The King

18 Capítulo XVIII – Boa Fé.


Notas iniciais
Olá, meus queridinhos! Como vão vocês? sz ~ O capítulo inteiro saiu facilmente. O problema mesmo foi a última cena... (ironicamente, foi a cena base para todo o capítulo. XDD)! ~ Eu gostaria de agradecer à Lor SZ pela recomendação fofura máxima! Obrigada por seus sentimentos, seus comentários e por toda a dedicação como NaruHina fanática! Obrigada por me acompanhar desde que "Que Chegue Até Você", sempre tão presente! ;-; ~ Quero agradecer, na verdade, à todos os leitores (novos e antigos, especialmente aos antigos, que suportam a mais tempo meus atrasos de resposta nos comentários ;-;) por sempre deixar um recadinho após a leitura dos capítulos! sz É verdade que eu AMO escrever, mas também é verdade que vocês me botam gás pra continuar a história. :D Obrigada por tudo, gente! ~ Espero que o capítulo seja do gosto de todos sz Que se divirtam tanto lendo, quanto eu me diverti escrevendo. :3 Boa leitura ~ sz

Capítulo XVIII – Boa Fé.

Liderar um país não é algo que pode ser considerado fácil. É uma tarefa é importante, e requer muita cautela e sabedoria; a expectativa de todos está sob você, e não há margens para qualquer erro.

Gaara, que havia se tornado líder de sua nação quando ainda muito jovem sabia bem disso. Ele conhecia as responsabilidades, o peso, o fardo que era ser aquele quem toma decisões. – Perdoe-me, senhor Sabaku, mas apenas a sua palavra não é nenhuma garantia. – Naruto suspirou longamente, e se acomodou no trono. Seus olhos estavam indiferentes, sem sentimentos. – Eu perdi meus conselheiros. Meu povo perdeu seus sábios... Em seu nome, invadiram meus aposentos, ameaçando a minha segurança e de minha esposa. Não posso simplesmente acreditar em sua palavra, acreditar que tudo não passou de um grande engano, já que este engano nos causou vidas. – Gaara sabia bem disso. Melhor do que ninguém, ele sabia como era sentir a pressão de todos querendo que você tome uma atitude.

– Eu imagino sua situação, vossa majestade. Entretanto, rogo que me ouça, que considere minha declaração e que só então tome uma decisão realmente. – Hinata olhou de canto para o marido e o viu concordar com um assentir calmo. – Tudo isso não passa de um grande mal entendido, meus senhores. – Os olhos esverdeados do acusado estavam sérios. – O fato é que os parlamentares sequer se apresentaram na festa de coroação. A última vez em que estiveram aqui foi quando o senhor retornou. Para representar Suna, assistiram seu anuncio oficial. – Ninguém disse nada, então ele prosseguiu. – Quando o convite do casamento com a antiga senhorita Hyuuga foi entregue aos mensageiros, por motivos de saúde, os próprios parlamentares resolveram trazer-me. Entretanto, durante o percurso, a carruagem que usavam foi assaltada... Meus homens perderam tudo, inclusive as insígnias que comprovam fazer parte do parlamento. Assim que soube da história peguei um bom cavalo e corri para vir avisá-los de qualquer contratempo. Veja bem... Nós não imaginávamos que pessoas tão... Perigosas... Haviam sido culpadas de tal ato, mas em respeito à nossa aliança e ao senhor, o novo rei do país do Fogo, quis rapidamente consertar o erro, e mostrar-me presente em sua coroação. – Hina respirou fundo discretamente antes de tomar a palavra, tomando cuidado para não atravessar seu marido.

– Esperamos que entenda senhor Kazekage, que não podemos simplesmente deixar cair em esquecimento. Seja para absolvê-lo ou culpá-lo, antes de qualquer decisão nós precisamos de provas. – O ruivo anuiu.

– Eu compreendo perfeitamente, senhora. E não peço que resolvam de imediato. – Na verdade, ele rezava para que eles pensassem muito antes de tomar uma decisão, já que tudo apontava contra Suna. – Não me importo em continuar encarcerado. Só peço, por misericórdia e humanidade, que não descuidem de meu irmão. Ele foi ferido quando... Vieram buscar-me. – Naruto franziu o cenho e lançou um olhar estranho à Itachi, que suspirou.

O Uchiha, até então afastado, aproximou-se e pôs-se ao lado do Sabaku. – Os soldados não teriam ferido ninguém, meu rei, se o senhor Kankurou Sabaku não revidasse. Entretanto, visto que ele não queria colaborar... – O loiro assentiu.

– Compreendo. – Os orbes azuis olharam para Hinata e ao notar a ansiedade nos grandes olhos perolados, suspirou. – Está bem. – Cedeu, tornando a olhar na direção de Gaara. – Em consideração à aliança feita por nossos antepassados, o exército fará uma averiguação. – O ruivo não pôde evitar um suspiro aliviado. – Entretanto...

– Eu sei. – O Kazekage ofereceu-o um sorriso calmo. – É tudo o que preciso senhor, já que não sou culpado. – Naruto não respondeu, e eles ficariam horas assim, encarando um ao outro, se Hinata não tivesse gentilmente posto sua mão sobre a de seu senhor. O Uzumaki olhou-a de soslaio.

– O anúncio. – Lhe lembrou com a voz moderada. O rei assentiu, lançou à Itachi um olhar sugestivo e o Uchiha, após uma reverência extremamente educada, levou o prisioneiro.

O loiro só pôde realmente respirar quando a porta se fechou, e Hina ofereceu-lhe um sorriso gentil. – Você foi muito bem. – Ela garantiu. O rapaz deu os ombros.

– Acho que todos os meus ossos estão rígidos. – Reclamou com uma careta, roubando mais um sorriso da esposa. – Como vai ser esse anuncio? – A jovem arqueou uma das sobrancelhas como se refletisse.

– Bom... – Começou. – Os conselheiros costumavam reunir os cidadãos para o comunicado geral. – Isso já havia sido providenciado. – Depois iam até a sacada e diziam para todos.

– Mas quando foram me apresentar...

– Bem, aquele foi um caso diferente, já que ninguém acreditaria que o príncipe estava vivo, se não o vissem com seus próprios olhos. – Mas como o comunicado enviado pedia para que todos se reunissem nos portões... – O loiro assentiu, e um silêncio incômodo se formou. – Você está bem? – Ela questionou com a voz moderada.

–... Eu nunca pensei que teria o poder de condenar alguém. – Confessou com a voz desanimada, e ergueu as safiras azuis até as pérolas da esposa. – O que eu deveria fazer? Se ele for mesmo culpado, terei de condená-lo... Como você simplesmente manda alguém para a morte?! – O maior problema, na verdade, seria condená-lo por falta de provas, ainda que inocente. Foi isso o que Hinata pensou, mas preferiu não verbalizar seus sentimentos, e pensou um pouco antes de prosseguir.

– Você prometeu uma averiguação, e é isso que o exército vai fazer. – Levantou-se, pôs um sorriso no rosto e esticou a mão na direção do rapaz. – Por agora, vamos fazer o anuncio... – O Uzumaki sorriu-lhe, aceitou a mão e levantou-se sem ser ajudado realmente. Ele ofereceu seu braço e ela aceitou-o de bom grado, e juntos seguiram para uma das muitas portas da sala do trono. – Além disso... – Ela murmurou depois de um tempo, timidamente. – Você não está sozinho. – Ele olhou-a de canto, viu seu rosto enrubescido e beijou-lhe, quase inconsciente, a cabeça.

– Obrigado.

O anúncio, como era de se esperar, não foi longo. Assim como a rainha previra, ambos os representantes foram, ao lado de Tsunade e Jiraya, até uma sacada que ficava muito longe de seus aposentos – embora qualquer um que não frequentasse a torre pensasse que ali fosse o quarto dos recém casados – e fizeram uma pequena síntese da situação no palácio.

O discurso de Naruto foi direto, tal como sua avó o aconselhara. – Estou aqui para, lamentavelmente, avisá-los sobre a morte de dois grandes sábios de nossas terras: os conselheiros, Homura Mitokado e Koharu Utatane. – Disse-lhes. – Uma terrível invasão assustou-nos ontem, no anoitecer, atentando contra minha vida, a vida de minha rainha e de nossos servos. Entretanto, tudo está sob o controle do exército neste momento. – Não era bem verdade, mas também não de todo mentira. – Os culpados estão sendo procurados. – Foi decidido, em uma conversa com Jiraya, Tsunade e Itachi, que não deveriam culpar o país vizinho antes de condená-lo. – Para a tristeza de todos os nossos, os sábios foram assassinados. – Uma grande comoção se iniciou, mas o rei não podia parar o comunicado. – Os corpos de meus falecidos tutores serão velados ao fim da tarde, no templo, e ao badalar das oito horas da noite serão cremados. Isso é tudo. – Mesmo com berros de protestos, provavelmente de cidadãos revoltados pela notícia tão vaga, o rei acenou com a cabeça retornou para a segurança do “lar”.

~

A notícia do atentado à Torre foi um choque para todos, e não foi diferente para a Akatsuki. Tobi realmente esperava ser reconhecido por “a chacina dos velhotes”, mas nunca imaginaria que a notícia teria tal proporção, já que por todos os vestígios que deixara para trás, estava certo de que rapidamente classificariam aquele como “um crime de vingança”, e esse era o propósito, para começo de conversa.

Claro que tudo ficou muito mais claro quando a senhorita Kim, uma das novatas, chegou à mesa àquela manhã sozinha e com os olhos inchados.

Estavam todos ali: o trio fundador, Sasori e Deidara, a novata e o próprio Tobi. O último comia com falsa calmaria. – Conte-me mais uma vez sobre o comunicado de sua majestade, Yahiko. – O ruivo arqueou as sobrancelhas, desconfiado, mas acabou falando.

– Ao que parece o plano deu errado. Eles interpretaram a invasão como um atentado a vida do rei, e não uma retaliação aos conselheiros. Por tanto, acredito que possa ser um problema, caso apareçamos agora...

– Eu me pergunto se outra organização criminosa foi culpada para tal... – O moreno refletiu com falsa confusão. – Já que os meus subordinados foram diretamente avisados do que deviam ou não fazer. Não é, Kim? – A garota empalideceu; tentou manter-se como sempre, mas para Obito e qualquer um ali, estava mais que claro. – Por falar em subordinados idiotas... Onde está o seu amigo? – Apenas lembrar-se do amigo fez com que a moça sentisse incômodas lágrimas encherem seus olhos. – Onde ele está? – Tobi manteve a voz calma, mas ainda assim, ela desatou no choro.

Não era preciso mais nenhuma explicação.

Obito levantou-se de seu lugar, foi até a garota e puxou-a pelos longos cabelos negros sem piedade alguma. Alguns dos espectadores consideraram um grande exagero, e outros – lê-se “Deidara” – divertiram-se com a cena.

O Uchiha guiou a moça até um cômodo vazio, e ninguém esperou vê-la novamente.

Assim que fechou a porta, o líder da Akatsuki atirou a garota ao chão. – Diga-me: o que esse idiota fez? – Exigiu. – Segundo informantes, um rapaz que atentou contra a vida do príncipe foi morto em seus aposentos. Era ele, não? – A morena chorou ainda mais inconsolável. Aquele maldito! Deixara-a para morrer sozinha! – Eu fiz uma pergunta direta e espero uma resposta direta. – Murmurou grosseiro. – Sem lágrimas, apenas diga. – Ela anuiu lentamente.

– Zaku pensou em livrar-se do rei, já que assim o senhor Nagato teria o caminho livre! – Exclamou assustada. O mais velho suspirou lentamente, como se pedisse paciência aos céus por cada segundo. Aproximou-se vagarosamente, e agachou à altura de Kim, que ainda estava pálida.

– Será que nenhum dos dois “gênios” pensou na possibilidade de prejudicar o Nagato? Afinal, um rei morre e um sucessor aparece... É tão óbvio que chega a me dar dores de cabeça. – A morena negou com a cabeça rapidamente, desesperada.

– E- Eu não ajudei! – Exclamou agonizada. – Juro, senhor! Juro que não ajudei! – O homem sorriu de canto.

– Bem, apenas omiti-lo já é de certa forma uma ajuda. – E ela voltou a chorar, desesperada, assustada. – O que houve, Kim? – Ele alisou o rosto da moça, erguendo-o para fitar seus olhos negros. – Se você teme a morte, não deveria tê-lo permitido, simples assim. – Por que aquele maldito não estava morto?! Zaku a prometera que o guardião do rei cuidaria de um mero deformado, então por que ele ainda estava aqui?! Isso era tudo o que ela podia pensar, naquela altura.

As mãos de Obito desceram lentamente até o pescoço da garota, provavelmente com o intuito de apavorá-la ainda mais – o que sinceramente, deu muito certo. – e assim que alcançou a garganta, apertou-a.

Kim gritou, esperneou, tentou fugir e tentou pedir ajuda, mas nada foi muito eficaz, já que nem por um segundo ela conseguiu esquivar-se do aperto de Obito.

Ninguém apareceu.

Ninguém se importou.

Mesmo Nagato, por quem ela e Zaku tanto lutaram... Por que ele não estava ali?! Ela era assim tão dispensável?!

A verdade é que ela jamais saberia a resposta àquela questão, já que não demorou muito até que Tobi tomasse sua vida.

~

O velório dos conselheiros foi surpreendentemente cheio. Todos quiseram prestar suas homenagens aos sábios falecidos, e até as crianças mais pobres apareceram ao templo, postando flores ao lado de seus caixões.

Não foi diferente com os nobres – e nem haveria de ser. Eles compareceram, depositaram sua cota de arranjos e desejaram seus pêsames à sua majestade. Mas ainda que apenas nobres lhe falassem, a intuição – ou talvez fosse apenas o seu preconceito – dizia-o que os pobres estavam mais abatidos do que qualquer um da alta classe.

Seus pensamentos foram interrompidos com a chegada dos Uchiha. Não por serem os Uchiha, mas pelo fato de que Kasumi, a cunhada de Sasuke, era a primeira pessoa a adentrar no velório sem sequer uma pétala para os velhos mortos.

A verdade é que a senhora Itachi Uchiha não lamentava a morte dos conselheiros, nem de longe, e não tinha estômago para prestigiá-los, mesmo que nunca mais os visse.

Itachi estava visivelmente transtornado com a atitude da esposa, e demonstrara isso antes mesmo que saíssem de casa. Infelizmente o guardião do rei nunca, jamais fora capaz de comandar algo à mulher: ao contrário! Quanto mais ele pedia para ela não fazer, mais ela faria, e foi assim desde sempre.

A família, ao lado dos Hyuuga – Neji, Hiashi e a senhora Hyuuga – aproximaram-se dos governantes. Fugaku, representando sua família, curvou-se – sendo imitado pelos outros – e desejou ao loiro os mais sinceros pêsames, e implorando para que seu rei, na menor possibilidade de dúvida, o chamasse para qualquer questão.

Hinata achou extremamente gentil o tio colocar-se à disposição de Naruto, já que Fugaku, além de ser um dos grandes amigos do falecido Minato, era conhecedor de questões políticas, e sabia sobre tudo que envolvia o país. Era um senhor vivido, mas sempre ligado a tudo: notícias, acontecimentos... Absolutamente tudo! Sem dúvidas seriam um bom “banco de dados” para seu marido.

O senhor Hyuuga também lamentou a morte dos conselheiros, e foi em meio a um discurso de Hiashi, que se lembrava de alguns atos heroicos dos falecidos, que Naruto enfim pôde notar a terrível ferida exposta no rosto de seu amigo e tutor. – Sasuke! – Ele exclamou repentinamente. – O que é isso em seu rosto? – O Uchiha ficou constrangido por, ainda que indiretamente, interromper as palavras do pai da rainha, mas não podia chamar a atenção de seu rei em publico.

– Ora, você não soube?! – Itachi foi quem mais parecia surpreso. – Hinata me disse que contaria... – O rosto da Hyuuga enrubesceu, por medo de alguma desconfiança levantar-se contra o que ela havia prometido na noite passada.

– Eu mencionei. – Ela disse com a voz moderada. – Mas tantas coisas aconteceram... Acredito que meu marido possa ter se esquecido. – Ela sorriu ao loiro, mas Naruto estava ocupado demais olhando, com seus olhos esbugalhados, para os pontos do moreno. E percebendo que ele continuaria com aquilo até uma explicação direta, Sasuke suspirou.

– Ontem, enquanto levava senhorita Haruno para... – Ele hesitou milésimos, mas foi o suficiente para despertar a curiosidade da rainha. – Parabenizá-lo pela coroação, fomos pegos de surpresa pelos invasores. – Ele apontou para a própria cabeça. – Alguém me acertou a caixa da mamãe e eu acabei inconsciente. – Naruto empalideceu. – A senhorita Haruno nos defendeu. – Inconscientemente, um sorriso de orgulho postou-se no rosto do Uchiha. – E por sorte eu acordei antes que ela se machucasse realmente. – Naruto quis gritar, exigindo saber onde a rosava encontrava-se naquele momento, mas conteve-se ao sentir o aperto da esposa em seu pulso, o que o fez notar os olhares curiosos, tanto do senhor Uchiha quanto dos senhores Hyuuga.

–... Eu espero que cicatrize logo, senhor. – Ele murmurou contido e Hinata sentiu-se sinceramente feliz por conseguir contê-lo. Mas infelizmente era tarde demais para evitar as suposições dos mais velhos.

~

O velório dos conselheiros foi longo, assim como era de se esperar. Eles foram cremados no horário programado, em meio à nobres e plebeus, muitos sinceramente abalados, outros nem tanto.

Particularmente, Kasumi não conseguia compreender o porquê de tanta comoção com a morte de dois velhotes tão malditos e odiosos quanto àqueles – não que, enquanto em vida, ela desejasse sua morte; apenas não se importava.

A senhora sinceramente alegrou-se ao entrar em seu quarto; tirou os sapatos e sentiu os pés gritarem em agradecimento.

A pequena Akane já estava adormecida, mas ela não se importou: foi até o berço e gentilmente puxou a menininha para poder senti-la em seus braços.

Em dias estressantes assim, ela era acostumada a fazer isso, já que a filha sempre a acalmava. A caçula dos Uchiha sequer fez menção de acordar, e isso agradou à mãe, que não teria o trabalho de botá-la para dormir de novo, mas não ao pai, que estava ansioso por um beijo de boas vindas.

Itachi sentou-se ao lado de sua esposa; tirou os sapatos apertados e suspirou de alívio; alisou a cabeleira negra de sua menininha e ali mesmo depositou um beijo saudoso. – Parece que ela se divertiu mais que nós dois hoje, já que não parece querer acordar tão cedo. – A mulher murmurou, deliciada com a expressão cansada do bebê.

Itachi arqueou a sobrancelha esquerda. – Querida, evite fazer seus comentários maldosos, sim? – Ela fez uma careta. – Sabe que tenho uma posição importante, e não quero perdê-la por suas piadas de mau gosto. – O homem levantou-se, puxou a filha dos braços da esposa e retornou-a ao berço.

– Não é piada. – Kasumi deu os ombros. – Nosso dia não foi bom.

– Bem, se não foi mesmo uma piada, isso torna a situação ainda mais complicada. – O senhor Uchiha ofereceu-lhe um sorriso divertido. – Vamos, meu amor. Você não tem motivos para odiar aqueles dois. – A morena deu os ombros.

– Também não tenho motivos para venerá-los em seu leito de morte. – O esposo suspirou.

– Não é só isso. – Ele cruzou os braços. – Você também foi descortês com Kakashi, durante o velório, ainda que ele tenha sido gentil o suficiente para aproximar-se. – Os olhos castanhos da mulher reviraram.

– Não vamos brigar por Kakashi de novo, vamos? Eu não gosto dele, nem nunca vou gostar. Ponto.

– Embora ele a tenha salvo. – O marido insistiu, e a senhora enfim levantou-se, saturada.

– Eu vou para o meu banho. – Murmurou irritadiça, retirando-se do quarto. Itachi a seguiu, mas ela fez questão de bateu-lhe a porta do banheiro nas fuças.

– Mulheres... – O mais velho filho de Fugaku murmurou antes de seguir para a sala de estar. Lá, encontrou seu jovem irmão entretido com um livro, e como qualquer irmão mais velho que se preze, interrompeu-o. – Alguém aqui ficou feliz por ser defendido. – Ele murmurou maldoso, e Sasuke enrubesceu; fechou o livro e levantou-se.

– Irmão! – Ele exclamou. – Não diga besteiras, por favor. Sabe que mais cedo ou mais tarde sua imprudência pode me trazer dores de cabeça. – Estava emburrado. Itachi riu, sinceramente. Sasuke suspirou, exasperado. – Por favor, não seja idiota fazendo suas especulações aqui. Pois ainda que sejam estúpidas e sem sentido. – Talvez não tão sem sentido, pensou Itachi. – Pode me trazer problemas com o papai. – O mais velho deu-se por vencido com um dar de ombros. – Mudando de assunto... Como foi a audiência com o Kazekage? – O de cabelos longos fez uma careta cansativa, suspirou e sentou-se, sendo imitado pelo mais jovem.

– Complicada. – Confessou. – A verdade é que Naruto ainda não está pronto para esse tipo de decisão... Lidar com a vida de uma pessoa nunca é fácil, especialmente para um pobre rapaz do campo que provavelmente cresceu revoltado com o sistema. – Ele se acomodou. – A condenação de Suna pode custar nossa economia atual, e pior que isso: pode custar um país aliado.

– Você é a favor da absolvição, então? – Itachi deu uma boa olhada no rosto do irmão, e assim como esperava, o incômodo sentimento de “eu não estava lá” tornou a atormentá-lo. Ele bufou.

– Não. Eu quero que eles paguem pelo que fizeram a você. – Confessou, ainda que fosse egoísta. – Mas não acredito que sua majestade o condenará. – Murmurou sincero, e o Uchiha surpreendeu-se.

– Mesmo após saber que a senhorita Haruno foi machucada? – Itachi anuiu. – Eu tenho minhas duvidas... – Mas Itachi negou com a cabeça.

– Sakura Haruno é uma moça adorável, uma mulher consideravelmente bonita, mas nunca, jamais será tão manipuladora quanto Hinata pode ser, mesmo inconscientemente. – Sasuke não pôde compreender àquela insinuação. – Veja bem, meu irmão. – Itachi prosseguiu. – Os Hyuuga são grandes beneficiados com a aliança entre Suna e Konoha. E os Hyuuga praticamente sustentam o país. Eles ganham muito dinheiro com a exportação de minério... A verdade é que essa história está mesmo confusa, então acredito que nossa querida prima, como a moça de bom coração que é, sendo influenciada pelo pai e o irmão, certamente está do lado do senhor Sabaku. – Refletiu com as sobrancelhas franzidas. – Por tanto estou certo de que tentará convencê-lo... Não, mais que isso... Eu estou certo de que ela irá convencer ao Rei.

~

Quando Naruto retornou ao quarto, já banhado e com as vestes de dormir, não conseguia sequer concentrar-se na adorável camisola da esposa.

Ele estava nervoso, ansioso. Precisava conversar logo com Sakura, mas algumas horas antes, quando teve a sua oportunidade foi surpreendido: ao tentar furtivamente seguir até o quarto da rosada, não pôde encontrá-la. Segundo Shizune, ela estaria ocupada cuidando de “um trabalho”, mas o loiro não pôde acreditar totalmente. Afinal, agora sabia... Sabia que ela havia lutado por ele, para protegê-lo! E se estivesse machucada?! Ele jamais se perdoaria!

Hinata soube dos pensamentos do esposo assim que colocou os olhos no corpo rígido e tenso deste. Então, um pouco envergonhada com o que estava prestes a fazer, levantou-se timidamente. Caminhou até o rei e envolveu-o em um terno abraço, inconscientemente fazendo com que seus seios roçassem nas costas do rapaz.

Surpreso e envergonhado, Naruto esquivou-se. – Você está bem? – A morena perguntou com os olhos preocupados, e tornou a se aproximar como se a recusa nunca tivesse acontecido. – Está pálido. – Ela alisou seu rosto; Naruto sentiu uma estranha estática no toque, e tornou a recuar.

– Estou. – Ele disse envergonhado, desviando os olhos. – Só um pouco preocupado. – Confessou, e a moça suspirou.

– A senhorita Haruno está bem. – Ela garantiu a contragosto, e os orbes safira se ergueram lentamente.

– Como pode saber? – Ela deu os ombros.

– Eu perguntei. – Disse simplesmente. – Ao que parece, ela está cuidando de um dos irmãos Sabaku. – O rosto de Naruto avermelhou-se repentinamente. Não de vergonha, mas de raiva.

– O quê?! – Ele exclamou furioso. – Ela está cuidando de alguém que pode tê-la machucado?! – Hinata não gostou daquela raiva, e para contê-lo, puxou suas mãos.

– Acalme-se. – Ela pediu. – Nós dissemos que conversaríamos sobre isso, sobre o Kazekage. – Sim, eles conversariam, mas ela bem que poderia escolher um momento em que ele não estivesse ateando fogo pelas fuças. – Francamente, eu não acredito que eles sejam culpados, meu marido. – Confessou-lhe, e ele sentiu o incômodo voltar.

– Como não?! – Tornou a exclamar. – Tudo aponta em sua direção! – Mas Hina negou.

– Na realidade, acredito que nada, além das placas de identificação, apontam para eles como culpados. – Gentilmente, ela puxou o marido até a cama e após sentá-lo, seguiu até sua escrivaninha, onde pegou papel e grafite, para retornar e sentar-se ao lado dele. – Veja bem. – Ela começou a desenhar. – As antigas guerras, como já deve ter ouvido falar, aconteceram pelo simples fato de que os países queriam conquistar mais terras.– Ela terminou um desenho simples e exibiu-o ao marido. – Isso mudou com o sistema de compra e venda, mas ainda que não tivesse... Veja, este é o país dos Ventos. – Ela apontou para um território grande. – E este, o país do Fogo. – Apontou para um menor. – Você veio de um vilarejo entre ambos... – Ela circulou um canto aleatório do mapa. – Então não deve entender o peso dessa união. – Deixou papel e grafite de lado, tornando a ficar no esposo. – Essa aliança possibilita tantas facilidades, meu marido... – Ela alisou seu rosto por medo de enfurecê-lo. – Não acredito que apenas a “vontade de atacar” teria influenciado na atitude do senhor Kazekage, já que ele sempre é muito cauteloso em suas decisões. – Por algum motivo, Naruto sentiu-se incomodado.

– Você o conhece? – Quis saber, mas a moça o negou.

– Meu pai, e meu primo. – Confessou. – Os Hyuuga têm alguns negócios com Suna; são eles que fornecem à minha família tecnologia para ampliar a agricultura. – Apenas pela expressão interrogativa do rei, ela soube que precisaria explicar melhor. – São ferramentas que facilitam a vida dos trabalhadores: eles plantam mais, em menos tempo e com menos esforços. – O loiro assentiu.

– Ainda assim... – Lembrou-se do ferimento de Sasuke e temeu como encontraria Sakura. – Eu não posso aceitar, se eles fizeram mesmo isso. – Hinata respirou fundo.

– Amanhã mesmo farei com que a senhorita Haruno apareça. – Ela disse com a voz indiferente, quase morta, e o rapaz enrubesceu. Ergueu os olhos para a esposa e notou que, pela primeira vez desde que se conheciam, ela parecia estar irritada. – E então talvez o senhor possa tomar uma decisão menos passional e mais racional. – Naruto não respondeu, e eles ficaram em silêncio por um bom tempo, até que a rainha decidisse deitar-se.

Ela murmurou-lhe um “boa noite” seco, sem sentimentos, e ele lamentou-se por sua conduta. Deitou-se ao lado da esposa. – Hinata... – Chamou-a timidamente, mas ela não respondeu. – O- Ora, vamos! Foi você quem fez suposições! – Saturada, a antiga Hyuuga abriu os olhos, virou-se e fitou os olhos do marido.

– Minhas suposições estavam erradas? – Ele não respondeu. – Então boa noite, senhor. – E tornou a aconchegar-se, ignorando completamente as tentativas do marido, que prometia ser mais discreto daqui para frente. Fingiu não escutar o quanto pôde, e depois de muito tempo enfim conseguiu dormir.

~

Temari Sabaku era o tipo de mulher forte, que serve de apoio para qualquer homem que estivesse ao seu lado. Infelizmente, mesmo sendo muito bonita, a verdade é que poucos rapazes de sua idade tiveram a sorte de algum dia conseguir enxergar além da personalidade forte e protetora. Portanto, ela mantinha-se solteira, fiel ao Kazekage.

A senhorita Sabaku foi separada dos seus irmãos assim que adentrara na carceragem da torre. Como se tratava de uma moça solteira, rica e de boa família, é claro que foi tratada com mais zelo, apenas pelo fato de ser mulher.

A saleta em que Shikamaru a levara após a captura era, de fato, muito pequena. Ficava na carceragem, e era geralmente usada como quarto de descanso para os guardas em plantão. Era claustrofóbica: sem janelas, com paredes cinzentas e um cheiro estranho, mas ainda assim, estava melhor que Kankurou (que estava preso na enfermaria que fedia a álcool) e Gaara.

Shikamaru bateu duas vezes antes de entrar. Ele estava pálido, provavelmente pela exaustão. Trajava preto, assim como toda a cidade, tinha olheiras, mas mesmo assim ofereceu a loira uma cumprimento educado, ainda que preguiçoso, e voltou ao posto do dia anterior: sentou-se em uma cadeira próxima da porta, cruzou os braços, ajeitou as costas e ficou a observá-la. – Não parece muito bem para ficar de vigia. – A Sabaku murmurou, encolhendo-se na cama mais confortável na carceragem, e o Nara arqueou as sobrancelhas, surpreso.

Desde o interrogatório Temari não abrira a boca para falar um pio sequer, por estar furiosa pelo fato de ser separada da família pela primeira vez na vida. Não que agora não estivesse, mas ela sabia que se quisesse obter informação dos irmãos, precisava ser gentil. – Para o seu azar, eu estou bem acordado. – Ela franziu o cenho.

– Eu não fugiria. Isso só ia causar mais problemas para o meu país.

– De fato. – O moreno concordou depois de bocejar. – Já estão bastante encrencados, então não faça nenhuma bobagem. – E lhe sorriu. Temari suspirou.

– Você realmente não acredita no meu depoimento? – Shika não respondeu. – Nós não fomos os culpados! Analise bem os fatos e vai ver que Suna atacar Konoha não faz o menor sentido!

– Se tem uma coisa que eu aprendi em meus tempos de soldado, senhorita, é que as pessoas são loucas. Guerras surgem sem motivos, por que não um ataque surpresa? – A loira inspirou pesadamente. Levantou-se e se aproximou do soldado.

De alguma forma, aquela conversa tinha levado à aquilo... Engolindo todo o seu orgulho, ela ajoelhou-se diante a cadeira do rapaz, que enrubesceu. – Senhorita Sabaku! – Ele exclamou constrangido.

– Nós vamos morrer! – Ela apertou os punhos enquanto dizia. – Meus irmãos vão morrer... Gaara vai morrer por algo que ele não é culpado! – Ergueu os olhos esverdeados angustiados. – Nós não podemos pedir ajuda, já que estamos longe de casa... – Shikamaru desviou os olhos dos dela, pois começava a sentir pena.

– Não fique tão preocupada... Ao que parece, será formado pelo exército um time para a averiguação do ocorrido, então...

– Não é o suficiente! – Ele tornou a fitá-la, confuso. – Se existe mesmo alguém que invadiu a torre, esse alguém deve conhecer o lugar, não é? – Ela estava assustada, ele podia dizer isso só de olhar em seus olhos. – Se forem pessoas do exército... Nós estaremos perdidos. – Shikamaru sorriu.

– Você está me pedindo ajuda? – Ela não concordou, mas também não negou. O rapaz, então, em respeito ao desespero da moça, assumiu uma posição séria. – Você sabe que isso não faz nenhum sentido, não é? – Ela baixou a cabeça.

– Eu não te conheço... Nem lembro seu nome, graças ao nervosismo... Você é cheio de ironias, e insuportável, mas de alguma forma, vejo o quanto é fiel para com seu país. – Temari murmurou com a voz baixa e tímida. – Não posso pedir aos meus... Então, por favor... Ajude-nos. – Shikamaru era um homem preguiçoso. Um homem preguiçoso, mas um bom homem. Graças à antiga situação de Kurenai, ele tinha a fama de “um homem caridoso”, e era mesmo. Não era como Sasuke, ele não tinha porte para um cavalheiro que defendia “damas em apuros”, mas ainda que fosse algo problemático, ele não deixaria uma moça jovem e bonita morrer por nada.

– Organizarei, com alguns poucos homens de confiança, um time para a averiguação do corpo encontrado. – Ele disse com a voz calma, e ela sentiu seu peito aliviar instantaneamente. – Não prometo nada, e se eu descobrir que são mesmo os culpados, faço questão de ser o carrasco. – Sua expressão estava séria, mas ainda assim a loira estava feliz. Quis atirar-se em seus braços, quis murmurar um milhão de obrigadas. “A sua boa fé será recompensada”, ela queria dizer. “Prometo que não vai se arrepender de salvar três vidas e uma aliança!”, mas só pôde assentir timidamente, e agradecer em um tom fraco, constrangido, antes de retornar à cama.

Notas finais
Eu betei o capítulo, mas qualquer coisa sem sentido, culpe o Nyah!, a menos que o que esteja sem sentido seja a escrita. q Enfim. Avisem-me, de qualquer forma. ^-^' ~ ~ Mais uma vez obrigada pelos comentários! :D Mais uma vez desculpem pela demora na resposta. D: Eu sempre deixo a página das atualizações do Nyah aberta, mas dificilmente respondo os comentários... Geralmente porque quero falar algo decente, mas geralmente tudo o que me vem ao lê-los é uma enorme vontade de escrever. ;-; ~ Enfim! Obrigada por tudo gente! Vocês todos são incríveis! A força que sustenta The King! Ò_óv ~ Dúvidas? Críticas? Sugestões? Fiquem a vontade! Mais uma vez, mil perdões pela falta de resposta, e muito obrigada aos que comentam e recomendam a fic! Vocês são pessoas lindas! sz