The King

38 Em Seus Olhos.


Notas iniciais
Antes de qualquer coisa, gostaria de agradecer à Konanhello, pela vigésima quarta (!!) recomendação de The King... *w* Obrigada também a todos os lindos leitores que comentaram, mesmo sabendo que eu teria problemas para responder. sz~ Vocês são lindos! Obrigada por serem tão pacientes... Espero que continuem comentando! ;-; Agooora... Como estão os meus amadíssimos leitores?! Espero que estejam bem! A tia Candy também está. ;x Essa semana foi bastante movimentada... Eu comecei a trabalhar, e estou bem contente por isso. Sempre fico ansiosa de manhã, e isso é um pouco assustador... Mas eu acho que vai dar tudo certo! E, por falar em assustador, na semana passada, pela primeira vez na vida, eu fui ao dentista. SIM. PRIMEIRA. VEZ. NA. VIDA. E EU TENHO VINTE ANOS! Pois é, pessoal. Vinte anos na cara, nunca fui no dentista e não tinha NENHUMA CARIE! ORGULHO DA MAMÃE, A TIA CANDY! u.u Eu fui lá porque vou por aparelho. :x Não queria, não queria, não queriiia, mas tenho que pôr. Pelo meu álbum de casamento perfeito, eu tenho que pôr agora! ÇÇ O terror acontece na quarta-feira. E como todos os meus amigos que já passaram por essa maléfica experiência me dizem que o começo é doloroso, estou um pouco assustada. q Bem! Torçam pela tia Candy! Tanto no emprego, quanto no dentista... E na faculdade! Porque eu tenho um seminário marcado JUSTAMENTE PRA QUARTA-FEIRA! ;0; Vida difícil, eu sei... Mas vocês não querem saber da minha vida difícil. Infelizmente, essas notas meio que se tornaram um diário semanal... Eu sempre compartilho algo particular com vocês, mas enfim! u.u Eu gostei bastante do capítulo! E para quem estava com saudades da seriedade da história, me amem! sz~ Boa leitura! :*

Capítulo 38 – Em Seus Olhos.

Hinata não sabia que horas eram, mas não queria dormir.

A luz da manhã começava refletir nas janelas grandes, mas ainda assim, não queria dormir. Não conseguia dormir.

Estava deitada de lado; os braços fortes de Naruto enlaçavam sua cintura embaixo dos cobertores. Ela podia sentir a respiração dele roçando em seus cabelos: era tranquila e compassada; ele não movera um músculo, desde que haviam parado efetivamente, há algumas horas, então Hina imaginou que devesse estar dormindo.

Os lençóis que haviam molhado estavam no chão, mas ela ainda podia sentir seu travesseiro úmido, graças ao cabelo molhado. Estava frio, então cautelosamente, tentou se livrar dele, mas arrependeu-se quando sentiu o marido se mexer atrás dela.

Parou de se mover, parou de respirar; ele devia estar exausto pela viagem, e merecia uma boa noite de sono – ou, no caso, uma boa manhã de sono –, então não queria acordá-lo. Mas isso se mostrou inútil quando ele esticou o braço e segurou uma de suas mãos, entrelaçando os dedos.

Hinata enrubesceu.

– Ainda está acordada? – Ouviu-o perguntar, com a voz rouca de sonolência. Ela assentiu timidamente em resposta. – Ainda é cedo, vamos tentar dormir mais... – Ele apertou sua cintura com a mão livre, e mais uma vez, afundou o rosto na cabeleira azul.

– Eu não pretendia acordá-lo... – Hinata confessou. – Estava tentando me livrar do travesseiro molhado. – Ele riu.

– Eu não pensei que quisesse me acordar. – Naruto se ajeitou na cama, apoiando-se em um de seus cotovelos; puxou o travesseiro incômodo e jogou-o ao chão. Ela lhe sorriu em agradecimento, e enrubesceu quando foi puxada para mais perto. – Pronto, pode me usar como substituto... – Hina anuiu, e timidamente se ajeitou nos braços dele, pousando a cabeça sobre o peitoral.

Ele tornou a encobertá-los, e por baixo das cobertas, alisou as costas nuas, macias da esposa, que se encolheu.

Um bom tempo se passou, com eles naquela mesma posição, mas nenhum dos dois conseguiu dormir. – Ainda está acordada? – Ele perguntou de novo, com uma voz moderada, mas desperta; ela anuiu.

– Estou agitada... – Naruto imaginou que não devia haver som mais adorável do que a voz tímida de Hinata.

Ele alisou seus cabelos. – Era de se esperar que ficasse cansada. – Ela enrubesceu, e encolheu-se como um filhote, fazendo-o sorrir.

– Estou cansada, mas mais agitada. – O loiro assentiu, compreendendo, e mais uma vez eles ficaram em silêncio. – E... Como foi a viagem? – Ela perguntou, apenas para ouvir a voz dele.

Podia ser egoísta, mas agora que estava acordado, não queria que ele voltasse a dormir. Ainda que Naruto merecesse uma boa noite de sono.

O rei deu os ombros; bocejou demoradamente e se ajeitou na cama. – Cansativa. E bastante entediante... – Hina franziu o cenho, e ofereceu ao marido um olhar duvidoso e divertido.

– Entediante? Pensei que a tal rainha não o desse um segundo de paz... Era o que dizia nas cartas, pelo menos. – Ele anuiu.

– A rainha Mei era um pouco... – Estreitou as sobrancelhas. – Maluca. – Riu só por se lembrar. – Mas era gentil. Sempre inventava alguma coisa nova para fazer. Jogos, apresentações de dança, música, peças... – O loiro suspirou, como se só lembrar o cansasse. – Eu acho que, em dois meses, conheci Kiri mais do que conheço Konoha. – Hinata escondeu o rosto no ombro dele, e abafou uma risada.

– Parece divertido. – Murmurou, tornando a fitá-lo com aqueles grandes olhos, tão brilhantes quanto a lua... E, naquele momento, tão alegres, conseguiam ser ainda mais brilhantes!

Ele sorriu, e deslizou o polegar por suas faces, e ela imediatamente fechou os olhos. – Não... – Naruto pediu num murmúrio, e beijou-lhe os lábios. – Eu quero que olhe para mim... – E ela assim o fez.

De repente, ele sentiu-se nervoso. Como se Hinata, por trás daqueles olhos tão claros e penetrantes, pudesse enxergar sua alma, pudesse enxergar toda a verdade dos sentimentos que nem sequer ele podia compreender direito; como se ela estivesse ciente de cada pensamento do rei. – Ah... – Ele suspirou, mas não conseguiu deixar de fitá-la. – Isso é tão injusto...

– Injusto...? – Ela franziu as sobrancelhas, confusa.

Enrubesceu, quando o indicador dele deslizou sobre seu lábio inferior. – É. Injusto. – Ela estava a ponto de perguntar “o quê?” mas foi calada por um beijo.

Doce, suave e curto, que a fez se esquecer do assunto.

Não deve ter demorado nem meio minuto até o rei tornar a se afastar – apenas milímetros – e confessar, com a voz sussurrada: — Eu queria que tivesse ido...

Hinata não pôde deixar de sorrir. As mãos delicadas deslizaram pelo peito nu do amado, lentamente, sedutoramente, e ela roçou o nariz no dele, carinhosa. – Queria ter estado lá... – Murmurou, fazendo-o sorrir.

– Sabe... – Ele encostou a testa na dela, e fitou-a com um ar divertido. – Foi estranho... A Mei estava se esforçando para que nos sentíssemos em casa, mas... – Estreitou as sobrancelhas. – Não conseguia me ver em casa, lá.

Ela sentiu o estômago congelar.

– Ah! Eu trouxe algo para você! – E então, para a desgraça da rainha, Naruto se levantou; ela enrubesceu, por vê-lo nu às claras, mas o rapaz não pareceu notar.

Ele praguejou com um murmúrio e encolheu-se por causa do frio; puxou um dos lençóis do chão e encobriu os ombros antes de seguir para a suíte.

Sem saber o que fazer exatamente naquela situação, Hinata se sentou. Tentou ajeitar os cabelos – que deviam estar muito bagunçados – e checou o hálito. Como não fez mais que cochilar durante a madrugada, não estava de todo ruim. Ainda assim, ela se esgueirou na cama grande e serviu-se com um copo d’água.

Antes que pudesse bebê-lo por inteiro, Naruto retornou. Ele agora vestia sua calça. Olhava animadamente para a esposa, e sentou-se à sua frente.

A animação dele fê-la sentir-se ansiosa. – Feche os olhos. – Ele pediu, e ela imediatamente obedeceu.

Sentiu-o pegar o copo, e puxar seu antebraço gentilmente. – Abra as mãos... – Instruiu, e ela o fez. Pôde sentir algo gelado cair em suas palmas. Imaginou ser um colar, mas preferiu não palpitar. – Pronto. Olhe.

Ela abriu os olhos, confusa, e fitou o relicário em suas mãos. Era pequeno, oval, feito de ouro velho, ornamentado com gravuras bonitas de flores do campo. – É um pouco simples... – Naruto admitiu, mas não parecia envergonhado.

Aquele relicário era bonito, mas tão simples que não parecia nem de longe um presente que o conselheiro traria à esposa do rei, então aquilo a deixou confusa. Ela ergueu os olhos para ele, abismada, e notou que Naruto parecia divertido com sua confusão. – Você comprou isso para mim? – Sentiu que devia perguntar.

O rapaz anuiu, orgulhoso.

– Com a ajuda da rainha. – Ele teve que admitir. – Foi no dia anterior à nossa saída. – Ela assentiu lentamente, mas ainda parecia estar digerindo a ideia.

Desde quando reis compravam presentes para as esposas? Desde quando homens ricos compravam presentes para a esposa...? Desde quando homens que fossem minimamente assessorados compravam presentes para a esposa?!

Tornou a olhar para a peça e um sorriso inconsciente brotou em seus lábios. Aquele era o tipo de coisa que Hinata gostava de ter: simples, discreto e bonito.

Naruto segurou-a pelo queixo e ergueu seu rosto, fazendo-a tornar a fitá-lo. Agora estava sério, e surpreendentemente... Ansioso?

– Não é o presente de um rei para uma rainha... – Ele murmurou baixo, um pouco envergonhado. – É de um marido para uma esposa.

Por um segundo, ela não soube o que responder.

E então outro segundo passou, mas ela ainda não tinha conseguido abrir a boca.

E então mais um, e tudo o que conseguia fazer, era olhar para ele como se tivesse acabado de falar outra língua.

Talvez, se não estivesse igualmente ansioso, Naruto teria rido da expressão dela. Mas ao invés de rir, ele tentou sorrir; um sorriso tenso, ela percebeu, e explicou: — Eu sei que passamos por muitas coisas... Eu sei que sempre disse que seríamos cúmplices, amigos... Mas ontem... – Ele viu o rosto dela enrubescer, e sentiu o próprio rosto queimar, mas não quis desviar o olhar. – Ontem... Você me disse que queria ser minha mulher... E antes, disse que queria se apaixonar por mim... Então pensei que, talvez...

– Eu não quero me apaixonar por você. – Ela falou repentinamente, interrompendo-o; era como se seus sentimentos tivessem tomado vida, voz, e de repente, ela precisava falar.

Com todas as palavras, em voz alta.

Para ele, ela precisava falar.

Naruto tornou a fitá-la, com os olhos azuis mais confusos do que nunca, e Hinata se esforçou para desfazer o bolo que se formou em sua garganta. – Eu estou apaixonada por você. – Murmurou num fio de voz envergonhado.

E ele simplesmente não soube o que dizer.

Naruto estava ciente de que aquele comichão no estômago era muito mais do que ansiedade por ter uma garota bonita se confessando. Ele sabia a sensação do rosto queimando dava-se mais do que à vergonha, e sabia que a vontade imensa de beijá-la não tinha muito a ver com quão bela ela parecia, naquele momento.

Não! Ela nem estava tão bonita assim.

Tinha olheiras profundas, e estava abatida graças à noite mal dormida. Os lábios estavam um pouco inchados graças aos beijos violentos que ele lhe dera na noite passada, e a pele de seus ombros estava avermelhada, contrastando com a de seu pescoço e rosto.

Na verdade, de todas as vezes que havia estado com ela, era a primeira que Hinata parecia tão péssima.

Ainda assim, nunca lhe pareceu tão linda.

Tão, tão linda, que ele mal podia respirar.

Quase sem pensar – na verdade, absolutamente sem pensar – ele atirou-se sobre a rainha, obrigando-a a se deitar; deu-lhe um beijo ávido e apaixonado, que fê-la estremecer; revirou na cama e com um pouco de dificuldade, adentrou abaixo dos cobertores, apenas para tornar a pôr-se sobre o corpo perfeito da esposa.

Ele não compreendia o porquê daquilo. Simplesmente sentira que precisava fazê-lo; precisava estar ao lado dela, perto dela... Sobre ela; dentro dela.

Francamente, toda aquela reação chegou a assustar Hinata. Mas, por imaginar que aquilo, talvez fosse uma demonstração de aprovação para seus sentimentos, ela deixou-se aproveitar.

Deslizou as mãos pelos ombros largos, deliciando-se com o contato de pele; retribuiu ao beijo da melhor maneira possível, ainda que fosse bastante desajeitada durante o constrangedor e suave enlaçamento de línguas.

Mas então a porta se abriu, e alguém soltou um gritinho assustado.

Naruto e Hinata afastaram-se instantaneamente; a rainha se apressou em cobrir-se. O casal real enrubesceu, ao ver Hanabi e Neji Hyuuga próximos à cama.

Os dois pareciam chocados.

Neji, pálido. Hanabi, vermelha.

Hinata pensou que pudesse morrer naquele segundo.

Tudo o que Naruto pôde fazer, naquele momento, foi sorrir mecanicamente, e gaguejar: — B- Bom dia Hanabi! O que faz aqui tão... Tão cedo?

– E- Eu... – A garotinha se calou. Estava estupidamente tímida. – Eu só vim dizer à minha irmã que vossa majestade havia retornado ao palácio... – Ela confessou num murmúrio desgraçado, claramente arrependido.

Curvou-se, e choramingou uma dúzia de desculpas.

– Eu pensei que vossa majestade estivesse dormindo em outro quarto! Imaginei que, por terem chegado tarde, não teria contado à minha irmã! – Ela grunhiu. – Sou uma estúpida! Por favor, majestade, perdoe minha insolência! Mas o guarda não sabia que estavam juntos, e como na sua ausência não precisei ser anunciada...

– Está tudo bem, Hanabi! – Hinata interrompeu-a; tentava acalmá-la, mas sentia que podia desmaiar a qualquer momento. – N- Nós nos vemos no café da manhã, daqui a uma hora. – Lentamente, a irmã mais jovem concordou; ela se retirou do quarto instantaneamente, mas Neji não pôde se mover.

Alguma coisa no olhar do primo de Hinata incomodou o rei, que de repente, ouviu-se questionando, um tanto rancoroso: — Mais alguma coisa errada, Hyuuga?

Neji cerrou os lábios.

Sim, tinha algo errado. Algo muito errado.

Havia um garoto estúpido, um maldito rapaz idiota, beijando Hinata. Sua preciosa Hinata!

Não, mais do que beijando. Aquele garoto imbecil, estúpido e maldito estava... Neji cerrou os olhos, e desviou o olhar do casal.

Que diabos ele estava pensando? Quem era ele, para pensar algo assim?! Já devia ter se acostumado com o fato de que Hinata agora era uma mulher casada. Devia ter se acostumado com a ideia de que, uma hora ou outra, cedo ou tarde, ela se entregaria a outro homem... Amaria, e seria amada por alguém que não era ele.

Pensar nisso fez seu coração sangrar, e o Hyuuga amaldiçoou o Uzumaki por não ter consumado o maldito casamento antes, por fazer com que a esperança de que Hinata continuasse pura se renovasse.

Esperanças estúpidas, ele sabia. Mas que como o tolo apaixonado que sempre foi, e estava fadado a ser pelo resto da vida, não pôde deixar de ter.

– Hyuuga! – Naruto exclamou em tom autoritário, e enfim despertou o rapaz.

– Perdoem-me, majestades. Devo avisar que Itachi gostaria de ter uma palavra com o rei, e pediu que fosse até sua sala, assim que despertasse. – O guarda falou, com uma tensão muito mal disfarçada. E então, sem esperar qualquer resposta, curvou-se; deu as costas para o casal e saiu do quarto sem dizer mais nenhuma palavra.

~

Àquela manhã, eu despertei de tanto frio.

Encolhida abaixo das mantas, meu corpo tremia tanto que quase podia sentir os meus dentes trincarem.

Com meus inúteis pulmões, mal conseguia respirar.

Meus olhos varreram o quarto de hospedaria, mas eu não consegui encontrá-lo.

Onde estava ele, afinal? Normalmente, mais que a lareira, mais que as mantas, mais que as roupas, ele era quem me aquecia.

Após fungar muito, limpei o nariz com as costas das mãos. Eu queria levantar e procurá-lo, mas sabia que isso só o irritaria, então após abraçar o travesseiro, tentei voltar a dormir.

A tentativa, entretanto, foi um fracasso, pois eu mal me senti sonolenta e despertei de maneira abrupta pelo arrombar da porta.

Como qualquer criança assustada e doente, escondi-me abaixo das cobertas e espiei por uma fresta.

O meu eu de hoje podia reconhecer Kakashi, e eu soube que era um sonho. Ainda assim, me apavorei quando ele comandou “Procure!” aos outros homens, e chorei quando fui percebida.

Kakashi aproximou-se lentamente, hesitante; embainhou a espada e me ergueu parte da manta escura.

.

Quando Kasumi despertou, seu coração estava à mil.

Ela tateou o colchão, em busca de algo quente para abraçar, mas a cama estava vazia. – Kasumi? – Ouviu Itachi chamar, mas não sentiu forças para responder.

Sua garganta doía como o inferno, ela mal conseguia engolir. – Kasumi... – O corpo dele se sentou ao seu lado, e ela suspirou ao sentir as mãos gélidas roçarem em seu rosto. – Está queimando...

Não, aquilo não podia ser verdade. Kasumi chegava a sentir calafrios! Como podia estar queimando? – Eu vou chamar a Sakura. – Ela não queria que ele fosse então agarrou seu pulso.

Com muita dificuldade, abriu os olhos castanhos. Itachi a olhava preocupado, e com o pouco de força que tinha a Uchiha o puxou.

Naquele momento, o conselheiro estava se aprontando para seguir atrás do rei, mas não conseguiu resistir àqueles olhos manhosos, que claramente pediam sua companhia.

Deitou-se ao lado dela, e puxou-a gentilmente para seus braços. Kasumi encolheu-se, agradada pelo calor humano, e seu suspiro soou como um assovio. – Frio... – Ela conseguiu sussurrar, muito fraca; e ele alisou seus braços.

– Você está com febre. – Itachi avisou-a. – Vou trazer a Sakura... – Mas ela negou. Não queria ninguém ali, além dele.

Itachi era o suficiente para mantê-la aquecida.

– O rei voltou, Kasumi... Eu preciso trabalhar... – Embora dissesse isso, ele se aconchegou na cama. Kasumi franziu o cenho.

– Quem liga pro rei? – Murmurou rancorosa, e ele riu.

– Parece que está melhor. – Ela não se sentia nenhum pouco bem, mas preferiu não dizer isso ao esposo. – Certo. Realmente não me importo com o rei, nesse momento. Mas você está mesmo quente, então preciso chamar a Sakura... Oh! Sakura!

Kasumi não tinha ouvido o som da porta se abrindo, mas identificou a voz de sua cunhada no tímido “bom dia” que foi escutado. Ainda assim, não quis se mexer. – Obrigado por vir, como sempre. – A rosada curvou a fronte respeitosamente. – Ela está acordada... – Itachi sorriu, e encarou a esposa encolhida em seus braços. – Não está, senhora Uchiha? – A resposta dela foi um limitado acenar de cabeça.

– Oh, que bom. Eu trouxe um pouco de tônico... – A esposa de Sasuke tornou a se aproximar; só agora Itachi reparara que ela carregava uma bandeja. – Creio que a garganta ainda esteja inflamada, então preparei.

Itachi sentou-se, e com jeito, sentou a esposa em seu colo.

As costas de Kasumi estalaram quando ela com o movimento, e a morena fez uma careta de desgosto por isso. – Aqui... – Sakura entregou à Itachi, que ajudou a esposa beber.

A Uchiha soltou um grunhido, quando as mãos geladas da cunhada tocaram sua testa. – Ainda febril... Mas pelo menos está desperta, isso já é um bom sinal. – Deu um sorriso tranqüilizador ao cunhado.

Naqueles quatro dias, Itachi parecia ter envelhecido uma década, de tão abatido. Então era muito bom dar boas notícias. – Eu vou passar a tarde com Kasumi-san, se não for incômodo...

– Incômodo?! – Itachi olhou-a como se tivesse enlouquecido. – Nós somos muito agradecidos, Sakura! Vir aqui, e cuidar com tanto carinho de minha esposa... – Ele estreitou os olhos. – Jamais me senti tão agradecido. Somos nós que devemos estar incomodando, Sakura. – Sak enrubesceu.

– D- De maneira nenhuma! – Se apressou em garantir, nervosa. – Eu gosto de cuidar das pessoas. Fico feliz em ser útil...

– Não, Sakura... – A voz dele soou grave, e ela ergueu os olhos verdes até o conselheiro. – Eu realmente estou agradecido. Os orbes negros estavam sinceros, cheios de emoção, e Sak realmente se sentiu útil.

Tímida, ajeitou as madeixas róseas, e deu de ombros.

– Até o anoitecer, ela já deve estar sem febre. – Desconversou, e Itachi anuiu. Ajudou Kasumi beber o restante do tônico e deitou-a cuidadosamente, antes de levantar-se. Ela grunhiu de revolta, o que fez o mais velho rir.

– Eu sinto muito, querida. Mas tenho que trabalhar. O rei está de volta, e temos alguns assuntos a tratar. – Ele se agachou perto da cama, e beijou a testa da amada. – Volto em pouco tempo. – Garantiu, mas não teve nenhuma resposta. – Até lá... – Mais uma vez, olhou para a cunhada com gratidão expressa nos olhos. – Deixo-a em suas mãos, Sakura.

.

Obito lembrava-se bem da noite em que havia decidido abrir mão de Kasumi.

Lembrava-se perfeitamente da dor de ver a filha acamada, febril; lembrava-se perfeitamente da agonia de não ter um tostão sequer, nem mesmo para levá-la a um curandeiro meia boca.

Lembrava-se dos gritos dela, quando foi levada por Kakashi, e da vontade de ir até lá, socar o maldito rival e recuperar sua menina. Lembrava-se perfeitamente de observá-la ser levada, da cena agonizante de Kasumi esquivando-se dos braços de Kakashi Hatake, gritando “papai”.

Lembrava da agonia, da dor, e da tristeza, que sentiu ao tomar sua decisão, e da tortura que foi vê-la ser tomada.

E para quê? Para quê havia sacrificado sua família?

Ela ainda estava acamada... Inconsciente há dias!

Ainda estava doente, estava grávida! E ainda mais doente, por estar grávida! Talvez, até disposta a morrer pelo filho... Uma criança Uchiha! Um possível herdeiro para o título.

Obito cerrou os olhos, e encostou a testa na janela de vidro.

Sim... Sua filha, sem dúvidas, estaria disposta a dar a vida por um maldito herdeiro, e assim como Madara fez com a esposa, Itachi permitiria que ela se sacrificasse pelo bem da família.

Mas ele não.

Mesmo que tivesse que render todo o maldito palácio, mesmo que custasse sua cabeça, seus planos, e o ódio da filha, ele não permitiria que ela morresse! Kasumi viveria, ainda que fosse à custa de um maldito moleque!

– Acredito, senhor, – a voz de Itachi fê-lo levantar-se de súbito. – Que não seja de bom tom ficar à toa pela Torre. Especialmente tão próximo dos aposentos dos conselheiros. – O sobrinho tinha uma postura ereta; e, ao julgar pelo brilho de seus olhos, Obito teve certeza de que ele tentava decifrar seus sentimentos.

Francamente, naquele momento, pouco se importava se conseguiria ou não.

– Eu... Eu me perdi... – Ele mentiu. Sua voz saiu fraca, sem forças, ainda que não pretendesse isso. – A Torre é grande, então... Eu me perdi.

Itachi pensou que qualquer idiota perceberia que aquilo era uma mentira, mas não disse nada. Apenas continuou olhando para o mercenário, olhando de um jeito estranho... Penoso.

– Terei o prazer de lhe mostrar o caminho certo, meu senhor. – O Uchiha disse-lhe tranquilamente. – Posso levá-lo aonde quiser... – Ele baixou os olhos por um momento, como se refletisse sobre algo, e então prosseguiu: — Eu preciso avisar aos amigos sobre a melhora de minha esposa... – Itachi pôde enxergar o brilho nos olhos do mercenário, e aquilo o comoveu de uma maneira indescritível.

Afinal de contas, ele também tinha uma filha.

– Ela... Ela está desperta... – Sorriu à Tobi.

–... Eu... Eu agradeceria, se me levasse... – Ele demorou um segundo para pensar. – Se me levasse aos aposentos de sua alteza...

~

Em geral, Konohamaru sentia-se um homem corajoso. Ele não tinha medo de lutar, não tinha medo de discutir, não tinha medo de questionar.

Mas, naquele momento, depois de saber pelas empregadas que o príncipe Nagato e o líder da Akatsuki, o tal Yahiko, haviam voltado para a Torre, ele pôde perceber que não passava de um molecote, medroso e sem poder nenhum para se orgulhar.

Ele percebeu que era uma criança.

Verdade fosse dita: Konohamaru não desgostava do casal real. Ele admirava Hinata Hyuuga, e até gostava de Naruto, mas por algum motivo, não conseguia vê-los como governantes do país do Fogo!

Talvez fosse por isso que não os desgostava.

Por anos e anos, Konohamaru detestou, abominou a ideia da monarquia. Era arcaica, ultrapassada. O título de governante não devia ser passado a alguém apenas por suas raízes! Era tolice, estupidez!

Ele havia passado a maior parte de sua vida ridicularizando a ideologia monárquica, discordando dela. Queria um governo justo, correto para seu país!

Mas então a Akatsuki apareceu. E com ela, o rapaz Sarutobi se deu conta de que ser contra a monarquia, e fazer parte de um golpe de Estado eram coisas distintas. Muito distintas.

Se no começo, mesmo sem gostar de Kurenai, o rapazinho temia por sua vida, agora as coisas eram muito piores. Ele não só gostava de Kurenai, como a amava, quase tanto quanto amara seu falecido tio. A convivência de meses com o primo e a tia fez com que o sentimento feliz de pertencer a uma família retornasse, e conforme esse sentimento aumentava, o medo de que as ameaças se tornassem verdadeiras também crescia.

Mas pior do que o medo das ameaças à sua família era o medo do que podiam fazer com Hanabi.

A maldita Akatsuki era competente no que fazia; eles eram mercenários experientes, e quando fossem dar a última cartada, seria algo sanguinário.

Ele sabia que apaixonar-se pela irmã da rainha havia sido a coisa mais estúpida que poderia ter sonhado a fazer, mas foi inevitável. Não importava o quanto ele quisesse se afastar, não conseguia ignorar as investidas dela.

Konohamaru estava ciente de que os seus sentimentos eram retribuídos, e isso era ainda pior do que se fosse rejeitado, pois só aumentava o sentimento de culpa, que pesava em sua alma como uma cruz.

Yahiko, assim como havia informado em um pequeno bilhete que enviara furtivamente, na noite passada, por uma criada traidora, chegou à biblioteca da Torre às dez horas da manhã.

Trazia consigo um livro, que provavelmente havia servido de desculpa para entrar no lugar tão cedo, quando o palácio inteiro estava ocupado servindo o rei. – Ora, ora. Se não é o estimado sobrinho da conselheira...

– Kurenai não é a conselheira. – Konohamaru soou ríspido, e o mais velho sorriu por isso.

– No entanto, ouvi dizer que cobriu muito bem Jiraya, em algumas tomadas de decisão... – Ele estreitou as sobrancelhas, pensativo. – É uma mulher charmosa, inteligente... – O ruivo sentou-se na cadeira à frente do mais jovem, sorrindo-lhe de maneira provocante. – Pergunto-me se há alguma possibilidade de tê-la do nosso lado.

Os olhos escuros do rapaz se estreitaram.

– Nenhuma. – Foi tudo o que pôde dizer. Yahiko deu de ombros.

– É o que veremos. – Suspirou. – De qualquer forma, vamos começar. – Ele se esgueirou pela mesa, aproximando-se. – Quero uma prova de sua lealdade, senhor Sarutobi. – O mais jovem se ajeitou na cadeira e cruzou os braços.

– Não terá nenhuma, já que não sou fiel.

– Pensei que concordasse que a monarquia é uma grande estupidez...

– E concordo. – O moreno deu os ombros. – Mas não acredito que uma organização disposta a ameaçar um garoto de quatorze anos seja um bom meio de achar democracia...

– E como você acha que as coisas vão se resolver? – A voz de Yahiko soou gélida e cortante, e isso fez com que os olhos escuros do jovem se erguessem até o mercenário.

Ele estava sério, mais sério do que nunca. Sua mandíbula estava trincada, e seus olhos, frios. – Pensa que os líderes vão sentar-se com os revoltados numa mesa de chá? Que vão conversar amigavelmente, até chegarem a um acordo? – Konohamaru tentou retrucar, mas calou-se diante a risada sem humor de Yahiko. – Isso é utopia. – Ele pontuou como se não existisse outra verdade. – Revoluções são violentas, meu jovem... São sujas. Política é suja... – Cerrou os olhos. – Eu descobri isso da pior maneira possível.

–... O país dos Ventos...

– Oh! Vou dá-lo uma aula de história, rapaz. – O ruivo levantou-se; puxou-o pelo colarinho e arrastou-o pelos livreiros, grosseiro. Eles subiram as escadas da biblioteca e seguiram até a área de filosofia.

O mercenário empurrou-o contra a parede, e rendeu-o. – Comecemos com o país dos Ventos. Acredita, realmente, que os irmãos Sabaku simplesmente decidiram abrir mão de títulos? Não, não. Eles não tinham escolha. Como deve saber, o Som se situou em terras do país dos Ventos. Deve conhecer Orochimaru, não é? Foi pupilo de seu avô, e é o líder do Som. Ele prometia comodidade e segurança, então os cidadãos dos Ventos estavam debandando para aquelas terras... Quando foram reconhecidos como Estado Independente, o governo dos Ventos não pôde fazer muito, além de prometer democracia ao povo.

– Ainda assim, nenhum golpe de Estado foi necessário para a mudança! – Yahiko riu mais alto.

– A existência do Som, em si, é um golpe de estado. Eles queriam conquistar o maior país do continente, mas não deu certo. Ainda assim, muitas mortes resultaram da invasão... O Som vive em uma falsa democracia, já que Orochimaru é sempre o último a dar um veredicto. O raikage, do país do Trovão, foi reconhecido como “herói” pela nação, mas a verdade é que teve sorte em ser o rebelde a matar o antigo imperador tirano. O país da Chuva... – Ele tornou a estreitar os olhos. – Graças a um rei estúpido, que chegou ao trono pelo sangue, foi levado à miséria... – Os lábios se estreitaram, e Konohamaru reparou que seus olhos tremeluziam. – Diferente de você, nasci numa família de comerciantes... Passaram a vida trabalhando, e mesmo assim morreram de fome... Eu e minha irmã fomos deixados na rua, com a roupa do corpo.

Konohamaru não soube o que dizer.

– Eu conheci Konan e Nagato enquanto roubava para comer. – Ele prosseguiu, com a voz gélida. – Um país miserável não se importa em ser caridoso com órfãos... E, assim, formamos a Akatsuki.

– E tomaram o país. – Konohamaru concluiu, mas Yahiko negou, surpreendendo-o.

– A Akatsuki não queria conquistar nada... – Os olhos castanhos do mercenário caíram ao chão, reflexivos. – Nós só queríamos ajudar... Evitar conflitos... Ser uma ponte entre o governo, e o povo... – Seu semblante tornou-se melancólico.

–... O que aconteceu? – O Sarutobi questionou, após um longo silêncio.

Yahiko hesitou, mas quando ergueu a cabeça, seus olhos estavam sombrios. – O rei mentiu. Disse que queria conversar conosco, entrar em acordo... Mas enquanto estávamos em reunião, sequestrou a minha irmã. – Konohamaru inevitavelmente lamentou-se por ele. – Mai era a minha única irmã, e esposa de Nagato... Então eles levaram-na. O rei Hanzou a espancou, a estuprou e só então a matou. Disse que faria o mesmo com Konan e Karin, se continuássemos...

– Mas vocês não pararam. – Não era preciso ser um gênio para concluir aquilo; um sorriso de desgosto surgiu nas faces do ruivo.

– Não, nós não paramos. – Ele tornou a encará-lo. – Ao invés disso, invadimos o castelo. Matamos cada um dos soldados, até alcançar o maldito... E quando finalmente alcançamos, o estripamos. – O rapaz não soube o que dizer.

– O mais importante dessa experiência – Yahiko prosseguiu – Foi o fato de que descobrimos que todos os nossos princípios eram ingênuos. Tentamos ajeitar as coisas por meio da paz e do diálogo, mas no fim, o que realmente deu resultado... – Ele não conseguiu concluir. – Foi violento, sujo, mas efetivo. A Akatsuki tomou fama de justiceira, nós conquistamos seguidores, e criamos nossa própria vila... Mas meu país continua chorando. Grande parte de meus conterrâneos ainda são miseráveis... O único motivo de estarmos aqui, rapaz, é para evitar que o país do Fogo torne-se como o país da Chuva.

– Está me dizendo... Que vão ser violentos, sujos, e efetivos, mas fazem isso por heroísmo? – Konohamaru cerrou os punhos. – Não brinque comigo! – Gritou. – Sua história não explica sua conduta odiosa e hipócrita! Se você quer lutar contra o rei, lute de frente, com honestidade!

– A política é podre. – Yahiko murmurou. – E o governo da nação do Fogo é ainda mais podre... Você sabe disso, não é? – As imagens de Asuma e Hiruzen estamparam os pensamentos Konohamaru, e ele não conseguiu respondê-lo. – Um jogo limpo só vale com competidores limpos... E o governo do Fogo não é limpo. Nem nós. Diferente do que acredita não nos vemos como heróis... Mas também não somos os vilões, meu jovem.

E mais uma vez, ele não tinha o que dizer. Simplesmente não tinha argumentos para discutir, porque aquele homem tinha razão.

“Não há conquista sem luta”. Konohamaru havia crescido ouvindo essa mesma frase do avô, que havia sido misteriosamente assassinado.

E só agora conseguia compreender.

Konohamaru Sarutobi não acreditava na monarquia, mas aquilo de nada servia. Se ele quisesse que algo mudasse, teria que agir; teria que lutar, e a Akatsuki era o meio mais simples de alcançar seus objetivos, e o mais próximo de liberdade que Konoha poderia chegar a alcançar algum dia.

Se ele negasse isso, estaria mentindo para si mesmo.

– Konohamaru? – A voz doce soou pela biblioteca. Era hesitante, tímida, e agiu como uma adaga, no peito do jovem traidor. – Konohamaru? – A voz dela estava se aproximando, então Yahiko afastou-se. – Konohamaru, você está... – Hanabi calou-se, quando os viu. – Oh, desculpe, eu não sabia que... – Mas não conseguiu terminar a sentença, ao reconhecer o mercenário.

Yahiko sorriu à mocinha. – Hanabi Hyuuga, não? – Ele se aproximou, e beijou-lhe a mão de maneira cortês. – Eu vim devolver este livro à estante. – Apontou para um exemplar qualquer. – Peguei ontem a noite, para sentir sono. – A menina anuiu lentamente. – Com licença. – Ele curvou a fronte para a mocinha, e acenou para o rapaz antes de retirar-se.

Hanabi passou o tempo inteiro olhando abismada para o Sarutobi; ele estava cabisbaixo, pensativo... E bastou que ouvissem a porta se fechar para que a Hyuuga se expressasse: — Que porcaria foi essa? – Ela quis saber, claramente confusa.

Konohamaru olhou-a de soslaio, com um sorriso muito pouco convincente. – O que quer dizer? Eu só estava sendo sociável. – Ele se odiou por mentir, mas não queria que ela desconfiasse; aproximou-se sorrindo, mas a mocinha ainda o olhava com desconfiança.

– E desde quando você é sociável com mercenários? – O rapaz deu os ombros.

– Ordens superiores dizem que devemos ser educados. – Foi o que lhe disse, mas a mentira estava estampada em seus olhos cheios de culpa.

Enxergar aquilo a preocupou. Imensamente.

– Vocês estavam conversando? – Ele sentiu o estômago revirar; imaginou que o pânico estivesse estampado em seu rosto, e para evitar que ela percebesse, puxou-a pela cintura.

– Não veio atrás de mim para falar de mercenários... – Ele murmurou, e roçou o nariz no dela. Hana fechou os olhos e enrubesceu com o toque do rapaz. – Pensei que só nos veríamos ao anoitecer... – Konohamaru precisava mudar de assunto, e mais do que isso, precisava se acalmar, portanto, selou os lábios doces sem pedir permissão.

Não era o primeiro beijo que trocavam e, por Deus, ele rezava para que não fosse o último. Hanabi, como sempre, derreteu-se em seus braços; timidamente, alisou o rosto do rapazote, mas bastou que ele se afastasse milímetros para que ela voltasse a insistir. – Você está agindo estranho... – Observou preocupada. – Aquele homem disse alguma coisa...? – Konohamaru negou.

– Por favor, Hana... – Ele encostou o corpo dela em uma das estantes. – Já que temos pouco tempo sozinhos, não vamos desperdiçá-lo falando sobre mercenários... – E tornou a beijá-la.

Konohamaru sabia que não deixaria de compactuar com a Akatsuki. Por Kurenai, pelo pequeno Asuma, por Moegi e sua mãe, por Shikamaru, pela própria Hanabi – já que ele duvidava que a Akatsuki não soubesse de sua relação com a garota – e por ele mesmo, por seus ideais. E, portanto, estava ciente de que algum dia Hanabi o odiaria... Mas esse dia não era hoje, e ele aproveitaria até o último segundo ao lado dela.

Ainda que, mais tarde, isso a fizesse odiá-lo ainda mais.

~

Como em todas as manhãs, bastou Karin despertar para seguir à enfermaria.

Como acordava cedo, fazia isso todos os dias, antes de tomar o desjejum. Nem sempre encontrava os ocupantes da enfermaria despertos, mas gostava de ficar ao lado deles, e ajudá-los se fosse preciso.

Naquela manhã, tanto Deidara quanto Suigetsu estavam dormindo, mas como não tinha muito o que fazer até as nove, a princesa decidira continuar ali, sentada, observando-os até cansar, ou até um deles acordar.

Passou boa parte de seu tempo ao lado do guarda pessoal, desenhando uma caricatura muito mal feita do Houzuki, que certamente o faria reclamar, mas cansou-se da falta de companhia quando terminou a obra. Além disso, a fome a consumia.

Deixou a folha desenhada sobre o criado mudo criado mudo ao lado da cama de Suigetsu, esperando que ele ficasse surpreso e incomodado quando encontrasse a imagem, e depois de acobertá-los cuidadosamente, deixou o local, e seguiu até seu quarto.

Ela mal pôde pensar no que dizer, quando encontrou o pai ali, sentado à sua cama, com um sorriso animado e convidativo. – Papai! – Ela pulou sobre Nagato, abraçando-o de maneira saudosa. – Papai! Papai! – Encolheu-se nos braços do ruivo, que a apertou. – Papai...!

– Eu também senti sua falta, querida. – Ele beijou a cabeleira ruiva. – Como vai? Como foi sua viagem... Sua estadia na Torre? Sua convivência com a rainha? Por favor, conte tudo ao seu velho pai. – Ela abafou uma risadinha animada no peito dele.

– Sim! – Exclamou. – Vou contar tudo... Desde que coma comigo!

Nagato não teve nem meios, nem vontade para negar o convite da filha, e em pouco estavam sentados à mesa de chá do quarto da princesa, tomando o desjejum que havia sido trazido pela serva da ruiva, comendo e conversando sobre a viagem de Nagato, e a estadia de Karin.

– Sasuke Uchiha é muito interessante, papai... – A moça suspirou com um ar sonhador. – Tão bonito, corajoso e forte! Aposto que vai gostar dele!

Nagato já conhecia o filho mais jovem da família Uchiha, e não o havia considerado melhor do que qualquer outro guarda. Ainda assim, achou melhor não contradizê-la. – E como foi sua convivência com a rainha?

Então Karin calou-se.

Calou-se, porque sabia que aquela pergunta era mais séria do que o pai tentava transparecer.

Ela colocou mais açúcar no chá, e tomou um gole gordo antes de, com muita hesitação, murmurar timidamente: — Eu gosto dela... – E então olhou de soslaio para o mais velho. – Desculpe por isso, meu pai, mas... Ela é gentil, bondosa... Preocupa-se com todos, não só comigo, por ser sua filha... Na verdade, papai... – Apertou a xícara em suas mãos. – Gosto muito dela...

Nagato não soube como responder, mas deu à filha um sorriso tranquilizador. – Eu compreendo... – E ele realmente compreendia.

Compreendia porque, apesar dos pesares, surpreendentemente, achava que gostava mais de Naruto do que deveria.

~

Naruto queria continuar dormindo. Queria continuar deitado em sua cama, na companhia de sua esposa; queria continuar abraçando o corpo esbelto de Hinata, continuar com a cabeça afundada no mar de cabelos azulados, queria continuar em paz...

Mas, se havia alguma coisa que Naruto tinha aprendido no último ano é que as coisas nem sempre – na verdade, em geral – não são como se quer. O dever o chamava e, portanto, obrigou-se a seguir para o escritório onde geralmente se reunia com os irmãos Uchihas.

Quando adentrou no local, Sasuke já estava presente; sentado, com os pés preguiçosamente esticados e bocejando.

Ele sorriu abertamente, quando viu o amigo chegar. – Seja bem vindo, vossa majestade! – O Uchiha exclamou, mas não fez menção de se levantar para mostrar respeito. Naruto percebeu, e revirou os olhos por isso. – Quantas olheiras, soberano. Posso imaginar do que se trata, já que as criadas da sua ala não param de comentar sobre os gemidos da noite passada. – O loiro enrubesceu.

– O- O que?! – Sasuke deu os ombros.

– Você não sabia? As criadas estão comentando muito sobre sua noite agitada, majestade. – Os olhos azuis se estreitaram, mas antes que o Uzumaki pudesse retrucar, Itachi apareceu.

– Oh, vocês já estão aqui. Majestade. – Ele fez uma mesura educada. – Como foi a viagem? – Naruto deu os ombros.

– E Kasumi, como está? Hinata me falou sobre sua situação... Eu lamento muito, Itachi. – O Uchiha lhe ofereceu um sorriso de gratidão. – Se precisar de qualquer coisa...

– Na verdade, majestade... – O conselheiro suspirou. – Eu preferia não falar disso agora. – Aquilo surpreende Naruto. – Os Akatsukis devem estar ocupados com Nagato, e a atenção dos guardas está voltada aos mercenários. O tal Tobi... – Ele estreitou os olhos. – Acredito que não esteja em condições de nos observar... – Fixou os olhos negros nos do rei. – Então prefiro tirar proveito dessa situação.

– Diabo! Acabo de chegar, e me vem com essa?! Itachi, antes de qualquer coisa, se acalme... Também queria falar com vocês, e por isso aceitei vir aqui o mais rápido possível, apesar do meu cansaço... – Ele preferiu ignorar o sorrisinho cheio de malícia e insinuações implícitas que Sasuke lhe lançou. – Eu conversei com Nagato... – A informação surpreendeu ambos Uchihas. – Perguntei o motivo de estar aqui. – Sasuke se levantou num pulo, pronto para espancar o melhor amigo, mas foi parado por Itachi.

– Que porcaria...?! Por acaso enlouqueceu?! Como isso foi acontecer?! Tínhamos combinado fingir, lembra-se?! – Naruto exalou longamente.

– Sim, eu me lembro. Mas a verdade é que hipocrisia não faz parte da minha personalidade, Sasuke. – Estava tão irritado que soou grosseiro, mas nenhum dos amigos se preocupou com isso.

– O que ele respondeu? – Itachi preferiu ser direto. Discutir sobre o que Naruto deveria ter feito não levaria ninguém a lugar nenhum, àquela altura.

– No começo, insistiu na historinha de que queria me guiar... – O loiro encostou-se à mesa, cruzou os braços e tentou se lembrar da conversa detalhadamente. – Mas deixei claro que não acreditava em uma palavra, e ele acabou confessando de que se aproximou para me observar...

– Observar um parente mais jovem não é uma atitude exatamente suspeita. – Sasuke ponderou.

– Sim, mas... – Os olhos azuis se estreitaram, e ele tornou a olhar para o conselheiro. – Itachi, quantas pessoas sabem sobre a minha memória? – O Uchiha mais velho pareceu estranhar a pergunta.

– Bom... – Ele arqueou as sobrancelhas, refletindo. – Vivas, acredito que apenas a Uchiha, os Hyuuga, os conselheiros, a princesa, Shizune e... Sakura? – Ele olhou para o irmão como se fosse uma pergunta, e o mais jovem anuiu. – Mas todos sabem que você foi criado longe da Torre, Naruto. Então devo concordar com Sasuke: é natural, na situação do Nagato, desejar observá-lo.

– Nagato sabia da minha perda de memória. – O Uchiha mais velho pareceu surpreso com a informação. – Eu fiquei abismado, quando ele mencionou isso em nossa conversa...

– Eu vou averiguar. Vou descobrir se existe mais alguém que tem a informação. – Naruto anuiu. – O que mais ele disse?

O rei estreitou os lábios como se estivesse incomodado. – Fez insinuações sobre meu casamento. – Murmurou com frustração. – Dizendo que o povo espera um herdeiro...

– Que, julgando pela movimentação da ala real na noite passada, deve aparecer logo. – Sasuke não pôde resistir; Naruto o encarou com irritação, mas Itachi estava mais atento à possível ameaça implícita nas insinuações do príncipe.

– Isso não é engraçado, Sasuke. – Ele censurou o irmão. – Se aquele homem começar a espalhar essas insinuações...

– Pelo amor de Deus, você só tem que fazer um filho com sua esposa! – Sasuke exclamou. – Itachi tornou a olhá-lo com reprovação. – Falo isso pelo bem de Hinata. – O rapaz explicou. – Já vão fazer um ano de casados, e não há sinal de herdeiro. Mesmo se o tal Nagato não fizer insinuações, as pessoas vão começar a falar.

Naruto bufou. – Quando for para tivermos um filho, — ele disse ao amigo, encarando-o. – Teremos um filho. Um filho, não um maldito herdeiro!

– Quanta paixão para um casamento arranjado... – A ironia expressa na voz de Sasuke fez com que o rei quisesse socá-lo, mas ele conteve a vontade, porque Itachi mostrou-se muito impaciente.

– Não temos tempo para discutir essas bobagens. Naruto tem razão, quando tiver que ser, será. – E então tornou a olhar para o rei. – O motivo de eu querer falar tão logo com vossa majestade, é porquê... – Ele estreitou os lábios, e hesitou. – Eu... Eu descobri coisas sobre o tal Tobi.

– Coisas? – Naruto estreitou as sobrancelhas. – Quer dizer que a historinha que ele contou...?

– Balela. – Foi Sasuke quem respondeu. – O cara não é nenhum abandonado. Na verdade, é um de nossos conterrâneos. – O loiro sequer pôde expressar sua surpresa, já que Itachi prosseguiu:

– Ele nasceu em Konoha. – Explicou ao rei. – Suspeito que seja um fugitivo... Conhecido como Obito Uchiha.

–... “Uchiha”? – Naruto não pôde evitar o tom desacreditado na voz. – Por que demônios um Uchiha seria posto como fugitivo?

– Ele foi acusado de matar os pais da Kasumi. – Sasuke explicou.

– Ele matou os pais da sua esposa?! – Naruto mal pôde conter a altura de sua voz, e os irmãos Uchihas lhe lançaram um olhar frustrado por isso, constrangendo-o.

Itachi pigarreou para prosseguir. – Aparentemente, Obito foi acusado de causar o incêndio que acarretou a morte da família Nohara... Mas, segundo minha fonte, ele não passou de um bode expiatório. – Explicou ao rei.

– Um bode expiatório? Por que colocariam um Uchiha, como bode expiatório? – Mesmo um idiota como Naruto sabia sobre o poder da influência do nome “Uchiha” na nação do Fogo.

– Ele foi renegado pela família... Por manter um romance com Rin Nohara.

– Ótimo, agora tudo ficou mais confuso. – As sobrancelhas loiras se estreitaram. – Por que diabo ele mataria a família da mulher que mantinha um romance?

– Era um romance secreto. – Itachi explicou entre um suspiro. – Todos pensavam que a senhorita Nohara estava noiva de outro, mas todos estavam cientes dos sentimentos de Obito por ela... Quando os Nohara foram assassinados, a culpa imediatamente caiu sobre os ombros de Obito.

– Você fala com muita propriedade, Itachi. – Naruto observou. – Mas como pode saber de tanto? Já me falaram que Kasumi não chegou a conhecer seus familiares, então imagino que o caso tenha acontecido há anos... E não imagino que estivesse lá, na época do ocorrido. – O mais velho anuiu. – Se fosse inocente, porque fugiria? Por que se tornaria um mercenário? Mesmo renegado, ainda tinha o nome Uchiha, então não faz sentido...

– Ele foi posto como culpado porque era conveniente. – Itachi foi curto e grosso. – Foi usado como bode expiatório porque os cidadãos estavam assustados, e precisavam de um culpado. Fugiu, porque devia estar apavorado e tornou-se mercenário porque tinha uma filha para cuidar.

Nem Sasuke, nem Naruto puderam dizer uma palavra sequer.

Sasuke empalidecera, mas Naruto estava simplesmente confuso. – Mas... O quê...?

Itachi respirou fundo, e praguejou baixo.

Definitivamente, aquela seria uma longa história.

Notas finais
Ontem a noite, enquanto eu e meu namorado conversávamos por telefone, começamos a falar dos mistérios de The King. Eu estava sonolenta, e ele queria me acordar. O danado sabe que eu sempre fico desperta, quando falo das minhas histórias... u.u Mas, enfim! Eu acabei falando para ele dos mistérios de The King que, provavelmente, ninguém deu muita importância, mas que uma hora, vão fazer diferença na história! XD Claro, não vou compartilhar esses mistérios com vocês (por enquanto)... Mas vou ser boazinha e compartilhar com meus queridíssimos leitores esse fato: a primeira fase de The King está para acabar! YEEEY!!! Vamos passar para a segunda fase, e eu estou muito ansiosa. Alguns mistérios vão ser revelados, e eu espero fazer um bom trabalho! ;x ~ Esse capítulo foi bem tensinho, não acham? Eu gostei muito de fazer a parte do Konohamaru e do Yahiko... *-* E FINALMENTE alguém se confessou nessa história! Francamente, já tava na hora, não? e.e Err... Eu preciso terminar meu trabalho, então não vou me prolongar. Obrigada a todos os que comentaram, mesmo sabendo que eu sou uma desgraça pra responder! Obrigada aos que recomendaram TK, aos que favoritam e até aos que visualizam... *w* Não tem nada mais delicioso para uma autora do que abrir o gerenciador de histórias e ver um número daqueles! *w* Obrigada pela força, pessoal! Até semana que vem! ;)