The King
29 Capítulo XXIX – Recepção.
Notas iniciais

Capítulo XXIX – Recepção.
Nagato pousou a pena sobre a mesa, lançando um suspiro longo e cansado. Ele se ajeitou sobre a cadeira, incomodado por estar na mesma posição há tanto tempo, e começou a ler a carta que acabara de redigir. – Eu pensei que já tivesse dado uma resposta ao rei. – Tobi o surpreendeu, entrando repentinamente na saleta isolada.
O ruivo olhou-o de soslaio. – Sim, respondi ao Naruto há horas... Pedi para que um mensageiro levasse até ele.
– E o que disse na carta? – O Uzumaki deu os ombros.
– Disse que estaria na Torre assim que o sol se posse. Apenas o tempo que eu e meus companheiros levaríamos para arrumar nossos pertences.
– Eu não sabia disso. – Ele sorriu por baixo da máscara. – Então imagino que os outros...
– Yahiko deveria avisar a todos, mas sabemos que seu relacionamento com ele não é dos melhores. – O moreno fez uma careta. – De qualquer forma, agora está avisado. Devia se apressar, eu sei que você tem muita tralha velha. – Tobi não respondeu. E, vendo que não responderia, Nagato preferiu não prosseguir com o assunto; tornou os olhos lilás até a carta e mais uma vez tentou relê-la.
O líder da Akatsuki, surpreendentemente curioso, depois de alguns instantes em silêncio, puxou uma cadeira para sentar-se próximo ao príncipe.
– Então, para quem escreve? – Questionou casualmente.
– São instruções para minha filha. – O Uzumaki explicou.
– Mas não há porque ter tanto cuidado com uma carta endereçada à sua filha. – O Uchiha relaxou na cadeira. Os lábios de Nagato formaram um sorriso leve.
– Eu devo ser cuidadoso, já que Deidara será o instruído a buscá-la. – Obito fez uma careta. – Quero avisá-la a tomar cuidado.
– E você realmente acha que o rapaz não vai violar esse selo?
– Não tenho nem dúvidas de que o fará. – Ele ergueu a carta. – É por isso que codifiquei. – E tornou a ler. – Minha esposa gostava muito dessas coisas, então sempre fazíamos enquanto ela era viva. Ninguém além de mim, ou minha filha, pode decifrar. – O moreno anuiu, desinteressado. – Acha que o garoto cederá uma dama de companhia a ela? Não quero que minha menina passe semanas sozinha dentro de uma carruagem com dois homens.
– Por que não envia Konan? Sua estadia aqui não faz muita diferença, de qualquer forma. – O ruivo estreitou os lábios, desagradado.
– Konan é uma das fundadoras. Este é um passo importante para a organização, eu quero que ela esteja presente. – Tobi suspirou audivelmente. – E de qualquer forma, teremos que achar uma tutora...
– Claro, ela será princesa. – O Uchiha encarou as unhas sujas. – Bem, é sua filha. Tem todo o direito de estar preocupado... Fale com o príncipe. Não acredito que ele tenha motivos para recusar seu pedido. – Nagato anuiu.
– Eu já falei. Pedi isso na carta... Qualquer pai, ou qualquer homem que deseje formar uma família deve compreender que todo o cuidado para com um filho, especialmente uma filha, é importante. – Um silêncio longo, constrangedor, estendeu-se após a observação. – Você já teve família, Tobi? – Lentamente, o mascarado ergueu o rosto.
– Por que a curiosidade? – Sua voz estava desprovida de qualquer emoção. Nagato sorriu, sem humor, e se virou para a mesa antes de falar.
– Eu o vi levando flores a um túmulo, no cemitério... Fui prestar honras aos meus pais, numa madrugada, e o vi. – Os olhos negros cerraram-se. – Devo admitir, sempre imaginei que pertencesse à Konoha. Você sabe demais para um mero mercenário viajante-...
– Isso faz alguma diferença? – O líder o interrompeu. – De onde eu venho, faz alguma diferença? – Nagato negou. – Então não há necessidade de prosseguir o interrogatório. – Ele se levantou. – Mande lembranças à sua filha.
– Quando você vai me contar quem é? – O príncipe perguntou de repente, fazendo-o parar no meio do caminho. – Quando vai tirar essa máscara ridícula, e me dizer quem você é de verdade? – Ele não respondeu. – Nós estamos juntos há anos, Tobi! Desde a morte de Mai... – O ruivo se virou. – Eu sinceramente faço o melhor que posso para acreditar em você, mas... Esconder a sua identidade... – Ele calou-se quando o outro empurrou a porta, que fechou com um estrondo.
– Você quer ver o meu rosto?! – Ele questionou com fúria. – Então veja! – E retirou a máscara.
Nagato perdeu as palavras diante das cicatrizes. – Você quer saber quem eu sou? Eu sou Tobi: sem nome, sem família, sem origem.
– Então pode me dizer quem é Rin Nohara? – Ele enrijeceu. – E por que toda bendita noite foge para visitá-la? – Obito não conseguiu pensar em uma resposta concreta, mas ao perceber que tremia, Nagato soube que “Tobi” definitivamente tinha uma origem. – Lembro-me do senhor Nohara. Meu pai chegou a permitir minha presença em uma de suas reuniões, para que pudesse entender um pouco mais sobre os impostos... Era um bom homem. – Obito revirou os olhos. – Mas não me lembro de ele ter familiares. – Obito avançou contra o rapaz, e rendeu-o contra a parede, apertando o antebraço contra seu pescoço. Mesmo assim, Nagato não recuou. – Deve pensar que sou um completo idiota, por acreditar cegamente em um desconhecido... Mas não sou. Venho te observado, Tobi. Sempre observei. Sei que não deseja a unificação de dois reinos, sei que não se importa se sou ou não, reconhecido como rei. Nunca cheguei a me importar com as circunstâncias, já que de um jeito ou de outro, eu estaria aqui, mas...
– Agora você quer saber. – O Uchiha sorriu ao concluir. – Pois então vossa alteza, eu vou dizer-lhe a verdade: só compactuei com essa ridícula organização porque queria poder para massacrar os malditos conselheiros. Porque tinham potencial para o poder que eu precisava, e sem esse poder, nunca, jamais teria chegado até aqui. – Os olhos lilás estreitaram-se em desconfiança. – Não o direi meu nome, porque sinceramente não faz a mínima diferença. Eu sou Tobi, e isso é tudo o que deve saber. – Soltou-o, seguiu para a porta e pegou a máscara no meio do caminho. – Se preza a segurança da sua princesa, devia parar de fazer perguntas. – Os lábios do príncipe formaram uma linha reta.
– Se você fizer alguma coisa contra ela-...
– Se me matasse, estaria me fazendo um favor. – Ele disse enquanto vestia a máscara. – E não pode me ameaçar, porque tudo o que eu podia chamar de família... – Olhou-o de soslaio. – Eu perdi.
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Shisui Uchiha era comandante da polícia de Konoha – um tipo de divisão militar que tratava exclusivamente de problemas dentro da cidade, com os cidadãos. Ele era o segundo filho do segundo filho, mas ainda era um Uchiha. Tinha poder, dinheiro, aparência e habilidade a seu favor, portanto, era comum que, enquanto adentrasse no hospital religioso, tivesse uma onda de olhares de freiras pretensiosas em sua direção.
Como veterano, tio e melhor amigo de Itachi Uchiha, não parecia assim tão estranho ele vir buscar sua esposa, já que o marido tinha tantas dores de cabeça causadas pelo trabalho.
Quando chegou ao quarto, deparou-se com Kasumi terminando de ajeitar os lençóis da cama em que havia passado os últimos dois dias. – Você não precisa fazer isso, sabe. – Ele comentou após flagrá-la.
A senhora Uchiha virou-se de soslaio, ofereceu-lhe um sorriso encantador que o fez suspirar discretamente e tornou a focar-se em seu serviço. – Você sabe que eu não gosto de ficar parada. – Ela lhe disse. – Ficar deitada o dia inteiro me adoece, e esperar meu marido vai acabar com qualquer boa disposição. – O policial cruzou os braços e encostou-se à parede e observava-a – na verdade, venerava-a – enquanto terminava o serviço.
– Infelizmente, vai ter que se contentar comigo. – Ele contou após vê-la terminar, surpreendendo-a. – Itachi está ocupado. – Ela estreitou as sobrancelhas, confusa. – São muitos problemas, vou contá-la no meio do caminho. – Kasumi anuiu lentamente, e aceitou o braço quando ele o ofereceu.
Após uma conversa não muito longa com a diretora do hospital, eles saíram juntos a caminho de uma das carruagens dos Uchiha; a moça acenou educadamente ao servo conhecido e adentrou com a ajuda do tio do marido, que só a imitou após dar as instruções necessárias ao condutor. – O que está acontecendo na Torre? – A senhora de Itachi quis saber imediatamente, e ele não pôde deixar de sorrir.
– Curiosa como sempre. – Observou enquanto cruzava os braços, mas então deu os ombros. – Deve se lembrar dos homens que viu antes de desmaiar. – Ela anuiu lentamente, um tanto empalidecida, mas ele não pôde perceber. – São a Akatsuki.
– E eu deveria saber quem é a Akatsuki? – Ela riu ao questionar e fez o comandante sorrir.
– Sim, você deveria. É esposa de um conselheiro, afinal de contas. – Os olhos castanhos reviraram. – Mas acho que já deve ter ouvido falar deles, embora não se lembre... Trata-se da organização da vila da Chuva. Aquela, de mercenários. – Pôde perceber o exato instante em que o brilho de compreensão transpareceu nos olhos escuros. – Ao que parece, vão passar um tempo na Torre. – Ela arregalou os olhos. – Não precisa se preocupar... – Shisui tentou tranquilizá-la quando a viu empalidecer. – Itachi não permitirá que ninguém se aproxime de você. – Ele garantiu.
Mas Shisui não podia compreender os verdadeiros motivos pelo desespero descomunal da senhora Uchiha. – Kasumi, você está pálida. – Ele se sentou ao seu lado, repentinamente, e pôs as mãos sobre sua testa. – Devíamos voltar ao hospital...
– Não! – Ela exclamou de repente, quase desesperada. Sua voz soou tão alto que chegou a assustá-lo.
– Eu sei que você não gosta de ficar internada, mas... – Ela cerrou os punhos. Pigarreou – mais para ganhar tempo do que qualquer coisa –, e quanto tornou a fitá-lo, era um retrato malfeito de tranquilidade.
– Eu estou bem. – Mentiu. – Só fiquei um pouco... Surpresa... Afinal, o que levaria sua majestade a uma decisão tão surpreendente? – Ele deu os ombros.
– Devia perguntar ao seu importantíssimo marido, pois eu mesmo não sei de nada. – Kasumi tentou forçar um sorriso, que não deu muito certo. – Você tem certeza de que está bem? – Ela anuiu. – Se está com medo dos mercenários, acho melhor levá-la à mansão Uchiha... – Mas a senhora tornou a negar.
– Eu estou bem. Perfeitamente bem. E, pelo amor de Deus, quando você me viu com medo? – Ele estreitou a boca, mas não pôde discordar. – Só estou um pouco sensível... – E sorriu timidamente, enquanto olhava para a barriga magra. – Itachi já deve ter te contado. – Ele não conseguiu corresponder àquele sorriso, e ficou grato pela felicidade dela ser maior que seu poder de percepção.
Na realidade, Shisui era apaixonado por Kasumi desde que ela havia completado quatorze anos de idade, um ano antes de debutar, mais ou menos na mesma época em que o próprio Itachi começara a amá-la.
Chegara a cogitar propô-la em casamento quando tinha dezesseis. Na época, com vinte e seis anos, fortuna considerável, e histórico militar, não pensava na união como uma possibilidade absurda. Ele a teria pedido – e suspeitava que ela pudesse aceitar, não por amá-lo, mas por ser conveniente o suficiente para a satisfação de ambos – se Itachi não tivesse se demonstrado tão perturbado com a demonstração de interesses de outros pretendentes.
O admirável primogênito do duque Uchiha, repentinamente, começou a demonstrar sinais de fúria e incômodo; começou a frequentar bailes e a discutir com outros rapazes – fossem eles mais velhos, ou mais novos – justamente na época em que sua “irmã de criação” começara a temporada como pretendente. Era muita coincidência.
Shisui foi o primeiro a saber dos sentimentos de seu sobrinho, e por amor, amizade e irmandade – porque Itachi era mais seu irmão do que o próprio Fugaku (que era muito mais velho) jamais havia sido –, desistiu da moça antes mesmo de tentar conquistá-la.
Ele sinceramente não se arrependia por essa decisão. Estava ciente dos sentimentos dela, e dos sentimentos de seu marido. Eles se amavam, e eram felizes, mesmo com as constantes brigas. Mas, embora não se arrependesse de sua desistência, não podia dizer-se feliz por ela. Era um solteirão, afinal. Um solteirão, sem expectativa nenhuma para nenhuma união. E pior que isso, imaginava que nunca seria capaz de esquecer o quente sentimento de carinho, a ânsia de tocá-la, especialmente quando estavam tão próximos... – Shisui? – A voz da antiga senhorita Nohara soou surpresa, quase assustada, e só então ele percebeu que segurava seu rosto.
O homem afastou-se num súbito, e ela pareceu ainda mais confusa. – Eu só queria ver isso. – Ele apontou para as bandagens na cabeça dela. Kasumi pareceu acreditar, pois após fazer uma careta de desagrado, tornou ao assunto.
O interminável assunto sobre a felicidade do novo herdeiro Uchiha.
Felicidade sobre algo que ele jamais poderia congratulá-la com sinceridade.
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Sakura sentia-se literalmente congelada.
Lá estava seu sogro. Seu grosseiro sogro, olhando-a como se fosse um tipo de peste, fazendo-a sentir-se uma intrusa em sua quase-própria-casa – porque a mansão principal dos Uchiha, no final das contas, seria herdada por Itachi, não Sasuke.
Ela desviou os olhos verdes dos gélidos orbes de ônix, fingiu uma crise de tosse e fingiu recompor-se antes de reverenciá-lo com educação. – Eu sou... Sua nora, comandante. – Disse com hesitação. – Há dois dias tornei-me a senhora Sasuke Uchiha. – Anunciou com a voz incerta, e ouviu-o se aproximar lenta e perigosamente.
Sakura estava verdadeiramente apavorada, e controlou um grito quando ele a puxou pelos cabelos. – Que diabo é isso?! – O homem gritou com toda a força de seus pulmões, acabando com todo o cuidado que a pobre nora havia tido por toda a manhã para não acordar os familiares. – Nora?! Ninguém se torna Uchiha sem a minha permissão! Não passa de uma garotinha estrangeira. – Praticamente cuspiu as palavras. – Uma estrangeira que se acha muita coisa, só por ser amante do rei. – Ela sentiu o rosto, e o corpo queimarem.
– Eu não sou amante de ninguém! – Praticamente gritou. – Nunca fui! Só somos amigos! – Mas calou-se quando a mão firme do homem estapeou-lhe o rosto.
– Ninguém grita comigo na minha casa! – Ele berrou. Sakura fungou, estava trêmula e sentia o coração sangrar... Sentia-se humilhada. – Eu não quero saber se casou ou não, pegue suas tralhas e saia da minha casa nesse instante, intrusa! – Ela o teria feito com muito prazer, se naquele exato momento Sasuke e Mikoto não tivessem aparecido; ambos estavam surpresos e assustados.
Não demorou muito para que entendessem o que se passava.
O guarda, quase inconscientemente, lançou-se sobre o pai, afastando-o da esposa, enquanto a matriarca da família se apressava em acudir a nora, que caíra trêmula ao chão. – Por acaso enlouqueceu, Sasuke?! – Fugaku estava furioso. – Casar-se com uma estrangeira?! Casar-se com a quenga do rei?! – Sasuke enrijeceu e seu rosto avermelhou-se; estava tão irritado pela frase do pai, quanto por ouvir Sakura chorar atrás de si.
– Ela não é nada do rei. – Afirmou entre dentes.
– Então é menos que uma quenga! – O duque riu, sem humor. – Uma órfã que a princesa decidiu adotar por pena... – E olhou com desgosto para a chorosa nora, que era envolvida ternamente pelos braços de Mikoto. – Ela não serve para Uchiha. Nem tem o sangue do Fogo correndo em suas veias! – E encarou o filho. – Desfaça essa união imediatamente. – Sasuke estreitou os olhos.
– Eu não vou desfazer nada! – Exclamou irritado. – Ela é minha esposa! – O mais velho gargalhou.
– Sua esposa?! – Debochou. – Eu não me lembro de concordar com essa união.
– Assim como eu não me lembro de permiti-lo tocá-la. – O mais jovem cerrou os punhos; encarava fixamente os olhos idênticos aos seus. – Muito menos, me lembro de permitir machucá-la! – Seus lábios formaram uma linha reta. – Talvez eu devesse revidar em nome dela? – Mikoto levantou-se, e subitamente colocou-se entre o marido e o filho.
– Sasuke, leve sua esposa. – Ela comandou com autoridade, e mesmo que ele tivesse hesitado, obedeceu-a.
O rapaz foi até a esposa, que ainda chorava em tom baixo, desolada e machucada. Puxou-a delicadamente para seus braços; ela encolheu-se em seu peito e foi como se ele estivesse entre a tênue linha entre a tranquilidade e a fúria.
Quis soltá-la, afastar a mãe e espancar o pai, mas sabia que não podia fazê-lo.
Eles estavam na casa dele, afinal de contas. O respeito era essencial. Portanto, assim como a mãe comandara, levou a esposa até seu quarto.
Mikoto e Fugaku passaram longos minutos em silêncio, até que a própria duquesa quebrou: — O que foi que você fez?! – Questionou em tom baixo e revoltoso.
– O que essa garota faz aqui, Mikoto?! – Ele estava em estado de fúria, mas esforçou-se para conter a voz. – Eu estava lutando pelo país, e quando volto, deparo-me com uma intrusa! Uma estrangeira indesejável! Por Deus, é desgastante. Se ela não sair dessa casa hoje mesmo...
– Não faça ameaças. – A Uchiha comandou, e ele se calou. – E não fale com Sasuke como se ele fosse o culpado... Nem com ela! Se existe algum culpado por essa união, é o Hyuuga. – Fugaku estreitou os olhos. – Praticamente os obrigou a se casarem.
– É claro que obrigou. Aquela garota é a vadia do rei, um empecilho para Hinata. – Os olhos negros do Uchiha reviraram. – Mesmo assim, Sasuke deveria ter sido forte... Ele deveria ter recusado e-...
– E arrumar problema com o sogro do rei? – Mikoto riu sem humor. – Não sabia que podia ser tão ingênuo, querido. – Ele não respondeu. – Sasuke não pôde ir contra as instruções. Nem ele, nem essa pobre menina... Então... – Ela apertou os punhos. – Eu o proíbo de fazer mal à garota! – Ela viu a mandíbula do marido enrijecer.
Fugaku segurou o rosto da esposa firmemente, de maneira violenta, e a encarou com ódio quase palpável. – Eu sou o senhor dessa casa. – Murmurou letalmente, mas ela riu. Riu em alto e bom som, como se zombasse dele.
– Não. – Disse firmemente. – Você não é. Embora te frustre muito, Fugaku, você não nasceu filho de Madara Uchiha. Você não é filho do meu pai... Não passa de um sobrinho, um substituto para o meu irmão. – Sem pensar, ele socou-lhe o rosto. Com uma força tão brutal que a fez cair.
Havia sido inconsciente, então ele só pôde perceber a besteira que havia cometido quando os olhos negros da esposa o encararam com desprezo. Ela escondia o local acertado com as mãos, mas o comandante pôde enxergar um filete de sangue escorrendo pelo canto de seus lábios, e se apavorou. – Mikoto! – Agachou-se, tenso, para acudi-la, mas a duquesa recuou.
Ele estava atordoado, então não pôde fazer mais que alisar os cabelos, exasperado, e lamentar-se.
Eles já haviam discutido muito, geralmente por suas opiniões tão inversas, mas o patrono da família jamais ousou levantar a mão contra sua esposa.
Fugaku respeitava, e amava Mikoto demais para fazê-lo. – Desculpe... – Ele pediu sinceramente, antes de tentar se aproximar mais uma vez. – Por favor, me perdoe... – A duquesa desviou-se do olhar tristonho do amado marido, porque não queria dar o braço a torcer. Fugaku alisou o os longos cabelos negros, trêmulo, e continuou a murmurar desculpas infinitas.
Mikoto limpou o sangue de seus lábios com as costas de uma mão, e as lágrimas com as da outra. – Eu não vou deixar você machucar aquela garota. – Ela garantiu. – E muito menos ao meu filho. – Levantou-se, e ele também o fez, ansioso por tocá-la, acariciá-la e ter o seu perdão.
– Eu me zanguei... Imaginei que nosso filho não decidiria algo assim por conta própria, tão rápido... – Ele puxou-a gentilmente pelo rosto, e alisou-lhe a nuca. – Eu pensei que a maldita o tinha chantageado, ou coisa parecida...
– Sasuke jamais cederia a algo assim. – Fugaku concordou.
– Eu sei... Mas ainda assim foi chantageado... – Suspirou longamente, e deslizou os lábios pela ferida, no canto dos lábios da mulher, que ele havia causado. – Me perdoe... – Murmurou com agonia, antes de beijá-lo gentilmente. Mas a duquesa não parecia disposta a dar seu perdão.
Ela se esquivou com um pouco de dificuldade do aperto necessitado do marido. – Eu prometo que não vou mais dirigir a palavra àquela mulher! – Ele garantiu com a voz em agonia, e ficou satisfeito quando a esposa o olhou de canto. – Eu vou falar com Sasuke... E apenas com ele.
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Naruto suspirou longamente após reler, pela quarta vez, a carta resposta do único primo que lhe sobrara da família Uzumaki.
Estava sentado em uma mesa de chá, na companhia da esposa, mas parecia não perceber nada ao seu redor. – Você está bem? – Ela perguntou com hesitação, e pareceu enfim despertá-lo.
O rei ergueu os olhos azuis como se estivesse confuso com o motivo daquela questão. – Não para de suspirar... E também não para de ler isso. – Com a cabeça, ela apontou para a carta. – É alguma notícia ruim? – Ele sorriu, divertido com a expressão constrangida dela.
– Está curiosa? – Tentava conter a ansiedade na voz. Hinata enrubesceu, bebericou do chá e negou com a cabeça.
– Só preocupada. – Mentiu, e ele percebeu que era uma mentira.
– Oh... “Só preocupada”... – Ele olhou para a carta com desdém, e ergueu-a preguiçosamente, exibindo-se por estar lendo-a. – É uma carta muito bem feita... – Ele observou. – E fala sobre assuntos tão importantes... – Suspirou longamente. – Pergunto-me se uma rainha poderia contribuir para a resolução desses problemas... – Hinata estreitou os lábios; levantou-se, esgueirou-se pela mesa e tentou pegar a carta, sem cerimônias.
Naruto riu, mas conseguiu esquivar-se ao se levantar. – Ora! Sua preocupação parece aumentada, majestade! – Zombou. Hina enrubesceu e após dar a volta na mesa, seguiu na direção do marido.
– Pare de brincar comigo! – Ela exigiu, irritada por te que pular – inutilmente – para tentar pegar o papel das mãos do amado. Mas Naruto parecia divertir-se muito à custa de sua rainha, então esticou o braço ainda mais ao alto. – Naruto dê-me isso! – Comandou, e ele riu alto.
– E desde quando você me chama de “Naruto”? – Viu-a enrubescer, mas não gostou quando ela cessou os pulos insistentes. – Você quer? – Ele baixou a carta à altura dela. Hina olhou com hesitação, mas quando foi pegá-la, o jovem tornou a erguer o braço.
Irritada, a rainha cruzou os braços; suas bochechas estavam cheias de ar, e seus lábios formavam um beicinho encantador. – Está terrível essa manhã. – Ela concluiu antes de dar-lhe as costas para tornar à mesa.
Mas ele não queria que ela se fosse, portanto, antes que pudesse se afastar três passos, o rapaz puxou-a pelo antebraço, com força suficiente para fazê-la tropeçar em seus próprios pés e cair sobre seu corpo. Ele a segurou firmemente, e antes que a moça pudesse se esquivar, envolveu-lhe a cintura. – Eu sempre sou terrível... – Observou, e ela não pôde discordar.
Só de estarem tão próximos, Hinata sentia-se atônita. – É uma carta do tal príncipe. – Ele lhe disse.
– Eu imaginei... – Inconsciente, pousou as mãos sobre o peito do amado, e enrubesceu ao perceber que ele fitava seus lábios, não seu rosto. – O- O que ele diz...? – Na realidade, só perguntava por perguntar, mas ele mordeu o lábio inferior, ao ver os seus lábios moverem-se.
– Quer que eu arranje uma dama de companhia para a viagem da filha... Mas eu não conheço muitas damas na cidade, e a que conheço... – Ele alisou seu rosto. – Não estou disposto a abrir mão. – Hinata podia jurar ouvir o som de seu palpitante coração.
– T- Talvez eu devesse ir... – Ele sorriu de canto.
– Não se faça de desentendida. – Os lábios dela formaram um beicinho envergonhado, que ele não resistiu beijar. Um beijo leve, gasto, e rápido de uma maneira quase irritante. – Talvez conheça alguém... – Ela, obviamente, não se sentia capaz de pensar quando tinha o amado tão próximo, especialmente quando ele parecia tão... À vontade, ao seu lado. – Talvez eu devesse enviar a Kurenai...? – Ela negou debilmente.
– Minha tutora não pode viajar sem o bebê... – O lembrou.
– Então, Shizune... – Ela anuiu, mas não estava ouvindo realmente. E ele pareceu perceber isso, pois puxou seu rosto gentilmente, fazendo-a esticar-se na ponta dos pés, e beijou-a com doçura.
Ultimamente, eles vinham fazendo muito isso. E embora a rainha ficasse realmente muito satisfeita com a repentina aproximação do marido, não conseguia deixar as suspeitas de lado. Lamentava-se cada segundo por não ser o suficiente para fazê-lo feliz, por não ser quem o faria feliz.
Estava convicta de que o único motivo de o Uzumaki dar o braço a torcer naquele relacionamento era o casamento de Sasuke e Sakura, e a confirmação dos sentimentos de ambos.
Sakura amava Sasuke, e Sasuke amava Sakura. Não havia espaço para Naruto amá-la, após o casamento... E Hinata estava lá, linda, solitária, cheia de amor para dar.
Sabia que o marido estava ciente de pelo menos parte de seus sentimentos, e embora teimoso, fiel aos seus próprios sentimentos, Naruto não era nenhum idiota. Ele sabia que era impossível, e impensável continuar agindo como agia, com a clara imprudência de mostrar-se apaixonado por outra senão sua esposa.
Ela imaginava que suas ações baseavam-se unicamente no sentimento de solidão causado pelo casamento do melhor amigo com a amada, e pensar nisso era, no mínimo, deprimente.
Mas diferente do que a pobre moça sem a mínima autoestima podia imaginar, as ações de Naruto não estavam nem de longe ligadas à união dos amigos. Embora impulsionadas por elas, não eram influenciadas.
As mãos dele alisaram seu rosto com um carinho que a fez sentir o estômago contrair. Ela adorava beijá-lo. Adorava senti-lo acariciá-la; adorava sentir os corpos tão próximos... Porque assim, ela simplesmente não conseguia pensar em nada desagradável, como os motivos que imaginava levá-lo àquela aproximação.
Eles só se interromperam o beijo quando se mostrou extremamente necessário; afastaram os rostos apenas milímetros, e deliciaram-se com suas respirações mesclando-se. – Talvez você devesse dormir um pouco... – Ela sugeriu. – Só cochilou por alguns instantes... – Mas ele negou, e tornou a beijá-la.
Mentalmente, agradeceu ao avô pelas saídas noturnas que o fizeram criar grande resistência ao sono e cansaço.
Aos poucos, guiou-a até o sofá azulado. Afastou-se apenas pelo tempo de se sentar, puxá-la para seu colo e tornar a beijá-la. Ele alisou seu rosto, mordiscou seus lábios e suspirou diante às carícias dela; deslizou as mãos por seu tronco, extasiado com as curvas bem delineadas da esposa, apalpando lugares que a faziam estremecer.
Mas a sorte do casal real era realmente lamentável.
Naruto mal havia alcançado as amarras do corset quando alguém bateu à porta, fazendo a tímida rainha levantar-se num pulo, vermelha como se tivesse acabado de ser flagrada fazendo errado – embora não fosse nada além do natural.
O rei levantou-se quase instantaneamente, enlaçou sua cintura e abocanhou-lhe os lábios mais uma vez, ignorando completamente os insistentes visitantes. – M- Meu marido...!
– Deixe que batam... – Ele instruiu com a voz baixa, e ela simplesmente quis obedecê-lo. Definitivamente, ignorar as inusitadas visitas era a melhor opção naquele momento.
Ela emaranhou os cabelos loiros com os dedos, puxou-o para mais perto e permitiu-o aprofundar o beijo.
Quando Shino abriu a porta, ele não estava pensando em interromper um raro – na verdade, não mais tão raro assim – momento de afeição entre seus soberanos, só estava preocupado em certificar-se de que estavam mesmo naquele cômodo, mas constrangeu-se imensamente ao flagrar a cena. – Eu fico muito feliz que estejam se dando bem. – Hiashi, que estava atrás do guarda costas da filha, fez questão de se pronunciar, e sua voz assustou tanto à primogênita que ela quase caiu quando se afastou do marido.
– P- Papai! – Exclamou tão envergonhada que Naruto teve que disfarçar uma risada – que ela, a propósito, percebeu. Ao contrário da esposa, o Uzumaki não se sentia nem minimamente constrangido com a presença do sogro. Afinal, aquele velho parecia estar fazendo de tudo para que eles tivessem uma vida amorosa satisfatória aos seus interesses. – O que faz aqui?! – Hiashi suspirou.
– Eu odeio interrompê-los. Sinceramente, de todo o meu coração. – Ele colocou as mãos sobre o peito para um maior efeito, e a ação causou mais uma risada do genro. – Mas ainda que sejam os governantes do país... – Ele cruzou os braços, e seu rosto ficou sério. – Ainda sou seu pai, Hinata, e me preocupo com você. – O casal real se entreolhou, confuso, então o Hyuuga prosseguiu. – Sinto-me obrigado a vir saber da situação, a expressar minha opinião sobre o que está prestes a acontecer aqui. Pelo bem de ambos. – Ele olhou do genro para a filha, e suspirou. – Podem por gentileza me explicar que ideia insana é essa de colocar mercenários hospedados na Torre?!
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A Torre estava um verdadeiro caos, desde que a carta resposta de Nagato havia alcançado as mãos de Naruto.
Todos se preparavam para a chegada da Akatsuki, alguns assustados, outros ansiosos, mas todos muito tensos.
Naturalmente, os Sabaku haviam deixado a Torre na noite passada, logo após serem informados da complicada situação. Suna não mantinha bons relacionamentos com a organização líder da vila da Chuva por muitos motivos, mas Gaara pôde compreender que Naruto não poderia simplesmente mandar aqueles intrusos embora.
Como era de se esperar, os conselheiros estavam, naquele momento, trabalhando feito escravos. Dividiam o escasso tempo até o pôr do sol falando com o rei, conversando entre si, decidindo entre si e comandando a criadagem, a guarda real, a força policial e a força militar.
Apenas poucas pessoas do alto escalão estavam cientes da aparição do príncipe perdido, e assim seria até o pronunciamento oficial. Eles guardariam aquilo da população o máximo possível.
Havia se passado o horário de almoço quando Kasumi e Shisui chegaram à Torre, e mesmo que muita coisa ainda tivesse que ser conversada, Shikamaru não se importou quando o veterano comentou sobre ir ver a esposa.
“Se não for agora, não vai fazer nada direito”, foi o que Shika disse para dispensá-lo, e como era a mais pura verdade, o conselheiro não hesitou antes de ir ao encontro da amada.
Kasumi, como era de se esperar, não estava seguindo as instruções médicas: ela estava em pé, brincando com a filha mais velha em seus braços, sem se importar com o esforço físico.
Itachi fez uma careta ao ver a cena; aproximou-se, puxou Akane das mãos da amada e olhou-a severamente.
A criança começou a chorar no exato instante em que fora separada da mãe, e a esposa Uchiha gargalhou ao ver o esposo tentando acalmá-la. – Ela está com saudades da mamãe. – Kasumi roubou-a de volta. – Deixe-nos em paz. – Itachi a abraçou por trás, ergueu-a e jogou ambas sobre a cama.
– Você deve descansar, senhora Uchiha. – Lembrou-a antes de subir no colchão. Kasumi riu, e recuou com um olhar provocante. Itachi suspirou, pôs-se sobre o corpo da amada, esmagando a filha – que gargalhou divertida – no meio do processo e roubou um beijo amoroso.
– E você deve trabalhar... – Ela alisou o rosto do marido, que sorriu.
– Está me expulsando? – A moça anuiu. – Faz muito mal. – Kasumi riu.
– Eu sei. – Ela se esquivou do marido, levantou-se com a filha e colocou-a no berço. Sentiu os braços de seu amado envolvendo sua cintura, e estremeceu ao senti-lo deslizar o nariz por sua nuca. Ele beijou-a docemente, arrancando-lhe um suspiro longo. – Senti sua falta... E sei que sentiu a minha... – Ela assentiu, virou-se e acariciou as longas madeixas do Uchiha. – Como se sente?
– Melhor... – Roubou-lhe um beijo. – E você? Parece exausto... – Itachi deu os ombros, como se nada pudesse fazer a respeito.
– Tenho que trabalhar. – Foi o que disse. – Temos um grupo de convidados inesperados... É papel dos conselheiros decidir em que aposentos se acomodarão. Procuro o lugar mais distante possível dos aposentos de suas majestades. – Kasumi anuiu lentamente; sentia seu estômago congelar.
– Shisui me falou a respeito... – O conselheiro sorriu.
– Shisui devia morder a língua antes de sair falando. – Sua expressão divertida não coincidia com as palavras duras. – Nós estamos tentando manter segredo pelo máximo de tempo possível... – Aquilo pareceu surpreendê-la.
– Por quê?! – Quis saber. – Isso não faz sentido, uma hora ou outra, as pessoas vão saber. Não seria melhor contar toda a verdade? – O marido estreitou os lábios, pensativo.
– Sim. – Confessou. – Mas ainda há esperanças de que eles não apareçam. – Pela expressão de Kasumi, ela não parecia acreditar naquela possibilidade. – De qualquer forma, isso não tem nada a ver com você. – Puxando-a pelas pernas, ele a segurou em seus braços firmemente. Kasumi enlaçou seu pescoço para se firmar, mas não pareceu incomodada. – Eles vão chegar esta noite, mas a senhora... – Pousou-a sobre a cama cuidadosamente. – Vai estar aqui, deitada, descansando como o belíssimo anjo que é. – Pôs-se sobre ela e roubou-lhe beijos suaves.
– Eu...? Justo eu, esposa do conselheiro... – E ela suspirou, encantada com os carinhos do amado. Itachi alisou seu rosto gentilmente, e beijou-a.
Geralmente, quando queria ganhar uma discussão, Itachi tentava discutir o menos possível, e beijar o máximo possível. Havia descoberto ser a melhor forma de desarmar a insistente esposa.
Mas eles nunca antes estiveram naquela situação. Nunca suas discussões haviam tido relação com o suposto pai de Kasumi, e ela definitivamente não estava disposta a abrir mão da oportunidade de revê-lo. – Eu quero ir... – Ela pediu manhosa. – Quero estar ao seu lado... – Embora não fosse totalmente verdade, não era mentira. – Então, por favor... – Itachi suspirou longamente, e assentiu, dando-se por vencido.
– Só vou me estressar, se insistir. – Ela concordou, sorrindo. Itachi revirou os olhos, beijou-lhe uma última vez e se levantou. – Mas vai ficar pouco tempo, e sentada o tempo inteiro. – Ela anuiu, embora não estivesse disposta a obedecê-lo.
O Uchiha esgueirou-se sobre a cama. Beijou-lhe a testa e murmurou: “eu te amo”, carinhosamente. A senhora Uchiha sinceramente não se sentiu agradada, ao vê-lo se afastar. – Aonde vai? Quero que fique comigo... – Itachi sorriu quando a olhou de soslaio.
– Eu tenho que ir trabalhar. – Lembrou-a. – Só vim dá-la as boas vindas. – Foi até a filha, puxou-a, beijou-lhe a testa e entregou-a a esposa. – Os akatsukis devem aparecer ao pôr do sol. Esteja pronta até lá. – Ela acordou, e eles ficaram mais alguns instantes olhando um para o outro, ambos lamentando-se internamente por terem que se separar. – Vou buscá-la quando a hora chegar. – Ela anuiu. – Até lá... Por favor, descanse.
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Naruto não gostava de Hiashi. Ele achava que o sogro era controlador e intrometido, mas não podia desrespeitá-lo na frente da esposa.
Ele sabia que Hinata amava o pai incondicionalmente, e que tinha um respeito extremo – e desnecessário, aos olhos do rei – pelo líder dos Hyuuga. Ele também estava ciente de que a adorada esposa se magoaria muito, caso o pai fosse destratado, então tentou ser o mais educado possível quando lhe disse: — Com todo o respeito, senhor Hyuuga, você não tem nada a ver com isso. – Sentiu-se incomodado quando o par de pérolas da rainha o fitou, bestificado.
– O que meu marido quis dizer, meu pai. – Ela se apressou em contornar a situação. – Foi que o senhor não deve estar informado sobre a real situação... – Ela ajeitou os cabelos azulados, incomodada. – É um caso delicado. Não aceitamos por aceitar, simplesmente não podemos recusar.
– Querida, eu sei exatamente o que seu marido quis dizer. – O velho sorria para o genro de um jeito insuportavelmente superior. – Só quero lembrá-lo, majestade, que não passa de um garoto. Posso sentir o cheiro de leite daqui... – Naruto estreitou os lábios, irritadiço, mas não o respondeu. – Então aconselho que ouça os mais velhos... – Suspirou. – Isso é insanidade. Eles vão matá-los em um piscar de olhos. – O loiro exalou longamente.
– Ainda não vejo no quê isso lhe diz respeito. – Os olhos claros do mais velho se cerraram.
– É claro que me diz respeito! – Exclamou. – Minhas duas únicas filhas estão vivendo aqui.
– Bem, você praticamente arrastou-as para cá. – O loiro o lembrou, e Hinata sentiu uma imensa vontade de chorar.
Naruto tinha tendência a falar idiotices quando estava irritado, mas embora já estivesse acostumada, isso ainda a incomodava. Especialmente quando as insinuações, mesmo inconscientemente, envolviam o casamento arranjado entre ambos. – A Torre supostamente é o local mais seguro de Konoha. – O Hyuuga comentou casualmente. – É claro, eu jamais pensaria que sua majestade tomaria uma decisão tão imatura e inconsequente. Se estivesse ciente de seu péssimo senso de responsabilidade, prudência e respeito teria preferido ver Hinata casada com o Inuzuka. – Os olhos azuis faiscaram. – Antes uma condessa Inuzuka segura, do que uma rainha Uzumaki em risco. – O loiro fez muito esforço para dar um sorriso provocante ao sogro.
– Tarde demais. – Hiashi lhe retribuiu ao sorriso.
– Tem certeza? Porque posso pensar em algumas maneiras de ter esse casamento cancelado... – Embora Shino não estivesse mais na sala, Hinata sentiu-se estática com a insinuação. Seu rosto perdeu a cor gradualmente, assim como o de Naruto – embora ela fosse pela surpresa do pai conhecer seu segredo, e ele pelo pavor da possibilidade de ter a união anulada.
Hiashi ficou extremamente satisfeito ao ver que a ideia incomodava o Uzumaki. Claro, ele não faria aquilo... Tinha tido muito trabalho para formar um monarca Hyuuga, e jamais abriria mão daquilo se não fosse extremamente necessário. – Cancele esse maldito convite, criança. Será melhor para você, também... Certamente estão pensando em como tirá-lo do trono. – Naruto enrijeceu, mas relaxou no exato instante em que Hinata segurou sua mão.
–... Meu sogro... – Ele começou com hesitação, erguendo os orbes de safira para encarar o sogro. – Realmente, se a situação permitisse... – Ele suspirou longamente. – E sou sincero quando digo isso... – Coçou o rosto. – Se a situação permitisse, definitivamente o ouviria. – Hiashi bufou, exaltado.
– Mas que diabo pode impedi-lo dessa decisão?! É a coisa mais sensata a se fazer! Estou certo de que os akatsukis não esperam tratamento importante.
– Nagato Uzumaki... – O nome pareceu confundir um pouco ao Hyuuga, e Naruto hesitou muito antes de contar. Ele e os conselheiros haviam decidido manter aquilo em segredo pelo máximo de tempo possível, então sinceramente sentiu-se um traidor por estar prestes a dizer. – Nagato Uzumaki é um dos líderes da Akatsuki. – Ele contou ao sogro, que imediatamente entendeu que aquela insanidade, no fim das contas, fazia todo o sentido.
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O sol estava se pondo; os cavalos estavam prontos para a montaria e uma carruagem simples, alugada, estava à espera do condutor.
Deidara ajeitou o manto negro; colocou a mala modesta ao seu lado e subiu no transporte sem dificuldades. Ajeitou as rédeas dos dois cavalos e se acomodou no desconfortável banco. – Eu quero que entregue isso à minha filha. – Nagato se aproximou do rapaz, e entregou-lhe o envelope selado.
O loiro fez uma careta. – Sabe que eu vou ler isso. – Afirmou antes de guardá-la. O príncipe suspirou, sorriu e balançou a cabeça, desacreditado.
– Admiro sua sinceridade. – Ele deu tapas leves no ombro do mais jovem. – Só leve para ela, e traga-a em segurança. – O rapaz deu os ombros.
– Nagato. – Tobi aproximou-se repentinamente; puxava um dos cavalos negros. – Não devemos deixar sua majestade esperando. – O ruivo anuiu, e com a ajuda do mascarado, adentrou a carruagem. – Yahiko e o guiaremos caminho à Torre. – Disse ao loiro. – Vista o capuz até segunda ordem... Temos que avisá-los de sua presença, antes que percebam.
– Tenho o histórico limpo em Konoha... Diferente de algumas pessoas que conheço. – O jovem sorriu-lhe provocantemente, e os olhos negros do chefe cerraram. – Mas não se preocupe, senhor Uchiha. – Ele sussurrou o último nome. – Eu vou seguir suas instruções... Até porque, estou certo de que conhece as regras da casa melhor do que qualquer um aqui. Eu ouvi dizer que seu pai era um duque-... – Calou-se quando Obito o agarrou pelo colarinho.
– Vou contar algo que vai gostar de saber, moleque. – Ele sorriu por baixo da máscara, mas estava extremamente irritado. – O país do Fogo tem o costume de queimar o corpo de pessoas importantes... E, embora seja só um mercenariozinho de merda, posso fazer com que siga essa tradição. E nem precisa estar morto. – Deidara suspirou como se lamentasse as palavras do mais velho.
– Depois dizem que sou eu o maníaco por chamas... – Obito o soltou, montou seu cavalo e afastou-se o mais apressado possível.
Definitivamente, algum dia ele mataria aquele garoto estúpido.
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Hinata estava sentada em frente à penteadeira, com Tenten às suas costas. A serva fazia seu melhor para providenciar um penteado elaborado – afinal, Hina não gostava de ter profissionais decidindo que vestes, ou que tipo de penteados deveria usar. – É verdade o que os servos estão dizendo? – A Mitsashi perguntou incerta, repentinamente. – Que mercenários ficarão por tempo indeterminado na Torre? – Hina a olhou de soslaio, com um rosto sério, e seu silêncio serviu de resposta. – Oh, majestade... Isso é tão assustador! O que o rei tem em mente, se envolvendo com pessoas assim?! – Hinata virou-se para o espelho mais uma vez; puxou uma pena que descansava sobre a penteadeira e alisou-a como se estivesse entediada.
– Não devia falar assim de seu rei, Tenten... Especialmente na frente da rainha. – O rosto da mais velha enrubesceu; ela recuou, e pelo espelho, Hina pôde vê-la se curvar.
– Eu sinto muito, minha rainha. – Mas antes que a Uzumaki pudesse respondê-la, Naruto adentrou ao quarto.
Ele já estava vestido, e sorriu abertamente ao ver a esposa, que se levantou, nervosa, quase instantaneamente. – Eles chegaram? – Questionou ansiosa, mas o rei negou. Ele levou seus olhos até Tenten, que depois de uma menção sugestiva, retirou-se após uma mesura educada.
Quando a porta se fechou, o loiro aproximou-se da esposa; puxou a coroa do suporte almofadado e colocou-a cuidadosamente sobre a cabeça da rainha. Hina sentiu seu rosto queimar, e ele sorriu ao perceber que sua aproximação a afetava. – Você está linda... – Elogiou com sinceridade; alisou o rosto macio e a beijou.
O beijo, no entanto, não perdurou por muito tempo, já Hinata sentiu-se obrigada a afastar o rosto do marido. – Nós devíamos ir... – Ele fez uma careta de desagrado, beijou-a mais uma vez – um beijo rápido e gasto – antes de se afastar efetivamente.
Ele foi até a cama, puxou o manto de pele branca – muito majestoso – e colocou-o sobre os ombros da esposa.
Hinata sentiu-se tremer, quando ele aproximou os lábios de sua orelha. – Se eu tenho que usar aquela coisa vermelha, você vai usar isso. – Ele murmurou divertido, e ela anuiu sem pensar.
Lamentavelmente, para ambos, o senso de obrigação do rei soou internamente, ele afastou-se, ofereceu o braço para a esposa e com um suspiro, repetiu a frase que ela havia dito menos de dois minutos atrás: — Nós devíamos ir.
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Kasumi puxou a taça de vinho das mãos do marido – que só havia se servido na tentativa de manter-se efetivamente desperto – sem cerimônias, e engoliu todo o líquido num gole só. Itachi realmente surpreendeu-se com a aparência ansiosa e insegura da esposa, mas sabia ser impossível questioná-la naquele instante.
O casal Uchiha estava em uma saleta reservada da Torre que abrigava um seletivo grupo de sete pessoas: além deles próprios, também estavam presentes o rei e a rainha, Shikamaru, Kurenai e Shizune – as últimas duas haviam sido chamadas de última hora.
Tsunade, Jiraya e Kakashi seriam os responsáveis em escoltar os indesejáveis convidados, que a propósito estavam atrasados, até o local.
O atraso de uma hora e meia deu a todos uma microscópica esperança – porque afinal de contas, a esperança é a última que morre – de que os mercenários desistiriam. Mas essa se esvaiu quando o comandante militar Hatake adentrou a saleta, anunciando a “ilustre presença da Akatsuki”, e embora todos estivessem visivelmente tensos, nenhum sentimento se comparava à ansiedade de Kasumi Uchiha.
Nagato, Yahiko e Konan foram os primeiros a adentrar ao local, e foram seguidos pelo cabisbaixo mascarado. Todos eles se curvaram em respeito às suas majestades. – Quem é você?! – Hinata exclamou imediatamente, ao ver o estranho.
– Este é Tobi, majestade. – Foi Nagato quem o apresentou. O mencionado passou pelos supostos líderes e curvou-se à rainha uma segunda vez. – É um antigo mercenário, mas não há necessidade de preocupação. Ele nos presta serviços há mais de dez anos. – Kasumi apoiou-se na mesa ao lado, ação que apenas Kakashi, que a observava, pôde notar.
– De onde você vem, Tobi? – Naruto quis saber.
– Só Deus sabe, majestade. – O mascarado afirmou. – Fui um garoto perdido na infância. Um pobre miserável. – Embora fosse uma mentira deslavada, Obito não sentia que era uma mentira. – Cresci como um órfão. – Kakashi foi o único a perceber o amargo lamentar em sua voz, mas ninguém mais teve tempo para tal conclusão, já que a senhora de Itachi, impulsivamente, deu um passo à frente, tomando a atenção de todos. Mas embora estivesse trêmula, enrubescida e ansiosa, seu cérebro não conseguia pensar em nada a dizer.
Os olhos do mascarado estavam presos ao seu rosto, e isso lhe causou um turbilhão de sentimentos. Ela tinha os lábios entreabertos, mas não se sentia capaz de pronunciar uma palavra sequer.
Itachi se apressou em colocar-se ao lado dela, segurou suas mãos carinhosamente e sorriu com certo nervosismo aos convidados. – Esta é minha esposa, Kasumi Uchiha. – Ela não conseguiu fazer mesura.
– Lembro-me dela. – Nagato comentou, e sorriu gentilmente à pálida moça. – Eu espero que esteja melhor senhora. – Ela anuiu debilmente, mas os olhos castanhos estavam fixos à máscara cinzenta. Itachi quis praguejar, mas apenas pigarreou, lançou um olhar de desculpas ao príncipe e apertou a mão da amada.
– Sinto muito por isso, senhores. – Curvou a cabeça. – Kasumi também é órfã, e também não conheceu seus pais. – Uma fagulha de ira brilhou nos orbes castanhos da Uchiha, que encarou o marido com irritação. Estava a ponto de retrucar, a ponto de exclamar: “eu conheci um de meus pais!”, mas calou-se ao ver os severos olhos negros. – Assuntos desse tipo a sensibilizam demais. – Ela baixou a fronte, arrependida, e quanto voltou a erguer o rosto, sorria fracamente.
– Eu sou Kasumi Uchiha. – Curvou-se ao dizer. – É um prazer conhecê-los. – E embora a frase se endereçasse a todos os presentes, Itachi reparou que os olhos dela estavam fixos unicamente àquele mercenário supostamente miserável.
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