrar de que, de fato, havia algum tempo que a enfermeira evitava trocar palavras – embora não evitasse olhares – para com ele. – De qualquer forma, eu não me interesso por aquela garota dessa maneira, então espero que você esteja errado. – Itachi fez uma careta, mas acabou por dar os ombros.

Foi quando Hinata enfim alcançou a sala.

Ela foi recebida com os cumprimentos de praxe, e elogios educados de todos os membros da família Uchiha. Hiashi observou com gosto enquanto Sasuke, um pouco envergonhado por ser o par de uma dama tão bem apresentável, tentava manter-se suficientemente educado. – Mas... O Kiba estará lá. – Hinata murmurou para Mikoto quando o pai estava ocupado discutindo sobre negócios com o padrinho.

– Querida, você é uma moça, e ele um rapaz. Vamos chegar todos juntos na festa, e você entrará sozinha?! Impossível, não deixarei que passem tal vergonha. Não precisam ficar a festa toda juntos, pois isso seria desconsideração da sua parte; até porque seus interesses na festa são outros... Rondar o príncipe lembra? – A ideia do plano da senhora Uchiha era um pouco constrangedora, mas Hina concordou.

No fim, quando Fugaku achou ser o tempo ideal, pediu com muita educação que os Hyuuga os desculpassem, mas eles de fato teriam que seguir para a Torre. – Ora, não se desculpe por isso, meu amigo. – Hiashi sorriu verdadeiramente, e deu duas palmadas amigáveis no ombro do outro. – Você está fazendo um favor, levando nossa menina para rever sua alteza.

– Hinata é nossa afilhada. – Fugaku pontuou. – Temos o dever de zelar por seu bem estar, então não se preocupe. – Ele se aproximou um pouco para que os demais não pudessem ouvir. – Também vou cuidar para que o senhor Inuzuka não se aproxime demais. – Hiashi concordou.

– Grato, meu amigo. Grato. – E assim, eles se despediram. Duas carruagens foram necessárias, pois o senhor Uchiha era um tanto espaçoso. E, para a sorte dos jovens – que não teriam que ficar em silêncio por toda a viagem – a segunda carruagem foi ocupada por Itachi e sua esposa Kasumi, Sasuke e Hinata.

Não foram exatamente os minutos mais divertidos da vida de nenhum deles, mas a companhia de jovens de sua idade – ou quase – era muito melhor do que a de um velho resmungão como Fugaku era na maioria das vezes. – Está ansiosa? – Kasumi questionou à mais nova quando começaram a se aproximar. Hinata respirou fundo, e com um rosto um pouco rosado, assentiu. – É natural. – Ela apertou sua mão. – Não se preocupe, você está linda; digna de ser uma princesa. – Com um sorriso de gratidão, Hinata assentiu, mas quando a carruagem estacionou, foi como se seu coração fosse sair pela garganta.

Os cavalheiros saíram primeiro, e assim como Itachi ajudou Kasumi a descer, Sasuke fez com Hinata, segurando cautelosamente a mão já trêmula da Hyuuga. De alguma forma, o nervosismo dela acalmou o dele. – Não fique nervosa. – Ele murmurou ao pousá-la no chão. – Você está linda, certamente vai agradá-lo. – Ela sorriu envergonhada, e depois de aceitar a mão do rapaz, eles seguiram juntos pelo longo corredor que dava caminho ao grande salão, logo atrás de Itachi e Kasumi.

Não era a primeira vez que eles iam juntos a um evento, então comentários desnecessários não foram feitos; mesmo assim, pelo menos uma pessoa de cada uma das carruagens que estacionava levava olhares admirados para o casal. Aqueles dois, juntos, era bela imagem a se ver, pelo menos para a maioria das pessoas. Ambos tinham uma reputação incrível, famílias consideravelmente influentes e a perfeição em suas posturas e aparências chegavam a ser divinas; eles sem duvida formariam um belo casal, tal qual formavam Itachi e Kasumi, mas depois de tanto tempo sem uma proposta ou pelo menos um suposto desejo expressado pelos olhares trocados um pelo outro toda expectativa criada pelos nobres sobre um possível casamento futuro esfriou.

Havia muito tempo que Hinata não caminhava por aquele corredor. A última vez, há dez anos, fora um motivo completamente oposto a este: um velório. Ela chorou muito na ocasião, tanto sobre os corpos dos antigos reis, por quem ela sinceramente sentia um grande apreço, na época e agora, quanto sobre o caixão com apenas a túnica favorita de Naruto, o príncipe. O dia de hoje, entretanto, era um dia de renascimento.

Enquanto caminhava e sentia os olhares de admiração dos demais cavalheiros sobre si, Hina realmente sentiu-se satisfeita. Isso porque aqueles mesmos nobres babões de agora eram os que lhe esnobavam quando menina. Mesmo para ela, uma moça gentil e bondosa, aquela sensação era deliciosa; além de provar do gostinho da vingança, ainda tinha a vantagem poder se considerar bonita, o que a tranquilizava mais do que os elogios dos Uchiha – que geralmente eram desnecessariamente bondosos.

Quando alcançaram o Grande Salão, Hinata não pôde evitar um arfar de surpresa. Estava tudo tão... Magnífico!

Os lustres grandes que ela sempre admirou quando pequena estavam acesos de maneira magistral, e as mesas enfeitada tinham comida suficiente para matar a fome do povo, mesmo que os convidados não chegassem a cem. Por ser um dia de comemoração, Hinata tentou não pensar tanto no quanto seria desperdiçado naquela festa, e focou-se apenas na decoração:

As mesas estavam postas de lado, de modo que o centro do salão estava livre para os pares que alegremente bailavam ao som de um violinista e um pianista que tocavam lindamente. – Está tudo tão perfeito...! – Hinata exclamou para o seu par, mas não houve resposta. Isso porque Sasuke estava surpreso demais com a imagem da enfermeira que, dentro de um vestido de festa que tinha a mesma tonalidade de seus olhos; talvez por ser incomum vê-la usando renda e babados, ele não conseguiu tirar seus olhos dela até que escapasse das suas vistas.

Quando se sentaram à mesa reservada à família, Itachi se aproximou discretamente, apenas para murmurar ironicamente ao irmão: — Não se interessa, não é? – Como resposta, Sasuke revirou os olhos, mas assim que Kasumi requisitou a atenção do marido, ele tornou a procurar, inconscientemente, pela bela garota de vestido verde.

~

Naruto respirou fundo. Era como se todo seu corpo tremesse.

Ele estava... Apavorado. Sim, está era a palavra certa: apavorado.

As roupas que usava, diferente do que ele pensava, eram extremamente confortáveis. O tecido era mole e delicioso, mas quente demais. Elas eram brancas, com alguns bordados dourados e outros vermelhos.

Alguém bateu a porta e ele se apressou em dizer “entre”. Tsunade o obedeceu, e depois de reverenciá-lo, aproximou-se. Ela usava um vestido negro, com tecido liso e pesado, de mangas longas justas e um decote considerável; em sua testa, pendia uma tiara muito fina e delicada; estava segurava uma caixa média. – Você está lindo. – Ela sorriu gentilmente. As roupas que ele usava eram brancas, bordadas com dourado. – Acalme-se. – Ela pediu ao notar sua expressão de pânico. – Venha, sente-se aqui. – Ela apontou para a cama.

Naruto concordou. Obedeceu, e mais uma vez respirou profundamente, imitando a avó, que exemplificava. – Mais calmo? – Ele assentiu, mesmo que fosse mentira. – Eu te trouxe uma coisa. – O sorriso dela ficou um pouco alegre.

Abrindo a caixa, foi revelada uma coroa que era estranhamente nostálgica para o príncipe, que a admirou por algum tempo. Ela devia ter oito centímetros de altura; era pontuda e feita de ouro, como as descritas nos contos de fadas. Em sua base, rubis se espalhavam. – Ela foi feita assim que você nasceu. – A avó disse orgulhosa. – Você foi o primeiro príncipe em três gerações de princesas, então todos fizeram questão de exagerar em tudo. – Ela retirou a coroa da almofada vermelha cuidadosamente e colocou-a sobre os cabelos penteados do príncipe, que não pôde se mexer. -... Você nasceu para isso, querido. – Ela murmurou. – Vai conseguir.

O rapaz se levantou; tomando coragem como nunca; ofereceu o braço à avó, que aceitou com um sorriso tranquilizador. Eles encararam a porta por um tempo, mas ele enfim conseguiu abri-la, e por lá, eles foram.

Os conselheiros, atuais governantes do país do Fogo, estavam estranhamente contentes àquela noite. Eles cumprimentaram a todos com elegantes sorrisos e piadas alegres, completamente opostas às costumeiras frases irônicas de críticas a todos os nobres que se aproximavam para adulação.

Quando a confirmação de que todos os membros da corte, assim como suas famílias, estavam presentes no local, eles lançaram, com um olhar, o sinal para que Jiraya – que havia sido notado por pouquíssimos olhares observadores com surpresa – fosse avisar à Naruto sobre sua entrada.

Homura foi o conselheiro que ergueu a taça para chamar a atenção de todos os convidados, de cerca de sessenta, deram total atenção às suas palavras. – Hoje é um dia feliz. – O velho homem disse. – Um dia de felicidade, mesmo diante à ignorância de vocês, caros amigos. – Sasuke e Hinata observavam com atenção, a segunda tinha o coração tão pulsante que sequer pôde notar os olhares doloridos que Kiba Inuzuka – a duas mesas de distância – lhe dedicava.

Koharu, aproximando-se do companheiro, também sorria como uma criança feliz. – Sim, meus amigos. Este é um dia feliz, onde anunciaremos o renascimento da monarquia em nosso país! – Os murmúrios se iniciaram por todo salão. Embora aquilo incomodasse um pouco os representantes, eles sabiam que era natural acontecer.

Do topo das escadas, uma porta que ninguém se importava foi aberta e dali, Tsunade e Naruto surgiram. Logo atrás deles, Jiraya, com uma expressão implacável; ele observava cada movimento de cada convidado presente, sabia não podiam baixar a guarda de maneira nenhuma. – Hinata. – Sasuke chamou-a baixo, e com os olhos, apontou para o alto das escadas. Os olhos perolados seguiram os negros e paralisaram ao ver o seu herói lá, cabisbaixo, com uma coroa sobre a cabeça.

– É com imenso prazer – Disse a anciã – Que eu lhes informo que, pela graça dos céus, o herdeiro do trono do Fogo está vivo e saudável. – Ela apontou para o príncipe, que foi visto por todos os presentes. – Está noite, eu lhes mostro o renascimento de sua alteza, o príncipe Naruto Namikaze Uzumaki, herdeiro do trono. – O rapaz ergueu a cabeça, e os obstinados olhos azuis de Minato brilharam em seu rosto.

Notas finais
Por algum motivo, eu não consigo guardar os nomes dos conselheiros. Sempre que vou escrever para que o texto não vá ficar repetitivo, tenho que pesquisar, ou olhar no primeiro capítulo. XD Um dia aí eu guardo. Enfim.... Não faço ideia se vão ou não gostar do capítulo, mas eu fiz o meu melhor, como sempre. A hora do post torna minha declaração verdadeira, não acham?! XD Repetindo... Eu gostei do capítulo de hoje. ♥ Espero que também gostem, embora eu tenha a impressão que vão preferir os próximos. xD Dúvidas? Críticas? Sugestões? Estou sempre disposta. :) Eu sinto muito pelos comentários não respondidos. As provas não têm me dado tempo de muita coisa, e quando não estou escrevendo, ou estou buscando inspiração, ou mexendo com coisa da faculdade, ou resolvendo problema com as Americanas.com (eles fizeram o favor de entregar um aparelho de DVD ao invés do notebook que meu namorado comprou, acreditam?! e.e). Enfim. To cansada. XD Paro por aqui! :D Tentarei responder a todos os comentários, mas os comentários com dúvida terão prioridade. :D Obrigada a todos que estão acompanhando e comentando The King!