The King
6 Baile.
Notas iniciais

Capítulo 06 – Baile.
Os olhos perolados da filha mais velha dex Hiashi Hyuuga tremiam, admirados pela visão do belo rapaz que, destemido, encarava a todos como se fossem seus inimigos. Sem dúvida, ele devia saber que seus pais haviam sido mortos por traidores, e aqueles olhos diziam com clareza de que ele não aceitaria o mesmo fim. – Vida longa! – A velha tagarela exclamou com felicidade verdadeira; a taça dela estava erguida, assim como a de seu companheiro.
Os convidados, inicialmente confusos com a revelação repentina, não conseguiram pensar em como reagir à notícia de que o herdeiro estava vivo. Então, Itachi foi o primeiro a se levantar. – Vida longa! – Ele ergueu sua taça e foi imitado pelos familiares, e posteriormente por todos no resto do salão.
Da ponta da escada, enquanto descia cuidadosamente, sendo gentilmente guiada pelo único neto, Tsunade sorria tranquilamente aos outros, embora murmurasse para si mesma: “malditos falsos”, num tom que apenas Naruto poderia ouvir. Ele não sorria, mas também não parecia triste. Parecia decidido, pronto para o grande desafio que lhe esperava, e mesmo que estivesse muito assustado, jamais deixaria que este sentimento transparecesse para a diversão dos nobres patetas.
Ao lado da princesa Tsunade, eles seguiram caminho até os atuais governantes; Koharu ofereceu uma taça ao príncipe, enquanto Homura oferecera à loira. – Sorria. – A velha murmurou entre dentes, sem desfazer o sorriso; aceitando o conselho, ele se virou em direção dos outros e sorrindo, ergueu-a como se prezasse o brinde que lhe fora proposto. Os olhos azuis pareciam enxergar a alma de todos que via, e o coração de sua prometida palpitou; ela ansiava mentalmente que ele a visse, mas infelizmente, isso não aconteceu.
Por duas completas horas, ela se manteve sentada, esperando com ansiedade que os malditos nobres se apresentassem – pois ela, uma mera plebeia rica, não tinha mais direito que os eleitos da corte. Em respeito à Hinata, os Uchiha também preferiram esperar até que o Uzumaki fosse adulado por cada família nobre; que ele fosse apresentado a cada garota – fosse ou não de sua idade. Para a infelicidade da senhorita Hyuuga, viu-o bailar com muitas dessas moças.
Kiba também não estava de todo confortado com aquela situação. Ele ainda não fora cumprimentar o príncipe; mesmo que o fato parecesse uma afronta, ele não tinha estômago para isso, uma vez que sua adorada Hyuuga não conseguia despregar os olhos do garoto loiro, que nem sequer por uma vez a enxergou. Estava decepcionado, pois jamais havia pensado, em toda sua vida, que Hina fosse o tipo de garota que entregaria toda sua atenção a um príncipe desconhecido. – Nós devemos ir, Kiba. – Hana, a irmã mais velha, murmurou a ele; tinha um semblante preocupado.
– Eu não quero. – Ele respondeu em tom irritado, mas naquele momento, o pai o ergueu pelo antebraço e, rude, o arrastou salão à frente.
Depois de a música terminar, e de Naruto despedir-se de sua companheira de dança, os conselheiros o chamaram para que fosse apresentado a mais uma família. Ele francamente estava farto daquilo, mas ao dar de cara com o rapaz que havia conhecido naquele outro dia, no vilarejo, não pôde evitar o semblante surpreso, assim como o próprio Kiba. – É um prazer conhecê-lo, vossa alteza. – O pai do Inuzuka se curvou, e foi prontamente imitado pelos filhos.
– Estes são os integrantes da família Inuzuka. – Naruto fez menção de se curvar, mas foi interrompido por um beliscão dado por Tsunade discretamente. – Sr Inuzuka e seus filhos, Kiba e Hana. – A garota, embora consideravelmente mais velha, sorriu com um olhar coquete, e Naruto se perguntou se a coroa o deixava tão mais bonito assim, para todas lhe darem atenção.
– Você é o rapaz daquele dia! – O moreno exclamou quando os conselheiros levaram sua atenção a outras pessoas. – O que nos ajudou... – Ele se sentia estranhamente aliviado, pois o fato de reconhecê-lo afastou todos os maldosos pensamentos referidos à sua amada. Era claro que ela ficaria encarando aquele que a salvou tão corajosamente! Naruto, um pouco mais tranquilo por estar fora – ou quase – das vistas dos velhos cumprimentou-o do modo que julgava correto: com um aperto de mãos.
– Espero que seus cavalos tenham se recuperado do susto. – O loiro sorria como se esperasse que dali nascesse uma amizade. O moreno, agora mais tranquilo e menos temeroso, também sorria.
– É claro! São fortes, aqueles cavalos! Um bando de moleques não poderia afugentá-los, mas temi que pudessem machucá-los, eu odiaria isso, pois tenho um carinho muito grande por meus animais... Por isso ainda estou grato por sua atitude daquele dia. Espero que seu dinheiro tenha sido recuperado, também. – Naruto riu, mas o outro jovem não podia nem sonhar como fora maldosa aquela brincadeira, pois Naruto realmente prezava o gosto do dinheiro ganho de seu suor, e aparecer do nada com uma imensa herança gerada de impostos era-lhe tão estranho...
– E aquela garota, como vai? Espero que tenha se recuperado do choque. – Kiba, um pouco mais alarmado, assentiu com hesitação. – Ela não está com você?
– Não temos ligações. – Hana se apressou em explicar, pois imaginava a dor que seria, para seu irmão, proferir aquelas palavras. – Nossos pais tiveram desentendimentos, portanto fomos obrigados a cortar relações. – Ela falou baixo para que o senhor Inuzuka não ouvisse, e o príncipe compreendeu.
Quando os olhos azuis cruzaram com a figura de vestido verde rodeando as grandes mesas de comida, o jovem herdeiro desculpou-se com seus novos amigos em potencial, e seguiu com cautela até Sakura, que sequer conseguia dar atenção à outra coisa que não fosse o tamanho daqueles pernis. Ela, uma pobre órfã, filha de dois pobretões, jamais tinha estado perto de aves tão grandes, e os olhos verdes, arregalados, admiravam inocentemente. Ela não estava satisfeita com toda aquela comida, pois sabia que seria desperdiçada. Estava procurando o senhor Uchiha – Itachi, no caso – para poder pedir-lhe que juntasse as sobras para que eles pudessem levar às crianças da vila na manhã seguinte, mas foi surpreendida pelo toque de Naruto em seu braço. Inicialmente, ela pulou de susto, mas respirou quando viu o amigo lhe sorrir.
– Você está linda! – Ele exclamou com um olhar caloroso. O rosto dela corou um pouco, e os olhos verdes voltaram até a comida, pois odiava quando Naruto o olhava daquela maneira. – Vamos! Vamos dançar! Não quero mais ir com aquelas desconhecidas. – Ele murmurou em um tom adequado.
– Você não dançou com todas as garotas do salão. – Ela disse no mesmo tom, abafando um risinho com o copo de suco que lhe fora servido momentos atrás. – Acho que eu deveria esperar como uma boa criada, ou elas poderiam sentir ameaçadas. Nobres ameaçadas se tornam grandes víboras nos romances, não sabia? – Os olhos azuis se reviraram; ele sabia que era uma maldita desculpa, mas não se cansou.
– Apenas uma música, Sak. Você é a única para meus olhos, e sabe disso. – Ela tossiu, engasgada com o suco, diante daquelas palavras.
– Pare de falar isso! – Murmurou realmente irritada. – O que vão pensar se ouvirem? Provavelmente que temos um caso, e então me afastariam do castelo! – Nem ela, nem ele, poderiam pensar em tal possibilidade. A primeira, pois sabia que, caso acontecesse, todos os seus sonhos teriam um fim triste e o segundo, apenas pelo doce e gentil desejo de ter para sempre a amada ao seu lado. O rosto da enfermeira corou consideravelmente ao ver os olhos negros de seu primeiro paciente se aproximando, e sequer pôde enxergar os parentes que o seguiam.
– Vossa alteza. – Foi a voz de Itachi quem o chamou. O príncipe se virou de imediato, surpreso, revoltado e constrangido. – Eu gostaria de apresentá-lo à minha família. – O guarda disse educadamente. – Seria mais correto se meu pai o fizesse, mas como Sasuke e eu somos os mais próximos do senhor, achamos que ficaria mais confortável se eu apresentasse todos, ao invés de os conselheiros fazerem. – O Uzumaki concordou, mas não estava realmente prestando atenção; temia que ele e a amada tivessem sido ouvidos.
– De fato, me sentiria melhor se as apresentações fossem feitas por vocês. – Ele tentou falar com seu tom normal, mas estava um tanto nervoso. Fugaku observava cada movimento do rapaz, e Sakura imaginou que aquele fosse um mal de família.
– Esse é meu pai, senhor Fugaku Uchiha. – O senhor Uchiha se curvou, e Naruto teve que se conter para não fazer o mesmo, pois aquele homem parecia exalar uma aura respeitosa por todos os poros. – Minha esposa, Kasumi. – Ele estava apresentando fora de ordem porque Mikoto vinha atrás com a nervosíssima afilhada.
Kasumi, tão educada quanto o marido, se curvou com um sorriso gentil e um olhar amável. Naruto pareceu se surpreender com o fato de seu guarda pessoal ser casado, e não pôde evitar exclamar: — Esposa?! – Sasuke deu um meio sorriso e desviou o olhar; Kasumi cutucou o cunhado com o cotovelo, repreendendo sua atitude, que obviamente constrangera o loiro.
– Sim, nós somos casados há alguns anos. – Itachi explicou.
– Eu era a última órfã da família Nohara, senhor. – A morena falou-lhe. – Os Uchiha gentilmente aceitaram o casamento, e foi assim que entrei na família. – Diante os olhares claramente apaixonados dos casados, Naruto jamais saberia a verdadeira história por trás daquele casamento.
– Oh! Essa é Sakura Haruno! – Naruto apressou-se em apresentá-la. Constrangida demais com a atitude impensada do príncipe, Sak pôde apenas se curvar.
– A senhorita Haruno é uma velha amiga de sua alteza. – Foi Sasuke quem explicou, diante o olhar curioso do pai. – Ela foi sua enfermeira após o terrível acontecimento que ocorreu em seu aniversário, creio que se lembra, pois meu irmão foi quem nos contou. – Fugaku concordou. Ele cumprimentou Sakura com um aceno.
– É um prazer conhecer uma jovem tão encantadora, senhorita Haruno. – Embora dissesse, os seus olhos não demonstravam o mesmo que as palavras.
– Oh! Lá vem minha mãe. – Sasuke pareceu aliviado.
A senhora Uchiha aproximou-se sorrindo, com a protegida em seus braços. Infelizmente – ou talvez felizmente – Naruto não conseguiu enxergar a Hyuuga de imediato, pois tinha um grande interesse pela senhora Mikoto.
Os olhos azuis se estreitaram ao ver as faces pouco enrugadas, pois ele a imaginava muito mais jovem – na verdade, se lembrava dela muito mais jovem – mas pôde reconhecê-la pelos olhos ternos de Itachi.
Ele apressou o passo, ansioso pela apresentação. Sasuke foi o único a entender aquela ansiedade, pois foi ele quem a causara, ao apresentar a caixa dos tesouros da mãe. – Essa é Mikoto Uchiha, minha mãe. – Foi o mais jovem quem a apresentou.
A senhora, também visivelmente feliz por ver o menino de Minato e Kushina tão crescido e robusto, não pôde evitar o queimar das lágrimas emocionadas nos olhos. Ela ria, tão feliz quanto podia, e se curvou respeitosamente ao herdeiro. – Por favor, não faça isso! – O príncipe se apressou em erguê-la; de alguma forma, ele prezava muito àquela mulher. Mesmo que não a reconhecesse, sabia que ela não era uma estranha.
Mikoto se ergueu, ainda sorrindo de maneira emocionada. – Eu sou muito grato, senhora. – Ele segurou suas mãos, fazendo-a soltar as da afilhada. – Realmente muito grato por me emprestar àqueles retratos. – A morena riu.
– Oh, meu querido... – Ela alisou seu rosto. – Não me agradeça, pois a ideia foi de Sasuke, e apenas dele. – Os olhos de Sak, quase automaticamente, ergueram-se em direção do seu admirado, confusa por não saber o quê, mas surpresa por ele fazer qualquer coisa que parecesse boa.
– Ainda assim, a senhora cedeu-me seus tesouros. – Ela sorriu.
– Confesso que, de fato, prezo muito àqueles retratos. E gostaria de tê-los de volta algum dia, se vossa alteza me permitir. – Com o rosto corado, o loiro concordou.
– Minha senhora, terá de volta seus tesouros assim que sairmos deste lugar, eu prometo. Mas peço, por favor, que antes disso, permita que alguém faça uma cópia do retrato de minha mãe. – Os olhos negros e ternos de Mikoto estavam encantados com tamanha educação, pois raramente se via príncipes ou nobres educados. Hinata também observava tudo e sua admiração se tornara ainda maior, pelo respeito que ele mostrava à sua amada madrinha.
– Pois bem, meu senhor. Eu posso permitir meu senhor, que fique com meus desenhos, desde que faça um favor a mim e a essa senhorita. – Os olhos negros da mulher queimavam ansiosos, mas Naruto, diferente de Hina, não pôde distingui-los; ainda pareciam-lhe os mesmos ternos olhos de mãe. Enfim, ele pôde enxergar a garota e reconheceu-a imediatamente. O rosto da Hyuuga, ciente de ser reconhecida, enrubesceu ainda mais. – Está é a minha afilhada, senhorita Hinata Hyuuga. – A garota se curvou respeitosamente. – Sua família não faz parte da corte, então ninguém fará questão de apresentá-la de forma apropriada. – A mãe de Sasuke demonstrou repulsa por aquele fato. – Então eu gostaria que dançassem. Se não for demais, é claro. – Era bem verdade que Mikoto gostaria de esfregar na cara de todos que sua protegida, mesmo não sendo de família nobre, poderia tão bem dançar com o príncipe como todas as outras, mas, além disso, ela gostaria de lembrar aos pais das raparigas presentes quem realmente fora escolhida pela falecida rainha a ser a companheira de seu filho.
Naruto jamais negaria um pedido de Mikoto, principalmente depois de ela tão gentilmente ter oferecido o empréstimo de seus tesouros por um tempo indeterminado, e mesmo que se incomodasse por dançar com mais uma desconhecida, acabou por aceitar.
Com um sorriso constrangido e tão gentil quanto ele poderia ser com qualquer uma, o príncipe ofereceu à Hinata sua mão, cheio de cortesias. Com o coração pulsando a mil e os olhos de pérola fixos nos safira, Hinata, quase enfeitiçada por aqueles orbes azuis gentis, segurou a mão do príncipe, que a guiou para o meio do salão, assim como fizera com suas outras companheiras. – Nós deveríamos ir também, Sasuke. – Itachi avisou; o olhar seguia o novo casal de forma preocupada. – Hinata vai ficar nervosa, se perceber que todos a olham. – Sasuke ergueu a sobrancelha.
– Sim, nós também vamos. – Mikoto puxou o braço do marido apressada. – Você tem razão, querido. Aquelas malditas estão acostumadas a deixá-la sem graça. – Sem esperar a resposta de seus meninos, os pais seguiram também para o salão.
– Não sei se reparou, mas o meu par é a própria Hinata, irmão. – O sorriso do filho mais velho dos Uchiha foi brincalhão. Ele olhou para a enfermeira como se a provocasse, como se soubesse sobre sua paixonite secreta, e a fez enrubescer.
– A senhorita Haruno não se incomodaria, eu acredito, em ser seu par por apenas uma dança. – Sasuke não gostou daquela atitude, mas também não praguejou quando o irmão e a cunhada se afastaram. Ele se virou para a enfermeira, que era um misto de irritação e constrangimento, e suspirou.
Ela estava realmente linda... E de fato, o rapaz pretendia convidá-la para uma dança, uma hora ou outra. De alguma forma, a brincadeira de Itachi foi-lhe útil para achar um motivo para chamá-la. – Só uma dança. – Ele ofereceu a mão a ela, que um pouco tensa, aceitou, e eles seguiram para o meio do salão.
Para o azar de Hinata, Naruto não era exatamente um pé de valsa, e com tamanho nervosismo exposto em sua face, ela temia que, uma hora ou outra, acabasse por pisar no pé de seu prometido. – Você é aquela garota. – Ele falou de repente. Sorria de uma maneira convidativa, o que mostrava que estava disposto a conversar.
– Sim... – Ela murmurou um pouco baixo. – E- Eu gostaria de agradecer-lhe apropriadamente, meu senhor. – Mas o Uzumaki deu os ombros.
– Não é isso o que um rei faz? Protege os seus. Além disso, qualquer um estaria disposto a ajudá-la, senhorita...
– Hyuuga. – Ela completou, entendendo a falha do príncipe.
– Hyuuga. – Ele sorriu. – Eu vi o seu companheiro, há pouco. O senhor Inuzuka. Pensei que poderiam ter vindo juntos. – Ele então se calou. Por imaginar que os dois fossem apaixonados, pensou que poderia causar grande dor à moça, mas ela apenas se sentiu desconfortável.
– Infelizmente, minha família e a do senhor Inuzuka não têm muitas ligações. – Foi apenas o que ela falou de maneira muito tímida.
Eles continuaram a dançar em silêncio por um tempo, mas Naruto estava curioso, pois desde que vira pela primeira vez os olhos perolados da garota, sentira-os familiar. Nem por um momento, ele conseguiu desviar sua atenção dos grandes orbes da Hyuuga, pois queria se lembrar dela a qualquer custo.
Foi então que percebeu que ela deveria ser a criança de um dos retratos sem cor da senhora Uchiha. – Sua família não é da corte, mas você é afilhada da senhora Uchiha? – Hinata assentiu.
– Nossos antepassados eram irmãos, então de alguma forma, somos da mesma família. – O loiro assentiu, compreendendo. -... Como o senhor está se adaptando a Torre, vossa alteza? – Ela não queria nem imaginar que ele se sentia entediado pela conversa. – Imagino que seja mais confortável que sua antiga casa. – Mesmo que fosse um comentário inocente, a testa de Naruto se enrugou, e ela imaginou ser de desagrado, embora fosse de uma reflexão onde comparava ambos os lares.
– Maior, e mais confortável. Mas muito menos aconchegante. – Ele confessou em tom baixo. – Não conheço a maioria das pessoas aqui, por isso é um pouco... Constrangedor. Peço que não se assuste com meu comportamento, eu realmente não estou acostumado a agir de forma tão pouco sociável... Mas o fato de ter que me envolver com pessoas desconhecidas, como se sempre estivessem em meu círculo de amizade é um pouco desgastante. – Como ele estava desabafando, a moça imaginou que não estivesse dentro do “círculo de amizades desgastantes”.
– Eu posso imaginar. – Ela concordou. – Mas nem todas as pessoas aqui são desgastantes. Alguns são muito gentis e encantadores; eu tenho certeza de que logo encontrará amigos. – Naruto sorriu.
– Suas palavras são muito doces, senhorita Hyuuga. Fico grato pela preocupação. – Ele disse sinceramente, e o rosto dela enrubesceu. Mais nenhuma palavra que valha a pena ser descrita foi dita entre os dois; eles mantiveram-se em silêncio, com ciência de que eram observados; Naruto, entretanto, não pôde se preocupar por muito tempo em ser observado: assim que avistou Sakura e Sasuke bailando juntos, próximos a ele, foi o príncipe quem se tornou o observador.
Sakura estava realmente nervosa; como se não bastasse dançar mal, ainda teria que dançar justamente com a única pessoa que ela não queria que descobrisse isso. Para a sua sorte, Sasuke era muito bom, ela se surpreendeu com a agilidade que ele guiava seus passos. – Eu gostaria de saber, senhorita Haruno, porque está tão furiosa comigo. – O Uchiha questionou de repente, interrompendo todo o encanto dela por ser guiada. O rosto corou, um pouco de irritação, um pouco de vergonha.
– É claro que estou irritada porque banca o tirano com seu aluno. – Ela achou que Itachi já tivesse dito então não se importou em esconder. – Ele estava ferido, e ainda assim o senhor não teve a menor consideração: foi violento e até maldoso.
– Eu não fiz nada que um bom professor de esgrima não fosse fazer. – Ele falou com aspereza. – Claro, imagino que a senhorita jamais tenha se encontrado com um, pelo menos decente, em toda a sua vida. – Aquilo a ofendeu, pois ela não só tinha conhecido um esgrimista, como era filha de um. Então, desolada, ela tentou se desvencilhar dos braços do rapaz, mas só serviu para ele puxá-la mais perto. – Não faça isso. – Ele murmurou muito próximo de sua orelha. – Todos deixarão de olhar para o príncipe para olhar para nós, seria muito grosseiro. – Ela concordou, mais por tensão e ansiedade para ele se colocar a uma distância aceitável do que por qualquer outra coisa. Ele o fez sem demora, mesmo que não tenha percebido o nervosismo da moça, e suspirou ao ver que ela estava ainda mais abalada. – Acredite senhorita, quando digo que desejo ao príncipe o melhor dos reinos, o melhor dos soldados e a melhor das defesas, mas conheço bem essa gente. Todos nesse salão, incluindo minha própria família, com exclusão de minha mãe e minha prima (era como ele se referia à Hinata), são indignos de confiança. Todos têm seus motivos para querer se livrar do príncipe, exceto elas.
– Eu não tenho motivo para me livrar dele. – Sak murmurou, chocada com a declaração. Sasuke riu, e concordou.
– De maneira nenhuma eu quis incluí-la nessa lista. – Esclareceu. – Nem você, nem a mim. – Ela pareceu mais tranquila com aquela declaração, mas estranhou o fato de ele não ter mencionado nem a cunhada nem o irmão. – O que quero dizer é que... Por prezar muito a segurança do príncipe, gostaria que ele aprendesse como se defender, o mais rápido e da melhor maneira possível.
– Não acredito que sejam tão terríveis a esse ponto. – A enfermeira ponderou com sensatez. Sasuke pareceu hesitar.
–... Os pais de Naruto eram amados e respeitados por todos. – Ele começou. – E em qualquer lugar que fossem, eram bem vindos. Governavam bem; a rainha era bondosa e o rei, um herói de guerra, extremamente inteligente... – Ele parecia muito relutante. – Eles morreram de maneira muito cruel. Enquanto levavam seu filho para ser batizado e apresentado a todos, foram atacados... Por quem, nós nunca soubemos. O fato é que foram atacados de maneira covarde: fizeram com que a carruagem despencasse ladeira abaixo, sem nenhuma chance de que eles sobrevivessem. De alguma maneira, Naruto sobreviveu... Ninguém nunca soube disso, apenas o senhor Jiraya, a princesa Tsunade e os próprios conselheiros. Eu era muito amigo do príncipe, na época em que anunciaram seu falecimento, portanto fiquei terrivelmente desolado com o acontecimento. – Sak parecia absorta em cada palavra, e assustada por imaginar cada fato ocorrido, desde Naruto pequenino em uma carruagem, chorando nos braços dos pais desesperados até a imagem de um pequeno Sasuke desolado em frente ao caixão vazio de seu amigo. – E quando soube que estava vivo... Foi como se a esperança voltasse. Acredite senhorita Haruno, quando digo que daria minha vida, o meu sangue, para salvar o príncipe de qualquer atentado, pois estou ciente de que ele sim é a melhor chance que esse reino tem de voltar a ser um bom lugar. Eu desejo, sinceramente, que isso logo aconteça... Entenda, eu tenho uma sobrinha que prezo muito, e não quero que ela ande temerosa pelo vilarejo, como quando encontrei a senhorita naquele dia. – Ao olhar para o rosto da enfermeira, corou um pouco, pois ela o encarava com escancarado encanto, tanto que o constrangia.
– De alguma forma... Você é realmente bondoso, não é? – Ela concluiu mais para si mesma do que para ele, sorrindo com a constatação. Sasuke suspirou.
– Não sou bondoso, apenas quero o melhor para meu país, assim como qualquer soldado que se preze. – Mas a expressão dela ainda não havia sido desfeita, estava visivelmente satisfeita por pensar que aquele era um pensamento maravilhoso.
A música parou, e os passos do Uchiha cessaram imediatamente. Ele cumprimentou sua parceira, curvando-se em agradecimento, mas diferente do que havia planejado, guardou para si mesmo o elogio que estava na ponta da língua, e se retirou para ficar junto de sua família, sem confessar sua admiração.
Eles não voltaram a dançar naquela noite, nem Naruto e Hinata, e por mais que a segunda se entristecesse com isso, não podia deixar-se de se sentir um pouco vaidosa por ele parecer confiar tanto.
Ao fim da noite, ele se despediu da senhorita Hyuuga beijando-lhe cordialmente a mão, assim como fizera com metade da mulherada presente no lugar, mas ela não deu importância a esse fato. Estava feliz por constatar que aquele era o mesmo príncipe que ela admirara quando jovem, o mesmo rapaz que a defendeu – que sempre a defendia. Estava feliz por ele continuar com a mesma personalidade de quando era um menino que não só a defendia, como se orgulhava por tê-la como noiva. De alguma forma, ela mal podia esperar para ser anunciada como sua prometida mais uma vez.
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Kiba levantou cedo aquela manhã. Estava mais energético do que o normal, porque a noite passada havia lhe dado uma incrível dor de cabeça e um mau humor extremo. Por perceber a situação, a irmã mais velha sequer ousou qualquer brincadeira que poderia vir a fazê-lo gritar, mas o pai não o poupou das lamentações. – Agora tudo faz sentido. – O velho disse enquanto passava geleia em uma fatia de pão recém assado; era o café da manhã, e os Inuzuka, independente da hora que acordassem, sempre se reuniam a mesa no horário previsto para o café. O pai gostava que fosse assim.
– O que faz sentido, meu pai? – Hana se aventurou perguntar. Estava um pouco sonolenta, e pouco interessada, mas não havia assunto melhor, dado o mau humor do mais jovem.
– A intervenção do Hyuuga no noivado de Kiba e Hinata. – Ele murmurou pensativo, e Kiba ergueu os olhos como um cão que erguia as orelhas ao se interessar por algo. – Você deve se lembrar, querida Hana, de quem era a prometida escolhida pela própria Kushina Uzumaki para se tornar a futura rainha do reino. – A filha mais velha pareceu pensar um pouco, mas empalideceu ao lembrar-se. – Pois bem! Diga se não é compreensível! – Ela concordou.
– Sim, de fato faz sentido... – Ela concordou. – Pois Hiashi anseia por um título mais que qualquer coisa, não cederia a um capricho da filha, mesmo que ela de fato não amasse Kiba. – O mencionado fez uma careta, quase implorando para que os outros explicassem direito sobre o que discutiam. Hana suspirou, puxou o pão e despedaçou-o para comer melhor.
– Os Uchiha certamente sabiam da volta do herdeiro, portanto, Hiashi ficou sabendo disso por Fugaku, ou qualquer outro Uchiha maldito, e decidiu que a filha tinha uma oportunidade muito melhor pela frente. – O velho Inuzuka não evitou um sorriso. – E aquele rabugento Hyuuga... É tão prepotente e tão egocêntrico... Mas duvido muito que sua filha consiga mesmo uma audiência privada com o herdeiro, quem dirá um casamento! – Ele zombou, mas Kiba não mais ouvia.
Hana olhava preocupada para o irmão, alienada pelo fato de que o Inuzuka, totalmente contrário do que eles pensavam, estava aliviado. Com aquela notícia, ele sabia... Tinha certeza absoluta que não fora recusado por Hinata, e aquela felicidade era muito maior que a tristeza de que ela talvez viesse a se casar com outro homem, pois não importava.
Se ela se mostrasse a mesma Hinata, casada ou não, ele seria eternamente seu. Mesmo que ela fosse casada e tivesse dez filhos, estava tudo bem, desde que ela não amasse a outro homem.
Pobre Inuzuka, que sequer imaginava que o sentimento que ela nutria por ele era de fato muito menor, e menos significativo, do que os sentimentos que nutrira pelo príncipe em sua infância, e que de alguma forma, insistiam em persegui-la até hoje.
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