The King

25 Capítulo XXV – Pressão


Notas iniciais
Olha só que sacanagem! As não foram publicadas! e.e Nyah doido. u.u Antes de qualquer coisa, obrigada à Yuki Hyuuga, que concedeu à The King mais uma recomendação! sz Obrigada também aos meus pacientes leitores que comentam, mesmo que eu demore para responder! sz ~ Err... Eu não lembro do que tinha escrito quando postei o capítulo, então não vou me prolongar. T-T Só peço que leiam as notas finais para responder algo. x.x ~ Boa leitura! sz~

Capítulo XXV – Pressão.

Uma semana havia se passado desde que Sakura e Sasuke haviam noivado. Uma longa e terrível semana, cheia de problemas pessoais, econômicos e com os cidadãos.

Era a segunda semana de junho, e embora o tempo estivesse estupidamente abafado, a chuva voltava a ser um problema.

Os canais estavam cheios, as plantações estavam morrendo e tanto adultos quanto crianças ficavam doentes. Nada tão sério quanto o inverno, mas ainda assim, como Shikamaru diria: “problemático”.

Embora fosse se julgar que tantos problemas fariam o rei se preocupar mais com a situação de seu país, a verdade era que, mesmo ele tentando fazer das crianças resfriadas sua maior preocupação, ele não conseguia parar de pensar nela.

Não a via desde sua estúpida crise de desconfiança, e isso o estava matando.

Se antes Hinata engolia seu orgulho para perdoá-lo, agora sequer se importava com os comentários que começavam a rondar pela Torre. Ela não fazia mais questão de fingir ser sua esposa; deixava-o cumprir sozinho o papel de rei, enquanto cumpria sozinha o seu papel de rainha.

Itachi já o havia avisado das novas dores de cabeça que a distância poderia trazer: desconfianças por parte de nobres e civis, comentários pela cidade sobre a relação dos governantes e até mesmo especulações sobre os motivos de um casal supostamente tão feliz ter se afastado de maneira tão repentina. E, claro, também tinha a questão do tão esperado herdeiro.

Ao que parecia, todos os ascendentes de Naruto eram férteis o suficiente para engravidar suas rainhas em questão de poucos meses. Ele e Hinata já estavam casados há quase meio ano, e nenhum bebê estava à vista. Claro que isso não era problema para o Uzumaki, mas as coisas poderiam ficar sérias para Hinata. “Se fossem os antigos conselheiros, ela já teria sido deposta”, Itachi havia lhe dito isso mais de uma vez, e ainda que fosse cruel e até desumano de sua parte, Naruto deu graças por aqueles velhos não estarem mais ali. Porque, embora estivesse muito confuso com seus sentimentos em geral, ele tinha certeza de uma coisa: queria que ela continuasse do seu lado.

Mas ela não estava ao seu lado. Na verdade, estava mais distante do que nunca.

Mesmo na noite em que compartilhavam o quarto, fez questão de usar as malditas regras como desculpa. Ele supunha ser impossível – pois ele cria conhecer o bastante de mulheres para saber que nenhuma ficava naquele estado por duas semanas inteiras – e ainda assim, não teve coragem de questioná-la. Ainda que fosse sua esposa, não se sentia nesse direito.

Ainda estava agonizando sobre aquele dia, sobre a lembrança de Hinata fugindo do quarto depois da discussão, com Kiba Inuzuka ao seu encalço. Ele não sabia como, nem se ela havia sido consolada, mas era um fato que desde então, o filho do Conde havia se tornado uma visita constante na Torre.

E ele não interferia.

Como poderia? Hinata nunca havia interferido no tempo em que passava ao lado de Sakura, e ela sabia que ele amava a rosada...

Ou devia amar.

A verdade é que Sakura não passava mais tanto tempo na Torre. Ela e Shizune estavam ocupadas demais com os preparativos do casamento, e Naruto simplesmente... Não se importava. E o fato de não se importar o incomodava imensamente.

É claro, ele sentia falta de Sakura e Sasuke, eles eram seus amigos, afinal. As únicas pessoas com quem ele conseguia se sentir um jovem rapaz de dezesseis anos, e não o rei de uma nação... Mas não era a mesma coisa.

Sentia agonia por estar longe da esposa, e isso não fazia nenhum sentido.

Ou ao menos ele queria que não fizesse. Então, fez questão de colocar em sua cabeça que sentia falta, não de Hinata, mas da rainha. De alguém para dividir seu peso – ainda que ela continuasse cumprindo seus deveres, mesmo que afastada – e compartilhar pensamentos que não poderia fazer com mais ninguém.

Ele adentrou suspirando na sala que atualmente utilizava como sua. Como havia pertencido à Minato, ele se sentia estupidamente confortável ali.

Sentou-se à mesa e encarou os documentos organizados à sua frente. Franziu a testa ao notar quantos eram, e imaginou que Itachi era muito eficiente por organizar tudo em uma noite só.

Ao esfolhear a papelada, pôde perceber que a maioria eram cartas de cidadãos pedindo assistência médica, ou ferramentas para ajudar na proteção das plantações.

Não tinha muito que fazer sobre a assistência médica, porque todos os médicos – com exceção de Sakura e Tsunade – estavam postos na cidade, mas ele resmungou muito por concluir que deveria escrever uma carta à Gaara Sabaku para providenciar as ferramentas citadas nas cartas.

Ele estava considerando pedir para que Itachi ou Shikamaru – que se dava surpreendentemente, e até suspeitamente bem com a irmã do Kazekage – quando alguém abriu repentinamente a porta de seu escritório.

Era Hanabi. Ela estava vermelha, ofegante e tremia.

Assustado, Naruto se levantou. – Minha irmã desmaiou!

~

Era incrível o que uma semana podia fazer.

Mesmo que os Uchihas estivessem sendo o mais discreto possível com os preparativos, todos na Torre já estavam cientes do casamento que seria feito às pressas entre Sasuke e Sakura, e a senhorita Haruno, da noite para o dia, começou a ser tratada como uma nova senhora Uchiha por todos, exceto por duas pessoas que realmente importavam: Mikoto e Kasumi Uchiha.

Itachi parecia surpreendentemente satisfeito com aquela união, mas o mesmo não podia se dizer das senhoras Uchihas. Dadas às circunstâncias que os levaram àquilo, a rosada até podia entender a revolta da futura sogra e cunhada, mas era incômodo. Ainda assim, ela não havia contado nada disso para Sasuke.

Seu futuro marido estava ocupado demais, com o trabalho, os preparativos do casamento e os preparativos para a chegada da nova senhora Uchiha na mansão, então eles não ficavam muito juntos, e nessas raras ocasiões, ela preferia aproveitar sua companhia. – Mas você devia contar. – Shizune insistiu. Ela sempre insistia. – A meu ver, Sasuke não está se casando por obrigação. Se você dissesse que está sendo maltratada por àquelas mulheres horríveis, ele pode tomar alguma providência. – Sak franziu as sobrancelhas.

Ela não achava que Kasumi e Mikoto Uchiha podiam ser consideradas “mulheres horríveis”. Desde que Itachi havia se mudado à Torre, ela teve oportunidades suficientes para observar sua esposa e concluir que ela não fazia o tipo “dama da sociedade preconceituosa”, e como sabia que a cunhada havia sido criada pela sogra, imaginou que Mikoto tivesse os mesmos princípios. – Elas são amigas da rainha, não acho que sejam más pessoas. – A rosada observou com um sorriso tímido. – Só precisam me conhecer. – Shizune fez uma careta.

– Eu conheço bem os Uchiha. Eles não dão ponto sem nó. – Sakura não pôde deixar de notar o rancor com que a tutora se referia aos Uchiha, e estava a ponto de questioná-la, quando a mulher prosseguiu: — Mas devo admitir que nem Mikoto, nem o irmão nunca foram parecidos com o resto da família.

– A duquesa tem um irmão? – A Haruno havia questionado inocentemente, mas ainda assim, o peito da morena latejou de dor.

Shizune se levantou num pulo, derrubando uma trouxa de vestidos novos que estava ajudando a tutelada ajeitar na bagagem. Estava tão pálida que Sak pensou que ela fosse desmaiar. A mais jovem levantou-se, surpresa, e se aproximou cautelosamente; segurou o antebraço da mulher e ajudou-a a sentar-se. – Você está bem?! Eu disse algo errado?! – A morena balançou a cabeça freneticamente, negando, e nesse mesmo instante, alguém bateu à porta.

Sakura apenas gritou “entre”, e enrubesceu ao ver o noivo fazê-lo. Para sua sorte, o rapaz não parecia muito interessado no enxoval espalhado pelo quarto, mas antes que ela pudesse se magoar com esse fato, ele disse: — Eu preciso de uma de vocês no quarto da rainha. Agora.

~

Hinata.

Hinata.

Hinata, Hinata, Hinata.

Enquanto corria pelos longos – longos até demais, em sua opinião – corredores da Torre, empurrando gente para lá e para cá, gritando para que lhe abrissem caminho, Naruto não conseguia parar de pensar nela.

Suas expressões, seus olhares, seus sorrisos e principalmente, suas lágrimas.

Ele não havia esperado explicações de Hanabi. Bastou ela dizer que a irmã estava desacordada para que algo estalasse no peito do cunhado, e ele simplesmente correu na direção dela, da sua esposa, da sua rainha, de Hinata.

Shino estava na porta, de guarda como sempre. Bastou enxergar o rei, a pressa e a fúria com que ele se movia, para abrir a porta antes que a alcançasse.

Naruto adentrou no quarto às pressas, mas paralisou.

Hinata estava deitada, pálida, com o filho do conde ao seu lado, segurando sua mão de maneira preocupada, a esposa de Itachi do outro, ajeitando a cabeleira azulada e a criada, Tenten, ajeitando os cobertores sobre ela.

Ele se sentiu furioso. Juntos ali, preocupados com a moça, eles mais pareciam uma família retratada de um drama. E porque diabo aquele invasor estava no lugar que devia ser seu?! Ao lado da sua esposa?!

Mas não conseguiu se mover. Se isso se dava à raiva ou à surpresa, ele não sabia dizer. Sentia que seria ele o invasor, caso se aproximasse.

Todos só puderam percebê-lo quando Shino, pigarreando, o anunciou. Tanto Tenten quanto a senhora Itachi Uchiha levantaram-se para fazer mesura, mas Kiba só pôde olhá-lo com ódio; Naruto soube imediatamente que ele o considerava culpado de todas as desgraças de Hinata, e ao pensar nisso, lembrando-se de todas as discussões em que fez a esposa chorar, ele concluiu que realmente devia ser.

Preocupado com o bem estar do amigo de longa data, Shino se aproximou e puxou-o pelo antebraço, obrigando-o a se afastar da rainha, e depois de suspirar profundamente, o filho do conde curvou-se ao rei.

Naruto percebeu que ele estava se esforçando muito para ser cortês. Provavelmente temia ser taxado para fora do lugar. Devia querer ficar ao lado de Hinata... Ao lado da pessoa que amava.

O rei incomodou-se com esse pensamento, e balançou a cabeça como se pudesse afastá-lo. – O que aconteceu com minha esposa? – Ele perguntou a qualquer um que pudesse responder, mas não gostou quando Kiba o fez.

– Ela não come corretamente há semanas, majestade. – O rapaz lhe disse entre dentes. – Eu vim visitá-la, vi que estava indisposta e aconselhei-a se retirar para o dormitório, mas a rainha desmaiou antes de fazê-lo. – O rei assentiu lentamente, mas antes que pudesse fazer mais perguntas, Sasuke adentrou no quarto com a noiva às pressas.

O senhor Inuzuka bufou. Aquilo era demais! – Não seria melhor chamar a Shizune? – Ele tentou conter a voz, mas estava visivelmente insatisfeito. Sakura surpreendeu-se com a hostilidade, e Sasuke também não pareceu gostar.

Ele estreitou as sobrancelhas e aproximou-se de maneira ameaçadora. – O que você quer dizer? – Questionou letal e lentamente, e o Inuzuka se incomodou.

– Escute, eu não tenho nada contra sua noiva... – Ele confessou com a voz calma, lançando um olhar de desculpas na direção da moça. – Mas vê-la no mesmo ambiente do rei... Pode deixar a Hina... – Ele não conseguiu terminar; Sasuke franziu os lábios e Kasumi paralisou.

Finalmente tudo fazia sentido.

O desgosto de Mikoto pela senhorita Haruno, o fato de Hiashi propor algo de maneira tão arrogante aos Uchiha como um casamento entre Sasuke e uma estrangeira de família desconhecida, a falta de fome e fragilidade de Hinata... Na pior das hipóteses, Sakura e Naruto estavam tendo um caso! Um maldito caso bem nas fuças da rainha e de todo o reino!

A senhora Uchiha apertou os punhos e lançou um olhar tristonho para a adorada amiga. Kasumi havia crescido sem família propriamente dita, então era natural que se apegasse aos amigos íntimos como sua própria família, e assim como Sasuke, considerava Hina uma adorada irmã.

Naruto suspirou longamente.

Definitivamente Kiba estava certo.

Pensou que se Hinata estava mesmo magoada por sua relação com a senhorita Haruno, vê-los juntos definitivamente não poderia fazer bem à sua saúde, então um deles teria que sair. Mas Hinata não precisava dele, um marido ingrato e cabeça oca.

Não. Naquele momento, a Haruno era a escolha correta. Ela precisava ficar ali, precisava cuidar da rainha. Então, sua majestade fez o que qualquer pessoa sensível e sem nenhuma sensatez faria: caminhou até Sasuke, tocou seu ombro, murmurou: — Por favor, traga-me notícias. – E se retirou.

Mas quando se viu sozinho no corredor, percebeu-se surpreendentemente magoado com aquele desfecho. Quando Hanabi lhe disse que Hinata estava desacordada, ele sinceramente sentiu desespero, mas em algum lugar de sua cabeça, imaginou que, quando acordada, ele teria coragem de pedir perdão, e eles voltariam a ser o que sempre foram... Mas ele não poderia ficar lá, feito um hipócrita, como se não soubesse que era o culpado pelo sofrimento da moça.

Kiba não havia verbalizado suas acusações em nenhum momento, mas o seu olhar bastava para que Naruto soubesse que ele o culpava.

Além disso, imaginava que se o filho do conde sabia de seus supostos sentimentos pela senhorita Haruno – e ele devia saber, porque de nenhuma outra forma algum homem sensato ofenderia a noiva de Sasuke Uchiha em sua presença – só podia ter percebido de duas maneiras: ou ele prestava muita atenção em Hinata, ou a própria havia lhe dito. E, qualquer que fosse a resposta, estava claro que o Inuzuka merecia estar ali, e que sua presença faria bem a adoentada...

E saber disso foi terrível.

– Vamos tomar algo. – A voz de Itachi surpreendeu-o, mas não a ponto de ele erguer a cabeça. O rei assentiu lentamente, e deixou-se ser guiado pelo seu conselheiro mais confiável.

~

Quando Hinata abriu os olhos, quarenta minutos depois de seu desmaio, ficou surpresa por tantas pessoas caberem em seu quarto – ainda que ele fosse muito grande.

Ela tentou se sentar, mas foi impedida pela doutora Haruno, que a segurou pelos ombros e tornou a deitá-la. – Precisa descansar majestade. – Ela lhe disse gentilmente, com um sorriso terno. Isso fez com que a rainha lembrasse que o ressentimento que sentia pela senhorita Haruno não devia ser recíproco, e como Hina sem dúvidas tinha um bom coração, se entristeceu com esse fato.

Mesmo que não entendesse bem a situação, obedeceu à instrução da rosada, deitou-se. – Como se sente? – Kiba e Hanabi aproximaram-se ansiosos de seu leito, e ela simplesmente deu os ombros.

– Um pouco atordoada. – Confessou. – O que aconteceu?

– Você desmaiou! – Foi Kasumi quem respondeu, com o tom irritadiço; Hinata a viu encostando-se a um mastro do dossel, com os braços cruzados e cara fechada. – Eu lhe disse dez mil vezes para se alimentar bem! Por Deus, Hinata! Sabemos que você não é a criatura mais sadia do mundo! – Hina sorriu discretamente; mordeu a língua para não respondê-la (porque afinal de contas, era Kasumi, e não ela, que costumava ser reconhecida por sua saúde frágil), e assentiu.

– Não sorria desse jeito. – Sasuke murmurou; os lábios estavam contraídos de frustração. – Tem noção do quanto nos assustou?! Sua pequena inconsequente!

– Sasuke-kun! – A voz de Sakura foi de reprovação, mas Hina viu que ela tinha um sorriso leve posto nos lábios, provavelmente porque entendia os sentimentos do noivo. Ela ficou alguns segundos observando-os, e odiou-se por sentir inveja. Sak levou os orbes verdes aos da rainha, que enrubesceu momentaneamente, constrangida com o contato visual repentino da rival. – Mas ele tem razão. – Ela lhe falou calmamente antes de se aproximar. – Graças à sua má alimentação, está desse jeito, sem forças. E agora passará o dia inteiro enfurnada nessa cama. – Hinata suspirou profundamente.

– Eu sinto muito por preocupá-los às vésperas de seu casamento... – Lamentou sinceramente, olhando de Sasuke para Sakura, mas o casal não pareceu se importar.

– Esquecendo isso... – Kasumi se meteu do lado da futura cunhada e puxou a mão esquerda de sua majestade; os olhos castanhos escuros queimavam de preocupação. – Querida, você sabe que a amo. – A mais jovem corou. – Sabe que faz parte da minha família, e que eu faria de tudo para que fosse feliz... – Hina concordou lentamente, constrangida. – Então me diga: por que fez isso? – E foi como se despertasse.

Independente dos avisos de Kasumi e Sakura, ela se sentou; vasculhou o quarto com os grandes orbes de pérola, como se procurasse algo desesperadamente, e perdeu o ar ao notar: todos estavam ali.

Kasumi, Sasuke, Hanabi, Shino, Sakura e até mesmo Kiba!

Todos, exceto ele. -... Onde ele está? – Ela se ouviu perguntar com a voz trêmula, mas não estava pensando realmente.

Kiba baixou a cabeça, Kasumi estreitou os olhos e o futuro casal Uchiha se entreolhou. – E- Ele deve estar trabalhando! – Hanabi respondeu apressada, um pouco nervosa. – Mas estava aqui há pouco, irmã! Estava aqui! – Garantiu, mas a mais velha não conseguiu acreditar.

Só percebeu que estava chorando quando a esposa de Itachi secou-lhe as lágrimas com a mão, com o carinho de uma cuidadosa irmã. Hinata então sorriu vaziamente. – Ele nem se importa em ver a esposa desmaiada... – Era como se seu peito fosse explodir, mas ao invés de gritar, ela se permitiu chorar.

Hinata tinha o carinho de cada um ali presente, e foi realmente tocante vê-la se desmanchando.

Hanabi tomou o lado oposto de Kasumi; ela se ajeitou na cama, ao lado da irmã, ignorando toda a educação que lhe fora ensinada por quatorze anos ao fazê-lo sem tirar os sapatos – pois ela simplesmente não conseguia se importar com isso – e abraçou a mais velha com um cuidado extremo, como se tivesse medo que ela quebrasse.

A senhora Uchiha continuou em seu lugar, alisando as madeixas azuladas sem dizer sequer uma palavra. – Eu devo avisá-lo. – Sasuke tentou ser discreto ao murmurar à Sakura, mas falhou.

– Não! – Hinata exclamou, alto demais. – Se você fizer isso, ele vai se sentir obrigado a vir! – E, embora quisesse muito vê-lo, saber que só o fazia por obrigação acabaria com a última gota de seu orgulho.

– N- Não entenda mal! – Sakura gaguejou envergonhada, e se aproximou da cama com os olhos verdes ansiosos. – Naruto estava realmente preocupado. Ele deve ter problemas para sair desse jeito... Ou então imaginou que você se aborreceria ao encontrá-lo. – Tentou justificá-lo, mas ao invés de acalmá-la, aquilo serviu para fazer com que a rainha sentisse ainda mais dor.

O choro de Hinata tornou-se mais alto, mas ela pareceu mais consciente, pois ergueu os olhos perolados e gritou: — Ele não está aqui porque não se importa! Porque não pode me amar! – Chocando a todos no local.

Sasuke levou um segundo para digerir as palavras da rainha, e praguejou quando conseguiu. – Kiba, Shino! – Ele exclamou rude, e sem esperar, os ditos se retiraram – na realidade, Kiba foi arrastado por Shino -, fechando a porta.

O Uchiha aproximou-se com uma postura rígida, e Kasumi soube o que vinha a seguir, portanto, pôs-se à frente da rainha de maneira protetora. – Ela está sensível, Sasuke... – Tentou ponderar, mas o rapaz estreitou as sobrancelhas, empurrou a cunhada e puxou a rainha, que estava encolhida em posição de feto, pelo antebraço, fazendo-a se sentar efetivamente.

Hinata ainda chorava, mas ele não se comoveu – ou ao menos pareceu não se comover – quando demonstrou sua desaprovação. – Você não é mais uma garotinha, Hinata. – Disse seriamente. – É a rainha de um país, a esposa de um rei. – Ela se encolheu na cama; tentou, mas parecia impossível se conter. – Amor? Isso não tem relação com amor. Você sabe disso, foi criada sabendo disso. – Falou-lhe duramente, e ela assentiu.

Kasumi apertou os punhos; estava a ponto de pular no pescoço do cunhado e tirá-lo dali a força, mas sabia que Sasuke estava tão irritado quanto ela e, portanto, não teria chances. – Isso é um acordo bom para ambos os lados. – Ele prosseguiu. – Mas ainda que seja um contrato, ainda que ele realmente não possa te amar, você, como a rainha, como a esposa do rei, a mãe da nação, deve respeitá-lo! E não está fazendo isso gritando aos sete ventos que ele não pode amá-la! Gritando, na frente de um homem que sabe que daria a vida por você, que está infeliz! – O choro tornou-se mais alto, porque ele tinha razão.

Ela estava sendo imatura, egoísta, estúpida e carente, mas não conseguia evitar. – O que eu faço Sasuke?! O que eu faço?! Eu me casei sabendo de tudo isso, eu me casei sem esperar nada, mas eu não posso mais ficar assim! É torturante! Eu não aguento fingir indiferença, porque não sou indiferente! Eu quero que ele me ame, e isso está acabando comigo! – Os lábios do Uchiha se estreitaram, e Sakura pôde perceber que ele estava odiando pressioná-la.

Ela se surpreendeu quando os olhos perolados da rainha ergueram-se em sua direção, angustiados. – O que eu faço para ele me amar?! – Questionou desesperada. Era como se sua vida dependesse daquilo, e a intensidade daquele olhar, daquelas palavras fez Sak cambalear.

– Já chega! – Kasumi exclamou furiosa. Puxou o cunhado pelo colarinho e a futura cunhada pelo antebraço. – Vossa majestade tem que descansar. Hanabi, você toma conta dela. Nós só a estamos estressando, então vamos sair daqui. – E sem esperar resposta, ela os tirou de lá.

Depois daquilo, cômodos distantes do quarto de sua majestade, a senhora de Itachi fez questão de confrontar o futuro novo casal Uchiha para saber o que diabo estava acontecendo.

Sasuke e Sakura negaram muito, mas no fim das contas, depois de muito insistir, ela conseguiu arrancar de rapaz. – Ele diz estar apaixonado por Sakura. – Sasuke confessou depois de muita insistência, revoltando a noiva. – Eu sei o que está pensando, mas estou certo de que os sentimentos não são retribuídos, sei que a afeição da minha noiva pertence a mim. – O rosto da Haruno enrubesceu, mas ela não negou. – É verdade que Hiashi deve ter idealizado esse casamento por suspeitar dos sentimentos do rei... Mas acredito que ele deve ter reparado a nossa... – Ele estreitou a sobrancelha para pensar no termo. – Relação... E se aproveitou dos nossos sentimentos para tirá-la de cena. – Sakura estava muito feliz com a palavra “nossos” para ouvir, ou entender o resto da frase.

Kasumi estava muito aliviada por perceber que a hipótese do caso extraconjugal de sua majestade tornar-se nula, mas ainda estava muito irritada com toda a situação. – E ela já contou a ele esses sentimentos? – Quis saber.

Sak sentiu frio no estômago por ser confrontada com dois pares de olhos de águia dos Uchiha. – I- Isso é ridículo! – Ela gaguejou nervosa. – Ele não está apaixonado por mim! E, se estiver, esse assunto será doloroso. O melhor é que ele perceba que esse sentimento não o levará a nada e esqueça com o tempo... – Mas nenhum dos outros dois pareceu satisfeito. Sakura estreitou os olhos. – Ele é meu melhor amigo! Meu irmão! E ele sabe que não o amo. – Ela apertou a saia do vestido, baixou os olhos e encarou o chão. – Eu não vou dizer isso em voz alta. Não vou machucá-lo. – E ergueu novamente os orbes verdes, olhando de Sasuke para Kasumi. – Vocês podem se preocupar mais com a rainha do que com ele, mas eu me importo mais com os sentimentos do Naruto! E decididamente não vou magoá-lo! – Os Uchiha não lhe responderam. Apenas continuaram a olhá-la como se fosse um ser inferior, e aquilo a incomodou profundamente.

Ela fez uma mesura rápida e desajeitada antes de se retirar.

~

Itachi Uchiha era diferente de todas as pessoas que Naruto havia conhecido na vida. Ele não era como Sasuke, não o fazia se sentir confortável, não o fazia lembrar-se que era apenas um jovem rapaz de dezesseis anos... Itachi, na realidade, o fazia se sentir inferior. Não no sentido ruim; era mais como se o Uchiha fosse uma aspiração seguir.

O filho mais velho de Fugaku era um homem decidido, prudente e capaz: tudo o que Naruto deveria ser, mas era oposto.

Mas ainda que Itachi ameaçasse sua autoestima, ele realmente o prezava: sua companhia, sua conversa, seus conselhos... Definitivamente torná-lo conselheiro foi a melhor coisa que havia feito desde que se tornara rei... Talvez com a exceção de tonar Hinata a rainha.

Ele suspirou longamente ao se lembrar dela.

Era incrível como toda linha de pensamento que tentava tomar, de um jeito ou de outro acabasse relacionado a ela. – Agora que o álcool já deve estar penetrando o seu sangue... O que acha de desabafar? – O conselheiro lhe sugeriu com um sorriso tranquilo que Naruto sentiu-se obrigado a retribuir.

– Eu não entendo mais nada... – Confessou-lhe entre um suspiro.

– Quando diz “nada”, a que se refere? – O rapaz deu os ombros.

– Meus sentimentos. – O Uchiha se ajeitou na cadeira, e depois de longos minutos de silêncio, questionou cautelosamente:

– É sobre Hinata? – Naruto estreitou as sobrancelhas como se aquela fosse a pergunta mais óbvia do mundo. Em sua mente, era óbvio ser relacionado à Hinata, já que tudo na sua cabeça era relacionado a ela. – Discussões são muito comuns entre casais, não pense muito nisso. E, se não conseguir parar de pensar, simplesmente vá até ela e diga o que sente.

–... Não é tão simples. – O loiro suspirou longamente, e ergueu os olhos azuis; estava tenso. – Você não precisa fingir que não ouviu nada naquele dia, Itachi... – O outro não disse nada, então ele prosseguiu: — Desde os treze anos, eu sou completamente apaixonado por sua futura cunhada... Hinata sabe disso. Quando Sasuke e Sakura ficaram noivos, eu a confrontei para saber se ela tinha dito ao pai dela, mas...

– Hinata jamais faria isso. – Naruto assentiu.

– Percebo isso agora, mas... Naquele momento... Foi mais forte do que eu. – Confessou envergonhado. – Quando ela começou a negar, fiquei fora de mim... – Ele mordeu o lábio inferior. – Hinata faz isso: tira-me de mim! – Apertou os punhos e odiou-se ao se lembrar da última discussão com a esposa.

– Deixe-me ver se eu entendi... Você está apaixonado por Sakura... – O loiro assentiu. -... Mas está mais preocupado com os sentimentos de Hinata? – O corpo do rapaz paralisou. – Isso não faz nenhum sentido. – Um sorriso brincava nos lábios do mais velho.

–... Não, não faz... É por isso que estou confuso... – Itachi enfim sorriu um sorriso bondoso, que parecia expurgar tranquilidade. Naruto e Sasuke podiam ser muito diferentes em diversos aspectos, mas ambos eram surpreendentemente lentos em questões sentimentais.

– Com todo o respeito, majestade... Se parasse de se fingir de idiota, se decidisse sair da zona de conforto, certamente perceberia... – Os olhos azuis se ergueram, e fitaram os negros. – Perceberia que não está apaixonado pela senhorita Haruno. – Mas Naruto não teve oportunidade de responder, já que naquele mesmo instante, a porta se abriu repentinamente.

~

Kasumi estava furiosa, com tudo e todos.

Com Hinata, por ter-se deixado adoecer; com Sasuke, por ter sido cruel com Hinata; com Sakura, por ser estúpida e imatura e estava especialmente furiosa com o rei, que havia desencadeado tudo aquilo. Tão furiosa que se sentia capaz de espancar sua majestade, caso o visse, ainda que isso certamente lhe custasse sua cabeça.

Todo aquele ódio não podia ser bom, especialmente quando ela e o marido estavam tentando ter outro bebê – fato que foi decidido logo após sua noite de reconciliação – então ela seguiu para o único lugar que podia voltar a si naquele momento: o escritório de Itachi. Tinha o intuito de sanar toda a raiva desnecessária da maneira mais carnal e insana que pudesse existir, mas assim que entrou no lugar, viu-se face a face com o atual objeto de sua fúria incessante: sua majestade.

Sem se controlar – ou tentar fazê-lo – ela se aproximou em largos e furiosos passos; puxou-o pelo colarinho, surpreendendo aos dois, e obrigando-o a se levantar. – Há dez anos, quando nos conhecemos, eu lhe disse que era uma criança mimada e irritante. – Ele estava tão surpreso que não conseguia reagir. – Hoje é o rei de uma nação, mas ao invés de um homem feito, você se mostra como o mesmo garotinho mimado e egoísta! – Naruto não conseguia pensar em nada a dizer além de “eu não fiz nada”, mas essa seria uma resposta imatura, que só daria à senhora Uchiha mais o que falar. – Como você pôde tratá-la assim?! – E então ele compreendeu.

Ela estava falando de Hinata.

Kasumi era uma mulher inteligente – ele não esperava menos da esposa de alguém como Itachi -, então era natural que concluísse ao menos parte da situação. E ela também cuidava de Hinata como uma irmã, o que lhe dava todo o direito de confrontá-lo – não como rei, mas como o marido de uma amiga querida.

O loiro estreitou os lábios, mas não fez menção de respondê-la.

Não havia respostas para o nível de sua idiotice. – Sua própria esposa... Sua companheira... Está definhando por sua negligência! E você nem mesmo tem a decência de ficar ao lado dela?! – Ele estreitou os olhos.

– Ela precisa descansar... O melhor foi me retirar... – Tentou se retratar, mas pareceu só servir para irritá-la ainda mais.

Nenhum deles notou, ou se importou com as tentativas de Itachi para amenizar a situação. Kasumi continuou ainda mais contrariada: — Só está sendo covarde! – Ela acusou-o. – A garota está desolada, por sua culpa! Mas ao invés de tomar qualquer iniciativa para contornar a situação, você foge! – Ele queria mandá-la se calar. – Tem ideia do mal que faz a ela?! – Não queria ofendê-la, então precisava fazê-la se calar. – Eu poderia espancá-lo agora!

– Então faça! – Ele praticamente gritou, erguendo os olhos azuis frustrados na direção da senhora Uchiha. – Me espanque! Eu sei que mereço isso. Acha que eu gosto de machucá-la? Acha que me agrada vê-la naquela cama?! Acha que eu fico feliz em me afastar, quando o Inuzuka está lá – ele apontou as mãos na direção da porta. – feito um urubu, esperando o momento certo para fazê-la me trair?! – E foi calado por um soco estupidamente forte desferido pela esposa de Itachi.

– Kasumi! – O conselheiro exclamou surpreso e chocado, mas ela não se contentou com apenas um: empurrou o jovem contra a parede, com uma força surpreendente, e começou a literalmente espancá-lo com socos e chutes tão violentos que certamente causariam hematomas em sua majestade.

Itachi teve muita dificuldade em agarrá-la pela cintura, erguê-la e afastá-la de sua vítima; Naruto tinha sangramentos no canto dos lábios e no nariz, mas ela ainda não estava satisfeita. Infelizmente, o marido era forte o suficiente para interromper ataque de raiva. Ele devia estar palestrando um belo sermão, mas Kasumi simplesmente não conseguia ouvi-lo; apenas continuou encarando o rei desafiadoramente, como se estivesse pronta para atacá-lo a qualquer momento, e quando ele também a fitou, não segurou a língua: — Isso não é o suficiente! – Ela exclamou possessa. – O seu sangue egoísta não serve de pagamento pelas lágrimas daquela garota! – Ele estreitou os olhos; limpou o sangue no rosto e saiu da saleta antes que pudesse fazer alguma besteira.

E mesmo que Kasumi soubesse que teria problemas com Itachi por aquele pequeno deslize, não se arrependeu do que fez nem por um segundo.

~

Sakura não gostava de pensar em si mesma como uma má pessoa, mas desde que deixara o quarto de Hinata, não conseguia parar de se sentir assim. Desde a discussão com os Uchiha, não parou de pensar que, talvez, ela estivesse sendo muito egoísta.

Ela sempre soube dos sentimentos de Naruto, e também sempre soube dos seus sentimentos. Via-o como um irmão, portanto aquele amor platônico nunca, jamais se concretizaria se dependesse da Haruno.

Ainda assim, ela nunca o afastou. Nunca teve coragem de dizer seus sentimentos, porque o rapaz era uma das poucas pessoas com quem ela sempre podia contar... Era como uma família.

Ela nunca o encorajou – seria covardia fazer algo assim – mas também nunca o desencorajou; temia que ele se afastasse e, assim, ela voltasse a ficar sozinha... Mas Sak não precisava mais temer. Estava certa de que o amigo não lhe tinha mais sentimentos, e continuar em silêncio só machucaria Hinata... E decepcionaria Sasuke. E ela definitivamente não queria que isso acontecesse.

Ela respirou fundo, levantou-se e saiu à procura de sua majestade.

~

Sasuke adentrou no escritório de Naruto assim que obteve a permissão.

Por um segundo, paralisou ao ver o estado do amigo, e no segundo seguinte, desatou a gargalhar. – Você está péssimo! – Exclamou o óbvio. Naruto estreitou as sobrancelhas, visivelmente desagradado, e fingiu voltar ao trabalho.

O Uchiha se aproximou; Naruto pôde notar a diversão explícita nos olhos negros, e comprimiu os lábios. Odiava ser motivo de piada. – Ela é terrível, não é? A Kasumi. – Os olhos azuis arregalaram-se, e encararam os do amigo, surpresos. – Já apanhei muito da Kasumi, reconheço as marcas que ela deixa. – Explicou-se com um meio sorriso. – Não acha que minha cunhada é surpreendentemente forte?

Naruto anuiu, fazendo uma careta. – Meu rosto que o diga. – Sasuke riu. – Como a Hinata está? – O guarda estreitou as sobrancelhas; parecia procurar as palavras corretas, e Naruto levantou-se, pronto para correr debilmente pela segunda vez na direção dos aposentos da rainha.

– Ela está bem, ela está bem! – Exclamou para acalmá-lo. – Só está um pouco... – Ele estreitou as sobrancelhas mais uma vez. – Sensível. E Sakura disse que ela precisa descansar... – O loiro assentiu, e de repente o clima ficou estranho.

Eles não tinham conversado muito naquela última semana, mas quando o faziam, sempre evitavam mencionar Sakura, por motivos óbvios. -... Vocês vão mesmo se casar, não é? – O rei questionou depois de um pouco de hesitação. O moreno assentiu imediatamente. – Não precisam se casar...

– Você sabe que precisamos.

–... Precisam, ou querem? – Sasuke não conseguiu responder e, para a sua sorte, um outro guarda adentrou o local para anunciar a entrada de Sakura.

Ela pareceu se surpreender por encontrar o noivo ali; baixou a cabeça e timidamente pediu: — Por favor, Sasuke-kun... Poderia nos deixar a sós? – O Uchiha estreitou os olhos como se aquele fosse o maior absurdo que já tivesse ouvido na vida.

– Você enlouqueceu? Deixá-los a sós? Você é minha noiva, se eu fizer isso a Torre inteira, Konoha inteira vai comentar! – O rosto da rosada enrubesceu.

– Mas... É um assunto particular... – Ela murmurou envergonhada. O Uchiha revirou os olhos.

– Você vai ter segredos com seu marido?! – Questionou-a irritado, e Sak se encolheu constrangida. Sasuke estreitou os lábios e aproximou-se perigosamente; puxou-a pelo queixo e a obrigou a fitá-lo. – Sozinhos não. – Disse friamente, e a Haruno suspirou como se estivesse cansada.

Naruto não pôde deixar de sorrir, e o sorriso fez com que seu rosto doesse. – Eu não me importo se ele ouvir, Sak. Seja lá o que você tenha a dizer. – Só então a moça pareceu ter percebido o estado físico de sua majestade.

– Mas o quê-...?! – O loiro riu da expressão dela.

– Vê isso? – Ele apontou para o próprio rosto. – É a família em que você está entrando. – A Haruno virou-se para o noivo, pronta para tirar satisfações, mas surpreendeu-se ao notar que Sasuke tinha um sorriso divertido estampado no rosto.

– Não fui eu. – Ele esclareceu antes que ela pudesse ficar zangada.

– Sua cunhada tem um belo soco. – Naruto suspirou dolorosamente.

– Mas... Por que a Kasumi-san...?! – Ela balançou a cabeça. Não! Aquele não era o assunto! Ela finalmente tinha tomado coragem para falar, e não deixaria ser levada pelas peraltices daqueles dois. – Naruto, eu preciso conversar com você. – Disse firmemente.

Sasuke estreitou as sobrancelhas, curioso, mas Sakura virou-se e fez menção para que ele ao menos se distanciasse. Embora o incomodasse profundamente, o guarda acabou por concordar.

Sakura aproximou-se da mesa do amigo. -... Naruto... – Ela começou com extrema hesitação. – Você é meu melhor amigo... É como um irmão. – O rapaz parecia surpreso, e olhava-a com confusão. Sak fechou os olhos, respirou fundo e, após tomar muita coragem, prosseguiu: — Eu sempre soube dos seus sentimentos. – Confessou, fazendo com que o loiro paralisasse.

Ela tornou a abrir os olhos, e encarou-o firmemente. – Quero deixar claro que o único motivo de eu estar aqui, é porque te conheço. Sei que não me ama mais. – Ele desviou o olhar, mas ela prosseguiu. – E também sei que não quer aceitar isso... – Ela apertou os punhos. – Porque é um cabeça dura acomodado. Mas... Você precisa abrir seus olhos, meu amigo. E ainda que isso acabe nos afastando, preciso ajudá-lo fazê-lo.

– Sakura, por favor-...

– Não, não me pare. – Ela implorou. – Eu tive que arranjar muita coragem para falar, então não tente me impedir. – Naruto baixou a fronte. -... Eu sei que você era apaixonado por mim, e também sei que nunca o afastei... Mas a realidade é que nunca fui capaz de correspondê-lo.

– Você já tentou?! – Ela pôde sentir uma pontada de rancor na voz do amigo, mas tentou ignorá-la. – Quer saber, isso não importa! – O Uzumaki exclamou exasperado, levantou-se e encarou o casal. – Nada disso importa! Independente de você me amar ou não, de eu te amar ou não... Isso não dá ao Hiashi o direito de obrigá-los a se casar! – Nenhum dos dois respondeu então ele prosseguiu, com a voz ansiosa: — Eu sei que ele é rico, eu sei que ele tem poder, mas eu também tenho! Então, mesmo que estejam sendo pressionados...

– Naruto. – Sakura o interrompeu; aproximou-se e segurou firmemente as mãos do rapaz enquanto olhava em seus olhos decididamente. – O motivo de eu estar me casando com o Sasuke-kun... É porque eu amo o Sasuke-kun. – Disse sinceramente.

Sasuke sorriu, nem disfarçou a alegria, e por isso, Naruto concluiu que ainda que ele negasse até a morte, aquele casamento definitivamente não estava acontecendo apenas para protegê-la.

Ela o amava e ele a amava.

Sasuke e Sakura.

Seu melhor amigo e a mulher porque havia sido apaixonado por toda sua vida.

E ainda assim... Ele não conseguia odiá-los.

Puxou Sakura gentilmente e envolveu-a num abraço carinhoso que foi prontamente retribuído. – Eu sei que está preocupado comigo... – Ela murmurou timidamente. – Mas mesmo que as intenções de seu sogro não tenham sido as melhores... – Naruto assentiu.

– Eu compreendo... Obrigado por me dizer os seus sentimentos... – De algum jeito, era como se um peso saísse de suas costas.

Sak apertou o abraço. – Por favor, Naruto... Seja sincero consigo mesmo... – Ela pediu entre um longo suspiro, e Naruto enfim decidiu tomar uma atitude.

Ele afastou-se da amiga, segurou-a firmemente pelos ombros e sorriu-lhe, confiante. – Eu vou. – Prometeu, soltou-a e correu para fora da saleta.

Sakura respirou fundo, aliviada, e sentiu os braços de Sasuke envolverem sua cintura. Enrubescida, ela virou-se, mas antes que dissesse qualquer coisa, teve os lábios roubados por um beijo surpreendentemente carinhoso, que a fez perder o ar.

Quando Sasuke se afastou, sorria feito uma criança. – Você fez muito bem. – Garantiu, e alisou as faces avermelhadas. – Eu estou orgulhoso... – Sak desviou o olhar, constrangida.

– E- Eu não fiz isso por você... – Ele estreitou a sobrancelha esquerda e puxou-a pelo queixo, obrigando-a a fitá-lo.

– Você devia aprender a ficar grata quando elogiada. Se for fazer um comentário desnecessário, simplesmente feche a boca. – Mas antes que ela pudesse retrucar, foi mais uma vez beijada... E não quis mais resistir.

~

Quando Naruto alcançou a porta do quarto de Hinata, surpreendeu-se por ser outro guarda, e não Shino, a fazer a segurança.

Depois de insistir um pouco, adentrou sem ser anunciado.

Ele sinceramente sentiu-se aliviado ao ver que apenas as irmãs Hyuuga estavam presentes.

Hinata estava encolhida nos braços da irmã, os olhos fechados e expressão doente; Hanabi cantava alguma música doce enquanto alisava a cabeleira escura da mais velha, mas sentiu a garganta fechar ao ver o cunhado parado perto da cama.

Nervosa, ela cutucou a irmã, que abriu os olhos contra a vontade. – O que foi...? – Mas Hana não abriu a boca para responder, apenas apontou para o cunhado ansiosamente; Hina seguiu com o olhar e paralisou ao vê-lo.

Mal podia saber que o coração dele palpitava tanto, se não ainda mais que o dela. – Hanabi, pode nos deixar a sós?

Notas finais
O Nyah pode ser muito doido às vezes, viu! Como assim, não publicou minhas notas?! Assim nenhum dos leitores vai poder responder minhas questões... u.u Enfim. A questão da vez é: Hentai. Fazer ou não fazer? q Meu namorado (que começou a ler TK há pouco) pediu-me carinhosamente para escrever uma bela cena de amor entre os protagonistas (sexo apaixonado e intenso, segundo suas palavras), quando a hora chegar. Mas eu estou um pouco indecisa. Depois de ler 50 tons de Cinza, fiquei muito hesitante sobre esse tipo de cena... Tenho medo que perca a qualidade da fic, então não tenho muita certeza do que fazer. Portanto, gostaria que vocês, meus queridos leitores, me ajudassem a decidir. ~ No próximo capítulo teremos o tão esperado casório SasuSaku, que trará (para a tristeza do Naruto, e alegria dos leitores) Kazekage e companhia como convidados. Sim, sim... Muitos viajantes estão para chegar. ;x ~ Err... Eu sinceramente não lembro o que disse quando postei, então não vou enrolar mais... x.x ~ Obrigada a todos que acompanham a história fielmente, e tornam-me uma autora feliz por seus maravilindos comentários, que nunca consigo responder à tempo! ~ Dúvidas? Críticas? Sugestões? Fiquem sempre a vontade! sz~ ~ Até semana que vem, queridos! *-*v