The King

28 Capítulo XXVIII – Game Start


Notas iniciais
Bom dia, flores do dia! Meus queridíssimos leitores, há quanto tempo! sz Eu senti falta de vocês! Eu sinto muito pela demora do capítulo, mas quero deixar claro que o motivo de eu não postar foi a atualização... Só consegui logar ontem a noite, mas estava cansada demais para betar, então o fiz hoje. :) Bem, não tenho muito o que falar. lol Eu estava hesitante quanto ao capítulo, antes... Mas agora acho que ficou bem interessante. Espero que concordem comigo. :3 Mais uma vez, sinto muito pelo atraso (mesmo que não tenha sido minha culpa! XD). Obrigada aos que comentaram, aos que recomendaram e aos que leem! Boa leitura, floquinhos de açúcar! sz~

Capítulo XXVIII – Game Start.

Kasumi e Itachi Uchiha demoraram muito a ter o mínimo de privacidade, pois a diretora do lugar – aquela odiosa mulher que supostamente administrava todo o prédio do hospital religioso – parecia muito interessada em fazê-los perder tempo. Demorou muito, mas em dado momento alguém a veio chamar, e eles enfim conseguiram sentir-se a vontade.

Agora estavam sozinhos, e depois de dias evitando a presença um do outro, era de se julgar que enfim ajeitariam sua situação. Mas algo incomodava Itachi desde que, ciente do bem estar da esposa, seus sentimentos haviam se acalmado. – O que você estava fazendo fora da carruagem, quando desmaiou? – Ele questionou curiosamente, e pôde notar o corpo da amada enrijecer.

Odiou aquilo.

– Kasumi, porque não estava na carruagem? – Tornou a questionar, agora com a voz firme. Kasumi ajeitou os cabelos, incomodada, e desviou os olhos para qualquer direção.

– Eu só estava indo confirmar o que eles queriam. – Foi necessário um minuto inteiro para que Itachi digerisse a informação.

Ele imaginou sua bela esposa, grávida e teimosa, saindo da carruagem depois de uma possível discussão curta com Shikamaru – que ela, é claro, ganhara facilmente – e caminhando até desconhecidos com aparência ameaçadora.

As sobrancelhas negras juntaram-se; ele a encarou com uma fúria que há muito não sentia. Pelo bem de sua futura nova criança, tentou conter o tom de voz. – Agora pode me explicar... – Ele respirou fundo. – Pode me dizer por que demônios você estava fazendo isso? – Ela abriu a boca para responder, mas não conseguiu, já que Itachi se apressou em continuar. – Pelo que sei, estavam junto de um dos conselheiros. E aposto minha vida que ele sequer pensou na possibilidade de mandá-la em seu lugar, já que sabe que isso custaria sua vida, quando eu soubesse. – Ela estreitou os lábios.

– Não seja imaturo. Você sabe que eu era a escolha mais correta. – Ele bufou.

– Kasumi, você está grávida.

– Eu não sabia disso! – Ela exclamou em sua defesa. – Além do mais, Akane estava lá dentro! E Hinata e a senhorita Sabaku. Eu não podia deixar duas moças tão importantes nas mãos do Shikamaru, e somente dele! – O conselheiro riu, sem nenhum humor.

– Esquece-se, senhora Uchiha, que também é uma “moça”. Mais que isso: é uma mãe de família, mãe de uma família da Uchiha, esposa de um conselheiro! – Ele segurou seu rosto firmemente, obrigando-a a olhá-lo. – Não consegue compreender a dimensão da sua importância, mulher?!

– Eu era a mais apropriada para estar ali! – Ela insistiu, e ele estreitou os lábios em desgosto.

– É mesmo? Por que, que eu saiba você não fez nada além de desmaiar. – Ela se calou. – E depois disso, Shikamaru e Jiraya puderam muito bem se cuidar sem você.

– Pode simplesmente parar com o sermão e dizer que estava preocupado? Só isso, por favor. Eu estou exausta, irritada e... – Sentiu o estômago contrair. – E... – Seus olhos queimaram, e ela apertou os punhos. Odiava sentir-se agonizada.

– Kasumi, porque você desmaiou? – A pergunta fez com que ela empalidecesse. – Eu não acho que tenha ficado com medo no meio do caminho... – Itachi concluiu depois de refletir. – Então porque desmaiou? – Para a sorte da jovem, naquele mesmo instante alguém bateu à porta.

Itachi pareceu hesitar, mas após o terceiro batuque, levantou-se para atender às outras duas esposas Uchihas.

Sakura e Mikoto adentraram no quarto logo após os cumprimentos de praxe; a primeira trazia consigo um arranjo de flores campestres, e a segunda uma cesta com maçãs verdes.

Tanto Itachi quanto a própria Kasumi surpreenderam-se, sinceramente, com a presença da cunhada. – Onde está o Sasuke? – O mais velho quis saber imediatamente.

Mikoto suspirou longamente antes de falar-lhes sobre a convocação de sua majestade. A notícia surpreendeu o conselheiro. – Provavelmente cobrirá seu lugar na audiência.

– Audiência?

– Parece-me que será uma audiência na presença das pessoas que machucaram Kasumi...

– Ninguém fez nada comigo! – A senhora Uchiha se apressou a esclarecer, interrompendo os familiares, e fez isso com tamanho desespero que foi impossível não evitar suspeitas do marido e da sogra, que a conheciam tão bem. – Eu simplesmente desmaiei... Talvez pelo tempo, pressão baixa... Não faço ideia! – Mãe e filho, exatamente ao mesmo tempo, arquearam as sobrancelhas de maneira duvidosa – aquela mania era certamente uma herança de todos os Uchihas – após ouvirem-na.

Sakura, no entanto, não a conhecia tão bem para ter dúvidas quanto seu tom, então se aproximou apressada do leito, e após sentar-se ao lado dela, com os olhos brilhando de ansiedade, preocupação e excitação, iniciou um interrogatório que Kasumi sequer teve capacidade de escutar – e mesmo se escutasse, não poderia entender, já que os termos utilizados pela rosada eram técnicos. – Você trouxe flores do campo. – Foi tudo o que ela pôde observar, quando a ouviu se calar.

– Oh, sim. – Sak sorriu timidamente antes de entregá-las a mais velha. – A duquesa disse que eram suas favoritas.

– Na verdade, Kasumi prefere tulipas. – A voz de Itachi foi claramente provocativa; Sak temeu que ele estivesse tentando afrontá-la, mas quando o fitou, viu que observava a esposa. – Ela gosta muito mais de tulipas. – Os olhos castanhos da mulher reviraram.

– Eu prefiro as flores do campo. – Ela disse num tom tranquilizador; aproximou o ramalhete do rosto e inspirou o perfume leve que tanto adorava. – Elas são... Importantes... – Itachi não compreendeu o motivo de a mãe sorrir com um ar tão nostálgico, mas não se importou. Ele tinha desistido de tentar interpretar as reações da mãe há anos.

– Acredito que eu deva voltar à Torre. – O conselheiro decidiu de repente, chamando a atenção de todas. – Agora que minha esposa está em ótima companhia, não tenho o que temer. – Ele sorriu às familiares; Sak enrubesceu, e Mikoto devolveu-lhe o sorriso. – Eu sinto muito por interromper sua lua de mel, Sakura. – A rosada estreitou os lábios, envergonhada, mas nada disse. – Eu prometo recompensá-los de alguma forma... E você, senhora Uchiha. – Ele apontou para a esposa. – Nada de decisões radicais, ouviu? Converse com minha mãe, depois deite e durma.

~

Hinata definitivamente não estava gostando do rumo daquela conversa. Especialmente porque Naruto, embora estivesse com a mesma postura desconfiada de sempre, parecia afetado com as palavras daquele desconhecido.

E o pior de tudo é que o tal Nagato parecia ver isso.

O ruivo sorriu; fez menção de se aproximar, mas parou assim que Sasuke e Shikamaru entraram em guarda, instintivamente. – Eu realmente só quero fazer o que é certo. – O príncipe insistiu num suspiro, e tornou a fitar os confusos olhos de sua majestade. – Kushina e eu crescemos como irmãos... Ela foi como a irmã mais velha que nunca tive. – Ele baixou os olhos lilás até o chão. – Quando soube que ela estava sob o comando do país, não tive dúvidas de que seria a melhor escolha... – Respirou fundo. – Tudo o que eu quero é guiá-lo, como minha prima me guiou um dia. Eu tenho experiência em guerra, tenho experiência em liderança, e sei que serei um bom tutor. – A rainha estreitou os lábios, e discretamente apertou a mão de Naruto – que descansava sobre o encosto do trono.

Sua majestade ofereceu-lhe um olhar de soslaio, e pareceu entender imediatamente o que ela queria dizer. – Escutei sua história, Nagato Uzumaki. – Tornou a olhar na direção do príncipe. – Mas a verdade é que, diante de tudo o que estamos passando, depois da morte dos conselheiros, e de tantos casos de traição... Não posso simplesmente abrir a Torre para ser visitada por mercenários periodicamente.

– Nunca dissemos que seria periodicamente. –Yahiko explicou com um sorriso muito irritante. – Nagato é um príncipe, e também foi uma vítima da situação de que vossa majestade fala. Ele tem tanto direito de estar aqui quanto sua alteza, Tsunade. – Ele curvou a cabeça para a loira quando disse seu nome. – Com todo o respeito. – Tsunade desviou do olhar.

– Oh, isso é um pouco mais complicado. – Naruto sorriu; apoiou os cotovelos sobre os encostos da cadeira e juntou as mãos; fitou-os analiticamente. – Então não estão pedindo visitas periódicas... Estão pressionando para conseguir um lugar no palácio.

– Um lugar de direito! – Konan exclamou ansiosa. – Ele tem todo o direito! Para começo de história, era ele quem deveria ser-... – Mas calou-se quando os amigos lhe lançaram um olhar severo.

– Está certa, senhorita...

– Konan. – Yahiko apresentou com um sorriso cortês. – Minha noiva. – Naruto anuiu.

– Konan. Você está certa, Konan. – O rei prosseguiu. – É seu lugar de direito, e se as circunstâncias fossem diferentes, ele estaria aqui, no meu lugar... Mas, bem... Feliz ou infelizmente, sou eu quem está aqui. – Ele ficou sério. – Sou eu que decido quem entra, sou eu que decido quem fica e quem sai do meu palácio. Nesse momento, peço educadamente para que se retirem. – Tanto Konan quanto Yahiko estreitaram os lábios, desgostosos com a decisão. – Juntar-me-ei com o conselho, discutiremos a situação de Nagato e decidiremos o que será feito. De acordo? – O ruivo anuiu. – Se não há mais questões, peço que-...

– Espere, meu marido. – Hinata pediu calmamente, sorrindo constrangida para o esposo, que embora estivesse surpreso, tentou o máximo não demonstrar. – Antes de irem – ela levou os olhos perolados até os visitantes – eu gostaria de saber qual é o interesse na Akatsuki sobre a situação. – Os três líderes da organização trocaram olhares tensos demais para negar qualquer interesse, mas Hinata prosseguiu: — Acredito que seja completamente compreensivo... – Na verdade, ela não achava, mas pensou que uma mentira poderia amenizar a situação. – Que o antigo príncipe esteja interessado em reaver suas raízes familiares... – Pigarreou. – Mas não vejo motivos para a Akatsuki se envolver. – Yahiko sorriu, um sorriso desafiador, que só fez aumentar a desconfiança da rainha.

– Está certa, vossa majestade. – Ele confessou, cruzando os braços e suspirando longamente. – Como eu disse anteriormente, a vila da Chuva não possui recursos, alianças, nem riquezas... Nagato praticamente cresceu na vila da Chuva, conosco. Ele se tornou um de nós, se tornou um líder... – Aproximou-se do príncipe e bateu amigavelmente em um de seus ombros. – Ser colocado como príncipe, naturalmente, faria com que Konoha e a vila da Chuva se aliem. Isso pode nos trazer tantos benefícios que sequer posso mensurar. – Naruto anuiu lentamente. Aquela, de fato, parecia ser uma boa desculpa.

Ele se levantou. – Agora, se nos dão licença, peço que se retirem.

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Obito conhecia Kakashi bem o suficiente para saber que ele entenderia, instantaneamente, a verdadeira identidade de Tobi. Mas também o conhecia bem o suficiente para saber que ele jamais se demonstraria alarmado diante daquela situação.

Afinal, Kakashi se sentia culpado. A palidez em seu rosto denunciava isso, bem como os anos de perseguição, em que ele poderia muito bem tê-lo pego, mas por um ou outro deslize, deixara a oportunidade passar. Além do mais, o comandante Hatake era suficientemente prudente para ser cuidadoso em suas reações e, portanto, jamais exporia suposições sem provas suficientes.

De qualquer forma, nenhum dos dois teve tempo para qualquer palavra dita, qualquer palavra que pudesse concluir a certeza de Kakashi, pois os akatsukis saíram muito cedo da reunião.

Tobi curvou-se a eles, cumprindo seu papel, e ao lado de Tsunade e Kakashi, os visitantes foram levados para fora do local. Embora todos devessem estar muito satisfeitos com o resultado da audiência, Nagato e Obito não conseguiram festejar enquanto estavam rumo à sede improvisada. O príncipe estava tenso e silencioso, assim como Obito , que não pôde deixar de imaginar, nem por um instante, em como seria satisfatório mandar o disfarce para os infernos e socar o rival infinitamente odiado durante aquele pequeno reencontro.

~

Enquanto ajeitava as flores do campo, envergonhada, afastada das duas primeiras esposas da família Uchiha, Sakura não conseguia de deixar sentir-se um tanto incomodada com aquela situação.

Durante toda a manhã, a nova senhora Uchiha havia sido apresentada a casa, à família, – viva e morta, por quadros espalhados pelas paredes da residência – além de ser introduzida sobre as regras do lugar.

Segundo a duquesa, Sasuke podia ser muito esbanjador quando se tratava de espadas e cavalos e, portanto, como esposa, Sak devia estar ciente de todos esses gastos, e controlá-los de maneira prudente. Como a segunda senhora da casa, Sakura também deveria estar atenta a toda a criadagem; devia ajudar sua sogra em todas as atividades que fossem necessárias: preparar jantares, organizar reuniões, ajeitar alguns bailes – que ocorriam periodicamente – e comparecer em outros. Tinha o dever de ser uma esposa presente, e estar sobcontrole da vida do marido.

Exposta a tantas tarefas, em tão pouco tempo, ela sequer teve oportunidade de pensar em como receberia o duque, que como comandante da guarda real, estava ocupado naquele momento, com a batalha travada contra vila do Som.

Agora, parando para pensar sozinha, talvez essa fosse a maior preocupação de Mikoto para com sua nova nora: ela queria fazê-la esquecer das possíveis complicações que teria em sua nova vida, graças ao sogro.

Sasuke havia feito questão de despachar o convite da cerimônia o mais atrasado possível, e a duquesa parecia tão preocupada com a possibilidade de o marido aparecer antes do casamento que a pobre antiga senhorita Haruno não pôde deixar de sentir-se insegura.

Claro, não era como se todos os Uchihas a tratassem bem, como Itachi e Sasuke, mas Kasumi e duquesa ao menos tentavam ser gentis, e ela tinha algumas dúvidas de que o duque pudesse ser como elas.

Timidamente, a rosada olhou de soslaio em direção ao leito de sua cunhada. Ela e Mikoto mantinham uma conversa baixa e calma, provavelmente sobre o próximo bebê da família, e foi impossível não se sentir uma intrusa.

Sakura havia passado poucos dias ao lado de sua nova cunhada; havia percebido que Kasumi era muito mais agitada quando estava entre família, entre íntimos, mas embora fossem, de fato, cunhadas, imaginou que ainda não estava em nenhuma dessas categorias.

Isso era muito irritante!

Era frustrante! Tanto, que ela nem sequer podia descrever!

Naquelas últimas semanas, havia feito amizade com a jovem florista da cidade, a velhinha dona da loja de tecidos, os sacerdotes do Templo, mas nenhum progresso com sua própria cunhada!

Sak admirava muito a senhora de Itachi, tanto quanto admirava o próprio Itachi. Ela sabia que, para seu marido, a senhora Uchiha era mais que uma cunhada, mais que a futura duquesa: para Sasuke, Kasumi era como uma irmã.

Além disso, ela descobrira, graças à Matsuri, que ambas tinham origens muito parecidas: haviam sido filhas de famílias com pequena importância, que nunca foram ricas, embora também nunca tivessem sido miseráveis, e agora estavam órfãs. Mas Kasumi nunca conhecera os pais biológicos, nem nunca tinha sido enviada para nenhum orfanato, muito pelo contrário: havia sido criada pela duquesa Uchiha, uma das damas mais distintas – se não a mais distinta – do país do Fogo. E mesmo com seus surtos de teimosia, era decididamente mais preparada como esposa Uchiha do que qualquer uma, completamente oposta ela própria.

Era incrível como duas pessoas podiam ser tão parecidas e tão diferentes, ao mesmo tempo.

Sakura suspirou longamente. Odiava sentir-se mal consigo mesma, mas o que fazer quando um insuportável exemplo de perfeição está à sua frente? – Algum problema? – Ouviu a voz de sua sogra questionar, e sentiu o rosto empalidecer; ela ergueu a cabeça, apressada, constrangida, e quase perdeu o ar ao ver que ambas Uchihas a fitavam de maneira confusa e preocupada. Era um sentimento idiota, mas ela não pode deixar de sentir-se flagrada.

– E- Eu estou bem! – A rosada exclamou, cheia de constrangimento. Ajeitou as madeixas e se aproximou timidamente.

– Estava tão absorta... Por acaso pensa em algo desagradável? – Sak sentiu o rosto queimar, mas negou.

– E- Eu... – Ela pigarreou. – Eu só estava pensando que, talvez, fosse melhor para a senhora Uchiha-...

– Por Deus, pode chamá-la de Kasumi. – Sak anuiu, mas duvidou que conseguisse. Prosseguiu:

– Estava pensando se não poderia ficar conosco. Eu entendo de medicina, afinal. E ela está familiarizada com a mansão Uchiha... Além disso, os médicos da Torre estão a postos na cidade, e ela pode não ter a atenção necessária. – A própria Sakura surpreendeu-se com o quanto suas palavras haviam sido convincentes. Não só convincentes, como seriam úteis, se elas considerassem sua proposta. Afinal, se Kasumi estivesse em casa, sob seus cuidados, eventualmente se familiarizaria com a senhora Sasuke Uchiha.

Sakura não esperava amizade eterna, apenas uma boa e sincera convivência, mas a esperança de ser ouvida se esvaiu logo, com uma troca de olhares hesitantes entre as mais velhas. – Foi uma má ideia? – A rosada questionou com ansiedade.

– Não, é claro que não. – Mikoto sorriu-lhe. – Foi muito gentil de sua parte, na verdade... – Mas então olhou para Kasumi, que explicou:

– Seria uma ideia ótima, mas infelizmente não posso ficar longe de Itachi. – Sak sentiu o rosto enrubescer. – Não entenda mal, Sakura, mas é algo que preciso fazer... Ao que parece, a Torre vai ter problemas. Ele certamente será posto sob pressão, e quero estar ao lado dele quando acontecer. – Sakura anuiu instantaneamente.

– É claro, é claro. Eu compreendo. – Ela disse. – Compreendo perfeitamente, e agora me sinto uma estúpida por propor algo tão sem fundamento. – A duquesa riu melodiosamente.

– Não foi sem fundamento, querida. – Ela puxou uma das mãos da nora mais jovem, que sentiu o coração palpitar de nervosismo. – Foi realmente muito gentil, e muito cuidadoso pensar em algo assim... Mas é uma recém-casada. Merece dias de paz com seu marido... Sei que Sasuke ficaria decepcionado se não fosse assim. – Ela baixou os olhos verdes até o próprio colo, envergonhada.

– Eu tenho certeza de que o Sasuke-kun compreenderia-... – Mas foi interrompida pelas risadas das mais velhas. Ela continuou em silêncio, confusa pela alteração nas outras, que após pigarrear três vezes, tornaram as posturas tranquilas.

– Sasuke é muito egoísta. – Mikoto revelou com um sorriso maldoso. – Muito parecido com o pai. – Deu os ombros. – Ele não abriria mão de dias de descanso, quando são seus por direito. – Mas a rosada negou.

– Ele compreenderia! – Exclamou em defesa do marido, decidida. – Até poderia ficar magoado com a falta de atenção, mas certamente compreenderia... – Olhou ansiosa para a surpresa Kasumi. – Ele a tem como uma irmã, senhora Uchiha. – Revelou. – Lhe preza muito, e por isso, estou certa de que ficaria orgulhoso de mim... – Sentiu o rosto queimar. – E feliz pela senhora estar sendo cuidada. – A senhora Uchiha sentiu-se verdadeiramente constrangida com a declaração. Sorriu timidamente e concordou com pouca hesitação.

– Eu sou grata, mas... Eu quero ficar ao lado do Itachi. – Sak anuiu, constrangida.

– Bom, mas isso não é motivo para que nós não visitemos certo? – Mikoto bateu levemente nas costas da nova nora, com um sorriso alegre estampado no rosto. – Afinal, nós somos uma família. – E apenas a menção à palavra “família” foi o suficiente para que Kasumi não conseguisse prestar atenção em absolutamente nada.

~

Bastou adentrar em um local reservado para que Naruto praticamente arrancasse a insuportável coroa da cabeça. Aquela coisa era pesada, literalmente.

Hinata aproximou-se do marido tranquilamente, e antes que ele pudesse alcançar a cadeira do escritório, ajudou-o a tirar o manto de veludo vermelho. Ele lhe sorriu, agradecido. – Sou grato pela atenção, majestade. – Ela riu enquanto dobrava a peça.

– Estou à disposição, majestade. – E então Sasuke e Shikamaru adentraram.

– Francamente, aqueles...! Eles pensam que somos idiotas! – O Uchiha resmungou mal humorado. Naruto e Hinata se entreolharam.

– Você acha que era mentira? – O rei questionou com hesitação. Os olhos negros do guarda reviraram.

– É claro que é uma mentira. Pensam que somos idiotas, estou lhe dizendo.

– É possível. – Shikamaru anuiu antes de se sentar. – Mas não podemos recusar o que pedem. – O Uzumaki estreitou as sobrancelhas, confuso, mas antes que pudesse verbalizar suas dúvidas, o conselheiro prosseguiu: — Você ouviu a história dele? Assistiu os pais serem mortos, foi sequestrado, vendido... E sabe-se lá o que mais.

– Obviamente, mentiras. – Sasuke deu os ombros; encostou-se à parede e cruzou os braços. – E, se for mesmo verdade, a meu ver, mais ele mais é um covarde do que uma vítima... Fugir, quando os pais acabam de ser assassinados... – Ele estreitou os lábios. – Nenhuma criança faria isso. Ele pediria ajuda.

– Nós não podemos julgar uma situação assim. – Hinata ponderou. Quando todos os olhares estavam sob ela, não pôde deixar de suspirar. – Veja bem: eu não confio neles. – Foi clara. – Ao menos não nessa história de... – Ela hesitou; apertou os punhos e respirou fundo antes de continuar. – Ao menos não nessa história de querer guiá-lo. – Olhou de soslaio para o marido.

Naruto mordeu o lábio inferior, pensativo. – Talvez devamos esperar a presença da princesa Tsunade, ou do conselheiro Jiraya. – Shika sugeriu.

– Vai esperar eternamente. – Foi a resposta do rei. Ele ergueu os olhos sérios na direção dos rapazes. – Só preciso de gente de confiança.

– Não fale assim. – Hinata murmurou sem pensar, irritada. – Desconfiar das pessoas próximas a você só vai deixá-lo solitário. – Disse-lhe sem olhá-lo, num tom baixo. Ainda hoje, mesmo que estivessem bem um com o outro, podia amargurar a lembrança da desconfiança do marido.

– Você está corretíssima, Hinata. – A voz de Itachi soou de repente. Ele havia adentrado à saleta sem ser anunciado, mas ninguém pareceu se importar. – No entanto, acredito que o rei esteja certo sobre não convocar os anciãos. – Sasuke estreitou a sobrancelha, desconfiado.

Itachi definitivamente não era o tipo de pessoa que tentaria colocar pessoas umas contra as outras. – Eles ficarão muito sentidos quando souberem dessa reunião, mas a verdade é que, se estivessem aqui, sem dúvidas estariam defendendo o tal príncipe.

– Está muito informado para alguém que acabou de chegar. – O Uchiha mais novo não pôde deixar de comentar. Itachi deu-lhe os ombros.

– Os criados sabem de tudo. – Foi sua resposta. – Como eu dizia... – O mais velho pigarreou. – Veja bem: Jiraya era seu tutor, quando garoto. Via-o como um filho. Há essa hora deve estar emocionado com a possibilidade de vê-los trabalhando juntos. E Tsunade... – Ele estreitou os lábios. – Bem, acredito que toda a família real sentiu-se culpada com o acontecimento... – Ele alisou o maxilar, pensativo. – Não... Nenhum dos dois vai dar uma opinião crítica sobre o caso.

– Eu pensei que tivesse mandado ficar com sua esposa. – O tom de voz de sua majestade deixou bem claro que ele, definitivamente, não estava tendo um de seus melhores dias.

– Sakura e a duquesa são melhores companhias. – Deu os ombros. – Sou mais necessário aqui, do que lá.

– A Kasumi está bem? – Hinata se apressou em questionar, sinceramente preocupada. – Shikamaru disse que ela desmaiou de repente... – Sasuke pôde notar a expressão de seu irmão iluminar-se instantaneamente.

Ele cruzou os braços, orgulhoso. – Sobre o desmaio de minha esposa, não há nada o que lamentar... Na verdade, vocês podem me felicitar. – E olhou de canto para o Uchiha mais jovem. – Sinto muito, irmão. Sakura não vai ser novidade na Uchiha por muito tempo. – O mais jovem revirou os olhos, mas estava contente; abraçou o irmão, esquecendo-se completamente da situação delicada que exigia a reunião, e o congratulou ali mesmo.

Antes que os governantes se juntassem à festa de comemoração à gravidez do casal Uchiha começasse, Shikamaru fez questão de pigarrear, chamando a atenção de todos. – Com todo o respeito, senhor Uchiha... – Mas Itachi concordou antes mesmo que ele concluísse.

– Está certo. Eu sinto muito. – Ele suspirou, ajeitou os cabelos e pigarreou. – Eu acabo de chegar, então peço que me deixem a par da situação.

~

Embora tudo estivesse caminhando como o planejado, Nagato não parecia ser o homem mais feliz do mundo. Na verdade, Yahiko nunca o tinha visto silencioso – e ele era, sem dúvidas, a pessoa mais silenciosa que conhecia.

Quando chegaram à casa alugada, a primeira coisa que sua alteza fizera fora trancar-se no quarto, ainda que todos estivessem mais dispostos a comemorar do que na noite anterior.

Quando o akatsuki, preocupado com o melhor amigo, decidiu chamá-lo para uma conversa, surpreendeu-se com o estado em que o encontrou: desolado, encolhido em um canto do quarto, socando a parede continuamente – coisa que ele devia estar fazendo há muito tempo, já que seu punho sangrava, e a parede estava manchada.

Sem hesitação, Yahiko se apressou em impedi-lo. – Mas que porcaria você está fazendo, Nagato?! – Ele questionou-o, furioso. – Qual é o motivo dessa loucura? Tudo está conforme os planos! – Nagato cerrou a mandíbula, apertou os punhos e bateu a própria cabeça contra a parede, antes de gritar, agonizado, assustando Yahiko e qualquer um que pudesse ouvi-lo.

– Eu os odeio! – O ruivo exclamou. – Odeio todos eles! Todos aqueles malditos!

– O que é que está falando?! – Yahiko insistiu, irritando-se aos poucos. – Por acaso enlouqueceu? Nós estamos no território do Fogo! Não pode ficar gritando essas coisas-....

– Eu vou me vingar!... Eles vão se arrepender de terem matado meus pais! Vão se arrepender de tudo o que fizeram! – Os olhos castanhos do antigo líder da Akatsuki se estreitaram, quase tão curiosos quanto preocupados.

–... Do que você está falando? – Ele perguntou depois de hesitar.

– Foram eles! – O ruivo gritou, apontando para um canto qualquer. – Aquela mulher maldita! Fingindo-se de sonsa... Fazendo-se de santa, quando certamente, foi ela que... Ela que... – Ele estreitou os olhos, e as imagens daquele dia maldito retornaram como um flash, à sua mente.

Ele cerrou os dentes. – Mulher maldita... Traidora maldita... Eu vou matá-la!

~

Shikamaru e sua incrível memória foram responsáveis por uma descrição completa, e muito fiel, da audiência de sua majestade com os akatsukis para Itachi.

O conselheiro Uchiha havia ouvido tudo em silêncio, e no fim do relato, sua conclusão foi única: — Nós não temos escolha. – Ele disse ao rei, sinceramente. – Temos que aceitar o tal Nagato dentro da Torre. – Naruto estreitou os lábios, irritado.

– Não me agrada nem um pouco a ideia de ter a monarquia envolvida com mercenários da vila da Chuva. – Ele murmurou revoltoso, e Hinata não pôde deixar de concordar.

– Estamos estáticos desde a morte dos antigos conselheiros... – Sasuke anuiu.

– Eles têm razão, irmão. – Disse-lhe. – Nós acabamos de ser traídos. Trazer qualquer pessoa para dentro do palácio é insano! Sequer podemos ter certeza da historinha daquele homem... – O Uchiha mais velho suspirou longamente.

– Tsunade e Jiraya o reconheceram. – Ele os lembrou. – Então, ainda que seja só um rapaz extremamente parecido com o filho do antigo príncipe herdeiro, é impossível ter certeza. – Levantou-se da cadeira que há pouco ocupava, e começou a dar passos tensos ao redor da sala. – É verdade que são mercenários, mas também é verdade que fazem isso por falta de recursos... – Refletia em voz alta. – Não há dúvidas de que querem se aproveitar desse possível parentesco para beneficiá-los, no entanto...

– No entanto...? – Naruto instigou.

– No entanto – o filho de Fugaku prosseguiu, fixando os olhos negros nos azulados. – é algo que devemos fazer, de qualquer forma. – Ele cruzou os braços com uma expressão séria. – É verdade, não estamos em nosso melhor momento... Todos desconfiam de todos, mas a Akatsuki é conhecida, pelo povo em geral, como “a organização salvadora”. Muitos cidadãos são simpatizantes... A possibilidade de um dos líderes ser, na verdade, o príncipe perdido do país do Fogo pode trazer expectativas ao povo. Ainda que seja um impostor, toda essa história trágica... Ainda que mentirosa... Vai sensibilizar as pessoas.

– E devo pôr em risco a segurança dos meus amigos, meus conselheiros, da minha família, da minha esposa, simplesmente para não correr o risco de sensibilizar as pessoas?! – Sua majestade exclamou, estava furioso com a possibilidade.

– Não. Deve fazer isso para não pôr em risco a sua coroa. – Itachi afirmou com frieza. – O fato é que aquele senhor devia estar sentado no seu lugar, hoje. Ele devia ser o rei, mas ao invés disso, levou uma vida trágica e lamentável. Aproveitar-se da sensibilidade do povo é algo muito simples a se fazer... E a Akatsuki conseguiu conquistar a independência de uma vila miserável por meios mais difíceis do que esse. – Hina empalideceu.

– Acha que eles querem conquistar o país?! – Itachi deu os ombros; alisou os cabelos, exasperado e suspirou.

– Eu não sei. – Confessou. – Mas é uma possibilidade, uma péssima possibilidade... Na melhor das situações, eles só querem se aproveitar da posição do príncipe para conseguir uma aliança. – Naruto coçou a nuca, incomodado; bufou e encarou o conselheiro.

– O que sugere que eu faça? – Questionou com angústia quase palpável.

– “Mantenha seus amigos por perto, e seus inimigos mais ainda”. Isso também se aplica aos inimigos em potencial. – O Uchiha sorriu-lhe. – Diga que o príncipe é bem vindo para ocupar seu lugar... E que seus amigos são seus convidados às acomodações da Torre... Se eles querem jogar, vamos jogar. – Foram necessários alguns minutos para que Naruto concordasse.

– Diga a Jiraya redija uma carta ao príncipe, Shikamaru... – Instruiu, e o conselheiro concordou imediatamente.

O Uzumaki levantou-se; relaxou o os ombros e inspirou fundo. – Se Nagato assim desejar, será introduzido ao povo o mais rápido possível. – Itachi parecia orgulhoso de si mesmo.

– É o melhor caminho a se seguir, majestade. – Naruto anuiu.

– Hinata, — olhou de soslaio para a esposa, que imediatamente levantou-se.

– Meu marido?

– Sasuke e eu tomaremos as medidas necessárias para as visitas... Enquanto isso peça para que os criados transfiram meus pertences às suas acomodações. – Ela estreitou as sobrancelhas, confusa. – Não quero deixá-la sozinha quando temos pessoas dessa índole no palácio, então... – Naruto explicou; sentiu seu rosto queimar, então fingiu ajeitar os botões da camisa apenas para não olhar nos olhos dela. – A partir de hoje, dividiremos o mesmo quarto. – Hinata sentiu o estômago congelar, e seu coração acelerou quando ele, timidamente, ergueu os orbes azuis sérios em sua direção. – Afinal, eu prometi não é? Que iria protegê-la.

~

Era o começo de janeiro, mas estava insuportavelmente quente.

Tão quente que sequer cogitei a possibilidade de tentar dormir.

Tão quente que podia jurar sentir o cheiro do fogo.

Fui até a biblioteca, na esperança de que algum livro desgastante pudesse me ajudar a sentir cansaço.

Estava no terceiro capítulo de um livro surpreendentemente interessante quando alguma criatura desesperada começou a bater na porta.

Era tarde, mas qualquer homem com o mínimo de experiência militar sabe que as coisas podem acontecer a qualquer hora, então fui até a entrada da mansão e surpreendi-me com Shizune, ofegante e vermelha, com a expressão angustiada. – Os Nohara... – Ela começou trêmula, e senti meu corpo enrijecer. – A mansão dos Nohara! – Ela gritou de repente. – Está em chamas! – Foi como se meu chão sumisse.

Como se todo o sangue que corria em minhas veias congelasse.

Shizune começou a gesticular, falava desenfreadamente, desesperada, assustada, mas francamente não consegui ouvir muita coisa, até ela dizer: — Obito está lá! Ele entrou na casa para salvá-la! Ele vai morrer! – E então começou a chorar.

Juntando todas as minhas forças, e toda a sanidade que, só Deus sabe como, fui capaz de ter naquele momento de desespero, segurei-a pelos ombros firmemente. – Vá até os Uchiha. – Comandei. – São os mais próximos daqui... Diga a situação e peça que mandem reforços.

Mas os reforços nunca vieram da parte dos Uchiha.

Quando alcancei a mansão Nohara, as chamas já tinham tomado conta de todo o local.

Demoraram horas até que a ajuda chegasse, até que pudessem apagar o fogo; a senhora Nohara foi encontrada com vida, mas estava em uma situação lamentável demais para dar quaisquer esperanças de sobrevida. Rin, no entanto, não estava lá. Nem ela, nem a criança recém-nascida, nem Obito Uchiha.

Encontrei seu corpo morto na manhã seguinte, deitado à sobra de sua árvore favorita, e soube imediatamente que ele a tinha visto... Que ele a tinha tirado do desespero, que a salvara das chamas.

Mas não conseguira salvar sua vida.

Lentamente, me aproximei.

Era como se fosse um pesadelo, como se fosse outro mundo... Como se fosse o mundo errado.

Puxei-a cuidadosamente. Ela estava fria, mas se corpo ainda era macio.

Parecia simplesmente adormecida, mas eu sabia que era mais que isso. O sangue em suas vestes não me deixava iludir.

Apertei-a em meus braços, firmemente, e pela primeira vez em anos, chorei.

Lágrimas de sangue.

.

Kakashi despertou com a suave carícia de Shizune.

Ela estava ao seu lado, e fitava-o com uma expressão indecifrável. – Algum problema? – O Hatake questionou com tranquilidade extrema, embora seu coração ainda estivesse acelerado graças ao sonho.

– Você passou a madrugada murmurando o nome dela... E dele.

–... Estava sonhando com aquela noite. – Ele confessou. Sentou-se e bagunçou a cabeleira esbranquiçada.

– Eu não pensei que você continuasse revivendo aquilo... – Kakashi negou.

– Faz anos que não sonho. – Disse-lhe, e era bem verdade.

Kakashi tentava pensar o mínimo possível na família Nohara, e desde o casamento de Kasumi e Itachi, ele conseguia ser efetivo.

Não sonhava com aquela noite à quase três anos, mas imaginou ser natural. Afinal, depois de – possivelmente – ter ficado frente a frente com o rival de infância, tantos anos após a tragédia, fez com que a culpa voltasse a culminá-lo.

Após três dias do incêndio na mansão Nohara, com o desaparecimento de Obito Uchiha e do bebê que todos sabiam que a senhora Nohara esperava há um pouco mais de um semestre, o Conselho do Fogo fez a conclusão mais absurda do universo: Obito era o culpado.

Era um renegado dos Uchiha, e supostamente um homem cuja afeição fora rejeitada pela senhorita Nohara – que todos criam ser a perfeita noiva Hatake. “Não tinha nada a perder”, era o que os conselheiros diziam.

Mas Kakashi sabia que eles estavam errados.

Ele sempre soube que Obito Uchiha nunca, jamais tentaria contra a vida de Rin Nohara porque, ao contrário do que muitos pensavam, assim como Kakashi, ele havia perdido sua alma naquela noite.

Mas ainda que soubesse, ainda que tivesse certeza, Kakashi nunca expressou seus pensamentos.

Ele deixou que todos pensassem que Rin havia morrido como sua pura e fiel noiva, nunca discutiu diante os comentários que diziam o quão lamentável era o fato de o casamento ser adiado graças à gravidez de risco da senhora Nohara.

Ele nunca disse a ninguém sobre os verdadeiros sentimentos de Rin, e graças a isso, condenara Obito Uchiha a uma maldita vida fugitiva. – Kakashi? – Shizune tornou a chamá-lo, com um tom de voz ainda mais preocupado. – Kakashi, você está bem? – Ele hesitou muito, mas negou.

Isso fez com que Shizune se preocupasse, porque Kakashi era geralmente bastante teimoso. Não era o tipo de homem que aceitava a própria indisposição. – Shizune... – Ele parecia travar uma batalha interna.

Não queria trazê-la de volta àquele mundo, mas sabia que ela nunca tinha saído dele. Sabia que Shizune, assim como ele por Rin, tinha fortes sentimentos por Obito... E eles, no fim das contas, sempre foram companheiros, aliados da mesma dor, da mesma culpa, então se sentia na obrigação de ser sincero.

Ergueu os olhos negros lentamente, sérios, e fitou-a de um jeito que a fez estremecer de tensão. – Acho que Obito está aqui.

~

Nagato não havia dormido aquela noite.

Nem Nagato, nem Yahiko, que ficara o tempo inteiro ao seu lado.

Ele lhe contou sua história. A trágica história de sua vida, e todos os motivos que o levaram a fugir naquela noite. – Eles eram aliados... – Lhe disse. – Faziam parte do serviço secreto... Eu os vi muitas vezes conversando com meu pai. E então, eles entraram de repente... Mataram minha ama, mataram minha mãe, mataram meu pai... – Ele estreitou os olhos lilás. – E eu vi tudo.

Mesmo conhecendo perfeitamente a quietude do amigo, sua grande desconfiança e sua mania de não se aproximar das pessoas em geral, Yahiko nunca poderia sonhar que fossem resultado de uma tragédia daquela dimensão. – E você acha que os antigos reis estavam envolvidos nisso? – Ele arriscou perguntar; sua voz repleta de hesitação. O ruivo não conseguiu respondê-lo.

Kushina e Yahiko eram muito parecidos, e ele nunca teve certeza de seu envolvimento no assassinato de seus pais. Afinal, eles só eram garotos na época: sequer tinham chegado aos quinze anos!

Mesmo assim, ele não tinha duvidas de que Tsunade era culpada.

Havia passado anos e anos amargurando, questionando-se, remoendo seu interior, pensando quem e por que poderia ter comandado aquilo – porque não faria nenhum sentido um bando de servidores do rei matar o príncipe herdeiro sem ordens superiores.

E, com muitos anos para se pensar, só pôde chegar a uma conclusão: Tsunade. Ela tinha motivos. Era a filha mais velha, mas sua importância era tão baixa quanto a da dama de companhia da rainha. Havia se casado com um homem medíocre, mas sabia que sua filha era uma criança com brilho.

Sem sombra de dúvidas, em comparação, Kushina sempre havia sido mais rei do que Nagato. E foi esse pensamento que o fez concluir a culpa da tia: ela queria que a filha fosse mais, queria que sua filha se tornasse rainha, e a consequência de sua ambição fora a morte de Nawaki. – Eu sinto muito, Nagato. – O amigo lhe disse sinceramente, com um tom baixo de voz.

Ele se encostou à parede, parecendo exausto, e suspirou fundo. – Mas ainda que se sinta assim, sabe que-...

– Eu sei. – O ruivo respondeu antes que ele concluísse. – Eu sei... – Apertou os punhos. – Sei que não devo fazer nada... – Cerrou a mandíbula. – Não se preocupe. Mesmo que eu odeie aquela mulher, eu não vou fazer nada que possa nos pôr em risco.

– Ora, essas são boas notícias. – A voz de Tobi soou da entrada do quarto, e chamou a atenção dos outros imediatamente.

O mascarado se aproximou, portando uma carta em mãos e entregou diretamente ao ruivo. – Parece que a decisão de sua majestade foi tomada. – Disse ao príncipe.

– O dia mal amanheceu! – Yahiko surpreendeu-se, e o mascarado soltou uma gargalhada.

– Esses malditos são bem rápidos, quando necessário. – Deu os ombros. – Um grupo de mensageiros deixou a carta endereçada “ao senhor Nagato, da Akatsuki”.

O príncipe hesitou alguns segundos antes de puxar o envelope. Pela letra, Nagato soube que havia sido redigida por Jiraya, mas imaginou que talvez tivesse sido pensada por outro dos conselheiros, já que era muito formal.

A carta dizia que o rei estava sinceramente disposto a conhecê-lo, e ansiava por suas instruções. Convidava a ele, e qualquer família que tivesse a passar o tempo que quisessem na Torre, e que se assim desejasse seria, diante do povo, anunciado como príncipe do Fogo, e isso aconteceria o mais rápido possível.

Ele suspirou longamente após terminar de ler o conteúdo; dobrou-a, e com a ajuda do amigo, levantou-se. – Parece que vamos para a Torre.

~

A segunda noite como senhora Uchiha não foi exatamente como Sakura havia idealizado. Ela havia ido se deitar muito cedo, já que não tinha muito o que fazer depois do jantar, e dormira sozinha.

Sim, sozinha. Sasuke não retornara da Torre. E, embora fosse muito egoísta e imaturo de sua parte, ela não pôde deixar de ressentir-se com Naruto.

Havia acabado de se casar, pelo amor de Deus! O mínimo que podia querer estar na companhia do marido, que ela sinceramente amava.

Ela acordou cedo àquela manhã, ainda mais cedo do que a duquesa – em compensação do dia anterior.

Aproveitou-se para tentar ajeitar seus pertences no quarto, e se surpreendeu quando se deu conta de que tudo já estava pronto. – Definitivamente, empregadas pessoais são úteis...! – Ela exclamou para si mesma.

– Eu fico feliz que esteja contente. – Só a voz a fez estremecer.

Ela virou-se impulsivamente, agitada, e sentiu cada nervo de seu corpo vibrar de felicidade ao ver o sorridente – e também cansado – senhor Uchiha em frente à porta.

Sakura se aproximou rapidamente; ajudou-o com as vestes, os sapatos e se ofereceu para massageá-lo. – Eu adoraria... – Ele confessou. – Mas estou exausto. – Bocejou enquanto dizia. – Passei a noite inteira tomando decisões, falando com criados, comandando isso, comandando aquilo... – Suspirou longamente. – Meu único consolo é saber que aquele maldito também não dormiu. – Sak riu.

– Naruto? – Ele anuiu. – É incrível como consegue fazer o rei trabalhar, senhor Uchiha. – Ele deu os ombros, deitou-se e se ajeitou na cama.

– Poderia pedir para a criada trazer um chá? – Pediu entre um suspiro. – Ela está dormindo no quarto ao lado... – Sak pôs-se de pé em um instante.

– Não é necessário acordar a Matsuri. – Ela concluiu decidida. – Sei fazer um chá delicioso... É uma receita secreta da família Haruno, vai fazê-lo dormir instantaneamente. – Ele riu.

– Se trata de uma receita secreta, talvez não tenhamos o necessário. – Ele especulou.

– São ingredientes básicos, duvido muito que minha sogra... – Ela enrubesceu ao falar o termo, pigarreou e prosseguiu: — Duvido que a duquesa não tenha na cozinha. – A sobrancelha escura do senhor Uchiha se arqueou; ele sentou-se à cama e puxou a esposa de modo que ela se sentasse sobre seu colo.

Alisou seu rosto, ajeitou seus cabelos e roubou-lhe dois beijos. – Não precisa se envergonhar por chamá-la de sogra... – Ele murmurou entre seus lábios, e ela assentiu lentamente, seu rosto avermelhar-se. Sasuke suspirou longamente. – Desculpe por não ficar com você... – Ele parecia se lamentar, e imaginar que ele também sofrera com a separação, de alguma forma, animou-a.

– Não tem problema. – Ela garantiu com um sorriso tímido. – Você estava trabalhando... O rei confia em você. – Ele anuiu. – Bem... Você devia dormir. – Ele fez uma careta. Não queria dormir, embora seu corpo exigisse que o fizesse.

Sentiu-a alisar seu rosto, e não conseguiu evitar um longo bocejo. – Eu vou preparar o chá... – Ela beijou-lhe o rosto. – Volto logo. – Ele concordou, e permitiu que ela se levantasse.

Sak não estava nem na metade do caminho quando ouviu o ronco leve do marido. Riu baixo, e tomou muito cuidado antes de sair do quarto.

Ela estava na cozinha, se esforçando muito para ser silenciosa enquanto preparava um reforçado desjejum para o marido, quando ouviu o barulho de cavalo soar fora da mansão.

Graças à Torre, estava desacostumada com aquele tipo de coisa e, portanto, pediu para que Matsuri – que havia acordado há pouco – cuidasse da cozinha enquanto ela – como a sogra havia instruído no dia anterior – iria receber quem quer que fosse.

Estava tirando o avental, seguindo para o hall tranquilamente, quando a imagem do sogro à porta de casa, com o uniforme militar, retirando os sapatos sujos para entrar a paralisou completamente.

Ele demorou um pouco para notá-la, e quando notou, fez questão de lançar-lhe um olhar cheio de desdém.

Fugaku terminou de retirar os sapatos; deixou o casaco de lado e aproximou-se da moça com os braços cruzados e olhos frios que analisavam até a respiração da rosada. – Como espero que isso seja uma piada... – Ele puxou do bolso uma carta, que Sak julgou imediatamente ser o aviso que Sasuke havia mandado sobre seu casamento. – Espero que tenha uma boa explicação para estar a essa hora da manhã em minha casa, senhorita Haruno.

Notas finais
Francamente, eu até gostei desse capítulo. Finalmente as coisas vão começar a andar na história! Com a introdução da Akatsuki na Torre, as coisas, obviamente, vão ficar mais tensas do que nunca, e o casal real vai ter que se desdobrar para que eles se sintam - ao menos aparentemente - bem vindos... E como se não bastasse a agonia de Naruto, Hinata e Kasumi com esses visitantes, ainda temos a volta do nosso querido (ou não tão querido) Fugaku, para complicar a vida da pobre Sak... Ai, ai! Finalmente as coisas estão andando... Estou satisfeita por isso! u.uv ~ Sobre a imagem do capítulo... Quando eu a vi, achei super fofa. *w* e fiquei com muita vontade de colocar em algum capítulo. Acho que nesse fica legal... XD ~ Bem, eu gostei bastante desse negócio de ver como a postagem ficou... Vai poupar muito trabalho aos autores! q Como vou viajar, também curti essa história de programar a postagem! XD Eu vou me esforçar pra escrever tudo de modo que não fiquem sem capítulos na minha ausência! :3 Bee~m... Estou exausta. Sério. Morta de sono, e ainda tenho que terminar o capítulo de 50tonsU. Então acho que fico por aqui! e.e