The King
30 Capítulo XXX – Repetição.
Notas iniciais

Capítulo XXX – Repetição.
Era o final de junho, e todos no reino estavam felizes, ou ao menos deviam estar. Afinal, a princesa Kushina havia sido resgatada, seus sequestradores presos e condenados.
Meu irmão, Obito Uchiha, um jovem da polícia militar na época, havia tido um papel importante durante o resgate e graças a isso seria condecorado, e promovido a comandante. Ele só tinha dezesseis anos na época.
Inicialmente, todos estavam felizes e orgulhosos. Papai até chegou a propor uma comemoração, que aconteceu poucos dias após a notícia.
Toda nossa família foi reunida ao redor da grande mesa de jantar da residência principal dos Uchiha, onde papai, Obito e o jovem Shisui viviam com uma boa contagem de empregados.
Todos nós estávamos alegres e animados com a ideia de o mais jovem comandante da polícia militar ser um Uchiha, mas Obito parecia especialmente feliz.
Ele havia passado a maior parte do tempo brincando com o pequeno Itachi, que há pouco completara cinco anos de idade. – Você gosta muito de crianças, não é meu filho? – Madara o havia questionado a certa altura, e meu irmão concordou imediatamente. – Sei que é muito jovem, Obito, mas já que gosta tanto de crianças, devia apressar logo as coisas. – A insinuação de meu pai foi surpreendente a todos. – Afinal, eu já não sou mais forte como costumava a ser, e sua mãe não está mais entre nós. Gostaria muito de instruir a nova duquesa. – Obito revirou os olhos e riu.
– Eu posso garantir ao meu pai que a nova duquesa será tão boa quanto minha mãe foi, mas não tenho certeza se a deixarei em suas mãos. – E olhou de soslaio ao meu agora confuso pai. – Afinal, não gosta muito dela. – Lembro que o comentário havia feito o rosto de papai ferver.
– Na realidade, gosto muito da senhorita Shizune. – Ele garantiu com a voz séria. – Todos nós esperamos um bom noivado.
– Oh, é verdade? – Obito levantou-se com Itachi nos braços, entregou-o à Shisui, que após uma ordem silenciosa, levou-o para um canto distante na saleta. – Não sei sobre os outros, mas eu não estou esperando esse noivado. – Ele cruzou os braços e encarou Madara como se fossem iguais.
Sei que papai nos amava, e à Obito especialmente. Ele era o menino que qualquer poderoso com título poderia sonhar em ter, afinal de contas, mas também sabia que ele sempre odiou a personalidade de meu irmão.
Talvez eu tivesse culpa nisso. Mamãe morrera ao dar a luz a ele, e no fim das contas, eu o criei; graças a isso, Obito mais se parecia comigo, do que com nosso preconceituoso e grosseiro pai. Claro, ele tinha os traços Uchiha aos montes: tinha a força e habilidade de nosso clã, e também era um belo insolente.
Graças à sua insolência, não conseguia ouvir, calado, às insinuações do pai. Especialmente porque todos na família conheciam bem os seus sentimentos. – Mas talvez você esteja certo, papai. – Ele concordou. – Talvez, de fato, eu devesse propor casamento à futura duquesa... – E olhou na minha direção com um sorriso; ele claramente queria provocar meu pai, e embora implorasse, com o olhar, para que ele se aquietasse, não serviu de nada. – Mikoto, você acha que a Rin ficaria bem com o anel da mãe? – Papai se levantou imediatamente; puxou a bengala e avançou sobre meu amado irmão com violência.
Meu primeiro instinto, obviamente, foi levantar e colocar-me entre eles, mas não foi o suficiente. – Rin Nohara?! – Papai riu com desdém. – A filha do cobrador de impostos? Pensei que ela enfim tivesse aceitado seu lugar na sociedade, ao tornar-se noiva do garoto Hatake. – Obito enrijeceu. – Mas ela continua tentando seduzi-lo, não é? Muito esperta, a vadia.
– Papai! – Exclamei em tom severo, mas fui completamente ignorada.
– Um Uchiha, sendo enganado por uma qualquer... – Ele bufou. – Meu próprio filho caindo em um golpe desses! Pensei tê-lo criado melhor, Obito.
– Eu não diria que me “criou”, quando na verdade tudo o que fez foi me jogar para as costas da minha irmã. – Papai cerrou os olhos. – Sempre me perguntei o porquê disso. O próprio rei se esforça para estar envolvido na vida de seus filhos, de seus netos... Mas Hashirama é um homem muito melhor do que o senhor, não é, meu pai? – Papai se atirou sobre ele, ignorando completamente o fato de eu estar no meio, e o espancou sem hesitação. Eu provavelmente também teria sido vítima da fúria do atual duque, se Fugaku não tivesse me puxado antes que eu pudesse ser atingida.
Os gritos de dor de Obito mesclavam-se com as ofensas que ele oferecia ao pai, com os berros de fúria e revolta que meu pai gritava à ele, e ao choro alto de meu primeiro filho, que estava assustado do outro lado da sala.
– Me solte! – Implorei. – Ele vai matá-lo! – Mas meu marido não me ouviu.
Lembro-me que papai só parou com o espancamento quando meu irmão conseguiu quebrar-lhe a bengala maldita. Obito sangrava muito; papai tinha quebrado-lhe o nariz, e certamente algumas costelas. – Você só casa com aquela pobretona por cima do meu cadáver! – Madara exclamou com fúria.
– Você está velho, então tenho fé de que acontecerá logo. – O comentário maldoso irritou tanto ao duque, que ele começou a chutar o corpo deitado, exausto e machucado do próprio filho.
Naquele instante, tudo o que eu podia pensar era em salvá-lo. E, por isso, acertei com o cotovelo o estômago de Fugaku, obrigando-o a me soltar, e corri na direção dos dois; sem hesitação, pus-me entre eles.
E apanhei tanto quanto meu irmão caçula.
Os berros de Itachi tornaram-se mais altos e desesperados, e acredito que por isso, e só por isso, Madara cessou o espanco. – Tire essa criança escandalosa daqui! – Ele ordenou à Shisui, mas o pobrezinho estava tão confuso e assustado que sequer podia se mover. – Fugaku! – Ele encarou meu marido.
Geralmente, Fugaku costumava obedecer ao meu pai sem hesitação nenhuma, mas dessa vez foi diferente. Acredito que ele não teria ido, se eu mesma não tivesse pedido que o fizesse. Não queria que meu filho presenciasse uma cena daquelas, mas eu também não podia sair dali.
Tinha que proteger meu irmão.
Quando apenas eu, meu irmão e meu pai, ficamos na sala de jantar, a coisa ficou muito pior.
Os olhos negros de meu pai ainda faiscavam, e agora os de Obito também. – Eu não ligo que me espanque, velho maldito... – Garantiu entre dentes. – Mas não vou perdoá-lo por tocar na minha irmã! Não vou perdoá-lo por dizer o que disse de minha futura esposa!
– Esposa! Veja só! Ninguém se torna Uchiha sem a minha permissão, e Rin Nohara não é uma exceção!
– Sendo assim, ela não precisa se tornar uma Uchiha. Eu posso me tornar um Nohara. – Aquela frase desarmou meu pai completamente.
Acredito que, na cabeça do senhor Madara Uchiha, nada podia ser tão mais importante do que o nome Uchiha, e ouvir seu próprio filho desprezar seu sobrenome foi um choque enorme. – Você... Você é meu filho... – Ele sibilou, zonzo com o rumo da conversa. – Você será o próximo duque! Será o próximo líder dessa família! – Obito cerrou os olhos.
– Você acha que eu ligo para o clã Uchiha?! Você acha que sou como você? Que luto em busca de glória para esse maldito clã? Pois vou dizer-lhe uma coisa, velho: eu não dou a mínima para os Uchiha. Se eu luto, não é por você, nem por mim, nem pelo país. Luto por Rin Nohara. E só por ela vivo! – Pela primeira vez na vida, vi que meu pai estava prestes a chorar.
– Se é assim, vá! – Ele gritou, apontando trêmulo para a porta. – Vá, e faça como bem quiser! Você não é mais um Uchiha, Obito! Você não é mais meu filho! – E enfim chorou. – Fugaku herdará tudo o que deveria ser seu. Pelo menos assim, terei a certeza de manter o sangue nobre limpo. Pelo menos assim, o lugar de sua mãe estará protegido, sendo ocupado por sua irmã.
– Muito bem! – Obito bateu palmas. – Finalmente concordamos em alguma coisa! Mikoto será melhor duquesa do que qualquer uma, e Fugaku, que é o filho dos seus sonhos, será um belo substituto.
– A partir de hoje, você não é mais um Uchiha, moleque insolente! – Ele pegou-o pelo colarinho e arrastou-o pelos corredores até a soleira da porta.
– Papai, por favor! – Eu implorava o tempo inteiro. – Por favor, meu pai! Ele ainda é jovem, ele é seu filho! – Mas nada adiantava. – Obito é seu herdeiro!
– Falar não vai adiantar nada, irmã. – O mais jovem garantiu-me. – Fugaku é mais filho do pai do que eu nunca fui. – E então, meu pai paralisou. Ele jogou Obito contra a parede e trêmulo, gritou:
– Ninguém é mais meu filho do que você! – E aquelas palavras realmente pareceram abalar meu teimoso irmão, que enfim se calou. – Obito, meu filho... – Papai alisou-lhe as faces amorosamente, de um jeito que nunca havia feito com nenhum de nós dois. – Você é o meu menino precioso... O meu único filho, o meu herdeiro... Não há ninguém, na face da terra, que eu ame mais do que você. – Obito desviou-se do olhar quente, desesperado do velho duque Uchiha, e tudo o que respondeu foi:
– Papai... Eu não posso deixá-la.
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– Duquesa? – A voz de Matsuri fez com que Mikoto despertasse imediatamente.
A Uchiha se percebeu debruçada de maneira desajeitada sobre a mesa de chá e rapidamente se recompôs. A moça pareceu extremamente constrangida por tê-la desperto, mas após ajeitar os cabelos castanhos e pigarrear, prosseguiu: — Perdoe minha insolência, patroa, mas o comandante finalmente adormeceu no escritório... Eu estava pensando se não devia chamar o casal Uchiha. Eles passaram o dia inteiro trancados no quarto, devem estar mortos de fome a essa altura... – Mikoto negou imediatamente.
– Não. Não os traga aqui. Ao invés disso, leve algo para que eles possam se servir. – Ela definitivamente não queria correr o risco de Sakura e Fugaku se cruzando pela casa. Pelo menos não naquele dia.
A criada anuiu, e após reverenciá-la, retirou-se do local.
Mikoto suspirou longamente; escondeu o rosto e praguejou baixo. – Acalme-se, Mikoto... – Ela disse a si mesma. – Aquilo não vai se repetir...
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Suigetsu Houzuki havia nascido na miserável e esquecida cidade da Névoa, no país da Chuva. Era apenas um garotinho quando os pais, pobres civis que haviam sobrevivido por anos da misericórdia de alguns mercadores, se tornaram vítimas das grandes guerras, deixando-o sob os cuidados do irmão mais velho.
Pelo bem do mais jovem, Mangetsu Houzuki tornou-se militar, e embora fosse conhecido por sua inteligência, força e habilidade, Suigetsu não se espantou quando, há três anos, com quinze anos de idade, recebeu a notícia de sua morte.
Mangetsu foi morto por uma corja de civis, enquanto tentava conter mais uma revolta – desde a independência da vila da Chuva, revoltas eram muito comuns naquele país –, e foi ao receber a notícia que Suigetsu decidiu não seguir os passos do mais velho. Ele sabia que, embora um bom irmão, Mangetsu não era nenhum anjo, e vê-lo sendo santificado durante seu velório, por pessoas que sequer gostavam dele, foi o máximo que qualquer jovem poderia aguentar.
Então, naquela mesma noite, ele fez as malas, esgueirou-se pelas ruas escuras e abandonando qualquer possibilidade de uma carreira militar supostamente prestigiosa como a do irmão, seguiu para a vila da Chuva.
Não demorou a ser recrutado pela Akatsuki. Não como membro oficial, mas como um colaborador.
Basicamente, o rapaz ou dava suporte aos mercenários em missão, ou reunia informações de vítimas em potencial, ou servia de ponte entre a organização e os clientes.
Depois de dois anos e muitos trabalhos, quando Nagato enfim o havia convocado para uma reunião particular, ele não pôde deixar de ter uma pequena fagulha de esperança ao pensar que finalmente havia conseguido. Finalmente tinha sido reconhecido! Finalmente seria um Akatsuki.
No entanto...
Ele ergueu os olhos lilás até a escrivaninha, e observou a ruiva estupidamente concentrada em suas anotações idiotas. Por estar entediado – e apenas por isso – ele levantou-se; seguiu tranquilamente até a garota e, por trás dela, observou seus afazeres.
A mocinha o olhou de canto, e fez uma careta de desagrado ao notar a aproximação. – Sei que meu pai pediu para cuidar de mim, mas isso não significa que você não possa ficar a, no mínimo, um metro distante de mim. – E voltou a olhar para o pedaço de papel cheio de frases sem nexo.
– Ah, princesa Karin, sempre tão gentil... – Ele ironizou, e então suspirou.
Karin Uzumaki era a preciosa filha única de Nagato, e o líder da Akatsuki, obviamente, não deixaria sua adorada doce menininha – que de doce, não tinha nada – só e desprotegida. Como resultado, ao invés de tornar-se um mercenário oficial, como esperava, foi posto como o protetor da moça.
– Sou gentil. – A ruiva concordou. – Com pessoas interessantes. E, como deve saber, você não se encaixa nessa categoria. – Ele riu.
– Imagino que não. – Deu os ombros. – No entanto... – Sorriu-lhe. – Eu a considero extremamente interessante, senhorita Uzumaki. – Agradou-se inexplicavelmente por ver o rosto dela enrubescer, sem se importar se era por ira, ou timidez, e prosseguiu: — Para a filha de um dos três líderes mercenários mais famosos do continente, é muito calma... Qualquer moça comum estaria se descabelando de preocupação. Afinal, seu pai está nesse momento no país do Fogo, e eles tem o exército mais violento e bem treinado já visto na história. Mas ao invés de estar depressiva no quarto, está aí – ele apontou em sua direção. –, codificando cartas que, talvez, jamais serão entregues. – Demorou um minuto até que Karin, como o próprio Suigetsu havia previsto, se levantasse e o encarasse com sangue nos olhos.
– Do que você está falando?! – Ela praticamente gritou, aproximando-se ameaçadoramente. – Eu sei o que está tentando fazer, Houzuki, mas não vai dar certo. Meu pai está bem, e ele vai continuar bem. Eu sei disso, então pare de tentar me assustar, porque não tem nenhuma graça. – Karin tremia.
– Oh, sim... – Ele olhou para o horizonte, fingindo reflexão. – Você então deve ser uma das moças que costumam ficar em negação. – Desviou habilmente do pote de tinta que ela jogara em sua direção. – Mas entendo sua situação, miss Karin. – Ela cerrou os olhos, foi até ele, em passos pesados, e tentou golpear-lhe o nariz. Ele conseguiu se desvencilhar do soco com facilidade, mas não do pisão que a moça fez questão de dar-lhe no pé. Ele praguejou alto, e estava a ponto de retalhar, quando sentiu seu nariz ser atingido pelos punhos – estupidamente fortes – daquela que deveria ser sua protegida.
– Saia daqui! – Ela ordenou, literalmente chutando-o para fora do cômodo. – Sai agora! Nesse momento! – Suigetsu bem que tentou ficar, mas foi impossível. – E não se aproxime de mim até ter notícias do meu pai!
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Era inverno, fazia muito calor.
Como sempre em meu país.
Estava na cozinha, ao lado da mamãe. Ela fazia o jantar e eu um suco refrescante, quando papai entrou no local.
Ele abriu um grande e largo sorriso ao nos ver, e depois de se desarmar, agachou, abriu os braços e com os olhos, pediu-me um abraço.
Eu sabia que era um sonho, talvez até mesmo uma lembrança, mas ainda assim, sorri em resposta; desci da cadeira alta com a ajuda da mamãe, corri e me atirei nos braços dele, que me apertou. Papai levantou-se comigo no colo com uma facilidade espantosa, que fazia com que eu acreditasse que não havia homem mais forte no mundo do que Kizashi Haruno... Não havia ninguém mais forte do que meu pai. – E como vai a minha princesa?- Ele me perguntou com animação.
– Oh, ela vai muito bem. – Mamãe respondeu. – Estava me ajudando a preparar o jantar. – Sorridente, olhou na minha direção. – Muito prendada, a nossa menininha. Você não acha? – Kizashi concordou imediatamente, e me senti quase tão envergonhada quanto feliz por parecer orgulhá-los. – Será uma ótima esposa, a nossa princesa. – Papai riu alto.
– Não, não. Ela será apenas princesa. Governará a nossa casa, não precisará de um marido. – Ele apertou meu nariz. – Não é, Sakura? Você não vai deixar o papai aqui, sozinho com a mamãe, vai? – Na época, eu havia negado sem hesitação.
Mais tarde, eu me arrependeria amargamente por não fazê-lo prometer também.
Prometer que jamais me deixaria.
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Sakura abriu os olhos lentamente, mas quis voltar a dormir no instante em que reconheceu o quarto da mansão Uchiha. Até chegou a tentar fechar os olhos, mas mesmo quando ela apertou as pálpebras, nada aconteceu.
Sentia-se exausta. Todos os seus músculos doíam, e podia quase sentir o inchaço em seus olhos.
Sempre soube que tornar-se uma nora Uchiha seria um grande desafio, mas jamais imaginou – nem sequer havia cogitado a possibilidade! – ser humilhada a tal ponto, e aquilo doía imensamente.
A família Haruno não havia sido rica. Não deviam ter nem um quinto do que os Uchihas deviam ter, mas ainda assim, Sakura havia sido bem criada. Enquanto os pais eram vivos, nunca deixaram faltar nada para a filha: eles arranjaram instrutores, levavam-na para relacionar-se com os garotos Sabaku e se esforçavam para serem tão presentes quanto possível.
De fato, Sak os havia perdido cedo demais, mas mesmo depois do orfanato, nunca tivera a educação negligenciada.
De princesa da família, para órfã sem ninguém e finalmente, esposa indesejada. Definitivamente, Sakura não devia ter muita sorte na vida.
Um ronco leve e cansado a despertou de seus devaneios; ela virou o corpo e surpreendeu-se ao encontrar Sasuke encolhido, adormecido – na verdade, desmaiado – ao seu lado, e só então a moça pôde se lembrar que ele havia passado a noite em branco.
Mesmo que entregue ao sono pesado, ele tinha as sobrancelhas franzidas, e duas rugas irritadiças entre elas. Parecia estar tendo um sonho ruim então, instintivamente, a esposa se aproximou.
Sakura colocou o indicador entre as duas sobrancelhas, que imediatamente se aliviaram, e sorriu ao ouvir o ronco um pouco mais forte. – Você deve estar muito cansado... – Murmurou com a voz baixa, antes de alisar suas faces. Sasuke mexeu os lábios ao fungar, e a fez suspirar. – Talvez eu tenha alguma sorte... – E com um sorriso tímido, roubou um beijo do marido, que a surpreendeu ao corresponder.
– Eu não acho que você tem sorte... – Ele murmurou entre os lábios dela, com a voz rouca e sonolenta; abriu os olhos negros e sorriu tristonho. – Você está bem? – Sak hesitou por segundos antes de anuir. – Mentirosa. – Ela enrubesceu, e ele suspirou.
O Uchiha se sentou, esticou-se e apontou em direção à mesa de chá. – Vá, coma. – Comandou. – Passou o dia inteiro com o estômago vazio. – Mas Sakura encolheu-se na cama em resposta.
– Não sinto fome. – Foi sincera.
– Se ficar sem comer a cada surto do meu pai, você vai morrer de fome. – Ele se levantou, e puxou-a no colo com facilidade. – Vamos, senhora Uchiha. Você tem que se alimentar. – Seguiu em direção à mesa, sentou-se e pousou a esposa sobre seu colo.
Sakura estava constrangida, mas não fez menção em se afastar. Sasuke desfiou o pedaço de carne que Matsuri havia levado para o casal mais cedo, e estava a ponto de alimentá-la a força, quando a rosada perguntou: — Sei pai não vai nos aceitar, vai?
– Não. – Sequer hesitou ao responder. – Na verdade, acho que ele nunca me aceitou de fato... – Deu os ombros. – Sou um filho sem utilidade. – Ele ofereceu carne à esposa, que com muita hesitação, comeu. – E agora arranjei uma esposa sem utilidade. – A sinceridade do senhor Uchiha era surpreendentemente dolorosa. – Mas eu não vou deixar ele te machucar de novo. – Garantiu.
–... Será que ele queria te casar com outra? – O moreno deu os ombros.
– Dificilmente. – Ele comeu um pedaço de carne. – Se existisse a dama, ele nos teria apresentado. – Ofereceu mais à amada, que mais uma vez aceitou. – Mesmo assim, ele devia estar esperando aparecer a pretendente perfeita.
–... Você teria... – Sakura enrubesceu, desviou os olhos e ainda assim não conseguiu prosseguir com facilidade. Ela respirou fundo, tossiu, comeu mais e só então sentiu coragem. – Você teria... Aceitado?
– Possivelmente. – Ele soltou de imediato, e ela sentiu o estômago gelar. – Eu faria de tudo para agradar meu pai, afinal de contas. – Sakura se levantou instantaneamente. – O que foi? – Ele pareceu sinceramente confuso, e aquilo a irritou mais.
– “O que foi”?! – Ela se controlou muito para não berrar. – Como pode dizer isso com tanta facilidade?!
– Bem... Eu só disse a verdade...
– Então eu devo fazer minhas malas? Porque se vai fazer tudo para agradar seu pai, deve se livrar de mim imediatamente! – Exclamou, e ele estreitou as sobrancelhas com irritação palpável.
– Eu pareço tão imaturo assim?! – Questionou com a voz alta, levantando-se no ato. – Acha que eu sou o tipo de homem que se livraria da esposa, graças aos preconceitos do pai?!
– Acaba de dizer que faria tudo para agradá-lo. – Ela o lembrou, e ele estreitou os olhos.
– É claro que eu faria! – Garantiu. – Eu entrei no exército para orgulhá-lo, fui a missões para orgulhá-lo, quase morri para orgulhá-lo! – Imediatamente, Sakura recordou da primeira vez em que o havia visto, e ela se angustiou com a memória do amado ferido, inconsciente e em péssimo estado. – Daria minha vida sem hesitar, se isso fosse orgulhá-lo. Mas... – Ele se aproximou, segurou o rosto da esposa com ambas as mãos e fitou-a com uma seriedade nunca antes vista. – Pelo meu pai, me sacrificaria sem hesitar, mas eu nunca, jamais... Sacrificaria você por ele. – Mais uma vez, Sak sentiu os olhos queimarem. Ela segurou a camisa do esposo e baixou os olhos, segurando-se ao máximo para não chorar de novo. – Não chore... – Ele pediu com carinho, erguendo seu rosto. – Não chore mais, por favor... – Implorou, mas só serviu para que ela o fizesse.
Sasuke deslizou os lábios pelas lágrimas da amada, beijando seu rosto amorosamente, se esforçando para acalmá-la; envolveu-a num abraço terno, e sentiu-a encolher-se em seus braços. – Não chore... – Tornou a pedir. – Se você chorar, eu vou acabar odiando aquele homem... – E suspirou.
– Desculpe... – Ela o apertou. – Não queria trazer problemas para você, Sasuke-kun... – Murmurou entre soluços. – Eu fiquei tão feliz, quando o senhor Hyuuga fez aquela proposta... Imaginei que, mesmo com as circunstâncias, eu podia fazê-lo feliz, porque eu o amo... – Apertou os punhos. – Mas, no fim, eu só te causei problemas com seus pais... – Ele a sentiu tremer. – Eu te amo tanto, que nem posso aguentar...! – Ainda que ele soubesse disso, foi estranho ouvi-la dizer com tanto sentimento. Ele sentiu seu peito queimar, e uma felicidade imensa o inundou, mesmo diante da situação.
Ele respirou fundo na tentativa de conter seus sentimentos, puxou o rosto da amada gentilmente, e sorriu-lhe. – Se você me ama mesmo... – Murmurou. – Tem que ser forte. – Beijou-lhe os lábios. – Se você me ama mesmo... – Deslizou o polegar sobre suas faces. – Você vai passar por tudo isso de cabeça erguida, como a senhora Sasuke Uchiha... – Ela anuiu lenta e debilmente, enquanto o observava se aproximar lentamente. – Obrigado... – Ele sussurrou antes de beijá-la.
O carinho do casal, no entanto, não chegou a durar muito, uma vez que Mikoto bateu duas vezes na porta e se anunciou dizendo que “precisava falar com Sasuke imediatamente”, o que os fez interromper o momento. – Vá se deitar. – Sasuke comandou. – Quando eu for sair, vou trancar a porta... Finja que está dormindo. – Ela concordou, ele lhe deu um último beijo e após vê-la se deitar, saiu de encontro com a mãe. Mikoto estava apreensiva.
– Seu pai acaba de acordar, e... Ele quer vê-lo imediatamente.
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Só Deus podia saber como foi difícil, para todos dentro daquela sala, atuar como se fossem as pessoas mais contentes do mundo pelas companhias um do outro. E enquanto os líderes da Akatsuki socializavam com os governantes, o pária do clã Uchiha não conseguia tirar seus olhos do casal Uchiha.
Obito não pôde deixar de pensar em como era irônica, a situação daqueles dois. Uma Nohara e um Uchiha, casados e felizes.
Madara devia estar revirando no túmulo, naquele momento. – Ela é uma bela garota, não acha? – A voz de Kakashi soou por trás do mascarado, que o olhou de soslaio. – A senhora Uchiha. – Com a taça, ele apontou para a dita cuja.
– Lindíssima. – O Uchiha concordou. – Eles formam um belo casal. – Kakashi anuiu e deu os ombros. Ele estava a ponto de prosseguir o assunto, mas o moreno curvou a fronte e se afastou. – Meu senhor. – Chamou à Nagato, que não pôde evitar estreitar as sobrancelhas com o tratamento.
– Tobi?
– Deve falar sobre Deidara. – Lembrou-o, e o ruivo anuiu.
– Quem é Deidara? Sua filha? – O príncipe riu, e negou.
– Não. Minha filha chama-se Karin. – E então pigarreou. – Deidara é um mercenário recrutado pela Akatsuki. – Explicou cuidadosamente. – Ele era um jovem problemático, no início, mas agora está mais contido. É o encarregado de trazer minha menina para cá.
– Um mercenário? – Naruto simplesmente não podia acreditar. – Você vai pôr sua filha aos cuidados de um mercenário? – Só a ideia era absurda para o rapaz.
– Ela tem um guarda-costas, não se preocupe.
– Um guarda-costas, que, posso apostar, também é um mercenário. – Yahiko abafou uma risada. – Desculpe senhores, mas isso não me parece engraçado.
– Vossa majestade parece pensar em mercenários como simplesmente homens sem coração, que gostam de estripar a sangue frio qualquer vítima que dê dinheiro. – Na verdade, era exatamente isso o que Naruto idealizava ao ouvir a palavra em questão, mas ele não expressou essa opinião. – Mercenários são formados pela desigualdade do mundo, garoto. – Yahiko ergueu a taça com vinho. – Nem todos tem um palácio, com todo o respeito. – O loiro estreitou os lábios.
– Não posso mandar ninguém como dama de companhia, quando vai haver um mercenário na carruagem.
– Então escale um soldado para acompanhá-los. – O cunhado de Nagato deu os ombros, como se fosse uma coisa simples.
– Na verdade, eu ficaria muito grato se o fizesse, majestade. – O ruivo foi muito sincero. – Não gosto muito da ideia de minha filha viajar com muitos homens, porque pode causar boatos, mas Karin deve vir com segurança.
– E por falar em família. – Tsunade adentrou repentinamente na conversa, e isso irritou profundamente o líder da Akatsuki, que se ajeitou desconfortável na poltrona à frente do rei. Naruto notou, de imediato, que o primo distante sentia antipatia pela avó. – Creio que deve visitar sua tia, no país das Águas. A rainha Mei deve saber imediatamente de sua situação. – Ele concordou, mas não queria concordar.
– Naruto deveria ir junto. – Foi Jiraya quem sugeriu. – Acredito que o rei e o príncipe devem se conhecer tão bem quanto possível. – Ele sorriu para ambos. – A viagem será longa, então terão tempo de sobra para conversar sobre suas experiências. – Nagato hesitou muito antes de concordar, mas Naruto não conseguiu responder.
Só a ideia de “viagem longa” era apavorante.
Hinata, ao notar o rosto empalidecido do marido, apressou-se para fazer com que os outros não notassem. – Acredito que o príncipe deveria ser introduzido ao povo, antes de qualquer coisa. – Mas Tsunade e Jiraya negaram em conjunto.
– A rainha das Águas vai se sentir muito ofendida com tal comportamento. Nós devemos nos juntar o quanto antes, e ir até lá. E vai ser bom para vossa majestade... Sua primeira viagem como rei. – O sorriso do avô se desfez ao enxergar o rosto do neto.
–... Quanto tempo levará a viagem? – Ele questionou lentamente.
– Por volta de três, quatro semanas.
– E como ela será feita? – Jiraya, então, pôde compreender perfeitamente o medo estampado no rosto do neto.
O velho homem baixou a cabeça, arrependendo-se por ter proposto, mas agora já era tarde para voltar atrás. Ele sorriu, simulando ânimo. – Quatro semanas com a carruagem maias confortável do país! – Exclamou, e Naruto imediatamente sentiu o estômago embrulhar.
– Talvez seja uma boa ideia. – Yahiko concordou. – Se não se importarem, eu gostaria de ir junto. – Ele estava muito curioso para descobrir porque diabos o príncipe parecia tão abatido com a ideia. – Espero que a rainha, — ele curvou a fronte em direção à Hinata. – cuide de Konan durante esse meio tempo. Karin certamente se sentirá mais confortável, se ela estiver aqui. – Naruto estreitou as sobrancelhas.
Do que aquele homem estava falando? É claro que Hinata iria visitar o país das Águas ao lado do marido. Se ela não fizesse, como ele conseguiria chegar lá são?
– Será um prazer. – Hina respondeu com hesitação, surpreendendo completamente o miserável marido. A rainha sorriu, tentando esconder sua tristeza inutilmente, e anuiu com a cabeça. – Eu cuidarei delas com todo o carinho possível.
– Agora, sobre a dama de companhia de Karin... – Nagato tentou tornar ao assunto, visivelmente ansioso. Ele queria resolver logo aquele assunto.
– Shizune vai cumprir o papel. – Tsunade avisou, e sorriu abertamente em direção à sobrinha, que se aproximou e fez uma mesura educada ao príncipe. – Ela é uma das mulheres mais bem instruídas da nação. – Garantiu. – E será a tutora de sua menina. – Nagato a olhou dos pés à cabeça, mas concordou.
– E o soldado? – Olhou para Naruto, mas o rapaz ainda não estava em condições de se envolver em outro assunto que não fosse a tal viagem.
– T- Talvez Sasuke! – Foi o primeiro nome que veio à mente de Hinata. A frase da rainha pareceu, enfim, despertar o casal Uchiha, que até então estavam sentados, fingindo prestar atenção na conversa, quando na verdade, Kasumi tentava discretamente observar o tal Tobi, e Itachi a observava – não tão discreto, diga-se de passagem – abismado por seu interesse no desconhecido.
O nome de Sasuke despertou-os imediatamente. – O que tem o Sasuke? – Itachi questionou confuso.
– Estamos tentando encontrar um bom soldado para acompanhar a senhorita Shizune no caminho da vila da Chuva.
– Mas Sasuke acaba de se casar! Talvez devêssemos mandar Kakashi, Shisui... Ou Genma! Você e Genma são amigos de infância, não? – Perguntou olhando para a mulher, que anuiu.
Em uma situação normal, Kakashi riria da situação da parceira, mas aquela definitivamente não era uma situação normal. Então, ao invés de zombá-la, ele continuou a encarar o homem mascarado, esperando qualquer reação, mesmo que fosse mínima, por estar na presença da antiga noiva em potencial.
– Ainda acho que devíamos avisar ao menos a corte. – Hinata tornou a comentar. – Uma pequena reunião será suficiente... Eles poderão considerar uma afronta, avisar outro país antes de avisá-los. – Naruto concordou imediatamente.
Ele concordaria com tudo que pudesse adiar a insana ideia de viajar em uma carruagem ao lado de um desconhecido. – Hinata tem razão. – Ele sorriu agradecido à esposa. – Shizune e Genma podem sair quando estiverem prontos, e nós iremos após a introdução de Nagato à corte. – O ruivo estreitou os olhos, desconfiado, mas então anuiu, porque não tinha como ir contra a decisão de um rei que ele não era íntimo.
– Como quiser majestade.
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Sasuke precisou bater apenas uma vez à porta para que o pai permitisse sua entrada. Ele fechou os olhos, respirou fundo e o obedeceu, fechando a porta ao adentrar no escritório. – Sente-se filho. – Fugaku instruiu, mas ele negou.
– Estou cansado. Se me sentar, posso adormecer.
– Como quiser. – O comandante levantou-se. – Deve saber para quê o chamei, Sasuke... Então, por favor, comece a se explicar. – A sobrancelha do mais jovem se arqueou.
– Me explicar?
– Claro. Quero saber por que diabos foi se casar sem a permissão do seu pai. – O rapaz riu. – Não devia estar rindo de um assunto tão sério. – Os lábios do mais velho se estreitaram. – Você tinha potencial para casar-se com uma princesa, Sasuke. Uma princesa!
– Bem, nós não temos princesas nesse reino. Se eu casasse com uma, teria de ser “uma estrangeira sem o sangue do Fogo nas veias”, papai... E que diferença faria? – Fugaku realmente odiava quando o filho era irônico, especialmente quando estavam conversando.
– Há uma diferença gritante entre uma princesa estrangeira, e uma qualquer estrangeira, meu filho. – Ele disse com seriedade. Sasuke irritou-se muito, mas foi frio o suficiente para dar os ombros com desdém.
– “Cada filha é a princesa de sua família”. – Fugaku empurrou a jarra que antes descansava sobre sua mesa, estraçalhando-a em pedacinhos.
– Você está brincando comigo? – Perguntou impaciente. – Estou tentando ser calmo, Sasuke, mas você não está contribuindo. – Mais uma vez, o jovem deu os ombros.
– Sabe que o respeito acima de qualquer coisa, meu pai. – Ele foi sincero. – Mas o que está fazendo é ridículo. Sakura não é uma ninguém, ela tem relações de amizade com os governadores do país dos Ventos. Também é amiga do rei, protegida da princesa Tsunade... E é muito bem instruída.
– Amiga do rei. – Fugaku riu com desdém. – Uma amiga íntima do rei, eu estou sabendo disso.
– Se vai continuar ofendendo minha esposa...
– Esposa! – Fugaku bufou. – Não, ela não é sua esposa. Você é um rapaz inteligente, Sasuke. Estou certo que não chegou a consumar o casamento. – Os lábios do rapaz se espremeram.
– Pois eu o fiz. – O pai sentiu-se paralisado. – Fiz, exatamente porque imaginei que faria uma cena dessas. – Fugaku não conseguiu responder.
Sasuke coçou a nuca, irritadiço, e respirou fundo antes de prosseguir. – Eu não gostaria de entrar nesse assunto, meu pai, mas não posso evitar... Por quê? Por que está agindo dessa maneira? Sakura não tem um passado pior do que a Kasumi.
– Mas você não é como Itachi!
– Por quê?! – A voz de Sasuke saiu mais alta do que ele mesmo havia planejado. – Por que eu não sou como Itachi? Por que não sou tão inteligente? Por que não sou tão habilidoso? Ou então é porque eu não tenho utilidade pra você, como filho? Afinal, só nasci porque vocês queriam que eu entrasse na Torre como governante...
– Não, não é isso o que quero dizer...! – Fugaku parecia surpreso. – O que eu quero dizer é que... – Ele cerrou os punhos. – Você... Você é mais fácil de lidar do que Itachi. – Suspirou longamente. – Além disso, seu irmão estava perdidamente apaixonado pela garota...
– E se eu estiver apaixonado por ela? – A ideia calou o mais velho imediatamente. – Se eu estiver apaixonado por ela... Você vai poder aceitá-la, como aceitou a Kasumi? – O comandante sentou-se, exausto, e escondeu o rosto com as mãos.
– Eu tinha tantos planos para você, garoto... – Lamentou-se, e Sasuke sentiu-se péssimo.
Até então, ele nunca havia tomado sequer uma decisão em sua vida que pudesse magoar ou decepcionar Fugaku Uchiha. Mas o que ele podia fazer? Mesmo que não estivesse realmente apaixonado – e ele estava – por Sakura, não poderia negar ao pedido do senhor Hyuuga.
– Eu quero ela fora daqui. – A voz de Fugaku foi severa e direta.
–... Está me expulsando de casa? – Sasuke o questionou com hesitação, e o homem suspirou antes de erguer os olhos negros em direção aos do filho.
– Não, eu jamais faria isso... – Disse-lhe. – Mas você tem duas escolhas garoto: pode mandar essa garota para uma das casas que herdou de seu avô, fora da cidade. Assim, só serão casados no papel... Ou então...
– Ou então?
Fugaku se ajeitou no assento; puxou algumas correspondências e abriu-as tediosamente: — Ou então, — ele prosseguiu. – você pode ir com ela.
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