The King

31 Capítulo XXXI – Um Sonho.


Notas iniciais
Olá, queridos leitores! Eu até pensei em usar o treco automático do Nyah, mas estou curiosa para a resposta de vocês sobre o capítulo, então vim postar mais cedo! :D Estou indo pra Guarulhos, pra casa da L-chan, minha irmã! sz~, vamos comemorar meu aniversário de vinte aninhos (YEEY!!). Tá. Na verdade eu faço vinte anos na quarta (dia 11), mas minha irmã trabalha, e não vamos poder nos ver no dia. ;-; Mesmo assim, eu estou feliz! o/ Ah! Como avisei à vocês, semana passada, meu querido namolindo vai chegar na segunda-feira! o/ Francamente, não sei como vão ficar os posts, mas eu vou tentar continuar. :3 E EU PASSEI NA PROVA! o/ Tirei 6 (a nota máxima era sete ou oito), e estou SUUUPER feliz! Passei sem ficar de exame em nada... Obrigada aos que torceram pela tia Candy! ;-; Bee~m... Acho que vocês vão gostar do capítulo. Acho mesmo. Espero que divirtam-se!

Capítulo XXXI – Um Sonho.

No intuito de falar sobre seus deveres, Naruto e os conselheiros costumavam se encontrar muito no escritório de sua majestade, o que Naruto herdara de seu pai.

Mas não naquele dia.

Naquele dia, eles seguiram até uma saleta, em um canto pouco frequentado na Torre. A reunião fora proposta pelo próprio rei, o que era um tanto surpreendente, mas todos conseguiram se reunir, discretamente, em menos de quarenta minutos após a separação com os líderes da Akatsuki.

– Eu não consigo compreender o motivo dessa reunião, Naruto. – Jiraya foi inocentemente sincero, e o tamanho de sua inocência irritou profundamente ao neto.

– O motivo dessa reunião, Jiraya... – Ao menos por enquanto, ele se negava a chamá-lo de “avô”. O velho pareceu perceber isso, pois seu semblante ficou imediatamente desanimado. – É que temos mercenários dentro e fora da Torre. E não gosto nada disso.

– Acho que pode estar sendo um pouco preconceituoso... Eu conheci Nagato, ajudei a criá-lo, e sei que é um ótimo menino... – Os olhos azuis do Uzumaki reviraram.

– “Um ótimo menino”, eu imagino. Ele mesmo disse que passou por diversas coisas! – Bufou. – As pessoas mudam, e você devia saber disso... Mas de qualquer forma, sendo ou não um “ótimo menino”, prefiro me prevenir... E já que terei que me afastar por muito mais tempo do que eu gostaria. – Lançou um olhar incômodo para o avô. – Quero ter certeza que Hinata e os outros ficarão bem, em minha ausência. Então Itachi – ele levou seus olhos até os do Uchiha –, eu quero que os melhores militares do país do Fogo estejam em guarda fora da Torre, e os melhores dos melhores estejam em prontidão, dentro da Torre. – Seu tom de voz era calmo e autoritário, e ninguém fez menção de contrariá-lo. – Já que deu a genial ideia, Jiraya nos acompanhará durante a viagem. – O mais velho anuiu.

– Com todo o respeito, majestade. – Shikamaru o interrompeu. – Só uma pessoa fazendo sua guarda não é aconselhável. – O loiro pareceu pensar por um instante, mas por fim concordou.

– Até o amanhecer, faça uma lista de dez soldados confiáveis. Vou escolher alguns dentre eles. – O conselheiro anuiu. – Com exceção de Genma, Itachi e Sasuke.

– Sasuke e eu?! – Itachi exclamou. – Por que somos exceção?

– Sei que é o melhor homem da guarda real, Itachi. Inteligente, forte, atento. – Os elogios não serviram para retirar a desconfiança do conselheiro. – O tal Tobi deve ficar para proteger a mulher da Akatsuki... – Ele estreitou as sobrancelhas loiras. – Esse homem me deixou com uma péssima impressão. Não consegui acreditar em uma só palavra do que disse. Não confio nele e, por isso, gostaria que abdicasse temporariamente seus deveres de conselheiro, e se dedicasse unicamente à segurança da rainha. – A ideia surpreendeu a todos. – Sobre o Sasuke... – O rapaz suspirou. – Sei que ele acaba de se casar, e sei que vai odiar minha decisão, mas também espero que ele fique de prontidão no palácio. – Itachi estreitou os lábios, visivelmente insatisfeito, mas Naruto prosseguiu: — Francamente, também gostaria de falar com ele sobre a possibilidade de Sakura passar uma temporada na Torre. Ela é uma boa médica, afinal de contas.

– Parece já ter decidido tudo, majestade. – O conselheiro Uchiha cruzou os braços. – Então para quê fomos convocados?

– Para serem avisados, é claro.

– Quando a princesa chegar, o que deve ser feito? – Shikamaru, ignorando toda a tensão visivelmente formada pela imprudência do príncipe de tomar decisões tão sérias sozinho, mesmo sendo extremamente inexperiente.

O rei pareceu pensar um pouco. – Você deve recebê-la... – Decidiu incerto, e Itachi bufou. Ele estava surpreendentemente irritadiço, naquela noite.

– A rainha, Kasumi, eu e Shikamaru vamos recebê-la. – O moreno afirmou. – É o melhor a se fazer. Majestade, nós não podemos deixá-los em alerta sobre nossa desconfiança. Com todo o respeito, o seu plano é...

– Eu sei que é! – O Uzumaki exclamou, e se levantou. – Eu sei que é imaturo, sei que é até imprudente, mas eu não me importo! Aquelas pessoas – apontou para uma direção qualquer – são como cobras! E agora eu tenho que sair. Não vou colocar em risco as poucas pessoas que me são importantes. Itachi – ele olhou diretamente nos olhos negros –, eu sei que não gosta disso. – Afirmou. – E você sabe que eu sempre considero sua opinião, no entanto... – Estreitou os olhos. – É a minha decisão final. Dentro desse lugar, é a pessoa mais competente que tem minha confiança. Então, por favor... – Ele apertou os punhos. – Pense no que faria se estivesse no meu lugar, e cuide de Hinata. – Ele curvou a fronte. – Por favor, compreenda!

~

Kasumi estava sentada à janela, com os olhos fixos nas estrelas noturnas pensando, pensando e repensando sobre o que diabos devia ter trazido aquele homem de volta à sua vida, quando Itachi adentrou ao quarto.

Ele estava exausto. Mais do que isso, estava irritado.

Aquilo a surpreendeu, porque Itachi dificilmente voltava irritado de reuniões com Naruto, então assim que o marido sentou-se para livrar-se dos sapatos, ela se apressou em ajudá-lo. – Parece frustrado... – Comentou enquanto o despia da camisa, mas não teve resposta. – Sua majestade fez algo idiota? – Ele revirou os olhos.

– Ele só está tentando ser cuidadoso... – E suspirou. – Mas tanto cuidado pode fazer aquelas pessoas desconfiarem. – Kasumi estreitou as sobrancelhas.

– Desconfiarem?

– Desconfiarem da nossa desconfiança. – Ela abafou uma risada.

– Sinto dizer, querido, mas acho que eles mais que desconfiam. Aquela recepção só serviu para duas coisas: nós sabemos que eles querem mais do que dizem, e eles sabem que sabemos disso.

– Não podem ter certeza absoluta, mas terão quando notarem a Torre cheia de guardas. – A morena deu os ombros.

– Isso é um palácio, deve ser comum. – Mas Itachi continuou a negar, continuou a afirmar que aquela era uma grande burrice, causada por uma tola paranoia. – Naruto sofreu com uma flechada em sua recepção, uma maçã na cabeça enquanto discursava e um atentado pouco depois de se casar. Ele tem razões para ser paranoico. – Ele suspirou longamente. – Você sabe que ele não está ao todo errado... Só quer proteger a esposa. Estou certa de que você faria o mesmo. – Itachi fez uma careta, mas logo sorriu.

– Foi exatamente isso o que ele pediu para que eu fizesse: colocasse-me em seu lugar. – Kasumi anuiu.

– Faça isso... – Sentou-se sobre seu colo. – Faça isso, enquanto eu o ajudo a se banhar. – E beijou seus lábios.

O pedido foi prontamente aceito; com os braços, ele ergueu-a cuidadosamente, e juntos, trocando beijos ternos e apaixonados, seguiram até a porta que dava para uma banheira cheia d’água. – Deve estar gelada... – Ela avisou entre os beijos, mas o amado deu-lhe os ombros.

– Vai ficar quente. – Garantiu, mas bastou pôr os pés dentro da água para fazer uma careta. Ainda assim, ele agachou, e mergulhou o próprio corpo e o da esposa, que soltou um gritinho de desagrado. – Vai ficar quente. – Ele tornou a afirmar. – Mas ainda não está. – Ela riu.

– Você molhou meu vestido. – Kasumi fez uma careta. – Agora vai ter que me ajudar a tirar. – Mas ele negou, e a negação dele surpreendeu-a. – Não?

– Não.

– Não vou conseguir soltar o espartilho, sozinha.

– Não vai precisar tirar o espartilho, porque não vamos fazer o que está pensando. – Ele sorriu provocante; puxou-a pela cintura e fitou-a com um olhar tão furioso que chegava a faiscar.

Aquilo a assustou tanto, que sequer pôde formular uma resposta para o que ele havia dito. – Agora, Kasumi... – Ele alisou seu rosto com um olhar sinistro. – Pode me dizer de onde conhece aquele Akatsuki? – O rosto dela empalideceu. – Pode, por favor, me dizer quem é o tal Tobi, que você passou a noite inteira observando?

~

Sasuke havia passado horas e horas trancado na biblioteca, esperando até que a casa ficasse completamente silenciosa.

Sentado sobre o chão, com as costas reencostadas num canto entre dois livreiros grandes, tinha os olhos negros presos a uma carta curta, redigida por Naruto, que ele havia recebido muito tarde, das mãos de um mensageiro real.

Mas muito embora tivesse uma carta do rei em mãos, e os olhos presos à caligrafia de seu soberano e melhor amigo, Sasuke não conseguia pensar em outra coisa se não as palavras do pai.

Que tipo de pessoa, ele se perguntava, que tipo de pai faria qualquer filho escolher entre a família e a esposa? Até onde Sasuke sabia a esposa de um filho também era uma parte da família.

Fugaku dificilmente tratava bem às pessoas que se relacionavam com sua família, mas ele não costumava a tratá-las mal. Nunca, durante toda a permanência de Kasumi na casa, ele nunca havia sequer lhe levantado à voz. Ele nunca fora grosseiro – pelo menos não além de seu habitual – com a primeira nora, então porque diabo estava tão cismado com sua Sakura?!

Ele simplesmente não conseguia compreender.

Estava tão absorto em seus próprios pensamentos, que sequer pôde notar quando Mikoto, silenciosa e com um sorriso calmo, sentou-se ao seu lado.

Era possível que nem tivesse notado, caso a mãe não alisasse seus cabelos carinhosamente, despertando-o de seus devaneios. – Já é tarde... – Ela avisou desnecessariamente.

Sasuke sorriu, deu os ombros e anuiu. – Eu vou logo. – Mentiu, e Mikoto pareceu perceber a mentira, pois continuou ali, sorrindo, acariciando-o.

– Todos da corte foram convocados para uma reunião, amanhã na Torre. Você deve descansar, e de manhã avisar à senhora Uchiha. – Ele concordou, mas não fez menção de se levantar. Mikoto notara que o filho parecia muito abatido, e aquilo destruiu seu coração.

De alguma maneira, sua alma sentia que o que ela mais queria que não acontecesse, já estava acontecendo. – O que o seu pai disse? – Ela perguntou num sussurro baixíssimo, que Sasuke fingiu não ouvir. – O expulsou de casa? – Ele riu sem humor.

– Não. – Mas aquela resposta era muito seca, e rígida para ser verdade. – Ele deu-me “escolhas”. – Revirou os olhos negros. – Disse que eu posso mandá-la embora, ou ir com ela. – Mikoto levou um minuto inteiro para digerir a informação.

– Você não vai. – Ela afirmou quando conseguiu compreender; estava trêmula, perturbada. – Você não vai. – Tornou a garantir, e se levantou num pulo. – Eu não vou deixar que ele o tire de mim! – Exclamou em voz alta, o que fez Sasuke se levantar, assustado; ele colocou as mãos sobre seus ombros no intuito de contê-la.

– Mamãe, acalme-se... – Pediu, mas não pareceu adiantar muito.

– Você não vai sair daqui, Sasuke! Eu não vou permitir isso. Essa casa é sua! É nossa! É de todo Uchiha. Não vou deixar que o Fugaku, apenas por isso...!

– Por favor, minha mãe... – Ele suspirou longamente. – Não torne as coisas mais difíceis. – Mas Mikoto não quis escutar.

– Você não vai, Sasuke! – Tornou a afirmar. – Eu não vou permitir que você vá!

– E eu deveria deixar minha esposa sozinha, como se tivesse sido abandonada pelo marido? – A opção calou-a completamente. – Eu não faria isso com ninguém, mamãe. – Ele afirmou. – Muito menos com ela. – Mikoto não conseguiu encontrar uma resposta, então ele prosseguiu: — Já mandei alguém procurar uma casa pelas redondezas...

– Não, meu filho! – Ela o abraçou. – Por favor, querido! Isso realmente não é necessário-...

– Mamãe, eu não posso deixá-la aqui, com o papai debaixo do mesmo teto. Você viu o que ele fez. Ela deve estar assustada...

– Por favor, não! – Apertou-o. – Eu não posso perder você também! – O desespero da duquesa era tão grande, que o assustou. Ainda assim, Sasuke tentou rir; retribuiu ao abraço da mãe e com carícias leves nos longos cabelos negros, tentou acalmá-la.

– Mamãe, você não vai me perder... – Ele garantiu carinhoso.

– Por favor, querido... Não alugue nada... – Ela apertou os punhos. – Essa é a sua casa, Sasuke... Eu posso convencê-lo, você vai ver. – O guarda suspirou longamente. Não estava disposto a ceder, mas também não queria desesperar a pessoa que mais amava no mundo.

– Naruto convidou-nos a passar uma temporada na Torre. – Ele disse à mãe. – Eu e Sakura. Posso escrever aceitando a oferta. Se durante esse tempo não conseguir convencer o meu pai... – Ela assentiu.

– Eu vou! Vou convencê-lo. – Garantiu com nervosismo. – Eu vou, meu querido. Você vai ver. – Sasuke lhe sorriu.

– Obrigado, mamãe. – Agradeceu sincero, e Mikoto lhe retribuiu o sorriso.

– Sou eu quem deve agradecê-lo, meu menino... – Ela alisou suas faces. – Agora vá, durma. – Afastou-se. – Fique ao lado de sua esposa... E não diga nada a ela.

~

Quando Naruto chegou ao quarto, já banhado e vestido, sentia-se exausto.

Havia passado a noite passada em branco, e aquele dia fora extremamente cansativo e estressante.

Tudo o que queria, quando entrou no quarto, era deitar, encolher-se debaixo das cobertas e dormir até seus dias finais. Vontade que, de uma forma não muito surpreendente, se esvaiu ao encontrar a perturbada e agitada esposa sentada com as pernas sobre a cama de maneira muito a vontade. – Naruto! – Ela exclamou com preocupação ao vê-lo entrar, pulou da cama e se apressou em aproximar-se. – Onde você estava? – Ele coçou o rosto, tímido.

– Desculpe, eu quis ter uma conversa com os conselheiros. – Ela corou.

–... Eu não podia estar presente...? – Perguntou incerta, e ele suspirou longamente por isso. Então olhou-a de canto, sorriu e puxou-a pela cintura.

– Não. – Balançou a cabeça negativamente para um maior efeito; Hina fez um beicinho magoado, e desviou os grandes olhos do amado. – Você discutiria comigo. – Explicou-lhe, e aquilo a surpreendeu.

Os olhos de pérola o fitaram de soslaio, desconfiados. – Nunca discuto com você em publicamente. – Ele riu.

– Desta vez, discutiria. – Garantiu, e ela estreitou os olhos.

– O que você fez? – Ele hesitou. – O que você fez? – Ela tornou a questionar, ainda mais séria, e o fez suspirar.

– Muitas coisas.

– “Muitas coisas” não é a resposta que eu estou esperando. – Naruto estreitou os lábios. – Diga...

– Coloquei Itachi como seu guarda-costas; pus quase toda a força militar nos arredores da Torre e solicitei os guardas para a proteção interna do palácio.

–... O quê?! – A exclamação dela soou mais alta do que havia planejado. – Não! Você deve ir com Itachi. Eu estou bem com Shino. – Pela expressão do marido, ele não pareceu se agradar muito com a ideia. – Shino é um bom guarda.

– Não tão bom quanto Itachi.

– Ninguém é tão bom quanto Itachi, aos seus olhos.

– E é por isso que ele vai ficar aqui, com você. – Suas palavras fizeram algo queimar dentro dela, e seu sorriso a fez enrubescer. Naruto pareceu gostar de perceber a influência de sua frase na esposa, então se aproximou ainda mais, alisou suas faces e beijou-lhe a testa. – Não se preocupe comigo. – Ele pediu gentilmente. – Vou estar com meu avô, e sei que meu avô é melhor do que qualquer um. – Lentamente, as mãos pequenas da moça deslizaram por seu peito, e tímida, ela apertou sua camisa.

– Você mesmo vê seu avô cego por esse homem... – Naruto não podia negar aquele fato. Jiraya e Tsunade, sem sombra de dúvidas, eram cegos quando se tratava de Nagato. – Por favor... Leve o Itachi. – Mas ele negou. – Por favor... – Desta vez ele não respondeu com palavras, nem acenos; apenas aproximou o rosto, puxou o queixo da moça e beijou-a ternamente.

Hinata sabia o que ele estava tentando fazer, e embora gostasse da maneira como fazia, não se agradou por tentar manipulá-la.

Com muita força de vontade, ela afastou os lábios – apenas milímetros, mas o suficiente para irritá-lo – e fitou-o com as sobrancelhas estreitas. – Por favor... – Naruto suspirou.

– Pode me pedir um milhão de vezes, mas eu não vou mudar de ideia. Eu prometi que iria protegê-la... – Ele beijou-lhe o rosto. – Então eu vou fazer isso. – Garantiu. – Ainda que eu esteja a mundos de distância, vou protegê-la.

~

Itachi e Kasumi não haviam dormido juntos.

Aquela era a primeira vez, em quase quatro anos de casados, que dormiam separados por vontade própria.

Claro, não foi ela a se afastar. Kasumi podia ser teimosa, mas conhecia seus deveres de esposa e, acima disso, amava o marido com todas as forças de seu coração.

Mas embora o amasse tanto, e com tanto fervor, ela não podia dizer a ele o que pedia. Não podia dizer a ele sobre Obito, porque estava ciente da situação do pai.

Ela sabia que Obito era um fugitivo, acusado de sequestrá-la, e matar toda a família Nohara. Sabia que, como conselheiro, como guarda, como Uchiha, Itachi seria obrigado a detê-lo, aprisioná-lo e por fim, matá-lo – pois aquela era a punição que o esperava –, e embora estivesse irritada e confusa com as ações do pai, não queria que ele fosse ferido, preso e muito menos morto.

Então, como resultado, ainda que o amasse infinitamente, ela não poderia dizer absolutamente nada. “Só estava curiosa com sua história”, foi o que ela afirmou ao marido na banheira, na noite passada, mas o conselheiro a conhecia bem demais para sequer tentar acreditar naquela história. Como consequência, ele havia passado a noite na ala infantil, dormindo ao lado de Akane.

Kasumi e Itachi não se encontraram no desjejum, nem no almoço, nem em nenhum minuto do dia, pelo menos não até ele ir buscá-la, ao anoitecer, como sua companhia para o salão principal. Felizmente, ninguém foi capaz de notar o afastamento do casal, uma vez que tudo estava um caos.

Nunca, na história da Torre, um banquete havia sido realizado com horas de antecedência, e aquilo mobilizou todos no palácio: desde o rei e a rainha até os mais desinformados do lugar – no caso, Hanabi, Konohamaru e Moegi.

Mas quando o momento chegou tudo estava em seu devido lugar.

O salão não estava estupendo, mas aceitável – e aos olhos dos criados, aquilo devia ser o suficiente para um bando de mercenários mortos de fome, como supunha ser a Akatsuki. O rei e os conselheiros ficaram furiosos quando perceberam isso, mas não tinham mais tempo para mudar absolutamente nada.

No fim das contas, graças à falta de tempo, Hanabi Hyuuga, Kurenai Yuuhi e Kasumi Uchiha seriam as responsáveis pela música. Era noite, e havia sido decidido que o rei e o príncipe sairiam antes do amanhecer, portanto, era-se estimado que o evento durasse, no máximo, até às dez da noite.

Fugaku e Mikoto Uchiha foram os primeiros convidados a chegarem, e por isso, o convite para tocar estendeu-se, também, à duquesa. Pouco depois, surgiram Hyuuga, mas não houve nenhuma interação, nem cumprimento, nem menção de cumprimento entre os líderes da família.

Itachi então percebeu que aquele silêncio entre as famílias, assim como o motivo do pai aparecer tão repentinamente, se dava apenas a um motivo: o casamento de Sasuke e Sakura.

Os recém-casados, aliás, demoraram muito a chegar. Quase todas as famílias da corte estavam presentes quando aconteceu.

Para a irritação de Fugaku, decidiram sentar-se à mesa do senhor Hyuuga, coisa que foi logo consertada pelo primogênito dos Uchiha, que se apressou em ir até o irmão e a cunhada e explicar-lhes que boatos poderiam começar se não fossem prudentes.

Por Mikoto – e apenas por ela – Sasuke aceitou ficar junto dos Uchiha. Obviamente, Sakura passou o tempo inteiro quieta, cabisbaixa, mas para a sorte do casal, nenhuma palavra foi dita por Fugaku.

.

Naruto suspirou longamente, e apertou os punhos, irritado com o peso da coroa, irritado com as roupas pinicantes, irritado com o anúncio que estava para fazer e, acima de tudo, irritado pela maldita viagem, que parecia se aproximar mais e mais rápido.

Ele havia escolhido mais cinco integrantes da guarda real para acompanhá-lo à viagem ao país das Águas, e tinha sido apresentado a todos eles; havia, também, sido introduzido aos cocheiros, e todos lhe pareceram perfeitamente agradáveis para se passar um longo tempo, mas não era a companhia que o incomodava.

Na verdade, mesmo a companhia de Nagato, mesmo Yahiko estavam longe de ser sua maior preocupação.

Ele estava simplesmente apavorado com a ideia de passar quatro semanas inteiras dentro de uma carruagem. – Você está bem? – Hinata questionou docemente, e foi só após ouvir sua voz que Naruto percebeu que ela estava próxima, com uma mão sobre sua testa. – Está pálido... Por acaso sente-se indisposto? – Mas ele mentiu, negando. – Naruto... – Ela estreitou o cenho; estava a ponto de dar-lhe uma bela bronca, que foi cortada com a realidade:

– Mesmo que eu estivesse indisposto, ainda teríamos que ir. – Foi o que o marido disse, e isso calou fosse lá o que ela iria dizer. – Mas não se preocupe, eu estou bem. – Ele a garantiu com um sorriso gentil. – Estou bem o suficiente para fazer isso. – Ela anuiu lentamente.

Alguém bateu na porta, e eles souberam que o momento havia chegado.

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Para os convidados – famílias nobres que faziam parte da corte – pareceu uma eternidade até a aparição do casal real.

Assim como na introdução de Naruto, surgiram no topo das escadas, com expressões sérias e falsamente tranquilas. Tinham Nagato às suas costas – e Tobi às costas dele.

Quem estava tocando, parou; quem estava comendo, deixou o prato de lado e quem conversava, calou-se. Todos – sem exceção – levaram suas atenções até o rei e a rainha do país do Fogo, e Naruto sentiu-se ainda mais nervoso por isso. – Eu tenho um anúncio a fazer. – Ele começou lentamente. – Um anúncio que pode surpreender e assustar a todos, mas que certamente os deixará felizes. – Ele forçou um sorriso. – Felizes, como eu fiquei. – Hinata roçou o ombro no dele discretamente, tentando dar-lhe confiança. – Há pouco, descobrimos que Nagato Uzumaki, o príncipe perdido, está na verdade, vivo. – Uma onda de comentários começou a ser feita, e só se calaram quando Nagato, com um sorriso extremamente calmo, deu um passo à frente.

– Eu sou Nagato Uzumaki, filho de Nawaki Senju e Meiko Terumi. – O silêncio foi geral, e ele baixou a cabeça. – Durante anos e anos, vi-me perdido. Após a trágica morte de meus pais, fugi da minha família, do meu povo. Simplesmente porque estava apavorado. – Ele confessou. – Muitas coisas aconteceram, desde então. Coisas tristes, coisas felizes, coisas que me deixaram forte. – Ele ergueu a cabeça. – E é por estar forte que estou aqui, hoje, diante de vocês. – Ele olhou de soslaio para Naruto, e bateu-lhe amigavelmente nos ombros. – É por esse garoto, que tem a idade de minha filha, que estou aqui hoje. – E tornou os olhos à maravilhada plateia. – E é por querer estar com ele, que é parte de minha família... Por querer estar com vocês, que foram súditos de meu avô, fiéis de meu pai... – Apertou os punhos ao dizer aquela frase, porque nunca, durante toda sua vida, havia afirmado algo que tivesse tanta certeza de ser mentira. Ele sabia que ninguém ali era fiel a ninguém. – É por isso que estou aqui. Eu sinceramente espero que compreendam a covardia de um garoto fraco de mente, e aceitem a volta como o príncipe do Fogo.

Naturalmente, as palavras de Nagato causaram grande comoção a todos ali presentes. Ao menos todos os que conheceram, de fato, o antigo príncipe herdeiro.

A verdade era que Nawaki era exatamente como Hashirama: alegre, sorridente e dedicado. Todos gostavam dele – ou ao menos aparentavam gostar dele. E durante todo o resto da noite, ninguém brilhou mais do que Nagato Uzumaki, e a história de sua vida.

Ao que parecia, todos estavam muito ocupados querendo saber sobre a Akatsuki, e depois de muitos relatos, ninguém mais se lembrava de que se tratava de uma organização repleta de mercenários. Todos estavam encantados, e interessadíssimos.

Exceto um jovem rapazinho, que se podia dizer em pânico.

Konohamaru sabia quem eram aquelas pessoas, e ele sabia que ninguém ali estava interessado em alianças, irmandade, familiaridade, ou o que quer que fosse que estavam propondo. Ele sabia que eram assassinos, que eram os assassinos dos antigos conselheiros. E o fato de ele estar ciente disso era um pesadelo.

Aqueles homens o haviam ameaçado, aqueles homens o haviam usado... Ele havia sido cúmplice de dois assassinatos, e lembrar-se daquilo era sufocante.

Para sua sorte, Hanabi, a única pessoa que ele realmente não queria deixar perceber seus sentimentos, estava ocupada demais. Primeiro dando musicas aos convidados, e depois dando atenção aos familiares.

Naruto e Hinata nunca ficaram tão afetados por serem deixados de lado, pois ao menos para os ouvidos dele, tudo aquilo era absurdo.

O rei já estava naturalmente irritado graças à viagem do dia seguinte, e a verdade é que não foi boa companhia a ninguém àquela noite; apenas Sasuke e Sakura tiveram paciência para ficar ao lado do casal real – mesmo Hanabi desistira, e acabara indo até o pai –, mas Kasumi não estava, sinceramente, nem um pouco interessada em nada que acontecia à sua volta, muito menos no humor do rei, ou naquele covarde que fora titulado “príncipe perdido”.

Durante todo o tempo, seus olhos só estavam presos a uma figura. Uma figura que, ela pôde perceber, também a olhava discretamente de vez em quando.

Apenas duas pessoas – com exceção do próprio Tobi – notaram a imprudência da senhora Uchiha: Itachi e Kakashi.

Itachi estava francamente muito irritado para questioná-la novamente sobre aquilo, mas Kakashi...

Ele se aproximou da moça na primeira oportunidade – que ocorreu quando a duquesa foi chamada ao piano, e Itachi foi chamado por alguma família intrometida que queria perguntá-lo sobre como o príncipe reaparecera – e sem dizer uma palavra, puxou-a pelo antebraço, afastando-a do resto da família Uchiha, e levou-a até o homem.

Obito quis matá-lo assim que os viu se aproximar, mas ele se esforçou muito para não fazê-lo. Sabia que Kakashi o estava provocando, o testando para ter certeza de sua identidade. – Tobi, meu novo colega. – Ele cumprimentou-o com uma mesura, que foi retribuída de mal grado. – Imagino que ontem minha antiga tutelada possa ter dado uma péssima impressão. – Ele sorriu à Kasumi, que o encarava. – Essa é Kasumi Uchiha, a antiga senhorita Nohara. – Soltou-a para se curvar. – Há vinte anos, um homem desalmado matou toda a sua família e a sequestrou. – Os olhos do Uchiha se estreitaram, e os dela se arregalaram, mas Kakashi estava simplesmente sério. – Ele a tornou uma selvagem. – Kasumi paralisou. – Mas até que a duquesa conseguiu consertá-la, você não acha?

– Certamente. – Foi o que Obito respondeu. – Parece-me uma dama adorável. – Lentamente, os olhos castanhos foram até o mascarado.

O fato de ele apenas encarar Kakashi a magoou profundamente. – Eu adoro essa musica, será que podemos dançar? – Ela perguntou de repente, só para chamar a atenção dele (atenção que conseguiu imediatamente, diga-se de passagem).

–... Dançar? – Kasumi assentiu com um sorriso calmo.

– É uma musica lenta, tranquila. Não vai me afetar. Meu marido está ocupado nesse momento, então não vai se importar. – Na verdade, ela sabia que Itachi se importaria muito. Mais que isso, ele ficaria furioso.

Suspeitava que o marido pudesse até surrá-la por aquilo, mas não se importou.

Ela precisava conversar com ele. Precisava ficar minutos, um minuto sozinha com o pai. – Por favor. – Ela implorou, e ele não teve como recusar.

Mikoto tocava muito bem. Tanto, que mesmo enquanto interpretava uma música calma e tranquila, muitos casais juntavam-se para dançar. Aquilo era ótimo, Kasumi imaginou, pois as pessoas não ficariam prestando atenção na “futura duquesa que estava dançando com um mercenário”.

Não que ela se importasse.

Assim como Kasumi se lembrava, Obito era um péssimo dançarino. Ele, na verdade, era péssimo em uma série de coisas: péssimo em cozinhar, péssimo em costurar, péssimo negociador e péssimo leitor. Em todos os anos em que haviam passado juntos, a única coisa que Kasumi o viu ler foi uma caderneta de sonetos – e ela só veio a descobrir o que era após estarem separados. Para ela, francamente não era nenhuma surpresa por vê-lo como mercenário, e até imaginou que, mesmo quando estavam juntos, era do lucro mercenário que viviam.

Ele pisou-lhe o pé, e ela não conseguiu fazer nada além de abafar uma risada doce. – D- Desculpe. – Pediu-lhe, desajeitado, mas a moça deu os ombros.

– Pelo visto, você continua tendo dois pés esquerdos. – Comentou.

–... O quê?

– Eu disse que continua sendo péssimo em dançar. Antigamente você também sempre pisava nos meus pés, e quando eu reclamava, colocava os meus pés sobre os seus... Nós fizemos isso poucas vezes, mas eu nunca me esqueci. Era muito divertido. – Embora dissesse isso, o rosto de Kasumi era pura dor e agonia.

– Desculpe, acho que não compreendi. – Quando ela, depois de alguns segundos esperando a coragem surgir, ergueu os olhos, enfim encararam-se, ele estava sério.

Estupidamente sério.

Ela engoliu em seco. – O que eu quero dizer é que não faz sentido nenhum continuar fingindo, papai. – Tremeu ao pronunciar a palavra. – Não adianta usar essa máscara, porque eu sei que é você... Eu reconheço os seus olhos. – Obito cessou os passos, mas a moça não se importou, e prosseguiu: – Os seus olhos também são exatamente como eu costumo me lembrar... Solitários, magoados, cansados... – Ele riu nervoso.

– Acho que está me confundindo com alguém, senhora. – E começou a recuar.

– Por favor, não faça isso. – Ela implorou em voz baixa. Seus olhos começavam a queimar. – Por favor, não fuja de mim... – Ele apertou os punhos.

– Eu já disse que você está me confundindo. – Murmurou entre dentes, mas ela negou. – Por favor, pare de se aproximar de mim.

– Não fuja de mim. – Ela tornou a pedir. – Não de novo. – Mas foi exatamente o que ele fez.

Exatamente como fazia nos sonhos que ela tinha quando menina – e mesmo hoje, vez ou outra –, Obito virou-se de costas, e a deixou.

~

Quando abri os olhos, já estava escurecendo.

Eu sentia fome, sede e frio, muito frio.

Tentei me levantar, mas reparei que minha perna doía muito, e era impossível.

Mas eu não era o tipo de garotinho que costumava a desistir, só porque as coisas podiam ser consideradas “impossíveis”. Eu era um príncipe, afinal.

Como mamãe dizia, estava destinado a fazer possível o impossível.

Foi pensando nessas palavras que eu consegui me arrastar pela grama, mas então comecei a escorregar muito rápido; depois de gritar, assustado por perceber que aquele terreno era perigoso, de alguma forma consegui me segurar.

Com muita força de vontade, após minutos – ou será que foram horas? – enfim consegui me levantar.

Cuidadosamente, eu subi o morro. – Mamãe... – Eu tentei chamar, mas minha voz era fraca, então ela não devia estar ouvindo. – Papai... – Tentei, pois papai tinha a audição mais aguçada do que qualquer um.

Mas não houve resposta.

Eu continuei andando por aquele terreno incerto e escorregadio, até pisar em falso.

Eu desci tão rápido que pensei que fosse morrer, mas mais uma vez, de algum jeito consegui me segurar.

Diferente da primeira vez, agora havia descido muito mais.

Agora consegui ver o mar.

O mar vermelho.

O mar vermelho que tinha os destroços da carruagem real – mesmo de longe, eu consegui identificar o símbolo do fogo estampado em algumas madeiras soltas – onde mamãe, papai e eu estávamos viajando, há pouco tempo. – Não... – Eu murmurei para mim mesmo, e imediatamente tentei voltar a deslizar. – Não... – Eu queria ir até lá, mas só pude ver melhor a situação.

Alguém me deteve antes que eu pudesse, de fato, cair, mas já era tarde demais.

Eu já havia visto a carruagem, que estava em ruínas, e além da carruagem, também pude vê-los.

Os restos mortais dos meus pais.

.

– Naruto! – Hinata gritou assustada, respirou aliviada quando viu, enfim, os olhos azuis se abrirem, apavorados, trêmulos.

Era madrugada, mas ela havia sido acordada pelos gritos do marido. Quando se sentou para tentar acudi-lo, notou-o agitado, trêmulo, e suando frio. Percebeu que aquilo devia ser um sonho ruim, e se apressou em realizar a difícil tarefa de acordá-lo.

Mas mesmo acordado, ele estava perturbado. Hina percebeu isso quando o viu se sentar repentinamente, trêmulo e ofegante. – N- Naruto? – Ela se aproximou com hesitação, tocou o ombro do amado gentilmente, mas ele gritou “Me solte!” tão alto que quase a fez cair da cama com o susto.

Ele ficou minutos na mesma posição, sentado na cama, olhando fixamente para um ponto exato, trêmulo, suando... Até que começou a chorar.

Um choro silencioso, que fez doer a alma de sua esposa.

Lenta e cautelosamente, Hinata tentou, mais uma vez, se aproximar.

Ela tocou seus cabelos, e acariciou-o suavemente. – Está tudo bem... – Murmurou com incerteza. – Está tudo bem... – Naruto fungou; escondeu o rosto e chorou de soluçar.

O choro dele cortou-lhe o coração, e Hinata não conseguiu conter-se: abraçou-o forte, amorosamente, e deixou-o se aconchegar em seus braços. – Está tudo bem... – Ela voltou a afirmar, mas Naruto negou com a cabeça.

– Não... Não está... – Ele ergueu os olhos azuis desesperados até o rosto dela. – Eu os vi, Hinata. – Sussurrou, quase sem voz. – Eu vi seus corpos... – Ela estreitou as sobrancelhas, confusa. – Eu vi os corpos dos meus pais... – As lágrimas dele tornaram-se mais pesadas. – Por que eu me lembrei disso...? – Ele tentou se afastar dela, mas Hinata não permitiu. – Me solte... – Pediu, mas ela lhe negou. – Me solte! – Ele gritou, mas isso só serviu para ela apertá-lo ainda mais.

– Eu não vou te deixar sozinho!

– Eu já estou sozinho! – O grito dele foi doloroso, mas ela não desistiu.

– Não! – Exclamou. – Nós somos cúmplices, não se lembra? Você não está sozinho! – E então, como se não bastasse ele, ela também começou a chorar. – Eu prometi à rainha que ficaria ao seu lado sempre! Sei que ela está aqui, olhando por você, vigiando-me, então não vou soltá-lo! – Naruto se calou. – Ela e o rei... Eu sei que eles estão aqui. Eu sei que eles estão com você! Por você! – Ele se soltou e ela se encolheu, chorando incansavelmente. – Você não está sozinho! – Hinata exclamou. – Você tem os seus amigos, você tem os seus avós... Você tem a minha família, você tem a sua família... E você tem a mim... – Ela sentiu-o se aproximar, mas não conseguiu parar de chorar. – Por favor, não diga que está só, porque isso significa que eu não sou nada... – Ele a beijou, calando-a.

Um beijo estranho, diferente. – Você é tudo. – Ele murmurou entre seus lábios, e sua voz rouca fê-la estremecer. – Tudo, e mais... – Puxou-a habilmente para sentar-se sobre ele, e tornou a beijá-la.

Hinata enrubesceu, ao sentir as mãos dele alisando sua panturrilha. Os lábios dele afastaram-se dos seus, e ele deslizou-os por seu rosto; mordiscou as suas faces, seus lábios, seu queixo, e trilhou beijos doces e demorados por seu pescoço, e ela, deliciada, não pôde fazer nada além de erguer a cabeça para dá-lo mais espaço, e apoiar os braços sobre seus ombros.

As mãos dele deslizaram lentamente, de sua panturrilha até a coxa, da coxa até suas nádegas e assim, ele ergueu a fina e odiosa camisola – embora não odiasse tanto, em comparação aos penhoares ou vestidos – aos poucos, sempre fazendo com que os dedos roçassem na macia pele branca.

Arrepiada com o toque, e quase sem pensar, Hinata ergueu os braços; Naruto a despiu da camisola e jogou-a para fora da cama. Hina sentiu seu estômago congelar, quando ele admirou seu corpo. – Tão linda... – Ouviu-o murmurar para si mesmo, e constrangeu-se ainda mais. – Tão linda... – Os lábios do rei tornaram a deslizar por seu pescoço, e ela enrijeceu; ele passeou as mãos pelas pernas, pela cintura, pelas costas e pelas nádegas da esposa, arranhando levemente cada milímetro pelo caminho que havia sido trilhado.

Naruto beijou-lhe um dos seios, e ela enrubesceu; ele lambeu seus mamilos, e ela enrijeceu; mordeu-os, e ela gemeu, sugou-os, e ela arfou, deliciada com cada toque, apaixonada por cada carinho. – Vire-se. – Ele comandou após alguns minutos daquela doce tortura – pouquíssimos, na opinião da esposa, mas ela não o obedeceu antes de ajudá-lo a retirar aquelas malditas roupas, que de uma hora para a outra, tornaram-se insuportavelmente quentes.

Ela havia sido insuportavelmente sedutora, enquanto abria os botões de sua camisa; o fazia com uma facilidade quase irritante.

Quando a camisa de dormir foi aberta, e retirada, Hinata enfim se virou. Naruto a abraçou por trás no mesmo instante; sentia-se queimar. Ele roçou o nariz por sua nuca, e beijou-lhe as costas carinhosamente.

Com cautela extrema, uma de suas mãos deslizou pela lateral da moça; arranhou sua barriga de leve e desceu até o íntimo da rainha, que estremeceu. Com a mão livre, ele apalpou um dos seios e com a boca, mordiscou-lhe a orelha, fazendo-a se encolher.

Aquilo o agradou imensamente. – Você quer fazer isso...? – Ele perguntou em tom baixo, mas ela não conseguiu responder. Era tudo tão... Estranho.

Francamente, ele sabia que não conseguiria parar; ele mesmo não conseguiu entender o porquê de perguntar aquilo, já que temia a negação dela. Mas assim que, com o indicador e o dedo médio, começo a estimulá-la, só pelos gemidos soube que ela também não conseguiria parar, e aquilo o preencheu com uma indescritível felicidade.

Ele apertou-lhe o seio com força, deliciado com a concordância dela; comprimiu os corpos e moveu os dedos com firmeza. Beijou-lhe a nuca, as costas, os ombros e quando os gemidos ficaram altos o suficiente, penetrou-lhe com o dedo médio.

Hinata perdeu a voz. Era incômodo, mas ao mesmo tempo... Bom.

Naruto arranhou seu mamilo; mordeu seu rosto e provocou-a com investidas inicialmente calmas, que aos poucos se tornavam mais rápidas, firmes e fortes. Para a surpresa da moça, quanto mais estava dentro dela, menos era incômodo, e ela, mais de uma vez, pegou-se arranhando seus braços, suas mãos e gemendo seu nome.

Quando ele parou, ela até chegou a pensar em reclamar, mas tremia demais, e estava muito zonza para tal. Naruto, no entanto, parecia bastante alerta; ele desvirou-a com facilidade, e a fez se deitar.

Hinata estava literalmente atordoada. Não conseguia pensar direito, só queria... Mais. E ela percebeu que ele daria mais, quando o viu abrir suas pernas – coisa que ela contribuiu prontamente – e colocar-se sobre ela.

Ele também tremia. Também respirava com dificuldade e também a desejava. Perceber isso era simplesmente magnífico.

Os lábios desceram entre o vale de seus seios, e assim como em seus sonhos, ele beijou cada milímetro do corpo da esposa. Ouviu-a arfar, gemer, e só Deus podia saber como se alegrou por isso.

Mas Naruto não era nenhum idiota.

Conhecia o bastante de mulheres para saber que a machucaria se não fizesse seu trabalho direito, e ele preferia morrer a machucá-la. Então, como um bom garoto, desceu os beijos pelo tronco da amada, por seus seios, e entre seus seios; por seu tórax, sua barriga, até a virilha, e beijou-a intimamente.

O carinho inesperado fez o corpo de Hinata explodir em espasmos involuntários, que a fizeram gritar de surpresa, de prazer, de amor, e ainda que fosse extremamente constrangedor, não conseguiu conter-se, e com uma das mãos, agarrou os cabelos loiros do amado, que continuou a torturá-la, até que a considerasse pronta.

Quando enfim considerou-a suficientemente excitada, ele se esgueirou para beijá-la; um beijo gentil, amoroso, que a fez ir às nuvens. – Eu disse que você deveria esperar alguém que amasse... – Ele murmurou entre seus lábios. – Mas você disse que queria se apaixonar por mim, então... – Puxou-a pelas nádegas e ajeitou os quadris entre as coxas dela, fazendo com que suas intimidades roçassem uma na outra; Hinata se apoiou em seus ombros, e beijou-lhe os lábios apaixonadamente, demoradamente. Foi um beijo de permissão, ele havia percebido; aquilo foi o suficiente para esgotar a última gota de autocontrole do marido, que com cuidado extremo, penetrou-a.

O sangue da virgindade deslizou por ambos, e sujou os lençóis; ela gemeu baixo, incomodada, mas pouco dolorida; com uma das mãos, arranhou suas costas e com a outra, emaranhou os dedos nos cabelos loiros.

Eles não estavam se beijando, mas sentir suas respirações mesclarem, tão quentes e ansiosas era quase tão delicioso quanto. – Desculpe, mas eu não sinto muito por isso... – Ela riu baixo, e gemeu alto quando sentiu a primeira estocada. – Eu queria tanto, há tanto tempo... – Naruto mordeu o lábio inferior, e controlando-se ao máximo, começou as investidas.

No início eram leves, calmas e agradáveis, mas aos poucos se tornavam instintivamente mais violentas. Não era exatamente a coisa mais deliciosa do mundo, mas ela não podia dizer-se desgostosa.

Só o fato de estar ali, com ele, tornando-se um só, era maravilhoso.

Hinata agarrou-se ao pescoço dele, encolhida, arfando baixo, e Naruto, puxando-a pelas nádegas, fê-la sentar-se novamente, sobre ele. Ele continuou as estocadas, rápidas e firmes. Hina sentia seu coração pulsar violentamente, e inconscientemente contribuía com os movimentos dele.

O loiro mordiscou seus mamilos mais uma vez, e começou a apalpar com força suas nádegas.

Era insuportavelmente quente, mas nenhum deles queria se afastar; eles só queriam mais e mais; mais beijos, mais carinhos, mais amor. A frase “Eu te amo!” escapou dos lábios dela uma centena de vezes, e ele provavelmente responderia “eu também”, se não estivesse tão sem fôlego.

E repentinamente – na verdade, não tão repentinamente – Hinata se desfez; simplesmente sentiu seu corpo explodir contra o dele, e gritou alto quando aconteceu; mas mesmo que estivesse fraca, zonza, trêmula, e não conseguisse pensar em mais nada, ele continuou. Continuou com as investidas, com os beijos, com os carinhos e com os apertões, até chegar ao seu ápice, e preenchê-la de uma maneira até então desconhecida para a moça, preenchê-la da maneira mais doce que podia existir.

E então eles pararam.

Ficaram ali, abraçados um ao outro, exaustos, com as respirações curtas e rápidas, até Naruto desabar, e puxá-la durante o processo.

Hinata se encolheu sobre o peito dele, mas não conseguiu pensar em nada para dizer.

Ela finalmente havia se tornado verdadeiramente esposa de Naruto.

Finalmente se tornara rainha, e num momento bastante inesperado.

Depois daquilo, a palavra “paixão” não parecia mais descrever efetivamente os seus sentimentos, e ela então percebeu que o amava.

Ela o amava profundamente, do fundo do coração, do fundo de sua alma. E por amá-lo, não conseguia deixar de se questionar: aquele momento havia significado algo para ele? Tanto quanto para ela? Ao menos havia significado algo?!

Discretamente – na verdade, não tão discreta assim – ela ergueu os olhos até o rosto de seu marido, mas Naruto já estava adormecido. – Você devia ter me respondido... – Ela murmurou, sem esperar uma resposta realmente; beijou-lhe o peito e sentiu-o se remexer abaixo dela.

Então sorriu; apertou-lhe a cintura, aconchegou-se e, deixando todas as preocupações de lado, relembrou-se dos beijos, dos toques, das palavras... E em pouco tempo, também dormia.

Notas finais
Eu me esforcei muito. De verdade, no momento NaruHina. Tentei deixar o mais romântico possível, o mais bonito possível. Fiquei até às seis escrevendo isso, então é bom que vocês gostem! Ò_Ó Beeem... Eu estou com pressa, então mesmo que esse seja um capítulo muito importante, não vou me demorar. Gostaria de me desculpar por não cumprir minha promessa de responder à todos os comentários, mas... De alguma forma, por algum motivo, eu não consegui arranjar tempo. x.x Desculpem! Bom final de semana pra vocês! Espero que fiquem felizes pelo capítulo. sz~