The King
23 Capítulo XXIII – Fagulha.
Notas iniciais
Eu estou muito, muito apressada hoje! XD To saindo pra fazer a prova da Fundap agorinha, mas resolvi postar antes (ainda tenho que escrever 50tonsU mais tarde...), só espero não chegar atrasada....
Enfim!
Obrigada às recomendações da semana!*-* Lee Hyuuga e Cristalle sz
Obrigada aos comentários, dessa e da última semana! (vocês são incríveis, comentando mesmo com a minha falta de tempo pra responder... sz)
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Sem mais, boa leitura! sz
Sinto muito se estiver com erros, eu betei na correria. e.e
Capítulo XXIII – Fagulha.
Tenten respirou fundo antes de descer da carruagem que havia sido mandada especialmente pelo senhor Hyuuga. Ao que parecia, ele estava muito interessado em ter uma conversa séria com a senhorita Mitsashi.
Ela sorriu gentilmente quando um lacaio ajudou-a a descer, e mesmo que fosse desnecessário, seguiu a governanta até o escritório do dono da casa.
Hiashi havia mandado-lhe um bilhete estranho àquela manhã, pedindo que fosse com sua carruagem até a mansão Hyuuga, pois tinham assuntos delicados a conversar, e ela, como desde sempre havia sido criada da família, não teve como recusar.
Quando alcançaram o escritório, a moça enrubesceu ao ver Neji – que estava em pé ao lado do tio, que estava sentado – olhando-a tão fixamente, ajeitou uma mecha do cabelo castanho atrás da orelha, timidamente e fez uma mesura educada. – Queria ver-me, senhor Hyuuga? – O homem olhou sugestivamente à governanta, que após uma reverência, retirou-se fechando a porta.
Tenten sentiu-se incomodada com o fato. Afinal, ainda que fosse uma serva, era uma mulher solteira, e não era de bom tom ficar trancada em um escritório com dois homens. – Senhorita Mitsashi, sente-se. – O patrono dos Hyuuga apontou à cadeira com uma expressão estranhamente gentil no rosto. Ela hesitou, mas obedeceu ao ver o sorriso encorajador no rosto do primo de Hinata.
- Algum problema, senhor? – O homem fixou os olhos nos dela.
- Darei cinquenta moedas de ouro, Tenten, se aceitar me descrever toda a rotina do casal real. – Aquilo a surpreendeu. Ela estreitou as sobrancelhas, confusa.
- Perdão, o que disse? – Teve que perguntar, não era possível ter ouvido certo. Mas ele repetiu a proposta, e ela sentiu-se ainda mais desconfiada. – Poderia perguntar o porquê disso? – Mas o homem deu-lhe os ombros.
- É muito estranho que Hinata ainda não esteja grávida. – Explicou. – Talvez eles não sejam tão ativos quanto sua idade deveria sugerir. – Neji revirou os olhos disfarçadamente, mas Tenten percebeu. Ela sempre percebia, porque sempre prestava mais atenção nele do que em qualquer outra coisa. – O que acha da ideia? – Hiashi insistiu, e ela controlou-se para focar no antigo patrão.
- Perdoe-me, senhor Hyuuga, mas eu não posso fazer isso. – Ela sorriu gentilmente, surpreendendo o homem.
- Não pode fazer? Como não pode?!
- Agora sou a serva da rainha, e lhe devo lealdade. – Ele estreitou os olhos claros, decepcionado.
- Trabalhou aqui a vida inteira, menina. – Lembrou-a.
- Então deveria ficar feliz por ter certeza da minha honestidade. – O sorriso dela continuou no rosto, e Hiashi estreitou os lábios.
- Setenta moedas de ouro. – Ela negou.
- Minha fidelidade não pode ser comprada, senhor. – Insistiu.
- No entanto, está sendo mais leal à sua nova patroa.
- Isso porque se trata da antiga senhorita Hyuuga. – A mocinha pontuou com um suspiro. – Perdoe-me, senhor. Não posso fazer isso. – Repetiu. Ele suspirou longamente, se ajeitou na cadeira e continuou a olhá-la.
- Sabe que outra criada pode me contar, não é? – Tenten hesitou em responder, mas quando o fez, disse-lhe com os olhos decididos:
- Sei disso. Mas a traição não sairá de meus lábios. – E se levantou. – Embora seja meu antigo patrão, senhor Hyuuga, embora tenha agido de maneira correta, e até mesmo bondosa comigo ao permitir-me uma boa educação... Não posso fazer isso, desrespeitar a privacidade do casal real... Não porque eles são o casal real, mas porque vai contra meus princípios delatar alguém que me tem confiança. – Dando-se por vencido, Hiashi deu os ombros.
- Como quiser, é você quem perde o dinheiro. Eu tenho outros meios de conseguir a informação. – Ela assentiu lentamente, decepcionada com o fato de seu discurso tão bem feito ser praticamente ignorado.
Fez uma mesura educada e seguiu até a porta. – Senhorita Mitsashi, — Hiashi chamou-a antes que saísse do local, fazendo-a virar o rosto em sua direção. – Fico feliz que minhas filhas estejam em suas mãos. – Disse-lhe, sorrindo sinceramente.
O rosto de Tenten enrubesceu, e ela assentiu lentamente, constrangida, antes de sair do escritório.
Não estava nem na metade do corredor quando sentiu o braço de alguém puxar o seu, e o coração palpitou ao ver Neji Hyuuga com uma expressão nervosa. – Desculpe-me por isso, Tenten. Eu tentei convencê-lo a se comportar, mas... Sabe como meu tio é impulsivo quando se trata de Hinata. – “Não apenas ele”, a moça quis dizer, mas concordou com um sorriso sem graça. – Sei que não faria isso, mas ainda assim, gostaria de pedir que não falasse sobre essa conversa com minha prima... Ela ficaria preocupada. – Imediatamente, a morena concordou.
- De qualquer maneira, eu não diria... Sou grata aos Hyuuga, afinal de contas. – Ela ajeitou os cabelos, mais por nervosismo do que por necessidade. Neji lhe sorriu.
- Sim, nós também somos gratos a você. Pelo carinho, pela consideração... E especialmente pela fidelidade. – Ele puxou-lhe a mão e educadamente beijou-a. – As pessoas em nossa posição dificilmente podem confiar em seus empregados, mas você é uma boa exceção. – Com o rosto vermelho e coração dolorosamente acelerado, a Mitsashi anuiu em silêncio.
Para a sorte da mocinha, a governanta logo os alcançou, e após despedidas educadas, ela tornou para a carruagem.
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- Ele só te beijou?! – A exclamação de Mikoto foi tão alta e revoltosa que a rainha engasgou-se com o suco.
- Madrinha, pode controlar a voz?! – A jovem pediu com o rosto avermelhado, mas a Uchiha deu-lhe os ombros.
- Ninguém vai nos ouvir. – Ela balançou a mão de maneira banal. – De qualquer forma... Como assim, ele apenas beijou-lhe?! – Os olhos negros estavam fixos aos perolados, e Hinata sentiu a incômoda sensação de ter cada um de seus movimentos friamente analisados.
- Bem... – Ela ajeitou uma mecha dos cabelos azulados, e olhou para as mãos pousadas em seu colo. – Eu fiz o que a senhora disse: pedi um beijo...
- Não falei para pedir um beijo. – Hinata enrubesceu, mas prosseguiu:
- Mas então eu só consegui selar seus lábios... – Ela suspirou longamente, e o coração queimou ao lembrar-se do toque do amado marido...
Hinata estreitou os olhos, e uma sensação estranha invadiu seu estômago. Desde quando ela pensava nele como seu amado marido? – Prossiga, querida. – Mikoto insistiu com um sorriso terno o suficiente para que a mocinha conseguisse tentar se acalmar.
- Bem... Eu sou tímida, Mikoto. – E suspirou. – Foi difícil o suficiente pedir um beijo... Não consigo me imaginar pedindo algo como... Como... – Ela sentiu o rosto queimar, e após pigarrear, continuou: — Enfim. Eu selei-lhe os lábios, e quando me afastei... – Mordeu o lábio inferior, sentindo-se ansiosa só por lembrar. – Ele me puxou, disse que “já que eu queria um beijo, me daria um”, e beijou-me... De uma maneira tão, tão... Intensa...! – Ela estreitou os olhos, enrubescida por lembrar-se do toque dos lábios, dos carinhos no rosto sempre retribuídos, dos corpos tão próximos...
- Bem, isso é maravilhoso. – A duquesa sorriu sinceramente, e puxou uma das mãos da afilhada. – É esplêndido o fato de estarem se aproximando... Ainda que tão lentamente, eu fico realmente feliz. – Mas sua afilhada não estava tão certa de tamanha felicidade. Hinata empalideceu ao notar isso.
- Sim... Ele me beijou, mas... – Balbuciou lentamente, quase inconsciente da presença da Uchiha. – Beijou-me, mas ama aquela senhorita Haruno! – Exclamou de repente, zangada, mas ao mesmo tempo agonizada com a lembrança, e encolheu-se no sofá com a respiração alterada. – Deus! Dói só de falar! – Falou mais para si mesma, e Mikoto soube que ela estava apaixonada.
Ela alisou as mãos de sua menina, e envolveu-a num abraço maternal. – Oh, querida... – Murmurou, agora cariciando as madeixas azuladas. Hinata se encolheu nos braços da mulher, aproveitando-se do calor humano, do sentimento terno que sentia tanta falta... Ela nunca havia tido momentos assim com sua mãe, pois ela e a senhora Hyuuga eram polos diferentes em personalidade. Ainda assim, era triste ter que procurar consolo nos braços de uma mãe que não era a sua. – Não pense dessa maneira. Quem é a senhorita Haruno, se comparada a você? – Mikoto disse-lhe, tirando-a de seus devaneios, e Hinata sentiu-se paralisada.
-... Ela é... A pessoa que sempre esteve ao lado dele... A mulher que ele ama; a mulher com quem quer viver o resto de sua vida... – A duquesa estreitou as sobrancelhas, afastou-se e segurou firmemente os ombros da afilhada.
- Oh, é mesmo? Bem, ela não parece retribuir esses sentimentos tão profundos, então eles de nada valem. E quem garante a você que ele ainda pensa assim? Por Deus, Hinata! O que aconteceu com você? Sempre foi cortejada o suficiente para não ter problemas de autoestima!
-... Então, responda-me madrinha. – Os olhos perolados ficaram sérios, e fixaram-se nos negros. – Se ele me amasse, pararia depois de um beijo? – A esposa de Fugaku não teve tempo de responder, pois ela o fez: — Ele não pararia.
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Naruto Uzumaki definitivamente não era o tipo de homem conhecido por seu autocontrole.
Ele havia crescido como uma criança insuportavelmente briguenta e traquina, e hoje, era um rapaz indiscutivelmente impulsivo... Não que ele gostasse de ser assim. Na verdade, como boa parte da humanidade, ele considerava a impulsividade, muitas vezes, uma grande idiotice.
Qualquer cavalheiro minimamente respeitável em sua situação – dentro de um casamento forçado com a criatura mais doce, pura e adorável do mundo – estaria satisfeito consigo mesmo por conseguir manter sua doce esposa pura como um anjo.
No entanto... Ele só conseguia pensar que era um estúpido, um palerma, um idiota de primeira categoria! E realmente não conseguia compreender como havia se controlado... Afinal, tudo em Hinata Hyuuga... Ou melhor, Hinata Uzumaki era absurdamente atraente: seus olhos, seus sorrisos, sua voz... Todas as suas expressões, e até mesmo o jeito dela falar! Ele não sabia explicar o motivo, mas de uns tempos para cá – ele também não sabia dizer quando – pegava-se observando e admirando cada gesto da mocinha, e a cada dia reafirmava a certeza de que ela era um anjo vindo para testar os seus instintos. – Por sua expressão, não acredito que esteja prestando atenção no jogo. – Sasuke murmurou com um sorriso maldoso, tirando sua majestade de seus devaneios.
- Oh, desculpe-me. – Pediu desnecessariamente. O moreno deu os ombros, os olhos negros fixos ao tabuleiro.
Os jovens estavam dentro do quarto do senhor Uchiha, que embora fosse surpreendentemente confortável, não era nem de longe acolhedor.
O quarto de Sasuke, diferente de tantos outros dentro da Torre, não tinha quadros. Nem retratos, nem paisagens, apenas livros. Montantes de livros e pergaminhos, organizados em estantes e amontoados sobre a escrivaninha. Também tinha duas janelas de tamanho médio, uma mesa para o chá, como em todos os quartos e um armário não muito grande. As paredes eram escuras, vermelho vinho, e sua cama impecavelmente arrumada sobre os lençóis de cor bege. Como o rapaz Uchiha era muito dado a jogos de estratégia, tinha diversos tabuleiros, e esse era o motivo principal da presença do rei estar sentado em uma cadeira desconfortável no aposento de um reles guarda. – Eu vou ganhar de qualquer jeito... – Naruto fez uma careta e suspirou. – O que o aflige, majestade? – Ele lhe ofereceu aquele sorrisinho sarcástico só para provocá-lo, mas o Uzumaki estava tão acostumado que não se importou.
- Ontem aconteceu algo complicado... – Ele confessou suspirando. Se havia alguém dentro daquele castelo que conseguia lembrá-lo de que era um jovem rapaz, esse alguém era Sasuke.
Quando estavam juntos e sozinhos, nenhum dos dois se preocupava em manter as aparências, e agiam como os bons amigos que eram, e sempre mantinham uma conversa natural. De vez em quando trocavam farpas e ironias, mas isso parecia ser comum. – Bem, eu sou mais inteligente que você. – O moreno o lembrou com um sorriso maldoso. – Talvez não seja tão complicado para mim. – Provocou, mas Naruto apenas revirou os olhos. – É sobre Hinata? – Ele não precisou responder verbalmente, pois seu rosto avermelhando-se instantaneamente foi o suficiente para o intelecto do Uchiha. – O que foi? Ela anda negligenciando os deveres de esposa? – Ainda tinha a expressão zombeteira, que fez o outro suspirar longamente, como se estivesse cansado.
- Ela não tem deveres de esposa. – Disse sem pensar, e Sasuke paralisou. Lentamente, os olhos negros – que antes estavam no tabuleiro – ergueram-se e fixaram-se nos azulados. – E- Ela tem deveres de rainha! – O rei tentou consertar, mas em vão.
- Explique. – O Uchiha encostou-se às costas da cadeira e fitou o Uzumaki como se estivesse começando um interrogatório. – Como assim, “não tem deveres de esposa”? – Questionou com as sobrancelhas arqueadas. Naruto coçou o rosto, e naquele momento, esqueceu-se completamente de sua posição – de que ele era o Rei, enquanto Sasuke não bastava de um guarda.
-... Nós nunca fizemos nada, Sasuke. – O loiro confessou lentamente, e estreitou os lábios ao ouvir a gargalhada estridente do melhor amigo. – O que é engraçado?
- Não, não! – Ele tentava recuperar o fôlego. – Isso é impossível! Mesmo eu não resistiria! – Naruto não gostou do comentário, mas preferiu ignorá-lo.
- Eu não sou você. – O loiro murmurou incomodado. – Quando nos casamos, não passávamos de desconhecidos... Seria estranho, tanto para mim quanto para ela, se começássemos uma relação por obrigação. – Sasuke balançou a cabeça.
- Hinata é uma mulher respeitosa, mas jamais ignoraria os deveres matrimoniais... – E então ele empalideceu. -... Se vocês nunca fizeram amor... O casamento não foi consumado...! – E olhou de maneira tão reprovativa quanto curiosa em direção ao superior. – Você fez de propósito? – O silêncio foi resposta suficiente, então ele prosseguiu, mudando a postura descontraída para uma completamente séria, fechada e severa. – Está pensando em anular o casamento? – Ele perguntou com a voz ponderada, e o amigo suspirou longamente.
- Não sei mais o que penso... – Confessou, levantando-se. Seguiu até a mesa de chá e serviu-se da bebida forte que pousava sobre ela. – No começo, eu realmente pensei que pudesse fugir disso. – Ergueu as mãos em direção às paredes. Sasuke continuava sentado, observando-o com seus olhos de águia. – Eu pensei que teria coragem para pegar a Sakura e fugir daqui. – O Uchiha não respondeu. – Mas... – O loiro suspirou profundamente, desgraçadamente. – Eu não posso fugir disso. Sei que não... Nem de ser um rei, nem da torre, e muito menos da Hinata.
- Então você desistiu de anular o casamento? – Essa era uma resposta que ele não sabia. – O que aconteceu de tão complicado? – O moreno quis saber, sua expressão era indecifrável. Naruto serviu-se de mais álcool antes de dizer:
- Eu a beijei. – Os olhos negros reviraram.
- Pelo amor de Deus! Vocês se beijam depois de meses dormindo na mesma cama, e você fica assim? – Naruto negou com a cabeça.
- Não é tão simples assim. – Sasuke não conseguiu pensar em outra coisa para dizer além de “sim, é tão simples”, mas Naruto prosseguiu antes que ele pudesse verbalizar o pensamento. – Não é tão simples, porque eu não a amo... – Sim, ele não a amava. – Amo a Sakura... – Disse, mais para si do que para o companheiro.
Sim. Ele amava Sakura. Amava desde sempre. Desde que era um molecote sem amigos, desde que os dois órfãos haviam começado a brincar juntos nos corredores do convento... Ele a amava há tanto, que era impossível sequer imaginar a possibilidade de estar apaixonado por outra pessoa – ele havia demorado um tempo só para admitir a si mesmo que estava atraído pela esposa! – Eu amo a Sakura... – Ele tornou a afirmar, mas por algum motivo, dizer aquilo agora não parecia certo.
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- Irmã! – Hanabi exclamou alegremente ao encontrar Hinata àquela manhã, como se não se vissem há anos, como se encontrá-la ali fosse a melhor surpresa de seu dia, ainda que aquela fosse a saleta de visitas da rainha.
A mocinha correu em sua direção, enlaçou sua cintura e sorriu ao sentir o afago carinhoso nos cabelos castanhos. – Irmã! – Ela tornou a exclamar. – Como foi ontem? Como está o campo? As flores são bonitas? E as frutas, estão maduras? – Mikoto abafou uma risada, e a pequena Hyuuga enfim pareceu notar que a irmã estava acompanhada. Soltou-a imediatamente, afastou-se e fez mesura à duquesa com o rosto queimando de constrangimento. – D- Duquesa! Que prazer revê-la... – Mikoto estreitou as sobrancelhas.
- Nunca me tratou assim, não comece agora. – Exigiu, e lançou um olhar à Kurenai, que observava da porta. Certamente, a mulher era o motivo da educação repentina da caçula Hyuuga. – Não se preocupe, Kurenai. Eu as vi crescer, então sou como uma tia chata. – Explicou com um sorriso doce, e a senhorita Yuuhi assentiu antes de fazer uma educada reverência. – Bom, acho que vou me retirar. – A Uchiha decidiu de repente, e antes que os protestos das irmãs pudessem começar, ela explicou: — Preciso ver meus filhos, minha neta, Kasumi... – E suspirou, simulando cansaço, embora estivesse visivelmente feliz com a oportunidade de rever os parentes. – Então me vou. – Aproximou-se da afilhada e alisou suas faces. – Boa sorte, querida. – Desejou com a voz baixa, e depois das despedidas, retirou-se.
Hanabi, após a saída da Uchiha, tornou a ser a moleca agitada de sempre: sentou-se com os pés no sofá da rainha e começou a descrever detalhadamente o encontro do pai, no dia anterior.
Claro que nem chegou a cogitar contar sobre a sua traição, porque embora amasse a irmã e fosse extremamente fiel a ela, temia a decepção de Hinata. Além do mais, não era como se Hiashi fosse estragar a vida da filha mais velha, só porque soube que ela continuava virgem mesmo depois de casada, então aquela podia ser uma informação omitida. – Oh, ele nos deixou lindos presentes! – A caçula lembrou com brilho nos olhos. – Deixou o seu comigo, claro... São quimonos maravilhosos, irmã. O seu é azul, e o meu, cor-de-rosa! Papai fez questão de trazer nossas cores favoritas! – Hinata abafou uma risada.
- Mal posso esperar para vê-los... – E nesse momento, Shino abriu a porta, e anunciou a visita de Kiba Inuzuka.
Hinata surpreendeu-se, mas concordou que o rapaz entrasse imediatamente.
Claro que o filho do conde sentiu-se extremamente decepcionado ao notar que a rainha não estava sozinha, mas embora tentasse não transparecer o fato, foi inútil. Hanabi o conhecia a tempo demais para não suspeitar de suas intenções. Portanto, como tivesse assumido o posto que havia sido de Neji por muito tempo, ela continuou na saleta o tempo todo ao lado da irmã, como um cão de guarda, obrigando o Inuzuka a se comportar como um perfeito cavalheiro.
Kurenai, que parecia cumprir o cargo de dama de companhia naquele momento, sentiu-se orgulhosa e satisfeita com a atitude da caçula da família Hyuuga.
Enquanto bordava uma manta para o filho, observou atentamente cada conversa, e divertiu-se sempre que, quando qualquer assunto que poderia levá-los a uma discussão mais séria pudesse surgir, Hana sempre fazia questão de desviá-lo como uma observação estúpida, como “veja só os movimentos das árvores!”. Definitivamente, era uma garotinha muito esperta.
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Sasuke, sentado em algum canto do imenso jardim da Torre, viu-se perdido enquanto encarava o nada, quando tentava pensar em nada. – Sasuke-kun. – A voz doce que ele reconheceria de qualquer lugar soou, tirando-o dos devaneios e trazendo-o de volta à maldita realidade onde o rei a amava. – No que está pensando? – Ela agachou-se à frente dele, segurando a saia de maneira comportada, com os olhos verdes expurgando curiosidade.
Sasuke suspirou longamente, com aparente irritação que a pegou de surpresa. Sak estreitou as sobrancelhas e aproximou-se um pouco mais – mas para ele pareceu demais. – Algum problema...? – Antes que ela pudesse concluir a pergunta, ele se levantou quase a fazendo cair – quase, pois segurou seu antebraço antes que pudesse acontecer. A rosada enrubesceu, tanto com o toque quanto com a proximidade que tinham quando ele a ajudou a se levantar.
Para a sua alegria, pôde notar que ele também havia ficado tenso com a aproximação, e tomando coragem de Deus sabe onde, ergueu as mãos e pousou-as sobre o peitoral definido, fazendo o guarda enrijecer.
Ela se aproximou lentamente, e sentiu o peito explodir de felicidade ao vê-lo baixar o rosto para que ela pudesse alcançar seus lábios, mas antes que o fizesse... Ele a afastou: agarrou-a pelos braços e a afastou com tanta rapidez – e rispidez – que ela não podia contabilizar. – Sasuke-kun...?
- Não me chame assim! – Ele exclamou, surpreendentemente furioso. – É “senhor Uchiha”, “senhor Uchiha”, pelo amor de Deus! – Ele implorou. Sempre que a ouvia chamá-lo pelo nome, era como se um raio atravessasse seu corpo, mas só então pôde perceber...
Ele trincou os lábios. Não, não havia percebido agora. Havia percebido no mesmo momento em que Naruto havia decidido confiar-lhe seus sentimentos. Ele teve a certeza de estar apaixonado no momento em que Naruto, seu rei, seu melhor amigo, lhe disse que amava Sakura.
Sua Sakura.
A Sakura teimosa, inconsequente, cuidadosa, doce e generosa que o amava, e que ele amava, mas que era impossível. – Eu fiz algo errado? – Ouviu-a perguntar.
- Sim. – Ele disse entre dentes. – Fez tudo, tudo errado! – Exclamou furioso, apertando os braços dela de uma maneira dolorosa. Ela não precisou pedir para que ele explicasse, pois ele o faria de qualquer forma. – Foi errada quando se interessou por uma pessoa como eu, porque não podemos ser nada além de bons amigos. – Ela sentiu o estômago revirar; havia empalidecido, mas Sasuke estava agitado de mais para parar. – Também foi errada quando decidiu não contar os seus verdadeiros sentimentos à sua majestade, condenando-o a um eterno amor platônico não correspondido!
- Mas ele é claramente apaixonado pela esposa! – A Haruno interveio.
- No entanto, está decidido a amar você. – Os olhos negros se estreitaram. – Tem alguma noção, senhorita Haruno, do que aconteceria comigo, se o rei me julgasse como um traidor? – A Haruno não respondeu. – Sim, porque ele confidenciou seus sentimentos a mim... E ainda assim eu estou aqui, em frente à mulher que ele acredita que ama. – “A ponto de beijá-la”, ele queria adicionar, mas foi forte para não fazê-lo. Talvez, se ela soubesse que ele também desejava aquilo, fizesse outra investida, e ele sinceramente não tinha certeza se aguentaria. – Por acaso você tem sonhos, senhorita Haruno? Um sonho de vida... O meu, é me tornar um conselheiro. – Ele riu. – Não pelas graças do cargo, mas pelo simples fato de que sei que sou capaz, e quero ajudar a reerguer esse maldito lugar! – Sakura fungou, e só então ele percebeu que ela chorava.
Inconscientemente, o rapaz deslizou os lábios pelo rosto dela, secando-lhe as lágrimas, fazendo com que todo o corpo da moça paralisasse. Ele gemeu de frustração, pois estava adorando tocá-la, e se odiando por isso. A Haruno fechou os olhos e apertou as vestes escuras. – Ele só acha isso... Não é como se realmente me amasse... – Sussurrou ansiosa. – Então, por favor... – Mas Sasuke se afastou, e antes que ela pudesse olhar seu rosto, o rapaz virou-se e seguiu caminho à Torre.
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Naruto e Mikoto haviam se encontrado no escritório de Itachi. O rei estava lá para cumprir mais alguns itens na lista de responsabilidades, mas se alegrou verdadeiramente por reencontrar a duquesa.
Eles conversaram alegremente, e ele insistiu muito para que ela visitasse a Torre mais vezes, pois todos se agradavam com sua presença. Infelizmente, a conversa tornou-se um pouco desagradável quando de algum modo, o assunto “Kiba Inuzuka” começou. – Eu o vi há pouco. – A Uchiha informou ao loiro enquanto bebericava uma xícara de chá, os olhos negros fixos nos azulados. – Estava indo visitar a rainha. – E de alguma maneira, sem que ele pudesse se controlar, Naruto se levantou.
Ele saiu do escritório de Itachi sem qualquer menção de ser educado e deu passos largos e rápidos – quase corria – em direção à sala de uso particular da esposa.
Quando a alcançou, entretanto, encontrou Tenten ajeitando-a. – Onde está minha esposa? – Ele questionou ansioso. A senhorita Mitsashi estreitou as sobrancelhas, surpresa e desconfiada, mas disse-lhe que a rainha havia se retirado com as visitas para seu quarto particular.
Naruto, com o sangue subindo a cabeça, sequer agradeceu – como costumava fazer – e seguiu para o quarto da moça.
Ele não pediu para ser anunciado, na verdade, estava tão furioso que nem sequer percebeu que Shino estava do lado de fora, de guarda, como sempre; entrou no quarto repentinamente, e paralisou.
Ele sequer teve forças para fechar a porta – trabalho que havia sido realizado pelo sempre competente Shino.
Não conseguiu pensar em absolutamente nada que fosse coerente. Isso porque Hinata estava seminua, olhando enrubescida em sua direção, sozinha. Sim, sozinha. Aparentemente, ela parecia vestir um quimono azulado, que naquele momento estava aberto, exibindo partes do corpo dela que ele só havia visto em seus sonhos.
Atrapalhada, ela tentou se cobrir, mas não pôde fazê-lo muito bem, já que as mangas eram longas, assim como o cumprimento do tecido. – M- Meu marido! – Ela exclamou nervosa. – Que surpresa em vê-lo! – Estava notavelmente tensa. – E- Esse foi um presente que meu pai me trouxe da viagem de negócios; ele foi até Suna, trouxe um para mim, e outro para minha irmã. – Explicou-se, mas Naruto não estava ouvindo. Lentamente, ele aproximou-se, quase hipnotizado. – Nós, os Hyuuga, juntamo-nos ao país do Fogo durante a expansão, mas viemos de terras orientais. Papai é muito tradicional, então sempre usávamos quimono no clã, — se agachou à sua frente, e ela enrubesceu, mas estava tão nervosa que não pôde parar de tagarelar. – Sei que é quase impossível ter oportunidade de colocar um aqui na Torre, mas já que foi um presente, eu tentei experimentar e-... – Arfou ao sentir os lábios dele beijando seu umbigo. – E, Kiba me trouxe um bonito enfeite de cabelo... – Ela tentou continuar, mas arfou de novo, ao sentir os lábios dele sobre sua barriga. – Naruto...! – Exclamou timidamente, e ele tornou a se levantar.
Naruto deslizou a mão pela cintura fina da esposa, por dentro do tecido, e puxou-a para si, roubando-lhe um beijo surpreendentemente caloroso, que foi retribuído com muito bom grado e carinho.
Encantada, tanto com o beijo, quanto com as carícias que ele fazia em sua cintura, ela pegou-se alisando seu rosto, puxando-o para perto, mas ele se afastou. Quando o fez, Hinata estava tão cambaleante que sentia que podia desmaiar a qualquer momento, mas os olhos azuis, sérios, fixos aos seus, impediram-na de qualquer vexame.
Naruto observou-a, sua respiração descontrolada, seu rosto avermelhado... Seus olhos de pérola tão perdidos no mesmo desejo que o dele... Sem resistir, ele mordiscou o lábio inferior da esposa. – Ouvi dizer que recebeu a visita do seu antigo noivo... – A voz dele era um sussurro letal, que ela considerou surpreendentemente sedutor.
Assentiu lentamente em resposta, e sentiu-o arranhar o meio suas costas com a mão que ali descansava. Encolheu-se, mas engoliu o arfar. – Depois, quando fui procurá-la – ele prosseguiu – ouvi que tinha trazido suas visitas pro quarto... – Ela assentiu lentamente, não porque aquilo fosse verdade, mas porque estava zonza demais para qualquer outra ação. Mas Naruto não tinha como saber, então se sentiu frustrado e irritado; desceu as mãos – o palmo necessário para o céu – e apertou-a. Hina tremeu, e arfou mais alto. – Você não devia fazer isso. – Ele sussurrou contra a orelha dela. – Não devia me provocar, sem pensar nas consequências. – Deliciada pela óbvia demonstração de interesse, ela não se conteve: puxou seu rosto e roubou-lhe um beijo rápido.
- Eu pensei que quisesse que eu me apaixonasse... – Esforçou-se muito para que sua voz soasse com ironia, e ele pareceu despertar, pois recuou, cambaleando, e pôs as mãos na cabeça.
O que diabos ele estava fazendo? – Você está com ciúmes. – Hinata respondeu sua pergunta interna; ele ergueu os olhos azuis, surpreso, e ela sorria docemente. – Com ciúmes porque não conhece bem minha relação com Kiba, acredito. – O loiro sentiu o rosto avermelhar-se.
- Não! – Mentiu, e Hina ergueu uma das sobrancelhas, desconfiada.
- Não...? Pois me pareceu bem ciumento. – Naruto sentiu o coração palpitar, e nervoso, deixou soltar:
- Como posso ter ciúmes de você quando amo outra? – Calando não somente os argumentos da rainha, como toda a felicidade daquele momento.
Hinata recuou um passo, e de algum jeito conseguiu se encobrir definitivamente com o quimono. – Você devia ir. – Ela pediu enquanto caminhava até a cama.
Naruto sabia que qualquer homem em sã consciência continuaria ali, ao lado de sua seminua maravilhosa esposa, mas ele viu, pelos olhos dela, o quanto estava magoada... E o impacto daquela conclusão sobre seu coração foi tanto, que ele ficou confuso, e se apressou em obedecê-la.
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Quatro dias haviam se passado desde que Hiashi descobrira sobre a farsa da filha e do genro. Embora a senhorita Mitsashi tivesse se recusado permanentemente a passar informações, ele naturalmente não havia tido problemas em conseguir outra criada menos idealista.
A moça em questão escrevia-lhe diariamente, duas vezes por dia e às vezes, até mesmo três, e descrevia toda a rotina do casal real, além de acontecimentos na Torre que o senhor Hyuuga pudesse cogitar a considerar relevantes.
Para a decepção de Hiashi, as coisas não pareciam ir bem para sua filha. Segundo a informante, Naruto passava muito mais tempo em companhia dos irmãos Uchiha – especialmente do irmão mais jovem – e mal se encontrava com a esposa. Hinata também não parecia estar fazendo questão da presença do marido, já que não o procurava desde a última noite que haviam passado juntos.
Ele então havia decidido visitar a filha no intuito de sondá-la, e pôde perceber que Hinata parecia muito mais quieta do que costumava ser. Notou que ela sempre ficava nervosa, ansiosa, e enrubescida quando tocava no nome de sua majestade, e pôde ter certeza que a negligência vinha por parte dele.
Hiashi já tinha uma pequena ideia do que poderia estar acontecendo para que o relacionamento daqueles dois não engatasse logo. A seu ver, era impossível qualquer homem no universo não se apaixonar por sua menina, então a única resposta plausível para aquela situação era que o Uzumaki já estava apaixonado.
Quando entrou na carruagem àquela tarde, após a visita à filha, estava decidido em botar em prática a decisão mais arrogante que já havia tomado em toda a sua vida, e comandou que o lacaio o levasse até a mansão Uchiha. – O que vai fazer na mansão Uchiha, tio? – Neji questionou em um momento.
- Colocá-los contra a parede. – Embora estivesse decidido, para o sobrinho era claro que ele estava tenso.
- Isso pode não dar certo, tio. Pressionar os Uchiha... – Hiashi ergueu a mão, pedindo silêncio. Ele já estava nervoso o suficiente, e o sobrinho não precisava lembrá-lo de todas as dores de cabeça que poderia vir a ter posteriormente. – Por que fará isso? Foi preciso duas gerações para que as relações de nossas famílias se reestabelecessem.
- Eu não tenho outra escolha. – O velho suspirou longamente. – Acredito que os interesses de sua majestade sejam... – Ele estreitou as sobrancelhas. – Peculiares. E por isso não se aproxima de Hinata. – Pela expressão de Neji, estava claro que ele não compreendia.
O patrono dos Hyuuga suspirou longamente. – Penso que o rei está apaixonado por Sasuke Uchiha. – Os olhos do rapaz se arregalaram. – Já conheci alguns homens com esse tipo de interesse, não é muito incomum, na realidade.
- Meu tio! Isso poderia custar sua cabeça! – Hiashi deu os ombros.
- Não é como se eu fosse revelar minhas suspeitas para o mundo, mas se não é pelo garoto de Fugaku, deve ser pela amiguinha de infância. – O velho homem fez uma careta. – Mas não consigo imaginá-la vencendo minha menina em qualquer aspecto. – A carruagem, então parou. – Ainda assim, por via das dúvidas... Darei um jeito em ambos.
Notas finais
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Enfim... O que acharam do momento NaruHina? Sinceramente, gostei mais de escrever o SasuSaku, mas eu fiquei muito ansiosa quando idealizei o NaruHina! XD
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Bem, sem mais, vou-me ir! Correr para fazer a prova! o/
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Dúvidas? Críticas? Sugestões? Eu sempre leio, embora nem sempre responda. Vou tentar respondê-los ainda essa semana! Peço perdão por não fazer sempre... T-T
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Enfim!
Até semana que vem, espero que tenham curtido! sz
Mais uma vez, perdão, se tiverem erros. x.x Foi a betagem mais rápida que eu já fiz na vida. LOL
Obrigada a todos! sz
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